quinta-feira, julho 14, 2022

Ocorrência: «Um Novo Portugal» já tem 10 anos

Há precisamente uma década, em Julho de 2012, o meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País» começou a ser distribuído e vendido em livrarias. Publicado pela editora Fronteira do Caos, do Porto (que, no final do mesmo ano, lançaria outro projecto meu, a antologia colectiva de ficção científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas»), esta obra reúne, por ordem cronológica, alguns dos meus mais importantes artigos de opinião, jornalísticos, ensaísticos...
... Que têm como denominador comum Portugal, a sua (então) actualidade, a sua história tanto contemporânea como antiga, as grandes questões e controvérsias, os protagonistas. Na minha actividade de escritor a vertente de ficcionista (em prosa) veio depois da de poeta, mas esta veio depois da de cronista, como bem o demonstra o texto que abre o livro, escrito em 1976 quando eu não tinha mais de 11 anos. Uma década depois, a partir de 1986, vêm os textos escritos num âmbito local e regional – para o Notícias de Alverca – e num âmbito universitário – para o DivulgAcção (boletim, que eu co-fundei, da Associação de Estudantes do ISCTE, cuja Direcção integrei) e outras publicações similares. A seguir será a vez de se somar as colaborações, mais irregulares do que regulares, para jornais e revistas de âmbito nacional, dos quais sobressai o Público. E, a partir de Abril de 2005, com a criação do Octanas, passei a dispôr de um meio alternativo quando não conseguia encontrar um «tradicional» para expressar as minhas opiniões e/ou quando não queria perder tempo a fazê-lo. «Um Novo Portugal» reflecte essa diversidade de fontes mas, em simultâneo, surge como um todo organizado e coeso – ou pelo menos assim o tentei – em que não é difícil identificar o meu principal «alvo»: o regime saído do 25 de Abril de 1974, a Terceira República – na verdade, toda a República desde 1910 – com as suas ridículas e incompetentes figuras de proa, as decisões mais ou menos desastrosas que tomaram, com um especial (e muito negativo) destaque para essa aberração denominada «acordo ortográfico» que não contribuiu, certamente, para a melhoria das relações com os outros países de língua oficial portuguesa.
«Um Novo Portugal» nunca chegou a ter uma apresentação propriamente dita; o mais próximo disso que aconteceu foi um encontro em que participei com outros escritores, realizado em Lisboa em Abril de 2014. Enfim, este meu livro, tal como todos os outros da minha autoria que consegui publicar, não teve o sucesso que acredito que merecia ter. E, obviamente, depois disso continuei a escrever e a divulgar outros textos que formam, ou poderão formar, o que poderá ser «Um Novo Portugal – Parte 2»; porém, a sua eventual publicação parece ser, neste momento, problemática e pouco provável. (Também no MILhafre.)

sexta-feira, junho 10, 2022

Observação: Um país em eutanásia

Hoje assinala-se e «celebra-se» mais um «Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas». Um «feriado» sempre e cada vez mais ridículo, que não deveria ser o principal, o «dia nacional» do nosso (?) país. Não apenas por este, na verdade, e oficialmente, ter por nome «República Portuguesa», qual delegação sul-europeia e ocidental da «grande república mundial». Não apenas por ser uma invenção da II República e do Estado Novo, que a III e o Estado Social adoptaram após uma ligeira alteração na sua designação; antes de 1974 era também o dia da «raça», depois passou a ser também o das «comunidades portuguesas», algo como o que aconteceu com a ponte sobre o Tejo que liga Lisboa a Almada, inaugurada em 1966, que antes se chamava «Salazar» e depois passou a chamar-se «25 de Abril». Não apenas por ser estúpido, e até ofensivo, «festejar-se» a morte de um artista, de um poeta, o maior e o melhor que este «jardim à beira-mar plantado» alguma vez teve mas que tão mal tratou; e, em simultâneo, e na prática, «festejar-se» a perda da independência de Portugal, ocorrida igualmente em 1580; continua a ser bizarra a obsessão dos republicanos portugueses pelo iberismo, obsessão inconsciente e, sim, até mesmo consciente, demonstrada pela persistente e irritante mania de querer-se organizar um Campeonato do Mundo de Futebol em conjunto com a Espanha – deles não se deve esperar apoio para mudar o dia de Portugal para 14 de Agosto. Enfim, o 10 de Junho tornou-se, como se tal fosse possível (mas é), ainda mais ridículo porque este ano, na véspera, foram aprovados na casa da «deputação» nacional não um, não dois, não três mas sim quatro projectos de lei para a dita despenalização da «morte medicamente assistida», mais vulgarmente conhecida como eutanásia. Seria muito difícil, quiçá impossível, alcançar-se um mais perfeito simbolismo para a presente situação deste deprimente país; afinal, já não se quer tanto sentir «a voz dos egrégios avós» mas sim calá-la definitivamente - e, obviamente, os inevitáveis abusos deste procedimento sinistro não incidirão exclusivamente sobre os mais velhos. Esta é uma nação em pleno suicídio, o que aliás ficou comprovado nas mais recentes eleições legislativas, que proporcionaram uma segunda maioria absoluta aos que nos levaram à bancarrota há pouco mais de 10 anos. Que «não» se desespere, porém: a auto-destruição terá como «ortografia oficial» a do «acordo ortográfico de 1990», sem dúvida a adequada à «gramática» da cobardia, da desistência e até da traição.

terça-feira, maio 17, 2022

Outros: VGM evocado n’OLdLP

Isabel A. Ferreira, com o seu blog O Lugar da Língua Portuguesa, é, e desde há bastantes anos, a maior «guerreira» em Portugal contra o ilegítimo, ilegal, ridículo e prejudicial «acordo ortográfico de 1990», e nessa capacidade (e qualidade) só tem ao seu nível João Pedro Graça com o seu Apartado 53. No passado sábado ela publicou um post «recordando as ofensas póstumas a Vasco Graça Moura...», que inclui reproduções de dois textos meus que têm como tema, precisamente, o prematuramente falecido grande homem de cultura (em palavras e em actos). As referidas (e autênticas) ofensas foram cometidas pela Academia das Ciências de Lisboa e por Marcelo Rebelo de Sousa.

sábado, abril 30, 2022

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2022

A literatura: «Alix - A Tiara de Oribal» e «(...) - A Garra Negra», Jacques Martin; «Cavaleiro Ardente - A Lei da Estepe», «(...) - A Trompa de Névoa» e «(...) - A Harpa Sagrada», François Craenhals; «Blueberry - Forte Navajo» e «(...) - A Pista dos Navajos», Jean-Michel Charlier e Jean Giraud; «Corto Maltese - Tango», Hugo Pratt; «Dunquerque/Operação Dínamo», Pierre Dupuis; «Os Quadradinhos Completos de Kake», Tom of Finland (Dian Hanson, org.); «Michel Vaillant - Steve Warson Contra Michel Vaillant», «(...) - Rali Sobre um Vulcão» e «(...) - Rebuliço na F1», Jean Graton; «V de Vendetta», Alan Moore e David Lloyd; «Intenções Comestíveis, ou Nova Tábua de Cebes», David Soares e Filipe Abranches.
A música: «Amália Em Paris - Olympia 1956», Amália Rodrigues; «With A Little Help From My Friends» e «Joe Cocker!», Joe Cocker; «I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama!», Janis Joplin; «Chunga's Revenge», Frank Zappa; «Crónicas Da Terra Ardente», Fausto; «Washing Machine», Sonic Youth; «Wild Mood Swings», Cure; «Blood On Ice», Bathory; «Odelay», Beck; «Mumadji», Maria João e Mário Laginha; «Welcome 2 America», Prince; «Happier Than Ever», Billie Eilish; «Voyage», Abba; «30», Adele; «Rinaldo», George Frideric Handel (por Armand Arapian, Carolyn Watkinson, Charles Brett, Ileana Cotrubas, Paul Esswood, Ulrik Cold, e outros, com La Grande Écurie et La Chambre du Roy dirigida por Jean-Claude Malgoire); «Die Schopfung», Joseph Haydn (por Edith Mathis, Francisco Araiza e José Van Dam, com o Coro de Viena dirigido por Helmuth Froschauer e a Orquestra Filarmónica de Viena dirigida por Herbert Von Karajan).     
O cinema: «Casa de Lava», Pedro Costa; «Requiem Por um Sonho», Darren Aronofsky; «Mapa Para as Estrelas», David Cronenberg; «A Rapariga da Porta ao Lado», Luke Greenfield; «O Clube do Pequeno Almoço», John Hughes; «Nader e Simin, Uma Separação», Asghar Farhadi; «Carta Selvagem», Simon West; «Rápidos e Furiosos Apresentam - Hobbs & Shaw», David Leitch; «Plano de Fuga», Mikael Hafstrom; «Rambo - Último Sangue», Adrian Grunberg; «Memórias de Assassínio», Bong Joon Ho; «Anon», Andrew Niccol; «Vida», Daniel Espinosa; «Ultravioleta», Kurt Wimmer; «Mundo de Água», Kevin Reynolds; «Metrópolis», Fritz Lang; «Stan & Ollie», Jon S. Baird; «Olhos Grandes», Tim Burton; «Lenny», Bob Fosse; «Patsy e Loretta», Callie Khouri; «Clímax», Gaspar Noé; «Dois Para o Dinheiro», D. J. Caruso; «O Equalizador 2», Antoine Fuqua; «A Dívida», John Madden; «O Jogo Choroso», Neil Jordan; «Bela de Dia», Luis Buñuel; «A Vida Aquática com Steve Zissou», Wes Anderson.
E ainda...: (Sítio na Internet) 75 anos (do nascimento) de David Bowie; Fundação Calouste Gulbenkian - exposição «Hergé»; RTP2/HBO - (documentário) «Mapplethorpe - Olhem Para as Imagens», Fenton Bailey e Randy Barbato; Museu do Neo-Realismo - exposição «Jorge Vieira - Monumento ao prisioneiro político desconhecido» + exposição «Representações do povo»; FNAC - exposição de fotografias de Rita Carmo «Exit - Saída de Emergência» (Chiado); RTP2/BBC - (documentário) «David Bowie - Encontrando Fama», Francis Whately; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Bibliotecas limpas - Censura dos livros impressos nos séculos XV a XIX» + exposição «Viagem a um país desconhecido - Emílio Biel, "A Arte e a Natureza em Portugal"» + mostra «Um modernista autodidacta - Delfim Maya» + mostra «Mário Domingues - Anarquista, cronista e escritor da condição negra» + mostra «Rui de Pina - 500 anos depois» + mostra «O império informal dos portugueses na Ásia»; «Hey Hey Rise Up», (vídeo musical dos) Pink Floyd; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - CartoonXira 2022/Cartoons do Ano 2021-Desenhos à Margem/Simanca (Celeiro da Patriarcal).

