segunda-feira, outubro 18, 2021

Obrigado: Aos que compareceram…

… Ao 2º Congresso Internacional «Eça de Queiroz, 150 Anos» realizado nos passados dias 14 de Outubro na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, e 15 de Outubro no Palácio Valenças, em Sintra. Mais concretamente, a todos os oradores pelas comunicações que apresentaram durante os dois dias do evento, invariavelmente interessantes e relevantes, abordando e analisando aspectos relativos ao grande escritor, aos seus contemporâneos e à sua época. Merecem também um agradecimento especial os que também vieram para assistir e para participar, ouvindo as intervenções e depois suscitando debates, colocando perguntas de que resultaram respostas. A gratidão é ainda devida a todas as entidades e instituições que colaboraram com o Movimento Internacional Lusófono na organização desta iniciativa, cujo sucesso pode ser equiparado ao obtido pelo primeiro congresso, em 2019…
… E tal pode ser aferido pelo impacto que este congresso teve em termos de cobertura mediática. Aqui, há que salientar, mais uma vez e em primeiro lugar, o Diário de Notícias, que há dois anos constituiu um parceiro fundamental e que, agora, voltou a estar presente, quanto mais não seja porque uma das três efemérides de 150 anos que assinalámos e celebrámos se relaciona(va) com o próprio jornal: a primeira edição, nas páginas daquele e em «cartas-capítulos» semanais, de «O Mistério da Estrada de Sintra»; num artigo escrito por Maria João Martins, que incluiu declarações dadas por Renato Epifânio, Presidente da Direcção do MIL, o ano de 1871 é objecto de – óbvio – destaque especial. Noticiaram também o congresso: o Expresso, que incluiu declarações dadas por mim – mas não inteira e correctamente transcritas, o que me levou a pedir que fossem feitas correcções (o que, no momento em que publico, ainda não aconteceu); Guia da Cidade; José Poças; Porto dos Museus; Rede Cultural de Sintra.         
Apesar de não estar no horizonte imediato, meu e do MIL, a realização de um terceiro congresso dedicado a Eça de Queiroz, tal hipótese não está de todo posta de parte; porque não é exagero afirmar-se que o extraordinário artista, pela singularidade da sua vida, pela quantidade e qualidade da sua obra, e pelo impacto e pela influência que continua a exercer, é quase inesgotável no fascínio que exerce(u) e que exercerá sobre múltiplas gerações. (Também no Queiroz150.)

quinta-feira, outubro 07, 2021

Oráculo: 2º congresso sobre EdQ nos dias 14 e 15

É exactamente de hoje a uma semana que começa o 2º Congresso Internacional «Eça de Queiroz, 150 Anos», que, tal como o primeiro, realizado em 2019, resulta de uma iniciativa e de uma proposta minhas, e que o Movimento Internacional Lusófono mais uma vez vai concretizar com o apoio de várias entidades e instituições, e contando novamente comigo e com Renato Epifânio, Presidente da Direcção do MIL, enquanto principais co-organizadores.
O encontro deste ano terá novamente como tema e objectivo a evocação de acontecimentos importantes na vida, na carreira e na obra de José Maria Eça de Queiroz ocorridos há século e meio. O de há dois anos centrou-se quase exclusivamente na viagem ao Médio Oriente que o escritor fez em 1869 para, principalmente, assistir à inauguração do Canal do Suez, e de que resultaram, além de crónicas publicadas em 1870 no Diário de Notícias, ainda inspiração e materiais para trabalhos posteriores como «A Relíquia» e «O Egipto». Agora são não um, não dois, mas sim três os «marcos queirosianos» em destaque: a primeira edição, em «cartas-capítulos», e também no DN, de «O Mistério da Estrada de Sintra», primeiro livro – e primeiro romance – de Eça, embora em colaboração com José Duarte Ramalho Ortigão, em 1870;  a realização das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, em 1871; e a publicação, igualmente em 1871, dos primeiros números da revista As Farpas, projecto que numa primeira fase EdQ desenvolveu em parceria com Ramalho Ortigão e que numa segunda apenas foi assegurada pelo segundo.
O encontro decorrerá nos próximos dias 14 e 15 de Outubro, respectivamente na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, e no Palácio Valenças, em Sintra. De notar que: as sessões, em ambas as datas, terão lugar na parte da tarde, com a excepção de uma especial «em linha», à distância, na noite do dia 14; as sessões do dia 15 serão antecedidas, na parte da manhã, de um «roteiro queirosiano», um passeio, por Sintra, a que se seguirá um almoço no Restaurante Regional oferecido pela Câmara Municipal respectiva.

sexta-feira, outubro 01, 2021

Orientação: SimSon com 800!

