Já existe, no sítio na Internet do Público, a minha «página de autor» própria, que reúne (quase todos) os
artigos que escrevi para aquele jornal e que por ele foram publicados, tanto
electronicamente como também em papel (a maioria até agora), e dos quais eu fui
dando notícia no Octanas desde 2005 – o mais recente é «Cidadãos ou cobaias?». Uma
ligação permanente para essa página passa a estar igualmente disponível aqui no
blog, à esquerda, no espaço «Outras obras individuais e colectivas».
domingo, janeiro 22, 2017
terça-feira, janeiro 10, 2017
Observação: Nunca me arrependi
O falecimento, no passado dia 7 de Janeiro, de Mário Soares, em Lisboa, no Hospital da Cruz Vermelha,
onde estava internado desde 13 de Dezembro, motivou, como seria de
esperar, uma avalanche avassaladora de declarações, elogios e elegias,
homenagens, memórias, recordações, reminiscências e retrospectivas. Apesar de
nunca ter tido a oportunidade de o conhecer pessoalmente, ao contrário, por exemplo, do meu amigo Rui Paulo Almas, em 1991, enquanto membro da Direcção da Associação
Académica de Lisboa, o ex-secretário geral do PS e ex-primeiro-ministro não
deixou de ter impacto também na minha vida…
… E isso aconteceu na
qualidade de presidente da república. A eleição de 1986 representou para mim, e provavelmente para muitas outras pessoas, um importante ponto de viragem… porque começou
aí o meu afastamento em relação ao Partido Comunista Português, a que estava
ligado através da militância na Juventude Comunista Portuguesa: não compreendi
e não concordei com o apoio dado a Francisco Salgado Zenha, e dei o meu voto,
na primeira volta, a Maria de Lurdes Pintassilgo, ao contrário de vários
«camaradas» meus de então que, apesar de terem simpatia pela
ex-primeira-ministra, não deixaram de obedecer ao Comité Central… Pelo que, na
segunda volta, me custou muito menos votar no tão vilipendiado «Bochechas»,
contra Diogo Freitas do Amaral. Um acto tão simples que, porém, foi como que um
respirar de alívio, um «fazer as pazes»: o triunfo do marido de Maria Barroso –
e é sempre de lembrar esta mulher notável, que faleceu em 2015 – constituiu como
que um momento de distensão num país que, nos 12 anos anteriores, desde 25 de
Abril de 1974, vinha acumulando antipatias e confrontos, uns mais graves do que
outros. A campanha eleitoral foi empolgante, até excitante, como não acontecera
antes e não voltou a acontecer depois.
A seguir a tomar posse,
Mário Soares comportou-se no entanto de forma exemplar, diria que quase irrepreensível
– é verdade que do Palácio de Belém foram lançadas regularmente algumas
«farpas» a Aníbal Cavaco Silva, o que a mim não causava desagrado, pois ontem
não tinha e hoje não tenho qualquer respeito pelo boliqueimense, que nunca
recebeu o meu voto, nem como candidato a primeiro-ministro, nem como candidato a
presidente da república: a actuação de «Gigi» (a alcunha de infância revelada
por Mário Moniz Pereira) foi caracterizada por uma considerável abrangência,
política, social e cultural; as suas viagens por Portugal, várias vezes sob a
forma de – inovadoras - «presidências abertas», eram invariavelmente ocasiões
de confraternização e mesmo de alegria popular; as viagens ao estrangeiro contribuíram
decisivamente para começar a desvanecer a imagem do nosso país como um local
atrasado, empoeirado, saudosista e soturno, e a integração europeia não impediu
a (re)descoberta de outras conexões geográficas e geoestratégicas, delas se
destacando a que resultou de uma memorável visita à Índia – surgiu mesmo a anedota sobre qual era
a diferença entre Deus e Soares… um estava em todo o lado e o outro já lá tinha
estado!
Na (re)eleição seguinte,
ele voltou a vencer, desta vez facilmente, contra Basílio Horta. Não precisava
do meu voto, mas eu entendi que ele o merecia – foi a minha forma de lhe dizer
«obrigado», de agradecer (antecipadamente) a um republicano, socialista e laico me ter ajudado a
tornar-me (ou a assumir-me como) um monárquico, conservador e cristão. Nunca me arrependi das duas vezes que desenhei um «x» à frente da sua
fotografia – ao contrário do que aconteceu (por uma vez) com o seu sucessor. E é
por isso que hoje, em que foi sepultado após um funeral de Estado, câmara ardente
no Mosteiro dos Jerónimos – onde em 1985 assinou a adesão de Portugal à Comunidade
Económica Europeia – e três dias de luto oficial, prefiro, não tanto esquecer, mas não evocar os aspectos menos agradáveis do seu percurso, desde a sua participação na (desastrada) descolonização à sua terceira (e fracassada) candidatura presidencial
em 2006, passando pelas revelações de Rui Mateus, a defesa que fez de José Sócrates e os cada vez mais infelizes (para não usar uma expressão
mais desagradável) artigos de opinião no Diário de Notícias. Prefiro
homenagear o opositor de António de Oliveira Salazar, o apoiante de Humberto
Delgado, o discípulo de Agostinho da Silva. (Também no MILhafre.)
sábado, dezembro 31, 2016
Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2016
A literatura: «Triunfos», Francesco Petrarca; «Dois Cavalheiros de Verona», «A queixa de um amante» e «O peregrino apaixonado», William Shakespeare; «Direitos do Homem», Thomas Paine; «Os Mil e Um Fantasmas», Alexandre Dumas; «História Universal da Infâmia» e «Ficções», Jorge Luís Borges; «A Engrenagem», Jean Paul Sartre; «História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar», Luís Sepúlveda; «SuperHomem/HomemMorcego - Melhores do Mundo», Dave Gibbons e Steve Rude.
A música: «Retrato», Rita Guerra; «Du Chant À La Une!», «Nº 2» e «L'Étonnant», Serge Gainsbourg; «Weasels Ripped My Flesh», «One Size Fits All», «Bongo Fury» (com Captain Beefheart) e «Sheik Yerbouti», Frank Zappa; «Greatest Hits», Demis Roussos; «Perfect Strangers», Deep Purple; «The Clash», Clash; «A Vida Secreta Das Máquinas», Rodrigo Leão; «Born To Run», Bruce Springsteen; «Music», Madonna; «The Last Tour On Earth» e «The Pale Emperor», Marilyn Manson; «I'm Your Man», Leonard Cohen; «One O'Clock Jump», Count Basie; «Eu Que Me Comovo Por Tudo E Por Nada», Vitorino; «Symphonie Fantastique» (pela Orquestra Sinfónica de Chicago dirigida por Claudio Abbado), Hector Berlioz.
O cinema: «Hansel e Gretel - Caçadores de Bruxas», Tommy Wirkola; «Fura-Casamentos», David Dobkin; «O Armário da Mágoa» e «Zero Escuro Trinta», Kathryn Bigelow; «O Segredo das Pedras Vivas», António de Macedo; «Espelho», Andrei Tarkovsky; «REP», Robert Schwentke; «Os Dispensáveis 2», Simon West; «Riddick», David Twohy; «Oz o Grande e Poderoso», Sam Raimi; «Sopra», Ted Demme; «Philomena», Stephen Frears; «Nós Somos os Miller», Rawson Marshall Thurber; «3.10 Para Yuma», James Mangold; «A Outra Mulher», Nick Cassavetes; «Recolha Total», Len Wiseman; «Inimigo», Denis Villeneuve; «O Lobo de Wall Street», Martin Scorsese; «A Purga», James DeMonaco; «Código-Fonte», Duncan Jones; «Elysium», Neill Blomkamp; «Um Método Perigoso», David Cronenberg; «Thérèse Desqueyroux», Claude Miller; «Cidade Escura», Alex Proyas; «Depois da Terra», M. Night Shyamalan; «Transcendência», Wally Pfister; «G. I. Joe - Retaliação», Jon M. Chu; «Sabotagem», David Ayer; «As Aventuras do Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes», Gene Wilder; «Oblívio», Joseph Kosinski; «Jack Reacher», Christopher McQuarrie; «Guerra Mundial Z», Marc Forster.