sábado, abril 16, 2022

Orientação: Sobre a longa noite, no DN

(Adenda a 20 de Abril - Hoje foi enfim publicada digitalmente a versão alargada e integral do artigo, entregue em simultâneo com a versão inicial e reduzida para a edição em papel.)
Na edição de hoje (Nº 55878) do jornal Diário de Notícias, na página 9, e também, na sua versão alargada e integral, no sítio na Internet daquele, está o meu artigo «A longa noite socialista». Um excerto: «As esperanças proporcionadas pelo “movimento dos capitães” cedo começaram a desvanecer-se com um “processo revolucionário em curso” pródigo em prepotências disfarçadas e/ou desculpadas em nome da “justiça popular”; a descolonização foi desastrosa; as nacionalizações foram desastrosas; a então nova Constituição foi e é desastrosa, não só porque durante vários anos, e precisamente, consagrou a “irreversibilidade” das nacionalizações, mas ainda porque continua a ter como objectivo “abrir caminho para uma sociedade socialista” e a impôr a “forma republicana de governo” como única possível.» (Também no MILhafre.)

quarta-feira, março 30, 2022

Observação: «Filhos» e «enteados»

Acaso o sector editorial-literário português terá registado alguma melhoria e/ou dado alguns sinais de (verdadeiro) progresso – no sentido de um maior respeito tanto para com o público leitor (real e potencial) como para com os escritores sem «cunhas» e/ou desalinhados com o «sistema» - desde 2018, quando denunciei a fraude perpetrada pela Sociedade Portuguesa de Autores na atribuição de um prémio, e ainda o boicote generalizado (e concertado?) a obras (mais concretamente, uma minha) que divergem do «consenso» quanto à análise da situação política nos EUA?
Nem por isso, a avaliar pelos factos de que vou tendo conhecimento... Seria, por exemplo, de esperar que novas editoras se comportassem de um modo diferente, talvez mais... transparente. Infelizmente, não é o caso da Editorial Divergência, cujo fundador-director-editor principal, para além de ter decidido impor-me «regras» - na verdade, restrições – personalizadas num projecto que eu estava a organizar (e que por isso não se concretizou), mais recentemente confessou(-me) que tem sido sempre membro do júri do Prémio António de Macedo – uma designação que a mim se deve – apesar de saber quem são os autores dos romances supostamente submetidos anonimamente porque... é ele quem os recebe, numa conta de correio electrónico que detém! Algo que coloca em causa, e quiçá até invalida, todas as deliberações – e, logo, todos os «vencedores» – das edições anteriores, incluindo, obviamente, a última, em que o «triunfo» foi para uma obra cujos título e enredo são tão bizarros que se justifica questionar se efectivamente não haveria outra(s) eventualmente mais merecedora(s) da distinção... e de publicação.
E que dizer de alguns escritores ainda novos mas que são já – para muitas, talvez demasiadas, pessoas – como que «vacas sagradas»? Em Portugal dois exemplos se destacam. Um é José Luís Peixoto, cujo mais recente trabalho poderá não ser tão ficcional, e original, como aparenta: uma peça de teatro que provavelmente é um «diário» dissimulado, resultante de uma viagem à Roménia feita por aquele no ano passado – vá lá que, desta vez, não foi à Coreia do Norte; e escreve utilizando o abominável «acordo pornortográfico», pelo que também por isso não merece respeito. O segundo exemplo é Afonso Reis Cabral, que, nem de propósito, trabalhou numa vacaria; tal como Peixoto, também venceu o Prémio José Saramago... mas quando já se sabia de quem ele é descendente; sendo a oposição (e a expressão) entre «filhos» e «enteados» utilizada frequentemente para apontar e salientar injustas diferenças de tratamento, com Cabral justifica-se alargar o grau de parentesco para netos... e trinetos, e é igualmente por isso que ele foi designado, há pouco mais de um mês, como novo presidente do conselho de administração da Fundação Eça de Queiroz; enfim, e tal como o dinheiro, o nome da família não traz necessariamente a felicidade... mas ajuda muito.

terça-feira, fevereiro 22, 2022

Opinião: A confirmação do conformismo

No passado dia 7 de Fevereiro Henrique Pereira dos Santos publicou no blog Corta-Fitas o seu texto «Sampaio, Santana e as instituições», em que afirma que «(Somos) tão poucos a ter a opinião de que Sampaio, quando dissolveu o parlamento em Novembro de 2004, o fez de uma forma institucionalmente inadmissível. (...) O governo de Sócrates foi muito pior e perigoso para o país que o de Santana Lopes, culminando num pedido de assistência externa. (...) Sampaio resolveu, de acordo com o poder discricionário que a constituição lhe dá, dissolver a Assembleia da República, mas é completamente terceiro-mundista fazê-lo sem que o justifique, tornando uma prerrogativa numa prepotência. (...) O problema é que esta fragilidade institucional nos deixa quase indefesos, como sociedade, face à possibilidade de cometermos os mesmos erros.»
Porque eu considero este facto político o mais significativo e consequente (no mau sentido) em Portugal dos últimos 20 anos, senti-me na «obrigação» de deixar o meu comentário: «Não sei se são assim “tão poucos” os que pensam, e afirmam, que Jorge Sampaio dissolveu o parlamento em 2004 de uma forma “institucionalmente inadmissível”. De qualquer forma, eu sou um deles, e em 2007, no meu artigo “Sem pejo”, publicado n'O Diabo (e depois incluído no meu livro “Um Novo Portugal”, editado em 2012), escrevi o seguinte: “A decisão de maior impacto que Jorge Sampaio tomou, não só em 2004 mas em todos os dez anos enquanto presidente, foi sem dúvida a demissão (indirecta) do Governo de Pedro Santana Lopes através da dissolução da Assembleia da República, processo que decorreu entre Novembro e Dezembro daquele ano. Já em Outubro Sampaio teria afirmado, numa entrevista, ‘que preferia que outro partido tivesse ganho as eleições (legislativas de 2002), mas o PR não pode expressar estados de alma...’ Afinal, expressou-os e concretizou-os. Justificou a sua decisão com uma alegada série de ‘incidentes, contradições e descoordenações’ - que não explicitou - e com uma alegada ‘concordância geral’ por parte da opinião pública – que não demonstrou. Tanto aos governos de António Guterres, antes, como ao de José Sócrates, depois, podem ser apontados autênticos, muitos e mais graves ‘incidentes, contradições e descoordenações’... mas em relação a esses Sampaio não teve a mesma atitude. Porque eram do seu partido? Quando, em Julho de 2005, Luís Campos e Cunha se demitiu (ou foi demitido?) de ministro das Finanças por discordar dos projectos da Ota e do TGV, o então PR não deve ter considerado tal facto um motivo para dissolver a AR... mas fê-lo depois de Henrique Vale se demitir por não concordar com os pelouros que Santana lhe atribuíra. Enfim, é uma questão de saber o que é mais importante...” Mais recentemente, e sobre o mesmo assunto, acabei por manter um breve “diálogo” com Luís Menezes Leitão no Delito de Opinião.»
Nesse «diálogo», ocorrido a propósito de um texto de LML publicado em 23 de Fevereiro de 2019 (sim, há exactamente três anos), eu afirmei: «Já o disse e escrevi anteriormente, incluindo aqui no DdO, e espanta-me que tenha de voltar ao assunto: afirmar que o governo presidido por Pedro Santana Lopes foi o “pior”, ou “o mais desastroso”, ou qualquer outra idiotice desse tipo, só demonstra que quem o faz tem sérios problemas de (falta de) inteligência, de memória e/ou de saúde. José Sócrates decerto agradece tais disparates. (…) José Sócrates agradeceu, sim (e, se não o fez, devia tê-lo feito), a Jorge Sampaio a oportunidade que teve. E, comparado com o do “engenheiro ao domingo”, o governo de Pedro Santana Lopes foi mesmo magnífico. (...) A alusão às “pessoas que continuam a apostar em (Pedro) Santana Lopes” não é para mim de certeza, pois não “aposto” nele nem em praticamente qualquer figura do actual regime - regime que, volto a dizer, já há muito passou do “prazo de validade” e deve ser substituído. Porém, isso não implica que aceite, nem que seja pelo silêncio, as mentiras, as falácias, as distorções, enfim, a reescrita falseada da História, que atingem PSL ou qualquer outra pessoa. Obviamente, o governo daquele tinha de facto “um mínimo de consistência” - interna e ainda um apoio maioritário no parlamento - e não andou a “perder tempo com incubadoras” - tal foi apenas um “fait-divers”, um “sound-bite”, que, claro, os opositores e a comunicação social “amiga” daqueles trataram de exagerar até à histeria, criando o ambiente propício para que em eleições legislativas (indevidamente) antecipadas o PS obtivesse um (imerecido) triunfo. Desastrosa foi, sim, a presidência de Jorge Sampaio, cujas consequências continuamos a sofrer.» E ao domínio «rosa» será suficiente existir somente uma alternativa «laranja»? Há muitas pessoas que pensam isso, entre as quais José Miguel Roque Martins, que, também no Corta-Fitas, mas a 23 de Julho de 2021, escreveu, no seu texto «A responsabilidade total do PS», que «é difícil vislumbrar um futuro para Portugal sem um pacto de regime entre os dois maiores partidos, o PS e o PSD.» Em resposta comentei e perguntei: «A sério? É esse o único futuro que se vislumbra para Portugal? Uma continuada partilha entre os partidos do “centrão”, pródiga em incompetência e em corrupção? Que mais não tem feito do que “gerir” a desmoralização, o declínio, a degradação deste país, a diferentes níveis, político, social, económico, cultural? E porque não um futuro diferente? Que implique, por exemplo, uma radical renovação, quiçá uma revolução, que acabe com este regime, a III República? Que, aliás, acabe com a República, pura e simplesmente? Que permita trazer e aplicar novos valores, novas ideias, novos talentos?»
Os resultados das eleições legislativas do passado dia 30 de Janeiro vieram demonstrar, nova e infelizmente, que essa (muito) necessária transformação fundamental não é possível em Portugal, pelo menos por meios pacíficos. O mais recente escrutínio nacional apenas constituiu (mais um)a confirmação do conformismo em que se encontra uma parte considerável, quiçá maioritária, da população deste país, que proporcionou ao Partido Socialista a segunda maioria absoluta da sua história. O mesmo é dizer, proporcionou aos mesmos protagonistas (menos um ou outro) da primeira, que levou a nação à falência, uma segunda oportunidade para, sem obstáculos institucionais, arrastarem-nos, talvez desta vez definitiva e irreversivelmente, para a ruína total. Serão esses cidadãos irremediavelmente estúpidos? Simples masoquistas? Terão memórias (muito) curtas? Seja como for, é cada vez mais legítimo questionar se todos os povos merecem a democracia, e se a plena igualdade de direitos e de deveres para todos os indivíduos se justifica. Porque é que uns, lúcidos e motivados, têm de ser sucessivamente prejudicados por outros, iludidos e manipulados? E porque é que para muitos dos que não se resignam com a cobardia, a estagnação e a mediocridade que os rodeia a melhor, ou a única, solução continua a ser a emigração?  
Os que erram constantemente não merecem respeito. Cada vez mais se impõe desafiar a noção, ou o dogma, de que «a vontade popular é soberana» se essa suposta «vontade» não passa de uma obediência rotineira a ordens ilógicas, injustas e/ou ilegítimas. A sujeição é algo de sujo. 

