Na edição de hoje (Nº 9615) do jornal Público, e na página 53, está o meu artigo «Casa da(s) Moeda(s) de prata». Um excerto: «É, pois, uma tremenda ofensa póstuma ao homem que foi
presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos
Portugueses, embora seja expectável, e até “compreensível”, por as entidades
públicas e/ou sob tutela estatal, como é o caso da INCM, estarem “obrigadas” a
utilizar esta “ortografia” pervertida criada por pervertidos. Na verdade, mesmo
grave, e pior do que o regulamento, seria que a obra vencedora do Prémio Vasco
Graça Moura fosse escrita e/ou publicada obedecendo ao ascoroso “acordês” que o
deputado europeu (entre 1999 e 2009) abominava. Seria inimaginável!» (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53. Referência no Linguagista e no Delito de Opinião.)
sábado, agosto 13, 2016
quarta-feira, agosto 03, 2016
Opções: Pela Praça do Império
Já assinei a petição
«Preservar a Praça do Império é defender a Portugalidade», promovida pelo Nova Portugalidade, um grupo de cidadãos que
tem como objectivo da sua actividade «o estudo, promoção e defesa do património
material e espiritual da Portugalidade». Quem
quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
Lê-se no texto que apresenta
e que explica a iniciativa: «(…) Os canteiros floridos da Praça do Império são,
pese embora o desprezo que lhes parecem votar alguns espíritos menos avisados,
um símbolo vivo, actual, da viva e actual globalização portuguesa.
Representam-se ali, com os seus brasões de armas, os pedaços de Portugalidade
que mais longamente se mantiveram ligados entre si; hoje, o jardim é testemunho
forte de uma aventura colectiva que marcou o nosso passado e pode bem
determinar o nosso futuro. (…) Não pode existir argumento financeiro, estético
ou histórico que concorra para a destruição de algo tão belo e pleno de
significado. Se avançar com o projecto de requalificação agora aprovado para a
Praça do Império, a CML cometerá um crime contra Lisboa, o património nacional
e a profunda amizade que mantemos com os povos da Portugalidade. Mais,
tratar-se-ia de um crime contra a História e, portanto, contra o próprio país.
(…)»
O tema, este texto e as
expressões nele utilizadas como que ecoam outra petição, que subscrevi em 2013,
e que também incidia sobre um elemento do património de Lisboa em risco – o
cinema Odéon. Então escrevi: «Aparentemente, e infelizmente, o meu (modesto)
apoio, tal como o de outros, não
deverá ser suficiente para
evitar a demolição. Que, a concretizar-se, será mais um crime contra o
património nacional – não só da capital – cometido, ou permitido, pela Câmara
Municipal de Lisboa, pelo seu actual presidente e pela sua equipa.» O «actual
presidente» então referido é agora primeiro-ministro… e um dos elementos da sua
equipa é agora edil da capital. Que, como que querendo mostrar ser um «digno»
sucessor, prossegue igualmente a «política» de sacrificar a funcionalidade à estética (e os automobilistas aos ciclistas), da Avenida da Liberdade à da
República. Para alguns as batalhas ideológicas estendem-se à relva dos jardins
e ao alcatrão das vias. (Também no MILhafre.)
terça-feira, julho 26, 2016
Orientação: Sobre o povo, no Público
Na edição de hoje (Nº 9597) do jornal Público, e na página 45, está o meu artigo «O povo é, ou não, quem mais ordena?». Um excerto: «O
referendo não é algo que preferencialmente se deva fazer em situações de crise
aguda, emergência ou mesmo de conflito civil e/ou militar; é melhor
utilizado... e útil em democracias consolidadas e estáveis. Porém, e
obviamente, por algum assunto e em algum momento tem de se, convém, começar. É
pois de rejeitar, neste âmbito, a sobranceria, a arrogância paternalista de
tantos «estadistas» – como o actual (p)residente da república portuguesa – que
afirma(ra)m que um referendo “é uma questão que (em Portugal) não se põe”. E
porque não?» (Também no MILhafre.)
domingo, julho 17, 2016
Ocorrência: 10 anos d’«Os Novos Descobrimentos»
Foi há
precisamente 10 anos – a 17 de Julho de 2006 – que eu e Luís Ferreira Lopes
fizemos a primeira apresentação do nosso livro «Os Novos Descobrimentos – Do Império à CPLP: Ensaios sobre História, Política, Economia e Cultura Lusófonas». A data não foi escolhida ao acaso: então assinalava-se o décimo
aniversário da criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa… e hoje
«comemora-se» o seu vigésimo aniversário.
O lançamento
decorreu na Livraria Almedina (esta também a editora da obra) do (centro
comercial) Atrium Saldanha, em Lisboa. Contámos, na mesa, com as presenças –
que muito nos honraram – de Adriano Moreira, Carlos Pinto Coelho (entretanto falecido), Manuel Ennes Ferreira e Nicolau Santos, que não só falaram do livro
e dos temas que ele aborda(va) como também aproveitaram a ocasião para, com os
autores, fazerem uma retrospectiva do que tinham sido os primeiros dez anos da
existência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – algo que então não
foi reconhecido por um certo comentador que, este ano, foi eleito para um muito
importante cargo político.
Porém, os
defeitos e as insuficiências detectadas na actuação da CPLP na sua década
inicial são, em meu entender, insignificantes perante o que aconteceu na
seguinte – mais concretamente, a implementação do «Acordo Ortográfico de 1990» e a admissão da Guiné Equatorial, pais onde vigora um regime ditatorial, como membro efectivo; a esperança inicial
transformou-se em desilusão posterior, pelo que pouco ou nada há, da minha
parte, para celebrar. (Também no MILhafre.)
segunda-feira, julho 11, 2016
Observação: Não, não acreditava…
… E, afinal,
não se pode negar que eu (à semelhança de muitos outros) tinha bastantes
motivos para isso: as decepções que também sofri em 1984, em 1986, 1996, 2000,
2002, e, já com comentários, em 2004, (não em) 2006 (porque provavelmente
estava a preparar a edição de um livro, que, sim, evocarei em breve a propósito do seu décimo aniversário), 2008, 2010, 2012 e 2014. Como honestamente, racionalmente,
esperar que, depois de aquela que foi possivelmente a melhor selecção
portuguesa de sempre ter perdido em Lisboa uma final contra a… Grécia, uma outra
de (aparentemente) menor valor iria vencer a França em… Paris? E quando, ainda
antes dos dez minutos de jogo, Cristiano foi – não duvido de que
deliberadamente, premeditadamente – lesionado e, depois, forçado a abandonar o
campo, parecia que a aziaga «tradição» se confirmaria e repetiria…
… Porém, e
finalmente, este «fado do futebol» desfez-se: Portugal conseguiu, mesmo, conquistar o Campeonato da Europa de Futebol (sénior, depois de tantos títulos
nas camadas juniores). Talvez por as prioridades terem passado a ser outras.
Como escrevi aqui, «qual é
o problema de eventualmente “ser(e)mos execrados por milhões em todo o mundo a
rezarem pelo nosso justo esmagamento” por sermos, supostamente, “a mais negra e
ronhosa das ovelhas de que haverá memória em torneios futebolísticos”? Os
incomodados que se lixem com “F” grande! Farto estou eu de gostarem de nós
enquanto (e apenas) crónicos derrotados. Farto estou eu de derrotas. Portanto,
que os jogadores da selecção triunfem, mesmo que com mais empates no tempo
regulamentar, mais prolongamentos e mais decisões nas grandes penalidades. Que
tragam a taça.» E trouxeram mesmo.
Nestes festejos, nestas celebrações, nesta alegria avassaladora que enfim chega com tantos anos de
atraso – e em 2016 assinalam-se 50 desde a campanha dos «Magriços» de Eusébio
em Inglaterra – há no entanto um aspecto que me desagrada, que me desilude, que
me indigna: por culpa de pervertidos, de criminosos, de tiranos, antigos e
modernos, a selecção é por muitos escrita sem «c» e veste-se, tal como o país, com as cores de
uma bandeira da infâmia – não a verdadeira de Portugal, nunca é de mais
repetir, mas sim a de uma associação de terroristas. Todavia, pelo menos desta
vez, a repulsa não se sobreporá à felicidade. (Também no MILhafre.)
terça-feira, julho 05, 2016
Obrigado: Mais uma vez, ao Mestre…
… Meu e de
tantos outros, António de Macedo, que hoje completa 85 anos de idade. Nesta ocasião
aproveito para relembrar, repetir, reforçar o que já dissera (escrevera) em 2011, aquando do seu 80º aniversário. E muito fico contente por, apesar de
alguns problemas de saúde, superáveis mas quase inevitáveis em alguém de tão
longa e provecta idade, as ideias, os projectos e as obras feitas não lhe
faltarem. Neste ano de 2016 já publicou «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários»,
livro de não-ficção… sobre ficções, uma colectânea de artigos e de ensaios
editados anteriormente; e lançará, no final do Verão, o seu novo livro de
ficção, um romance, em cuja publicação eu me orgulho de ter dado uma diminuta
mas decisiva contribuição – o que terá constituído uma modesta e insuficiente
retribuição do quanto lhe devo por me ter permitido iniciar verdadeiramente a
minha carreira literária; mas não só… apresentará um filme novo, mais de 25
anos depois! Assim, por tudo isto e não só, muitos parabéns a
António de Macedo, que é, na Ficção Científica & Fantasia em Portugal, o
melhor de nós todos, o mais talentoso, o mais versátil, o mais experiente, o
mais sábio. E, pelo constante entusiasmo e empenhamento, não só artístico mas
também cívico, o mais jovem. Um abraço! (Também no MILhafre e no Simetria.)
quinta-feira, junho 23, 2016
Observação: Uma questão de escala
No passado
dia 12 registei a existência de (mais) uma recente recensão ao meu livro
«Espíritos das Luzes», escrita e publicada cinco dias antes por Artur Coelho no seu blog Intergalactic Robot. E prometi para breve uma resposta. Pois bem, ela
aqui está…
… E começo
por reproduzir e destacar dessa recensão os elogios de âmbito geral, e até
específico, àquela minha obra, que são vários: «Este livro assenta sobre aquilo que, de forma muito
óbvia, foi uma forte investigação sobre a época. A bibliografia e discografia
que o encerra é (são) muito interessante(s). Pega num momento marcante da
história portuguesa e especula num misto de fantástico com Ficção Científica.