Hoje, 1 de Outubro de 2021, celebra-se mais um Dia Mundial da Música, o que significa também, no sítio da Simetria, a publicação de uma nova edição do projecto Simetria Sonora. E, tal como em edições anteriores, a esta grande lista foram adicionados 50 discos por mim considerados de ficção científica e de fantástico: são agora 800 no total. Como ilustração está a imagem da capa do quarto álbum dos Led Zeppelin, lançado originalmente em 1971 – ou seja, há 50 anos. A ouvir… e a descobrir. Tudo, e sempre!

sábado, setembro 11, 2021

Orientação: 20 anos depois, no Obamatório

No meu outro blog Obamatório publiquei hoje o artigo «Retorno à casa de partida», que tem como tema e objectivo principais a evocação dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 quando decorrem duas décadas desde aqueles. Uma efeméride tornada mais dramática, mesmo trágica, pela forma escandalosa e extremamente incompetente, quiçá criminosa, como Joe Biden, usurpador da presidência dos EUA por fraude eleitoral, e um bando de cobardes e corruptos que passa por sua «administração» conduziram (para a «valeta» da História) a retirada norte-americana do Afeganistão. Ainda sobre o que vai acontecendo no outro lado do Atlântico será de (re)ler também textos como «Impeachment para totós (Parte 2)», «Um “chefe de Estado” xexé», «Rever em alta (Parte 5)» e «Roletas, e escarretas, russas».

terça-feira, agosto 31, 2021

Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2021

A literatura: «Estrada de Morrer», Urbano Tavares Rodrigues; «Viver com os Outros», Isabel da Nóbrega; «Canções e Poemas» e «O Último dos Ofícios», Boris Vian; «Engrenagem» e «Praça de jorna», Soeiro Pereira Gomes; «A Estrada Para o Molhe de Wigan», George Orwell; «Nós», Yevgeny Zamyatin; «Motivos de Beleza», António Botto; «Erótica Proibida - A Colecção Rotenberg», Laura Mirsky (intro., org.); «Quem semeia no Tejo», Pedro G. P. Martins.      
A música: «Chão Nosso», Trovante; «Trouble», Whitesnake; «Van Halen II», Van Halen; «Making Movies», Dire Straits; «Friday Night In San Francisco», Al Di Meola, John McLaughlin, Paco De Lucia; «Canto Da Boca», Sérgio Godinho; «Live 1975-85», Bruce Springsteen; «Bad Animals», Heart; «Surfer Rosa», Pixies; «Bleach», Nirvana; «Os Poetas», Amália Rodrigues; «Behaviour», Pet Shop Boys; «In Concert», Doors; «Dirty», Sonic Youth; «The Yellow Shark», Frank Zappa;  «Brandenburgische Konzerte (1-2-3-4-5-6)», Johann Sebastian Bach (pelos English Concert dirigidos por Trevor Pinnock); «Te Deum (1769)», João de Sousa Carvalho (por Alexandra do Ó, António Wagner Diniz, Bernardo Cabral, Helen Moen, Mário Alves, Nicholas McNair, e outros, com o Arte Real Ensemble dirigido por Ketil Haugsand e o Coro Ricercare dirigido por Paulo Lourenço).    
O cinema: «Pedro e Inês», António Ferreira; «Licença para Matar», John Glen; «Sicário - Dia do Soldado», Stefano Sollima; «Anjo Caiu», Ric Roman Waugh; «Rapazes Maus Para Toda a Vida», Adil El Arbi e Bilall Fallah; «O Imperador de Paris», Jean François Richet; «Rainha do Deserto», Werner Herzog; «Professor Marston e as Mulheres Maravilha», Angela Robinson; «Sobrevivendo a Picasso», James Ivory; «Vida», Anton Corbijn; «A Herdade», Tiago Guedes; «Janis», Howard Alk; «O Posto», Steven Spielberg; «Jobs», Joshua Michael Stern; «Richard Jewell», Clint Eastwood; «Na Cidade Branca», Alain Tanner; «Grita Liberdade», Richard Attenborough; «Judy», Rupert Goold; «Brooklyn», John Crowley; «O Último Vermeer», Dan Friedkin; «Vem e Vê», Elem Klimov; «Midway», Roland Emmerich; «Perguntem ao Pó», Robert Towne; «Hugo», Martin Scorsese; «Sufragista», Sarah Gavron; «História do Brinquedo 4», Josh Cooley; «Crescidos», Dennis Dugan; «Depois do Crepúsculo», Brett Ratner.
E ainda...: Junta de Freguesia de Alverca do Ribatejo e Sobralinho - Cerimónia de descerramento da placa toponímica «Largo 5 de Maio de 1986»; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - 16ª Bienal de Fotografia (Celeiro da Patriarcal e Museu Municipal) + «CartoonXira 2021/Cartoons do ano 2020-Rosstoons/Ross Thomson-Europa à vista?/Michael Kountouris» (Celeiro da Patriarcal e Fábrica das Palavras); «O Mundo Segundo a Amazon», (documentário de) Adrien Pinon e Thomas Lafarge; Artview - exposição virtual «Imagens Projectadas - Noronha da Costa»; «Ninharias Essenciais - Episódio 3/Origem de Tragédia» e «(...) - Episódio 4/Notícias Falsas, Censura e o Homem das Botas», (vídeos literários de) David Soares; Canal História - (documentário) «Alienígenas Antigos - A Agenda Secreta da NASA»; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Velocidade de Cruzeiro» + exposição «100 anos Nadir» + mostra «Tóquio 1964 - Os primeiros Jogos Olímpicos na Ásia» + mostra «Seis séculos de música - Raridades manuscritas em Portugal (1000-1600)»; Câmara Municipal de Loulé - exposição «Com os pés na terra e as mãos no mar - 6000 anos de história de Quarteira» (antiga lota) + exposição «Imaginário de Élsio Menau» (Galeria de Arte da Praça do Mar de Quarteira); Rádio e Televisão de Portugal - (documentário) «José Afonso - Traz outro amigo também».   

