quinta-feira, maio 26, 2016

Ocorrência: Eu não, mas o actual mC sim

Ao longo dos anos já concorri a vários prémios literários em Portugal, tanto com obras inéditas como com obras publicadas. E, até agora, o «palmarés», o «pecúlio», é reduzido: apenas uma menção honrosa – em mais do que um sentido, pois foi outorgada pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal – ganha (com o meu amigo e co-autor Luís Ferreira Lopes) por «Os Novos Descobrimentos» em 2008. O mais recente dos prémios a que me candidatei, com «Q – Poemas de uma Quimera», foi o Grande Prémio de Literatura DST 2016, que tem a particularidade de apurar previamente cinco finalistas dos quais o vencedor, depois, será escolhido. Aqueles foram anunciados no passado dia 16, após reunião e decisão do júri constituído por Carlos Mendes de Sousa, José Manuel Mendes e Vítor Aguiar e Silva. E são: Isabel Mendes Ferreira, «O Tempo é Renda»; João Miguel Fernandes Jorge, «Mirleos»; Luís Filipe Castro Mendes (sim, o actual ministro da Cultura), «A Misericórdia dos Mercados»; Luís Quintais, «O Vidro»; Manuel Alegre (sim, o ex-deputado do Partido Socialista e ex-candidato à presidência da república), «Bairro Ocidental».
(Adenda - Manuel Alegre foi o vencedor. Alguém terá ficado surpreendido? Note-se, por curiosidade, que o seu livro tem 56 páginas, o que faz dele o mais pequeno entre os finalistas... e, eventualmente, entre todos os concorrentes.)       

segunda-feira, maio 16, 2016

Ordem: De mim, e não de António Costa

Ontem, 15 de Maio, decorreu a cerimónia oficial de «rebaptismo» do aeroporto de Lisboa, até agora designado «da Portela», enquanto Aeroporto Humberto Delgado. Com as presenças do presidente da república, do primeiro-ministro, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, familiares do homenageado e outras individualidades. Entre as quais eu não estive porque não recebi um convite. Que, acredito, merecia, porque foi de mim, e não de António Costa, que partiu a ideia desta nova designação. Algo que, porém, o actual governo não parece interessado em reconhecer e em divulgar.
Já a 11 de Fevereiro do ano passado, quando a CML aprovou uma moção – subscrita unicamente pelo então presidente e actual chefe de governo – propondo a alteração, eu assinalei o facto e lembrei a minha precedência na ideia, concretizada num artigo publicado na edição Nª 1827 do jornal Expresso, em 3 de Novembro de 2007 – e que está incluído no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um Novo País». No entanto, se então não julguei indispensável «avisar» as entidades envolvidas da existência daquele meu texto (embora tenha considerado fazê-lo), as dúvidas desvaneceram-se completamente quando, exactamente um ano depois, a 11 de Fevereiro deste ano, foi anunciada a decisão do corrente executivo de concretizar, a 15 de Maio (data do 110ª aniversário de nascimento de Humberto Delgado), a moção da edilidade da capital – expressa numa resolução do conselho de ministros em que António Costa aparece novamente como único signatário.
Assim, a 28 de Abril último falei por telefone com o assessor de imprensa da ANA-Aeroportos de Portugal, a quem enviei depois, no mesmo dia e por correio electrónico, um ficheiro com a imagem da página (36), contendo o meu artigo, da referida edição do Expresso. Por sugestão daquele, no dia seguinte (29 de Abril) contactei, também por correio electrónico, o gabinete do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, anexando não só, igualmente, o ficheiro mencionado, mas ainda expondo os motivos do meu contacto: «no contexto da atribuição do nome do “General sem medo” ao aeroporto da capital, em cerimónia que se realizará no próximo dia 15 de Maio, decidida pelo actual governo na sequência de uma petição aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa em 2015, revelar que a referida homenagem foi (por mim) proposta previamente, e solicitar que esse facto seja, a partir de agora, devidamente divulgado nas acções de comunicação relativas à iniciativa.» Só a 9 de Maio (ou seja, 10 dias depois) recebi a resposta, que consistia na informação de que a chefe de gabinete do ministro decidira, em despacho, reencaminhar a minha mensagem para o assessor de imprensa do MPI…
… E este, finalmente, contactou-me a 13 de Maio, mas só depois de eu lhe ter enviado uma mensagem solicitando-lhe alguma rapidez porque a data da cerimónia aproximava-se. Em que consistiu a missiva? Fundamentalmente, na inclusão de um anexo com uma nota de agenda informando da presença do ministro Pedro Marques, ontem, no aeroporto, e da ligação para a página do Diário da República com a já citada RCM. Eu repliquei, antes de mais, agradecendo a resposta, mas a seguir fazendo notar que «ela não vai ao encontro da questão fundamental que expressei na minha mensagem de 29 de Abril último, dirigida ao Ministério do Planeamento e das Infraestruturas (por indicação, volto a salientar, da ANA): o reconhecimento formal, oficial, por parte do actual governo, de que é minha a ideia de atribuir o nome do General Humberto Delgado ao aeroporto de Lisboa. Assim, continuarei a aguardar que tal esclarecimento seja feito, em especial na (e/ou na sequência da) cerimónia que vai decorrer no próximo domingo, dia 15 de Maio - que tentarei acompanhar atentamente “à distância”, porque não recebi convite para nela participar.» E, efectivamente, tanto quanto me foi possível depreender, o meu nome e o meu artigo não tiveram qualquer menção. Aliás, a única alusão na comunicação social (de que tenho conhecimento) à minha proposta de há quase nove anos foi feita, na passada sexta-feira, por Nuno Pacheco, director-adjunto do Público, no seu artigo «Nomes que voam alto», o que muito agradeço.
Tudo considerado, reflectindo sobre o que neste caso aconteceu, e, mais, sobre o que não aconteceu, tenho legitimidade para admitir como muito provável a hipótese de que António Costa viu o meu artigo de 2007 e dele retirou a ideia que, depois de um «esboço» enquanto autarca, concretizou posterior e finalmente enquanto primeiro-ministro. O Expresso não era propriamente, reconheça-se, um jornal de reduzida tiragem e de menor influência e que não conta(va) também entre os seus leitores regulares todos os principais dirigentes político-partidários nacionais. E mesmo na eventualidade de ignorarem a existência do meu texto antes de os ter contactado, aos responsáveis actuais do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas em especial, e do governo em geral, exigir-se-ia outra atitude, outro comportamento, a partir do instante em que tiveram conhecimento – dado por mim – de uma proposta prévia que visava igualmente homenagear Humberto Delgado. Uma atitude e um comportamento mais consentâneos com a probidade e o rigor que são expectáveis de quem exerce cargos públicos. (Também no MILhafre.)  