Recupera na memória do leitor grandes vultos da cultura e política da época
iluminista. Consegue invocar, ao longo dos capítulos, uma curiosa estética,
misto da iconografia barroca com high tech. (…) Até me encantou (…) a curiosa
cosmogonia do universo ficcional deste devaneio cyber-barroco. Octávio dos
Santos imagina os países da Europa setecentista como planetas, interligados por
vias galácticas sulcadas por passarolas. Confesso que é uma visão que me atrai,
a recordar ilustrações novecentistas do sistema solar enquanto esferas nas mãos
de malabaristas, invocando imagens de uma Lisboa barroca com passarolas
gigantes suspensas nos céus. Tem o seu quê de fantasia mágica. (…) No meio de
tudo isto, há uma história, um fio condutor que até tem interesse. Nesta Lisboa
alternativa, o terremoto provocou uma fissura no espaço-tempo que mostra um
vislumbre de uma outra Lisboa, arrasada pelo tremor de terra, onde as
passarolas nunca voaram. (…) Na vertente périplo, consegue pontos de
interesse, na recriação da Ópera do Tejo ou no infame capítulo onde a
sensualidade mordaz da poesia de Bocage é explorada num boudoir subterrâneo
do Café (Clube) Nicola. Um capítulo divertido na sua perversão e sanidade
mental questionável, que merece ser lido. A sério, atrevam-se.»
Porém, a
classificação final dada por Artur Coelho ao meu livro, revelada no GoodReads,
foi, algo inesperada e contraditoriamente, de duas em cinco estrelas – aliás,
foi aumentada, pois antes chegou a ser de uma! E qual foi a avaliação final,
resumida, correspondente àquela reduzida («negativa») classificação? «Falha
redondamente». E porquê? «Archizero» afirma que «Espíritos das Luzes» se «perde
nas inconsistências». E quais são essas supostas «inconsistências»?
Uma será a
própria designação que faço da minha obra enquanto «ficção científica»… embora
para Artur Coelho não o seja, porque a FC é um «campo que exige todo um outro tipo de construção de
mundo ficcional, mais assente em pressupostos rigorosos do que num imaginário
solto mais próximo da fantasia.» Desde quando é que é obrigatório que na ficção
científica existam sempre «pressupostos rigorosos»? E em que consistem exactamente
esses pressupostos? Em explicar detalhadamente como se chegou à concepção de
determinados métodos e técnicas de transporte, comunicação, trabalho e
entretenimento, de determinados sistemas de organização política, social e
económica? Quanto mais «próxima» de nós está a FC em causa, mais esse rigor,
concordo, deve existir; porém, «Espíritos...» desenrola-se numa dimensão espaço-temporal
alternativa, em que naquela os países que conhecemos são planetas! Maior «falta de rigor» inicial é
impossível, ou pelo menos muito difícil. No mesmo sentido vai a «queixa» de que
«elementos tecnológicos no livro, que aparecem sem contextualização, dando a
sensação que estão lá só porque sim, porque pareceu bem meter nanotecnologia
dentro de uma paisagem barroca ou autómatos a reconstruir a Ópera do Tejo». De certeza
de que são «sem contextualização»? Olhe que não… esses elementos
aparecem quando são necessários e não aleatoriamente. Será o Artur capaz de
«jurar» que em outras obras de FC, incluindo muitas das «clássicas», das
«consensuais», não existem por vezes elementos tecnológicos sem
«contextualização» e «pressupostos rigorosos»?
Outra
«inconsistência», ou «dissonância», «que
torna esta leitura mais penosa é aquele(a) que prometia ser o(a) mais
interessante»: a
utilização, como diálogos, de «discursos» - enfim, textos autênticos – das
personagens históricas introduzidas e «transformadas» (expressão minha) na
narrativa; mas, atenção, não é esse recurso em si o problema para Artur Coelho
mas sim a alegada «propensão
do autor a despejar parágrafos e páginas inteiras dos escritos originais.» Poderá
ser difícil a AC, e a outros, acreditar, mas o que lhe(s) parece «despejo» foi, e
é, na verdade uma selecção cuidadosa, ponderada, com conta, peso e medida, e
sempre adequada às diferentes «situações» que imaginei. Não, obviamente que nem
todas as citações ocupam uma página. Mas, sim, algumas são longas, e isso foi deliberado, intencional; são densas e
até mesmo desequilibrad(or)as, mas tal faz parte da estética da obra, porque replicam,
reproduzem, os próprios excessos da época e das personagens que eu revisito e
reformulo. «Archizero» parece admitir que «perde(u) logo o fio à meada». Sim,
isso é um problema… mas dele, não meu. Seria de esperar que alguém que já leu
tanto – incluindo bastantes livros de índole tecnológica – conseguisse
aguentar, e sem se «perder», umas passagens mais compridas e que lidam com
temas que não se podem exactamente considerar complexos.
Enfim, a
única «inconsistência» explicitamente indicada por Artur Coelho refere-se às «escalas» (distâncias) que «não são
consistentes ao longo da narração». E porquê? Porque «umas vezes estão
expressas, outras não». No entanto, e obviamente, não há qualquer
«inconsistência» por eu não estar sempre a fazer, e a mostrar, «contas»,
números de quilómetros, ou outro tipo de medição; haveria, sim, se eu me
enganasse, se eu desse valores numa certa instância que estivessem em
contradição com os de outra. Todavia, e muito, muito mais significativa, é a
confissão feita por AC de que «não
consegue conceber uma distância de dezenas de quilómetros do Terreiro do Paço
ao Palácio Foz.» Sim, isso é outro problema… mas também dele, não meu. Eu tanto consigo conceber… que concebi mesmo. E eu sou lisboeta! Uma
Lisboa «pequena», como a que existe na realidade, num «planeta Portugal» é que
seria (muito) «inconsistente». Logo, é indiscutível que «o imaginar de Lisboa como um espaço imenso,
com as distâncias ampliadas em mega escalas, é outro elemento que também»… funciona.
O principal
problema - não meu, logicamente – está precisamente nisto: o de que há quem
queira e consiga… conceber, e há quem não queira nem consiga. Paciência! Efectivamente, tudo se resumirá a uma questão de escala… pessoal, e não só. É
por isso que uns criam e outros… criticam. E, porque muitos deles (a maioria) não
têm essa experiência, essa faceta, de criadores, os críticos mais facilmente –
e levianamente – desvalorizam e até desprezam o que aqueles, tantas vezes com
elevados sacrifícios pessoais, fazem. Assim, nesse sentido, se por um lado devo
congratular Artur Coelho por ter lido o meu livro na íntegra antes de opinar
(algo deficientemente, é certo) sobre ele, por outro lado devo, ainda mais
veementemente, condená-lo por – reincidindo num lamentável
procedimento que eu, em ocasiões
anteriores (com outras obras e outros autores), já lhe censurara – se permite
armar em «spoiler» e revelar o final, o desenlace, daquele. Para tal ele dá a
«justificação» (?) de que «não estou preocupado porque ao que parece
nenhum leitor chega ao fim deste livro» - tanto mais insólita porque ele
próprio chegou ao fim, e, obviamente, antes dele, e por mais incrível que isso
possa parecer, outros também chegaram. Entre os quais, nomeadamente, este português e este inglês.
Esta atitude – indigna, não é de mais salientá-lo – de
desrespeito por parte de Artur Coelho, à semelhança do seu derradeiro e
desfavorável «veredicto» dado a «Espíritos das Luzes», acontecem
fundamentalmente, acredito, por «group think», por «peer pressure»: AC refere
«outros leitores deste livro, que (…) detestaram a curiosa cosmogonia» patente
na minha obra, e admite que «gostaria
de ter chegado ao final desta leitura com uma opinião contrária às que tenho
ouvido sobre esta obra. Infelizmente, não consigo.» Não consegue… ou não quer?
