quarta-feira, dezembro 07, 2016

Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 5)…

… Escritos e publicados, desde Março último, nos seguintes blogs: Apartado 53 (um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete); Horas Extraordinárias (um, dois); Delito de Opinião (um, dois, três, quatro, cinco, seis); Malomil; Corta-Fitas; Aventar; Do Portugal Profundo. E que aborda(ra)m, entre outros subtemas: a «despromoção» do Português no Vaticano; a arrogância (por avisar o presidente da República para «cumprir a lei»), e também a cobardia (por se recusar a debater), por parte de Malaca Casteleiro; as responsabilidades – e as culpas – de bastante editoras na propagação do «acordo ortográfico de 1990», incluindo a reedição de antigas colecções e de «obras clássicas» com ortografia alterada; o debate – e o dilema – entre reformar ou eliminar o AO90; a incerteza quanto à verdadeira posição – e a eventuais futuras acções – de Marcelo Rebelo de Sousa relativamente a este assunto; o insulto póstumo a Vasco Graça Moura feito pela Imprensa Nacional Casa da Moeda; porque o Diário de Notícias já não merece estar na Avenida da Liberdade; Francisco José Viegas e os «sovietes improvisados» da Escola Estatal nacional.

sexta-feira, novembro 25, 2016

Ocorrência: «… Verney…» no «Delito…»

O blog Delito de Opinião, através de Pedro Correia, apresentou como a sua «Sugestão: Um livro por dia» de hoje «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», obra coordenada por mim, António Braz Teixeira e Renato Epifânio, e que contém os textos das comunicações apresentadas no congresso com a mesma designação realizado em 2013 na Biblioteca Nacional de Portugal e no colóquio realizado em 2014 na Universidade de Évora, a propósito e a pretexto dos 300 anos do nascimento do autor de «Verdadeiro Método de Estudar». (Também no MILhafre.)   

segunda-feira, novembro 21, 2016

Outros: Contra o AO90 (Parte 14)

«A criação de um discurso revisionista», «Os canibais» e «Pequeno tratado da anulação das almas», Olga Rodrigues; «… Porque o que anda por aí… é uma vergonhosa maneira de escrever…», «Um vírus altamente nocivo chamado AO90…», «Ninguém para o Acordo Ortográfico de 1990», «Terá o AO90 algo a ver com o “complexo de vira-lata” brasileiro?», «”Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira”», «A história do milagre da multiplicação da língua portuguesa depois do AO90» e «Investigação sobre o AO90», Isabel A. Ferreira; «Tristes tretas», «Esperar para ver», «Intoxicação acordista “a contrario”», «”Palheta”», «”O Triunfo dos Porcos”» e «Viva», João Pedro Graça; «Reflexão do dia (uma, duas)», «Os proletários e a aristocracia do ornitorrinco ortográfico», «Os péssimos “contatos” do Conselho Económico e Social», «O país das duas ortografias», «Escritores discordam do “acordo”», «Injúria póstuma a Graça Moura» e «Quando a tolice se torna lei», Pedro Correia; «Santana Lopes ou ortografia sem dogmas», «Diga “expectativa”!», «”Contate hoje mesmo!”» e «Ana Paula Laborinho defende a morte das variantes do português», António Fernando Nabais; «Carta-Aberta ao Ministro da Educação» e «Persistir contra o Acordo Ortográfico de 90», Maria do Carmo Vieira; «Inverter Pessoa», João André; «O ministro é sereno», «Espetadores flutuantes», «Falares há muitos, dizeres também», «O leite e a lata», «Dilema legendário», «Galiza? Venha ela», «Andamos ou andámos?», «Por umas letrinhas apenas» e «O Atlas, a língua e os seus delírios», Nuno Pacheco; «As elites bem falantes ou as noções básicas de democracia», Miguel Sousa Tavares; «A reversão mais valiosa para o futuro – acabar com o Acordo Ortográfico», José Pacheco Pereira; «Professor Martelo», João Pereira Coutinho; «Um amplo debate entre os países lusófonos?», «Marcelo Rebelo de Sousa e o Acordo Ortográfico de 1990», «História dos Fatos sociais e fator issues», «O Acordo Ortográfico de 1990 explicado por Dilma Rousseff», «À espera de Marcelo Rebelo de Sousa» e «Contra o Orçamento de Estado para 2017», Francisco Miguel Valada; «Acordar mal», Luciano Amaral; «O Acordo e a linguiça», João Gonçalves; «O desacordo», Joana Petiz; «Aos alunos portugueses e ao actual ministro da Educação», António Carlos Cortez; «Língua portuguesa – é a hora?», António Jacinto Pascoal; «A negligência na língua e na escrita é princípio da decadência dum país», Guilherme Valente; «Contra o acordo infame», António Guerreiro; «A roleta da língua», Ana Cristina Leonardo; «Vão-se catar», Luís Menezes Leitão; «Os inventores do indefensável AO», Teolinda Gersão; «Os falsos pressupostos do Acordo Ortográfico», Filipe Zau; «Redondo (des)acordo», José Antunes de Sousa; «A nova vida da ILC», «”A ortografia também é gente”», «Habeas Lingua», «Cidadania e Língua Portuguesa» e «No domínio da opinião», Rui Valente; «Carta aberta ao PR – O acordo ortográfico do nosso descontentamento», Maria Teresa Ramalho; «Inconstitucionalidades da resolução Nº 8/2011 (AO90)», Francisco Rodrigues Rocha e Ivo Miguel Barroso; «AO90, a fórmula do desastre» e «Tudo isto é português», Fernando Venâncio; «Uma exígua conceção de cidadania», João Santos; «O injustificável acordo orto(?)gráfico», Gastão Cruz; «Juro que não é embirranço…», J. Manuel Cordeiro; «Carta aberta a um assassino da Alma Portuguesa», Pedro Barroso; «Porque sou fiel àquilo em que acredito» e «Muito obrigado à equipa da ILC», Luís de Matos; «As palavras e os(f)actos», Viriato Teles; «Curta vida ao AO é o que eu lhes desejo», Fernando Proença; «Uma ilha à deriva», Diana Guerreiro; «Um acordo que nunca o foi, um estulto alvoroço, escusado», Hugo Pinto Santos. (Também no MILhafre.)

domingo, novembro 06, 2016

Ocorrência: «Descobriu-se» uma dissertação

Ainda a tempo da celebração do décimo aniversário da edição de «Os Novos Descobrimentos», livro escrito por mim e pelo meu amigo Luís Ferreira Lopes e editado pela Almedina em 2006, fica a informação – na verdade, mais uma curiosidade – de que existe (pelo menos) mais um trabalho académico, mais uma tese universitária, que cita aquela nossa obra e a integra na sua bibliografia…
… E essa tese, mais especificamente uma dissertação de doutoramento em Sociologia, tem por título «A construção da comunidade lusófona a partir do antigo centro – Micro-comunidades e práticas da Lusofonia», e é da autoria de Cármen Liliana Ferreira Maciel, que a apresentou e defendeu em 2010 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. As menções a «Os Novos Descobrimentos» estão nas páginas: 90 - «os jornalistas Luís Ferreira Lopes e Octávio dos Santos que alegam que, como consequência da consolidação da democracia e da (relativa) recuperação da economia, a produção cultural em língua portuguesa regista agora “uma nova dinâmica, em especial na literatura e na música. Começa-se – finalmente – a falar da guerra colonial”»; 122-123 – «Luís Ferreira Lopes e Octávio dos Santos (2006), ambos cientistas sociais e jornalistas, que acompanham o evoluir das relações entre o antigo centro e as ex-periferias, argumentam que a ideia de tal comunidade nasce do sonho de pensadores como Agostinho da Silva ou Gilberto Freyre e seus herdeiros culturais, para amadurecer no pensamento de homens como António de Spínola (autor de “Portugal e o Futuro”, de 1974) ou Joaquim Barradas de Carvalho (autor de “Rumo de Portugal”, também de 1974)»…
… E na página 344 através de uma dupla referência na lista das obras consultadas para o trabalho. Porém, numa delas o meu nome aparece como sendo… «Octácios»! Mais uma demonstração das continuadas (e intrigantes) dificuldades que aquele continua a suscitar junto de várias pessoas… e mais uma «variante» onomástica a juntar à «lista». 