E ainda...: MoteLx 2016 - 10º Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa; ITV-País de Gales - «Roger Glover - Made In Wales»; «Nova Colecção Outono», (anúncio publicitário do) El Corte Inglés; «Love Without Violins», (vídeo musical dos) Gift; Biblioteca Nacional de Portugal - colóquio «Nos 350 Anos da Morte de D. Francisco Manuel de Melo» (organização IFLB/MIL) + exposição «"Lux Anima" - Um olhar sobre o acervo da Biblioteca de Évora» + exposição «Da "Feliz Lusitânia" à "Felix Belém" - 400 anos da fundação de Belém do Pará» + mostra «Delfim Santos - O filósofo do diálogo» + mostra «As mil e uma entradas no labirinto - Gottfried Wilhelm Leibniz» + mostra «Cervantes - A figura que se esconde por detrás da obra»; «A Apanhada» (primeira temporada), Helen Gregory e Jennifer Schuur; Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa - conferência internacional «Cidades Perdidas e Transformadas - Uma Perspectiva Digital»; «Ride 'Em On Down», (vídeo musical dos) Rolling Stones; «Convicção» (primeira temporada), Liz Friedlander e Liz Friedman; Fundação/Museu (do) Oriente - exposição «A Ópera Chinesa» + exposição «China hoje - A desafiar os limites» + exposição «Desorient Express - Dez peças em cerâmica de Bela Silva»; Câmara Municipal de VFX - Bienal de Fotografia 2016 de Vila Franca de Xira + exposição (no Museu Municipal) «Vila Franca de Xira, anos 40 a 50 do Século XX - Molduras de um Concelho».
domingo, dezembro 18, 2016
Orientação: Sobre cidadãos e cobaias, no Público
A partir de hoje, no sítio na Internet do jornal Público, está o meu artigo «Cidadãos ou cobaias?». Um excerto: «Em Portugal, e ao contrário de Angola e de Moçambique,
que se recusam – felizmente, e esperemos que definitivamente – a recuar no
tempo, a regredirem enquanto nações, esse novo “Estatuto do Indigenato” (...) (entrou) efectivamente (?) em vigor, por via da famigerada Resolução da
Assembleia da República Nº 35/2008, de 29 de Julho. Para a revogar, para a
repelir, para – literalmente – a rasgar, e, assim, as pessoas deste país
deixarem de ser peões de interesses que lhes são estranhos e/ou externos, de
serem cobaias em duvidosas “experiências filo(i)lógicas” dirigidas por
pervertidos protegidos pelo poder político, e porque não basta que Murade
Murargy dê a sua “autorização”, há que assinar e concluir a Iniciativa
Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico». (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53 e no ILCAO.))
quarta-feira, dezembro 07, 2016
Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 5)…
… Escritos e
publicados, desde Março último, nos seguintes blogs: Apartado 53 (um, dois,
três, quatro, cinco, seis, sete); Horas Extraordinárias (um, dois); Delito de
Opinião (um, dois, três, quatro, cinco, seis); Malomil; Corta-Fitas; Aventar;
Do Portugal Profundo. E que aborda(ra)m, entre outros subtemas: a «despromoção»
do Português no Vaticano; a arrogância (por avisar o presidente da República
para «cumprir a lei»), e também a cobardia (por se recusar a debater), por
parte de Malaca Casteleiro; as responsabilidades – e as culpas – de bastante editoras
na propagação do «acordo ortográfico de 1990», incluindo a reedição de antigas
colecções e de «obras clássicas» com ortografia alterada; o debate – e o dilema
– entre reformar ou eliminar o AO90; a incerteza quanto à verdadeira posição –
e a eventuais futuras acções – de Marcelo Rebelo de Sousa relativamente a este assunto; o insulto póstumo a Vasco Graça Moura feito pela Imprensa Nacional Casa
da Moeda; porque o Diário de Notícias já não merece estar na Avenida da
Liberdade; Francisco José Viegas e os «sovietes improvisados» da Escola Estatal
nacional.
sexta-feira, novembro 25, 2016
Ocorrência: «… Verney…» no «Delito…»
O blog Delito de Opinião,
através de Pedro Correia, apresentou como a sua «Sugestão: Um livro por dia» de hoje «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», obra
coordenada por mim, António Braz Teixeira e Renato Epifânio, e que contém os textos
das comunicações apresentadas no congresso com a mesma designação realizado em
2013 na Biblioteca Nacional de Portugal e no colóquio realizado em 2014 na
Universidade de Évora, a propósito e a pretexto dos 300 anos do nascimento do
autor de «Verdadeiro Método de Estudar». (Também no MILhafre.)
segunda-feira, novembro 21, 2016
Outros: Contra o AO90 (Parte 14)
«A criação de um discurso revisionista», «Os canibais» e «Pequeno tratado da anulação das almas», Olga Rodrigues; «… Porque o que anda por aí… é uma vergonhosa maneira de escrever…», «Um vírus altamente nocivo chamado AO90…», «Ninguém para o Acordo Ortográfico de 1990», «Terá o AO90 algo a ver com o “complexo de vira-lata” brasileiro?», «”Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira”», «A história do milagre da multiplicação da língua portuguesa depois do AO90» e
«Investigação sobre o AO90», Isabel A. Ferreira; «Tristes tretas», «Esperar para ver», «Intoxicação acordista “a contrario”», «”Palheta”», «”O Triunfo dos Porcos”» e «Viva», João Pedro Graça; «Reflexão do dia (uma, duas)», «Os proletários e a aristocracia do ornitorrinco ortográfico», «Os péssimos “contatos” do Conselho Económico e Social», «O país das duas ortografias», «Escritores discordam do “acordo”», «Injúria póstuma a Graça Moura» e «Quando a tolice se torna lei», Pedro Correia; «Santana Lopes ou ortografia sem dogmas», «Diga “expectativa”!», «”Contate hoje mesmo!”» e «Ana Paula Laborinho defende a morte das variantes do português», António Fernando Nabais; «Carta-Aberta ao Ministro da Educação» e «Persistir contra o Acordo Ortográfico de 90», Maria do Carmo
Vieira; «Inverter Pessoa», João André; «O ministro é sereno», «Espetadores flutuantes», «Falares há muitos, dizeres também», «O leite e a lata», «Dilema legendário», «Galiza? Venha ela», «Andamos ou andámos?», «Por umas letrinhas apenas» e «O Atlas, a língua e os seus delírios», Nuno Pacheco; «As elites bem falantes ou as noções básicas de democracia», Miguel Sousa Tavares; «A reversão mais valiosa para o futuro – acabar com o Acordo Ortográfico», José Pacheco Pereira; «Professor Martelo»,
João Pereira Coutinho; «Um amplo debate entre os países lusófonos?», «Marcelo Rebelo de Sousa e o Acordo Ortográfico de 1990», «História dos Fatos sociais e fator issues», «O Acordo Ortográfico de 1990 explicado por Dilma Rousseff», «À espera de Marcelo Rebelo de Sousa» e
«Contra o Orçamento de Estado para 2017», Francisco Miguel Valada; «Acordar mal», Luciano Amaral; «O Acordo e a linguiça», João Gonçalves; «O desacordo»,
Joana Petiz; «Aos alunos portugueses e ao actual ministro da Educação», António
Carlos Cortez; «Língua portuguesa – é a hora?», António Jacinto Pascoal; «A negligência na língua e na escrita é princípio da decadência dum país»,
Guilherme Valente; «Contra o acordo infame», António Guerreiro; «A roleta da língua», Ana Cristina Leonardo; «Vão-se catar», Luís Menezes Leitão; «Os inventores do indefensável AO», Teolinda Gersão; «Os falsos pressupostos do Acordo Ortográfico», Filipe Zau; «Redondo (des)acordo», José Antunes de Sousa; «A nova vida da ILC», «”A ortografia também é gente”», «Habeas Lingua», «Cidadania e Língua Portuguesa» e «No domínio da opinião», Rui Valente; «Carta aberta ao PR – O acordo ortográfico do nosso descontentamento», Maria Teresa Ramalho;
«Inconstitucionalidades da resolução Nº 8/2011 (AO90)», Francisco Rodrigues
Rocha e Ivo Miguel Barroso; «AO90, a fórmula do desastre» e «Tudo isto é português», Fernando Venâncio; «Uma exígua conceção de cidadania», João Santos; «O injustificável acordo orto(?)gráfico», Gastão
Cruz; «Juro que não é embirranço…», J. Manuel Cordeiro; «Carta aberta a um assassino da Alma Portuguesa», Pedro Barroso; «Porque sou fiel àquilo em que acredito» e «Muito obrigado à equipa da ILC», Luís de Matos; «As palavras e os(f)actos», Viriato Teles; «Curta vida ao AO é o que eu lhes desejo», Fernando
Proença; «Uma ilha à deriva», Diana Guerreiro; «Um acordo que nunca o foi, um estulto alvoroço, escusado», Hugo Pinto Santos. (Também no MILhafre.)