quarta-feira, agosto 11, 2021

Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 9)…

… Escritos e publicados, desde Março de 2020, nos seguintes blogs: O Insurgente; MILhafre (um, dois); Malomil; Horas Extraordinárias (um, dois, três, quatro, cinco); 31 da Armada; Intergalactic Robot; Corta-Fitas; Blasfémias; Porta da Loja (um, dois); Rascunhos. E que aborda(ra)m, entre outros subtemas: a incoerência daqueles que criticam José Sócrates e o PS mas que escrevem em «acordês»; a inutilidade do Instituto Internacional da Língua Portuguesa se este servir para impôr o AO90; de como livros, jornais e revistas impressos em «acordês» podem ser alternativa ao papel higiénico; o Jornal de Letras, Artes e Ideias passou a ser (tal como a A Bola e o Expresso) um pasquim desde que «adotou» o AO90; continuar a boicotar (isto é, não comprar) obras em «acordês»; de como muitos continuam contaminados com o «vírus» da parvoíce ortográfica; de como certos professores não têm capacidade nem qualidade para o serem (e não só por se sujeitarem ao AO90); quem integraria uma «lista da infâmia» dos maiores activistas da «novilíngua nacional».

domingo, julho 25, 2021

Orientação: Sobre «normalidade», no Boletim

Na edição de Junho de 2021 do Boletim UFARS (União das Freguesias de Alverca do Ribatejo e do Sobralinho) e na página 11, está o meu (breve) texto (mais apelo do que crónica) «Voltemos» (embora sem indicação do título). A colaboração aconteceu na sequência da inauguração do memorial às vítimas do acidente ferroviário de 1986 na Póvoa de Santa Iria e resultou de um convite daquela autarquia.
Transcrevo: «Quem vive na minha freguesia e no meu concelho decerto tem os mesmos objectivos, as mesmas esperanças, que eu e todas as outras pessoas no resto do país e até no Mundo: que, rapidamente, se volte ao normal que existia antes da pandemia, e não a um suposto «novo normal», que não se sabe muito bem, exactamente, o que seria, mas que muito provável e infelizmente implicaria a continuação de – injustificáveis – restrições a todas as nossas liberdades, de circulação, associação e até de expressão, liberdades essas que era de esperar que o 25 de Abril de 1974 tivesse trazido e a Constituição de 1976 consagrado. A aplicação cada vez mais generalizada de vacinas contra o Covid-19 – e sempre dando primazia aos segmentos mais vulneráveis da população, isto é, a idosos e a doentes crónicos – torna em simultâneo cada vez menos aceitável que se continue a viver com medo e até com terror. Que voltemos a sentar-nos onde queremos – em bancos de jardins, igrejas e estádios de futebol. Que voltemos a comprar bebidas alcóolicas depois das 20 horas (e isto dito por alguém que é um raro consumidor daquelas). Que voltemos a frequentar, por já estarem enfim reabertas e totalmente, espera-se, operacionais – porque muitas entretanto fecharam definitivamente as portas – as pequenas e médias lojas do comércio tradicional, porque não são só as grandes superfícies (que não têm, ou não deveriam ter, mais direitos do que as outras) que merecem fazer negócio e evitarem a falência e os despedimentos. E que voltemos a andar, tanto no exterior como no(s) interior(es) (incluindo, aqui, dentro dos automóveis), sem máscaras – é fundamental não apenas (re)vermos os rostos uns dos outros mas também respirarmos à vontade.»
Este texto constitui também como que uma continuação do meu artigo «Desmascarar os déspotas», publicado pel’O Diabo no passado mês de Abril. E, infelizmente, os déspotas – em Portugal e não só – continuam a querer impôr restrições inadmissíveis e mesmo ilegais aos direitos e liberdades fundamentais – em especial de expressão, circulação e associação – dos cidadãos. Entretanto, o lema «meu corpo, minha escolha» já não parece ser tão enaltecido como antes.

segunda-feira, julho 05, 2021

Ocorrência: Se ainda fosse vivo...

 … António de Macedo completaria hoje, 5 de Julho de 2021, 90 anos de idade. Porém, infelizmente, não é, tendo nos deixado a 5 de Outubro de 2017… mas apenas fisicamente. Porque mentalmente, espiritualmente, nas memórias dos que tiveram o privilégio de o conhecer pessoalmente e de com ele conviver, continua bem presente. Curiosa e algo melancolicamente, em 2016, que eu considerei ter sido como que «O ano de António», também pela sua inesquecível – para todos os que, como eu, a testemunharam - participação no MoteLx, havia ainda talvez como que uma ténue esperança de que mais maravilhas, e durante mais tempo, iríamos receber dele; de que, depois dos seus 85º e 86º aniversários, bastantes outros teríamos a possibilidade de festejar. Pelo que, agora, pode-se matar as saudades lendo os seus livros, dos quais há que destacar «Lovesenda, ou o Enigma das Oito Portas de Cristal», o seu grande e último romance, também a sua derradeira obra a ser publicada ainda com ele partilhando connosco este nível de existência. Também é possível recordá-lo voltando a vê-lo e ouvi-lo em apresentações, conversas, debates, entrevistas, intervenções diversas, das quais existem felizmente vários registos. E, enfim, e sem dúvida o mais importante, há que evocá-lo – e invocá-lo – (re)vendo os seus filmes, que merecem sem dúvida uma maior e melhor divulgação do que ocasionais, raras, exibições na Cinemateca Portuguesa e na Rádio e Televisão de Portugal. Seria óptimo, pois, que aquando da celebração do centésimo aniversário do seu nascimento – ou até, de preferência, mais cedo – estivesse já disponível em disco (DVD e/ou Blu-Ray) a sua filmografia, se possível em versões restauradas e com materiais adicionais. (Também no MILhafre e no Simetria.)