sexta-feira, outubro 28, 2016

Opinião: Sobre «Q», na Nova Águia

A mais recente edição da revista Nova Águia (Nº 18, correspondente ao segundo semestre de 2016), que teve a sua primeira apresentação no passado dia 21 de Outubro n(o auditório d)a Biblioteca Nacional de Portugal, inclui, na página 268, uma recensão ao meu livro «Q – Poemas de uma Quimera» - editado no ano passado pelo Movimento Internacional Lusófono – escrita por Mendo Castro Henriques
… Da qual transcrevo alguns excertos: «Um livro intrigado com um título intrigante, foi o que escreveu Octávio dos Santos. Intrigado, porque nele se descobre uma admiração sem fim pela pátria portuguesa, a par de uma crescente perplexidade e angústia perante a sua conjuntural situação. (…) Vai repartindo o seu amor e as suas dúvidas sobre um certo Portugal que se perfila entre tipos humanos, paisagens, situações e expectativas. (…) Retrata ou espreita avidamente a vida a acontecer, túrgida de emoções, mas sem imediato sentido, a que só a breve composição poética restitui significado num envelope literário que exprime um pensamento principal. (…) Octávio dos Santos ama o passado português. E quanto mais nele se revê, mais intrigado está com o futuro que surge ora cinzento, ora ameaçador, ora medíocre, ora negro.»
Relembro e realço que «Q – Poemas de uma Quimera» não se encontra à venda nas livrarias, podendo ser adquirido apenas através do MIL, quer por correio quer nos eventos que o Movimento regularmente realiza um pouco por todo o país. (Também no MILhafre.)

quinta-feira, outubro 20, 2016

Obituário: J. M. Paquete de Oliveira

Faleceu no passado dia 11 de Junho, e, se fosse vivo, completaria hoje 80 anos. É por isso que escolhi esta data para uma breve, mas sentida, evocação de, e homenagem a, José Manuel Paquete de Oliveira…
… Que foi um dos dois professores (entre aqueles que me deram aulas em escolas) que mais importância e influência exerceram na minha vida pessoal e profissional. No Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa tive-o não só como docente de Sociologia da Comunicação – primeiro na disciplina de introdução àquela, depois no seminário (especialização) da mesma e última fase da licenciatura, que incluiu a elaboração e a defesa de uma tese específica – mas também como colega no Conselho Directivo e em duas assembleias escolares, em anos decisivos para a expansão e o fortalecimento do ISCTE enquanto estabelecimento de ensino moderno e de referência em Portugal. Com ele confirmei a minha vocação… para a comunicação, precisamente, apesar de, durante algum tempo, me ter convencido que aquela seria concretizada na publicidade; e, de facto, realizei o estágio (por ele conseguido depois de insistência da minha parte), no âmbito do seminário, numa das empresas do grupo McCann Erickson, uma memorável experiência de três meses (e que me soube a pouco), mas o insucesso posterior em obter um emprego naquela ou em outra agência (e várias foram as que contactei nesse sentido) como que me convenceu a tentar de novo o jornalismo, no qual me iniciara no Notícias de Alverca e depois continuara no DivulgAcção, o boletim da Associação de Estudantes do ISCTE que co-fundei e que dirigi enquanto naquele permaneci.
Durante dois anos eu e Paquete de Oliveira mantivemos um convívio, e mesmo companheirismo, praticamente quotidiano. Depois, e nos últimos 25 anos, os contactos, as conversas, foram ocasionais, pontuais, e quase sempre por telefone – invariavelmente, era eu que lhe ligava, para lhe dar novidades minhas, onde estava, o que fazia, os livros que publicava, os projectos em que me envolvia. Sim, admito que fiquei desiludido, e algo magoado, devido ao pouco ou nenhum interesse que ele manifestava pelo percurso subsequente daquele que tinha sido (não duvido em afirmá-lo, e as classificações demonstram-no) um dos seus melhores alunos – uma circunstância quase de certeza resultante do conflito em que me envolvi com algumas instâncias do ISCTE no final da licenciatura, e no qual dele não recebi o apoio que esperava e que (penso que) merecia. A última vez que estive com ele foi em Março de 2013, aquando do funeral de Mário Murteira, onde fez uma intervenção marcada pela emoção, lembrando o seu amigo de tanto tempo – e que também faleceu no ano em que completaria 80 de vida, tal como, aliás, José Manuel Prostes da Fonseca, nosso colega no Conselho Directivo. E a última vez em que comunicámos foi em Março de 2015, por correio electrónico, em que esclareci o então Provedor dos Leitores do Público – o último cargo que desempenhou numa longa carreira repartida entre a universidade, a imprensa, a rádio e a televisão – sobre a causa e contexto de uma queixa de uma leitora daquele jornal relativa ao meu artigo «Apocalise abruto» (tratava-se, na verdade, de uma representante de uma das empresas «apanhadas» a usarem palavras inventadas na sequência da aplicação do AO90). Agora tranquiliza-me saber que as últimas palavras que me dirigiu foram de plena cordialidade e simpatia – e que, claro, foram correspondidas: «Desculpa a falta de formalismo como me dirijo a ti. Mas creio que seria hipócrita tratar-te sem reconhecer pessoalmente um interlocutor compassado de boas e amigas relações. Já calculava que irias aparecer, pois reconheço a tua militância convicta e activa contra o AO. Aliás, quando eu estava na RTP, falámos sobre este assunto.» 
Sobre José Manuel Paquete de Oliveira é de ler também o que escreveram Adelino Gomes, José Rebelo (este também meu professor no ISCTE e membro da equipa de Sociologia da Comunicação) e a Direcção Editorial do Público.

segunda-feira, outubro 10, 2016

Obras: «Luís António Verney…»

Na passada sexta-feira, 7 de Outubro, e tal como anteriormente anunciara, decorreu, na Biblioteca Nacional de Portugal, o colóquio (proposto e co-organizado por mim) «Nos 350 anos da morte de D. Francisco Manuel de Melo» - do qual já começaram a ser divulgadas imagens (e ao qual faltaram, da lista de oradores previstos, José Carlos Seabra Pereira e Manuel Ferreira Patrício). Expresso, como em prévias e semelhantes ocasiões, o meu obrigado a todos os que participaram, tanto na mesa como na assistência do auditório da BNP, neste evento, que encerrou com a «estreia», o lançamento daquele que é igualmente o meu novo livro…
… Intitulado «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», editado pelo Movimento Internacional Lusófono (em parceria com a DG Edições, a mesma de «Q - Poemas de uma Quimera») e que reúne os textos das comunicações apresentadas, não só no congresso com a mesma designação, realizado, igualmente na BNP, a 16, 17 e 18 de Setembro de 2013 (ano em que se celebraram os 300 do nascimento do autor de «Verdadeiro Método de Estudar»), mas também as no colóquio «No Tricentenário de Luís António Verney», realizado na Universidade de Évora a 20 e 21 de Março de 2014. Após um demorado e cuidado processo de preparação e de revisão, eis a obra, com 36 autores, incluindo os coordenadores (co-organizadores) António Braz Teixeira, Renato Epifânio… e eu próprio, e ainda Ana Maria Moog, António Cândido Franco, Armando Martins, Augusto dos Santos Fitas, Francisco António Vaz, Duarte Ivo Cruz, Helena Nadal Sánchez, Jesué Pinharanda Gomes, Joaquim Domingues, João Príncipe, Jorge Teixeira da Cunha, José Eduardo Franco, José Gama, Luís Lóia, Luís Manuel Bernardo, Manuel Cândido Pimentel, Manuel Curado, Manuel Ferreira Patrício, Margarida Amoedo, Maria de Fátima Nunes, Maria do Céu Fonseca, Maria Manuela Martins, Mário Vieira de Carvalho, Marta Mendonça, Miguel Corrêa Monteiro, Miguel Real, Paulo Ferreira da Cunha, Pedro Martins, Rodrigo Sobral Cunha, Rui de Figueiredo Marcos, Samuel Dimas…
… e Helena Murteira e Maria Alexandra Gago da Câmara, minhas colegas no projecto Ópera do Tejo/Lisboa Pré-1755, e cujas intervenções reflectiram as investigações que temos vindo a efectuar naquele. Enfim, o certo é que, mais de dez anos depois, o meu romance «Espíritos das Luzes», tão incompreendido - e invectivado – por alguns, continua a dar (bons) frutos. (Também no Ópera do Tejo.   

sábado, outubro 01, 2016

Orientação: SS com 550!

