sábado, novembro 08, 2014

Observação: Não foram queimados

Não é apenas por preconceito, e até por receio, em relação à Ficção Científica e Fantástico e à sua indubitável superioridade e (maior) relevância enquanto género literário e artístico, que intervenientes privilegiados no campo cultural – jornalistas, críticos, editores, jurados de prémios, políticos e funcionários públicos com responsabilidades naquele – a desvalorizam e tentam subalternizar, prejudicando assim as suas possibilidades de alcançar um público (mais) alargado. Também é, frequentemente, por ignorância. Dois casos recentes, e quase coincidentes, disso mesmo merecem ser aqui relatados.
O primeiro foi protagonizado por Eduardo Pitta, que escreveu no seu blog Da Literatura que «infelizmente, (Ray) Bradbury não tem tido fortuna na edição portuguesa, estando embora traduzidos os dois ou três livros mais conhecidos»; o que motivou uma resposta por parte de… uma certa pessoa no seu blog A Lâmpada Mágica, que esclareceu o «literato» colaborador das revistas Ler e Sábado que, na verdade, do autor de «Fahrenheit 451» foram publicados no nosso país quase 20 livros; é evidente a desilusão do militante do Bloco de Esquerda em relação ao apoiante do Partido Socialista, mais concretamente pela «desinformação algo grotesca» - na verdade, desconhecimento, desinteresse e desleixo – demonstrada pelo segundo ; e tanto deve ter custado ao primeiro escrever a «posta», pois, afinal, é tão grande a proximidade ideológica entre os dois…
O segundo caso foi protagonizado por Nuno Galopim, que escreveu no seu blog Sound + Vision - em que tem João Lopes como parceiro – que dois livros de Arthur C. Clarke, «2061 – A Terceira Odisseia» e «3001 – A Odisseia Final», nunca foram traduzidos e editados em Portugal; só que… foram mesmo, e eu enviei uma mensagem (até agora sem resposta) a dar essa informação, acrecentando que aquelas duas obras integra(ra)m a colecção «Nébula» das Publicações Europa-América, a primeira (que, aliás, eu possuo, numa 2ª edição de 1988) com o número 25 e a segunda com o número 63; apesar de, insolitamente, tal facto não constar actualmente no sítio na Internet das PEA, a «prova» pode encontrar-se, por exemplo, no índice da colecção incluído na edição portuguesa de «Roma Eterna» de Robert Silverberg - livro extraordinário que eu também tenho, que foi o meu «destaque na literatura» do segundo quadrimestre de 2006, e que constituiu ainda, como revelei na introdução, uma influência decisiva na concepção de «A República Nunca Existiu!»
Enfim, é igualmente de referir que tanto o Da Literatura como o Sound + Vision não permitem a inserção de comentários. O que não obsta, como se vê, a que existam sempre meios de repor «a(s) verdade(s) a que (todos) temos direito». Que, neste caso, é a de que aqueles livros existem, ou existiram, em Português; não foram enviados ao espaço, não foram queimados. ;-) (Também no Simetria.)    

domingo, novembro 02, 2014

Oráculo: Um dos «Mensageiros», outra vez

A terceira edição – ou «Episódio III» - do colóquio «Mensageiros das Estrelas», cuja realização foi anunciada pela primeira vez em Abril último, já tem o seu programa disponível. E eu tenho o privilégio, também pela terceira vez, de ser um dos oradores convidados nacionais – ou national guests – do encontro organizado pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa: no dia 19 de Novembro, o primeiro dos três do evento, entre as 17.45 e as 18.45 horas, no anfiteatro 3 da FLUL, participarei na mesa-redonda/debate «Ficção Científica e Crise», com João Barreiros, Luís Filipe Silva e Telmo Marçal, e moderação de Margarida Vale de Gato.
Obviamente, outros temas interessantes e outros intervenientes qualificados integram o programa do «Mensageiros das Estrelas» de 2014.  A primeira sessão plenária abordará a «Literatura de fantasia e a Idade Média», e seguir-se-ão comunicações e análises sobre «Heróis, vilões e monstros», «Utopia e distopia», «Ficção científica e História», «Imagens do sobrenatural e do corpo», «Videojogos, imaginário e ficção», «Zombies e performance», «A mulher na ficção científica» e «Mundos possíveis», entre demais tópicos. A lista de oradores inclui Adelaide Serras, Angélica Varandas, David Klein Martins, João Félix, Mick Greer, Nelson Zagalo, Rachel Haywood Ferreira e Susana Valdez, entre demais participantes.
Como nas duas edições anteriores (em 2010 e em 2012) do «Mensageiros das Estrelas», haverá livros à venda no espaço do (e adequados ao) colóquio. E um deles será, inevitavelmente, a antologia «Mensageiros das Estrelas», apresentada pela primeira vez há dois anos. Uma nova oportunidade, um novo pretexto, para quem ainda não o fez a adquirir. (Também no Simetria.)         