terça-feira, maio 10, 2016

quarta-feira, maio 04, 2016

Ocorrência: «Q» em destaQue…

… Na Biblioteca Municipal de Alverca, durante quase todo o mês de Abril último. O meu mais recente livro publicado esteve num expositor, ornado com a designação «Escritores cá da nossa terra», colocado à entrada daquela biblioteca – que, aliás, tem uma «colecção» quase completa das minhas obras (só falta uma), por mim oferecidas à medida que foram saindo ao longo dos anos. Agradeço à equipa da BMA a atenção e a distinção. 

sábado, abril 30, 2016

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2016

A literatura: «52 Métricas de Marketing e Vendas», Luís Bettencourt Moniz e Pedro Celeste; «Arte de "Guerra das Estrelas" - Conceito», Doug Chiang, Erik Tiemens, Joe Johnston, Ralph McQuarrie, Ryan Church, e outros; «Contos do Gin-Tonic» e «Novos Contos do Gin», Mário-Henrique Leiria; «Discussão», Jorge Luis Borges; «O Homem que Trazia Instruções, e Outras Estórias», Beatriz Pacheco Pereira; «Profetas e Profecias», Jean-Paul Bourre; «A Morte», Maria Filomena Mónica; «Vampirella Vive», Amanda Conner, Jimmy Palmiotti e Warren Ellis.
A música: «26 Classic Pop Hits» e «26 Country Hits», Tom Jones; «4» e «Agent Provocateur», Foreigner; «Every Good Boy Deserves Favour», Moody Blues; «To Be Kind», Swans; «Fado Português», Amália Rodrigues; «Never Mind The Bollocks, Here's The...», Sex Pistols; «Take It Satch!», Louis Armstrong & The All Stars; «It's Time For A Love Revolution», Lenny Kravitz; «Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-81», Pink Floyd; «Il Trionfo d'Amore», Francisco António de Almeida (por Ana Quintans, Carlos Mena, Cátia Moreso, Fernando Guimarães, Joana Seara e João Fernandes, com Vozes Celestes e Os Músicos do Tejo sob direcção de Marcos Magalhães).
O cinema: «Casa Segura», Daniel Espinosa; «De Dentro Para Fora», Pete Docter; «Os Gatos Não Têm Vertigens», António Pedro de Vasconcelos; «Os Pinguins do Sr. Popper», Mark Waters; «Salvando o Sr. Banks», John Lee Hancock; «Terminador - GéneSis», Alan Taylor; «O Grão e a Tainha», Abdellatif Kechiche; «Homem do Rei - O Serviço Secreto», Matthew Vaughn; «Orgulho e Preconceito», Joe Wright; «Vingadores - Idade de Ultron», Joss Whedon; «Que Estranho Chamar-se Federico», Ettore Scola; «O Feiticeiro de Oz», Larry Semon; «Intocáveis», Eric Toledano e Olivier Nakache; «O Caçador de Recompensas», Andy Tennant; «Gravidade», Alfonso Cuarón; «Ted», Seth MacFarlane; «Maleficente», Robert Stromberg; «Beijo Beijo, Bang Bang», Shane Black; «Táxi», Tim Story; «A Dupla Vida de Verónica», Krzysztof Kieslowski; «Hannah Arendt», Margarethe Von Trotta; «Imperador», Peter Webber; «Orla do Amanhã», Doug Liman; «O Calor», Paul Feig; «Spectre», Sam Mendes; «O Mordomo», Lee Daniels; «Yvone Kane», Margarida Cardoso; «Atrás do Candelabro», Steven Soderbergh; «Fúria», David Ayer; «RoboCop», José Padilha; «Minha Mãe», Nanni Moretti.
E ainda...: «Lazarus», (vídeo musical de) David Bowie; «Our Return» (documentário sobre o regresso oficial da Porsche às 24 Horas de Le Mans); «O Sonhador de Oz - A História de L. Frank Baum» (telefilme), Jack Bender; Museu do Neo-Realismo - exposição «Manuel Guimarães, Sonhador Indómito» + exposição «Garcez da Silva - Percursos» + exposição «SemConsenso, Banda Desenhada, Ilustração e Política» + «Mostra de escultura do acervo do MNR»; FNAC - exposição de ilustrações «Viagem ao imaginário de "Eu Quero a Minha Cabeça!" e "Barriga da Baleia"» de António Jorge Gonçalves (Chiado) + exposição de fotografias (de vários autores) «Rock In Rio - 30 Anos» (Vasco da Gama); Plataforma de Associações da Sociedade Civil - «IV Congresso da Cidadania Lusófona - O Balanço da CPLP»; Biblioteca Nacional de Portugal - colóquio «Uma "insólita ofensiva de corrupção": nos 50 anos dos processos à Afrodite no Tribunal Plenário» com Pedro Piedade Marques, João Pedro George e João Paulo Guerra + exposição «O Tempo das Imagens: edições recentes do Centro Português de Serigrafia» + exposição «A circulação do Direito na Europa Medieval: manuscritos jurídicos europeus em bibliotecas portuguesas» + mostra «Os intelectuais portugueses e a guerra 1914-1918» + mostra «No Centenário da Cruzada das Mulheres Portuguesas» + mostra «80 anos d'O Mosquito» + mostra «Entre páginas, entre vidas: marcadores de livros (colecção de Lúcio Alcântara)»; «Black Dandy», (documentário de) Ariel Wizman e Laurent Lunetta; Centro Interpretativo do Parque das Nações/Pavilhão de Portugal - exposição «A Cidade Imaginada»; «Californicação» (sétima e última temporada, último episódio).