Hoje celebra-se mais um Dia Mundial da Música, o que significa também, no sítio da Simetria, a publicação de uma nova edição do projecto Simetria Sonora. E, tal como em edições anteriores, a esta grande lista foram adicionados 50 discos por mim considerados de ficção científica e de fantástico: são agora 550. Ilustra a de 2016 a imagem da capa de «Electric Ladyland», de Jimi Hendrix, lançado originalmente em 1968. A ouvir… e a descobrir. Tudo, e sempre!  

terça-feira, setembro 27, 2016

Outro(s): Que não aprende(m)…

… Apesar de, ironicamente, ser(em) professor(es): não satisfeito, aparentemente, pela «lição» que lhe dei em Junho, um suposto docente – que, indecentemente, advoga (a brincar? A sério?) a destruição de livros – voltou a demonstrar as suas insuficiências… didácticas e pedagógicas, e fê-lo com erros e mentiras – é ler, mesmo no final, «a pior leitura do ano». «Compassivo», concedi-lhe mais um, e breve, esclarecimento. Será suficiente desta vez? A ver vamos…
(Adenda - ... Já vi(mos), e não foi suficiente. A pessoa em causa decidiu reagir... algo frouxamente, e levou com outra curta «lição». Entretanto, em outro texto, num outro sítio, o mesmo indivíduo voltou a exibir a sua ignorância. Em ambos os casos, e depois de «apanhado», comportou-se novamente do mesmo modo - com imaturidade, com dichotes que, apesar de se pretenderem espirituosos, mais não são do que constrangedores. É curioso como há quem não consiga entender, e que se espante, que outros se recusem a «comer e calar».)

quarta-feira, setembro 21, 2016

Orientação: Sobre o Islão, no Público

Na edição de hoje (Nº 9654) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «O problema está, é, (n)o Islão». Um excerto: «O cenário já se tornou rotineiro: após uma acção terrorista, vários são os comentadores, em Portugal e em todo o Mundo, cujas compaixão pelas vítimas e condenação dos verdugos são menores do que a preocupação relativa a um eventual aproveitamento que a “extrema-direita” fará do crime e aos possíveis apoio popular e ascensão eleitoral de que aquela beneficiará. Sim, é maior o medo que alguns sentem das palavras do que o das facas, balas e bombas; sim, é maior o medo que alguns sentem da “islamofobia” do que do extremismo islâmico… que justifica a “islamofobia”.»

sexta-feira, setembro 16, 2016

Organização: Agora também na Amazon (es)

Em resultado de um acordo de representação internacional que assinou com a distribuidora Arnoia e que anunciou a 10 de Agosto, a Fronteira do Caos tem agora todo o seu catálogo disponível na Amazon espanhola. O que significa, obviamente, que também «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País» e «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico» passaram a estar acessíveis para venda através da filial no país vizinho da empresa criada por Jeff Bezos. 

quarta-feira, setembro 07, 2016

Oráculo: Evocar FMdM, na BNP

De hoje a exactamente um mês, a 7 de Outubro próximo, decorrerá, no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, o colóquio «Nos 350 anos da morte de D. Francisco Manuel de Melo». É mais uma organização do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, do Movimento Internacional Lusófono e da revista Nova Águia, segundo e seguindo uma sugestão e uma iniciativa minhas, na sequência dos eventos similares (assentes em efemérides significativas) dedicados a Luís António Verney em 2013 (aquando dos 300 anos do nascimento) e a Afonso de Albuquerque em 2015 (aquando dos 500 anos da morte).
O homenageado em 2016 é um dos maiores nomes do Barroco português e peninsular. Nascido em 1608 tal como António Vieira, Francisco Manuel de Melo foi aventureiro, escritor, militar e político, e, à semelhança do padre jesuíta, desempenhou missões diplomáticas a favor do restaurado Reino de Portugal. Entre as suas obras destacam-se «Apólogos Dialogais», «Carta de Guia de Casados» e «O Fidalgo Aprendiz». Em 2008, aquando dos 400 anos do nascimento de ambos, o autor de «Sermões» recebeu um muito maior (na verdade, avassalador), e previsível, destaque do que o autor de «Epanáforas», facto que este evento procura agora, de certa forma – e insuficientemente – compensar.
A lista de oradores do colóquio inclui os nomes de Ana Paula Banza, António Braz Teixeira, Deana Barroqueiro, Duarte Ivo Cruz, Jesué Pinharanda Gomes, José Carlos Seabra Pereira, Manuel Cândido Pimentel, Manuel Curado, Manuel Ferreira Patrício e Teresa Amado.   

quarta-feira, agosto 31, 2016

Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2016

A literatura: «Histórias da Terra e do Mar», Sophia de Mello Breyner Andresen; «Uma Voz na Revolução», Francisco de Sousa Tavares; «Os Simulacros», Philip K. Dick; «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários», António de Macedo; «Estratégia dos Deuses», Erich Von Daniken; «Editor Contra - Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite», Pedro Piedade Marques; «O Nascimento da Tragédia», Friedrich Nietzsche; «A Encomendação das Almas», João Aguiar; «Procurado», J. G. Jones, Mark Millar e Paul Mounts.
A música: «Concerto Em Lisboa», Mariza; «The Real... 1941-1956 The Ultimate Collection», Frank Sinatra; «From Elvis In Memphis» e «Elvis Country (I'm 10000 Years Old)», Elvis Presley; «Art Official Age», Prince; «Off The Wall», Michael Jackson; «Outlandos D'Amour» e «Zenyatta Mondatta», Police; «25», Adele; «A Portrait Of...», Duke Ellington; «Lumpy Gravy» e «We're Only In It For The Money», Frank Zappa; «A Nod Is As Good As A Wink... To A Blind Horse», Faces; «Os Sobreviventes», «Era Uma Vez Um Rapaz» e «Rivolitz - O Melhor de... Ao Vivo 2», Sérgio Godinho; «Also Sprach Zarathustra» (pela Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Gustavo Dudamel), Richard Strauss.
O cinema: «Cinderella», Kenneth Branagh; «Hotel Transilvânia 2», Genndy Tartakovsky; «Guia de Finais Felizes», David O. Russell; «O Marciano», Ridley Scott; «Célere», Ron Howard; «Capitão Falcão», João Leitão; «Procurando o Homem do Açúcar», Malik Bendjelloul; «Castelo no Céu», Hayao Miyazaki; «O Artista», Michel Hazanavicius; «Agora Vês-me», Louis Leterrier; «Da Rússia com Amor», Terence Young; «A Vida Secreta de Walter Mitty», Ben Stiller; «Esse é o Meu Rapaz», Sean Anders; «Zootopia», Byron Howard e Rich Moore; «Hércules», Brett Ratner; «Chefe», Jon Favreau; «Sob a Pele», Jonathan Glazer; «Missão: Impossível - Protocolo Fantasma», Brad Bird; «Missão: Impossível - Nação Revolta», Christopher McQuarrie; «E Assim Vai Indo», Rob Reiner; «Panda do Kung-Fu 3», Alessandro Carloni e Jennifer Yuh Nelson; «Ronaldo», Anthony Wonke; «Deadpool», Tim Miller; «Morto e Meio», Don Michael Paul; «Surripia», Guy Ritchie; «Astérix e Obélix ao Serviço de Sua Majestade», Laurent Tirard; «Bronco Billy», Clint Eastwood. 
E ainda...: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - «CartoonXira 2016 - Cartoons do ano 2015 (António, Bandeira, Brito, Carrilho, Cid, Cristina, Gargalo, Gonçalves, Maia, Monteiro, Rodrigo)/ 25 anos de desenhos 1990-2015 (Cécile Bertrand)» (Celeiro da Patriarcal) + 5º Salão de Automóveis e Motociclos Clássicos de Vila Franca de Xira (Pavilhão Multiusos); «We're sorry, Harry Kane» (anúncio publicitário do Licor Beirão); Associação Portuguesa de Editores e Livreiros - 86ª Feira do Livro de Lisboa; FNAC - exposição de fotografias de Jacques Van Wijlick «EVOA - Descubra o lado selvagem do Estuário do Tejo» (Vasco da Gama) + exposição de fotografias de Tiago Mota Garcia «Espelho Nosso» (Chiado); Museu do Neo-Realismo - exposição «Passageiro Clandestino Mário Dionísio 100 Anos» + exposição «Os Ciclos do Arroz»; Iron Maiden - «The Book of Souls World Tour 2016» - Meo Arena, 2016/7/11 (primeira parte, The Raven Age); Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «A saltar do livro - Livros pop-up» + exposição «"Livro do Desassossego - Desenhos de Sílvia Hestnes Ferreira» + exposição «Nascimento - De mar a mar, uma odisseia editorial» + exposição «Mário de Sá Carneiro, "o homem são louco"» + mostra «Horticultura para todos» + mostra «Ferreira de Castro - 100 anos de vida literária» + mostra «Timor-Portugal - Ontem e hoje»; «Daddy», (vídeo musical de) Psy; «O Círculo de Bletchley», Guy Burt; Museu da Lourinhã; «Nós somos os super-humanos» (anúncio da participação do Reino Unido nos Jogos Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro).  

domingo, agosto 21, 2016

Outros: Elogios a «Poemas»

