sexta-feira, abril 09, 2021

Ocorrência: 200 anos de CB

Hoje, 9 de Abril de 2021, assinalam-se e celebram-se os 200 anos do nascimento de Charles Baudelaire. Um escritor que é um dos que mais admiro, tanto que «As Flores do Mal» está na lista dos 20 livros mais importantes da minha vida, que «A Invenção da Modernidade – Sobre Arte, Literatura e Música» (colectânea portuguesa que reúne, traduzidos, os seus textos críticos e ensaísticos mais importantes) foi escolha e destaque num dos meus «balanços» culturais quadrimestrais, e que ele próprio foi inspiração e assunto de um poema redigido por mim depois de uma viagem a Paris em Agosto de 2011, e incluído num livro que (como outros) está por publicar.
Um autor com um trabalho que resistiu ao «teste do tempo», caracterizado por uma qualidade e uma importância que se mantêm incontestáveis, pode sempre ser evocado e abordado por uma multiplicidade de pretextos e de perspectivas. No caso de Charles Baudelaire há, por exemplo, a influência que ele teve em José Maria Eça de Queiroz, expressa principalmente na figura de Carlos Fradique Mendes. O saudoso Vasco Graça Moura, em crónica de 2012, alude ao «dândi» que supostamente fora amigo do poeta francês. Ana Rocha deu no Centro Nacional de Cultura, entre final de 2017 e início de 2018, uma conferência em três partes sobre as ligações entre os dois grandes vultos das letras, ligações que foram também o tema de uma tese elaborada por Antonio Augusto Nery. (Também no Queiroz150.)

sexta-feira, março 26, 2021

Observação: Revisionismo discrimino-censório

No início desta semana que agora termina, e em dias consecutivos, duas pessoas que podem ser colocadas (eu coloco-as) entre os mais destacados «bloguistas» portugueses publicaram «postas» sobre o que é, praticamente, o mesmo tema: as consequências do que vamos designar de um extremo revisionismo dicrimino-censório – versão mais recente e demente do já de si duradouro e detestável «politicamente correcto» - na literatura mundial e até no mercado literário português e nos autores nacionais, revisionismo esse que tem origem em muitas universidades dos Estados Unidos da América, e que a partir daí «contaminou» bastantes – demasiado(a)s) – indivíduos e instituições (incluindo empresas privadas), não só naquele país mas também noutros.
A 21 de Março, no Malomil e em texto intitulado «A traição dos intelectuais», António de Araújo aborda as controvérsias decorrentes da tradução do primeiro livro daquela que é supostamente a mais jovem vedeta das letras norte-americanas: «(…) Porque é que Amanda Gorman e os seus agentes levantaram objecções a que a sua poesia fosse traduzida para catalão por um branco, Victor Obiols, mas não objectaram a que fosse traduzido para espanhol por uma branca, Nuria Barrios, dita “sem historial activista”? Porque é que só agora, à boleia desta nova polémica, é que Grada Kilomba vem questionar e criticar a tradução para português do seu livro, “Memórias da Plantação”, feita por um homem branco, Nuno Quintas, e nada disse nem objectou quando essa tradução foi feita, em 2019? (…) Que características de um determinado autor devem ser valorizadas na escolha do seu tradutor? No caso de Amanda Gorman, vemos apontadas as seguintes características: “jovem”, “mulher”, “negra”, “filha de mãe solteira”. Dessas, qual a decisiva na escolha do tradutor? Apenas uma, a etnia? Todas? Porque não o facto de ser mulher? Ou jovem? Ou filha de mãe solteira? Com que legitimidade se erige a etnia em detrimento do género, por exemplo? Se escolhemos a etnia como ponto decisivo do “lugar da fala”, isto significa que apenas negros podem traduzir negros e brancos podem traduzir brancos? Se sim, porquê? Se não, porquê? Porque é que a etnia de um tradutor lhe confere especiais qualificações para o seu ofício? Isso não será racismo, no fim de contas? (…) Quem pode traduzir Amanda Gorman? Uma homem de meia-idade pode fazê-lo? Ou apenas Amanda Gorman pode traduzir-se a si própria? Um homem pode traduzir literatura feminista? Um heterossexual pode traduzir escritos gay? Um agnóstico pode dar voz à “Bíblia”? E quem pode traduzir os clássicos, Aristóteles ou Platão, Joyce ou T. S. Eliot? Um judeu não pode traduzir “Mein Kampf”? Ou, pelo contrário, só um judeu pode fazê-lo? Não haverá aqui o risco, mais do que evidente, de se criarem novos casulos e barreiras, contrariando a essência própria, universalista, dialogante, do acto de traduzir? (…)»
A 22 de Março, no Horas Extraordinárias e em texto intitulado «Estupidez», Maria do Rosário Pedreira aborda a – inesperada – dificuldade em conseguir editar nos EUA um (por ela não identificado) escritor nacional: «Disse-se ao longo de mais de uma centena de anos que a América era a terra das oportunidades; infelizmente, passou a ser a terra da oportunidade de ficar calado, pois não se pode agora falar de nada sem que todas as nossas palavras, por mais inocentes que sejam, acabem julgadas da pior maneira. Recentemente soube que recusaram a obra de um autor português com um relatório em que, antes de mais nada, o descreviam como muitíssimo talentoso; mas esse talento era secundário para a editora norte-americana que decidiu não o publicar porque um dos romances falava de forma muito directa de um tema que, para a imprensa norte-americana, era muito sensível (a deficiência); e o outro tinha, entre as suas personagens, uma transexual (mas, como o autor não o é, certamente iria ser acusado de falar do que não sabe; ainda pensaram pedir um segundo relatório de leitura a alguém da comunidade LGBT lá do sítio, mas não encontraram nenhum trans que lesse português). (…) É uma outra forma de preconceito que em nada ajuda as minorias, fingindo que as protege. Se os autores não podem falar do que não sentiram na pele, não é isso uma negação da imaginação? (…)»  
Nestes seus textos tanto António de Araújo como Maria do Rosário Pedreira colocam questões pertinentes, resultantes também do que parece ser genuína supresa e até indignação perante o que acontece – no âmbito cultural, pelo menos – no outro lado do Atlântico. Porém, ambos não podem alegar que não foram avisados, e nomeadamente por mim, sobre as mais do que prováveis e previsíveis consequências de a pérfida perversão, atentatória dos mais bons e básicos valores civilizacionais, inerente à esquerda norte-americana e núcleo perene do Partido Democrata se expandir e se consolidar, talvez e infelizmente de uma forma permanente. Recordo que o actual consultor da Presidência da República me «convidou» a deixar de comentar no Malomil depois de eu ter respondido, discordando (com factos), a alguns posts em que criticava Donald Trump; e que a actual editora da Leya não pareceu ter reconhecido o erro que cometeu ao elogiar uma bibliotecária luso-descendente de Boston que rejeitou livros oferecidos por Melania Trump, e, na prática, ofendeu a primeira-dama… e no meu comentário já alertava para o perigo de a proibição de certas obras e artistas por parte dos novos «inquisidores» se tornar uma rotina – e o certo é que, menos de quatro anos depois, são (alguns d)os de Theodor «Dr. Seuss» Geisel, que Liz Soeiro desprezou, que estão entre os primeiros (porque, sim, há outros) a serem «apagados» na vigência do regime que foi instaurado a 20 de Janeiro passado numa Washington pejada de soldados e de barreiras com arame farpado.    
No entanto, nestes seus textos António de Araújo e Maria do Rosário Pedreira dão igualmente mostras de uma surpreendente ingenuidade… ou de algo pior. Ele também pergunta: «Como é possível conciliar este debate com o propósito de união anunciado no discurso da tomada de posse de Joe Biden, sem o qual poucos saberiam sequer quem é Amanda Gorman?» Obviamente, isso não é  possível, porque os democratas não são nem nunca foram pela união e pela integração (racial e outras) mas sim pela secessão e pela segregação; e estar na Casa Branca um ilegítimo e xexé «chefe de Estado» é uma garantia de que vai continuar a invasão por imigrantes ilegais, a perseguição policial e judicial de opositores políticos e a promoção de campanhas de menorização (ou seja, de discriminação e mesmo de ódio) contra brancos, além de que se irá tentar proceder ao desarmamento da sociedade civil e a «purgas» ideológicas nas forças armadas – tudo acções que provavelmente levarão, não à unidade, mas à implosão do país, quiçá até a uma nova guerra civil; quando alguém que tem uma licenciatura em Direito e um doutoramento em História, e com actividades importantes e influentes, e que apesar disso revela não ter um conhecimento suficiente de factos fulcrais relativos aos EUA, é de duvidar da qualidade dos conselhos políticos que dá no Palácio de Belém. Ela também pergunta: «Então hoje para uma editora o talento é menos importante do que o assunto de um romance? E um agente cultural como uma editora mete o rabo entre as pernas, recusa-se a arriscar e abdica de mudar mentalidades mesmo quando diz que o autor tem muito talento?» A verdade é que – e sei-o por experiência própria – MRP já se recusou a arriscar por causa do assunto de um romance e não ponderou devidamente o talento do respectivo autor; todavia, é elementar e da mais básica justiça reconhecer que, neste aspecto, ela está longe de ser um caso único.
Ainda sobre o texto citado do Horas Extraordinárias, é quase certo que o autor nele mencionado é Afonso Reis Cabral, trineto de José Maria Eça de Queiroz. E este, curiosamente, tornou-se igualmente uma «vítima» do revisionismo PC devido a alegados «preconceitos raciais» existentes n’«Os Maias», que foram primeiro «denunciados» por uma «investigadora» que estudou… nos EUA. Ela será certamente bem vinda se quiser participar no segundo congresso – por mim proposto, e organizado pelo Movimento Internacional Lusófono – sobre EdQ, que deverá decorrer no próximo mês de Outubro e que terá como temas os 150 anos da publicação de «O Mistério da Estrada de Sintra», da realização das Conferências do Casino e do início da edição d’«As Farpas». Imagine-se o que ele teria dito e escrito sobre estes novos «puritanos» da treta! (Também no Obamatório.)