Quem são esses «outros que detestaram», que fazem com que o capítulo sexto seja
«infame», e que «Archizero» tanto respeita – ou receia – a ponto de as opiniões
deles ouvidas anularem os «elementos intrigantes» que encontrou? É pouco
provável que os identifique ou que eles próprios se assumam… embora eu talvez
fosse capaz de adivinhar quem são. De uma coisa pelo menos eu
tenho a certeza quanto a essas «luminárias»: nunca até hoje secundaram a
posição que eu enuncio e demonstro no meu artigo «A nostalgia da quimera»,
publicado há quase cinco anos, de que «o fantástico é o género dominante na
literatura portuguesa». Preferem, aparentemente, continuar a ser membros de uma
espécie de «Portugal dos Pequenitos da FC & F», conformados por estarem
confinados a um sub-género que reconhecem (mas eu não) como inferior, se não
por palavras, então por (falta de) actos. «Espíritos das Luzes» é a expressão,
na ficção, daquela minha reflexão e da crença que a anima: imagina um Portugal
grande, maior (um planeta!), e, logo, uma Lisboa grande, maior; e, sim, isso
também pode implicar citações, e parágrafos, grandes, maiores.
Não é de agora – aliás, e infelizmente, há uma antiga e
funesta «tradição» disso – que a originalidade e até a radicalidade de certas
obras sejam confundidas com a sua (suposta falta de) qualidade, e que na
sequência disso sejam rejeitadas inicialmente. Acredito que «Espíritos das
Luzes» se encontra nessa categoria. Porém, leitores, «críticos», editores, já
há muito que deveriam ter aprendido com os exemplos e com as lições do passado
para não continuarem a cometer os mesmos erros de avaliação e de decisão no
presente. Quantas vezes aconteceu, ao longo da história cultural em geral, e
literária em especial, que a «bizarria» de ontem (hoje) é a genialidade de hoje
(amanhã)? Só por isso deveriam ter mais cuidado, não vá dar-se o caso de,
depois, arrependerem-se amargamente… por os seus «retratos» para a posteridade
não se revelarem, afinal, os mais favoráveis. (Também no Simetria.)
sexta-feira, junho 17, 2016
Outros: Livros MIL
Passaram
ontem seis meses desde a apresentação do meu mais recente livro publicado, «Q – Poemas de uma Quimera», aquando do colóquio «Afonso de Albuquerque, 500 Anos – Memória e Materialidade». Porém, aquela minha obra é apenas uma entre várias de uma «colecção» que o Movimento Internacional Lusófono tem vindo a editar nos
últimos meses, e que incluem: «A Filosofia Jurídica Luso-Brasileira do Século XIX»;
«A Literatura Russa Vista por Autores Portugueses»; «André Brun – Antologia de Textos e Anedotas Sobre a Grande Guerra de 1914-1918»; «Eduardo Lourenço em Roda Livre»; «Filosofia, Arte e Literatura – Uma abordagem sobre a Formação Poética, Literária e Estética do Povo Cabo-Verdiano»; «O Acto de Escrita de
Fernando Pessoa»; «Olhares Luso-Brasileiros». O meu livro é, de facto, até ao
momento, a única excepção… poética entre um lote de prosas de não-ficção, do qual
deve ser realçada a grande diversidade de temas.
domingo, junho 12, 2016
Ordem: Sim, também irei ripostar…
… A uma nova,
mais recente, recensão do meu livro «Espíritos das Luzes». Foi feita por Artur
Coelho, que a publicou, no passado dia 7 de Junho, no seu blog Intergalactic
Robot. Em breve, aqui no Octanas e também no Simetria, divulgarei a minha
resposta. Será como a anterior? Esperem e verão. ;-)
terça-feira, junho 07, 2016
Observação: Lágrimas púrpuras
No passado
dia 21 de Abril, à tarde, estava, como quase sempre, em frente do computador,
lendo e escrevendo. E, também como normalmente, tinha acabado de fazer mais uma
«ronda» pelos principais sítios noticiosos que consulto preferencialmente.
Porém, a notícia que não queria saber, que estava longe de imaginar que pudesse
acontecer, foi-me dada por telefone. A minha esposa telefonou-me. Perguntou:
«Já sabes o que aconteceu com o Prince?» Sobressaltei-me: «Não. O que foi?» A
resposta gelou-me: «O pior que poderia ser». Acedi de imediato à Fox News, onde
estivera não mais do que quinze minutos antes, e vi, li… em grande destaque, no
topo da página. No Público também. Entretanto, a Prince.org, comunidade virtual
de admiradores, havia «crashado». Gritei «não!» e bati várias vezes com a mão
direita no tampo da secretária. Uma das minhas filhas espantou-se e
preocupou-se; entristeceu-se depois… desde muito nova que eu – tal como às
irmãs – lho tinha dado a ouvir. Porquê, porquê, porquê?..
À noite,
telefona-me a minha mãe: «Filho, já sei que ele morreu. Imagino como deves
estar triste. Lembro-me de como gostavas dele, de como estavas sempre a
ouvi-lo, mas ignoro se, nos últimos anos, continuava a ter a mesma importância
para ti…» Sim, sempre continuou a ser muito importante. À minha frente, erguido
num suporte próprio em madeira, está o (grande) livro (de fotografias) «21 Nights» (que inclui o disco ao vivo «Indigo Nights»), editado na sequência dos
concertos que deu em Londres em 2007. Desde Outubro de 2015, isto é, desde que
coloquei a capa de «Around The Word In A Day», então a celebrar 30 anos de
edição, como ilustração da Simetria Sonora do ano passado, que vinha ouvindo
novamente todos os discos dele que possuo, que são quase todos. E, mais
comovente… e mais inquietante, nesse próprio dia 21 de Abril adquirira uma das
mais recentes obras dele que ainda não fazia parte da minha discografia, «Art
Official Age»; o recibo da FNAC indica 14 horas e 31 minutos; se não me engano,
mais ou menos nesse preciso momento, do outro lado do Atlântico, estariam a
encontrá-lo, inconsciente, num elevador da sua casa, estúdio, museu, mausoléu…
Em Paisley
Park, Chanhassen, no Estado do Minnesota, não terá nevado naquele dia…
O que mais me
custou, o que mais me surpreendeu? O facto de ele ter morrido sozinho – aliás,
e aparentemente, de ele viver, estar, sozinho em períodos prolongados. Algo
ainda mais inadmissível por, poucos dias antes, ter apanhado um susto que o fez
aterrar no Illinois para receber assistência hospitalar de emergência. Não era suposto
haver alguém com ele, a acompanhá-lo, a vigiá-lo? É certo que não tinha família
mais chegada – esposa, filhos – mas não faltariam, supostamente, outras
pessoas, tais como assistentes, colaboradores, amigos (músicos e não só) que
durante toda a sua carreira o rodearam, que poderiam – e deveriam – fazer isso;
aliás, ele sempre esteve longe de ser um eremita; era um génio, mas não um
recluso.
Numa palavra,
Prince morreu por negligência – dele próprio e de outros. Tal também deve ter acontecido
devido a arrogância, a uma excessiva confiança, a um sentimento de
invulnerabilidade, talvez a uma sensação de imortalidade. Há quem fale em «ignorância e medo». Sim, ele, tanto
quanto se sabe, nunca terá caído nos excessos em que Michael Jackson caiu; no
entanto, se é certo que ele nunca terá tentado alterar a sua aparência
estritamente física, embora o tenha feito continuamente no penteado e nas
roupas, terá tentado (é essa a minha avaliação) manter-se jovem, ou, melhor
dizendo, manter o mesmo estilo de vida, feita de digressões e de espectáculos
prolongados e exigentes, cansativos, extenuantes, noitadas e «directas» de
gravações, quando não de festas. Enfim, ele talvez ter-se-á convencido de que,
passados os 50 anos, e já a caminho dos 60, conseguiria manter o ritmo que
tinha aos 20 anos e aos 30. Suspeitava-se de que ele abusava de analgésicos… e
a autópsia, cujas conclusões foram anunciadas na semana passada, revelaram que
ele morreu devido à auto-administração de uma dose excessiva de Fentanyl, «o mais potente narcótico conhecido, um opióide artificial 50 vezes mais forte do que a heroína e 100 vezes mais do que a morfina», e usado para tratar «dor
severa e crónica».
Ele não mudou
a sua maneira de estar e de agir, não descansou, não abrandou a velocidade a
que vivia… e por isso parou definitivamente, prematuramente. Uma enorme
desilusão, a maior que ele causou, a mim e a muitos outros. E em quase 40 anos
de carreira não foram assim tantas nem graves as decepções: artísticas, praticamente
nenhumas; pessoais… dir-se-ia a promiscuidade, mas nunca alguma mulher se
queixou ou o acusou de ter um comportamento menos próprio; religiosas… a sua
conversão às Testemunhas de Jeová espantou, e terá eventualmente dificultado a
obtenção atempada e correcta de auxílio médico; políticas… ao contrário de
vários (demasiados) colegas de profissão, nunca se notabilizou negativamente
por afrontar e ofender partes significativas do público com afirmações,
atitudes e acções controversas e divisivas – uma excepção terá sido, em 2015, o
seu envolvimento (acredito que bem intencionado) com figuras tão sinistras como
os «Black Lives Matter», Al Sharpton e outros racistas criminosos e «progressistas»
aquando dos motins em Baltimore, tendo inclusivamente escrito e gravado uma
canção sobre o assunto (depois soube-se também que doara dinheiro à família de
Trayvon Martin). Poucos «pecados»… facilmente perdoados. Nada de
(muito) grave para todos quantos, como eu, lhe devem tanto.