Agosto já constitui para mim, e há pelo menos sete anos, também o «mês de Alfred Tennyson». Nascido a 6 (de 1809) e chegado a 25 (de 1859) para uma visita a Portugal, é em pleno Verão que eu procuro e, quando elas existem, divulgo, novidades interessantes relativas àquele escritor e/ou ao livro com traduções minhas de poemas seus editado em 2009. Desta vez reproduzo (devidamente corrigidos) comentários que encontrei recentemente na página do sítio Wook dedicada àquela obra.
Um, feito em Março de 2014, é de Tiago Silva: «Trata-se de um exemplo de uma boa sele(c)ção de poemas de um grande poeta da Inglaterra Vi(c)toriana. Dois, feitos em 2016 (um em Julho, outro em Agosto), são de Valdenir Pessôa: «Sem (sombra) de dúvida um dos melhores poetas românticos da era vi(c)toriana, Alfred Tennyson sobressai em relação aos outros autores, principalmente com (a) sua obra “Idílios do Rei”, o poema que faz justiça ao mítico rei Arthur. Essa cole(c)tânea de poemas é a única (que eu saiba) publicada em língua portuguesa e a sele(c)ção (é) extraordinariamente bem elabora(da). Parabéns!»; «Já havia comentado antes da leitura pelo fa(c)to de ser(em) poemas de Tennyson. Mas ao ler os poemas, deparei-me com o que há de melhor na poesia romântica inglesa no período. Poemas cheios de magia, subje(c)tivismo e, como não, romantismo que afe(c)ta o sentimento de quem os lê. Excelente!»
É de referir que na página mencionada não constava uma imagem da capa do livro; porém, e após ter enviado uma mensagem de correio electrónico com uma em anexo, essa lacuna foi entretanto colmatada. 

sábado, agosto 13, 2016

Orientação: Sobre «moedas de prata», no Público

Na edição de hoje (Nº 9615) do jornal Público, e na página 53, está o meu artigo «Casa da(s) Moeda(s) de prata». Um excerto: «É, pois, uma tremenda ofensa póstuma ao homem que foi presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, embora seja expectável, e até “compreensível”, por as entidades públicas e/ou sob tutela estatal, como é o caso da INCM, estarem “obrigadas” a utilizar esta “ortografia” pervertida criada por pervertidos. Na verdade, mesmo grave, e pior do que o regulamento, seria que a obra vencedora do Prémio Vasco Graça Moura fosse escrita e/ou publicada obedecendo ao ascoroso “acordês” que o deputado europeu (entre 1999 e 2009) abominava. Seria inimaginável!» (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53. Referência no Linguagista e no Delito de Opinião.)

quarta-feira, agosto 03, 2016

Opções: Pela Praça do Império

Já assinei a petição «Preservar a Praça do Império é defender a Portugalidade», promovida pelo Nova Portugalidade, um grupo de cidadãos que tem como objectivo da sua actividade «o estudo, promoção e defesa do património material e espiritual da Portugalidade». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
Lê-se no texto que apresenta e que explica a iniciativa: «(…) Os canteiros floridos da Praça do Império são, pese embora o desprezo que lhes parecem votar alguns espíritos menos avisados, um símbolo vivo, actual, da viva e actual globalização portuguesa. Representam-se ali, com os seus brasões de armas, os pedaços de Portugalidade que mais longamente se mantiveram ligados entre si; hoje, o jardim é testemunho forte de uma aventura colectiva que marcou o nosso passado e pode bem determinar o nosso futuro. (…) Não pode existir argumento financeiro, estético ou histórico que concorra para a destruição de algo tão belo e pleno de significado. Se avançar com o projecto de requalificação agora aprovado para a Praça do Império, a CML cometerá um crime contra Lisboa, o património nacional e a profunda amizade que mantemos com os povos da Portugalidade. Mais, tratar-se-ia de um crime contra a História e, portanto, contra o próprio país. (…)»
O tema, este texto e as expressões nele utilizadas como que ecoam outra petição, que subscrevi em 2013, e que também incidia sobre um elemento do património de Lisboa em risco – o cinema Odéon. Então escrevi: «Aparentemente, e infelizmente, o meu (modesto) apoio, tal como o de outros, não deverá ser suficiente para evitar a demolição. Que, a concretizar-se, será mais um crime contra o património nacional – não só da capital – cometido, ou permitido, pela Câmara Municipal de Lisboa, pelo seu actual presidente e pela sua equipa.» O «actual presidente» então referido é agora primeiro-ministro… e um dos elementos da sua equipa é agora edil da capital. Que, como que querendo mostrar ser um «digno» sucessor, prossegue igualmente a «política» de sacrificar a funcionalidade à estética (e os automobilistas aos ciclistas), da Avenida da Liberdade à da República. Para alguns as batalhas ideológicas estendem-se à relva dos jardins e ao alcatrão das vias. (Também no MILhafre.

terça-feira, julho 26, 2016

Orientação: Sobre o povo, no Público

Na edição de hoje (Nº 9597) do jornal Público, e na página 45, está o meu artigo «O povo é, ou não, quem mais ordena?». Um excerto: «O referendo não é algo que preferencialmente se deva fazer em situações de crise aguda, emergência ou mesmo de conflito civil e/ou militar; é melhor utilizado... e útil em democracias consolidadas e estáveis. Porém, e obviamente, por algum assunto e em algum momento tem de se, convém, começar. É pois de rejeitar, neste âmbito, a sobranceria, a arrogância paternalista de tantos «estadistas» – como o actual (p)residente da república portuguesa – que afirma(ra)m que um referendo “é uma questão que (em Portugal) não se põe”. E porque não?» (Também no MILhafre.)

domingo, julho 17, 2016

Ocorrência: 10 anos d’«Os Novos Descobrimentos»

Foi há precisamente 10 anos – a 17 de Julho de 2006 – que eu e Luís Ferreira Lopes fizemos a primeira apresentação do nosso livro «Os Novos Descobrimentos – Do Império à CPLP: Ensaios sobre História, Política, Economia e Cultura Lusófonas». A data não foi escolhida ao acaso: então assinalava-se o décimo aniversário da criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa… e hoje «comemora-se» o seu vigésimo aniversário.  
O lançamento decorreu na Livraria Almedina (esta também a editora da obra) do (centro comercial) Atrium Saldanha, em Lisboa. Contámos, na mesa, com as presenças – que muito nos honraram – de Adriano Moreira, Carlos Pinto Coelho (entretanto falecido), Manuel Ennes Ferreira e Nicolau Santos, que não só falaram do livro e dos temas que ele aborda(va) como também aproveitaram a ocasião para, com os autores, fazerem uma retrospectiva do que tinham sido os primeiros dez anos da existência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – algo que então não foi reconhecido por um certo comentador que, este ano, foi eleito para um muito importante cargo político.
Porém, os defeitos e as insuficiências detectadas na actuação da CPLP na sua década inicial são, em meu entender, insignificantes perante o que aconteceu na seguinte – mais concretamente, a implementação do «Acordo Ortográfico de 1990» e a admissão da Guiné Equatorial, pais onde vigora um regime ditatorial, como membro efectivo; a esperança inicial transformou-se em desilusão posterior, pelo que pouco ou nada há, da minha parte, para celebrar. (Também no MILhafre.      

segunda-feira, julho 11, 2016

Observação: Não, não acreditava…

… E, afinal, não se pode negar que eu (à semelhança de muitos outros) tinha bastantes motivos para isso: as decepções que também sofri em 1984, em 1986, 1996, 2000, 2002, e, já com comentários, em 2004, (não em) 2006 (porque provavelmente estava a preparar a edição de um livro, que, sim, evocarei em breve a propósito do seu décimo aniversário), 2008, 2010, 2012 e 2014. Como honestamente, racionalmente, esperar que, depois de aquela que foi possivelmente a melhor selecção portuguesa de sempre ter perdido em Lisboa uma final contra a… Grécia, uma outra de (aparentemente) menor valor iria vencer a França em… Paris? E quando, ainda antes dos dez minutos de jogo, Cristiano foi – não duvido de que deliberadamente, premeditadamente – lesionado e, depois, forçado a abandonar o campo, parecia que a aziaga «tradição» se confirmaria e repetiria…
… Porém, e finalmente, este «fado do futebol» desfez-se: Portugal conseguiu, mesmo, conquistar o Campeonato da Europa de Futebol (sénior, depois de tantos títulos nas camadas juniores). Talvez por as prioridades terem passado a ser outras. Como escrevi aqui, «qual é o problema de eventualmente “ser(e)mos execrados por milhões em todo o mundo a rezarem pelo nosso justo esmagamento” por sermos, supostamente, “a mais negra e ronhosa das ovelhas de que haverá memória em torneios futebolísticos”? Os incomodados que se lixem com “F” grande! Farto estou eu de gostarem de nós enquanto (e apenas) crónicos derrotados. Farto estou eu de derrotas. Portanto, que os jogadores da selecção triunfem, mesmo que com mais empates no tempo regulamentar, mais prolongamentos e mais decisões nas grandes penalidades. Que tragam a taça.» E trouxeram mesmo.
Nestes festejos, nestas celebrações, nesta alegria avassaladora que enfim chega com tantos anos de atraso – e em 2016 assinalam-se 50 desde a campanha dos «Magriços» de Eusébio em Inglaterra – há no entanto um aspecto que me desagrada, que me desilude, que me indigna: por culpa de pervertidos, de criminosos, de tiranos, antigos e modernos, a selecção é por muitos escrita sem «c» e veste-se, tal como o país, com as cores de uma bandeira da infâmia – não a verdadeira de Portugal, nunca é de mais repetir, mas sim a de uma associação de terroristas. Todavia, pelo menos desta vez, a repulsa não se sobreporá à felicidade. (Também no MILhafre.)