domingo, novembro 06, 2016
Ocorrência: «Descobriu-se» uma dissertação
Ainda a tempo da celebração
do décimo aniversário da edição de «Os Novos Descobrimentos», livro escrito por
mim e pelo meu amigo Luís Ferreira Lopes e editado pela Almedina em 2006, fica
a informação – na verdade, mais uma curiosidade – de que existe (pelo menos)
mais um trabalho académico, mais uma tese universitária, que cita aquela nossa
obra e a integra na sua bibliografia…
… E essa tese, mais
especificamente uma dissertação de doutoramento em Sociologia, tem por título
«A construção da comunidade lusófona a partir do antigo centro – Micro-comunidades e práticas da Lusofonia», e é da autoria de Cármen Liliana
Ferreira Maciel, que a apresentou e defendeu em 2010 na Faculdade de Ciências
Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. As menções a «Os Novos
Descobrimentos» estão nas páginas: 90 - «os jornalistas Luís Ferreira Lopes e
Octávio dos Santos que alegam que, como consequência da consolidação da
democracia e da (relativa) recuperação da economia, a produção cultural em língua
portuguesa regista agora “uma nova dinâmica, em especial na literatura e na
música. Começa-se – finalmente – a falar da guerra colonial”»; 122-123 – «Luís
Ferreira Lopes e Octávio dos Santos (2006), ambos cientistas sociais e
jornalistas, que acompanham o evoluir das relações entre o antigo centro e as
ex-periferias, argumentam que a ideia de tal comunidade nasce do sonho de
pensadores como Agostinho da Silva ou Gilberto Freyre e seus herdeiros
culturais, para amadurecer no pensamento de homens como António de Spínola
(autor de “Portugal e o Futuro”, de 1974) ou Joaquim Barradas de Carvalho
(autor de “Rumo de Portugal”, também de 1974)»…
… E na página 344 através
de uma dupla referência na lista das obras consultadas para o trabalho. Porém,
numa delas o meu nome aparece como sendo… «Octácios»! Mais uma demonstração das
continuadas (e intrigantes) dificuldades que aquele continua a suscitar junto
de várias pessoas… e mais uma «variante» onomástica a juntar à «lista».
sexta-feira, outubro 28, 2016
Opinião: Sobre «Q», na Nova Águia
A mais
recente edição da revista Nova Águia (Nº 18, correspondente ao segundo semestre de 2016), que teve a sua primeira apresentação no passado dia 21 de Outubro n(o auditório d)a Biblioteca Nacional de Portugal, inclui, na página 268, uma recensão ao meu livro «Q – Poemas de uma Quimera» - editado no ano passado pelo
Movimento Internacional Lusófono – escrita por Mendo Castro Henriques…
… Da qual
transcrevo alguns excertos: «Um
livro intrigado com um título intrigante, foi o que escreveu Octávio dos
Santos. Intrigado, porque nele se descobre uma admiração sem fim pela pátria
portuguesa, a par de uma crescente perplexidade e angústia perante a sua
conjuntural situação. (…)
Vai repartindo o seu amor e
as suas dúvidas sobre um certo Portugal que se perfila entre tipos humanos,
paisagens, situações e expectativas. (…)
Retrata ou espreita avidamente a vida a
acontecer, túrgida de emoções, mas sem imediato sentido, a que só a breve
composição poética restitui significado num envelope literário que exprime um
pensamento principal. (…)
Octávio dos Santos ama o passado português. E
quanto mais nele se revê, mais intrigado está com o futuro que surge ora
cinzento, ora ameaçador, ora medíocre, ora negro.»
Relembro e realço que «Q –
Poemas de uma Quimera» não se encontra à venda nas livrarias, podendo ser
adquirido apenas através do MIL, quer por correio quer nos eventos que o
Movimento regularmente realiza um pouco por todo o país. (Também no MILhafre.)
quinta-feira, outubro 20, 2016
Obituário: J. M. Paquete de Oliveira
Faleceu no passado
dia 11 de Junho, e, se fosse vivo, completaria hoje 80 anos. É por isso
que escolhi esta data para uma breve, mas sentida, evocação de, e homenagem a,
José Manuel Paquete de Oliveira…
… Que foi um dos dois professores (entre aqueles que me deram aulas em escolas) que mais importância e influência exerceram na
minha vida pessoal e profissional. No Instituto Superior de Ciências do
Trabalho e da Empresa tive-o não só como docente de Sociologia da Comunicação –
primeiro na disciplina de introdução àquela, depois no seminário
(especialização) da mesma e última fase da licenciatura, que incluiu a
elaboração e a defesa de uma tese específica – mas também como colega no
Conselho Directivo e em duas assembleias escolares, em anos decisivos para a
expansão e o fortalecimento do ISCTE enquanto estabelecimento de ensino moderno
e de referência em Portugal. Com ele confirmei a minha vocação… para a
comunicação, precisamente, apesar de, durante algum tempo, me ter convencido
que aquela seria concretizada na publicidade; e, de facto, realizei o estágio
(por ele conseguido depois de insistência da minha parte), no âmbito do
seminário, numa das empresas do grupo McCann Erickson, uma memorável
experiência de três meses (e que me soube a pouco), mas o insucesso posterior
em obter um emprego naquela ou em outra agência (e várias foram as que
contactei nesse sentido) como que me convenceu a tentar de novo o jornalismo, no
qual me iniciara no Notícias de Alverca e depois continuara no DivulgAcção, o
boletim da Associação de Estudantes do ISCTE que co-fundei e que dirigi
enquanto naquele permaneci.
Durante dois
anos eu e Paquete de Oliveira mantivemos um convívio, e mesmo companheirismo,
praticamente quotidiano. Depois, e nos últimos 25 anos, os contactos, as
conversas, foram ocasionais, pontuais, e quase sempre por telefone –
invariavelmente, era eu que lhe ligava, para lhe dar novidades minhas, onde
estava, o que fazia, os livros que publicava, os projectos em que me envolvia. Sim,
admito que fiquei desiludido, e algo magoado, devido ao pouco ou nenhum
interesse que ele manifestava pelo percurso subsequente daquele que tinha sido
(não duvido em afirmá-lo, e as classificações demonstram-no) um dos seus
melhores alunos – uma circunstância quase de certeza resultante do conflito em que
me envolvi com algumas instâncias do ISCTE no final da licenciatura, e no qual
dele não recebi o apoio que esperava e que (penso que) merecia. A última vez
que estive com ele foi em Março de 2013, aquando do funeral de Mário Murteira,
onde fez uma intervenção marcada pela emoção, lembrando o seu amigo de tanto
tempo – e que também faleceu no ano em que completaria 80 de vida, tal como,
aliás, José Manuel Prostes da Fonseca, nosso colega no Conselho Directivo. E a
última vez em que comunicámos foi em Março de 2015, por correio electrónico, em
que esclareci o então Provedor dos Leitores do Público – o último cargo que desempenhou numa longa carreira repartida entre a universidade, a imprensa, a
rádio e a televisão – sobre a causa e contexto de uma queixa de uma leitora
daquele jornal relativa ao meu artigo «Apocalise abruto» (tratava-se, na
verdade, de uma representante de uma das empresas «apanhadas» a usarem palavras
inventadas na sequência da aplicação do AO90). Agora tranquiliza-me saber que
as últimas palavras que me dirigiu foram de plena cordialidade e simpatia – e
que, claro, foram correspondidas: «Desculpa
a falta de formalismo como me dirijo a ti. Mas creio que seria hipócrita
tratar-te sem reconhecer pessoalmente um interlocutor compassado de boas e
amigas relações. Já calculava que irias aparecer, pois reconheço a tua
militância convicta e activa contra o AO. Aliás, quando eu estava na RTP,
falámos sobre este assunto.»
Sobre José
Manuel Paquete de Oliveira é de ler também o que escreveram Adelino Gomes, José Rebelo (este também meu professor no ISCTE e membro da equipa de Sociologia da
Comunicação) e a Direcção Editorial do Público.
segunda-feira, outubro 10, 2016
Obras: «Luís António Verney…»
Na passada sexta-feira, 7
de Outubro, e tal como anteriormente anunciara, decorreu, na Biblioteca
Nacional de Portugal, o colóquio (proposto e co-organizado por mim) «Nos 350
anos da morte de D. Francisco Manuel de Melo» - do qual já começaram a ser
divulgadas imagens (e ao qual faltaram, da lista de oradores previstos, José
Carlos Seabra Pereira e Manuel Ferreira Patrício). Expresso, como em prévias
e semelhantes ocasiões, o meu obrigado a todos os que participaram, tanto na
mesa como na assistência do auditório da BNP, neste evento, que encerrou com a «estreia», o
lançamento daquele que é igualmente o meu novo livro…
… Intitulado «Luís António
Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», editado pelo Movimento Internacional Lusófono (em parceria com a DG Edições, a mesma de «Q - Poemas de uma Quimera») e que reúne os textos das
comunicações apresentadas, não só no congresso com a mesma designação,
realizado, igualmente na BNP, a 16, 17 e 18 de Setembro de 2013 (ano em que se
celebraram os 300 do nascimento do autor de «Verdadeiro Método de Estudar»), mas
também as no colóquio «No Tricentenário de Luís António Verney», realizado na
Universidade de Évora a 20 e 21 de Março de 2014. Após um demorado e cuidado processo de preparação e de revisão, eis a obra, com 36 autores, incluindo os
coordenadores (co-organizadores) António Braz Teixeira, Renato Epifânio… e eu
próprio, e ainda Ana Maria Moog, António Cândido Franco, Armando Martins,
Augusto dos Santos Fitas, Francisco António Vaz, Duarte Ivo Cruz,
Helena Nadal Sánchez, Jesué Pinharanda Gomes, Joaquim Domingues, João Príncipe,
Jorge Teixeira da Cunha, José Eduardo Franco, José Gama, Luís Lóia, Luís Manuel
Bernardo, Manuel Cândido Pimentel, Manuel Curado, Manuel Ferreira Patrício, Margarida
Amoedo, Maria de Fátima Nunes, Maria do Céu Fonseca, Maria Manuela Martins, Mário Vieira de Carvalho, Marta Mendonça, Miguel Corrêa Monteiro, Miguel
Real, Paulo Ferreira da Cunha, Pedro Martins, Rodrigo Sobral Cunha, Rui de
Figueiredo Marcos, Samuel Dimas…
… e Helena Murteira e Maria
Alexandra Gago da Câmara, minhas colegas no projecto Ópera do Tejo/Lisboa Pré-1755, e cujas intervenções reflectiram as investigações que temos vindo a
efectuar naquele. Enfim, o certo é que, mais de dez anos depois, o meu romance
«Espíritos das Luzes», tão incompreendido - e invectivado – por alguns,
continua a dar (bons) frutos. (Também no Ópera do Tejo.)
sábado, outubro 01, 2016
Orientação: SS com 550!