sábado, fevereiro 13, 2021

Outras: Casas listadas para serem contactadas

Enviei ontem a João Português, Presidente da Câmara Municipal de Cuba, e ainda para outras pessoas daquele municipio, para a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, para a Associação Cultural Fialho de Almeida e para (um membro da Direcção d)a Associação Portuguesa de Escritores uma mensagem de correio electrónico contendo, em ficheiro anexo, um documento com uma lista elaborada por mim das casas de escritores de língua portuguesa actualmente existentes, abertas ao público e com evidente (mesmo que mínima) actividade cultural. Esta lista pretende ser o ponto de partida do início da formação da Rede de Casas de Escritores de Língua Portuguesa, um projecto que delineei em Outubro de 2019 e cuja liderança eu e o Movimento Internacional Lusófono oferecemos à CMC através do Museu Literário Casa Fialho de Almeida. Após mais de um ano de espera, a 5 de Janeiro último aquele autarca alentejano finalmente respondeu-me, e positivamente.   
A lista inclui uma casa em Angola, oito no Brasil e quase 30 em Portugal, mas, como é óbvio, não se pretende que seja definitiva, não só porque podem existir casas que eu não encontrei durante a minha pesquisa mas também porque existem outras – tomei conhecimento de pelo menos três (duas no nosso país, uma no país irmão) – em (avançado) processo de concretização. Evidentemente, e como seria de esperar, várias épocas e diversos estilos literários têm «representação» na lista. Por exemplo(s): o século XVIII, dito o das «Luzes», conta com a casa em Setúbal onde nasceu Manuel Maria Barbosa du Bocage; os anos de Oitocentos destacam-se, inevitavelmente, por José Maria Eça de Queiroz – através da quinta em Tormes que é a sede da fundação com o seu nome – e ainda por contemporâneos como Júlio Dinis, Antero de Quental e Sousa Martins; e, previsivelmente, o século XX é o que dispõe da maior «representação», tanto em Portugal como no Brasil, devido a nomes como José Régio, José Saramago, Erico Veríssimo e Jorge Amado. (Também no MILhafre, no Ópera do Tejo e no Queiroz150.) (Referência no Horas Extraordinárias.

quinta-feira, janeiro 14, 2021

Outros: «Pequenos monstros»

Em artigo publicado hoje no (sítio na Internet do) jornal Público, intitulado «O ocaso das consoantes e a felicidade dos jovens», o jornalista Nuno Pacheco, vencedor em 2018 do Prémio de Jornalismo Cultural atribuído pela SPA e autor do livro «Acordo Ortográfico – Um Beco com Saída», publicado em 2019 pela Gradiva, faz referência a mim e a um artigo que publiquei naquele jornal: «A tal “assimilação” rápida das “novas regras” produz todos os dias pequenos monstros, obrigando-nos a ler coisas como “otogonal”, “inato” (por inapto, que inato é outra coisa!), “impato”, “etoplasma”, “adeto”, “ocipital”, “inteletual”, “ocional”, “eucalito”, “rétil”, “elítico” e até “arimética”. Esta colheita é recente e pode juntar-se à da minha crónica anterior. Mas é curioso que já em 2015, no Público, o jornalista e escritor Octávio dos Santos (num artigo intitulado “Apocalise abruto”) mencionava dezenas de disparates deste calibre, coligidos em documentos oficiais, institucionais ou na imprensa, por especialistas atentos.» Recordo que, em Junho do ano passado, Nuno Pacheco havia referenciado, noutro seu artigo, dois meus. (Também no MILhafre.)

quinta-feira, dezembro 31, 2020

Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2020

A literatura: «Política de A a Z», Pedro Correia e Rodrigo Gonçalves; «A Lista de Aristides de Sousa Mendes», Ana Cristina Luz; «Como se Fazia Cinema em Portugal - Inconfidências de um Ex-Praticante», António de Macedo; «Remar Contra a Maré - Sucesso.pt» e «Esperança e Reinvenção - Ideias para o Portugal do Futuro» (org., com Carlos Coelho, Cristina Fonseca, Daniel Bessa, Nuno Fernandes Thomaz, e outros), Luís Ferreira Lopes; «Marketing Performance - 80 Métricas de Marketing e Vendas», Luís Bettencourt Moniz e Pedro Celeste; «Mariana», Paulo Monteiro; «Nanoamour», Ricardo Cruz Ortigão.  
A música: «Roubados», Aldina Duarte; «Some Enchanted Evening», Blue Oyster Cult; «Studio Tan» e «Joe's Garage», Frank Zappa; «It´s Alive», Ramones; «Film», Gift; «A Kind Of Magic», Queen; «Actually», Pet Shop Boys; «Naked», Talking Heads; «Doolittle», Pixies; «Danças E Folias», Brigada Victor Jara; «Born To Die», Lana Del Rey; «The Marshall Matters LP 2», Eminem; «Songs Of Innocence», U2; «Plectrumelectrum», Prince (& 3rdEyeGirl); «Cores E Aromas», António Pinho Vargas; «Under Wheels Of Confusion 1970-1987 (Vols. 3 & 4)», Black Sabbath; «La Senna Festeggiante», Antonio Vivaldi (por Juanita Lascarro, Nicola Uliveri e Sonia Prina, com o Concerto Italiano dirigido por Rinaldo Alessandrini); «Weihnachts Oratorium», Johann Sebastian Bach (por Elly Ameling, Helen Watts, Peter Pears e Tom Krause, com os Cantores de Lubeck dirigidos por Hans Jurgen Wille e a Orquestra de Câmara de Estugarda dirigida por Karl Munchinger).              
O cinema: «Turbo», David Soren; «Fita do Sexo» e «Jumanji - O Nível Seguinte», Jake Kasdan; «Godzilla - Rei dos Monstros», Michael Dougherty; «Chappie», Neill Blomkamp; «Dumbo», Tim Burton; «Viriato», Luís Albuquerque; «Jojo Coelho», Taika Waititi; «Facas de Fora», Rian Johnson; «Mães Más», Jon Lucas e Scott Moore; «Patrões Horríveis 2», Sean Anders; «Primeiro», Dmitriy Suvorov; «A Favorita», Yorgos Lanthimos; «Vadio das Planíces Altas», Clint Eastwood; «Uma Ponte Longe de Mais», Richard Attenborough; «Os Mortos não Morrem», Jim Jarmusch; «Parasita», Bong Joon Ho; «Terra dos Zombies - Pancada Dupla», Ruben Fleischer; «Terminador - Destino Escuro», Tim Miller; «Ad Astra», James Gray; «Labirinto», Jim Henson; «Os Contos de Canterbury», Pier Paolo Pasolini; «Rob Roy», Michael Caton-Jones; «O Grande Roubo ao Comboio», Michael Crichton; «1917», Sam Mendes; «Ford vs. Ferrari», James Mangold; «A Vida Secreta dos Animais de Estimação 2», Chris Renaud; «Ex Machina», Alex Garland; «Sr. Holmes», Bill Condon; «A Côr Púrpura», Steven Spielberg.
E ainda...: Associação Portuguesa de Editores e Livreiros - 90ª Feira do Livro de Lisboa; Canal Smithsonian - (documentário) «Memphis Belle a Cores»; RTP - (documentário) «Exílio no Atlântico», Pedro Mesquita + (documentário) «Visita Guiada - Fundação Eça de Queiroz», Paula Moura Pinheiro; «No Time to Die», (vídeo musical de) Billie Eilish; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «O tempo das imagens III - 35 anos do Centro Português de Serigrafia» + exposição «O "Cântico dos Cânticos" - Beija-me com os beijos da tua boca» + mostra «Germão Galharde - 500 anos de tipografia em Portugal» + mostra «A poesia de Amália»; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - exposição «CartoonXira 2020/Cartoons do ano 2019 + Desenhos à flor da pele/Cau Gomez» (Celeiro da Patriarcal); Canal História - (documentário) «Alienígenas Antigos - Destino Chile» + (documentário) «Nazis sob drogas - Hitler e a Blitzkrieg» + (documentário) «Grant» + (documentário) «Os que Viraram o Jogo - Por dentro das Guerras dos Jogos de Vídeo»; Museu do Neo-Realismo - exposição de Elisa Pône, Filipe Pinto, Francisco Pinheiro, João Fonte Santa, Marta Leite, Nuno Barroso e Sofia Gonçalves «Cosmo/ Política #6 - Biblioteca Cosmos»; «O Grande C», Darlene Hunt; «O Ornamento de Natal», Mark Jean.

