A minha relação com a Saída de Emergência durou
apenas cerca de dois anos, e teve expressão concreta com a edição de «A
República Nunca Existiu!» em 2008 e d(a minha tradução d)e «Poemas» de Alfred
Tennyson em 2009, livros que em 2025 eu constatei terem sido «apagados» do sítio na Internet daquela editora, um facto que eu não consegui reverter com os apelos que fiz nesse sentido. Apesar desta demonstração de
desrespeito, que, aliás, nem foi a primeira da SdE para comigo, continuei a
acompanhar a sua actividade e a adquirir cada edição da revista Bang!...
... Incluindo a mais recente, a Nº 38, de Abril de 2026, na qual, na página 70, está o artigo de Fernando Ribeiro «Dormi o fulmine
di guerra Alessandro Scarlatti», que tem como tema a obra de George Orwell,
algo que nunca se adivinharia pelo título. Cito na íntegra o quarto parágrafo: «(...)
O Triunfo dos Porcos, liminarmente reduzido a uma sátira do Estalinismo,
tem sido instrumentalizado pela direita política, que nunca leu ou conviveu com
a defesa do socialismo democrático, inegável nas obras que cito; ou fez o
esforço de perceber que Animal Farm é uma crítica feroz a todo o
totalitarismo, incluindo o espanhol de Franco, o português de Salazar e o
Império Britânico, o mais sangrento da História e que, ainda hoje, provoca
conflitos. (...)»
A pergunta é inevitável e justificável: como é que
alguém como o vocalista dos Moonspell, indubitavelmente um homem talentoso e
culto, pode acreditar em, e, pior, expressar, tais falsidades? Obviamente, os
regimes liderados por António de Oliveira Salazar e Francisco Franco não foram
totalitários, embora ambos tenham sido autoritários e repressivos e ambos
tenham praticado um certo «culto da personalidade»... embora nada semelhante ao
que aconteceu na Itália fascista, na Alemanha nacional-socialista e na União
Soviética comunista. E é absurdo – risivelmente absurdo! – qualificar do mesmo
modo o Império Britânico, que esteve assente numa democracia parlamentar e não
foi certamente «o mais sangrento da História» nem «provoca conflitos»
actualmente. O que terá levado Fernando Ribeiro, talvez «imerso» no seu
próprio... «rio» do esquecimento, ou quiçá atingido por um... feitiço da lua, a
escrever disparates como estes? Aparentemente, provavelmente, o preconceito, ou
enviesamento, ideológico «sinistro», capaz de induzir até os mais qualificados
a cometerem – pelo menos ocasionalmente – «lapsos» embaraçosos.