Hoje celebra-se mais
um Dia Mundial da Música, o que significa também, no sítio da Simetria, a
publicação de uma nova edição do projecto Simetria Sonora. E,
tal como em edições anteriores, a esta grande lista foram adicionados 50 discos
por mim considerados de ficção científica e de fantástico: são agora 550.
Ilustra a de 2016 a imagem da capa de «Electric Ladyland», de Jimi Hendrix,
lançado originalmente em 1968. A ouvir… e a descobrir. Tudo, e sempre!
terça-feira, setembro 27, 2016
Outro(s): Que não aprende(m)…
… Apesar de, ironicamente,
ser(em) professor(es): não satisfeito, aparentemente, pela «lição» que lhe dei em Junho, um suposto docente – que, indecentemente, advoga (a brincar? A
sério?) a destruição de livros – voltou a demonstrar as suas insuficiências…
didácticas e pedagógicas, e fê-lo com erros e mentiras – é ler, mesmo no
final, «a pior leitura do ano». «Compassivo», concedi-lhe mais um, e breve, esclarecimento. Será suficiente desta vez? A ver vamos…
(Adenda - ... Já vi(mos), e não foi suficiente. A pessoa em causa decidiu reagir... algo frouxamente, e levou com outra curta «lição». Entretanto, em outro texto, num outro sítio, o mesmo indivíduo voltou a exibir a sua ignorância. Em ambos os casos, e depois de «apanhado», comportou-se novamente do mesmo modo - com imaturidade, com dichotes que, apesar de se pretenderem espirituosos, mais não são do que constrangedores. É curioso como há quem não consiga entender, e que se espante, que outros se recusem a «comer e calar».)
(Adenda - ... Já vi(mos), e não foi suficiente. A pessoa em causa decidiu reagir... algo frouxamente, e levou com outra curta «lição». Entretanto, em outro texto, num outro sítio, o mesmo indivíduo voltou a exibir a sua ignorância. Em ambos os casos, e depois de «apanhado», comportou-se novamente do mesmo modo - com imaturidade, com dichotes que, apesar de se pretenderem espirituosos, mais não são do que constrangedores. É curioso como há quem não consiga entender, e que se espante, que outros se recusem a «comer e calar».)
quarta-feira, setembro 21, 2016
Orientação: Sobre o Islão, no Público
Na edição de hoje (Nº 9654) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «O problema está, é, (n)o Islão». Um excerto: «O cenário já se tornou
rotineiro: após uma acção terrorista, vários são os comentadores, em Portugal e
em todo o Mundo, cujas compaixão pelas vítimas e condenação dos verdugos são
menores do que a preocupação relativa a um eventual aproveitamento que a
“extrema-direita” fará do crime e aos possíveis apoio popular e ascensão
eleitoral de que aquela beneficiará. Sim, é maior o medo que alguns sentem das
palavras do que o das facas, balas e bombas; sim, é maior o medo que alguns
sentem da “islamofobia” do que do extremismo islâmico… que justifica a
“islamofobia”.»
sexta-feira, setembro 16, 2016
Organização: Agora também na Amazon (es)
Em resultado de um acordo
de representação internacional que assinou com a distribuidora Arnoia e que
anunciou a 10 de Agosto, a Fronteira do Caos tem agora todo o seu catálogo
disponível na Amazon espanhola. O que significa, obviamente, que também «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País» e «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico» passaram a estar acessíveis para venda
através da filial no país vizinho da empresa criada por Jeff Bezos.
quarta-feira, setembro 07, 2016
Oráculo: Evocar FMdM, na BNP
De hoje a exactamente um
mês, a 7 de Outubro próximo, decorrerá, no auditório da Biblioteca Nacional de
Portugal, o colóquio «Nos 350 anos da morte de D. Francisco Manuel de Melo». É
mais uma organização do Instituto de
Filosofia Luso-Brasileira, do Movimento Internacional Lusófono e da revista Nova Águia, segundo e seguindo uma sugestão e uma iniciativa minhas, na
sequência dos eventos similares (assentes em efemérides significativas)
dedicados a Luís António Verney em 2013 (aquando dos 300 anos do nascimento) e
a Afonso de Albuquerque em 2015 (aquando dos 500 anos da morte).
O homenageado em 2016 é um
dos maiores nomes do Barroco português e peninsular. Nascido em 1608 tal como
António Vieira, Francisco Manuel de Melo foi aventureiro, escritor, militar e
político, e, à semelhança do padre jesuíta, desempenhou missões diplomáticas a
favor do restaurado Reino de Portugal. Entre as suas obras destacam-se
«Apólogos Dialogais», «Carta de Guia de Casados» e «O Fidalgo Aprendiz». Em
2008, aquando dos 400 anos do nascimento de ambos, o autor de «Sermões» recebeu
um muito maior (na verdade, avassalador), e previsível, destaque do que o autor
de «Epanáforas», facto que este evento procura agora, de certa forma – e
insuficientemente – compensar.
A lista de oradores do
colóquio inclui os nomes de Ana Paula Banza, António Braz Teixeira, Deana
Barroqueiro, Duarte Ivo Cruz, Jesué Pinharanda Gomes, José Carlos Seabra
Pereira, Manuel Cândido Pimentel, Manuel Curado, Manuel Ferreira Patrício e
Teresa Amado.
quarta-feira, agosto 31, 2016
Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2016
A literatura: «Histórias da Terra e do Mar», Sophia de Mello Breyner Andresen; «Uma Voz na Revolução», Francisco de Sousa Tavares; «Os Simulacros», Philip K. Dick; «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários», António de Macedo; «Estratégia dos Deuses», Erich Von Daniken; «Editor Contra - Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite», Pedro Piedade Marques; «O Nascimento da Tragédia», Friedrich Nietzsche; «A Encomendação das Almas», João Aguiar; «Procurado», J. G. Jones, Mark Millar e Paul Mounts.
A música: «Concerto Em Lisboa», Mariza; «The Real... 1941-1956 The Ultimate Collection», Frank Sinatra; «From Elvis In Memphis» e «Elvis Country (I'm 10000 Years Old)», Elvis Presley; «Art Official Age», Prince; «Off The Wall», Michael Jackson; «Outlandos D'Amour» e «Zenyatta Mondatta», Police; «25», Adele; «A Portrait Of...», Duke Ellington; «Lumpy Gravy» e «We're Only In It For The Money», Frank Zappa; «A Nod Is As Good As A Wink... To A Blind Horse», Faces; «Os Sobreviventes», «Era Uma Vez Um Rapaz» e «Rivolitz - O Melhor de... Ao Vivo 2», Sérgio Godinho; «Also Sprach Zarathustra» (pela Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Gustavo Dudamel), Richard Strauss.
A música: «Concerto Em Lisboa», Mariza; «The Real... 1941-1956 The Ultimate Collection», Frank Sinatra; «From Elvis In Memphis» e «Elvis Country (I'm 10000 Years Old)», Elvis Presley; «Art Official Age», Prince; «Off The Wall», Michael Jackson; «Outlandos D'Amour» e «Zenyatta Mondatta», Police; «25», Adele; «A Portrait Of...», Duke Ellington; «Lumpy Gravy» e «We're Only In It For The Money», Frank Zappa; «A Nod Is As Good As A Wink... To A Blind Horse», Faces; «Os Sobreviventes», «Era Uma Vez Um Rapaz» e «Rivolitz - O Melhor de... Ao Vivo 2», Sérgio Godinho; «Also Sprach Zarathustra» (pela Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Gustavo Dudamel), Richard Strauss.
O cinema: «Cinderella», Kenneth Branagh; «Hotel Transilvânia 2», Genndy Tartakovsky; «Guia de Finais Felizes», David O. Russell; «O Marciano», Ridley Scott; «Célere», Ron Howard; «Capitão Falcão», João Leitão; «Procurando o Homem do Açúcar», Malik Bendjelloul; «Castelo no Céu», Hayao Miyazaki; «O Artista», Michel Hazanavicius; «Agora Tu Vês-me», Louis Leterrier; «Da Rússia com Amor», Terence Young; «A Vida Secreta de Walter Mitty», Ben Stiller; «Esse é o Meu Rapaz», Sean Anders; «Zootopia», Byron Howard e Rich Moore; «Hércules», Brett Ratner; «Chefe», Jon Favreau; «Sob a Pele», Jonathan Glazer; «Missão: Impossível - Protocolo Fantasma», Brad Bird; «Missão: Impossível - Nação Revolta», Christopher McQuarrie; «E Assim Vai Indo», Rob Reiner; «Panda do Kung-Fu 3», Alessandro Carloni e Jennifer Yuh Nelson; «Ronaldo», Anthony Wonke; «Deadpool», Tim Miller; «Morto e Meio», Don Michael Paul; «Surripia», Guy Ritchie; «Astérix e Obélix ao Serviço de Sua Majestade», Laurent Tirard; «Bronco Billy», Clint Eastwood.