terça-feira, junho 22, 2021

Observação: Prescrições menos fictícias

Uma vez mais, escrevo sobre Mariano Martín Rodríguez, espanhol, tradutor, filólogo, investigador em literatura com «especialização» em ficção cientifica e fantástico, e, neste género, com particular atenção aos autores de línguas latinas, contemporâneos ou nem tanto. Com ele primeiro estabeleci contacto em 2013 – na verdade, ele é que me contactou, por correio electrónico – e no ano seguinte eu e outras figuras da FC & F nacional conhecemo-lo pessoalmente aquando de uma visita dele a Lisboa. Em Janeiro último divulguei novamente o seu trabalho, mais concretamente traduções e análises de textos ais ou menos conhecidos de Teófilo Braga, Raul Brandão e Eça de Queiroz…
… E agora o motivo para o mencionar volta a ser, como há oito anos, o meu livro «Visões» e, mais precisamente, um dos contos que o integra, «Decreto-Lei Nº 54»: ambos foram citados – e divulgo-o com «algum» atraso, pelo que me «penitencio» ;-) – por Mariano Martín Rodríguez no seu artigo «Discurso prescritivo, ficção literária e cacotopia – “A Hora da Verdade” de Santiago Eximeno, no seu contexto genérico», publicado em 2015 no Nº 24 da revista (da Associação Espanhola de Semiótica) Signa. Na página 429 pode ler-se: «Todos os textos prescritivos fictícios recentes de que temos notícia se podem classificar na ampla categoría da literatura projectiva, salvo talvez o intitulado “DecretoLei n.º 54” (en Visões, 2003), de Octávio dos Santos, em que um Estado não localizado geográfica nem cronologicamente e implicitamente cacotópico cria um imaginário “Instituto de Apoio ao Suicídio” (Santos 2003: 53) con matizes sarcásticas e inclusivamente absurdas.» O certo é que, desde que soube da existência de MMR e dos estudos que desenvolve, passei a estar (ainda mais) atento a qualquer exemplo de fictoprescrição (já tinha, mesmo que inconscientemente, uma noção do que era antes de apreender o termo) que eventualmente encontre. E, no período de um ano, encontrei dois exemplos, ambos não em livros ou em revistas literárias mas sim, curiosamente, em blogs, portugueses, de âmbito abrangente e que não costumam ter a FC & F como tema.
Um é de Abril deste ano e está no Blasfémias. Escrito por Vítor Cunha, intitula-se «Dizem que é o futuro»: «Extracto do Despacho nº 1/2021 da República Portuguesa dos Bananas. A crise demográfica que vivemos apresenta-se como um problema sério, quer para a sobrevivência da cultura de vítima que cultivamos desde pelo menos o Marquês de Pombal, quer para a sustentabilidade da segurança social num ambiente de pandemias sucessivas em que importa reforçar o sistema hospitalar com algumas cenas importantes, como ventiladores encaixotados. (…) 3 – É decretada a requisição temporária, por motivos de urgência e interesse público e nacional, (d)a totalidade dos contribuintes dependentes do sexo feminino, género indiferente, com peso entre 45 e 65 kg. 4 – Todas (e todos) serão sujeitos a teste de verificação de virgindade, sendo aptas (e aptos) para o serviço de repovoação de contribuintes todas (e todos) aquelas (e aqueles) que não apresentarem mácula indicadora de violação do dever geral de confinamento. 5 – A requisição é válida enquanto a declaração de situação de calamidade demográfica for aplicável ao território nacional. 6 – Compete aos contribuintes que mantêm estas (e estes) virgens assegurar a sua alimentação durante o período de salvação nacional. Roupa não é necessária, que até está quentinho. 7 – A cada virgem será cobrada uma taxa pelo privilégio de contribuir para a causa nacional.»
O outro é de Maio do ano passado e está no Corta-Fitas – mas só o início, porque a versão integral está no Observador. Escrito por José Mendonça da Cruz, intitula-se «Regulamento nacional e socialista para o usufruto das praias»: «As praias marítimas e fluviais são parcelas valiosas do património comum, pelo que a sua fruição não deve ser deixada ao capricho privado e às forças selvagens do mercado, antes deve obedecer a regras determinadas pelo poder político socialmente legitimado e segundo políticas de garantia de uma praia para as pessoas. É no pleno entendimento destes princípios e a fim de assegurar a boa utilização balnear e uma gestão adequada dos tempos livres por parte dos cidadãos que se determina o seguinte…» Deste dei conhecimento a Mariano Martín Rodríguez em mensagem que lhe enviei no mesmo dia da publicação do post de JMC, e na qual, depois de expressar votos de que ele estivesse «bem, seguro, a salvo deste vírus, desta pandemia que parece ter tornado as nossas vidas ”normais” em cenários de autêntica distopia», lhe revelei o motivo do contacto: «ter encontrado o que se me afigura ser mais um exemplo de um tema muito interessante que o Mariano estudou, a “fictoprescrição”. Ao contrário do meu “Decreto-Lei Nº 54”, o texto de que lhe deixo a hiperligação em baixo não é um conto, não se assume como uma obra literária, mas é sim um artigo de opinião marcadamente satírico, e em que o aparente exagero não estará tão distante do que várias autoridades anunciaram que vão talvez fazer.» MMR respondeu-me afirmando: «Com efeito, o texto enviado não é ficcional, e temo que prontamente será legislação verdadeira, considerando o prazer que têm os nossos governantes sabendo que o medo do lobo faz com que renunciemos como ovelhas aos nossos direitos e liberdade, de maneira que podem levar-nos ao matadouro da ruína económica sem que nos queixemos.» Difícil não lhe dar razão atendendo ao que aconteceu nos 12 meses que entretanto decorreram. (Também no Simetria.)