segunda-feira, outubro 27, 2014

Outros: Querem também uma mudança de regime

Haverá, quase de certeza, mais, mas pelo menos uma outra pessoa é a favor, como eu, de uma mudança de regime em Portugal e da consequente redacção e aprovação de uma nova lei fundamental para o país: Pedro Braz Teixeira, que, no seu artigo «Constituições de facção», publicado no jornal i no passado dia 22 de Outubro, afirma que «Portugal precisa de mudar de regime e de Constituição, que deve deixar de ser de facção para passar a ser verdadeiramente nacional. A Terceira República é um regime que já está podre há vários anos e que deveria terminar. São múltiplas (demasiadas!) as instituições do regime que lançam um cheiro fétido por todo o lado. Infelizmente, ainda que os sucessivos regimes portugueses tenham caído de podres, essa putrefacção durou longos anos.» Tal como (re)afirmei recentemente, esta III República não tem regeneração. No respectivo espaço para comentários do i ainda ninguém, felizmente, chamou Braz Teixeira de «demente», com algum tipo de «problemas mentais», ou então (muito) «intolerante». Já é um progresso! (Também no MILhafre (98).)

quarta-feira, outubro 22, 2014

Ocorrência: Ontem na FENPROF

Estive ontem, juntamente com Hermínia Castro e João Pedro Graça, e em representação da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, na sede em Lisboa da Federação Nacional de Professores para uma reunião que solicitámos àquela associação sindical, tendo como interlocutores os professores António Avelãs e Luís Lobo. Os objectivos foram, obviamente, apresentar a Iniciativa à FENPROF e convidar esta a juntar-se a nós na luta pela revogação do AO90. Um relato do encontro (com fotografias) está no sítio da ILCAO.

quarta-feira, outubro 15, 2014

Orientação: Sobre a Pátria e a Língua, na NA

Na edição Nº 14 da revista Nova Águia (relativa ao segundo semestre de 2014), e nas páginas 71 a 74, está o meu artigo «A minha pátria já não é a língua portuguesa». Foi escrito em obediência ao tema proposto - «80 anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa» -  e é composto por sua vez de excertos de alguns outros, anteriores, artigos, que de alguma forma abordam aquele tema, uns incluídos no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», editado em 2012 pela Fronteira do Caos, e outros escritos e publicados posteriormente. A Nova Águia Nº 14 terá a sua primeira apresentação hoje, quarta-feira, 15 de Outubro, às 17 horas, no Palácio da Independência, em Lisboa; e, à semelhança das edições anteriores, outros lançamentos deverão seguir-se um pouco por todo o país.    