quarta-feira, dezembro 23, 2020

Orientação: Sobre Fialho, no Boletim da ACFdA

Na edição d( Novembro d)e 2020 (Nº 5, 2ª Série) do Boletim da Associação Cultural Fialho de Almeida, e nas páginas 49 e 50, está o meu artigo «Sensação de pertença». Um excerto: «Porquê este interesse e esta vontade em ajudar a divulgar e homenagear este escritor? Porque eu sou uma pessoa para quem ler, fruir, apreciar a sua obra não é frequentemente suficiente para expressar a admiração por alguém, artista ou não. E no caso de Fialho de Almeida tal ímpeto ganha mais urgência quando há a percepção – ou até a constatação – de que a pessoa em causa tem vindo a ser injustamente desvalorizada, secundarizada ou mesmo olvidada.» Um texto que resulta também da minha admissão como sócio, este ano, da Associação. E que mais justifica a minha intervenção, sempre que isso se justifica, no sentido de corrigir qualquer incorrecção que eu detecte sobre a vida do autor de «O País das Uvas», como, por exemplo, aqui. (Também no MILhafre.

quinta-feira, novembro 19, 2020

Oráculo: HA, de novo, no Porto

Em 2019 tive a honra e o orgulho de participar, como orador, na primeira edição. Em 2020 não estarei lá, mas porque valorizo a iniciativa – quanto mais não seja por eu ser um autor no sub-género da História Alternativa – e admiro quem a organiza, divulgo o 2º Encontro Internacional de História Mundial «e se?», que decorrerá n(o auditório Casa Comum d)a Reitoria da Universidade do Porto – tal como no ano passado – nos próximos dias 24, 25 e 26 de Novembro. Porém, desta vez e por causa da pandemia, assistir ao evento não será feito de forma presencial mas sim virtual.

quarta-feira, outubro 07, 2020

Obras: Que vieram do «caos»

A editora Fronteira do Caos tem vindo a divulgar, neste ano e no seu blog, livros menos recentes do seu catálogo. Entre eles estão dois da minha autoria, um parcial e outro total. Hoje foi (entre outros) «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico»; a 11 de Julho havia sido (com outro) «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País». Ambos foram publicados em 2012 e, obviamente, continuam disponíveis para venda.

quinta-feira, outubro 01, 2020

Orientação: SimSon com 750!

Hoje, 1 de Outubro de 2020, celebra-se mais um Dia Mundial da Música, o que significa também, no sítio da Simetria, a publicação de uma nova edição do projecto Simetria Sonora. E, tal como em edições anteriores, a esta grande lista foram adicionados 50 discos por mim considerados de ficção científica e de fantástico: são agora 750. A ilustrar está a imagem da capa de «Remain In Light», dos Talking Heads, lançado originalmente em 1980 – ou seja, há 40 anos. A ouvir… e a descobrir. Tudo, e sempre!

quarta-feira, setembro 16, 2020

Outros: O meu primo campeão

Em 2017 fui entrevistado pelo jornal (semanário regional) O Mirante, e este ano foi a vez de um familiar meu, mais jovem e bem mais merecedor do destaque. Em reportagem recente intitulada «Gustavo Pato vive um sonho sobre rodas» aquele meu primo, a propósito do início da sua carreira enquanto atleta sénior no Riba d’Ave Hóquei Clube, recordou o seu percurso naquele desporto onde, tanto ao nível de clubes (incluindo Sporting e Benfica) como ao de selecções, já foi por mais de uma vez campeão. De sublinhar também a forte influência dos pais e o apego à sua cidade, Samora Correia.

segunda-feira, agosto 31, 2020

Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2020

A literatura: «Clepsidra», Camilo Pessanha; «Os Quatro Grandes», Agatha Christie; «Argumentos Para Filmes» (Claudia J. Fischer e Patricio Ferrari, org.), Fernando Pessoa; «O Amor Louco», André Breton; «O Sol nas Noites e o Luar nos Dias - Volume 1», Natália Correia; «Príncipe Valente - Os Caçadores de Hunos», «(...) - De Roma a Damasco», «(...) - À Procura de Aleta» e «(...) - A Maldição da Torre Negra», Harold R. Foster; «Comunidade», Luíz Pacheco.
A música: «Banda Sonora Do Filme "A Canção De Lisboa", Fados E Marchas Populares», Beatriz Costa; «Anthem Of The Peaceful Army», Greta Van Fleet; «Teen, Age», Seventeen; «Rammstein - Paris», Rammstein; «Lemonade», Beyoncé; «1979-1987», Doce; «The Queen Is Dead», Smiths; «Psychocandy», Jesus And Mary Chain; «The Magazine», Rickie Lee Jones; «The Revolution By Night», Blue Oyster Cult; «Por Sendas, Montes E Vales», Brigada Victor Jara; «Abraxas», Santana; «Mad Dogs & Englishmen», Joe Cocker; «Hot Rats» e «Cruising With Ruben & The Jets», Frank Zappa; «Vol. 1 - Bird Of Paradise», Charlie Parker; «Il Cimento Dell'Armonia E Dell'Invenzione», Antonio Vivaldi (por Edmondo Malanotte, Franco Gulli e Renato Zanfini, com os Virtuosos de Roma dirigidos por Renato Fasano); «Goldberg Variationen», Johann Sebastian Bach (por Glenn Gould).
O cinema: «Tolkien», Dome Karukoski; «Bem Vindos a Marwen», Robert Zemeckis; «Bestas Fantásticas - Os Crimes de Grindelwald», David Yates; «Homem-Aranha - Longe de Casa», Jon Watts; «Cézanne e Eu», Danièle Thompson; «Joker», Todd Phillips; «Atirador Americano», Clint Eastwood; «John Wick - Capítulo 3 - Parabellum», Chad Stahelski; «Victoria e Abdul», Stephen Frears; «Osmosis Jones», Bobby Farrelly e Peter Farrelly; «Homens-X - Fénix Negra», Simon Kinberg; «Ontem», Danny Boyle; «Capitã Marvel», Anna Boden e Ryan Fleck; «Alita - Anjo de Batalha», Robert Rodriguez; «Variações», João Maia; «Orgulho e Preconceito e Zombies», Burr Steers; «A Rapariga do Capuz Vermelho», Catherine Hardwicke; «O Amor nos Tempos da Cólera», Mike Newell; «Conan, o Bárbaro», Marcus Nispel; «Pokémon Detective Pikachu», Rob Letterman; «Aves de Rapina e a Emancipação Fantabulosa de uma tal de Harley Quinn», Cathy Yan; «Hortelã-Pimenta», Pierre Morel; «Prisioneiros», Denis Villeneuve; «Era uma Vez na América», Sergio Leone; «O Decameron», Pier Paolo Pasolini. 
E ainda...: Força Espacial dos Estados Unidos - primeiro anúncio de recrutamento; «Tabu», Chips Hardy, Tom Hardy e Steven Knight; Museu do Neo-Realismo - exposição «Rui Filipe - Em busca do absoluto» + mostra «Homenagem a Soeiro Pereira Gomes»; «O Grande Encontro», (anúncio publicitário da Ferrari realizado por) Claude Lelouch; Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira/Fábrica das Palavras - exposição «António Antunes - Entrelinhas»; «Leitura de "O Corvo" de Edgar Allan Poe, numa tradução de Fernando Pessoa», (vídeo literário de) David Soares; Câmara Municipal de Loulé/Galeria de Arte da Praça do Mar de Quarteira - exposição colectiva de Ana Almeida, Ana Feu, Carlos Correia, Gerda Gritzka, Fiona Issler, Filipe Paixão, Júlio Antão, Hermínio Pinto e Tó Quintas «Lixo x Arte (Between)»; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Jardins históricos de Portugal - Memória e futuro» + exposição «Cidades de papel - Separatas e construções de armar» + mostra «A arte liga-nos - Serigrafia solidária assinada por nove artistas portugueses (Cristina Ataíde, Gracinda Candeias, José de Guimarães, Leonel Moura, Marçal, Pedro Calapez, Rico Sequeira, Silva Palmeira e Sofia Areal)»; Força Aérea Portuguesa - Museu do Ar (pólo de Sintra); «We Are Chaos», (vídeo musical de) Marilyn Manson.