Agora, a
grande questão, a grande incógnita, é o que vai acontecer ao seu legado, ao seu
património, tanto cultural como financeiro. Tudo indica que ele nunca redigiu nem deixou um testamento… o que expressa, uma (última) vez mais, uma reprovável
negligência. A quem caberá, pois, a sua enorme fortuna? Aos seus irmãos e sobrinhos?
Aos seus amigos? Às ex-mulheres e amantes? Será concretizada a campanha de
reedição dos seus discos – remasterizados, remisturados, «completos» com
faixas-extra – pela Warner Brothers Records, anunciada em 2014 e que era
suposto ter produzido, para começar, a edição especial do 30º aniversário de
«Purple Rain»? Serão divulgadas, e, se sim, como, as canções inéditas guardadas no seu «cofre» (que, apesar de muito provavelmente serem bastantes, não
acredito no entanto que sejam cerca de duas mil, como alguém calculou)? Em 1993
escrevi - em artigo publicado na revista TV Mais – que Paisley Park poderia
tornar-se numa nova Graceland; mantenho esta previsão, e há quem concorde comigo.
Prince Rogers
Nelson nasceu a 7 de Junho de 1958, pelo que completaria hoje, se fosse vivo, 58 anos de idade. Uma data que muitos admiradores, do seu Minnesota natal mas
não só, gostariam que fosse transformada num feriado no seu Estado, e já há uma petição nesse sentido. Todavia, o actual governador, (o democrata) Mark Dayton,
(ainda) não fez isso… mas decidiu designar 23 de Maio como «Dia de Beyoncé»,
artista que não tem qualquer ligação à «terra dos dez mil lagos». Porquê?
Talvez porque, ao contrário da esposa de Jay-Z, «sua alteza púrpura» nunca
votou em Barack Obama nem apelou a que se votasse no actual presidente, não
obstante ter tocado e cantado para ele na Casa Branca. E, eventualmente, também
porque no fundo, por detrás da sua aparência exuberante, ele era socialmente conservador, o que incluía ser opositor do «casamento» entre pessoas do mesmo
sexo. Controverso… contudo, no que respeita ao mais importante, do lado certo.
Celebremos a sua vida e a sua obra... como se fosse, ainda e sempre, 1999. (Também no Obamatório.)
quinta-feira, maio 26, 2016
Ocorrência: Eu não, mas o actual mC sim
Ao longo dos
anos já concorri a vários prémios literários em Portugal, tanto com obras
inéditas como com obras publicadas. E, até agora, o «palmarés», o «pecúlio», é
reduzido: apenas uma menção honrosa – em mais do que um sentido, pois foi
outorgada pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal – ganha (com o
meu amigo e co-autor Luís Ferreira Lopes) por «Os Novos Descobrimentos» em 2008.
O mais recente dos prémios a que me candidatei, com «Q – Poemas de uma Quimera», foi o Grande Prémio de Literatura DST 2016, que tem a particularidade
de apurar previamente cinco finalistas dos quais o vencedor, depois, será
escolhido. Aqueles foram anunciados no passado dia 16, após reunião e decisão
do júri constituído por Carlos Mendes de Sousa, José Manuel Mendes e Vítor
Aguiar e Silva. E são: Isabel Mendes Ferreira, «O Tempo é Renda»; João Miguel
Fernandes Jorge, «Mirleos»; Luís Filipe Castro Mendes (sim, o actual ministro
da Cultura), «A Misericórdia dos Mercados»; Luís Quintais, «O Vidro»; Manuel
Alegre (sim, o ex-deputado do Partido Socialista e ex-candidato à presidência
da república), «Bairro Ocidental».
(Adenda - Manuel Alegre foi o vencedor. Alguém terá ficado surpreendido? Note-se, por curiosidade, que o seu livro tem 56 páginas, o que faz dele o mais pequeno entre os finalistas... e, eventualmente, entre todos os concorrentes.)
(Adenda - Manuel Alegre foi o vencedor. Alguém terá ficado surpreendido? Note-se, por curiosidade, que o seu livro tem 56 páginas, o que faz dele o mais pequeno entre os finalistas... e, eventualmente, entre todos os concorrentes.)
segunda-feira, maio 16, 2016
Ordem: De mim, e não de António Costa
Ontem, 15 de
Maio, decorreu a cerimónia oficial de «rebaptismo» do aeroporto de Lisboa, até agora designado «da Portela», enquanto Aeroporto Humberto Delgado. Com as presenças do presidente da república, do primeiro-ministro, o presidente da
Câmara Municipal de Lisboa, familiares do homenageado e outras
individualidades. Entre as quais eu não estive porque não recebi um convite.
Que, acredito, merecia, porque foi de mim, e não de António Costa, que partiu a
ideia desta nova designação. Algo que, porém, o actual governo não parece
interessado em reconhecer e em divulgar.
Já a 11 de
Fevereiro do ano passado, quando a CML aprovou uma moção – subscrita unicamente
pelo então presidente e actual chefe de governo – propondo a alteração, eu assinalei o facto e lembrei a minha precedência na ideia, concretizada num
artigo publicado na edição Nª 1827 do jornal Expresso, em 3 de Novembro de 2007
– e que está incluído no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um Novo País». No entanto, se então não julguei indispensável «avisar» as
entidades envolvidas da existência daquele meu texto (embora tenha considerado
fazê-lo), as dúvidas desvaneceram-se completamente quando, exactamente um ano
depois, a 11 de Fevereiro deste ano, foi anunciada a decisão do corrente executivo de concretizar, a 15 de Maio (data do 110ª aniversário de nascimento
de Humberto Delgado), a moção da edilidade da capital – expressa numa resolução do conselho de ministros em que António Costa aparece novamente como único
signatário.
Assim, a 28
de Abril último falei por telefone com o assessor de imprensa da ANA-Aeroportos
de Portugal, a quem enviei depois, no mesmo dia e por correio electrónico, um
ficheiro com a imagem da página (36), contendo o meu artigo, da referida edição
do Expresso. Por sugestão daquele, no dia seguinte (29 de Abril) contactei,
também por correio electrónico, o gabinete do Ministério
do Planeamento e das Infraestruturas, anexando não só, igualmente, o ficheiro mencionado,
mas ainda expondo os motivos do meu contacto: «no contexto da atribuição do nome do “General sem medo”
ao aeroporto da capital, em cerimónia que se realizará no próximo dia 15 de
Maio, decidida pelo actual governo na sequência de uma petição aprovada pela
Câmara Municipal de Lisboa em 2015, revelar que a referida homenagem foi (por
mim) proposta previamente, e solicitar que esse facto seja, a partir de agora,
devidamente divulgado nas acções de comunicação relativas à iniciativa.» Só a 9
de Maio (ou seja, 10 dias depois) recebi a resposta, que consistia na informação de que
a chefe de gabinete do ministro decidira, em despacho, reencaminhar a minha
mensagem para o assessor de imprensa do MPI…
… E este, finalmente,
contactou-me a 13 de Maio, mas só depois de eu lhe ter enviado uma mensagem solicitando-lhe
alguma rapidez porque a data da cerimónia aproximava-se. Em que consistiu a
missiva? Fundamentalmente, na inclusão de um anexo com uma nota de agenda
informando da presença do ministro Pedro Marques, ontem, no aeroporto, e da
ligação para a página do Diário da República com a já citada RCM. Eu repliquei,
antes de mais, agradecendo a resposta, mas a seguir fazendo notar que «ela não
vai ao encontro da questão fundamental que expressei na minha mensagem de 29 de
Abril último, dirigida ao Ministério do Planeamento e das Infraestruturas (por
indicação, volto a salientar, da ANA): o reconhecimento formal, oficial, por
parte do actual governo, de que é minha a ideia de atribuir o nome do General
Humberto Delgado ao aeroporto de Lisboa. Assim, continuarei a aguardar que tal
esclarecimento seja feito, em especial na (e/ou na sequência da) cerimónia que
vai decorrer no próximo domingo, dia 15 de Maio - que tentarei acompanhar
atentamente “à distância”, porque não recebi convite para nela participar.» E,
efectivamente, tanto quanto me foi possível depreender, o meu nome e o meu
artigo não tiveram qualquer menção. Aliás, a única alusão na comunicação social
(de que tenho conhecimento) à minha proposta de há quase nove anos foi feita,
na passada sexta-feira, por Nuno Pacheco, director-adjunto do Público, no seu
artigo «Nomes que voam alto», o que muito agradeço.