domingo, janeiro 23, 2022

Observação: Há «guerreiros» que não desistem

A 3 de Janeiro último assinalei, no blog MILhafre, o 80º aniversário do nascimento de Vasco Graça Moura. Cujos consideráveis contributos para a cultura nacional incluiram, para além da sua vasta produção literária (tanto própria como traduzindo outros), os seus desempenhos enquanto Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e co-criador da Expo 98 e, obviamente, a sua militância activa contra o abjecto «acordo ortográfico de 1990». Que durou praticamente até à sua morte, ocorrida quando era Presidente do Centro Cultural de Belém, onde – demonstrando a sua coerência e a sua coragem ao passar das palavras (com todas as consoantes) aos actos – ordenou que todos os meios de comunicação e de informação daquela instituição voltassem a ser redigidos em Português Normal e CorreCto.
É possível que uma situação semelhante aconteça em breve na Fundação Calouste Gulbenkian. E isto porque o novo Presidente daquela, António Feijó, é, tem sido, era também (segundo as mais recentes afirmações públicas sobre este tema) forte opositor do AO90. Em princípio será mais fácil, ou menos difícil, voltar a impôr a ortografia certa numa entidade privada como a FCG do que numa pública como o CCB. Porém, recuperar e revitalizar aquela fundação não passa apenas por restaurar nela a prática de escrever bem e sem erros. Com efeito, tal implica igualmente, por exemplo, não tomar decisões ridículas como atribuir um «Prémio para a Humanidade» a uma adolescente estrangeira com evidentes problemas mentais, doutrinada e manipulada desde a infância para servir de «símbolo» de uma «causa» que mais não é do que uma enorme fraude.
Entretanto, enquanto se espera pelas acções de António Feijó (que só tomará posse do seu novo cargo em Maio próximo), há que não esquecer que existem «guerreiros» contra o «acordo pornortográfico» que não desistem de lutar, e que por isso são dignos guardiães do legado de Vasco Graça Moura, entre os quais se pode e deve destacar Francisco Miguel Valada, Isabel A. Ferreira, João Pedro Graça, Nuno Pacheco e Rui Valente. Leiam-nos e divulguem-nos!

sexta-feira, dezembro 31, 2021

Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2021

A literatura: «Dedicácias», Jorge de Sena; «Anos 70 - Poemas Dispersos», Alexandre O'Neill; «Escrítica Pop - Um Quarto da Quarta Década do Rock, 1980-1982». Miguel Esteves Cardoso; «Só Desisto se For Eleito», Manuel João Vieira; «Acordo Ortográfico - Um Beco com Saída», Nuno Pacheco; «Fialho de Almeida - Um Homem sem Medo», Paulo Monteiro; «A Nua Beleza Antes de Deus», Filipe de Fiúza; «Como Escavar um Abismo», Fernando Ribeiro (ilustrações de David Soares).
A música: «My Point Of View» e «Empyrean Isles», Herbie Hancock; «For Your Love» e «Roger The Engineer», Yardbirds; «Encontro», Amália Rodrigues & Don Byas; «Music Of My Mind», Stevie Wonder; «The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle», Bruce Springsteen; «Roxy & Elsewhere», Frank Zappa; «Blow By Blow», Jeff Beck; «Um Beco Com Saída», Fausto; «Q: Are We Not Men? A: We Are...», Devo; «Candy-O», Cars; «More Specials», Specials; «Roberto Carlos (1980)», Roberto Carlos; «Baile No Bosque», Trovante; «Missae», Johann Sebastian Bach (por Agnès Mellon, Christoph Prégardien, Gérard Lesne e Peter Kooy, com a Orquestra e o Coro do Collegium Vocale de Ghent dirigidos por Philippe Herreweghe); «Música Sacra Portuguesa Do Século XVIII», António da Silva Leite, Carlos Seixas, João Rodrigues Esteves, João de Sousa Carvalho e José da Madre de Deus (pela Capela Lusitana dirigida por Gerhard Doderer).
O cinema: «Malèna», Guiseppe Tornatore; «Capone», Josh Trank; «Missa Negra», Scott Cooper; «Estrelas de Cinema não Morrem em Liverpool», Paul McGuigan; «Steve Jobs», Danny Boyle; «Irreversível», Gaspar Noé; «Época da Bruxa», Dominic Sena; «A Torre Negra», Nikolaj Arcel; «Scott Pilgrim vs. o Mundo», Edgar Wright; «Sétimo Filho», Sergei Bodrov; «O Ano da Morte de Ricardo Reis», João Botelho; «Renegados», Steven Quale; «Morte Boa», Andrew Niccol; «Hanna», Joe Wright; «Londres Caíu», Babak Najafi; «Encontrando Dory», Andrew Stanton; «Mulher em Ouro», Simon Curtis; «A Teoria de Tudo», James Marsh; «Chappaquiddick», John Curran; «Jogo de Molly», Aaron Sorkin; «Lascívia, Cuidado», Ang Lee; «Lolita», Adrian Lyne; «Na Estrada», Walter Salles; «Secretária», Steven Shainberg; «Golpistas», Lorene Scafaria; «Beija-me!», Cyprien Vial e Océane Rose Marie; «Jovem Sr. Lincoln», John Ford; «Fantasmas de Goya» e «Valmont», Milos Forman; «Os Quatro Mosqueteiros - A Vingança da Senhora», Richard Lester.               
E ainda...: RTP (Canal Memória) - (gravação do) espectáculo de teatro musical «Maldita Cocaína» (concepção, textos e encenação de Filipe la Féria, música de Nuno Feist, realização de Fernando Ávila, com Carlos Quintas, João Baião, Rita Ribeiro, Ruy de Carvalho, Simone de Oliveira, Vera Mónica, e outros); Canal História - (documentário) «Guerras das Colas» + (documentário) «Alienígenas Antigos - As Guerras da Ciência»; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «A diáspora da palavra - Obras de autores portugueses impressas fora de Portugal no século XVI (1521-1550)» + exposição «A Bibliotheca iluminada - Produção e circulação da Bíblia em Portugal, itinerários dos manuscritos iluminados românicos» + exposição «Mestres & Monstros - Pedro Proença» + mostra «Seara Nova, editora de livros» + mostra «João da Rocha - Um escritor a descobrir» + mostra «24 de Agosto de 1820 - A revolução em imagens» + mostra «Bicentenário do Peru - 1821-2021»; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - exposição de fotografia por Paulo Eduardo Campos «Infinitude» (Galeria do Palácio da Quinta da Piedade, Póvoa de Santa Iria) + exposição «Vila de Alverca do Ribatejo 1900-1990» (Núcleo de Alverca do Museu Municipal) + exposição «Mague - Espaço de memórias» (idem); Movimento Internacional Lusófono - 2º Congresso Internacional Eça de Queiroz, 150 Anos (BNP, Lisboa, Palácio Valenças, Sintra); National Geographic TV - (documentário) «Europa de Cima - Portugal»; FNAC - Exposição de Filipe Melo e Juan Cavia «Balada para Sophie-Os Vampiros-Comer/Beber» (Chiado).