domingo, agosto 16, 2020

Orientação: Para as armas...

... No MILhafre e no Obamatório está, a partir de hoje, o meu texto «Armados e virtuosos», que aborda as diferenças na resposta ao aumento da insegurança e da criminalidade nos EUA, no Brasil e em Portugal, e, em especial, como o assunto da posse e o uso de armas por parte de cidadãos não-cadastrados é encarado naqueles três países - muito bem no primeiro, melhor no segundo e mau no terceiro.

terça-feira, julho 14, 2020

Outros: Contra o AO90 (Parte 17)

«Pensamento da semana», «Cavaco, Sócrates e os analfabetos funcionais», «Resistência activa ao aborto ortográfico (134, 135, 136, 137, 138, 139)» e «Tiro à letra», Pedro Correia; «2019 – O ano da entrega da ILC-AO no parlamento», «Mais uma etapa…», «A ILC-AO na Feira do Livro do Porto – A saga continua!», «A ILC-AO na XIV Legislatura», «A ILC-AO e o PS», «Audiência na Comissão de Cultura», «Reunião com o PS», «A ILC-AO é o instrumento legal adequado – Parecer jurídico», «Quando um parecer não basta», «Assembleia da República – Entre o essencial e o acessório» e «O parecer da Comissão de Assuntos Constitucionais - Uma obra de ficção jurídica?», Rui Valente; «As queixas de Pepetela e a boa opção da Forbes», «Irreversível, o acordo ortográfico? Só uma coisa é irreversível, a morte», «De onde vêm as palavras dos dicionários? Trá-las a cegonha, como aos bebés», «A responsabilidade de 20 mil assinaturas pela Língua Portuguesa», «Arranjem uns assentos para os acentos, se não eles caem», «A miséria ortográfica nacional e o fulgor das línguas do mundo», «O Brasil quer livrar-se do acordo ortográfico? Também nós», «No Dia da Liberdade ainda há uma ditadura que mexe, a dos idiotas», «Socorro, querem roubar-nos a língua e deixar-nos mudos», «Haverá sobre o Acordo Ortográfico uma clara posição parlamentar? Ou para lamentar?», «Querem datas giras para duvidar da validade do Acordo Ortográfico? Aqui vão algumas», «Alerta geral, diplomacia maltrata ortografia, pede-se divórcio, urgente», «A triste história da vogal que foi separada de uma consoante e emudeceu», «Vamos brincar às línguas? Ou não brincamos já demasiado com a nossa?», «O que quer, o que pode esta língua? Eles não fazem a mínima ideia», «Conhece uma língua filogeneticamente próxima da sua? Proponha-lhe namoro», «O Acordo Ortográfico não é um facto consumado, é um fato consumido», «A língua portuguesa tem um problema nas articulações, é melhor chamar o médico», «Um bom exemplo brasileiro e mais datas para duvidar da validade do Acordo Ortográfico», «O vocabulário oficial do Acordo Ortográfico está morto há dias e ninguém deu por nada!», «Ressuscitou como morreu, como fraude. E ainda há quem lhe chame vocabulário», «Anatomia de uma fraude com duas palavras picantes como condimento», «A herança de Malaca Casteleiro e a alucinação unificadora da ortografia», «A ortografia do português e a estranha história do prédio pintado de roxo», «Aprende-se muito, ao rever 30 anos», «Enquanto combatemos o novo coronavírus, o velho “ortogravírus” não pára», «A língua portuguesa resiste bem, mas urge acabar com o estado a que ela chegou», «Língua portuguesa – Uns só sabem do sonho, outros é mais inquietação, inquietação», «Façam à língua o mesmo que ao euro – Igual na face, mas reversos diferentes», «Chique, chicana, chiqueiro, ou os ecos de uma saraivada ortográfica», «Ortografia – De recomendações e petições está o inferno cheio» e «Vai uma sopinha de letras? Olhe que são portuguesas e muito nutritivas…», Nuno Pacheco; «Iguais e diferentes ou diferentes mas iguais?», «Os Lusitansos», «A “unificação” ao contrário», «”Vocabulário de Mudança” – O filme» e «Volta ao AO90 por etapas (1, 2, 3)», João Pedro Graça; «Lixo linguístico», Pedro Mexia; «Os futuros médicos têm melhor desempenho a português…», Luís Afonso; «Blogue da semana (1, 2)», Luís Menezes Leitão; «Admirável Língua Nova (Parte X)», Manuel Matos Monteiro; «Por via do AO90», «O maior embuste desde o 25 de Abril», «Mais de dois por ano», «Não é fácil», «Não se recomenda», «Nem cinquenta anos chegarão», «É esse o problema», «Falta a certidão de óbito», «Parem quietos» e «Não se tratem, não», Helder Guégués; «Um grande livro e uma grande tristeza», José Mendonça da Cruz; «Vede a unificação ortográfica e pasmai!», «Sem contacto com a ortografia», «Debate “Acordo Ortográfico – Manter ou revogar?”, Feira do Livro de Lisboa 2019», «Ó filho, já não estamos no tempo da ortografia!», «Uma questão de saia», «A treta da uniformização ortográfica» e «O Acordo Ortográfico da Relógio d’Água», António Fernando Nabais; «Do humor com agá», Ana Cristina Leonardo; «E se o Brasil revogar o acordo ortográfico?», João Roque Dias; «Língua de fora», Maria do Rosário Pedreira; «O acordo errográfico», José Luís Mendonça; «Os espectadores activos contra os espetadores ativos – A inércia e o desprezo pela nossa língua» e «O vírus que atacou a língua portuguesa», José Pacheco Pereira; «Acordo ortográfico – A última oportunidade para evitar um crime de lesa-pátria» e «Acordo ortográfico – Proposta de solução», Manuel Maria Carrilho; «Acordo ortográfico? Revogar, claro!», «A força incómoda do passado», «Acordo Ortográfico – Não há como uma grande burla!», «O novo tempo de censura» e «Ninguém para para pensar no Acordo Ortográfico», António Jacinto Pascoal; «Um acordo que nunca o foi», Cláudia Madeira; «Pensar livremente – E porque não o Acordo Ortográfico?» e «Atentados e absurdos no ensino do Português – Tudo em família», Maria do Carmo Vieira; «Momentos na Feira do Livro do Porto», Olga Rodrigues; «Uma comunidade às avessas», José Augusto Filho; «O Acordo Ortográfico e um livro para ler e reler», António Carlos Cortez; «O que talvez não se saiba sobre o AO90 e é crucial saber, para não se fazer papel de parvo», «Porque será que só os estudantes…», «Se Portugal fosse um Estado de Direito, o AO90 já tinha sido extinto…», «É inadmisssível que uma professora marque como “erro”…», «Sobre Augusto dos Santos Silva, actual Ministro dos Negócios Estrangeiros…», «Presidente da República evoca Malaca Casteleiro como “defensor” da Língua Portuguesa?», «Desmistificando a ideia da irreversibilidade do AO90», «Senhores governantes, vamos fazer um “pato”?», «A propósito do recuo da TAP…» e «Senhor Presidente da República, não estará mais “estupefato” do que eu!», Isabel A. Ferreira; «Voltando ao AO90 – Um miserável desacordo ortográfico», Carlos Fernandes; «Contra o Orçamento de Estado para 2020», «O Acordo Ortográfico de 1990 e os “fatores” de Pinto da Costa», «O Acordo Ortográfico e as respectivas facções», «Afecções e infecções ortográficas» e «O Acordo Ortográfico de 1990 – Um pouco mais de chá, sff», Francisco Miguel Valada; «O Acordo do Desacordo», Tiago Matias; «O Acordo Ortográfico e o fora-da-lei», João Esperança Barroca; «Parar ou parir», Francisco Martins da Silva; «Em português (ainda) nos entendemos?», Carlos Santos Pereira. (Também no MILhafre.)