terça-feira, abril 26, 2016

Obrigado: Aos alunos e aos professores…

… Da Escola EBI do Bairro do Paraíso e da Escola EB1 Dr. Sousa Martins, ambas em Vila Franca de Xira e pertencentes ao Agrupamento de Escolas Professor Reynaldo dos Santos, que, respectivamente no passado dia 20 de Abril e hoje, 26, me receberam para me ouvir falar – e com eles conversar – sobre as causas, consequências e significados dos acontecimentos ocorridos no dia 25 de Abril de 1974. Tendo, naqueles dois estabelecimentos de ensino, estado perante crianças do 3º e do 4º anos de escolaridade, ou seja, com não mais do que 9 anos de vida, o meu ponto de partida foi o de que aquando da «Revolução dos Cravos» eu tinha exactamente aquela idade; e, embora privilegiando uma perspectiva nacional na abordagem daquele facto histórico, não deixei de incluir uma referência regional, concelhia... e até familiar, pessoal – a evocação dos irmãos Carlos e Octávio Pato, meus primos, originários de VFX, militantes do Partido Comunista Português, resistentes ao regime deposto em 1974/4/25, presos e torturados (e, no caso do primeiro, assassinado) pela PIDE. Enfim, aqui faço também um agradecimento especial a António José Fonseca, professor-bibliotecário do AEPRS, que me convidou.  

sexta-feira, abril 22, 2016

Outros: Contra o AO90 (Parte 13)

«Autores “infanto-juvenis”: colaboracionismo ortográfico?», Madalena Homem Cardoso; «Uma verdade que os leitores do Expresso não estão a ver», «Professores “da esquerda” e “muito arrogantes”?», «Back to the “fatos” e “contatos”», «O Acordo Ortográfico de 1990 e o sistema grafémico do português europeu», «Como se para um homem», «Havendo activos, há esperança», «Algumas reflexões acerca da fiscalização abstracta», «O New York Times e a falta de perspectiva», «”Piada com Sporting obriga Marisa Matias a retratar-se”», «Retrospectiva ortográfica», «Não há perspetiva comum», «Orçamento de Estado para 2016», «Afinal, havia outro», «O retrato oficial» e «Em “direção” ao futuro?», Francisco Miguel Valada; «O português devora-se a si mesmo», José Carlos Fernandes; «Resistindo ao desejo de gastar seis euros» e «Emudecendo consoantes», José António Abreu; «Treinador Octávio Machado muda de nome», «Há que não “compatuar” mas “convitamente”», «Descubra as diferenças», «”Project” é Inglês? Não interessa. Acordize-se!», «Proselitismo na sombra», «Tão subtil como uma marretada na cabeça», «A Wikipédjia lusôfuna», «Contrato de edição "ne varietur" (proposta)», «Academia de Lisboa versus Académie française», «A escola do caos», «Empate técnico», «Presidência “direta”», «Muhammad Saeed al-Sahhaf não está em vigor», «Como diz a outra», «Literatura, concursos, prémios, direitos de autor e AO90» e «cAOs na Presidência», João Pedro Graça; «”Acordo Ortográfico” discutido pela terceira vez em 25 anos» e «”AO”/90 – Um monumento de incompetência e ignorância», Ivo Miguel Barroso; «O Acordo Ortográfico e o ensino – Instantâneos do caos», «E novidades sobre o acordo ortográfico? Não há!» e «Pagamento da factura – A influência do AO90 na pronunciação», António Fernando Nabais; «O númerozinho» e «Ardeu a língua “passada dos carretos”?», Rui Valente; «António Costa deve ser julgado por crime de lesa-Pátria», João José Horta Nobre; «Academia e bom senso», «Tudo língua, tudo Coimbra», «Se fosse só três sílabas…», «Palmas para a Academia», «Ortografia é que não» e «A oitava revisão», Nuno Pacheco; «O órgão vital – O bolso», «Língua sacaneada», «Estrela de seis pontas», «A revelação da língua portuguesa» e «Bombeiros pirómanos», Olga Rodrigues; «Resistência activa ao aborto ortográfico (111, 112, 113, 114, 115, 116, 117, 118) e «Presidenciais (32)», Pedro Correia; «Réu condenado a pena suspensa», Duarte Afonso; «Deixemos respirar livremente as ortografias nacionais», Artur Anselmo; «Ao(s) sábio(s) da “Real” Academia das Ciências de Lisboa», António Marques; «Quem te avisa teu amigo é» e «”Ne Varietur” – Crónica de uma publicação almejada», Graça Maciel Costa; «O acordo adormecido» e «E a montanha pariu um rato», Isabel Coutinho Monteiro; «Carta aberta a António Costa, primeiro-ministro de Portugal» e «AO/90 – “Fição” de alucinados ou português “koiné”?», Isabel A. Ferreira; «O “Acordo Ortográfico” de 1990 não está em vigor», «O AO90 não está em vigor em Estado nenhum», «O Presidente da República e o Acordo Ortográfico de 1990» e «A não vigência do Acordo Ortográfico de 1990», Carlos Fernandes; «Insólito» e «Insólito II», Edward d’Abreu; «O ”Acordo Ortográfico” de 1990 e as Presidenciais», Artur Magalhães Mateus; «Gentílico acreano deve integrar armas e brasões do Acre», Luísa Karlberg; «O apocalipse “apocalítico”», José Mário Silva; «O que alguns irmãos do Brasil pensam», José Ramos-Horta; «Carta aberta a Marcelo Rebelo de Sousa», Belmiro Narino; «Sofismas e outros “arenques vermelhos”», Cláudio Quintino Crow; «Achegas», Sérgio de Almeida Correia; «Como utilizar e odiar o Novo Acordo Ortográfico», Joana Costa; «Em defesa da língua portuguesa», José Manuel Araújo. (Também no MILhafre.)