terça-feira, dezembro 14, 2021

Observação: Erros de «especialistas»

O que não falta em Portugal – e é de supor que também em outros países, mas por agora vou limitar-me ao que (infelizmente) conheço melhor – são alegados «especialistas», entendidos em diversas áreas de actividade e assuntos, que vão da política ao desporto passando pela ciência e pela cultura, com assento permanente ou quase na imprensa, em programas de rádio e de televisão e em meios digitais, sempre disponíveis para debitar «bitaites» inconsequentes e irrelevantes, invariavelmente (bem) pagos, e, logo, sobrevalorizados. Com muita frequência esses mesmos «especialistas» erram não só porque se arriscam a fazer previsões que não se concretizam mas também porque se enganam – por distracção, falha de memória ou ignorância – relativamente a factos e a figuras do passado.
João Lopes, há décadas um «renomado» e «respeitado» (?) crítico de cinema, presença permanente no Diário de Notícias e regular na SIC, tem-se revelado nos últimos anos um dos mais pródigos e me(r)diáticos criadores e difusores nacionais de disparates. Tal tornou-se mais notório desde a eleição de Donald Trump em 2016 como Presidente dos Estados Unidos da América e muito em especial no seu blog Sound+Vision, onde passaram a ser... crónicas as suas asneiras e inclusivamente as mentiras sobre o Nº 45 e o Partido Republicano em particular e sobre a política e a história norte-americanas em geral. No meu blog Obamatório já denunciei João Lopes (e não só) em várias ocasiões por, acrítica e repetidamente, aceitar e propagar praticamente todas as acusações falsas dos activistas esquerdistas do outro lado do Atlântico; e faço-o também por o S+V não permitir comentários e JL nunca ter respondido às mensagens que lhe enviei. Numa das mais recentes, remetida a 25 de Julho deste ano, o tema foi um texto sobre Lin-Manuel Miranda, famoso por ter criado o musical «Hamilton». Nele João Lopes afirma que «Alexander Hamilton é uma figura emblemática entre os “founding fathers” (à letra: “pais fundadores”) da nação americana, isto é, aqueles que assinaram a Declaração de Independência, a 4 de Julho de 1776.» Pelo que esclareci o «especialista»: «Na verdade, Hamilton não foi um dos signatários da Declaração de Independência. Mas não foi o único dos “pais fundadores” nessa situação: o principal de todos, George Washington, também não assinou - obviamente, não porque ambos não concordassem com o teor do documento mas porque, por um motivo ou por outro, não estiveram presentes no encontro que aprovou aquele.» Porém, não satisfeito com «apenas» ter demonstrado mais uma vez a sua ignorância, JL ostentou igualmente, e novamente, a sua estupidez, não resistindo a fazer outra apreciação negativa, e infundada, de DJT, ao referir-se ao «contexto político-cultural americano, atravessado por conflitos históricos e sociais, materiais e simbólicos que, como foi notório, a presidência de Trump agravou.» Pelo que lhe escrevi que «obviamente, e como qualquer pessoa minimamente (bem) informada sabe, quem tem agravado, e até causado, esses conflitos, começando com os raciais, são os democratas, ontem como hoje. “Notório” é o seu desfasamento da realidade, norte-americana pelo menos, e quiçá de outras.»
O caso de João Lopes não seria (demasiado) ridículo se as suas insuficiências intelectuais apenas se manifestassem quando ele aborda tópicos fora do seu âmbito profissional principal, qual «sapateiro» que tenta tocar «rabecão». No entanto, são já vários os exemplos de textos sobre cinema e música em que ele comete falhas clamorosas, espantosas. Como, aquando da morte de Kirk Douglas em 2020, afirmar que aquele actor tinha sido nomeado três vezes para o Óscar de melhor actor secundário – e, na única instância de que tenho conhecimento de uma mensagem minha ter tido algum efeito (embora sempre sem resposta), ele depois corrigiu para actor principal. Todavia, aquela que eu considero ser a sua maior, e mais bizarra, gaffe aconteceu há exactamente um mês: a 14 de Novembro último escreveu e publicou no Sound+Vision que a canção «Stairway to Heaven» - e o quarto álbum dos Led Zeppelin, de que faz parte – celebrava(m)... 60 anos! Um erro grave mas hilariante, em formato «triplo», no título, na primeira frase, e na terceira – em que, para não restarem «dúvidas», se especifica que a primeira edição ocorreu em 1961!! Já o dia e o mês indicados, 8 de Novembro, estão correctos, mas, obviamente, o ano certo é 1971 – e esta efeméride de 50 anos constituiu também um dos motivos para a minha escolha da capa de «IV» como ilustração da versão de 2021 da Simetria Sonora. O que terá acontecido que explique este descalabro? Uma ingestão excessiva de bebidas alcoólicas? De qualquer forma, de pouco servirá a JL proceder a uma eventual, mas sempre tardia, correcção: é que desta vez eu captei e guardei uma imagem da «posta» (ou bosta) inicial. 

quarta-feira, novembro 17, 2021

Oráculo: A terceira como uma primeira

Pelo terceiro ano consecutivo a cidade do Porto vai ser a capital da história alternativa em Portugal. E é como uma primeira vez, porque aos encontros de 2019 e 2020 sucede-se agora a Primeira Conferência Internacional «E se?» de História Mundial, que decorrerá entre 24 e 26 de Novembro na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com transmissão em directo e em linha. Antes, a 22, e com término também a 26, começará o evento paralelo Semana Cultural da Hipótese-Dias da História Alternativa, que terá lugar na sala Casa Comum da Reitoria da UP.
À semelhança do que aconteceu nos dois anos anteriores, a realização da iniciativa é comandada pela Invicta Imaginária, colectivo criativo responsável pelo projecto Winepunk. E são três os comités que a superintendem: um organizador e dois científicos, um dos quais honorífico – onde o meu nome está incluído devido à minha participação no primeiro encontro, juntamente com os de João Seixas, Luís Corredoura e Luís Filipe Silva, entre outros. O convite generoso e honroso partiu de Ana da Silveira Moura, mais uma vez a principal figura e força criadora e dinamizadora da iniciativa, que explicou em mensagem aos membros deste comité qual será a sua função: «O Honors Scientific Committee, que vocês constituem, é a alma  que mantém o caminho integro na conferência. Todos vocês estiveram presentes ou na primeira edição do meeting WhatIf, ou na segunda, e moldaram aquilo no qual ele se tornou. Mais, a grande maioria são autores de História Alternativa, tendo assim a análise crítica e a criatividade em sinergia na vossa perspectiva. Enquanto do Scientific Committee, eu espero um processo de análise das submissões, do Honors Scientific Committee o que é pedido é que seja o corpo senatorial, o fiel da balança quando existirem dúvidas, a voz conselheira.»
Este ano, e felizmente, não existiram dúvidas, pois o comité científico honorífico não foi chamado a pronunciar-se sobre as comunicações que foram propostas. E que incluem títulos e temas como: «Uso de histórias alternativas em mercadologia – Construindo melhores negócios»; «E se Ricardo Jorge não tivesse existido? Teria o Porto resistido à praga de 1899 e se desenvolvido como uma cidade moderna?»; «Como será Lisboa em 2000? As previsões de Mello de Matos em 1906»; «Pelo Rei, país e Lenine – Ficção contrafactual na primeira república portuguesa»; «Reengenharia do processo de negócio usando histórias alternativas»; «A história alternativa do Alto Palatinado – Um exemplo para novas perspectivas de história local». Na lista de oradores, conferencistas e moderadores encontram-se os nomes de Alfredo Behrens, Alice Nogueira Alves, Ana Silveira Moura, Anna Amsler, Bastian Vergnon, Catarina Martins, Cynthia Maria Montaudon, Fátima Lambert, Ingrid Nineth Pinto, João Ventura, Maria João Fonseca, Mário Mesquita, Nelson Zagalo, Paulo Luís Almeida, Pedro Amado, Rui Macário Ribeiro, Sérgio Neto, Sofia Sousa, Tiago Assis e Tomás Vieira Silva.     
As comunicações apresentadas deverão ser incluídas e publicadas, em 2022, no segundo número da revista digital Hypothesis Historia Periodical, cujo primeiro contém as de 2020 – outro projecto que surge como resultado e como (muito útil) instrumento deste grande projecto dedicado à HA e que tem tentado, e conseguido, aproximar e conciliar a vertente criativa (literária, cultural) da vertente científica. (Também no MILhafre e no Simetria.)

segunda-feira, outubro 18, 2021

Obrigado: Aos que compareceram…

… Ao 2º Congresso Internacional «Eça de Queiroz, 150 Anos» realizado nos passados dias 14 de Outubro na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, e 15 de Outubro no Palácio Valenças, em Sintra. Mais concretamente, a todos os oradores pelas comunicações que apresentaram durante os dois dias do evento, invariavelmente interessantes e relevantes, abordando e analisando aspectos relativos ao grande escritor, aos seus contemporâneos e à sua época. Merecem também um agradecimento especial os que também vieram para assistir e para participar, ouvindo as intervenções e depois suscitando debates, colocando perguntas de que resultaram respostas. A gratidão é ainda devida a todas as entidades e instituições que colaboraram com o Movimento Internacional Lusófono na organização desta iniciativa, cujo sucesso pode ser equiparado ao obtido pelo primeiro congresso, em 2019…
… E tal pode ser aferido pelo impacto que este congresso teve em termos de cobertura mediática. Aqui, há que salientar, mais uma vez e em primeiro lugar, o Diário de Notícias, que há dois anos constituiu um parceiro fundamental e que, agora, voltou a estar presente, quanto mais não seja porque uma das três efemérides de 150 anos que assinalámos e celebrámos se relaciona(va) com o próprio jornal: a primeira edição, nas páginas daquele e em «cartas-capítulos» semanais, de «O Mistério da Estrada de Sintra»; num artigo escrito por Maria João Martins, que incluiu declarações dadas por Renato Epifânio, Presidente da Direcção do MIL, o ano de 1871 é objecto de – óbvio – destaque especial. Noticiaram também o congresso: o Expresso, que incluiu declarações dadas por mim – mas não inteira e correctamente transcritas, o que me levou a pedir que fossem feitas correcções (o que, no momento em que publico, ainda não aconteceu); Guia da Cidade; José Poças; Porto dos Museus; Rede Cultural de Sintra.         
Apesar de não estar no horizonte imediato, meu e do MIL, a realização de um terceiro congresso dedicado a Eça de Queiroz, tal hipótese não está de todo posta de parte; porque não é exagero afirmar-se que o extraordinário artista, pela singularidade da sua vida, pela quantidade e qualidade da sua obra, e pelo impacto e pela influência que continua a exercer, é quase inesgotável no fascínio que exerce(u) e que exercerá sobre múltiplas gerações. (Também no Queiroz150.)