E ainda...: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - «CartoonXira 2016 - Cartoons do ano 2015 (António, Bandeira, Brito, Carrilho, Cid, Cristina, Gargalo, Gonçalves, Maia, Monteiro, Rodrigo)/ 25 anos de desenhos 1990-2015 (Cécile Bertrand)» (Celeiro da Patriarcal) + 5º Salão de Automóveis e Motociclos Clássicos de Vila Franca de Xira (Pavilhão Multiusos); «We're sorry, Harry Kane» (anúncio publicitário do Licor Beirão); Associação Portuguesa de Editores e Livreiros - 86ª Feira do Livro de Lisboa; FNAC - exposição de fotografias de Jacques Van Wijlick «EVOA - Descubra o lado selvagem do Estuário do Tejo» (Vasco da Gama) + exposição de fotografias de Tiago Mota Garcia «Espelho Nosso» (Chiado); Museu do Neo-Realismo - exposição «Passageiro Clandestino Mário Dionísio 100 Anos» + exposição «Os Ciclos do Arroz»; Iron Maiden - «The Book of Souls World Tour 2016» - Meo Arena, 2016/7/11 (primeira parte, The Raven Age); Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «A saltar do livro - Livros pop-up» + exposição «"Livro do Desassossego - Desenhos de Sílvia Hestnes Ferreira» + exposição «Nascimento - De mar a mar, uma odisseia editorial» + exposição «Mário de Sá Carneiro, "o homem são louco"» + mostra «Horticultura para todos» + mostra «Ferreira de Castro - 100 anos de vida literária» + mostra «Timor-Portugal - Ontem e hoje»; «Daddy», (vídeo musical de) Psy; «O Círculo de Bletchley», Guy Burt; Museu da Lourinhã; «Nós somos os super-humanos» (anúncio da participação do Reino Unido nos Jogos Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro).
domingo, agosto 21, 2016
Outros: Elogios a «Poemas»
Agosto já constitui para
mim, e há pelo menos sete anos, também o «mês de Alfred Tennyson». Nascido a 6
(de 1809) e chegado a 25 (de 1859) para uma visita a Portugal, é em pleno Verão
que eu procuro e, quando elas existem, divulgo, novidades interessantes relativas
àquele escritor e/ou ao livro com traduções minhas de poemas seus editado em 2009. Desta vez reproduzo (devidamente corrigidos) comentários que encontrei
recentemente na página do sítio Wook dedicada àquela obra.
Um, feito em Março de 2014,
é de Tiago Silva: «Trata-se de um exemplo de uma boa sele(c)ção de poemas de um
grande poeta da Inglaterra Vi(c)toriana. Dois, feitos em 2016 (um em Julho,
outro em Agosto), são de Valdenir Pessôa: «Sem
(sombra) de dúvida um dos melhores poetas românticos da era vi(c)toriana,
Alfred Tennyson sobressai em relação aos outros autores, principalmente com (a)
sua obra “Idílios do Rei”, o poema que faz justiça ao mítico rei Arthur. Essa
cole(c)tânea de poemas é a única (que eu saiba) publicada em língua portuguesa e
a sele(c)ção (é) extraordinariamente bem elabora(da). Parabéns!»; «Já havia
comentado antes da leitura pelo fa(c)to de ser(em) poemas de Tennyson. Mas ao
ler os poemas, deparei-me com o que há de melhor na poesia romântica inglesa no
período. Poemas cheios de magia, subje(c)tivismo e, como não, romantismo que
afe(c)ta o sentimento de quem os lê. Excelente!»
É de referir que na página
mencionada não constava uma imagem da capa do livro; porém, e após ter enviado
uma mensagem de correio electrónico com uma em anexo, essa lacuna foi
entretanto colmatada.
sábado, agosto 13, 2016
Orientação: Sobre «moedas de prata», no Público
Na edição de hoje (Nº 9615) do jornal Público, e na página 53, está o meu artigo «Casa da(s) Moeda(s) de prata». Um excerto: «É, pois, uma tremenda ofensa póstuma ao homem que foi
presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos
Portugueses, embora seja expectável, e até “compreensível”, por as entidades
públicas e/ou sob tutela estatal, como é o caso da INCM, estarem “obrigadas” a
utilizar esta “ortografia” pervertida criada por pervertidos. Na verdade, mesmo
grave, e pior do que o regulamento, seria que a obra vencedora do Prémio Vasco
Graça Moura fosse escrita e/ou publicada obedecendo ao ascoroso “acordês” que o
deputado europeu (entre 1999 e 2009) abominava. Seria inimaginável!» (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53. Referência no Linguagista e no Delito de Opinião.)
quarta-feira, agosto 03, 2016
Opções: Pela Praça do Império
Já assinei a petição
«Preservar a Praça do Império é defender a Portugalidade», promovida pelo Nova Portugalidade, um grupo de cidadãos que
tem como objectivo da sua actividade «o estudo, promoção e defesa do património
material e espiritual da Portugalidade». Quem
quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
Lê-se no texto que apresenta
e que explica a iniciativa: «(…) Os canteiros floridos da Praça do Império são,
pese embora o desprezo que lhes parecem votar alguns espíritos menos avisados,
um símbolo vivo, actual, da viva e actual globalização portuguesa.
Representam-se ali, com os seus brasões de armas, os pedaços de Portugalidade
que mais longamente se mantiveram ligados entre si; hoje, o jardim é testemunho
forte de uma aventura colectiva que marcou o nosso passado e pode bem
determinar o nosso futuro. (…) Não pode existir argumento financeiro, estético
ou histórico que concorra para a destruição de algo tão belo e pleno de
significado. Se avançar com o projecto de requalificação agora aprovado para a
Praça do Império, a CML cometerá um crime contra Lisboa, o património nacional
e a profunda amizade que mantemos com os povos da Portugalidade. Mais,
tratar-se-ia de um crime contra a História e, portanto, contra o próprio país.
(…)»
O tema, este texto e as
expressões nele utilizadas como que ecoam outra petição, que subscrevi em 2013,
e que também incidia sobre um elemento do património de Lisboa em risco – o
cinema Odéon. Então escrevi: «Aparentemente, e infelizmente, o meu (modesto)
apoio, tal como o de outros, não
deverá ser suficiente para
evitar a demolição. Que, a concretizar-se, será mais um crime contra o
património nacional – não só da capital – cometido, ou permitido, pela Câmara
Municipal de Lisboa, pelo seu actual presidente e pela sua equipa.» O «actual
presidente» então referido é agora primeiro-ministro… e um dos elementos da sua
equipa é agora edil da capital. Que, como que querendo mostrar ser um «digno»
sucessor, prossegue igualmente a «política» de sacrificar a funcionalidade à estética (e os automobilistas aos ciclistas), da Avenida da Liberdade à da
República. Para alguns as batalhas ideológicas estendem-se à relva dos jardins
e ao alcatrão das vias. (Também no MILhafre.)
terça-feira, julho 26, 2016
Orientação: Sobre o povo, no Público
Na edição de hoje (Nº 9597) do jornal Público, e na página 45, está o meu artigo «O povo é, ou não, quem mais ordena?». Um excerto: «O
referendo não é algo que preferencialmente se deva fazer em situações de crise
aguda, emergência ou mesmo de conflito civil e/ou militar; é melhor
utilizado... e útil em democracias consolidadas e estáveis. Porém, e
obviamente, por algum assunto e em algum momento tem de se, convém, começar. É
pois de rejeitar, neste âmbito, a sobranceria, a arrogância paternalista de
tantos «estadistas» – como o actual (p)residente da república portuguesa – que
afirma(ra)m que um referendo “é uma questão que (em Portugal) não se põe”. E
porque não?» (Também no MILhafre.)
domingo, julho 17, 2016
Ocorrência: 10 anos d’«Os Novos Descobrimentos»
Foi há
precisamente 10 anos – a 17 de Julho de 2006 – que eu e Luís Ferreira Lopes
fizemos a primeira apresentação do nosso livro «Os Novos Descobrimentos – Do Império à CPLP: Ensaios sobre História, Política, Economia e Cultura Lusófonas». A data não foi escolhida ao acaso: então assinalava-se o décimo
aniversário da criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa… e hoje
«comemora-se» o seu vigésimo aniversário.