sábado, abril 16, 2016

Orientação: Sobre «extremos», no Público

Na edição de hoje (Nº 9496) do jornal Público, e na página 52, está o meu artigo «Em extremos opostos da Europa». Um excerto: «Felizmente para a Europa, a situação nacional é, neste âmbito, um caso praticamente único. Vítima inevitável e inescapável da sua intrínseca falácia intelectual e da sua inerente falência moral (e material, muitas vezes também), a esquerda está em recuo, em retirada, em retracção, em retrocesso por todo o Velho Continente… E esse processo é mais visível e está mais completo para lá da linha Oder-Neisse, onde há um país que, politicamente, é como que um reflexo do nosso, um contraste total connosco.»
O conceito principal deste artigo já havia sido de certo modo abordado em comentários recentes que fiz a textos no blog Delito de Opinião. Um de Luís Menezes Leitão a 30 de Março último: «O feriado de 5 de Outubro foi bem abolido: comemora(va) um golpe de Estado perpetrado por uma minoria de fanáticos e de terroristas (regicidas, assassinos) que derrubou um regime democrático (pelos padrões da época, e em consonância com o que existia em outros países). Neste assunto Pedro Passos Coelho não mostrou “fanatismo” mas sim incompetência e inépcia. Além de que PSD e CDS poderão ser partidos ”estúpidos” - a manutenção do AO90, e não só, demonstra-o - mas não são de direita»..
… E outro de Pedro Correia a 8 de Abril último: «(…) Não me incluo naqueles que hoje consideram “quase exemplares” e que “entoam hossanas” as/às gerações de políticos/galeria de “estadistas” que se sucederam após o 25 de Abril, praticamente todos de esquerda. Elaboraram e aprovaram uma constituição que não precisou de esperar pelo seu 40º aniversário (que se “celebra” este ano) para se tornar obsoleta, quase “digna” do ex-COMECON, ofensiva e anti-democrática com o seu “abrir caminho para uma sociedade socialista” e a (obrigação de manter a) “forma republicana de governo”, de tal modo ideológica, programática e restritiva que tem condicionado, impedido, o verdadeiro desenvolvimento. Levaram o país à falência mais do que uma vez. Implementaram o “(des)acordo ortográfico”... É por isto e muito mais que eu sou monárquico e a favor de uma mudança de regime; do actual, da III República, muito pouco(s) se aproveita(ria)(m).»
Hoje, Dia Mundial da Voz, constitui uma ocasião ainda mais simbólica e significativa para se fazer ouvir aquela, mesmo que na forma escrita… mas correcta, evidentemente. (Também no MILhafre.) 

quinta-feira, abril 07, 2016

Ordem: Estou interessado e disponível…

… E não é de agora, para participar em festivais literários, em Portugal e no estrangeiro. Preferiria, obviamente, que as organizações desses festivais que eventualmente me convidassem custeassem as minhas despesas de transporte, alojamento e alimentação inerentes a essas participações, mas tal não seria indispensável para que eu considerasse e mesmo aceitasse, se não todas, pelo menos algumas delas.
Faço esta – séria, mas com um sorriso nos lábios - «declaração de interesses» na sequência da publicação do artigo «Para que(m) servem um Festival Literário?», de Joana Emídio Marques, publicado no jornal Observador no passado dia 20 de Março. Apesar de estar escrito em «acordês», justifica-se desta vez conter a repugnância pela forma devido à qualidade e à relevância do conteúdo: a jornalista decidiu compilar, listar, comparar, enfim, (tentar) sistematizar quais são os escritores nacionais mais solicitados para colaborar nos – já bastantes – festivais literários que são realizados regularmente (anualmente) em vários pontos do país. A conclusão principal? Existe um pequeno grupo de «habitués», de privilegiados, invariavelmente presentes nas sucessivas edições desses festivais, que retiram daí benefícios – se não financeiros, pelo menos (o que não é pouco) mediáticos, promocionais, de prestígio – do seu «estatuto» (oficioso) de «convidados permanentes».
Surpreendentemente (ou talvez não…), e tanto quanto pude apurar, não existiram até ao momento muitas e/ou significativas reacções públicas ao artigo… com excepção de (apenas) cinco comentários na sua respectiva página digital. Um deles, porém, especialmente significativo, é do escritor Pedro Garcia Rosado, que considera que o trabalho de investigação de Joana Emídio Marques «está bem feito e é um retrato bem sugestivo de uma actividade que parece não escapar à lógica portuguesa das “capelinhas” e dos bem nutridos egos dos seus membros.» Mais: «entre 2004 e 2014 tive 10 livros publicados, não em edição de autor mas sim por editoras reais (Temas e Debates/Círculo de Leitores, Asa e 20|20/TopSeller). Nunca fui convidado para ir a uma das iniciativas citadas no texto. Talvez por não pertencer a “famílias” como as que parecem habitar as várias iniciativas mas também, muito provavelmente, por escrever “thrillers”, ou “policiais”, literatura que em Portugal parece mal.» Na verdade, um muito maior grupo de escritores não tem tido acesso a estas iniciativas… a não ser como espectadores. E, precisamente, há (sub)géneros literários que pura e simplesmente não (e)s(t)ão representados nesses eventos. Não só o policial mas também, e principalmente, a ficção científica e fantástico, que, no meu artigo «A nostalgia da quimera», demonstrei ser o mais importante da história da literatura portuguesa.
Assim, e por tudo isto, eu «apelo», «desafio», (a)os promotores dos encontros de Belmonte, Bragança, Castelo Branco, Lourinhã, Matosinhos, Óbidos, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, entre outros: não hesitem em contactar-me! E, se quiserem, terei todo o gosto em sugerir outros nomes! ;-) (Também no MILhafre.)