quinta-feira, outubro 07, 2021

Oráculo: 2º congresso sobre EdQ nos dias 14 e 15

É exactamente de hoje a uma semana que começa o 2º Congresso Internacional «Eça de Queiroz, 150 Anos», que, tal como o primeiro, realizado em 2019, resulta de uma iniciativa e de uma proposta minhas, e que o Movimento Internacional Lusófono mais uma vez vai concretizar com o apoio de várias entidades e instituições, e contando novamente comigo e com Renato Epifânio, Presidente da Direcção do MIL, enquanto principais co-organizadores.
O encontro deste ano terá novamente como tema e objectivo a evocação de acontecimentos importantes na vida, na carreira e na obra de José Maria Eça de Queiroz ocorridos há século e meio. O de há dois anos centrou-se quase exclusivamente na viagem ao Médio Oriente que o escritor fez em 1869 para, principalmente, assistir à inauguração do Canal do Suez, e de que resultaram, além de crónicas publicadas em 1870 no Diário de Notícias, ainda inspiração e materiais para trabalhos posteriores como «A Relíquia» e «O Egipto». Agora são não um, não dois, mas sim três os «marcos queirosianos» em destaque: a primeira edição, em «cartas-capítulos», e também no DN, de «O Mistério da Estrada de Sintra», primeiro livro – e primeiro romance – de Eça, embora em colaboração com José Duarte Ramalho Ortigão, em 1870;  a realização das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, em 1871; e a publicação, igualmente em 1871, dos primeiros números da revista As Farpas, projecto que numa primeira fase EdQ desenvolveu em parceria com Ramalho Ortigão e que numa segunda apenas foi assegurada pelo segundo.
O encontro decorrerá nos próximos dias 14 e 15 de Outubro, respectivamente na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, e no Palácio Valenças, em Sintra. De notar que: as sessões, em ambas as datas, terão lugar na parte da tarde, com a excepção de uma especial «em linha», à distância, na noite do dia 14; as sessões do dia 15 serão antecedidas, na parte da manhã, de um «roteiro queirosiano», um passeio, por Sintra, a que se seguirá um almoço no Restaurante Regional oferecido pela Câmara Municipal respectiva.

sexta-feira, outubro 01, 2021

Orientação: SimSon com 800!

Hoje, 1 de Outubro de 2021, celebra-se mais um Dia Mundial da Música, o que significa também, no sítio da Simetria, a publicação de uma nova edição do projecto Simetria Sonora. E, tal como em edições anteriores, a esta grande lista foram adicionados 50 discos por mim considerados de ficção científica e de fantástico: são agora 800 no total. Como ilustração está a imagem da capa do quarto álbum dos Led Zeppelin, lançado originalmente em 1971 – ou seja, há 50 anos. A ouvir… e a descobrir. Tudo, e sempre!

sábado, setembro 11, 2021

Orientação: 20 anos depois, no Obamatório

No meu outro blog Obamatório publiquei hoje o artigo «Retorno à casa de partida», que tem como tema e objectivo principais a evocação dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 quando decorrem duas décadas desde aqueles. Uma efeméride tornada mais dramática, mesmo trágica, pela forma escandalosa e extremamente incompetente, quiçá criminosa, como Joe Biden, usurpador da presidência dos EUA por fraude eleitoral, e um bando de cobardes e corruptos que passa por sua «administração» conduziram (para a «valeta» da História) a retirada norte-americana do Afeganistão. Ainda sobre o que vai acontecendo no outro lado do Atlântico será de (re)ler também textos como «Impeachment para totós (Parte 2)», «Um “chefe de Estado” xexé», «Rever em alta (Parte 5)» e «Roletas, e escarretas, russas».

terça-feira, agosto 31, 2021

Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2021

A literatura: «Estrada de Morrer», Urbano Tavares Rodrigues; «Viver com os Outros», Isabel da Nóbrega; «Canções e Poemas» e «O Último dos Ofícios», Boris Vian; «Engrenagem» e «Praça de jorna», Soeiro Pereira Gomes; «A Estrada Para o Molhe de Wigan», George Orwell; «Nós», Yevgeny Zamyatin; «Motivos de Beleza», António Botto; «Erótica Proibida - A Colecção Rotenberg», Laura Mirsky (intro., org.); «Quem semeia no Tejo», Pedro G. P. Martins.      
A música: «Chão Nosso», Trovante; «Trouble», Whitesnake; «Van Halen II», Van Halen; «Making Movies», Dire Straits; «Friday Night In San Francisco», Al Di Meola, John McLaughlin, Paco De Lucia; «Canto Da Boca», Sérgio Godinho; «Live 1975-85», Bruce Springsteen; «Bad Animals», Heart; «Surfer Rosa», Pixies; «Bleach», Nirvana; «Os Poetas», Amália Rodrigues; «Behaviour», Pet Shop Boys; «In Concert», Doors; «Dirty», Sonic Youth; «The Yellow Shark», Frank Zappa;  «Brandenburgische Konzerte (1-2-3-4-5-6)», Johann Sebastian Bach (pelos English Concert dirigidos por Trevor Pinnock); «Te Deum (1769)», João de Sousa Carvalho (por Alexandra do Ó, António Wagner Diniz, Bernardo Cabral, Helen Moen, Mário Alves, Nicholas McNair, e outros, com o Arte Real Ensemble dirigido por Ketil Haugsand e o Coro Ricercare dirigido por Paulo Lourenço).    
O cinema: «Pedro e Inês», António Ferreira; «Licença para Matar», John Glen; «Sicário - Dia do Soldado», Stefano Sollima; «Anjo Caiu», Ric Roman Waugh; «Rapazes Maus Para Toda a Vida», Adil El Arbi e Bilall Fallah; «O Imperador de Paris», Jean François Richet; «Rainha do Deserto», Werner Herzog; «Professor Marston e as Mulheres Maravilha», Angela Robinson; «Sobrevivendo a Picasso», James Ivory; «Vida», Anton Corbijn; «A Herdade», Tiago Guedes; «Janis», Howard Alk; «O Posto», Steven Spielberg; «Jobs», Joshua Michael Stern; «Richard Jewell», Clint Eastwood; «Na Cidade Branca», Alain Tanner; «Grita Liberdade», Richard Attenborough; «Judy», Rupert Goold; «Brooklyn», John Crowley; «O Último Vermeer», Dan Friedkin; «Vem e Vê», Elem Klimov; «Midway», Roland Emmerich; «Perguntem ao Pó», Robert Towne; «Hugo», Martin Scorsese; «Sufragista», Sarah Gavron; «História do Brinquedo 4», Josh Cooley; «Crescidos», Dennis Dugan; «Depois do Crepúsculo», Brett Ratner.
E ainda...: Junta de Freguesia de Alverca do Ribatejo e Sobralinho - Cerimónia de descerramento da placa toponímica «Largo 5 de Maio de 1986»; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - 16ª Bienal de Fotografia (Celeiro da Patriarcal e Museu Municipal) + «CartoonXira 2021/Cartoons do ano 2020-Rosstoons/Ross Thomson-Europa à vista?/Michael Kountouris» (Celeiro da Patriarcal e Fábrica das Palavras); «O Mundo Segundo a Amazon», (documentário de) Adrien Pinon e Thomas Lafarge; Artview - exposição virtual «Imagens Projectadas - Noronha da Costa»; «Ninharias Essenciais - Episódio 3/Origem de Tragédia» e «(...) - Episódio 4/Notícias Falsas, Censura e o Homem das Botas», (vídeos literários de) David Soares; Canal História - (documentário) «Alienígenas Antigos - A Agenda Secreta da NASA»; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Velocidade de Cruzeiro» + exposição «100 anos Nadir» + mostra «Tóquio 1964 - Os primeiros Jogos Olímpicos na Ásia» + mostra «Seis séculos de música - Raridades manuscritas em Portugal (1000-1600)»; Câmara Municipal de Loulé - exposição «Com os pés na terra e as mãos no mar - 6000 anos de história de Quarteira» (antiga lota) + exposição «Imaginário de Élsio Menau» (Galeria de Arte da Praça do Mar de Quarteira); Rádio e Televisão de Portugal - (documentário) «José Afonso - Traz outro amigo também».   

quarta-feira, agosto 11, 2021

Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 9)…

… Escritos e publicados, desde Março de 2020, nos seguintes blogs: O Insurgente; MILhafre (um, dois); Malomil; Horas Extraordinárias (um, dois, três, quatro, cinco); 31 da Armada; Intergalactic Robot; Corta-Fitas; Blasfémias; Porta da Loja (um, dois); Rascunhos. E que aborda(ra)m, entre outros subtemas: a incoerência daqueles que criticam José Sócrates e o PS mas que escrevem em «acordês»; a inutilidade do Instituto Internacional da Língua Portuguesa se este servir para impôr o AO90; de como livros, jornais e revistas impressos em «acordês» podem ser alternativa ao papel higiénico; o Jornal de Letras, Artes e Ideias passou a ser (tal como a A Bola e o Expresso) um pasquim desde que «adotou» o AO90; continuar a boicotar (isto é, não comprar) obras em «acordês»; de como muitos continuam contaminados com o «vírus» da parvoíce ortográfica; de como certos professores não têm capacidade nem qualidade para o serem (e não só por se sujeitarem ao AO90); quem integraria uma «lista da infâmia» dos maiores activistas da «novilíngua nacional».