quinta-feira, maio 06, 2021

Ocorrência: 35 anos depois, a homenagem

Ontem, 5 de Maio de 2021, exactamente 35 anos depois do acidente ferroviário ocorrido na estação de Póvoa de Santa Iria, sete das 18 vítimas mortais foram homenageadas através do descerramento de uma placa toponímica e de um memorial colocados junto à estação ferroviária de Alverca do Ribatejo, cujo largo adjacente passou a designar-se, precisamente, 5 de Maio de 1986; por sua vez, o memorial tem inscritos os nomes daquelas sete vítimas, todas elas jovens estudantes em escolas secundárias e universitárias de Lisboa que então residiam em Alverca do Ribatejo. A iniciativa foi da Junta de Freguesia daquela cidade, e a cerimónia teve a participação e a intervenção, entre outros, do respectivo presidente, Carlos Gonçalves, do presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, de elementos da associação cultural Inestética, e de um dos sobreviventes do acidente, o meu amigo Luís Lamancha…
… Que leu um poema da sua autoria alusivo à tragédia perante uma plateia onde se encontravam presentes outros sobreviventes e ainda familiares e amigos daqueles e das vítimas – não só as mortais, pois há que não esquecer nunca que o acidente causou também mais de 80 feridos. Porém, continua por se fazer uma homenagem geral, nacional, a todas essas vítimas, e para isso o local lógico, adequado, é a estação ferroviária da Póvoa de Santa Iria, que há muito tempo já deveria ter erigido o seu próprio monumento. Enquanto isso não acontece (quanto anos mais teremos de esperar? Talvez até 2036, quando se assinalar o 50º aniversário?), pode-se e deve-se ler, ver e ouvir evocações do acidente, como esta em 2016 (30º aniversário), esta em 2011 (25º) e esta em 2006 – 20º, em que divulguei aqui no Octanas um texto que escrevi e publiquei na edição de Junho de 1986 do Notícias de Alverca, jornal no qual era então chefe de redacção, e que incluiria no meu livro «Um Novo Portugal», editado em 2012.