quarta-feira, março 30, 2016

Organização: Enfim, «completo»! ;-)

Hoje, finalmente, completei a (não propriamente «santíssima») «trindade existencial(ista)» contemporânea de realização pessoal: já escrevera (mais do que) um livro, já fizera (com ajuda ;-), mais do que) um filho (na verdade, três filhas), e, esta manhã, plantei, devidamente acompanhado e auxiliado, não uma, não duas mas sim três árvores. Admito que é algo insólito o facto de eu só ter dado o meu contributo individual e directo para uma reflorestação que se deseja permanente apenas depois dos 50 anos de idade, mas a vida (em geral, e a minha em especial) nem sempre se (tem) caracteriza(do) por progressões e/ou realizações mais ou menos normais e/ou previsíveis. E esse (tardio) contributo significa também que o meu poema «Escrever um livro, plantar uma árvore, fazer um filho», que escrevi em 1992 e que publiquei aqui, no Octanas, em 2006 (constituindo, aliás, o post mais visto deste blog) está, enfim, «ratificado» pelo seu próprio autor.

terça-feira, março 22, 2016

Orientação: Sobre (não) «obrigar», no Público

Na edição de hoje (Nº 9471) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «Não há qualquer obrigação». Um excerto: «O AO90 nada tem a ver com (a autêntica) evolução: tal como outras mudanças ortográficas abrangentes e súbitas ocorridas anteriormente, constitui(u) uma ruptura revolucionária causada, conduzida, por poucas pessoas, por pequenas minorias, aptas para imporem essas mudanças por estarem em posições de poder – e, frequentemente, poder ditatorial. Essas rupturas, feitas em nome de ideologias e não de necessidades reais, causa(ra)m perturbações, prejuízos - neste caso na língua, na ortografia. Para o comprovar nunca é demais apontar para os permanentemente altos índices de analfabetismo e de iliteracia tanto em Portugal como no Brasil.» (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53 e n'O Lugar da Língua Portuguesa.)

segunda-feira, março 21, 2016

Ocorrência: Dia Mundial – e «pessoal» - da Poesia

Hoje, 21 de Março de 2016, celebra-se mais um Dia Mundial da Poesia. Porém, desta vez, a data tem para mim um significado… mais especial, mesmo pessoal: é o primeiro DMP em que tenho para mostrar, para vender e para (dar a) ler (aos outros) um livro de poesia, publicado, da minha autoria («Poemas», de Alfred Tennyson, editado em 2009 e que eu traduzi, neste caso não «conta»)... 
.. Que é, evidentemente, «Q – Poemas de uma Quimera», editado em 2015 pelo Movimento Internacional Lusófono e apresentado em Lisboa, na Biblioteca Nacional de Portugal, a 16 de Dezembro do ano passado – exactamente quando passaram cinco séculos sobre a morte de Afonso de Albuquerque, e também quando começou, naquela biblioteca, um colóquio dedicado ao Vice-Rei organizado pelo MIL em colaboração, além de com a BNP, também com o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Hoje é também o Dia Mundial da Árvore (ou Internacional das Florestas), e, porque é das árvores que vem o papel para os livros (que convém que mereçam o papel em que são impressos), ainda mais marcante se torna esta data. Que, por tudo isto, acabou por ser a adequada para formalizar a minha participação, com «Q», num prémio nacional de poesia – apenas o primeiro de vários aos quais pretendo concorrer no decorrer deste ano.
Entretanto, esta minha obra, e outras editadas pelo MIL, estarão à venda amanhã (terça-feira, 22 de Março) e depois (quarta-feira, 23 de Março), respectivamente na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Universidade Lusófona, durante o IV Congresso da Cidadania Lusófona.     

sábado, março 12, 2016

Ocorrência: 20 anos no Público

Foi há precisamente 20 anos – a 12 de Março de 1996 – que saiu no Público (Nº 2193) o meu primeiro artigo de opinião naquele jornal. O primeiro que saiu, note-se, enquanto tal, no espaço próprio daquele diário; antes, em 1995, dois outros artigos meus haviam sido publicados na secção de correio, embora na verdade não se tratassem de cartas ao director. Mas ao terceiro foi de vez…
 … E, intitulado «O Estado assassino», começa(va) assim: «O Estado deveria ser em Portugal uma pessoa (colectiva) de bem. Um exemplo de justiça a seguir. Um modelo de rigor a imitar. Porém, e infelizmente, não é isso que acontece. No nosso país, e como se já não bastassem as inúmeras provas de incompetência, irresponsabilidade e incoerência que tem dado ao longo dos anos, o Estado tem revelado frequentemente, pelos seus erros ou omissões, ser um autêntico criminoso. Não só por não pagar aquilo que deve ou fazê-lo tarde e a más horas, e exigir que os cidadãos o façam sob pena de multa ou prisão. Mais do que isso: em Portugal o Estado é um verdadeiro assassino. Um assassino hipócrita. Os três casos que a seguir expomos demonstram-no claramente, sem deixarem lugar a dúvidas.»
Está incluído, tal como os dois anteriores que referi, no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», editado em 2012, juntamente com outros que, posteriormente, também apareceram inicialmente nas páginas do diário fundado por Vicente Jorge Silva há mais de 25 anos. Honra-me ser há duas décadas colaborador, mesmo que ocasional, de um jornal que, corajosa e dignamente, continua a recusar submeter-se ao dito «Acordo Ortográfico de 1990». E a minha mais recente colaboração é, recordo, «Não se endireita», publicado no passado dia 27 de Janeiro.