domingo, julho 25, 2021

Orientação: Sobre «normalidade», no Boletim

Na edição de Junho de 2021 do Boletim UFARS (União das Freguesias de Alverca do Ribatejo e do Sobralinho) e na página 11, está o meu (breve) texto (mais apelo do que crónica) «Voltemos» (embora sem indicação do título). A colaboração aconteceu na sequência da inauguração do memorial às vítimas do acidente ferroviário de 1986 na Póvoa de Santa Iria e resultou de um convite daquela autarquia.
Transcrevo: «Quem vive na minha freguesia e no meu concelho decerto tem os mesmos objectivos, as mesmas esperanças, que eu e todas as outras pessoas no resto do país e até no Mundo: que, rapidamente, se volte ao normal que existia antes da pandemia, e não a um suposto «novo normal», que não se sabe muito bem, exactamente, o que seria, mas que muito provável e infelizmente implicaria a continuação de – injustificáveis – restrições a todas as nossas liberdades, de circulação, associação e até de expressão, liberdades essas que era de esperar que o 25 de Abril de 1974 tivesse trazido e a Constituição de 1976 consagrado. A aplicação cada vez mais generalizada de vacinas contra o Covid-19 – e sempre dando primazia aos segmentos mais vulneráveis da população, isto é, a idosos e a doentes crónicos – torna em simultâneo cada vez menos aceitável que se continue a viver com medo e até com terror. Que voltemos a sentar-nos onde queremos – em bancos de jardins, igrejas e estádios de futebol. Que voltemos a comprar bebidas alcóolicas depois das 20 horas (e isto dito por alguém que é um raro consumidor daquelas). Que voltemos a frequentar, por já estarem enfim reabertas e totalmente, espera-se, operacionais – porque muitas entretanto fecharam definitivamente as portas – as pequenas e médias lojas do comércio tradicional, porque não são só as grandes superfícies (que não têm, ou não deveriam ter, mais direitos do que as outras) que merecem fazer negócio e evitarem a falência e os despedimentos. E que voltemos a andar, tanto no exterior como no(s) interior(es) (incluindo, aqui, dentro dos automóveis), sem máscaras – é fundamental não apenas (re)vermos os rostos uns dos outros mas também respirarmos à vontade.»
Este texto constitui também como que uma continuação do meu artigo «Desmascarar os déspotas», publicado pel’O Diabo no passado mês de Abril. E, infelizmente, os déspotas – em Portugal e não só – continuam a querer impôr restrições inadmissíveis e mesmo ilegais aos direitos e liberdades fundamentais – em especial de expressão, circulação e associação – dos cidadãos. Entretanto, o lema «meu corpo, minha escolha» já não parece ser tão enaltecido como antes.

segunda-feira, julho 05, 2021

Ocorrência: Se ainda fosse vivo...

 … António de Macedo completaria hoje, 5 de Julho de 2021, 90 anos de idade. Porém, infelizmente, não é, tendo nos deixado a 5 de Outubro de 2017… mas apenas fisicamente. Porque mentalmente, espiritualmente, nas memórias dos que tiveram o privilégio de o conhecer pessoalmente e de com ele conviver, continua bem presente. Curiosa e algo melancolicamente, em 2016, que eu considerei ter sido como que «O ano de António», também pela sua inesquecível – para todos os que, como eu, a testemunharam - participação no MoteLx, havia ainda talvez como que uma ténue esperança de que mais maravilhas, e durante mais tempo, iríamos receber dele; de que, depois dos seus 85º e 86º aniversários, bastantes outros teríamos a possibilidade de festejar. Pelo que, agora, pode-se matar as saudades lendo os seus livros, dos quais há que destacar «Lovesenda, ou o Enigma das Oito Portas de Cristal», o seu grande e último romance, também a sua derradeira obra a ser publicada ainda com ele partilhando connosco este nível de existência. Também é possível recordá-lo voltando a vê-lo e ouvi-lo em apresentações, conversas, debates, entrevistas, intervenções diversas, das quais existem felizmente vários registos. E, enfim, e sem dúvida o mais importante, há que evocá-lo – e invocá-lo – (re)vendo os seus filmes, que merecem sem dúvida uma maior e melhor divulgação do que ocasionais, raras, exibições na Cinemateca Portuguesa e na Rádio e Televisão de Portugal. Seria óptimo, pois, que aquando da celebração do centésimo aniversário do seu nascimento – ou até, de preferência, mais cedo – estivesse já disponível em disco (DVD e/ou Blu-Ray) a sua filmografia, se possível em versões restauradas e com materiais adicionais. (Também no MILhafre e no Simetria.)

terça-feira, junho 22, 2021

Observação: Prescrições menos fictícias

Uma vez mais, escrevo sobre Mariano Martín Rodríguez, espanhol, tradutor, filólogo, investigador em literatura com «especialização» em ficção cientifica e fantástico, e, neste género, com particular atenção aos autores de línguas latinas, contemporâneos ou nem tanto. Com ele primeiro estabeleci contacto em 2013 – na verdade, ele é que me contactou, por correio electrónico – e no ano seguinte eu e outras figuras da FC & F nacional conhecemo-lo pessoalmente aquando de uma visita dele a Lisboa. Em Janeiro último divulguei novamente o seu trabalho, mais concretamente traduções e análises de textos ais ou menos conhecidos de Teófilo Braga, Raul Brandão e Eça de Queiroz…
… E agora o motivo para o mencionar volta a ser, como há oito anos, o meu livro «Visões» e, mais precisamente, um dos contos que o integra, «Decreto-Lei Nº 54»: ambos foram citados – e divulgo-o com «algum» atraso, pelo que me «penitencio» ;-) – por Mariano Martín Rodríguez no seu artigo «Discurso prescritivo, ficção literária e cacotopia – “A Hora da Verdade” de Santiago Eximeno, no seu contexto genérico», publicado em 2015 no Nº 24 da revista (da Associação Espanhola de Semiótica) Signa. Na página 429 pode ler-se: «Todos os textos prescritivos fictícios recentes de que temos notícia se podem classificar na ampla categoría da literatura projectiva, salvo talvez o intitulado “DecretoLei n.º 54” (en Visões, 2003), de Octávio dos Santos, em que um Estado não localizado geográfica nem cronologicamente e implicitamente cacotópico cria um imaginário “Instituto de Apoio ao Suicídio” (Santos 2003: 53) con matizes sarcásticas e inclusivamente absurdas.» O certo é que, desde que soube da existência de MMR e dos estudos que desenvolve, passei a estar (ainda mais) atento a qualquer exemplo de fictoprescrição (já tinha, mesmo que inconscientemente, uma noção do que era antes de apreender o termo) que eventualmente encontre. E, no período de um ano, encontrei dois exemplos, ambos não em livros ou em revistas literárias mas sim, curiosamente, em blogs, portugueses, de âmbito abrangente e que não costumam ter a FC & F como tema.
Um é de Abril deste ano e está no Blasfémias. Escrito por Vítor Cunha, intitula-se «Dizem que é o futuro»: «Extracto do Despacho nº 1/2021 da República Portuguesa dos Bananas. A crise demográfica que vivemos apresenta-se como um problema sério, quer para a sobrevivência da cultura de vítima que cultivamos desde pelo menos o Marquês de Pombal, quer para a sustentabilidade da segurança social num ambiente de pandemias sucessivas em que importa reforçar o sistema hospitalar com algumas cenas importantes, como ventiladores encaixotados. (…) 3 – É decretada a requisição temporária, por motivos de urgência e interesse público e nacional, (d)a totalidade dos contribuintes dependentes do sexo feminino, género indiferente, com peso entre 45 e 65 kg. 4 – Todas (e todos) serão sujeitos a teste de verificação de virgindade, sendo aptas (e aptos) para o serviço de repovoação de contribuintes todas (e todos) aquelas (e aqueles) que não apresentarem mácula indicadora de violação do dever geral de confinamento. 5 – A requisição é válida enquanto a declaração de situação de calamidade demográfica for aplicável ao território nacional. 6 – Compete aos contribuintes que mantêm estas (e estes) virgens assegurar a sua alimentação durante o período de salvação nacional. Roupa não é necessária, que até está quentinho. 7 – A cada virgem será cobrada uma taxa pelo privilégio de contribuir para a causa nacional.»
O outro é de Maio do ano passado e está no Corta-Fitas – mas só o início, porque a versão integral está no Observador. Escrito por José Mendonça da Cruz, intitula-se «Regulamento nacional e socialista para o usufruto das praias»: «As praias marítimas e fluviais são parcelas valiosas do património comum, pelo que a sua fruição não deve ser deixada ao capricho privado e às forças selvagens do mercado, antes deve obedecer a regras determinadas pelo poder político socialmente legitimado e segundo políticas de garantia de uma praia para as pessoas. É no pleno entendimento destes princípios e a fim de assegurar a boa utilização balnear e uma gestão adequada dos tempos livres por parte dos cidadãos que se determina o seguinte…» Deste dei conhecimento a Mariano Martín Rodríguez em mensagem que lhe enviei no mesmo dia da publicação do post de JMC, e na qual, depois de expressar votos de que ele estivesse «bem, seguro, a salvo deste vírus, desta pandemia que parece ter tornado as nossas vidas ”normais” em cenários de autêntica distopia», lhe revelei o motivo do contacto: «ter encontrado o que se me afigura ser mais um exemplo de um tema muito interessante que o Mariano estudou, a “fictoprescrição”. Ao contrário do meu “Decreto-Lei Nº 54”, o texto de que lhe deixo a hiperligação em baixo não é um conto, não se assume como uma obra literária, mas é sim um artigo de opinião marcadamente satírico, e em que o aparente exagero não estará tão distante do que várias autoridades anunciaram que vão talvez fazer.» MMR respondeu-me afirmando: «Com efeito, o texto enviado não é ficcional, e temo que prontamente será legislação verdadeira, considerando o prazer que têm os nossos governantes sabendo que o medo do lobo faz com que renunciemos como ovelhas aos nossos direitos e liberdade, de maneira que podem levar-nos ao matadouro da ruína económica sem que nos queixemos.» Difícil não lhe dar razão atendendo ao que aconteceu nos 12 meses que entretanto decorreram. (Também no Simetria.)