domingo, outubro 05, 2014

Observação: Não tem regeneração

Não posso ser certamente a única pessoa a achar insólito, incongruente, irónico, que um dia que deixou de ser considerado, em decisão de um governo ratificada por um presidente da república, um feriado oficial, ainda seja merecedor de… comemorações oficiais. Que, para mais, contam com as presenças do governo – através do primeiro-ministro – e do PR acima citados! Hoje, 5 de Outubro de 2014, tal aconteceu em Lisboa, tendo como anfitrião o presidente da câmara municipal daquela, recém-eleito novo líder do maior partido da oposição e desejoso de assumir uma pose ainda mais institucional que tente ocultar, e se possível apagar, a sua indiscutível incompetência enquanto autarca.  
É evidentemente uma situação ridícula, mas há muito tempo que tudo o que se relaciona com a (evocação da) implantação da república em Portugal é ridículo. As «altas individualidades» que hoje acorreram aos Paços do Concelho quase de certeza nunca pensaram que, mais do que a tomada do poder por terroristas através de um golpe de Estado em 1910, esta data podia e devia ser celebrada enquanto a do reconhecimento formal da fundação da nacionalidade – pela assinatura do Tratado de Zamora em 1143. Tal como não costumam celebrar o 1º de Dezembro nem o 14 de Agosto, que não são mas deviam ser feriados, preferindo, ao invés, assinalar a união ibérica a 10 de Junho, que ainda é.
Porém, e apesar de qualquer festejo da república ser mais patético de que patriótico, há sempre a possibilidade de, relacionado com ela, surgir um qualquer incidente grotesco adicional. Desta vez foi a controvérsia a propósito de uma exposição na assembleia da re(les)pública intitulada «Cem anos de presidência», e que é constituída por 18 bustos (no sentido de «carantonhas», infelizmente) de outros tantos figurões que ocuparam o cargo de chefe de Estado; mais concretamente, de protestos do BE e do PCP por a referida iniciativa incluir representações em barro de Carmona, Craveiro Lopes e Thomaz, residentes do Palácio de Belém no período entre 1926 e 1974, isto é, durante a 2ª república. No entanto, se fossem coerentes e intelectualmente honestos, bloquistas e comunistas teriam igualmente exigido a retirada dos retratos dos presidentes da 1ª república, que, por também ter sido uma ditadura, nunca proporcionou a eleição em democracia do «mais alto magistrado da nação».
Enfim, a verdade é que representa pouco mais do que um desperdício de tempo e de esforço qualquer discussão a respeito deste regime. Que permite ou mesmo promove a gradual destruição do país – pelo abandono do território, pelo descontrolo migratório, pelo financiamento do aborto, pela espoliação fiscal – e que por isso não tem – e não é de agora – qualquer recuperação ou regeneração possível. Quantos mais escândalos de âmbito político-económico – o do Banco Espírito Santo é só o mais recente – serão ainda necessários para convencer os que ainda se iludem? Pela minha parte, e como já afirmei, estou pronto para (um)a revolução. De preferência, e se possível, pacífica. (Também no MILhafre (97).

quarta-feira, outubro 01, 2014

Orientação: Simetria Sonora 2014

Hoje celebra-se mais um Dia Mundial da Música, o que significa também uma nova edição do projecto Simetria Sonora. E, tal como nos anos anteriores, a esta grande lista foram adicionados 50 discos de «música de ficção científica e de fantástico»: são agora 450.