sexta-feira, março 04, 2016

Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 4)…

… Escritos e publicados, desde Agosto último, nos seguintes blogs: MILhafre (um, dois, três); O Insurgente; Apartado 53 (um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito): Rascunhos; Delito de Opinião (um, dois, três); Praça do Bocage; Horas Extraordinárias; Aventar. Comentários esses que versa(ra)m, entre outros temas, sobre: língua e literatura portuguesas eliminadas pelo Tribunal Europeu de Patentes e pelo Ministério da Educação do Brasil; declínio e degradação do Diário de Notícias; a teimosia de Francisco Seixas da Costa; Octávio Machado ficou sem o «c»; as diferenças entre Marcelo Rebelo de Sousa e Marisa Matias; as contradições de António Costa; as mentiras do embaixador do Brasil em Portugal; saudação a Manuel Luís Goucha e a todos os outros escritores que se recusam a utilizar o AO90 nas suas obras; a cobardia d(e muitos d)os professores portugueses. (Referência parcial no Apartado 53.)    

sábado, fevereiro 27, 2016

Outros: Aciprestes com «arestas»

É inaugurada hoje, 27 de Fevereiro, e prolonga-se até 16 de Março, a exposição «Ar de Arestas» de Ozias Filho, co-autor da antologia de contos de ficção científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas», concebida por mim e editada em 2012 – o texto com que colaborou naquela, intitulado «A maratonista» e inserido no capítulo «A República Nunca Existiu! – Parte 2», foi mais uma demonstração do talento versátil deste meu amigo brasileiro, há vários anos a viver em Portugal, que se tem notabilizado mais enquanto poeta… e editor de poesia de outros (mas também já editou obras em outros géneros literários)…
… E ainda na fotografia. A referida exposição, que tem lugar no Palácio dos Aciprestes (Avenida Tomás Ribeiro, Nº 18, Linda-a-Velha, Oeiras), pertença da Fundação Marquês de Pombal e onde também tem decorrido a iniciativa «Sustos às Sextas», reúne fotos captadas por Ozias Filho que ilustram o livro do seu compatriota Iacyr Anderson Freitas intitulado precisamente… «Ar de Arestas». Neste sábado, a celebração de palavras e de imagens tem início às 16 horas «com leituras de partes do poema que originaram as fotografias e ainda um pequeno momento musical.» (Também no MILhafre.

domingo, fevereiro 21, 2016

Ordem: «Força», Jorge! ;-)