O lançamento
decorreu na Livraria Almedina (esta também a editora da obra) do (centro
comercial) Atrium Saldanha, em Lisboa. Contámos, na mesa, com as presenças –
que muito nos honraram – de Adriano Moreira, Carlos Pinto Coelho (entretanto falecido), Manuel Ennes Ferreira e Nicolau Santos, que não só falaram do livro
e dos temas que ele aborda(va) como também aproveitaram a ocasião para, com os
autores, fazerem uma retrospectiva do que tinham sido os primeiros dez anos da
existência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – algo que então não
foi reconhecido por um certo comentador que, este ano, foi eleito para um muito
importante cargo político.
Porém, os
defeitos e as insuficiências detectadas na actuação da CPLP na sua década
inicial são, em meu entender, insignificantes perante o que aconteceu na
seguinte – mais concretamente, a implementação do «Acordo Ortográfico de 1990» e a admissão da Guiné Equatorial, pais onde vigora um regime ditatorial, como membro efectivo; a esperança inicial
transformou-se em desilusão posterior, pelo que pouco ou nada há, da minha
parte, para celebrar. (Também no MILhafre.)
segunda-feira, julho 11, 2016
Observação: Não, não acreditava…
… E, afinal,
não se pode negar que eu (à semelhança de muitos outros) tinha bastantes
motivos para isso: as decepções que também sofri em 1984, em 1986, 1996, 2000,
2002, e, já com comentários, em 2004, (não em) 2006 (porque provavelmente
estava a preparar a edição de um livro, que, sim, evocarei em breve a propósito do seu décimo aniversário), 2008, 2010, 2012 e 2014. Como honestamente, racionalmente,
esperar que, depois de aquela que foi possivelmente a melhor selecção
portuguesa de sempre ter perdido em Lisboa uma final contra a… Grécia, uma outra
de (aparentemente) menor valor iria vencer a França em… Paris? E quando, ainda
antes dos dez minutos de jogo, Cristiano foi – não duvido de que
deliberadamente, premeditadamente – lesionado e, depois, forçado a abandonar o
campo, parecia que a aziaga «tradição» se confirmaria e repetiria…
… Porém, e
finalmente, este «fado do futebol» desfez-se: Portugal conseguiu, mesmo, conquistar o Campeonato da Europa de Futebol (sénior, depois de tantos títulos
nas camadas juniores). Talvez por as prioridades terem passado a ser outras.
Como escrevi aqui, «qual é
o problema de eventualmente “ser(e)mos execrados por milhões em todo o mundo a
rezarem pelo nosso justo esmagamento” por sermos, supostamente, “a mais negra e
ronhosa das ovelhas de que haverá memória em torneios futebolísticos”? Os
incomodados que se lixem com “F” grande! Farto estou eu de gostarem de nós
enquanto (e apenas) crónicos derrotados. Farto estou eu de derrotas. Portanto,
que os jogadores da selecção triunfem, mesmo que com mais empates no tempo
regulamentar, mais prolongamentos e mais decisões nas grandes penalidades. Que
tragam a taça.» E trouxeram mesmo.
Nestes festejos, nestas celebrações, nesta alegria avassaladora que enfim chega com tantos anos de
atraso – e em 2016 assinalam-se 50 desde a campanha dos «Magriços» de Eusébio
em Inglaterra – há no entanto um aspecto que me desagrada, que me desilude, que
me indigna: por culpa de pervertidos, de criminosos, de tiranos, antigos e
modernos, a selecção é por muitos escrita sem «c» e veste-se, tal como o país, com as cores de
uma bandeira da infâmia – não a verdadeira de Portugal, nunca é de mais
repetir, mas sim a de uma associação de terroristas. Todavia, pelo menos desta
vez, a repulsa não se sobreporá à felicidade. (Também no MILhafre.)
terça-feira, julho 05, 2016
Obrigado: Mais uma vez, ao Mestre…
… Meu e de
tantos outros, António de Macedo, que hoje completa 85 anos de idade. Nesta ocasião
aproveito para relembrar, repetir, reforçar o que já dissera (escrevera) em 2011, aquando do seu 80º aniversário. E muito fico contente por, apesar de
alguns problemas de saúde, superáveis mas quase inevitáveis em alguém de tão
longa e provecta idade, as ideias, os projectos e as obras feitas não lhe
faltarem. Neste ano de 2016 já publicou «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários»,
livro de não-ficção… sobre ficções, uma colectânea de artigos e de ensaios
editados anteriormente; e lançará, no final do Verão, o seu novo livro de
ficção, um romance, em cuja publicação eu me orgulho de ter dado uma diminuta
mas decisiva contribuição – o que terá constituído uma modesta e insuficiente
retribuição do quanto lhe devo por me ter permitido iniciar verdadeiramente a
minha carreira literária; mas não só… apresentará um filme novo, mais de 25
anos depois! Assim, por tudo isto e não só, muitos parabéns a
António de Macedo, que é, na Ficção Científica & Fantasia em Portugal, o
melhor de nós todos, o mais talentoso, o mais versátil, o mais experiente, o
mais sábio. E, pelo constante entusiasmo e empenhamento, não só artístico mas
também cívico, o mais jovem. Um abraço! (Também no MILhafre e no Simetria.)
quinta-feira, junho 23, 2016
Observação: Uma questão de escala
No passado
dia 12 registei a existência de (mais) uma recente recensão ao meu livro
«Espíritos das Luzes», escrita e publicada cinco dias antes por Artur Coelho no seu blog Intergalactic Robot. E prometi para breve uma resposta. Pois bem, ela
aqui está…
… E começo
por reproduzir e destacar dessa recensão os elogios de âmbito geral, e até
específico, àquela minha obra, que são vários: «Este livro assenta sobre aquilo que, de forma muito
óbvia, foi uma forte investigação sobre a época. A bibliografia e discografia
que o encerra é (são) muito interessante(s). Pega num momento marcante da
história portuguesa e especula num misto de fantástico com Ficção Científica.
Recupera na memória do leitor grandes vultos da cultura e política da época
iluminista. Consegue invocar, ao longo dos capítulos, uma curiosa estética,
misto da iconografia barroca com high tech. (…) Até me encantou (…) a curiosa
cosmogonia do universo ficcional deste devaneio cyber-barroco. Octávio dos
Santos imagina os países da Europa setecentista como planetas, interligados por
vias galácticas sulcadas por passarolas. Confesso que é uma visão que me atrai,
a recordar ilustrações novecentistas do sistema solar enquanto esferas nas mãos
de malabaristas, invocando imagens de uma Lisboa barroca com passarolas
gigantes suspensas nos céus. Tem o seu quê de fantasia mágica. (…) No meio de
tudo isto, há uma história, um fio condutor que até tem interesse. Nesta Lisboa
alternativa, o terremoto provocou uma fissura no espaço-tempo que mostra um
vislumbre de uma outra Lisboa, arrasada pelo tremor de terra, onde as
passarolas nunca voaram. (…) Na vertente périplo, consegue pontos de
interesse, na recriação da Ópera do Tejo ou no infame capítulo onde a
sensualidade mordaz da poesia de Bocage é explorada num boudoir subterrâneo
do Café (Clube) Nicola. Um capítulo divertido na sua perversão e sanidade
mental questionável, que merece ser lido. A sério, atrevam-se.»
Porém, a
classificação final dada por Artur Coelho ao meu livro, revelada no GoodReads,
foi, algo inesperada e contraditoriamente, de duas em cinco estrelas – aliás,
foi aumentada, pois antes chegou a ser de uma! E qual foi a avaliação final,
resumida, correspondente àquela reduzida («negativa») classificação? «Falha
redondamente». E porquê? «Archizero» afirma que «Espíritos das Luzes» se «perde
nas inconsistências». E quais são essas supostas «inconsistências»?
Uma será a
própria designação que faço da minha obra enquanto «ficção científica»… embora
para Artur Coelho não o seja, porque a FC é um «campo que exige todo um outro tipo de construção de
mundo ficcional, mais assente em pressupostos rigorosos do que num imaginário
solto mais próximo da fantasia.» Desde quando é que é obrigatório que na ficção
científica existam sempre «pressupostos rigorosos»? E em que consistem exactamente
esses pressupostos? Em explicar detalhadamente como se chegou à concepção de
determinados métodos e técnicas de transporte, comunicação, trabalho e
entretenimento, de determinados sistemas de organização política, social e
económica? Quanto mais «próxima» de nós está a FC em causa, mais esse rigor,
concordo, deve existir; porém, «Espíritos...» desenrola-se numa dimensão espaço-temporal
alternativa, em que naquela os países que conhecemos são planetas! Maior «falta de rigor» inicial é
impossível, ou pelo menos muito difícil. No mesmo sentido vai a «queixa» de que
«elementos tecnológicos no livro, que aparecem sem contextualização, dando a
sensação que estão lá só porque sim, porque pareceu bem meter nanotecnologia
dentro de uma paisagem barroca ou autómatos a reconstruir a Ópera do Tejo». De certeza
de que são «sem contextualização»? Olhe que não… esses elementos
aparecem quando são necessários e não aleatoriamente. Será o Artur capaz de
«jurar» que em outras obras de FC, incluindo muitas das «clássicas», das
«consensuais», não existem por vezes elementos tecnológicos sem
«contextualização» e «pressupostos rigorosos»?