terça-feira, julho 05, 2016

Obrigado: Mais uma vez, ao Mestre…

… Meu e de tantos outros, António de Macedo, que hoje completa 85 anos de idade. Nesta ocasião aproveito para relembrar, repetir, reforçar o que já dissera (escrevera) em 2011, aquando do seu 80º aniversário. E muito fico contente por, apesar de alguns problemas de saúde, superáveis mas quase inevitáveis em alguém de tão longa e provecta idade, as ideias, os projectos e as obras feitas não lhe faltarem. Neste ano de 2016 já publicou «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários», livro de não-ficção… sobre ficções, uma colectânea de artigos e de ensaios editados anteriormente; e lançará, no final do Verão, o seu novo livro de ficção, um romance, em cuja publicação eu me orgulho de ter dado uma diminuta mas decisiva contribuição – o que terá constituído uma modesta e insuficiente retribuição do quanto lhe devo por me ter permitido iniciar verdadeiramente a minha carreira literária; mas não só… apresentará um filme novo, mais de 25 anos depois! Assim, por tudo isto e não só, muitos parabéns a António de Macedo, que é, na Ficção Científica & Fantasia em Portugal, o melhor de nós todos, o mais talentoso, o mais versátil, o mais experiente, o mais sábio. E, pelo constante entusiasmo e empenhamento, não só artístico mas também cívico, o mais jovem. Um abraço! (Também no MILhafre e no Simetria.

quinta-feira, junho 23, 2016

Observação: Uma questão de escala

No passado dia 12 registei a existência de (mais) uma recente recensão ao meu livro «Espíritos das Luzes», escrita e publicada cinco dias antes por Artur Coelho no seu blog Intergalactic Robot. E prometi para breve uma resposta. Pois bem, ela aqui está…
… E começo por reproduzir e destacar dessa recensão os elogios de âmbito geral, e até específico, àquela minha obra, que são vários: «Este livro assenta sobre aquilo que, de forma muito óbvia, foi uma forte investigação sobre a época. A bibliografia e discografia que o encerra é (são) muito interessante(s). Pega num momento marcante da história portuguesa e especula num misto de fantástico com Ficção Científica. Recupera na memória do leitor grandes vultos da cultura e política da época iluminista. Consegue invocar, ao longo dos capítulos, uma curiosa estética, misto da iconografia barroca com high tech. (…) Até me encantou (…) a curiosa cosmogonia do universo ficcional deste devaneio cyber-barroco. Octávio dos Santos imagina os países da Europa setecentista como planetas, interligados por vias galácticas sulcadas por passarolas. Confesso que é uma visão que me atrai, a recordar ilustrações novecentistas do sistema solar enquanto esferas nas mãos de malabaristas, invocando imagens de uma Lisboa barroca com passarolas gigantes suspensas nos céus. Tem o seu quê de fantasia mágica. (…) No meio de tudo isto, há uma história, um fio condutor que até tem interesse. Nesta Lisboa alternativa, o terremoto provocou uma fissura no espaço-tempo que mostra um vislumbre de uma outra Lisboa, arrasada pelo tremor de terra, onde as passarolas nunca voaram. (…) Na vertente périplo, consegue pontos de interesse, na recriação da Ópera do Tejo ou no infame capítulo onde a sensualidade mordaz da poesia de Bocage é explorada num boudoir subterrâneo do Café (Clube) Nicola. Um capítulo divertido na sua perversão e sanidade mental questionável, que merece ser lido. A sério, atrevam-se.»
Porém, a classificação final dada por Artur Coelho ao meu livro, revelada no GoodReads, foi, algo inesperada e contraditoriamente, de duas em cinco estrelas – aliás, foi aumentada, pois antes chegou a ser de uma! E qual foi a avaliação final, resumida, correspondente àquela reduzida («negativa») classificação? «Falha redondamente». E porquê? «Archizero» afirma que «Espíritos das Luzes» se «perde nas inconsistências». E quais são essas supostas «inconsistências»?
Uma será a própria designação que faço da minha obra enquanto «ficção científica»… embora para Artur Coelho não o seja, porque a FC é um «campo que exige todo um outro tipo de construção de mundo ficcional, mais assente em pressupostos rigorosos do que num imaginário solto mais próximo da fantasia.» Desde quando é que é obrigatório que na ficção científica existam sempre «pressupostos rigorosos»? E em que consistem exactamente esses pressupostos? Em explicar detalhadamente como se chegou à concepção de determinados métodos e técnicas de transporte, comunicação, trabalho e entretenimento, de determinados sistemas de organização política, social e económica? Quanto mais «próxima» de nós está a FC em causa, mais esse rigor, concordo, deve existir; porém, «Espíritos...» desenrola-se numa dimensão espaço-temporal alternativa, em que naquela os países que conhecemos são planetas! Maior «falta de rigor» inicial é impossível, ou pelo menos muito difícil. No mesmo sentido vai a «queixa» de que «elementos tecnológicos no livro, que aparecem sem contextualização, dando a sensação que estão lá só porque sim, porque pareceu bem meter nanotecnologia dentro de uma paisagem barroca ou autómatos a reconstruir a Ópera do Tejo». De certeza de que são «sem contextualização»? Olhe que não… esses elementos aparecem quando são necessários e não aleatoriamente. Será o Artur capaz de «jurar» que em outras obras de FC, incluindo muitas das «clássicas», das «consensuais», não existem por vezes elementos tecnológicos sem «contextualização» e «pressupostos rigorosos»?
Outra «inconsistência», ou «dissonância», «que torna esta leitura mais penosa é aquele(a) que prometia ser o(a) mais interessante»: a utilização, como diálogos, de «discursos» - enfim, textos autênticos – das personagens históricas introduzidas e «transformadas» (expressão minha) na narrativa; mas, atenção, não é esse recurso em si o problema para Artur Coelho mas sim a alegada «propensão do autor a despejar parágrafos e páginas inteiras dos escritos originais.» Poderá ser difícil a AC, e a outros, acreditar, mas o que lhe(s) parece «despejo» foi, e é, na verdade uma selecção cuidadosa, ponderada, com conta, peso e medida, e sempre adequada às diferentes «situações» que imaginei. Não, obviamente que nem todas as citações ocupam uma página. Mas, sim, algumas são longas, e isso foi deliberado, intencional; são densas e até mesmo desequilibrad(or)as, mas tal faz parte da estética da obra, porque replicam, reproduzem, os próprios excessos da época e das personagens que eu revisito e reformulo. «Archizero» parece admitir que «perde(u) logo o fio à meada». Sim, isso é um problema… mas dele, não meu. Seria de esperar que alguém que já leu tanto – incluindo bastantes livros de índole tecnológica – conseguisse aguentar, e sem se «perder», umas passagens mais compridas e que lidam com temas que não se podem exactamente considerar complexos.
Enfim, a única «inconsistência» explicitamente indicada por Artur Coelho refere-se às «escalas» (distâncias) que «não são consistentes ao longo da narração». E porquê? Porque «umas vezes estão expressas, outras não». No entanto, e obviamente, não há qualquer «inconsistência» por eu não estar sempre a fazer, e a mostrar, «contas», números de quilómetros, ou outro tipo de medição; haveria, sim, se eu me enganasse, se eu desse valores numa certa instância que estivessem em contradição com os de outra. Todavia, e muito, muito mais significativa, é a confissão feita por AC de que «não consegue conceber uma distância de dezenas de quilómetros do Terreiro do Paço ao Palácio Foz.» Sim, isso é outro problema… mas também dele, não meu. Eu tanto consigo conceber… que concebi mesmo. E eu sou lisboeta! Uma Lisboa «pequena», como a que existe na realidade, num «planeta Portugal» é que seria (muito) «inconsistente». Logo, é indiscutível que «o imaginar de Lisboa como um espaço imenso, com as distâncias ampliadas em mega escalas, é outro elemento que também»… funciona. 
O principal problema - não meu, logicamente – está precisamente nisto: o de que há quem queira e consiga… conceber, e há quem não queira nem consiga. Paciência! Efectivamente, tudo se resumirá a uma questão de escala… pessoal, e não só. É por isso que uns criam e outros… criticam. E, porque muitos deles (a maioria) não têm essa experiência, essa faceta, de criadores, os críticos mais facilmente – e levianamente – desvalorizam e até desprezam o que aqueles, tantas vezes com elevados sacrifícios pessoais, fazem. Assim, nesse sentido, se por um lado devo congratular Artur Coelho por ter lido o meu livro na íntegra antes de opinar (algo deficientemente, é certo) sobre ele, por outro lado devo, ainda mais veementemente, condená-lo por – reincidindo num lamentável procedimento que eu, em ocasiões anteriores (com outras obras e outros autores), já lhe censurara – se permite armar em «spoiler» e revelar o final, o desenlace, daquele. Para tal ele dá a «justificação» (?) de que «não estou preocupado porque ao que parece nenhum leitor chega ao fim deste livro» - tanto mais insólita porque ele próprio chegou ao fim, e, obviamente, antes dele, e por mais incrível que isso possa parecer, outros também chegaram. Entre os quais, nomeadamente, este português e este inglês.
Esta atitude – indigna, não é de mais salientá-lo – de desrespeito por parte de Artur Coelho, à semelhança do seu derradeiro e desfavorável «veredicto» dado a «Espíritos das Luzes», acontecem fundamentalmente, acredito, por «group think», por «peer pressure»: AC refere «outros leitores deste livro, que (…) detestaram a curiosa cosmogonia» patente na minha obra, e admite que «gostaria de ter chegado ao final desta leitura com uma opinião contrária às que tenho ouvido sobre esta obra. Infelizmente, não consigo.» Não consegue… ou não quer? Quem são esses «outros que detestaram», que fazem com que o capítulo sexto seja «infame», e que «Archizero» tanto respeita – ou receia – a ponto de as opiniões deles ouvidas anularem os «elementos intrigantes» que encontrou? É pouco provável que os identifique ou que eles próprios se assumam… embora eu talvez fosse capaz de adivinhar quem são. De uma coisa pelo menos eu tenho a certeza quanto a essas «luminárias»: nunca até hoje secundaram a posição que eu enuncio e demonstro no meu artigo «A nostalgia da quimera», publicado há quase cinco anos, de que «o fantástico é o género dominante na literatura portuguesa». Preferem, aparentemente, continuar a ser membros de uma espécie de «Portugal dos Pequenitos da FC & F», conformados por estarem confinados a um sub-género que reconhecem (mas eu não) como inferior, se não por palavras, então por (falta de) actos. «Espíritos das Luzes» é a expressão, na ficção, daquela minha reflexão e da crença que a anima: imagina um Portugal grande, maior (um planeta!), e, logo, uma Lisboa grande, maior; e, sim, isso também pode implicar citações, e parágrafos, grandes, maiores.   
Não é de agora – aliás, e infelizmente, há uma antiga e funesta «tradição» disso – que a originalidade e até a radicalidade de certas obras sejam confundidas com a sua (suposta falta de) qualidade, e que na sequência disso sejam rejeitadas inicialmente. Acredito que «Espíritos das Luzes» se encontra nessa categoria. Porém, leitores, «críticos», editores, já há muito que deveriam ter aprendido com os exemplos e com as lições do passado para não continuarem a cometer os mesmos erros de avaliação e de decisão no presente. Quantas vezes aconteceu, ao longo da história cultural em geral, e literária em especial, que a «bizarria» de ontem (hoje) é a genialidade de hoje (amanhã)? Só por isso deveriam ter mais cuidado, não vá dar-se o caso de, depois, arrependerem-se amargamente… por os seus «retratos» para a posteridade não se revelarem, afinal, os mais favoráveis. (Também no Simetria.)  