Tudo considerado,
reflectindo sobre o que neste caso aconteceu, e, mais, sobre o que não
aconteceu, tenho legitimidade para admitir como muito provável a hipótese de
que António Costa viu o meu artigo de 2007 e dele retirou a ideia que, depois
de um «esboço» enquanto autarca, concretizou posterior e finalmente enquanto
primeiro-ministro. O Expresso não era propriamente, reconheça-se, um jornal de reduzida
tiragem e de menor influência e que não conta(va) também entre os seus leitores
regulares todos os principais dirigentes político-partidários nacionais. E mesmo
na eventualidade de ignorarem a existência do meu texto antes de os ter
contactado, aos responsáveis actuais do Ministério do Planeamento e das
Infraestruturas em especial, e do governo em geral, exigir-se-ia outra atitude,
outro comportamento, a partir do instante em que tiveram conhecimento – dado
por mim – de uma proposta prévia que visava igualmente homenagear Humberto
Delgado. Uma atitude e um comportamento mais consentâneos com a probidade e o
rigor que são expectáveis de quem exerce cargos públicos. (Também no MILhafre.)
terça-feira, maio 10, 2016
Outros: Textos seleccionados (Parte 3)
«Dia Mundial da Trissomia 21», Francisca Prieto; «Uma folha e uma flor», José António
Barreiros; «As caras da hipocrisia», Nuno Gouveia; «Voltar a casa», João Pedro
Graça; «BN», Maria do Rosário Pedreira; «Simplificação do M(in)istério da Cultura», João Gonçalves; «O Sequeira e o lugar certo», Manuel Augusto Araújo;
«Ainda vamos a tempo», Helena Matos; «Podia ter tido uma despesa imprevista, TSF», Vítor Cunha; «Talvez seja de pedir uma indemnização ao Estado», Rui
Rocha; «Quando a arrogante desfaçatez é ilimitada», Nuno Castelo-Branco; «O paradoxo de Abril», Diogo Noivo; «Dois anos sem o Vasco», Isabel Mouzinho;
«Como se o tempo ficasse suspenso», Pedro Correia; «Por quanta beleza em teus olhos viram», António de Araújo; «Quebrada a estátua de D. Sebastião da estação ferroviária do Rossio», David Soares; «Sobre o amor maior», João Távora;
«Solteiros e bons rapazes», Nuno Gonçalo Poças; «Do pa(n)lermismo», Renato
Epifânio. (Também no MILhafre.)
quarta-feira, maio 04, 2016
Ocorrência: «Q» em destaQue…
… Na
Biblioteca Municipal de Alverca, durante quase todo o mês de Abril último. O
meu mais recente livro publicado esteve num expositor, ornado com a designação
«Escritores cá da nossa terra», colocado à entrada daquela biblioteca – que,
aliás, tem uma «colecção» quase completa das minhas obras (só falta uma), por
mim oferecidas à medida que foram saindo ao longo dos anos. Agradeço à equipa
da BMA a atenção e a distinção.
sábado, abril 30, 2016
Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2016
A literatura: «52 Métricas de Marketing e Vendas», Luís Bettencourt Moniz e Pedro Celeste; «Arte de "Guerra das Estrelas" - Conceito», Doug Chiang, Erik Tiemens, Joe Johnston, Ralph McQuarrie, Ryan Church, e outros; «Contos do Gin-Tonic» e «Novos Contos do Gin», Mário-Henrique Leiria; «Discussão», Jorge Luis Borges; «O Homem que Trazia Instruções, e Outras Estórias», Beatriz Pacheco Pereira; «Profetas e Profecias», Jean-Paul Bourre; «A Morte», Maria Filomena Mónica; «Vampirella Vive», Amanda Conner, Jimmy Palmiotti e Warren Ellis.
A música: «26 Classic Pop Hits» e «26 Country Hits», Tom Jones; «4» e «Agent Provocateur», Foreigner; «Every Good Boy Deserves Favour», Moody Blues; «To Be Kind», Swans; «Fado Português», Amália Rodrigues; «Never Mind The Bollocks, Here's The...», Sex Pistols; «Take It Satch!», Louis Armstrong & The All Stars; «It's Time For A Love Revolution», Lenny Kravitz; «Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-81», Pink Floyd; «Il Trionfo d'Amore», Francisco António de Almeida (por Ana Quintans, Carlos Mena, Cátia Moreso, Fernando Guimarães, Joana Seara e João Fernandes, com Vozes Celestes e Os Músicos do Tejo sob direcção de Marcos Magalhães).
O cinema: «Casa Segura», Daniel Espinosa; «De Dentro Para Fora», Pete Docter; «Os Gatos Não Têm Vertigens», António Pedro de Vasconcelos; «Os Pinguins do Sr. Popper», Mark Waters; «Salvando o Sr. Banks», John Lee Hancock; «Terminador - GéneSis», Alan Taylor; «O Grão e a Tainha», Abdellatif Kechiche; «Homem do Rei - O Serviço Secreto», Matthew Vaughn; «Orgulho e Preconceito», Joe Wright; «Vingadores - Idade de Ultron», Joss Whedon; «Que Estranho Chamar-se Federico», Ettore Scola; «O Feiticeiro de Oz», Larry Semon; «Intocáveis», Eric Toledano e Olivier Nakache; «O Caçador de Recompensas», Andy Tennant; «Gravidade», Alfonso Cuarón; «Ted», Seth MacFarlane; «Maleficente», Robert Stromberg; «Beijo Beijo, Bang Bang», Shane Black; «Táxi», Tim Story; «A Dupla Vida de Verónica», Krzysztof Kieslowski; «Hannah Arendt», Margarethe Von Trotta; «Imperador», Peter Webber; «Orla do Amanhã», Doug Liman; «O Calor», Paul Feig; «Spectre», Sam Mendes; «O Mordomo», Lee Daniels; «Yvone Kane», Margarida Cardoso; «Atrás do Candelabro», Steven Soderbergh; «Fúria», David Ayer; «RoboCop», José Padilha; «Minha Mãe», Nanni Moretti.
E ainda...: «Lazarus», (vídeo musical de) David Bowie; «Our Return» (documentário sobre o regresso oficial da Porsche às 24 Horas de Le Mans); «O Sonhador de Oz - A História de L. Frank Baum» (telefilme), Jack Bender; Museu do Neo-Realismo - exposição «Manuel Guimarães, Sonhador Indómito» + exposição «Garcez da Silva - Percursos» + exposição «SemConsenso, Banda Desenhada, Ilustração e Política» + «Mostra de escultura do acervo do MNR»; FNAC - exposição de ilustrações «Viagem ao imaginário de "Eu Quero a Minha Cabeça!" e "Barriga da Baleia"» de António Jorge Gonçalves (Chiado) + exposição de fotografias (de vários autores) «Rock In Rio - 30 Anos» (Vasco da Gama); Plataforma de Associações da Sociedade Civil - «IV Congresso da Cidadania Lusófona - O Balanço da CPLP»; Biblioteca Nacional de Portugal - colóquio «Uma "insólita ofensiva de corrupção": nos 50 anos dos processos à Afrodite no Tribunal Plenário» com Pedro Piedade Marques, João Pedro George e João Paulo Guerra + exposição «O Tempo das Imagens: edições recentes do Centro Português de Serigrafia» + exposição «A circulação do Direito na Europa Medieval: manuscritos jurídicos europeus em bibliotecas portuguesas» + mostra «Os intelectuais portugueses e a guerra 1914-1918» + mostra «No Centenário da Cruzada das Mulheres Portuguesas» + mostra «80 anos d'O Mosquito» + mostra «Entre páginas, entre vidas: marcadores de livros (colecção de Lúcio Alcântara)»; «Black Dandy», (documentário de) Ariel Wizman e Laurent Lunetta; Centro Interpretativo do Parque das Nações/Pavilhão de Portugal - exposição «A Cidade Imaginada»; «Californicação» (sétima e última temporada, último episódio).
terça-feira, abril 26, 2016
Obrigado: Aos alunos e aos professores…
… Da Escola EBI
do Bairro do Paraíso e da Escola EB1 Dr. Sousa Martins, ambas em Vila Franca de
Xira e pertencentes ao Agrupamento de Escolas Professor Reynaldo dos Santos,
que, respectivamente no passado dia 20 de Abril e hoje, 26, me receberam para
me ouvir falar – e com eles conversar – sobre as causas, consequências e
significados dos acontecimentos ocorridos no dia 25 de Abril de 1974. Tendo,
naqueles dois estabelecimentos de ensino, estado perante crianças do 3º e do 4º
anos de escolaridade, ou seja, com não mais do que 9 anos de vida, o meu ponto
de partida foi o de que aquando da «Revolução dos Cravos» eu tinha exactamente
aquela idade; e, embora privilegiando uma perspectiva nacional na abordagem daquele
facto histórico, não deixei de incluir uma referência regional, concelhia... e até familiar, pessoal – a evocação dos irmãos Carlos e Octávio Pato, meus primos, originários
de VFX, militantes do Partido Comunista Português, resistentes ao regime deposto
em 1974/4/25, presos e torturados (e, no caso do primeiro, assassinado) pela
PIDE. Enfim, aqui faço também um agradecimento especial a António José Fonseca,
professor-bibliotecário do AEPRS, que me convidou.