sexta-feira, julho 03, 2020

Outros: Que estiveram n’«A Lista de Mendes»

Em texto intitulado «Dádivas» publicado hoje no seu blog Horas Extraordinárias, Maria do Rosário Pedreira faz referência a mim, e, mais, muito mais importante, a um livro editado recentemente cuja divulgação naquele seu espaço eu lhe sugeri, e que é…
… «A Lista de Aristides de Sousa Mendes», de Ana Cristina Luz – talentosa, prolífica e multifacetada autora que, recordo, colaborou na antologia colectiva de contos «Mensageiros das Estrelas» (2012, Fronteira do Caos), que eu concebi, co-organizei e em que também participei, tendo aliás estado presente na primeira apresentação daquela, em Lisboa aquando do (segundo) colóquio com a mesma designação, e na segunda, feita na edição de 2013 do FantasPorto.  
Resultado de uma investigação realizada no âmbito da sua tese de mestrado, em «A Lista de Aristides de Sousa Mendes» Ana Cristina Luz identifica mais de 50 artistas salvos do nazismo pelo então cônsul português em Bordéus, incluindo o pintor espanhol Salvador Dalí, o actor norte-americano Robert Montgomery, o pianista polaco Witold Malcuzynski e a escritora francesa Tereska Torrès. A primeira apresentação do livro decorrerá no próximo dia 19 de Julho em Cabanas de Viriato, na Casa do Passal – a que, precisamente, foi de Aristides. (Também no MILhafre.)

quinta-feira, junho 11, 2020

Outros: «Acordistas» e «anglicistas»

Em artigo publicado hoje no (sítio na Internet do) jornal Público, intitulado «O entusiasmo dos galegos a desconfinar o idioma e a anglicização portuguesa», o jornalista Nuno Pacheco, vencedor em 2018 do Prémio de Jornalismo Cultural atribuído pela SPA e autor do livro «Acordo Ortográfico – Um Beco com Saída», publicado em 2019 pela Gradiva, faz referência a mim e a dois textos que publiquei naquele jornal: «Esse “Azores” já tinha sido referido, e criticado, no espaço de opinião do Público em 2014 e 2015, em artigos assinados pelo jornalista e escritor Octávio dos Santos. Criticava ele, também, o recurso excessivo ao inglês em títulos de programas televisivos: “Chef’s Academy”, “Off-Side”, “I Love It”, “RTP Running”, “Shark Tank”, “Cinebox” ou “The Money Drop”, entre muitos.»
As três principais estações de televisão portuguesas estão de facto entre as entidades que mais praticam a contradição de se submeterem ao ridículo, ilegal, inútil e prejudicial «AO90» e, em simultâneo, abusarem dos anglicismos (palavras inglesas) caracterizados por duplas consoantes e pelo «ph», que os acordistas apontam e condenam como símbolos do que é supostamente obsoleto na língua. Mas não são as únicas, e o (des)governo nacional pode mesmo ser o principal exemplo desta imbecil incongruência, como se comprova igualmente pelo adopção do lema «Estamos On!» como denominação da plataforma que congrega as informações sobre o Covid-19. Porém, e ao contrário do que teve origem na China comunista, para o «vírus» da ordinarice ortográfica parece tardar mais o desenvolvimento de uma adequada «vacina». (Também no MILhafre.)

domingo, junho 07, 2020

Ocorrência: Aderi à ACFdA

Foi há precisamente um mês: no passado dia 7 de Maio de 2020, data de mais um aniversário do nascimento de José Valentim Fialho de Almeida, enviei a minha ficha de inscrição de sócio na Associação Cultural Fialho de Almeida, assim correspondendo positiva e naturalmente a um convite nesse sentido feito por Francisca Bicho, actual Presidente da Direcção daquela associação.
Tratou-se de uma decisão inevitável para quem é um admirador do autor de «O País das Uvas» e que, além disso, lhe dedicou dois colóquios realizados em Lisboa (um em 2007, outro em 2011), e ainda propôs que a formação da Rede de Casas de Escritores de Língua Portuguesa tivesse como ponto de partida o recentemente inaugurado (no próximo dia 10 fará um ano) em Cuba museu literário com o seu nome, na casa que foi sua.
A ACFdA passou a integrar a lista das entidades de que sou membro, e que já incluía, para além do Movimento Internacional Lusófono e da Simetria, onde sou particularmente activo, também a Associação Portuguesa de Sociologia (aquela a que estou ligado há mais tempo, quase 30 anos), a Real Associação de Lisboa e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal.   

segunda-feira, maio 25, 2020

Orientação: Sobre música e o MPMP, na Glosas

Desde o dia 23 de Maio, no sítio na Internet da revista Glosas, está (juntamente com outros nove... o meu é o oitavo) o meu artigo-depoimento «Eu “voto” no MPMP!»; trata-se de um texto que Edward d’Abreu, Presidente da Direcção do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa e Director daquela revista, me pediu (tal como a várias outras individualidades) que escrevesse e enviasse para ser publicado como forma de assinalar os dez anos da fundação do MPMP; é o meu segundo contributo para a Glosas, depois de «Estrela cadente – Recordando e recriando a Ópera do Tejo», publicado em 2013 no Nº 8 da revista. Um excerto: «É necessário muito mais do que boas intenções por parte de amadores como eu: exige-se um trabalho colectivo e criativo constante de recuperação, execução e difusão realizado preferencialmente por equipas de profissionais com capacidades, competências, conhecimentos, e que em simultâneo sintam a paixão indispensável que os motive em permanência para a (re)descoberta de uma componente fundamental da cultura nacional. Num contexto em que o Estado continua a desiludir e o sector empresarial se revela, infelizmente, frequentemente indiferente, é óptimo que organizações emanadas da sociedade civil façam o trabalho indispensável, nesta área como em outras.» (Adenda - O Nº 20 da revista Glosas, edição especial comemorativa do décimo aniversário do MPMP, foi publicado em papel no mês de  Setembro, e o meu texto está nas páginas 70, 80 e 81.) (Também no MILhafre e na Ópera do Tejo.

sexta-feira, maio 15, 2020

Outros: Uma carta elogiando o meu artigo

Na edição de hoje (Nº 2263) do jornal (semanal) O Diabo, e na página 22, mais concretamente na secção «Correio», está a transcrição de uma carta que recebi de Fernando Murta Rebelo – que conheci pessoalmente aquando de um debate realizado em Lisboa, com a colaboração do Movimento Internacional Lusófono, em 16 de Junho de 2018 – elogiando o meu artigo «Uma nova, grande “muralha”», publicado no mesmo jornal no passado dia 17 de Abril. Um excerto: «Queira receber estas breves palavras de saudação e aplauso pelo artigo (…). O leitor está perante um texto oportuno e corajoso, animado de um correcto sentido crítico que revela um articulista esclarecido sobre a verdade histórica da política mundial. Comentários desta natureza na imprensa portuguesa contribuem para um melhor conhecimento dos valores da verdade que devem ser cultivados no mundo conflituoso das relações públicas.»