sexta-feira, junho 17, 2016

Outros: Livros MIL

Passaram ontem seis meses desde a apresentação do meu mais recente livro publicado, «Q – Poemas de uma Quimera», aquando do colóquio «Afonso de Albuquerque, 500 Anos – Memória e Materialidade». Porém, aquela minha obra é apenas uma entre várias de uma «colecção» que o Movimento Internacional Lusófono tem vindo a editar nos últimos meses, e que incluem: «A Filosofia Jurídica Luso-Brasileira do Século XIX»; «A Literatura Russa Vista por Autores Portugueses»; «André Brun – Antologia de Textos e Anedotas Sobre a Grande Guerra de 1914-1918»; «Eduardo Lourenço em Roda Livre»; «Filosofia, Arte e Literatura – Uma abordagem sobre a Formação Poética, Literária e Estética do Povo Cabo-Verdiano»; «O Acto de Escrita de Fernando Pessoa»; «Olhares Luso-Brasileiros». O meu livro é, de facto, até ao momento, a única excepção… poética entre um lote de prosas de não-ficção, do qual deve ser realçada a grande diversidade de temas.  

domingo, junho 12, 2016

Ordem: Sim, também irei ripostar…

… A uma nova, mais recente, recensão do meu livro «Espíritos das Luzes». Foi feita por Artur Coelho, que a publicou, no passado dia 7 de Junho, no seu blog Intergalactic Robot. Em breve, aqui no Octanas e também no Simetria, divulgarei a minha resposta. Será como a anterior? Esperem e verão. ;-) 