sexta-feira, abril 22, 2016
Outros: Contra o AO90 (Parte 13)
«Autores “infanto-juvenis”: colaboracionismo ortográfico?», Madalena Homem Cardoso; «Uma verdade que os leitores do Expresso não estão a ver», «Professores “da esquerda” e “muito arrogantes”?», «Back to the “fatos” e “contatos”», «O Acordo Ortográfico de 1990 e o sistema grafémico do português europeu», «Como se para um homem», «Havendo activos, há esperança», «Algumas reflexões acerca da fiscalização abstracta», «O New York Times e a falta de perspectiva», «”Piada com Sporting obriga Marisa Matias a retratar-se”», «Retrospectiva ortográfica»,
«Não há perspetiva comum», «Orçamento de Estado para 2016», «Afinal, havia outro»,
«O retrato oficial» e «Em “direção” ao futuro?», Francisco Miguel Valada; «O português devora-se a si mesmo», José Carlos Fernandes; «Resistindo ao desejo de gastar seis euros» e «Emudecendo consoantes», José António Abreu; «Treinador Octávio Machado muda de nome», «Há que não “compatuar” mas “convitamente”»,
«Descubra as diferenças», «”Project” é Inglês? Não interessa. Acordize-se!»,
«Proselitismo na sombra», «Tão subtil como uma marretada na cabeça», «A Wikipédjia lusôfuna», «Contrato de edição "ne varietur" (proposta)», «Academia de Lisboa versus Académie française», «A escola do caos», «Empate técnico», «Presidência “direta”», «Muhammad Saeed al-Sahhaf não está em vigor», «Como diz a outra», «Literatura, concursos, prémios, direitos de autor e AO90» e
«cAOs na Presidência», João Pedro Graça; «”Acordo Ortográfico” discutido pela terceira vez em 25 anos» e «”AO”/90 – Um monumento de incompetência e ignorância», Ivo Miguel Barroso; «O Acordo Ortográfico e o ensino – Instantâneos do caos», «E novidades sobre o acordo ortográfico? Não há!»
e «Pagamento da factura – A influência do AO90 na pronunciação», António
Fernando Nabais; «O númerozinho» e «Ardeu a língua “passada dos carretos”?»,
Rui Valente; «António Costa deve ser julgado por crime de lesa-Pátria», João
José Horta Nobre; «Academia e bom senso», «Tudo língua, tudo Coimbra», «Se fosse só três sílabas…», «Palmas para a Academia», «Ortografia é que não» e «A oitava revisão», Nuno Pacheco; «O órgão vital – O bolso», «Língua sacaneada»,
«Estrela de seis pontas», «A revelação da língua portuguesa» e «Bombeiros pirómanos», Olga Rodrigues; «Resistência activa ao aborto ortográfico (111,
112, 113, 114, 115, 116, 117, 118) e «Presidenciais (32)», Pedro Correia; «Réu condenado a pena suspensa», Duarte Afonso; «Deixemos respirar livremente as ortografias nacionais», Artur Anselmo; «Ao(s) sábio(s) da “Real” Academia das Ciências de Lisboa», António Marques; «Quem te avisa teu amigo é» e «”Ne Varietur” – Crónica de uma publicação almejada», Graça Maciel Costa; «O acordo adormecido» e «E a montanha pariu um rato», Isabel Coutinho Monteiro; «Carta aberta a António Costa, primeiro-ministro de Portugal» e «AO/90 – “Fição” de alucinados ou português “koiné”?», Isabel A. Ferreira; «O “Acordo Ortográfico” de 1990 não está em vigor», «O AO90 não está em vigor em Estado nenhum», «O Presidente da República e o Acordo Ortográfico de 1990» e «A não vigência do Acordo Ortográfico de 1990», Carlos Fernandes; «Insólito» e «Insólito II»,
Edward d’Abreu; «O ”Acordo Ortográfico” de 1990 e as Presidenciais», Artur
Magalhães Mateus; «Gentílico acreano deve integrar armas e brasões do Acre»,
Luísa Karlberg; «O apocalipse “apocalítico”», José Mário Silva; «O que alguns irmãos do Brasil pensam», José Ramos-Horta; «Carta aberta a Marcelo Rebelo de Sousa», Belmiro Narino; «Sofismas e outros “arenques vermelhos”», Cláudio
Quintino Crow; «Achegas», Sérgio de Almeida Correia; «Como utilizar e odiar o Novo Acordo Ortográfico», Joana Costa; «Em defesa da língua portuguesa», José
Manuel Araújo. (Também no MILhafre.)
sábado, abril 16, 2016
Orientação: Sobre «extremos», no Público
Na edição de hoje (Nº 9496) do jornal Público, e na página 52, está o meu artigo «Em extremos opostos da Europa». Um excerto: «Felizmente para a Europa, a
situação nacional é, neste âmbito, um caso praticamente único. Vítima
inevitável e inescapável da sua intrínseca falácia intelectual e da sua
inerente falência moral (e material, muitas vezes também), a esquerda está em
recuo, em retirada, em retracção, em retrocesso por todo o Velho Continente… E
esse processo é mais visível e está mais completo para lá da linha Oder-Neisse,
onde há um país que, politicamente, é como que um reflexo do nosso, um
contraste total connosco.»
O conceito
principal deste artigo já havia sido de certo modo abordado em comentários
recentes que fiz a textos no blog Delito de Opinião. Um de Luís Menezes Leitão a
30 de Março último: «O
feriado de 5 de Outubro foi bem abolido: comemora(va) um golpe de Estado
perpetrado por uma minoria de fanáticos e de terroristas (regicidas,
assassinos) que derrubou um regime democrático (pelos padrões da época, e em
consonância com o que existia em outros países). Neste assunto Pedro Passos
Coelho não mostrou “fanatismo” mas sim incompetência e inépcia. Além de que PSD
e CDS poderão ser partidos ”estúpidos” - a manutenção do AO90, e não só, demonstra-o
- mas não são de direita»..
… E outro de Pedro Correia
a 8 de Abril último: «(…) Não me incluo naqueles que hoje consideram “quase
exemplares” e que “entoam hossanas” as/às gerações de políticos/galeria de
“estadistas” que se sucederam após o 25 de Abril, praticamente todos de
esquerda. Elaboraram e aprovaram uma constituição que não precisou de esperar
pelo seu 40º aniversário (que se “celebra” este ano) para se tornar obsoleta,
quase “digna” do ex-COMECON, ofensiva e anti-democrática com o seu “abrir
caminho para uma sociedade socialista” e a (obrigação de manter a) “forma
republicana de governo”, de tal modo ideológica, programática e restritiva que
tem condicionado, impedido, o verdadeiro desenvolvimento. Levaram o país à
falência mais do que uma vez. Implementaram o “(des)acordo ortográfico”... É
por isto e muito mais que eu sou monárquico e a favor de uma mudança de regime;
do actual, da III República, muito pouco(s) se aproveita(ria)(m).»
Hoje, Dia
Mundial da Voz, constitui uma ocasião ainda mais simbólica e significativa
para se fazer ouvir aquela, mesmo que na forma escrita… mas correcta,
evidentemente. (Também no MILhafre.)
quinta-feira, abril 07, 2016
Ordem: Estou interessado e disponível…
… E não é de
agora, para participar em festivais literários, em Portugal e no estrangeiro.
Preferiria, obviamente, que as organizações desses festivais que eventualmente
me convidassem custeassem as minhas despesas de transporte, alojamento e
alimentação inerentes a essas participações, mas tal não seria indispensável
para que eu considerasse e mesmo aceitasse, se não todas, pelo menos algumas
delas.
Faço esta –
séria, mas com um sorriso nos lábios - «declaração de interesses» na sequência
da publicação do artigo «Para que(m) servem um Festival Literário?», de Joana
Emídio Marques, publicado no jornal Observador no passado dia 20 de Março.
Apesar de estar escrito em «acordês», justifica-se desta vez conter a
repugnância pela forma devido à qualidade e à relevância do conteúdo: a
jornalista decidiu compilar, listar, comparar, enfim, (tentar) sistematizar
quais são os escritores nacionais mais solicitados para colaborar nos – já
bastantes – festivais literários que são realizados regularmente (anualmente)
em vários pontos do país. A conclusão principal? Existe um pequeno grupo de
«habitués», de privilegiados, invariavelmente presentes nas sucessivas edições
desses festivais, que retiram daí benefícios – se não financeiros, pelo menos
(o que não é pouco) mediáticos, promocionais, de prestígio – do seu «estatuto»
(oficioso) de «convidados permanentes».
Surpreendentemente
(ou talvez não…), e tanto quanto pude apurar, não existiram até ao momento muitas
e/ou significativas reacções públicas ao artigo… com excepção de (apenas) cinco
comentários na sua respectiva página digital. Um deles, porém, especialmente
significativo, é do escritor Pedro Garcia Rosado, que considera que o trabalho
de investigação de Joana Emídio Marques «está
bem feito e é um retrato bem sugestivo de uma actividade que parece não escapar
à lógica portuguesa das “capelinhas” e dos bem nutridos egos dos seus membros.»