Eu já havia dito que iria – contrafeito, mas iria – ripostar, ainda durante este mês de Fevereiro. E é hoje. Mas, antes de começar, podemos todos concordar, reconhecer, que não sou eu que começo, que não sou eu que provoco, que apenas me limito a responder… porque «quem não se sente não é filho de boa gente»? Não há dúvidas quanto a isso, pois não? Óptimo. Então…
… Sim, eu sei, (ainda) custa a acreditar, mas é verdade: Jorge Candeias, recordo, decidiu escrever e publicar no seu blog A Lâmpada Mágica (e divulgar no seu Twitter, Scoop, e, eventualmente, Facebook) outro texto sobre mim e sobre um livro meu. Mais correcta e concretamente: outro texto a insultar-me e, desta vez, a denegrir «Espíritos das Luzes». Agora fê-lo de uma forma «desenvolvida» - estúpida, mas «desenvolvida» - mas antes tinha como que «anunciado» o que aí vinha (e como então fiz notar) na sua (lacónica e literal) «crítica» de m*rd* no GoodReads, e no balanço das suas «leituras de 2015», em que fui «distinguido» com a (dúbia) «honra» de ter sido o autor do «pior» livro que o «poltrão de Portimão» leu no ano passado – sim, exactamente, o «Espíritos…» - e de ainda ter «ganho» como que uma «menção (des)honrosa» com «A República Nunca Existiu!» Dir-se-ia que o gajo está obcecado, e não de uma forma saudável.
Porém, um facto fulcral mantém-se inalterável: o «tormento do Barlavento» não leu «Espíritos das Luzes» na sua totalidade, pelo que a nova «apreciação» que agora fez dele também não tem qualquer consistência, qualquer credibilidade, qualquer validade. E – soube-se neste mais recente e raivoso arrazoado – ele mentiu ao ter dito (escrito) que «resisti um capítulo». Afinal, nem isso, porque, como agora admitiu, fechou «definitivamente» (?) o livro na página 36… e o primeiro capítulo, «Lustrosos regimentos», vai até à 48! No entanto, não surpreende que falte – descaradamente – à verdade alguém que é um esquerdista (extremista), faccioso, invejoso, (também por eu ter publicado dois livros de minha autoria na Saída de Emergência, onde ele nunca passou de tradutor?), defensor e impos(i)tor do fascismo ortográfico, adepto de todas as (falsas) «causas fracturantes», imerso no seu deficiente e deprimente mundo de fantasia delimitado pelas leituras do Esquerda.net e das colunas de Paul Krugman no New York Times. Afinal, quem é que é «anão» e «patético»? Uma pista: não sou eu.
E o que é que está na página 36 que é tão intolerável, que revela uma tão insuportável «incoerência»? Tão grave que faz da minha obra «puro lixo» e o abate de «pobres árvores» necessárias para produzir o papel para a imprimir algo ofensivo, quiçá criminoso? O seguinte excerto: «Esta nação (…) tornou os súbditos por igual dependentes do trono e possuidores dos mesmos privilégios. Pequenina, portanto, mas autónoma, e como se sozinha atentasse à segurança e à grandeza da Europa, enquanto esta se dilacerava nas suas divisões, os portugueses conquistavam as costas de África; descobriam os mares e os desertos daquela região inculta; abriam a navegação até às Índias Orientais; ali faziam potentes diversões ao ímpeto dos turcos; talvez fornecendo as luzes, de onde outros se aproveitaram com maior sucesso; acrescentavam a quarta parte à Terra (…).» Segundo JC, esta passagem está em contradição com o conceito de Portugal como planeta e o de Europa como sistema solar… mas, na verdade, não: então um planeta não pode albergar uma só nação, e não há tantos exemplos disso na literatura de FC? Então as divisões no «sistema solar Europa» não podem ser políticas e militares? África não pode ser, precisamente, outro sistema solar, cujos planetas possuem desertos, costas e mares? As Índias Orientais não podem ser… sim, outro sistema? E, não, não perguntem ao «alarve do Algarve» o que é a «Terra» neste cenário, neste contexto… perguntem-me, que eu respondo: obviamente, é uma galáxia.
Igualmente risíveis são as insinuações – ou mesmo acusações – de falta de «decência» e de «ética» por eu me assumir como único autor de uma obra que inclui textos de outras pessoas… Repare-se no ridículo: sendo os citados cerca de 20, seria (muito) difícil – para não dizer impossível – inserir os nomes de todos na capa e na lombada… Efectivamente, trata-se de mais uma idiotice do tradutor do idiota: pense-se nos artigos académicos, científicos, que invariavelmente incluem muitas (dezenas?) de citações. Acaso os citados são indicados como autores? Claro que não, só quem faz as citações. «Espíritos das Luzes» pode, por isso, ser também entendido, nessa perspectiva, como um «artigo em forma de romance»… que não deixa de mencionar, com rigor, e homenageando, os autores, e as fontes, das citações.
Elucidado? Entendido? Esclarecido? Ou acaso precisam de (outro) explicador?
«Coitado» do Candeias: tanto esforço, tanta «ginástica mental», tanto trabalho, tanto «torce, e retorce, e volta a retorcer» para (tentar) justificar a sua cobardia, a sua demagogia, a sua fraqueza, a sua incapacidade, a sua inferioridade, a sua preguiça… para nada! Ou para se tornar (novamente) um motivo de chacota... «Abandonado», o meu «Espíritos das Luzes»? Se é para ser «albergado» por gente desta laia antes só do que mal acompanhado, antes «perdido» do que «achado»!
Todavia, devo, sinceramente, agradecer a JC o facto de ter comprado um exemplar… para (desistir de o) ler (após) cerca de 10% das suas páginas – porque, indirectamente, acabou por me pagar (não muito, infelizmente, porque os rendimentos resultantes dos direitos de autor não são grande coisa). Foi um «favor» que não tenho qualquer intenção de retribuir. Contudo, o que ele podia e devia fazer, quanto mais não fosse para não dar por perdido o «rico dinheirinho» despendido, era voltar a tentar, envidar um esforço suplementar, e ler mais (de preferência todo) o meu livro. Talvez, quem sabe, encontrasse uma passagem, um excerto, uma citação que realmente colocasse em causa a premissa que estabeleci para o meu romance – isto é, que verdadeiramente a colocasse em causa, porque a que agora apresentou como «prova» não serviu para isso, como demonstrei. Sim, é pouco provável que isso acontecesse… mas porque não experimentar? Pensa nisso, Jorge! «Força»! Não te dês por vencido! «Estamos» contigo! Ou não… ;-) (Também no Simetria.)  

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Orientação: Para quem ainda não leu…

… Textos recentes da minha autoria que considero relevantes, saídos em outros blogs nos quais também participo, e que não divulguei directamente no Octanas quando foram publicados (alguns, bastantes, são inseridos por mim em mais do que uma «plataforma» em simultâneo, mas outros não), aqui ficam as indicações e a ligações: no Obamatório, que entrou em Janeiro no seu «ano oito» de actividade, procedi também à escolha da (frase e personalidade) «mais estúpida de 2015», reiterei que «nenhuma “batalha” é pouco importante» e demonstrei que o actual presidente dos EUA é (pode ser visto como) um «comediante»; no Simetria, e a propósito da sua morte, evoquei David Bowie designando-o de «criador e criatura de FC»; no Ópera do Tejo referi os mais recentes desenvolvimentos no projecto que visa estudar e divulgar a poesia de Luís António Verney; e no Albuquerque 500 inventariei (mais) menções, «ecos», não só da efeméride dos 500 anos da morte de Afonso de Albuquerque, mas também da evocação (colóquio e mostra documental) que, por minha iniciativa, o Movimento Internacional Lusófono organizou em 2015 em colaboração com o Arquivo Nacional Torre do Tombo, a Biblioteca Nacional de Portugal e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal.      