sexta-feira, setembro 26, 2014

Observação: O Costa dos naufrágios

Não eram necessárias as – graves – inundações que afectaram Lisboa, na sequência de chuva muito intensa, no passado dia 22 de Setembro para se ter a certeza definitiva da incompetência de António Costa, da sua vereação na Câmara Municipal de Lisboa e, sim, também do Partido Socialista em qualquer nível de poder político, do local ao nacional.
As imagens (fixas) divulgadas, entre outros, por Filipe Nascimento, Maria Teixeira Alves e Nuno Castelo-Branco nos blogs que integram, e as imagens (em movimento, e com som) transmitidas na RTP, na SIC e na TVI demonstraram, sem qualquer… margem para dúvidas, o que pode acontecer após sete anos de desleixo e do desvio de recursos – humanos e financeiros – para outros objectivos e outras actividades que pouco ou nada têm de relevante. David Soares, em texto recente publicado no seu blog intitulado, apropriadamente, «Lisboa, a cobaia», veio também criticar, condenar, aquilo que eu já havia criticado e condenado: a prioridade dada à aparência, à propaganda, à «experimentação social», em prejuízo da resolução efectiva dos autênticos problemas dos cidadãos. Afinal, nada de novo: um comportamento típico da esquerda – incluindo a portuguesa – é o de procurar a utopia, o de construir o «homem novo», a «sociedade nova», o «mundo novo», enfim, neste caso, a «cidade nova», independentemente das circunstâncias, dos factos... da realidade. O que, habitualmente, implica a criação de restrições à liberdade de expressão e até de circulação!.. A não ser, claro, que, neste caso, essa circulação se faça com carroças e bicicletas, «adequadas» a uma capital conhecida pelas suas colinas!
Porém, o «dilúvio» que na última segunda-feira se abateu sobre Lisboa veio demonstrar que há outro tipo de transporte alternativo e ecológico «ideal» para os olisiponenses: o barco – desde que, claro, a remos e/ou a vela e sem motor. Mais não seria do que o retomar da nossa gloriosa tradição de navegantes e de descobridores… apesar de agora os «cabos» a dobrar serem as esquinas das ruas da Baixa. E está, pois, realizado o desejo de António Mendonça: a Ulisseia tornou-se a «praia de Madrid», e poderá tornar-se em mais do que isso se António Costa vier a ser secretário-geral do PS e, vencendo as próximas eleições legislativas, vier a ser igualmente primeiro-ministro. Porque, como «bom» socialista que é, e à semelhança daquele ex-ministro «só-cretinista» e de tantos outros dos seus «camaradas», revelou ser um obediente iberista disposto a ir a Castela «prestar vassalagem».    
O (António) Costa dos naufrágios em Lisboa, cúmplice em 2011 (e antes disso…) no afundamento – cultural, económico, social – de Portugal, porque está do «lado certo» e segue o «politicamente correcto», pode sempre contar com defesas e com desculpas, por mais ridículas que sejam. E convinha mesmo que o protegessem, porque não pareceu bem ele estar ausente em campanha enquanto a cidade de que é o principal edil era atravessada por enxurradas. Pelo que houve quem: tivesse o descaramento de acusar o Instituto Português do Mar e da Atmosfera de não ter previsto com precisão a (forte) precipitação e de não ter avisado a CML que, assim, não pôde preparar-se a tempo – mas não seria em poucas horas que, mais do que fazer limpezas, fariam as melhorias nos sistemas de canalização, drenagem e escoamento que não fizeram desde 2007; e tivesse o descaramento de afirmar peremptoriamente que «Lisboa terá sempre inundações» como se tal fosse uma fatalidade bíblica… e não é – a não ser que tal «certeza» se deva a essa fraude designada por «aquecimento global antropogénico». O que se pode fazer a pessoas como essas é… virar-lhes as (nossas) costas. (Também no MILhafre (96).) 

sábado, setembro 20, 2014

Obras: Livro sobre Verney em revisão

Iniciei esta semana a revisão final do livro que reúne (a grande maioria d)as comunicações e intervenções (incluindo a minha) apresentadas e feitas no âmbito da celebração dos 300 anos do nascimento de Luís António Verney, em 2013, e que teve como principal iniciativa o congresso «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», realizado a 16, 17 e 18 de Setembro do ano passado em Lisboa, no auditório da Biblioteca Nacional. Esta será também a editora da obra, para a qual ainda não há, porém, datas de publicação e de lançamento. A seu tempo mais novidades – quando existirem – serão dadas, aqui no Octanas, e também no Nova Águia e no MILhafre     

quarta-feira, setembro 10, 2014

Outros: Mais comentários contra o AO…

… Escritos por mim e publicados, desde Março último, nos seguintes blogs: LER; Delito de Opinião (um, dois); Corta-Fitas (um, dois); Blogtailors; 31 da Armada (um, dois); Malomil; MILhafre (um, dois, três).  