Outra
«inconsistência», ou «dissonância», «que
torna esta leitura mais penosa é aquele(a) que prometia ser o(a) mais
interessante»: a
utilização, como diálogos, de «discursos» - enfim, textos autênticos – das
personagens históricas introduzidas e «transformadas» (expressão minha) na
narrativa; mas, atenção, não é esse recurso em si o problema para Artur Coelho
mas sim a alegada «propensão
do autor a despejar parágrafos e páginas inteiras dos escritos originais.» Poderá
ser difícil a AC, e a outros, acreditar, mas o que lhe(s) parece «despejo» foi, e
é, na verdade uma selecção cuidadosa, ponderada, com conta, peso e medida, e
sempre adequada às diferentes «situações» que imaginei. Não, obviamente que nem
todas as citações ocupam uma página. Mas, sim, algumas são longas, e isso foi deliberado, intencional; são densas e
até mesmo desequilibrad(or)as, mas tal faz parte da estética da obra, porque replicam,
reproduzem, os próprios excessos da época e das personagens que eu revisito e
reformulo. «Archizero» parece admitir que «perde(u) logo o fio à meada». Sim,
isso é um problema… mas dele, não meu. Seria de esperar que alguém que já leu
tanto – incluindo bastantes livros de índole tecnológica – conseguisse
aguentar, e sem se «perder», umas passagens mais compridas e que lidam com
temas que não se podem exactamente considerar complexos.
Enfim, a
única «inconsistência» explicitamente indicada por Artur Coelho refere-se às «escalas» (distâncias) que «não são
consistentes ao longo da narração». E porquê? Porque «umas vezes estão
expressas, outras não». No entanto, e obviamente, não há qualquer
«inconsistência» por eu não estar sempre a fazer, e a mostrar, «contas»,
números de quilómetros, ou outro tipo de medição; haveria, sim, se eu me
enganasse, se eu desse valores numa certa instância que estivessem em
contradição com os de outra. Todavia, e muito, muito mais significativa, é a
confissão feita por AC de que «não
consegue conceber uma distância de dezenas de quilómetros do Terreiro do Paço
ao Palácio Foz.» Sim, isso é outro problema… mas também dele, não meu. Eu tanto consigo conceber… que concebi mesmo. E eu sou lisboeta! Uma
Lisboa «pequena», como a que existe na realidade, num «planeta Portugal» é que
seria (muito) «inconsistente». Logo, é indiscutível que «o imaginar de Lisboa como um espaço imenso,
com as distâncias ampliadas em mega escalas, é outro elemento que também»… funciona.
O principal
problema - não meu, logicamente – está precisamente nisto: o de que há quem
queira e consiga… conceber, e há quem não queira nem consiga. Paciência! Efectivamente, tudo se resumirá a uma questão de escala… pessoal, e não só. É
por isso que uns criam e outros… criticam. E, porque muitos deles (a maioria) não
têm essa experiência, essa faceta, de criadores, os críticos mais facilmente –
e levianamente – desvalorizam e até desprezam o que aqueles, tantas vezes com
elevados sacrifícios pessoais, fazem. Assim, nesse sentido, se por um lado devo
congratular Artur Coelho por ter lido o meu livro na íntegra antes de opinar
(algo deficientemente, é certo) sobre ele, por outro lado devo, ainda mais
veementemente, condená-lo por – reincidindo num lamentável
procedimento que eu, em ocasiões
anteriores (com outras obras e outros autores), já lhe censurara – se permite
armar em «spoiler» e revelar o final, o desenlace, daquele. Para tal ele dá a
«justificação» (?) de que «não estou preocupado porque ao que parece
nenhum leitor chega ao fim deste livro» - tanto mais insólita porque ele
próprio chegou ao fim, e, obviamente, antes dele, e por mais incrível que isso
possa parecer, outros também chegaram. Entre os quais, nomeadamente, este português e este inglês.
Esta atitude – indigna, não é de mais salientá-lo – de
desrespeito por parte de Artur Coelho, à semelhança do seu derradeiro e
desfavorável «veredicto» dado a «Espíritos das Luzes», acontecem
fundamentalmente, acredito, por «group think», por «peer pressure»: AC refere
«outros leitores deste livro, que (…) detestaram a curiosa cosmogonia» patente
na minha obra, e admite que «gostaria
de ter chegado ao final desta leitura com uma opinião contrária às que tenho
ouvido sobre esta obra. Infelizmente, não consigo.» Não consegue… ou não quer?
Quem são esses «outros que detestaram», que fazem com que o capítulo sexto seja
«infame», e que «Archizero» tanto respeita – ou receia – a ponto de as opiniões
deles ouvidas anularem os «elementos intrigantes» que encontrou? É pouco
provável que os identifique ou que eles próprios se assumam… embora eu talvez
fosse capaz de adivinhar quem são. De uma coisa pelo menos eu
tenho a certeza quanto a essas «luminárias»: nunca até hoje secundaram a
posição que eu enuncio e demonstro no meu artigo «A nostalgia da quimera»,
publicado há quase cinco anos, de que «o fantástico é o género dominante na
literatura portuguesa». Preferem, aparentemente, continuar a ser membros de uma
espécie de «Portugal dos Pequenitos da FC & F», conformados por estarem
confinados a um sub-género que reconhecem (mas eu não) como inferior, se não
por palavras, então por (falta de) actos. «Espíritos das Luzes» é a expressão,
na ficção, daquela minha reflexão e da crença que a anima: imagina um Portugal
grande, maior (um planeta!), e, logo, uma Lisboa grande, maior; e, sim, isso
também pode implicar citações, e parágrafos, grandes, maiores.
Não é de agora – aliás, e infelizmente, há uma antiga e
funesta «tradição» disso – que a originalidade e até a radicalidade de certas
obras sejam confundidas com a sua (suposta falta de) qualidade, e que na
sequência disso sejam rejeitadas inicialmente. Acredito que «Espíritos das
Luzes» se encontra nessa categoria. Porém, leitores, «críticos», editores, já
há muito que deveriam ter aprendido com os exemplos e com as lições do passado
para não continuarem a cometer os mesmos erros de avaliação e de decisão no
presente. Quantas vezes aconteceu, ao longo da história cultural em geral, e
literária em especial, que a «bizarria» de ontem (hoje) é a genialidade de hoje
(amanhã)? Só por isso deveriam ter mais cuidado, não vá dar-se o caso de,
depois, arrependerem-se amargamente… por os seus «retratos» para a posteridade
não se revelarem, afinal, os mais favoráveis. (Também no Simetria.)
sexta-feira, junho 17, 2016
Outros: Livros MIL
Passaram
ontem seis meses desde a apresentação do meu mais recente livro publicado, «Q – Poemas de uma Quimera», aquando do colóquio «Afonso de Albuquerque, 500 Anos – Memória e Materialidade». Porém, aquela minha obra é apenas uma entre várias de uma «colecção» que o Movimento Internacional Lusófono tem vindo a editar nos
últimos meses, e que incluem: «A Filosofia Jurídica Luso-Brasileira do Século XIX»;
«A Literatura Russa Vista por Autores Portugueses»; «André Brun – Antologia de Textos e Anedotas Sobre a Grande Guerra de 1914-1918»; «Eduardo Lourenço em Roda Livre»; «Filosofia, Arte e Literatura – Uma abordagem sobre a Formação Poética, Literária e Estética do Povo Cabo-Verdiano»; «O Acto de Escrita de
Fernando Pessoa»; «Olhares Luso-Brasileiros». O meu livro é, de facto, até ao
momento, a única excepção… poética entre um lote de prosas de não-ficção, do qual
deve ser realçada a grande diversidade de temas.
domingo, junho 12, 2016
Ordem: Sim, também irei ripostar…
… A uma nova,
mais recente, recensão do meu livro «Espíritos das Luzes». Foi feita por Artur
Coelho, que a publicou, no passado dia 7 de Junho, no seu blog Intergalactic
Robot. Em breve, aqui no Octanas e também no Simetria, divulgarei a minha
resposta. Será como a anterior? Esperem e verão. ;-)
terça-feira, junho 07, 2016
Observação: Lágrimas púrpuras
No passado
dia 21 de Abril, à tarde, estava, como quase sempre, em frente do computador,
lendo e escrevendo. E, também como normalmente, tinha acabado de fazer mais uma
«ronda» pelos principais sítios noticiosos que consulto preferencialmente.
Porém, a notícia que não queria saber, que estava longe de imaginar que pudesse
acontecer, foi-me dada por telefone. A minha esposa telefonou-me. Perguntou:
«Já sabes o que aconteceu com o Prince?» Sobressaltei-me: «Não. O que foi?» A
resposta gelou-me: «O pior que poderia ser». Acedi de imediato à Fox News, onde
estivera não mais do que quinze minutos antes, e vi, li… em grande destaque, no
topo da página. No Público também. Entretanto, a Prince.org, comunidade virtual
de admiradores, havia «crashado». Gritei «não!» e bati várias vezes com a mão
direita no tampo da secretária. Uma das minhas filhas espantou-se e
preocupou-se; entristeceu-se depois… desde muito nova que eu – tal como às
irmãs – lho tinha dado a ouvir. Porquê, porquê, porquê?..