Mais: «entre 2004 e 2014 tive 10 livros publicados, não em edição de autor mas
sim por editoras reais (Temas e Debates/Círculo de Leitores, Asa e
20|20/TopSeller). Nunca fui convidado para ir a uma das iniciativas citadas no
texto. Talvez por não pertencer a “famílias” como as que parecem habitar as
várias iniciativas mas também, muito provavelmente, por escrever “thrillers”,
ou “policiais”, literatura que em Portugal parece mal.» Na verdade, um muito maior grupo de escritores não
tem tido acesso a estas iniciativas… a não ser como espectadores. E,
precisamente, há (sub)géneros literários que pura e simplesmente não (e)s(t)ão
representados nesses eventos. Não só o policial mas também, e principalmente, a
ficção científica e fantástico, que, no meu artigo «A nostalgia da quimera»,
demonstrei ser o mais importante da história da literatura portuguesa.
Assim, e por
tudo isto, eu «apelo», «desafio», (a)os promotores dos encontros de Belmonte, Bragança,
Castelo Branco, Lourinhã, Matosinhos, Óbidos, Póvoa de Varzim, Santo Tirso,
entre outros: não hesitem em contactar-me! E, se quiserem, terei todo o gosto
em sugerir outros nomes! ;-) (Também no MILhafre.)
quarta-feira, março 30, 2016
Organização: Enfim, «completo»! ;-)
Hoje, finalmente, completei a (não propriamente «santíssima»)
«trindade existencial(ista)» contemporânea de realização pessoal: já escrevera
(mais do que) um livro, já fizera (com ajuda ;-), mais do que) um filho (na verdade,
três filhas), e, esta manhã, plantei, devidamente acompanhado e auxiliado, não
uma, não duas mas sim três árvores. Admito que é algo insólito o facto de eu só
ter dado o meu contributo individual e directo para uma reflorestação que se
deseja permanente apenas depois dos 50 anos de idade, mas a vida (em geral, e a
minha em especial) nem sempre se (tem) caracteriza(do) por progressões e/ou
realizações mais ou menos normais e/ou previsíveis. E esse (tardio) contributo
significa também que o meu poema «Escrever um livro, plantar uma árvore, fazer
um filho», que escrevi em 1992 e que publiquei aqui, no Octanas, em 2006 (constituindo,
aliás, o post mais visto deste blog) está, enfim, «ratificado» pelo seu próprio
autor.
terça-feira, março 22, 2016
Orientação: Sobre (não) «obrigar», no Público
Na edição de hoje (Nº 9471) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «Não há qualquer obrigação». Um excerto: «O
AO90 nada tem a ver com (a autêntica) evolução: tal como outras mudanças
ortográficas abrangentes e súbitas ocorridas anteriormente, constitui(u) uma
ruptura revolucionária causada, conduzida, por poucas pessoas, por pequenas
minorias, aptas para imporem essas mudanças por estarem em posições de poder – e,
frequentemente, poder ditatorial. Essas rupturas, feitas em nome de ideologias
e não de necessidades reais, causa(ra)m perturbações, prejuízos - neste caso na
língua, na ortografia. Para o comprovar nunca é demais apontar para os
permanentemente altos índices de analfabetismo e de iliteracia tanto em
Portugal como no Brasil.» (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53 e n'O Lugar da Língua Portuguesa.)
segunda-feira, março 21, 2016
Ocorrência: Dia Mundial – e «pessoal» - da Poesia
Hoje, 21 de Março de 2016, celebra-se mais um Dia Mundial da Poesia.
Porém, desta vez, a data tem para mim um significado… mais especial, mesmo pessoal:
é o primeiro DMP em que tenho para mostrar, para vender e para (dar a) ler (aos
outros) um livro de poesia, publicado, da minha autoria («Poemas», de Alfred Tennyson, editado em 2009 e que eu traduzi, neste caso não «conta»)...
.. Que é, evidentemente, «Q – Poemas de uma Quimera», editado em 2015 pelo Movimento Internacional Lusófono e apresentado em Lisboa, na Biblioteca Nacional de Portugal, a 16 de Dezembro do ano passado – exactamente quando passaram cinco séculos sobre a morte de Afonso de Albuquerque, e também quando começou, naquela biblioteca, um colóquio dedicado ao Vice-Rei organizado pelo MIL em colaboração, além de com a BNP, também com o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Hoje é também o Dia Mundial da Árvore (ou Internacional das Florestas), e, porque é das árvores que vem o papel para os livros (que convém que mereçam o papel em que são impressos), ainda mais marcante se torna esta data. Que, por tudo isto, acabou por ser a adequada para formalizar a minha participação, com «Q», num prémio nacional de poesia – apenas o primeiro de vários aos quais pretendo concorrer no decorrer deste ano.
Entretanto, esta minha obra, e outras editadas pelo MIL, estarão à venda amanhã (terça-feira, 22 de Março) e depois (quarta-feira, 23 de Março), respectivamente na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Universidade Lusófona, durante o IV Congresso da Cidadania Lusófona.
.. Que é, evidentemente, «Q – Poemas de uma Quimera», editado em 2015 pelo Movimento Internacional Lusófono e apresentado em Lisboa, na Biblioteca Nacional de Portugal, a 16 de Dezembro do ano passado – exactamente quando passaram cinco séculos sobre a morte de Afonso de Albuquerque, e também quando começou, naquela biblioteca, um colóquio dedicado ao Vice-Rei organizado pelo MIL em colaboração, além de com a BNP, também com o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Hoje é também o Dia Mundial da Árvore (ou Internacional das Florestas), e, porque é das árvores que vem o papel para os livros (que convém que mereçam o papel em que são impressos), ainda mais marcante se torna esta data. Que, por tudo isto, acabou por ser a adequada para formalizar a minha participação, com «Q», num prémio nacional de poesia – apenas o primeiro de vários aos quais pretendo concorrer no decorrer deste ano.
Entretanto, esta minha obra, e outras editadas pelo MIL, estarão à venda amanhã (terça-feira, 22 de Março) e depois (quarta-feira, 23 de Março), respectivamente na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Universidade Lusófona, durante o IV Congresso da Cidadania Lusófona.
sábado, março 12, 2016
Ocorrência: 20 anos no Público
Foi há
precisamente 20 anos – a 12 de Março de 1996 – que saiu no Público (Nº 2193) o
meu primeiro artigo de opinião naquele jornal. O primeiro que saiu, note-se,
enquanto tal, no espaço próprio daquele diário; antes, em 1995, dois outros
artigos meus haviam sido publicados na secção de correio, embora na verdade não
se tratassem de cartas ao director. Mas ao terceiro foi de vez…
… E, intitulado «O Estado assassino»,
começa(va) assim: «O Estado deveria ser
em Portugal uma pessoa (colectiva) de bem. Um exemplo de justiça a seguir. Um
modelo de rigor a imitar. Porém, e infelizmente, não é isso que acontece. No
nosso país, e como se já não bastassem as inúmeras provas de incompetência,
irresponsabilidade e incoerência que tem dado ao longo dos anos, o Estado tem
revelado frequentemente, pelos seus erros ou omissões, ser um autêntico
criminoso. Não só por não pagar aquilo que deve ou fazê-lo tarde e a más horas,
e exigir que os cidadãos o façam sob pena de multa ou prisão. Mais do que isso:
em Portugal o Estado é um verdadeiro assassino. Um assassino hipócrita. Os três
casos que a seguir expomos demonstram-no claramente, sem deixarem lugar a
dúvidas.»
Está incluído, tal como os dois anteriores que referi, no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», editado em 2012, juntamente com
outros que, posteriormente, também apareceram inicialmente nas páginas do
diário fundado por Vicente Jorge Silva há mais de 25 anos. Honra-me ser há duas décadas
colaborador, mesmo que ocasional, de um jornal que, corajosa e dignamente,
continua a recusar submeter-se ao dito «Acordo Ortográfico de 1990». E a minha
mais recente colaboração é, recordo, «Não se endireita», publicado no passado
dia 27 de Janeiro.
sexta-feira, março 04, 2016
Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 4)…
… Escritos e publicados,
desde Agosto último, nos seguintes blogs: MILhafre (um, dois, três);
O Insurgente; Apartado 53 (um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito):
Rascunhos; Delito de Opinião (um, dois, três); Praça do Bocage; Horas Extraordinárias; Aventar. Comentários esses que versa(ra)m, entre outros temas,
sobre: língua e literatura
portuguesas eliminadas pelo Tribunal Europeu de Patentes e pelo Ministério da
Educação do Brasil; declínio e degradação do Diário de Notícias; a teimosia de
Francisco Seixas da Costa; Octávio Machado ficou sem o «c»; as diferenças entre
Marcelo Rebelo de Sousa e Marisa Matias; as contradições de António Costa; as
mentiras do embaixador do Brasil em Portugal; saudação a Manuel Luís Goucha e
a todos os outros escritores que se recusam a utilizar o AO90 nas suas obras; a
cobardia d(e muitos d)os professores portugueses. (Referência parcial no Apartado 53.)