sexta-feira, abril 30, 2021

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2021

A literatura: «Alix - O Túmulo Etrusco» e «(...) - O Príncipe do Nilo», Jacques Martin; «Cavaleiro Ardente - O Príncipe Negro» e «(...) - Os Lobos de Rougecogne», François Craenhals; «Blueberry - Cara de Anjo» e «(...) - Nariz Partido», Jean-Michel Charlier e Jean Giraud; «Corto Maltese - A Balada do Mar Salgado», Hugo Pratt; «A Batalha de Inglaterra - Furacão Sobre a Mancha» e «Fortalezas Voadoras», Pierre Dupuis; «O Joker - 80 Anos do Príncipe Palhaço do Crime», Dennis O'Neil, Jim Starlin, Paul Dini, Bob Kane, Walt Simonson, Bill Finger, e outros (Erika Rothberg, org.); «Michel Vaillant - O Forçado das Galés», «(...) - Desapareceu um Piloto» e «(...) - O Desconhecido das Mil Pistas», Jean Graton; «A Nau» (com Eliseu Gouveia e Mariana Flores) e «Loophole» (com Fernando Lucas e Patrícia Furtado), Pedro Potier.           
A música: «Segredo», Amália Rodrigues; «Goats Head Soup», Rolling Stones; «Head Hunters», Herbie Hancock; «The Lamb Lies Down On Broadway», Genesis; «On Your Feet Or On Your Knees», Blue Oyster Cult; «Coro Dos Tribunais», José Afonso; «Paris», Supertramp; «Shut Up 'N Play Yer Guitar», Frank Zappa; «Nebraska», Bruce Springsteen; «Cais Das Colinas», Trovante; «We Are Chaos», Marilyn Manson; «The Arista Years», Grateful Dead; «Rockaria», Electric Light Orchestra; «Super Black Market Clash», Clash; «Toccata Und Fuge In D-Moll BWV 565», Johann Sebastian Bach (por Simon Preston); «Il Mondo Della Luna», Pedro António Avondano (por Carla Caramujo, Carla Simões, Fernando Guimarães, João Fernandes, João Pedro Cabral, Luís Rodrigues e Susana Gaspar, com os Músicos do Tejo dirigidos por Marcos Magalhães). 
O cinema: «Snu», Patrícia Sequeira; «Vício Inerente», Paul Thomas Anderson; «Quando és Estranho», Tom DiCillo; «Escola do Rock», Richard Linklater; «Nove», Rob Marshall; «A Voz da Lua», Federico Fellini; «Pontapé-no-Rabo 2», Jeff Wadlow; «Os Cavalheiros», Guy Ritchie; «Tenet», Christopher Nolan; «Equilíbrio», Kurt Wimmer; «Mosquito», João Nuno Pinto; «A Fazedora de Vestidos», Jocelyn Moorhouse; «Trumbo», Jay Roach; «Desafio», Edward Zwick; «Serena», Susanne Bier; «Adama», Simon Rouby; «O Farol», Robert Eggers; «A Conspiradora», Robert Redford; «Victor Frankenstein», Paul McGuigan; «Drácula não Dito», Gary Shore; «A Flor das Mil e Uma Noites», Pier Paolo Pasolini; «As Aventuras do Barão Munchausen», Terry Gilliam; «Conto de Inverno», Akiva Goldsman; «Pixels», Chris Columbus; «Homens de Negro - Internacional», F. Gary Gray; «Filme da Ovelha Shaun», Mark Burton e Richard Starzak; «O Gajo do Cabo», Ben Stiller.               
E ainda...: Museu do Neo-Realismo - exposição «Júlio Pomar - A obra gráfica numa colecção privada» + mostra «Homenagem a Bernardo Santareno»; Instituto Realitas - Diálogo com Manuel Curado (parte 1, parte 2); «Chemtrails Over The Country Club», (vídeo musical de) Lana Del Rey; Outrun/The Milk Crate Club - «Os Corredores que Pararam o Mundo», (documentário de) Al Clark; Canal História - (documentário) «Os Carros que Fizeram o Mundo» + (documentário) «Patriotas Negros - Heróis da Revolução»+ (documentário) «Rodas Quentes e Carros Musculados»; The New York Times Presents - (documentário) «Enquadrando Britney Spears»; Museu Municipal de Vila Franca de Xira - exposição «Memórias do Oculista Nunes»; ITV - (documentário) «Sob Cobertura - Dentro do Gulag Digital Chinês», Robin Barnwell; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Os livros de Luís Teixeira - Jurista, humanista e preceptor de D. João III» + exposição «Atlas Suzanne Daveau»; FNAC/The Argentic - exposição de fotografias de Campiso Rocha e de Mário Galiano «Contrastes - Memórias pessoais e transmissíveis» (Chiado).      

sexta-feira, abril 16, 2021

Orientação: Sobre máscaras, n'O Diabo

Na edição de hoje (Nº 2311) do jornal (semanal) O Diabo, e na página 14, está o meu artigo «Desmascarar os déspotas». Um excerto: «No início, quando pouco se sabia sobre a doença, justificava-se alguma tolerância para com os erros dos políticos ao lidar com aquela. Mas agora, mais de um ano depois, não: já se sabe quais são as suas principais características, como se propaga, quem são os indivíduos mais vulneráveis (idosos, doentes crónicos e graves). E a resposta oficial em Portugal expôs novamente a estupidez e a incompetência que já se conheciam anteriormente, patente em tantas situações num passado próximo, em especial ocorrências trágicas como os incêndios em Pedrógão Grande em 2017. Quando as pessoas ocupam cargos importantes, posições de responsabilidade, não pela sua capacidade ou pelo seu mérito mas sim por terem o cartão partidário certo e/ou por serem parentes ou amigos de ministros e de secretários de Estado, é muito provável que não estarão à altura dos acontecimentos quando surgirem crises efectivamente graves e excepcionais.» (Também no MILhafre e no Obamatório.)