quinta-feira, maio 06, 2021

Ocorrência: 35 anos depois, a homenagem

Ontem, 5 de Maio de 2021, exactamente 35 anos depois do acidente ferroviário ocorrido na estação de Póvoa de Santa Iria, sete das 18 vítimas mortais foram homenageadas através do descerramento de uma placa toponímica e de um memorial colocados junto à estação ferroviária de Alverca do Ribatejo, cujo largo adjacente passou a designar-se, precisamente, 5 de Maio de 1986; por sua vez, o memorial tem inscritos os nomes daquelas sete vítimas, todas elas jovens estudantes em escolas secundárias e universitárias de Lisboa que então residiam em Alverca do Ribatejo. A iniciativa foi da Junta de Freguesia daquela cidade, e a cerimónia teve a participação e a intervenção, entre outros, do respectivo presidente, Carlos Gonçalves, do presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, de elementos da associação cultural Inestética, e de um dos sobreviventes do acidente, o meu amigo Luís Lamancha…
… Que leu um poema da sua autoria alusivo à tragédia perante uma plateia onde se encontravam presentes outros sobreviventes e ainda familiares e amigos daqueles e das vítimas – não só as mortais, pois há que não esquecer nunca que o acidente causou também mais de 80 feridos. Porém, continua por se fazer uma homenagem geral, nacional, a todas essas vítimas, e para isso o local lógico, adequado, é a estação ferroviária da Póvoa de Santa Iria, que há muito tempo já deveria ter erigido o seu próprio monumento. Enquanto isso não acontece (quanto anos mais teremos de esperar? Talvez até 2036, quando se assinalar o 50º aniversário?), pode-se e deve-se ler, ver e ouvir evocações do acidente, como esta em 2016 (30º aniversário), esta em 2011 (25º) e esta em 2006 – 20º, em que divulguei aqui no Octanas um texto que escrevi e publiquei na edição de Junho de 1986 do Notícias de Alverca, jornal no qual era então chefe de redacção, e que incluiria no meu livro «Um Novo Portugal», editado em 2012.

sexta-feira, abril 30, 2021

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2021

A literatura: «Alix - O Túmulo Etrusco» e «(...) - O Príncipe do Nilo», Jacques Martin; «Cavaleiro Ardente - O Príncipe Negro» e «(...) - Os Lobos de Rougecogne», François Craenhals; «Blueberry - Cara de Anjo» e «(...) - Nariz Partido», Jean-Michel Charlier e Jean Giraud; «Corto Maltese - A Balada do Mar Salgado», Hugo Pratt; «A Batalha de Inglaterra/Furacão Sobre a Mancha» e «Fortalezas Voadoras», Pierre Dupuis; «O Joker - 80 Anos do Príncipe Palhaço do Crime», Dennis O'Neil, Jim Starlin, Paul Dini, Bob Kane, Walt Simonson, Bill Finger, e outros (Erika Rothberg, org.); «Michel Vaillant - O Forçado das Galés», «(...) - Desapareceu um Piloto» e «(...) - O Desconhecido das Mil Pistas», Jean Graton; «A Nau» (com Eliseu Gouveia e Mariana Flores) e «Loophole» (com Fernando Lucas e Patrícia Furtado), Pedro Potier.           
A música: «Segredo», Amália Rodrigues; «Goats Head Soup», Rolling Stones; «Head Hunters», Herbie Hancock; «The Lamb Lies Down On Broadway», Genesis; «On Your Feet Or On Your Knees», Blue Oyster Cult; «Coro Dos Tribunais», José Afonso; «Paris», Supertramp; «Shut Up 'N Play Yer Guitar», Frank Zappa; «Nebraska», Bruce Springsteen; «Cais Das Colinas», Trovante; «We Are Chaos», Marilyn Manson; «The Arista Years», Grateful Dead; «Rockaria», Electric Light Orchestra; «Super Black Market Clash», Clash; «Toccata Und Fuge In D-Moll BWV 565», Johann Sebastian Bach (por Simon Preston); «Il Mondo Della Luna», Pedro António Avondano (por Carla Caramujo, Carla Simões, Fernando Guimarães, João Fernandes, João Pedro Cabral, Luís Rodrigues e Susana Gaspar, com os Músicos do Tejo dirigidos por Marcos Magalhães). 
O cinema: «Snu», Patrícia Sequeira; «Vício Inerente», Paul Thomas Anderson; «Quando és Estranho», Tom DiCillo; «Escola do Rock», Richard Linklater; «Nove», Rob Marshall; «A Voz da Lua», Federico Fellini; «Pontapé-no-Rabo 2», Jeff Wadlow; «Os Cavalheiros», Guy Ritchie; «Tenet», Christopher Nolan; «Equilíbrio», Kurt Wimmer; «Mosquito», João Nuno Pinto; «A Fazedora de Vestidos», Jocelyn Moorhouse; «Trumbo», Jay Roach; «Desafio», Edward Zwick; «Serena», Susanne Bier; «Adama», Simon Rouby; «O Farol», Robert Eggers; «A Conspiradora», Robert Redford; «Victor Frankenstein», Paul McGuigan; «Drácula não Dito», Gary Shore; «A Flor das Mil e Uma Noites», Pier Paolo Pasolini; «As Aventuras do Barão Munchausen», Terry Gilliam; «Conto de Inverno», Akiva Goldsman; «Pixels», Chris Columbus; «Homens de Negro - Internacional», F. Gary Gray; «Filme da Ovelha Shaun», Mark Burton e Richard Starzak; «O Gajo do Cabo», Ben Stiller.               
E ainda...: Museu do Neo-Realismo - exposição «Júlio Pomar - A obra gráfica numa colecção privada» + mostra «Homenagem a Bernardo Santareno»; Instituto Realitas - Diálogo com Manuel Curado (parte 1, parte 2); «Chemtrails Over The Country Club», (vídeo musical de) Lana Del Rey; Outrun/The Milk Crate Club - «Os Corredores que Pararam o Mundo», (documentário de) Al Clark; Canal História - (documentário) «Os Carros que Fizeram o Mundo» + (documentário) «Patriotas Negros - Heróis da Revolução»+ (documentário) «Rodas Quentes e Carros Musculados»; The New York Times Presents - (documentário) «Enquadrando Britney Spears»; Museu Municipal de Vila Franca de Xira - exposição «Memórias do Oculista Nunes»; ITV - (documentário) «Sob Cobertura - Dentro do Gulag Digital Chinês», Robin Barnwell; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Os livros de Luís Teixeira - Jurista, humanista e preceptor de D. João III» + exposição «Atlas Suzanne Daveau»; FNAC/The Argentic - exposição de fotografias de Campiso Rocha e de Mário Galiano «Contrastes - Memórias pessoais e transmissíveis» (Chiado).      

sexta-feira, abril 16, 2021

Orientação: Sobre máscaras, n'O Diabo

Na edição de hoje (Nº 2311) do jornal (semanal) O Diabo, e na página 14, está o meu artigo «Desmascarar os déspotas». Um excerto: «No início, quando pouco se sabia sobre a doença, justificava-se alguma tolerância para com os erros dos políticos ao lidar com aquela. Mas agora, mais de um ano depois, não: já se sabe quais são as suas principais características, como se propaga, quem são os indivíduos mais vulneráveis (idosos, doentes crónicos e graves). E a resposta oficial em Portugal expôs novamente a estupidez e a incompetência que já se conheciam anteriormente, patente em tantas situações num passado próximo, em especial ocorrências trágicas como os incêndios em Pedrógão Grande em 2017. Quando as pessoas ocupam cargos importantes, posições de responsabilidade, não pela sua capacidade ou pelo seu mérito mas sim por terem o cartão partidário certo e/ou por serem parentes ou amigos de ministros e de secretários de Estado, é muito provável que não estarão à altura dos acontecimentos quando surgirem crises efectivamente graves e excepcionais.» (Também no MILhafre e no Obamatório.)