terça-feira, junho 07, 2016

Observação: Lágrimas púrpuras

No passado dia 21 de Abril, à tarde, estava, como quase sempre, em frente do computador, lendo e escrevendo. E, também como normalmente, tinha acabado de fazer mais uma «ronda» pelos principais sítios noticiosos que consulto preferencialmente. Porém, a notícia que não queria saber, que estava longe de imaginar que pudesse acontecer, foi-me dada por telefone. A minha esposa telefonou-me. Perguntou: «Já sabes o que aconteceu com o Prince?» Sobressaltei-me: «Não. O que foi?» A resposta gelou-me: «O pior que poderia ser». Acedi de imediato à Fox News, onde estivera não mais do que quinze minutos antes, e vi, li… em grande destaque, no topo da página. No Público também. Entretanto, a Prince.org, comunidade virtual de admiradores, havia «crashado». Gritei «não!» e bati várias vezes com a mão direita no tampo da secretária. Uma das minhas filhas espantou-se e preocupou-se; entristeceu-se depois… desde muito nova que eu – tal como às irmãs – lho tinha dado a ouvir. Porquê, porquê, porquê?..
À noite, telefona-me a minha mãe: «Filho, já sei que ele morreu. Imagino como deves estar triste. Lembro-me de como gostavas dele, de como estavas sempre a ouvi-lo, mas ignoro se, nos últimos anos, continuava a ter a mesma importância para ti…» Sim, sempre continuou a ser muito importante. À minha frente, erguido num suporte próprio em madeira, está o (grande) livro (de fotografias) «21 Nights» (que inclui o disco ao vivo «Indigo Nights»), editado na sequência dos concertos que deu em Londres em 2007. Desde Outubro de 2015, isto é, desde que coloquei a capa de «Around The Word In A Day», então a celebrar 30 anos de edição, como ilustração da Simetria Sonora do ano passado, que vinha ouvindo novamente todos os discos dele que possuo, que são quase todos. E, mais comovente… e mais inquietante, nesse próprio dia 21 de Abril adquirira uma das mais recentes obras dele que ainda não fazia parte da minha discografia, «Art Official Age»; o recibo da FNAC indica 14 horas e 31 minutos; se não me engano, mais ou menos nesse preciso momento, do outro lado do Atlântico, estariam a encontrá-lo, inconsciente, num elevador da sua casa, estúdio, museu, mausoléu…          
Em Paisley Park, Chanhassen, no Estado do Minnesota, não terá nevado naquele dia…
O que mais me custou, o que mais me surpreendeu? O facto de ele ter morrido sozinho – aliás, e aparentemente, de ele viver, estar, sozinho em períodos prolongados. Algo ainda mais inadmissível por, poucos dias antes, ter apanhado um susto que o fez aterrar no Illinois para receber assistência hospitalar de emergência. Não era suposto haver alguém com ele, a acompanhá-lo, a vigiá-lo? É certo que não tinha família mais chegada – esposa, filhos – mas não faltariam, supostamente, outras pessoas, tais como assistentes, colaboradores, amigos (músicos e não só) que durante toda a sua carreira o rodearam, que poderiam – e deveriam – fazer isso; aliás, ele sempre esteve longe de ser um eremita; era um génio, mas não um recluso.
Numa palavra, Prince morreu por negligência – dele próprio e de outros. Tal também deve ter acontecido devido a arrogância, a uma excessiva confiança, a um sentimento de invulnerabilidade, talvez a uma sensação de imortalidade. Há quem fale em «ignorância e medo». Sim, ele, tanto quanto se sabe, nunca terá caído nos excessos em que Michael Jackson caiu; no entanto, se é certo que ele nunca terá tentado alterar a sua aparência estritamente física, embora o tenha feito continuamente no penteado e nas roupas, terá tentado (é essa a minha avaliação) manter-se jovem, ou, melhor dizendo, manter o mesmo estilo de vida, feita de digressões e de espectáculos prolongados e exigentes, cansativos, extenuantes, noitadas e «directas» de gravações, quando não de festas. Enfim, ele talvez ter-se-á convencido de que, passados os 50 anos, e já a caminho dos 60, conseguiria manter o ritmo que tinha aos 20 anos e aos 30. Suspeitava-se de que ele abusava de analgésicos… e a autópsia, cujas conclusões foram anunciadas na semana passada, revelaram que ele morreu devido à auto-administração de uma dose excessiva de Fentanyl, «o mais potente narcótico conhecido, um opióide artificial 50 vezes mais forte do que a heroína e 100 vezes mais do que a morfina», e usado para tratar «dor severa e crónica».
Ele não mudou a sua maneira de estar e de agir, não descansou, não abrandou a velocidade a que vivia… e por isso parou definitivamente, prematuramente. Uma enorme desilusão, a maior que ele causou, a mim e a muitos outros. E em quase 40 anos de carreira não foram assim tantas nem graves as decepções: artísticas, praticamente nenhumas; pessoais… dir-se-ia a promiscuidade, mas nunca alguma mulher se queixou ou o acusou de ter um comportamento menos próprio; religiosas… a sua conversão às Testemunhas de Jeová espantou, e terá eventualmente dificultado a obtenção atempada e correcta de auxílio médico; políticas… ao contrário de vários (demasiados) colegas de profissão, nunca se notabilizou negativamente por afrontar e ofender partes significativas do público com afirmações, atitudes e acções controversas e divisivas – uma excepção terá sido, em 2015, o seu envolvimento (acredito que bem intencionado) com figuras tão sinistras como os «Black Lives Matter», Al Sharpton e outros racistas criminosos e «progressistas» aquando dos motins em Baltimore, tendo inclusivamente escrito e gravado uma canção sobre o assunto (depois soube-se também que doara dinheiro à família de Trayvon Martin). Poucos «pecados»… facilmente perdoados. Nada de (muito) grave para todos quantos, como eu, lhe devem tanto.        
Agora, a grande questão, a grande incógnita, é o que vai acontecer ao seu legado, ao seu património, tanto cultural como financeiro. Tudo indica que ele nunca redigiu nem deixou um testamento… o que expressa, uma (última) vez mais, uma reprovável negligência. A quem caberá, pois, a sua enorme fortuna? Aos seus irmãos e sobrinhos? Aos seus amigos? Às ex-mulheres e amantes? Será concretizada a campanha de reedição dos seus discos – remasterizados, remisturados, «completos» com faixas-extra – pela Warner Brothers Records, anunciada em 2014 e que era suposto ter produzido, para começar, a edição especial do 30º aniversário de «Purple Rain»? Serão divulgadas, e, se sim, como, as canções inéditas guardadas no seu «cofre» (que, apesar de muito provavelmente serem bastantes, não acredito no entanto que sejam cerca de duas mil, como alguém calculou)? Em 1993 escrevi - em artigo publicado na revista TV Mais – que Paisley Park poderia tornar-se numa nova Graceland; mantenho esta previsão, e há quem concorde comigo.
Prince Rogers Nelson nasceu a 7 de Junho de 1958, pelo que completaria hoje, se fosse vivo, 58 anos de idade. Uma data que muitos admiradores, do seu Minnesota natal mas não só, gostariam que fosse transformada num feriado no seu Estado, e já há uma petição nesse sentido. Todavia, o actual governador, (o democrata) Mark Dayton, (ainda) não fez isso… mas decidiu designar 23 de Maio como «Dia de Beyoncé», artista que não tem qualquer ligação à «terra dos dez mil lagos». Porquê? Talvez porque, ao contrário da esposa de Jay-Z, «sua alteza púrpura» nunca votou em Barack Obama nem apelou a que se votasse no actual presidente, não obstante ter tocado e cantado para ele na Casa Branca. E, eventualmente, também porque no fundo, por detrás da sua aparência exuberante, ele era socialmente conservador, o que incluía ser opositor do «casamento» entre pessoas do mesmo sexo. Controverso… contudo, no que respeita ao mais importante, do lado certo. Celebremos a sua vida e a sua obra... como se fosse, ainda e sempre, 1999. (Também no Obamatório.) 

quinta-feira, maio 26, 2016

Ocorrência: Eu não, mas o actual mC sim

Ao longo dos anos já concorri a vários prémios literários em Portugal, tanto com obras inéditas como com obras publicadas. E, até agora, o «palmarés», o «pecúlio», é reduzido: apenas uma menção honrosa – em mais do que um sentido, pois foi outorgada pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal – ganha (com o meu amigo e co-autor Luís Ferreira Lopes) por «Os Novos Descobrimentos» em 2008. O mais recente dos prémios a que me candidatei, com «Q – Poemas de uma Quimera», foi o Grande Prémio de Literatura DST 2016, que tem a particularidade de apurar previamente cinco finalistas dos quais o vencedor, depois, será escolhido. Aqueles foram anunciados no passado dia 16, após reunião e decisão do júri constituído por Carlos Mendes de Sousa, José Manuel Mendes e Vítor Aguiar e Silva. E são: Isabel Mendes Ferreira, «O Tempo é Renda»; João Miguel Fernandes Jorge, «Mirleos»; Luís Filipe Castro Mendes (sim, o actual ministro da Cultura), «A Misericórdia dos Mercados»; Luís Quintais, «O Vidro»; Manuel Alegre (sim, o ex-deputado do Partido Socialista e ex-candidato à presidência da república), «Bairro Ocidental».
(Adenda - Manuel Alegre foi o vencedor. Alguém terá ficado surpreendido? Note-se, por curiosidade, que o seu livro tem 56 páginas, o que faz dele o mais pequeno entre os finalistas... e, eventualmente, entre todos os concorrentes.)       