sexta-feira, março 26, 2021

Observação: Revisionismo discrimino-censório

No início desta semana que agora termina, e em dias consecutivos, duas pessoas que podem ser colocadas (eu coloco-as) entre os mais destacados «bloguistas» portugueses publicaram «postas» sobre o que é, praticamente, o mesmo tema: as consequências do que vamos designar de um extremo revisionismo dicrimino-censório – versão mais recente e demente do já de si duradouro e detestável «politicamente correcto» - na literatura mundial e até no mercado literário português e nos autores nacionais, revisionismo esse que tem origem em muitas universidades dos Estados Unidos da América, e que a partir daí «contaminou» bastantes – demasiado(a)s) – indivíduos e instituições (incluindo empresas privadas), não só naquele país mas também noutros.
A 21 de Março, no Malomil e em texto intitulado «A traição dos intelectuais», António de Araújo aborda as controvérsias decorrentes da tradução do primeiro livro daquela que é supostamente a mais jovem vedeta das letras norte-americanas: «(…) Porque é que Amanda Gorman e os seus agentes levantaram objecções a que a sua poesia fosse traduzida para catalão por um branco, Victor Obiols, mas não objectaram a que fosse traduzido para espanhol por uma branca, Nuria Barrios, dita “sem historial activista”? Porque é que só agora, à boleia desta nova polémica, é que Grada Kilomba vem questionar e criticar a tradução para português do seu livro, “Memórias da Plantação”, feita por um homem branco, Nuno Quintas, e nada disse nem objectou quando essa tradução foi feita, em 2019? (…) Que características de um determinado autor devem ser valorizadas na escolha do seu tradutor? No caso de Amanda Gorman, vemos apontadas as seguintes características: “jovem”, “mulher”, “negra”, “filha de mãe solteira”. Dessas, qual a decisiva na escolha do tradutor? Apenas uma, a etnia? Todas? Porque não o facto de ser mulher? Ou jovem? Ou filha de mãe solteira? Com que legitimidade se erige a etnia em detrimento do género, por exemplo? Se escolhemos a etnia como ponto decisivo do “lugar da fala”, isto significa que apenas negros podem traduzir negros e brancos podem traduzir brancos? Se sim, porquê? Se não, porquê? Porque é que a etnia de um tradutor lhe confere especiais qualificações para o seu ofício? Isso não será racismo, no fim de contas? (…) Quem pode traduzir Amanda Gorman? Uma homem de meia-idade pode fazê-lo? Ou apenas Amanda Gorman pode traduzir-se a si própria? Um homem pode traduzir literatura feminista? Um heterossexual pode traduzir escritos gay? Um agnóstico pode dar voz à “Bíblia”? E quem pode traduzir os clássicos, Aristóteles ou Platão, Joyce ou T. S. Eliot? Um judeu não pode traduzir “Mein Kampf”? Ou, pelo contrário, só um judeu pode fazê-lo? Não haverá aqui o risco, mais do que evidente, de se criarem novos casulos e barreiras, contrariando a essência própria, universalista, dialogante, do acto de traduzir? (…)»
A 22 de Março, no Horas Extraordinárias e em texto intitulado «Estupidez», Maria do Rosário Pedreira aborda a – inesperada – dificuldade em conseguir editar nos EUA um (por ela não identificado) escritor nacional: «Disse-se ao longo de mais de uma centena de anos que a América era a terra das oportunidades; infelizmente, passou a ser a terra da oportunidade de ficar calado, pois não se pode agora falar de nada sem que todas as nossas palavras, por mais inocentes que sejam, acabem julgadas da pior maneira. Recentemente soube que recusaram a obra de um autor português com um relatório em que, antes de mais nada, o descreviam como muitíssimo talentoso; mas esse talento era secundário para a editora norte-americana que decidiu não o publicar porque um dos romances falava de forma muito directa de um tema que, para a imprensa norte-americana, era muito sensível (a deficiência); e o outro tinha, entre as suas personagens, uma transsexual (mas, como o autor não o é, certamente iria ser acusado de falar do que não sabe; ainda pensaram pedir um segundo relatório de leitura a alguém da comunidade LGBT lá do sítio, mas não encontraram nenhum trans que lesse português). (…) É uma outra forma de preconceito que em nada ajuda as minorias, fingindo que as protege. Se os autores não podem falar do que não sentiram na pele, não é isso uma negação da imaginação? (…)»
Nestes seus textos tanto António de Araújo como Maria do Rosário Pedreira colocam questões pertinentes, resultantes também do que parece ser genuína supresa e até indignação perante o que acontece – no âmbito cultural, pelo menos – no outro lado do Atlântico. Porém, ambos não podem alegar que não foram avisados, e nomeadamente por mim, sobre as mais do que prováveis e previsíveis consequências de a pérfida perversão, atentatória dos mais bons e básicos valores civilizacionais, inerente à esquerda norte-americana e núcleo perene do Partido Democrata se expandir e se consolidar, talvez e infelizmente de uma forma permanente. Recordo que o actual consultor da Presidência da República me «convidou» a deixar de comentar no Malomil depois de eu ter respondido, discordando (com factos), a alguns posts em que criticava Donald Trump; e que a actual editora da Leya não pareceu ter reconhecido o erro que cometeu ao elogiar uma bibliotecária luso-descendente de Boston que rejeitou livros oferecidos por Melania Trump, e, na prática, ofendeu a primeira-dama… e no meu comentário já alertava para o perigo de a proibição de certas obras e artistas por parte dos novos «inquisidores» se tornar uma rotina – e o certo é que, menos de quatro anos depois, são (alguns d)os de Theodor «Dr. Seuss» Geisel, que Liz Soeiro desprezou, que estão entre os primeiros (porque, sim, há outros) a serem «apagados» na vigência do regime que foi instaurado a 20 de Janeiro passado numa Washington pejada de soldados e de barreiras com arame farpado.    
No entanto, nestes seus textos António de Araújo e Maria do Rosário Pedreira dão igualmente mostras de uma surpreendente ingenuidade… ou de algo pior. Ele também pergunta: «Como é possível conciliar este debate com o propósito de união anunciado no discurso da tomada de posse de Joe Biden, sem o qual poucos saberiam sequer quem é Amanda Gorman?» Obviamente, isso não é possível, porque os democratas não são nem nunca foram pela união e pela integração (racial e outras) mas sim pela secessão e pela segregação; e estar na Casa Branca um ilegítimo e xexé «chefe de Estado» é uma garantia de que vai continuar a invasão por imigrantes ilegais, a perseguição policial e judicial de opositores políticos e a promoção de campanhas de menorização (ou seja, de discriminação e mesmo de ódio) contra brancos, além de que se irá tentar proceder ao desarmamento da sociedade civil e a «purgas» ideológicas nas forças armadas – tudo acções que provavelmente levarão, não à unidade, mas à implosão do país, quiçá até a uma nova guerra civil; quando alguém que tem uma licenciatura em Direito e um doutoramento em História, e com actividades importantes e influentes, e que apesar disso revela não ter um conhecimento suficiente de factos fulcrais relativos aos EUA, é de duvidar da qualidade dos conselhos políticos que dá no Palácio de Belém. Ela também pergunta: «Então hoje para uma editora o talento é menos importante do que o assunto de um romance? E um agente cultural como uma editora mete o rabo entre as pernas, recusa-se a arriscar e abdica de mudar mentalidades mesmo quando diz que o autor tem muito talento?» A verdade é que – e sei-o por experiência própria – MRP já se recusou a arriscar por causa do assunto de um romance e não ponderou devidamente o talento do respectivo autor; todavia, é elementar e da mais básica justiça reconhecer que, neste aspecto, ela está longe de ser um caso único.
Ainda sobre o texto citado do Horas Extraordinárias, é quase certo que o autor nele mencionado é Afonso Reis Cabral, trineto de José Maria Eça de Queiroz. E este, curiosamente, tornou-se igualmente uma «vítima» do revisionismo PC devido a alegados «preconceitos raciais» existentes n’«Os Maias», que foram primeiro «denunciados» por uma «investigadora» que estudou… nos EUA. Ela será certamente bem vinda se quiser participar no segundo congresso – por mim proposto, e organizado pelo Movimento Internacional Lusófono – sobre EdQ, que deverá decorrer no próximo mês de Outubro e que terá como temas os 150 anos da publicação de «O Mistério da Estrada de Sintra», da realização das Conferências do Casino e do início da edição d’«As Farpas». Imagine-se o que ele teria dito e escrito sobre estes novos «puritanos» da treta! (Também no Obamatório.