quinta-feira, abril 30, 2020

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2020

A literatura: «Carta de Guia de Casados», Francisco Manuel de Melo; «Tratado Sobre a Tolerância - Por ocasião da morte de Jean Calas», Voltaire (pseudónimo de François-Marie Arouet); «O País das Uvas», Fialho de Almeida; «As Aventuras Aeronáuticas do Pequeno Nemo» (continuação de «Pequeno Nemo no País da Modorra»), Winsor McCay; «Ploc e Outros Contos», Anabela Ferreira; «Palavras de Força e Perseverança», Helen Exley; «Venha a mim o nosso reino», Ricardo Correia; «As duas caras de António», Carlos Eduardo Silva.
A música: «Luz», Cuca Roseta; «Six», Soft Machine; «Burnin'», Bob Marley & The Wailers; «Diamond Dogs», David Bowie; «Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy», Elton John; «Rosa Carne», Clã; «Cultosaurus Erectus» e «Fire Of Unknown Origin», Blue Oyster Cult; «The Concert In Central Park», Simon & Garfunkel; «London Symphony Orchestra», Frank Zappa; «Fados De Cabelo Branco», Daniel Gouveia; «Greatest Hits», Jam; «Galore», Cure; «At Storyville», Lee Konitz; «Le Quattro Stagioni», Antonio Vivaldi (por Isaac Stern, Itzhak Perlman, Pinchas Zukerman e Shlomo Mintz, com a Orquestra Filarmónica de Israel dirigida por Zubin Mehta); «Matthaus Passion/Passio Domini Nostri J. C. Secundum Evangelistam Mattheum», Johann Sebastian Bach (por Andreas Schmidt, Anthony Rolfe Johnson, Barbara Bonney, Cornelius Hauptmann, Olaf Bar, Ruth Holton, e outros, com o Coro Juvenil do Oratório de Londres, o Coro Monteverdi e os Soloístas Barrocos Ingleses dirigidos por John Eliot Gardiner).
O cinema: «Robin Hood», Otto Bathurst; «A Tempo», Andrew Niccol; «Chapéu Negro», Michael Mann; «Ave, César!», Ethan Coen e Joel Coen; «Nós», Jordan Peele; «Fantástico Sr. Raposo», Wes Anderson; «Livro Verde», Peter Farrelly; «Mary Poppins Regressa», Rob Marshall; «Nasci com a Trovoada - Autobiografia Póstuma de um Cineasta», Leonor Areal; «Era Uma Vez... em Hollywood», Quentin Tarantino; «O Caderno», Nick Cassavetes; «Vindos Directamente de Compton», F. Gary Gray; «Godzilla», Gareth Edwards; «Walesa - Homem de Esperança«, Andrzej Wajda; «Tramóia na Torre», Brett Ratner; «O Homem de Novembro», Roger Donaldson; «Mais Estranho do que Ficção», Marc Forster; «Feliz Natal, Sr. Lawrence», Nagisa Oshima; «A Vida Secreta dos Animais de Estimação», Chris Renaud; «Corpos Quentes», Jonathan Levine; «O Jogo da Imitação», Morten Tyldum; «Amor e Outras Drogas», Edward Zwick; «Mike e Dave Precisam de Pares para um Casamento», Jake Szymanski; «Camus», Laurent Jaoui; «Os Matadores de Substituição», Antoine Fuqua; «Porque é Este o Meu Ofício», Paulo Monteiro.
E ainda...: Museu Nacional da Música - Concerto de Lucília São Lourenço «Fado no meu Canto»; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Revistas modernistas em Portugal - Tradição e vanguarda (1910-1926)» + exposição «Volta ao Mundo - Obra gráfica de José de Guimarães» + exposição «Jorge de Sena (1919-1978) - As máscaras do poeta» + exposição «Sociedade das Nações (1920-1946) - Promessas e legados» + mostra «Sophia - Instantes de poesia» + mostra «Frei Bartolomeu dos Mártires - Um novo santo português» + mostra «Al-Mu'tamid - Poeta do Gharb al-Andalus» + mostra «Adalberto Alves - 40 anos de vida literária»; Prince - «Live in Houston, 12/29/82» (DVD incluído na edição especial com seis discos de «1999»); Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - exposição «Cheias de 67» (Celeiro da Patriarcal); Museu do Neo-Realismo - exposição de Paulo Mendes, Susana Mouzinho e Tiago Baptista «Cosmo/Política #5 - Comunidades provisórias» + exposição «Raízes de uma colecção - Alves Redol e (seus) ilustradores»; Canal História - «Mao - O pai indigno da China moderna», (documentário de) Philippe Saada; «Burnin For You» e «Joan Crawford», (vídeos musicais dos) Blue Oyster Cult; «José Ruy - Uma Forma de Respirar», (documentário de) Manuel Monteiro.

sexta-feira, abril 17, 2020

Orientação: Sobre uma nova «muralha», n’O Diabo

Na edição de hoje (Nº 2259) do jornal (semanal) O Diabo, e na página 9, está o meu artigo «Uma nova, grande, “muralha”». Um excerto: «Incrível e inquietante, parece que a tenebrosa influência do PCC se estendeu a toda a Terra: milhões de pessoas um pouco por todo o Mundo foram obrigadas a encerrar-se nos seus lares para se protegerem de um eventual contágio e arriscaram-se a ser multadas e até presas se fossem à rua sem uma justificação considerada válida pelas autoridades, com ou sem "estado de emergência" declarado, e isto enquanto assistiam à destruição das economias das suas nações, às desvalorizações acentuadas nos mercados de capitais, à multiplicação das empresas em falência, ao aumento acelerado do desemprego; num cenário talvez pior do que o da grande depressão da década de 30 do século XX, as sociedades ocidentais estão em risco de colapsar.» (Também no MILhafre e no Obamatório.)

quinta-feira, abril 16, 2020

Oráculo: Amanhã o meu contributo…

… Necessariamente modesto para a compreensão da crise – da pandemia – que todo o Mundo enfrenta actualmente, as suas características, as causas e as consequências, e uma possível solução, será dado num artigo de opinião nas páginas de um jornal nacional. Que representa(rá) também uma reacção, uma resposta da minha parte, mesmo que indirecta, aos constantes e cada vez mais disparatados comentários – incluindo sob as formas de fotografias e de vídeos a(du)lterados – nas ditas «redes sociais» de pessoas que eu conheço e prezo, algumas das quais considero até amigas, que pela sua idade (para ter juízo) e pela sua inteligência deveriam – especialmente neste período que atravessamos, mas não só – usar de maior sensatez nessas intervenções mais ou menos públicas, e mostrar menor susceptibilidade a preconceitos e a propagandas. Mais concretamente, refiro-me a apontar, a acusar falsamente (e ridiculamente) como principal e mesmo único culpado deste problema (e ainda de outros anteriormente) um certo chefe de Estado estrangeiro – e, não, não é o da China. ;-)

quarta-feira, abril 08, 2020

Outros: David Soares na Simetria

David Soares, notável escritor (ficcionista e ensaísta) que Portugal não conhece nem valoriza tanto quanto deveria (e como ele há outros…), é, após um convite meu que ele amável e generosamente aceitou, o novo colaborador da Simetria. E publicou hoje no sítio daquela o seu primeiro texto enquanto tal, intitulado «O heroísmo das pessoas fracas», e cujo tema é uma nova série de televisão baseada numa obra de Stephen King. Curiosamente, é o segundo Soares da «companhia», pois esta já conta nas suas «fileiras» com Bruno Martins Soares desde Janeiro de 2017. Da nossa parte é um motivo de orgulho passar a ter o autor de livros extraordinários como «A Conspiração dos Antepassados», «Lisboa Triunfante» e «O Evangelho do Enforcado» enquanto (mais um) «residente» no espaço virtual mais antigo – e em «funcionamento» permanente – da Ficção Científica e Fantástico em Portugal.