sexta-feira, março 26, 2021

Observação: Revisionismo discrimino-censório

No início desta semana que agora termina, e em dias consecutivos, duas pessoas que podem ser colocadas (eu coloco-as) entre os mais destacados «bloguistas» portugueses publicaram «postas» sobre o que é, praticamente, o mesmo tema: as consequências do que vamos designar de um extremo revisionismo dicrimino-censório – versão mais recente e demente do já de si duradouro e detestável «politicamente correcto» - na literatura mundial e até no mercado literário português e nos autores nacionais, revisionismo esse que tem origem em muitas universidades dos Estados Unidos da América, e que a partir daí «contaminou» bastantes – demasiado(a)s) – indivíduos e instituições (incluindo empresas privadas), não só naquele país mas também noutros.
A 21 de Março, no Malomil e em texto intitulado «A traição dos intelectuais», António de Araújo aborda as controvérsias decorrentes da tradução do primeiro livro daquela que é supostamente a mais jovem vedeta das letras norte-americanas: «(…) Porque é que Amanda Gorman e os seus agentes levantaram objecções a que a sua poesia fosse traduzida para catalão por um branco, Victor Obiols, mas não objectaram a que fosse traduzido para espanhol por uma branca, Nuria Barrios, dita “sem historial activista”? Porque é que só agora, à boleia desta nova polémica, é que Grada Kilomba vem questionar e criticar a tradução para português do seu livro, “Memórias da Plantação”, feita por um homem branco, Nuno Quintas, e nada disse nem objectou quando essa tradução foi feita, em 2019? (…) Que características de um determinado autor devem ser valorizadas na escolha do seu tradutor? No caso de Amanda Gorman, vemos apontadas as seguintes características: “jovem”, “mulher”, “negra”, “filha de mãe solteira”. Dessas, qual a decisiva na escolha do tradutor? Apenas uma, a etnia? Todas? Porque não o facto de ser mulher? Ou jovem? Ou filha de mãe solteira? Com que legitimidade se erige a etnia em detrimento do género, por exemplo? Se escolhemos a etnia como ponto decisivo do “lugar da fala”, isto significa que apenas negros podem traduzir negros e brancos podem traduzir brancos? Se sim, porquê? Se não, porquê? Porque é que a etnia de um tradutor lhe confere especiais qualificações para o seu ofício? Isso não será racismo, no fim de contas? (…) Quem pode traduzir Amanda Gorman? Uma homem de meia-idade pode fazê-lo? Ou apenas Amanda Gorman pode traduzir-se a si própria? Um homem pode traduzir literatura feminista? Um heterossexual pode traduzir escritos gay? Um agnóstico pode dar voz à “Bíblia”? E quem pode traduzir os clássicos, Aristóteles ou Platão, Joyce ou T. S. Eliot? Um judeu não pode traduzir “Mein Kampf”? Ou, pelo contrário, só um judeu pode fazê-lo? Não haverá aqui o risco, mais do que evidente, de se criarem novos casulos e barreiras, contrariando a essência própria, universalista, dialogante, do acto de traduzir? (…)»
A 22 de Março, no Horas Extraordinárias e em texto intitulado «Estupidez», Maria do Rosário Pedreira aborda a – inesperada – dificuldade em conseguir editar nos EUA um (por ela não identificado) escritor nacional: «Disse-se ao longo de mais de uma centena de anos que a América era a terra das oportunidades; infelizmente, passou a ser a terra da oportunidade de ficar calado, pois não se pode agora falar de nada sem que todas as nossas palavras, por mais inocentes que sejam, acabem julgadas da pior maneira. Recentemente soube que recusaram a obra de um autor português com um relatório em que, antes de mais nada, o descreviam como muitíssimo talentoso; mas esse talento era secundário para a editora norte-americana que decidiu não o publicar porque um dos romances falava de forma muito directa de um tema que, para a imprensa norte-americana, era muito sensível (a deficiência); e o outro tinha, entre as suas personagens, uma transsexual (mas, como o autor não o é, certamente iria ser acusado de falar do que não sabe; ainda pensaram pedir um segundo relatório de leitura a alguém da comunidade LGBT lá do sítio, mas não encontraram nenhum trans que lesse português). (…) É uma outra forma de preconceito que em nada ajuda as minorias, fingindo que as protege. Se os autores não podem falar do que não sentiram na pele, não é isso uma negação da imaginação? (…)»
Nestes seus textos tanto António de Araújo como Maria do Rosário Pedreira colocam questões pertinentes, resultantes também do que parece ser genuína supresa e até indignação perante o que acontece – no âmbito cultural, pelo menos – no outro lado do Atlântico. Porém, ambos não podem alegar que não foram avisados, e nomeadamente por mim, sobre as mais do que prováveis e previsíveis consequências de a pérfida perversão, atentatória dos mais bons e básicos valores civilizacionais, inerente à esquerda norte-americana e núcleo perene do Partido Democrata se expandir e se consolidar, talvez e infelizmente de uma forma permanente. Recordo que o actual consultor da Presidência da República me «convidou» a deixar de comentar no Malomil depois de eu ter respondido, discordando (com factos), a alguns posts em que criticava Donald Trump; e que a actual editora da Leya não pareceu ter reconhecido o erro que cometeu ao elogiar uma bibliotecária luso-descendente de Boston que rejeitou livros oferecidos por Melania Trump, e, na prática, ofendeu a primeira-dama… e no meu comentário já alertava para o perigo de a proibição de certas obras e artistas por parte dos novos «inquisidores» se tornar uma rotina – e o certo é que, menos de quatro anos depois, são (alguns d)os de Theodor «Dr. Seuss» Geisel, que Liz Soeiro desprezou, que estão entre os primeiros (porque, sim, há outros) a serem «apagados» na vigência do regime que foi instaurado a 20 de Janeiro passado numa Washington pejada de soldados e de barreiras com arame farpado.    
No entanto, nestes seus textos António de Araújo e Maria do Rosário Pedreira dão igualmente mostras de uma surpreendente ingenuidade… ou de algo pior. Ele também pergunta: «Como é possível conciliar este debate com o propósito de união anunciado no discurso da tomada de posse de Joe Biden, sem o qual poucos saberiam sequer quem é Amanda Gorman?» Obviamente, isso não é possível, porque os democratas não são nem nunca foram pela união e pela integração (racial e outras) mas sim pela secessão e pela segregação; e estar na Casa Branca um ilegítimo e xexé «chefe de Estado» é uma garantia de que vai continuar a invasão por imigrantes ilegais, a perseguição policial e judicial de opositores políticos e a promoção de campanhas de menorização (ou seja, de discriminação e mesmo de ódio) contra brancos, além de que se irá tentar proceder ao desarmamento da sociedade civil e a «purgas» ideológicas nas forças armadas – tudo acções que provavelmente levarão, não à unidade, mas à implosão do país, quiçá até a uma nova guerra civil; quando alguém que tem uma licenciatura em Direito e um doutoramento em História, e com actividades importantes e influentes, e que apesar disso revela não ter um conhecimento suficiente de factos fulcrais relativos aos EUA, é de duvidar da qualidade dos conselhos políticos que dá no Palácio de Belém. Ela também pergunta: «Então hoje para uma editora o talento é menos importante do que o assunto de um romance? E um agente cultural como uma editora mete o rabo entre as pernas, recusa-se a arriscar e abdica de mudar mentalidades mesmo quando diz que o autor tem muito talento?» A verdade é que – e sei-o por experiência própria – MRP já se recusou a arriscar por causa do assunto de um romance e não ponderou devidamente o talento do respectivo autor; todavia, é elementar e da mais básica justiça reconhecer que, neste aspecto, ela está longe de ser um caso único.
Ainda sobre o texto citado do Horas Extraordinárias, é quase certo que o autor nele mencionado é Afonso Reis Cabral, trineto de José Maria Eça de Queiroz. E este, curiosamente, tornou-se igualmente uma «vítima» do revisionismo PC devido a alegados «preconceitos raciais» existentes n’«Os Maias», que foram primeiro «denunciados» por uma «investigadora» que estudou… nos EUA. Ela será certamente bem vinda se quiser participar no segundo congresso – por mim proposto, e organizado pelo Movimento Internacional Lusófono – sobre EdQ, que deverá decorrer no próximo mês de Outubro e que terá como temas os 150 anos da publicação de «O Mistério da Estrada de Sintra», da realização das Conferências do Casino e do início da edição d’«As Farpas». Imagine-se o que ele teria dito e escrito sobre estes novos «puritanos» da treta! (Também no Obamatório.

sábado, fevereiro 13, 2021

Outras: Casas listadas para serem contactadas

Enviei ontem a João Português, Presidente da Câmara Municipal de Cuba, e ainda para outras pessoas daquele municipio, para a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, para a Associação Cultural Fialho de Almeida e para (um membro da Direcção d)a Associação Portuguesa de Escritores uma mensagem de correio electrónico contendo, em ficheiro anexo, um documento com uma lista elaborada por mim das casas de escritores de língua portuguesa actualmente existentes, abertas ao público e com evidente (mesmo que mínima) actividade cultural. Esta lista pretende ser o ponto de partida do início da formação da Rede de Casas de Escritores de Língua Portuguesa, um projecto que delineei em Outubro de 2019 e cuja liderança eu e o Movimento Internacional Lusófono oferecemos à CMC através do Museu Literário Casa Fialho de Almeida. Após mais de um ano de espera, a 5 de Janeiro último aquele autarca alentejano finalmente respondeu-me, e positivamente.   
A lista inclui uma casa em Angola, oito no Brasil e quase 30 em Portugal, mas, como é óbvio, não se pretende que seja definitiva, não só porque podem existir casas que eu não encontrei durante a minha pesquisa mas também porque existem outras – tomei conhecimento de pelo menos três (duas no nosso país, uma no país irmão) – em (avançado) processo de concretização. Evidentemente, e como seria de esperar, várias épocas e diversos estilos literários têm «representação» na lista. Por exemplo(s): o século XVIII, dito o das «Luzes», conta com a casa em Setúbal onde nasceu Manuel Maria Barbosa du Bocage; os anos de Oitocentos destacam-se, inevitavelmente, por José Maria Eça de Queiroz – através da quinta em Tormes que é a sede da fundação com o seu nome – e ainda por contemporâneos como Júlio Dinis, Antero de Quental e Sousa Martins; e, previsivelmente, o século XX é o que dispõe da maior «representação», tanto em Portugal como no Brasil, devido a nomes como José Régio, José Saramago, Erico Veríssimo e Jorge Amado. (Também no MILhafre, no Ópera do Tejo e no Queiroz150.) (Referência no Horas Extraordinárias.