sábado, fevereiro 27, 2016
Outros: Aciprestes com «arestas»
É inaugurada
hoje, 27 de Fevereiro, e prolonga-se até 16 de Março, a exposição «Ar de Arestas» de Ozias Filho, co-autor da antologia de contos de ficção científica e
fantástico «Mensageiros das Estrelas», concebida por mim e editada em 2012 – o texto com que
colaborou naquela, intitulado «A maratonista» e inserido no capítulo «A
República Nunca Existiu! – Parte 2», foi mais uma demonstração do talento
versátil deste meu amigo brasileiro, há vários anos a viver em Portugal, que se
tem notabilizado mais enquanto poeta… e editor de poesia de outros (mas também
já editou obras em outros géneros literários)…
… E ainda na
fotografia. A referida exposição, que tem lugar no Palácio dos Aciprestes
(Avenida Tomás Ribeiro, Nº 18, Linda-a-Velha, Oeiras), pertença da Fundação
Marquês de Pombal e onde também tem decorrido a iniciativa «Sustos às Sextas»,
reúne fotos captadas por Ozias Filho que ilustram o livro do seu compatriota Iacyr Anderson Freitas intitulado precisamente… «Ar de Arestas». Neste sábado,
a celebração de palavras e de imagens tem início às 16 horas «com leituras de partes do poema que
originaram as fotografias e ainda um pequeno momento musical.» (Também no MILhafre.)
domingo, fevereiro 21, 2016
Ordem: «Força», Jorge! ;-)
Eu já havia dito que iria – contrafeito, mas iria – ripostar, ainda durante este mês de Fevereiro. E é hoje. Mas, antes de
começar, podemos todos concordar, reconhecer, que não sou eu que começo, que
não sou eu que provoco, que apenas me limito a responder… porque «quem não se
sente não é filho de boa gente»? Não há dúvidas quanto a isso, pois não?
Óptimo. Então…
… Sim, eu
sei, (ainda) custa a acreditar, mas é verdade: Jorge Candeias, recordo, decidiu
escrever e publicar no seu blog A Lâmpada Mágica (e divulgar no seu Twitter,
Scoop, e, eventualmente, Facebook) outro texto sobre mim e sobre um livro meu.
Mais correcta e concretamente: outro texto a insultar-me e, desta vez, a denegrir «Espíritos das Luzes». Agora fê-lo de uma forma «desenvolvida» -
estúpida, mas «desenvolvida» - mas antes tinha como que «anunciado» o que aí
vinha (e como então fiz notar) na sua (lacónica e literal) «crítica» de m*rd* no GoodReads, e no balanço das suas «leituras de 2015», em que fui «distinguido»
com a (dúbia) «honra» de ter sido o autor do «pior» livro que o «poltrão de
Portimão» leu no ano passado – sim, exactamente, o «Espíritos…» - e de ainda
ter «ganho» como que uma «menção (des)honrosa» com «A República Nunca Existiu!»
Dir-se-ia que o gajo está obcecado, e não de uma forma saudável.
Porém, um
facto fulcral mantém-se inalterável: o «tormento do Barlavento» não leu
«Espíritos das Luzes» na sua totalidade, pelo que a nova «apreciação» que agora
fez dele também não tem qualquer consistência, qualquer credibilidade, qualquer
validade. E – soube-se neste mais recente e raivoso arrazoado – ele mentiu ao
ter dito (escrito) que «resisti um capítulo». Afinal, nem isso, porque, como
agora admitiu, fechou «definitivamente» (?) o livro na página 36… e o primeiro
capítulo, «Lustrosos regimentos», vai até à 48! No entanto, não surpreende que
falte – descaradamente – à verdade alguém que é um esquerdista (extremista),
faccioso, invejoso, (também por eu ter publicado dois livros de minha autoria
na Saída de Emergência, onde ele nunca passou de tradutor?), defensor e
impos(i)tor do fascismo ortográfico, adepto de todas as (falsas) «causas
fracturantes», imerso no seu deficiente e deprimente mundo de fantasia
delimitado pelas leituras do Esquerda.net e das colunas de Paul Krugman no New York Times. Afinal, quem é que é «anão» e «patético»? Uma pista: não sou eu.
E o que é que
está na página 36 que é tão intolerável, que revela uma tão insuportável
«incoerência»? Tão grave que faz da minha obra «puro lixo» e o abate de «pobres
árvores» necessárias para produzir o papel para a imprimir algo ofensivo, quiçá
criminoso? O seguinte excerto: «Esta
nação (…) tornou os súbditos por igual dependentes do
trono e possuidores dos mesmos privilégios. Pequenina, portanto, mas autónoma,
e como se sozinha atentasse à segurança e à grandeza da Europa, enquanto esta
se dilacerava nas suas divisões, os portugueses conquistavam as costas de
África; descobriam os mares e os desertos daquela região inculta; abriam a
navegação até às Índias Orientais; ali faziam potentes diversões ao ímpeto dos
turcos; talvez fornecendo as luzes, de onde outros se aproveitaram com maior
sucesso; acrescentavam a quarta parte à Terra (…).»
Segundo JC, esta passagem está em contradição com o conceito de Portugal como
planeta e o de Europa como sistema solar… mas, na verdade, não: então um
planeta não pode albergar uma só nação, e não há tantos exemplos disso na
literatura de FC? Então as divisões no «sistema solar Europa» não podem ser
políticas e militares? África não pode ser, precisamente, outro sistema solar,
cujos planetas possuem desertos, costas e mares? As Índias Orientais não podem
ser… sim, outro sistema? E, não, não perguntem ao «alarve do Algarve» o que é a
«Terra» neste cenário, neste contexto… perguntem-me, que eu respondo:
obviamente, é uma galáxia.
Igualmente risíveis são as insinuações – ou mesmo
acusações – de falta de «decência» e de «ética» por eu me assumir como único
autor de uma obra que inclui textos de outras pessoas… Repare-se no ridículo:
sendo os citados cerca de 20, seria (muito) difícil – para não dizer impossível
– inserir os nomes de todos na capa e na lombada… Efectivamente, trata-se de
mais uma idiotice do tradutor do idiota: pense-se nos artigos académicos,
científicos, que invariavelmente incluem muitas (dezenas?) de citações. Acaso
os citados são indicados como autores? Claro que não, só quem faz as citações.
«Espíritos das Luzes» pode, por isso, ser também entendido, nessa perspectiva,
como um «artigo em forma de romance»… que não deixa de mencionar, com rigor, e homenageando,
os autores, e as fontes, das citações.
Elucidado? Entendido? Esclarecido? Ou acaso precisam de (outro)
explicador?
«Coitado» do Candeias: tanto esforço, tanta «ginástica
mental», tanto trabalho, tanto «torce, e retorce, e volta a retorcer» para (tentar)
justificar a sua cobardia, a sua demagogia, a sua fraqueza, a sua incapacidade,
a sua inferioridade, a sua preguiça… para nada! Ou para se tornar (novamente) um motivo de chacota... «Abandonado», o meu «Espíritos
das Luzes»? Se é para ser «albergado» por gente desta laia antes só do que mal
acompanhado, antes «perdido» do que «achado»!
Todavia, devo, sinceramente, agradecer a JC o facto de
ter comprado um exemplar… para (desistir de o) ler (após) cerca de 10% das suas
páginas – porque, indirectamente, acabou por me pagar (não muito, infelizmente,
porque os rendimentos resultantes dos direitos de autor não são grande coisa).
Foi um «favor» que não tenho qualquer intenção de retribuir. Contudo, o que ele
podia e devia fazer, quanto mais não fosse para não dar por perdido o «rico dinheirinho»
despendido, era voltar a tentar, envidar um esforço suplementar, e ler mais (de
preferência todo) o meu livro. Talvez, quem sabe, encontrasse uma passagem, um
excerto, uma citação que realmente colocasse em causa a premissa que estabeleci
para o meu romance – isto é, que verdadeiramente a colocasse em causa, porque a
que agora apresentou como «prova» não serviu para isso, como demonstrei. Sim, é
pouco provável que isso acontecesse… mas porque não experimentar? Pensa nisso,
Jorge! «Força»! Não te dês por vencido! «Estamos» contigo! Ou não… ;-) (Também no Simetria.)
sexta-feira, fevereiro 12, 2016
Orientação: Para quem ainda não leu…
… Textos
recentes da minha autoria que considero relevantes, saídos em outros blogs nos quais
também participo, e que não divulguei directamente no Octanas quando foram
publicados (alguns, bastantes, são inseridos por mim em mais do que uma
«plataforma» em simultâneo, mas outros não), aqui ficam as indicações e a
ligações: no Obamatório, que entrou em Janeiro no seu «ano oito» de actividade,
procedi também à escolha da (frase e personalidade) «mais estúpida de 2015»,
reiterei que «nenhuma “batalha” é pouco importante» e demonstrei que o actual
presidente dos EUA é (pode ser visto como) um «comediante»; no Simetria, e a
propósito da sua morte, evoquei David Bowie designando-o de «criador e criatura de FC»; no Ópera do Tejo referi os mais recentes desenvolvimentos no projecto
que visa estudar e divulgar a poesia de Luís António Verney; e no Albuquerque
500 inventariei (mais) menções, «ecos», não só da efeméride dos 500 anos da
morte de Afonso de Albuquerque, mas também da evocação (colóquio e mostra
documental) que, por minha iniciativa, o Movimento Internacional Lusófono
organizou em 2015 em colaboração com o Arquivo Nacional Torre do Tombo, a Biblioteca
Nacional de Portugal e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal.
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