quarta-feira, março 04, 2020

Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 8)…

… Escritos e publicados, desde Março de 2019, nos seguintes blogs: MILhafre (um, dois, três); Corta-Fitas (um, dois, três); Horas Extraordinárias (um, dois); Malomil; Actualidade Religiosa. E que aborda(ra)m, entre outros subtemas: uma nova plataforma para a destruição do Português promovida pela Porto Editora e pelo Instituto Camões; um novo projecto, também do IC, para impor o AO90 em Angola de um modo neo-colonialista; a inutilidade, e até a risibilidade, do denominado «Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa»; a escolha – que não deveria ser difícil – entre a honra (ortográfica, e não só) e o dinheiro; de como uma «andorinha» - no caso, Maria do Rosário Pedreira – ainda não é suficiente para trazer a «Primavera ortográfica» à LeYa, e a SPA premiou mais uma obra submetida ao AO90; rejeição de livros «acordizados», nacionais e estrangeiros (traduzidos), e preferência e prioridade aos originais; o «acordês» que prolifera, indevida e insidiosamente, por quem e por onde não era suposto proliferar…
… Como, por exemplo (um entre muitos, infelizmente), a Rádio Renascença, que motivou um breve «diálogo» entre mim e Filipe d’Avillez, e em que disse o seguinte: «Absurda é a aceitação, a sujeição de indivíduos e de instituições fora do âmbito estatal – como, por exemplo, e precisamente, a Rádio Renascença – aos ditames totalitarizantes do AO90 – e, aliás, nem mesmo os que trabalham na Administração Pública são (deveriam ser) obrigados a usar o “acordês” porque o dito cujo é ilegal, é inconstitucional. O conformismo, e até a cobardia, de muitas pessoas neste país perante aldrabices inúteis e injustificáveis continua a espantar-me. E quanto à ligação entre o AO e a EP (“esquerda progressista”), que disse eu de errado? Acaso há dúvidas de que “entre os seus mais fanáticos ‘defensores’ se encontram aqueles que também preconizam ‘mudanças progressistas’”? Afinal, foram Lula da Silva e José Sócrates que “desenterraram” o “cadáver”. Não neguei, nem nego, que há excepções, como a pessoa que indicou, e outras,  por(des)ventura algo ingénuas para perceberem todo o contexto. Este problema teve início com a instauração da república, quando uma das primeiras e principais medidas de Afonso Costa e dos seus capangas para reescrever e História e construir o “Portugal novo” e... progressista foi, logo em 1911, implementar unilateralmente a primeira “reforma ortográfica” – a “caixa de Pandora” original de que resultaram, nesta área, os problemas que ainda hoje temos. Que bom que seria, por isto e não só, podermos dizer que “A República Nunca Existiu!” ;-)»
Entretanto, continuarei a comentar, e a confrontar e a combater, o «acordo» e os «acordistas», quer activos, por convicção (poucos, fanáticos, pervertidos) quer passivos, por capitulação (muitos, cobardes, preguiçosos). E estarei muito atento – tal como outras pessoas – quando a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico for votada (espera-se!) este ano. 

sábado, fevereiro 08, 2020

Outros: Steiner, Bloom… e Leiria

Entre os (não muitos) sítios na Internet, incluindo blogs, que consulto e leio regularmente, e até diariamente, está o Horas Extraordinárias de Maria do Rosário Pedreira. A editora da LeYa escreve e publica invariavelmente textos interessantes e até frequentemente com informações relevantes, e o facto de ela ter rejeitado continuar a ler – e, logo, também publicar – o meu segundo romance após 30 páginas por não ter sentido «empatia» não diminuiu (muito) o meu apreço pelo seu profissionalismo, apesar de a concepção de «literatura séria» que tem ser algo questionável… em especial quando decidiu aprovar o lançamento de uma obra que é, como ela própria admitiu, escatológica. Lá faço ocasionalmente comentários…
… E o mais recente foi ontem, a propósito de uma evocação feita por MRP de George Steiner, falecido no passado dia 3 de Fevereiro. Achei oportuno deixar expresso que assisti à notável conferência dada pelo notável ensaísta em 2002 na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, em que consegui que ele assinasse o meu exemplar de «No Castelo do Barba Azul». E ocorreu-me que faria sentido acrescentar que tivera uma experiência semelhante com outro respeitado e influente estudioso da literatura mundial, igualmente e infelizmente falecido recentemente (a 14 de Outubro de 2019), que, aquando de uma sua visita a Portugal em 2001, autografou os meus exemplares de «O Cânone Ocidental» e «Como Ler e Porquê»: Harold Bloom. Ambos conheciam e elogiavam autores portugueses, tanto ancestrais como contemporâneos, entre os quais Luís de Camões, Fernando Pessoa, José Saramago…
… Mas não, creio, Mário-Henrique Leiria. Contudo, o criador dos «contos do gin» é justamente admirado ainda hoje por muitos e dedicados leitores. Eu sou um deles, e evoquei-o em Janeiro último no Simetria a propósito de um livro de que foi co-tradutor: «Lua Ano Um», uma relíquia da ficção científica… e da propaganda comunista soviética, que merece, porém, ser (re)descoberta. Tal como, aliás, a obra completa de MHL, que a E-Primatur, numa acção que é de louvar, decidiu publicar.  

quinta-feira, janeiro 16, 2020

Objectivo: Ligar casas de escritores

Sendo eu um grande admirador de José Fialho de Almeida, tanto que concebi e co-organizei dois colóquios sobre a vida e a obra daquele grande escritor, um realizado em 2007 aquando dos 150 anos do seu nascimento e outro em 2011 aquando dos 100 anos da sua morte, fiquei compreensivelmente muito satisfeito com a inauguração em Cuba, a 10 de Junho de 2019, do Museu Literário Casa Fialho de Almeida. Que visitei com a minha esposa a 14 de Setembro do ano passado, tendo então conhecido pessoalmente Francisca Bicho, Presidente da Direcção da Associação Cultural Fialho de Almeida, que simpaticamente foi a nossa guia na visita ao novo espaço, juntamente com Nuno Sota, da Câmara Municipal, que o dirige. Depois, e no mesmo dia, acompanhados por FB e pelo seu marido, visitámos o cemitério de Cuba para ver o jazigo do escritor e da sua família, e almoçámos em Vila de Frades (no restaurante… País das Uvas), onde parei em frente à casa onde ele nasceu em 1857.    
Da casa onde Fialho de Almeida faleceu em 1911 – agora reparada, renovada, adaptada às necessidades e às finalidades de um centro cultural que se pretende ambicioso, prestigiante, útil, relevante – saí com a convicção de que esta nova instituição tem um grande potencial de crescimento e de desenvolvimento. E, também para ajudar nesse desígnio, decidi fazer dela o ponto de partida de um projecto que concebi no âmbito do Movimento Internacional Lusófono, a cujo Conselho Consultivo pertenço: a constituição da ReCELp, isto é, a Rede de Casas de Escritores de Língua Portuguesa. Enviei o documento, com data de 7 de Outubro, contendo a respectiva proposta para Nuno Sota e Francisca Bicho; a Presidente da Direcção da ACFdA leu-a a 14 de Outubro durante o III Encontro Fialho de Almeida, realizado na Casa Museu Literário, e remeteu-a a 17 para a Câmara Municipal de Cuba e para a Direcção Regional de Cultura do Alentejo.
Eis um excerto da proposta: «O Movimento Internacional Lusófono vem agora propor a realização de uma outra iniciativa tendente a reforçar e a enriquecer o espaço – transnacional, transcontinental – de língua portuguesa, em especial ao nível cultural mas não só, e simultaneamente a colaboração, para essa realização, com outras instituições. Nomeadamente, a Câmara Municipal de Cuba, através do Museu Literário Casa Fialho de Almeida, e a Associação Cultural Fialho de Almeida. Àqueles que se dedicam a preservar a memória e o legado literário do autor de “Os Gatos” e de “O País das Uvas”, congregados nas duas entidades acima citadas, propomos que tomem a liderança na constituição, tão cedo quanto possível, da ReCELp-Rede de Casas de Escritores de Língua Portuguesa, para isso iniciando contactos com as suas congéneres em Portugal e no Brasil, isto numa primeira fase. Numa segunda, já oficializada a constituição da Rede, dever-se-á proceder à definição e à aplicação de um programa de acção, com vista não apenas à obtenção de melhorias mútuas nas actividades das casas de escritores já existentes mas também à criação de novas casas, não só na América e na Europa mas ainda em África e na Ásia. O (MIL) disponibiliza-se para apoiar, na medida das suas possibilidades, a constituição e a actuação da ReCELp (…), e apela igualmente à Associação Portuguesa de Escritores que proceda do mesmo modo.»
Três meses depois continuamos à espera de receber as respostas das três entidades citadas – CMC, DRCA e APE – à nossa proposta. Convencidos de que neste assunto, como em outros das mesmas índole e importância, o tempo urge. (Também no MILhafre.)