segunda-feira, maio 16, 2016

Ordem: De mim, e não de António Costa

Ontem, 15 de Maio, decorreu a cerimónia oficial de «rebaptismo» do aeroporto de Lisboa, até agora designado «da Portela», enquanto Aeroporto Humberto Delgado. Com as presenças do presidente da república, do primeiro-ministro, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, familiares do homenageado e outras individualidades. Entre as quais eu não estive porque não recebi um convite. Que, acredito, merecia, porque foi de mim, e não de António Costa, que partiu a ideia desta nova designação. Algo que, porém, o actual governo não parece interessado em reconhecer e em divulgar.
Já a 11 de Fevereiro do ano passado, quando a CML aprovou uma moção – subscrita unicamente pelo então presidente e actual chefe de governo – propondo a alteração, eu assinalei o facto e lembrei a minha precedência na ideia, concretizada num artigo publicado na edição Nª 1827 do jornal Expresso, em 3 de Novembro de 2007 – e que está incluído no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um Novo País». No entanto, se então não julguei indispensável «avisar» as entidades envolvidas da existência daquele meu texto (embora tenha considerado fazê-lo), as dúvidas desvaneceram-se completamente quando, exactamente um ano depois, a 11 de Fevereiro deste ano, foi anunciada a decisão do corrente executivo de concretizar, a 15 de Maio (data do 110ª aniversário de nascimento de Humberto Delgado), a moção da edilidade da capital – expressa numa resolução do conselho de ministros em que António Costa aparece novamente como único signatário.
Assim, a 28 de Abril último falei por telefone com o assessor de imprensa da ANA-Aeroportos de Portugal, a quem enviei depois, no mesmo dia e por correio electrónico, um ficheiro com a imagem da página (36), contendo o meu artigo, da referida edição do Expresso. Por sugestão daquele, no dia seguinte (29 de Abril) contactei, também por correio electrónico, o gabinete do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, anexando não só, igualmente, o ficheiro mencionado, mas ainda expondo os motivos do meu contacto: «no contexto da atribuição do nome do “General sem medo” ao aeroporto da capital, em cerimónia que se realizará no próximo dia 15 de Maio, decidida pelo actual governo na sequência de uma petição aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa em 2015, revelar que a referida homenagem foi (por mim) proposta previamente, e solicitar que esse facto seja, a partir de agora, devidamente divulgado nas acções de comunicação relativas à iniciativa.» Só a 9 de Maio (ou seja, 10 dias depois) recebi a resposta, que consistia na informação de que a chefe de gabinete do ministro decidira, em despacho, reencaminhar a minha mensagem para o assessor de imprensa do MPI…
… E este, finalmente, contactou-me a 13 de Maio, mas só depois de eu lhe ter enviado uma mensagem solicitando-lhe alguma rapidez porque a data da cerimónia aproximava-se. Em que consistiu a missiva? Fundamentalmente, na inclusão de um anexo com uma nota de agenda informando da presença do ministro Pedro Marques, ontem, no aeroporto, e da ligação para a página do Diário da República com a já citada RCM. Eu repliquei, antes de mais, agradecendo a resposta, mas a seguir fazendo notar que «ela não vai ao encontro da questão fundamental que expressei na minha mensagem de 29 de Abril último, dirigida ao Ministério do Planeamento e das Infraestruturas (por indicação, volto a salientar, da ANA): o reconhecimento formal, oficial, por parte do actual governo, de que é minha a ideia de atribuir o nome do General Humberto Delgado ao aeroporto de Lisboa. Assim, continuarei a aguardar que tal esclarecimento seja feito, em especial na (e/ou na sequência da) cerimónia que vai decorrer no próximo domingo, dia 15 de Maio - que tentarei acompanhar atentamente “à distância”, porque não recebi convite para nela participar.» E, efectivamente, tanto quanto me foi possível depreender, o meu nome e o meu artigo não tiveram qualquer menção. Aliás, a única alusão na comunicação social (de que tenho conhecimento) à minha proposta de há quase nove anos foi feita, na passada sexta-feira, por Nuno Pacheco, director-adjunto do Público, no seu artigo «Nomes que voam alto», o que muito agradeço.
Tudo considerado, reflectindo sobre o que neste caso aconteceu, e, mais, sobre o que não aconteceu, tenho legitimidade para admitir como muito provável a hipótese de que António Costa viu o meu artigo de 2007 e dele retirou a ideia que, depois de um «esboço» enquanto autarca, concretizou posterior e finalmente enquanto primeiro-ministro. O Expresso não era propriamente, reconheça-se, um jornal de reduzida tiragem e de menor influência e que não conta(va) também entre os seus leitores regulares todos os principais dirigentes político-partidários nacionais. E mesmo na eventualidade de ignorarem a existência do meu texto antes de os ter contactado, aos responsáveis actuais do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas em especial, e do governo em geral, exigir-se-ia outra atitude, outro comportamento, a partir do instante em que tiveram conhecimento – dado por mim – de uma proposta prévia que visava igualmente homenagear Humberto Delgado. Uma atitude e um comportamento mais consentâneos com a probidade e o rigor que são expectáveis de quem exerce cargos públicos. (Também no MILhafre.)  

terça-feira, maio 10, 2016

quarta-feira, maio 04, 2016

Ocorrência: «Q» em destaQue…

… Na Biblioteca Municipal de Alverca, durante quase todo o mês de Abril último. O meu mais recente livro publicado esteve num expositor, ornado com a designação «Escritores cá da nossa terra», colocado à entrada daquela biblioteca – que, aliás, tem uma «colecção» quase completa das minhas obras (só falta uma), por mim oferecidas à medida que foram saindo ao longo dos anos. Agradeço à equipa da BMA a atenção e a distinção. 

sábado, abril 30, 2016

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2016

A literatura: «52 Métricas de Marketing e Vendas», Luís Bettencourt Moniz e Pedro Celeste; «Arte de "Guerra das Estrelas" - Conceito», Doug Chiang, Erik Tiemens, Joe Johnston, Ralph McQuarrie, Ryan Church, e outros; «Contos do Gin-Tonic» e «Novos Contos do Gin», Mário-Henrique Leiria; «Discussão», Jorge Luis Borges; «O Homem que Trazia Instruções, e Outras Estórias», Beatriz Pacheco Pereira; «Profetas e Profecias», Jean-Paul Bourre; «A Morte», Maria Filomena Mónica; «Vampirella Vive», Amanda Conner, Jimmy Palmiotti e Warren Ellis.
A música: «26 Classic Pop Hits» e «26 Country Hits», Tom Jones; «4» e «Agent Provocateur», Foreigner; «Every Good Boy Deserves Favour», Moody Blues; «To Be Kind», Swans; «Fado Português», Amália Rodrigues; «Never Mind The Bollocks, Here's The...», Sex Pistols; «Take It Satch!», Louis Armstrong & The All Stars; «It's Time For A Love Revolution», Lenny Kravitz; «Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-81», Pink Floyd; «Il Trionfo d'Amore», Francisco António de Almeida (por Ana Quintans, Carlos Mena, Cátia Moreso, Fernando Guimarães, Joana Seara e João Fernandes, com Vozes Celestes e Os Músicos do Tejo sob direcção de Marcos Magalhães).
O cinema: «Casa Segura», Daniel Espinosa; «De Dentro Para Fora», Pete Docter; «Os Gatos Não Têm Vertigens», António Pedro de Vasconcelos; «Os Pinguins do Sr. Popper», Mark Waters; «Salvando o Sr. Banks», John Lee Hancock; «Terminador - GéneSis», Alan Taylor; «O Grão e a Tainha», Abdellatif Kechiche; «Homem do Rei - O Serviço Secreto», Matthew Vaughn; «Orgulho e Preconceito», Joe Wright; «Vingadores - Idade de Ultron», Joss Whedon; «Que Estranho Chamar-se Federico», Ettore Scola; «O Feiticeiro de Oz», Larry Semon; «Intocáveis», Eric Toledano e Olivier Nakache; «O Caçador de Recompensas», Andy Tennant; «Gravidade», Alfonso Cuarón; «Ted», Seth MacFarlane; «Maleficente», Robert Stromberg; «Beijo Beijo, Bang Bang», Shane Black; «Táxi», Tim Story; «A Dupla Vida de Verónica», Krzysztof Kieslowski; «Hannah Arendt», Margarethe Von Trotta; «Imperador», Peter Webber; «Orla do Amanhã», Doug Liman; «O Calor», Paul Feig; «Spectre», Sam Mendes; «O Mordomo», Lee Daniels; «Yvone Kane», Margarida Cardoso; «Atrás do Candelabro», Steven Soderbergh; «Fúria», David Ayer; «RoboCop», José Padilha; «Minha Mãe», Nanni Moretti.
E ainda...: «Lazarus», (vídeo musical de) David Bowie; «Our Return» (documentário sobre o regresso oficial da Porsche às 24 Horas de Le Mans); «O Sonhador de Oz - A História de L. Frank Baum» (telefilme), Jack Bender; Museu do Neo-Realismo - exposição «Manuel Guimarães, Sonhador Indómito» + exposição «Garcez da Silva - Percursos» + exposição «SemConsenso, Banda Desenhada, Ilustração e Política» + «Mostra de escultura do acervo do MNR»; FNAC - exposição de ilustrações «Viagem ao imaginário de "Eu Quero a Minha Cabeça!" e "Barriga da Baleia"» de António Jorge Gonçalves (Chiado) + exposição de fotografias (de vários autores) «Rock In Rio - 30 Anos» (Vasco da Gama); Plataforma de Associações da Sociedade Civil - «IV Congresso da Cidadania Lusófona - O Balanço da CPLP»; Biblioteca Nacional de Portugal - colóquio «Uma "insólita ofensiva de corrupção": nos 50 anos dos processos à Afrodite no Tribunal Plenário» com Pedro Piedade Marques, João Pedro George e João Paulo Guerra + exposição «O Tempo das Imagens: edições recentes do Centro Português de Serigrafia» + exposição «A circulação do Direito na Europa Medieval: manuscritos jurídicos europeus em bibliotecas portuguesas» + mostra «Os intelectuais portugueses e a guerra 1914-1918» + mostra «No Centenário da Cruzada das Mulheres Portuguesas» + mostra «80 anos d'O Mosquito» + mostra «Entre páginas, entre vidas: marcadores de livros (colecção de Lúcio Alcântara)»; «Black Dandy», (documentário de) Ariel Wizman e Laurent Lunetta; Centro Interpretativo do Parque das Nações/Pavilhão de Portugal - exposição «A Cidade Imaginada»; «Californicação» (sétima e última temporada, último episódio).