sábado, fevereiro 13, 2021

Outras: Casas listadas para serem contactadas

Enviei ontem a João Português, Presidente da Câmara Municipal de Cuba, e ainda para outras pessoas daquele municipio, para a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, para a Associação Cultural Fialho de Almeida e para (um membro da Direcção d)a Associação Portuguesa de Escritores uma mensagem de correio electrónico contendo, em ficheiro anexo, um documento com uma lista elaborada por mim das casas de escritores de língua portuguesa actualmente existentes, abertas ao público e com evidente (mesmo que mínima) actividade cultural. Esta lista pretende ser o ponto de partida do início da formação da Rede de Casas de Escritores de Língua Portuguesa, um projecto que delineei em Outubro de 2019 e cuja liderança eu e o Movimento Internacional Lusófono oferecemos à CMC através do Museu Literário Casa Fialho de Almeida. Após mais de um ano de espera, a 5 de Janeiro último aquele autarca alentejano finalmente respondeu-me, e positivamente.   
A lista inclui uma casa em Angola, oito no Brasil e quase 30 em Portugal, mas, como é óbvio, não se pretende que seja definitiva, não só porque podem existir casas que eu não encontrei durante a minha pesquisa mas também porque existem outras – tomei conhecimento de pelo menos três (duas no nosso país, uma no país irmão) – em (avançado) processo de concretização. Evidentemente, e como seria de esperar, várias épocas e diversos estilos literários têm «representação» na lista. Por exemplo(s): o século XVIII, dito o das «Luzes», conta com a casa em Setúbal onde nasceu Manuel Maria Barbosa du Bocage; os anos de Oitocentos destacam-se, inevitavelmente, por José Maria Eça de Queiroz – através da quinta em Tormes que é a sede da fundação com o seu nome – e ainda por contemporâneos como Júlio Dinis, Antero de Quental e Sousa Martins; e, previsivelmente, o século XX é o que dispõe da maior «representação», tanto em Portugal como no Brasil, devido a nomes como José Régio, José Saramago, Erico Veríssimo e Jorge Amado. (Também no MILhafre, no Ópera do Tejo e no Queiroz150.) (Referência no Horas Extraordinárias.

quinta-feira, janeiro 14, 2021

Outros: «Pequenos monstros»

Em artigo publicado hoje no (sítio na Internet do) jornal Público, intitulado «O ocaso das consoantes e a felicidade dos jovens», o jornalista Nuno Pacheco, vencedor em 2018 do Prémio de Jornalismo Cultural atribuído pela SPA e autor do livro «Acordo Ortográfico – Um Beco com Saída», publicado em 2019 pela Gradiva, faz referência a mim e a um artigo que publiquei naquele jornal: «A tal “assimilação” rápida das “novas regras” produz todos os dias pequenos monstros, obrigando-nos a ler coisas como “otogonal”, “inato” (por inapto, que inato é outra coisa!), “impato”, “etoplasma”, “adeto”, “ocipital”, “inteletual”, “ocional”, “eucalito”, “rétil”, “elítico” e até “arimética”. Esta colheita é recente e pode juntar-se à da minha crónica anterior. Mas é curioso que já em 2015, no Público, o jornalista e escritor Octávio dos Santos (num artigo intitulado “Apocalise abruto”) mencionava dezenas de disparates deste calibre, coligidos em documentos oficiais, institucionais ou na imprensa, por especialistas atentos.» Recordo que, em Junho do ano passado, Nuno Pacheco havia referenciado, noutro seu artigo, dois meus. (Também no MILhafre.)