terça-feira, dezembro 31, 2019

Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2019

A literatura: «As Aventuras de Alix - Iorix, o Grande», Jacques Martin; «O Buda de Marfim/Uma Aventura no Oriente», Vítor Péon; «Pequeno Nemo na Terra da Modorra (Volumes 1 e 2)», Winsor McCay; «As Grandes Batalhas - Guerra Relâmpago/Trovão Sobre Varsóvia» e «(...) - Moscovo/Operação Barba Vermelha», Pierre Dupuis; «Michel Vaillant - Os Jovens Lobos», «(...) - A Revolta dos Reis» e «(...) - A Derrota de Steve Warson», Jean Graton; «Jim Del Monaco - A Criatura da Lagoa Negra» e «(...) - A Grande Ópera Sideral», António José Simões e Luís Louro; «Juan Solo - Tomo 1 - Filho de Fusca», Alejandro Jodorosky e Georges Bess; «Dementia Vivendi», Miguel Montenegro.
A música: «Moura», Ana Moura; «Elton John» e «Tumbleweed Connection», Elton John; «Fun House», Stooges; «Steppenwolf Live», Steppenwolf; «(R)Evolução», Amor Electro; «Apostrophe (')», Frank Zappa; «Evening Star», Brian Eno e Robert Fripp; «Horses» e «Radio Ethiopia», Patti Smith; «Fado Ao Meu Jeito», Daniel Gouveia; «Peter Gabriel (1980)», Peter Gabriel; «Fantasia», Gal Costa; «Three Sides Live», Genesis; «Money And Cigarettes», Eric Clapton; «Também Eu», Banda do Casaco; «The Man With The Horn», Miles Davis; «Piano & A Microphone 1983», Prince; «Spice», Spice Girls; «Adore», Smashing Pumpkins; «Vinyl», Gift; «Random Access Memories», Daft Punk; «Ultraviolence», Lana Del Rey; «Another Country», Rod Stewart; «The Most Beautiful Moment In Life Pt. 2», BTS; «Fidelio», Ludwig Van Beethoven (por Carola Nossek, Jeannine Altmeyer, Peter Meven, Siegfried Jerusalem, Siegmund Nimsgern, Theo Adam, e outros, com a Orquestra Gewandhaus de Leipzig dirigida por Kurt Masur).
O cinema: «Rapaz de Nenhures», Sam Taylor-Wood; «Furiosos Sete», James Wan; «O Equalizador», Antoine Fuqua; «Shazam!», David F. Sandberg; «Shampô», Hal Ashby; «Ralph Quebra a Internet», Phil Johnston e Rich Moore; «Serra de Vaivém», Michael Spierig e Peter Spierig; «Eles Não Envelhecerão», Peter Jackson; «Sicário», Denis Villeneuve; «Vingadores - Jogo do Fim», Anthony Russo e Joe Russo; «Vidro», M. Night Shyamalan; «O Espantoso Homem-Aranha 2», Marc Webb; «Tucker - O Homem e o seu Sonho», Francis Ford Coppola; «Erguido», Kevin Reynolds; «O Jovem e Prodigioso T. S. Spivet», Jean-Pierre Jeunet; «O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos», Joe Johnston e Lasse Hallstrom; «Viúvas», Steve McQueen; «Descendo um Átrio Escuro», Rodrigo Cortés; «Creed II», Steven Caple Jr.; «Hotel Império», Ivo M. Ferreira; «Era uma Vez na Revolução», Sergio Leone; «Asiáticos Ricos e Doidos», Jon M. Chu; «Tully» e «O Corredor da Frente», Jason Reitman; «O Grinch», Scott Mosier e Yarrow Cheney; «Bumblebee», Travis Knight; «Rapazes de Jersey», Clint Eastwood; «Comboio Nocturno para Lisboa», Bille August; «As Quatro Penas», Shekhar Kapur; «Diário de uma Criada de Quarto», Benoit Jacquot; «O Homem do C.R.U.L.A.», Guy Ritchie; «A Aeronave Destruidora», Walter R. Booth.
E ainda...: Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Do Convento ao Campo Grande - Nos 50 anos da mudança» + exposição «Natércia Freire (1919-2004)» + exposição «"Quem ler os livros que eu li" - Aproximações à biblioteca de Fernando Oliveira» + exposição «Francisco Lage - De Braga a Lisboa (1930-1957), esteta e homem do seu tempo» + exposição «Centenário do jornal A Batalha» + mostra «João José Cochofel (1919-1982)» + mostra «"Robinson Crusoe" - 300 anos» + mostra «Joel Serrão (1919-2008)» + mostra «"Ivanhoe" - 200 anos» + mostra «Maria Cecília Correia (1919-1993)» + mostra «Mariana Alcoforado - 350 anos de paixão e prélio»; Paróquia de São Mamede de Lisboa - exposição de arte por Rueffa «Welcome»; FNAC - exposição de fotografias «Amélia» + exposição de ilustrações de Mathieu Sapin «Le Poulain» (Chiado); Museu do Neo-Realismo - exposição «"E não sei se o Mundo nasceu" - Fernando Namora, 100 anos»; Pousada Castelo de Alvito - exposição de fotografias de Jerónimo Heitor Coelho «Alentejo - Ontem, hoje, amanhã»; Câmara Municipal de Cuba - Museu Literário Casa Fialho de Almeida; «Here Comes the Sun», (vídeo musical dos) Beatles; Movimento Internacional Lusófono - Celebração dos 80 anos de Pinharanda Gomes (Palácio da Independência) + congresso «Eça de Queiroz, nos 150 anos do Canal do Suez» (Sociedade de Geografia de Lisboa e BNP); SGL - exposição «Gago Coutinho, benemérito da Sociedade de Geografia de Lisboa»; Grupo Pestana/Fundação Júlio Resende - exposição de pintura «Goa l'Odeur Couleur» (Palácio do Freixo, Porto); Reitoria da Universidade do Porto/Invicta Imaginária - 1º Encontro Internacional de História Mundial «E se?»; «Uma reunião de Natal», (anúncio publicitário da) Xfinity.

domingo, dezembro 15, 2019

Opinião: «Esta obra é única»

A 8 de Abril deste ano assinalei aqui os 10 anos da publicação do meu livro «Espíritos das Luzes». Então expressei a (quase) certeza de que mais motivos existiriam no futuro para voltar a falar e a escrever sobre ele…
… E eis um que é particularmente importante, significativo, para mim: no Nº 24 da revista Nova Águia, apresentada em 18 de Outubro último e correspondente ao segundo semestre de 2019, está, nas páginas 266 e 267, uma recensão ao meu romance feita por Anabela Ferreira, coordenadora do Núcleo de Alverca do Museu Municipal de Vila Franca de Xira, e que, aliás, foi a minha anfitriã na especial, memorável apresentação de três outros livros meus feita naquele espaço em 7 de Outubro de 2017 – dois individuais («Q», em 2015, e «Nautas», em 2017) e um colectivo («Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», em 2016), todos editados pelo Movimento internacional Lusófono.
Seguem-se alguns excertos da análise, de alguém que conhece e que estudou a época histórica (século XVIII) que está na base da narrativa: «(…) Trata-se de uma obra de génio literário. (…) Foi daquelas leituras imersivas, que uma pessoa tem de se obrigar a parar, não vá ficar presa, irremediavelmente, naquela dimensão alternativa. (…) A genialidade não está tanto na criação fantástica de toda uma nova tecnologia de gadgets e equipamentos mecânicos, robóticos, enfim, futuristas num século em que de facto não existiram, mas porque o autor revela um profundo conhecimento da História e dos personagem que retrata, manifesto pelos excertos dos textos reais e “encaixando-os”, na perfeição, no enredo por si criado. (…) E se os diálogos são dos próprios personagens reais, a ligação com o maravilhoso, o fantástico e a ficção científica é-nos apresentada pelo narrador/autor numa linguagem contemporânea cheia de humor e leveza, que contrasta muitas vezes com os textos factuais sem nunca perder o sentido da obra, de uma forma em que não podemos deixar de sentir que, embora se trate de ficção, faz tanto sentido que podia ser real. (…) Esta obra é única. A História é a nossa, os personagens são, na grande generalidade, conhecidos por todos os portugueses, não há como não nos identificarmos. Para aqueles que podem não gostar muito do género romance histórico, garanto que embora a História se faça presente no carácter dos personagens e em algumas das acções, esta obra vai muito para além disso. Para aqueles que até podem gostar de História mas que não sentem o apelo da ficção científica, aventurem-se porque se trata de um exercício fascinante, o de reflectir sobre os caminhos que a História poderia ter seguido se a tecnologia aqui representada tivesse existido. (…)»
Anabela Ferreira termina a sua recensão, que muito agradeço e que me honra, manifestando a esperança de que eu me «sinta estimulado a criar outras aventuras do género». E, efectivamente, no ano a seguir a «Espíritos das Luzes» ter sido publicado iniciei a redacção do meu segundo romance, que concluí em 2014… pelo que já passaram, pois, cinco anos sem eu ter conseguido publicá-lo – apesar de, nesse espaço de tempo, ter contactado várias editoras. Algo que, juntamente com outros, e igualmente desagradáveis, factos e factores me leva(ra)m a concluir que terei chegado ao fim de um ciclo. (Também no MILhafre, Ópera do Tejo e Simetria.)