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

Observação: Muito bem um para o outro

Aparentemente, o «apelo» que fiz no passado dia 19 de Janeiro não surtiu grande efeito (que «surpresa»!), e Marcelo Rebelo de Sousa foi mesmo eleito Presidente da República, e à primeira volta, cinco dias depois. E, já agora, fica a pergunta: quem teve a infeliz – e imbecil - ideia de levar a verdadeira bandeira portuguesa, azul e branca, monárquica, para a festa do triunfo do professor-comentador na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa?
Com António Costa como primeiro-ministro, é apropriado dizê-lo: estão muito bem um para o outro! Dois homens sem (ou com mau) carácter, sem escrúpulos, sem honra, apenas preocupados com o seu perfil, o seu percurso, o seu «prestígio»… enfim, com o poder. Vão dar-se lindamente, às «mil-maravilhas»! Não sobrarão, decerto, «factos políticos»! A «reles-pública» portuguesa tem, no Palácio de Belém e no Palácio de São Bento, «inquilinos» ao seu (baixo) nível. O que, aliás, já aconteceu antes… mas, desta vez, os actuais distinguem-se também por terem assumido publicamente atitudes de subserviência perante outros países. 
Curiosamente, eu próprio tenho, tanto de um como de outro, motivos de queixa pessoais, específicos, concretos. O que demonstra até que ponto são abrangentes e profundas as capacidades de ambos na criação de conflitos.

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Ordem: Sim, irei ripostar

Aos que eventualmente – e virtualmente – se (me) interroga(ra)m sobre se eu já vi… respondo que sim, já vi, li, a mais recente excreção palavrosa de Jorge Candeias no seu blog contra mim, e, mais concretamente, contra o meu livro «Espíritos das Luzes». E, sim, irei ripostar em breve, ainda durante este mês de Fevereiro. Não que tenha muita vontade… mas lá tem de ser. E não antes de tratar de assuntos bem mais importantes do que aturar outra birra do poltrão de Portimão, definitivamente desequilibrado, desonesto e delirante. Tais como coçar os c*lh**s e ver a erva crescer. ;-) 

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Outros: Testemunhos… reais

Hoje assinala-se mais um – triste, trágico, terrível – aniversário do Regicídio de 1908, o que representa também, novamente, mais uma oportunidade de voltar a abordar «A República Nunca Existiu!», antologia de contos de história alternativa que eu concebi, organizei e em que participei, editada há oito anos. Desta vez, por causa de dois dos livros que li no terceiro quadrimestre do ano passado, e nos quais existem excertos que de algum modo se podem relacionar com a efeméride e com aquele meu projecto literário.
Um dos livros é «As Máscaras do Destino», colectânea de contos de Florbela Espanca, contos esses susceptíveis de serem inseridos – todos! – no género fantástico, o que faz da poetisa alentejana, cujo 85º aniversário da morte se assinalou em 2015, mais um nome a juntar ao «cânone» que eu tentei construir no meu artigo «A nostalgia da quimera». Porém, a ligação desta obra com «A República Nunca Existiu!» faz-se não por palavras da sua autora mas sim por palavras de outra escritora, que elaborou o prefácio (da edição que eu li – a 7ª, Bertrand, 1998): Agustina Bessa Luís. Recordo que, na «República…», escrevi o seguinte, no último parágrafo da introdução: «No Verão de 2007, durante as férias com a minha família, estive em Vila Viçosa, bela terra à qual não regressava há 20 anos. Revisitei o Paço Ducal e quase consegui sentir a “presença” de D. Carlos e da sua família. Visitei a antiga estação ferroviária, agora um Museu do Mármore, e quase consegui “ver” a Família Real entrar num comboio para a sua última viagem juntos. Aclamados por uma pequena multidão onde, quem sabe, estaria uma ainda muito jovem Florbela Espanca…» Pois bem, o que escreveu – e revelou – a autora de «A Sibila»? Isto: «Temos de ler “As Máscaras do Destino” com a confiança amigável que nos merece o diário duma adolescente, em que certa mediocridade talentosa anuncia os desejos que se evitam. É a jovem de Vila Viçosa a quem a rainha falou um dia, despertando nela uma noção de valor próprio que a marca de tristeza para sempre.»
O outro livro que li no final do ano transacto e que tem a ver, directamente, com o crime de 1908, e, indirectamente, com a primeira antologia colectiva que concebi e organizei, é «Folhas Soltas (1865-1915)», colectânea de crónicas (editada pela Livraria Clássica Editora em 1956) de Ramalho Ortigão, cujo centenário da morte se assinalou em 2015. Um dos textos incluídos intitula-se «A tarde de 1 de Fevereiro de 1908», e foi publicado no jornal O Portugal a 1 de Fevereiro de 1909. Nenhuma criação da imaginação é mais poderosa do que o relato factual – comovido e indignado – de um contemporâneo: «Parece que foi ontem, e faz hoje um ano! Era num dos mais lindos dias do doce Inverno lisboeta. (…) O sol no ocaso estendia a sua grandiosa púrpura por todo o estuário do Tejo. No profundo e inefável azul do espaço, sobre a calma baía, enxames adejantes de gaivotas, como lírios alados, envolviam as velas das faluas que bolinavam no rio. A vidraçaria dos prédios nas colinas do Castelo e da Graça chamejavam em reflexos de ouro num fulgor de colossal apoteose. (…) Minutos depois, à esquina do Terreiro do Paço, uma descarga de vinte tiros atingia a carruagem aberta, sorridente e florida, do Rei e da sua família. O resultado do tiroteio à queima-roupa foi morrerem fulminantemente o Rei e o Príncipe Real, ser ferido o Infante, e unicamente ficar ilesa a Rainha, se por ironia se pode dizer ilesa a mãe dolorosa que sobrevive, cingindo nos braços, espingardeado, o corpo do seu filho. Sucedeu isto há um ano, e sobre a investigação judicial desse monstruoso atentado pesa ainda hoje o mutismo da nossa História. (…) Para contrapor à indiferença dos homens, eu recorro para a impassibilidade da Natureza. Creio não me desmandar muito na invocação de prerrogativas régias desejando para a cândida memória de um Rei e de um Príncipe a diluição apetecida para a memória sangrenta de um facínora. (…)» (Também no MILhafre e no Simetria.