À noite,
telefona-me a minha mãe: «Filho, já sei que ele morreu. Imagino como deves
estar triste. Lembro-me de como gostavas dele, de como estavas sempre a
ouvi-lo, mas ignoro se, nos últimos anos, continuava a ter a mesma importância
para ti…» Sim, sempre continuou a ser muito importante. À minha frente, erguido
num suporte próprio em madeira, está o (grande) livro (de fotografias) «21 Nights» (que inclui o disco ao vivo «Indigo Nights»), editado na sequência dos
concertos que deu em Londres em 2007. Desde Outubro de 2015, isto é, desde que
coloquei a capa de «Around The Word In A Day», então a celebrar 30 anos de
edição, como ilustração da Simetria Sonora do ano passado, que vinha ouvindo
novamente todos os discos dele que possuo, que são quase todos. E, mais
comovente… e mais inquietante, nesse próprio dia 21 de Abril adquirira uma das
mais recentes obras dele que ainda não fazia parte da minha discografia, «Art
Official Age»; o recibo da FNAC indica 14 horas e 31 minutos; se não me engano,
mais ou menos nesse preciso momento, do outro lado do Atlântico, estariam a
encontrá-lo, inconsciente, num elevador da sua casa, estúdio, museu, mausoléu…
Em Paisley
Park, Chanhassen, no Estado do Minnesota, não terá nevado naquele dia…
O que mais me
custou, o que mais me surpreendeu? O facto de ele ter morrido sozinho – aliás,
e aparentemente, de ele viver, estar, sozinho em períodos prolongados. Algo
ainda mais inadmissível por, poucos dias antes, ter apanhado um susto que o fez
aterrar no Illinois para receber assistência hospitalar de emergência. Não era suposto
haver alguém com ele, a acompanhá-lo, a vigiá-lo? É certo que não tinha família
mais chegada – esposa, filhos – mas não faltariam, supostamente, outras
pessoas, tais como assistentes, colaboradores, amigos (músicos e não só) que
durante toda a sua carreira o rodearam, que poderiam – e deveriam – fazer isso;
aliás, ele sempre esteve longe de ser um eremita; era um génio, mas não um
recluso.
Numa palavra,
Prince morreu por negligência – dele próprio e de outros. Tal também deve ter acontecido
devido a arrogância, a uma excessiva confiança, a um sentimento de
invulnerabilidade, talvez a uma sensação de imortalidade. Há quem fale em «ignorância e medo». Sim, ele, tanto
quanto se sabe, nunca terá caído nos excessos em que Michael Jackson caiu; no
entanto, se é certo que ele nunca terá tentado alterar a sua aparência
estritamente física, embora o tenha feito continuamente no penteado e nas
roupas, terá tentado (é essa a minha avaliação) manter-se jovem, ou, melhor
dizendo, manter o mesmo estilo de vida, feita de digressões e de espectáculos
prolongados e exigentes, cansativos, extenuantes, noitadas e «directas» de
gravações, quando não de festas. Enfim, ele talvez ter-se-á convencido de que,
passados os 50 anos, e já a caminho dos 60, conseguiria manter o ritmo que
tinha aos 20 anos e aos 30. Suspeitava-se de que ele abusava de analgésicos… e
a autópsia, cujas conclusões foram anunciadas na semana passada, revelaram que
ele morreu devido à auto-administração de uma dose excessiva de Fentanyl, «o mais potente narcótico conhecido, um opióide artificial 50 vezes mais forte do que a heroína e 100 vezes mais do que a morfina», e usado para tratar «dor
severa e crónica».
Ele não mudou
a sua maneira de estar e de agir, não descansou, não abrandou a velocidade a
que vivia… e por isso parou definitivamente, prematuramente. Uma enorme
desilusão, a maior que ele causou, a mim e a muitos outros. E em quase 40 anos
de carreira não foram assim tantas nem graves as decepções: artísticas, praticamente
nenhumas; pessoais… dir-se-ia a promiscuidade, mas nunca alguma mulher se
queixou ou o acusou de ter um comportamento menos próprio; religiosas… a sua
conversão às Testemunhas de Jeová espantou, e terá eventualmente dificultado a
obtenção atempada e correcta de auxílio médico; políticas… ao contrário de
vários (demasiados) colegas de profissão, nunca se notabilizou negativamente
por afrontar e ofender partes significativas do público com afirmações,
atitudes e acções controversas e divisivas – uma excepção terá sido, em 2015, o
seu envolvimento (acredito que bem intencionado) com figuras tão sinistras como
os «Black Lives Matter», Al Sharpton e outros racistas criminosos e «progressistas»
aquando dos motins em Baltimore, tendo inclusivamente escrito e gravado uma
canção sobre o assunto (depois soube-se também que doara dinheiro à família de
Trayvon Martin). Poucos «pecados»… facilmente perdoados. Nada de
(muito) grave para todos quantos, como eu, lhe devem tanto.
Agora, a
grande questão, a grande incógnita, é o que vai acontecer ao seu legado, ao seu
património, tanto cultural como financeiro. Tudo indica que ele nunca redigiu nem deixou um testamento… o que expressa, uma (última) vez mais, uma reprovável
negligência. A quem caberá, pois, a sua enorme fortuna? Aos seus irmãos e sobrinhos?
Aos seus amigos? Às ex-mulheres e amantes? Será concretizada a campanha de
reedição dos seus discos – remasterizados, remisturados, «completos» com
faixas-extra – pela Warner Brothers Records, anunciada em 2014 e que era
suposto ter produzido, para começar, a edição especial do 30º aniversário de
«Purple Rain»? Serão divulgadas, e, se sim, como, as canções inéditas guardadas no seu «cofre» (que, apesar de muito provavelmente serem bastantes, não
acredito no entanto que sejam cerca de duas mil, como alguém calculou)? Em 1993
escrevi - em artigo publicado na revista TV Mais – que Paisley Park poderia
tornar-se numa nova Graceland; mantenho esta previsão, e há quem concorde comigo.
Prince Rogers
Nelson nasceu a 7 de Junho de 1958, pelo que completaria hoje, se fosse vivo, 58 anos de idade. Uma data que muitos admiradores, do seu Minnesota natal mas
não só, gostariam que fosse transformada num feriado no seu Estado, e já há uma petição nesse sentido. Todavia, o actual governador, (o democrata) Mark Dayton,
(ainda) não fez isso… mas decidiu designar 23 de Maio como «Dia de Beyoncé»,
artista que não tem qualquer ligação à «terra dos dez mil lagos». Porquê?
Talvez porque, ao contrário da esposa de Jay-Z, «sua alteza púrpura» nunca
votou em Barack Obama nem apelou a que se votasse no actual presidente, não
obstante ter tocado e cantado para ele na Casa Branca. E, eventualmente, também
porque no fundo, por detrás da sua aparência exuberante, ele era socialmente conservador, o que incluía ser opositor do «casamento» entre pessoas do mesmo
sexo. Controverso… contudo, no que respeita ao mais importante, do lado certo.
Celebremos a sua vida e a sua obra... como se fosse, ainda e sempre, 1999. (Também no Obamatório.)
quinta-feira, maio 26, 2016
Ocorrência: Eu não, mas o actual mC sim
Ao longo dos
anos já concorri a vários prémios literários em Portugal, tanto com obras
inéditas como com obras publicadas. E, até agora, o «palmarés», o «pecúlio», é
reduzido: apenas uma menção honrosa – em mais do que um sentido, pois foi
outorgada pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal – ganha (com o
meu amigo e co-autor Luís Ferreira Lopes) por «Os Novos Descobrimentos» em 2008.
O mais recente dos prémios a que me candidatei, com «Q – Poemas de uma Quimera», foi o Grande Prémio de Literatura DST 2016, que tem a particularidade
de apurar previamente cinco finalistas dos quais o vencedor, depois, será
escolhido. Aqueles foram anunciados no passado dia 16, após reunião e decisão
do júri constituído por Carlos Mendes de Sousa, José Manuel Mendes e Vítor
Aguiar e Silva. E são: Isabel Mendes Ferreira, «O Tempo é Renda»; João Miguel
Fernandes Jorge, «Mirleos»; Luís Filipe Castro Mendes (sim, o actual ministro
da Cultura), «A Misericórdia dos Mercados»; Luís Quintais, «O Vidro»; Manuel
Alegre (sim, o ex-deputado do Partido Socialista e ex-candidato à presidência
da república), «Bairro Ocidental».
(Adenda - Manuel Alegre foi o vencedor. Alguém terá ficado surpreendido? Note-se, por curiosidade, que o seu livro tem 56 páginas, o que faz dele o mais pequeno entre os finalistas... e, eventualmente, entre todos os concorrentes.)
(Adenda - Manuel Alegre foi o vencedor. Alguém terá ficado surpreendido? Note-se, por curiosidade, que o seu livro tem 56 páginas, o que faz dele o mais pequeno entre os finalistas... e, eventualmente, entre todos os concorrentes.)
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