domingo, agosto 31, 2014

Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2014

A literatura: «O Neoprofetismo e a Nova Gnose - Da Cosmovisão Rosacruz aos Mitos Ocultos de Portugal» e «O tempo tudo cura menos velhice e loucura», António de Macedo; «A Identidade Cultural Europeia» e «As botas do sargento», Vasco Graça Moura; «Ar», Geoff Ryman; «O Homem no Castelo Alto», Philip K. Dick; «A Ministra», Miguel Real; «O Longo Halloween», Jeph Loeb e Tim Sale;  «Através dos portais da chave de prata». H. P. Lovecraft e E. Hoffman Price.
A música: «The Man I Love» e «Things Are Swingin'», Peggy Lee; «Sons And Fascination», «Sparkle In The Rain» e «Street Fighting Years», Simple Minds; «Bloody Kisses» e «October Rust», Type O Negative; «Elixer», Bria Valente; «MPLSound», Prince; «Rita», Rita Guerra; «Os Anormais - Necropsia de um Cosmos Olisiponense», Charles Sangnoir e David Soares; «Cowboys From Hell», Pantera; «Informal Jazz», Elmo Hope Sextet; «Cattin' With Coltrane And Quinichette», John Coltrane e Paul Quinichette; «All Mornin' Long» e «Dig It!», Red Garland Quintet.
O cinema: «J. Edgar», Clint Eastwood; «Um Homem Solteiro», Tom Ford; «Extremamente Alto e Incrivelmente Perto», Stephen Daldry; «O Hobbit - A Desolação de Smaug», Peter Jackson; «Promessas de Leste», David Cronenberg; «A Pianista», Michael Haneke; «Desprezível Eu 2», Chris Renaud e Pierre Coffin; «Predadores», Nimrod Antal; «A Neblina», Frank Darabont; «Caminho das Estrelas - Para a Escuridão», J. J. Abrams; «Monty Python e o Cálice Sagrado», Terry Gilliam e Terry Jones; «Vénus Negra», Abdellatif Kechiche; «A Pele que Habito», Pedro Almodóvar; «Conduz», Nicholas Winding Refn; «América», João Nuno Pinto; «Nebulado com Possibilidade de Almôndegas 2», Cody Cameron e Kris Pearn; «Príncipe da Pérsia - As Areias do Tempo», Mike Newell; «Forte», Boaz Yakin; «Chamada Marginal», J. C. Chandor.
E ainda...: (documentário na RTP2) «A cantiga era uma arma», Joaquim Vieira; (entrevista na RTP2) «Livre Pensamento - Maria Filomena Mónica», Mário Carneiro; FNAC/Vasco da Gama - exposição de fotografias de Nuno Tavares «Meus»; FNAC/Chiado - exposição de fotografias de Stefano Pacini «A revolução está na rua»; Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa - exposição de desenhos colectiva «Anatomia artística: A memória do corpo»; (artfanzine) Eyesight Nº 3 - Abstracting the Essence/Kristine Norlander;  Associação Portuguesa de Editores e Livreiros - Feira do Livro de Lisboa 2014; Biblioteca Nacional - exposição «Judaica nas colecções da Biblioteca Nacional de Portugal - Séculos XIII a XVIII» + exposição «Uma história de jardins - A sua arte na tratadística e na literatura» + mostra «Portugal e a Grande Guerra» + mostra «Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013)» + mostra «Álvaro Salema e Joaquim Namorado - cultura e intervenção»; Museu do Neo-Realismo - exposição antológica «Pintor Nuno San-Payo» + exposição «Além da Ucronia - Histórias não vividas do 25 de Abril» + exposição biobibliográfica «Augusto dos Santos Abranches» + mostra «Ciclo vinte mil livros - Carlos de Oliveira»; Museu Municipal de Vila Franca de Xira - exposição «José Augusto e Maria Gabriel - Uma vida ao encontro da pintura»; Câmara Municipal de Loulé/Galeria de Arte da Praça do Mar de Quarteira - exposição «El Menau - Sociedade Triste»; Museu do Caramulo; Museu de Grão Vasco; Museu Almeida Moreira; (revista) Wink Nº 7.

terça-feira, agosto 26, 2014

Observação: O poltrão de Portimão

Jorge Candeias decidiu dedicar-me no passado Domingo, dia 24 de Agosto, uma «posta» a que deu o título de «Um zero à esquerda», e que é, além de outra «descarga» – direccionada e degradante – das frustrações e das raivas que ele vai acumulando, também um extraordinário – e revelador – exercício de projecção. Pode-se deduzir que ele se vê ao «espelho» quando… «evacua» tais impropérios. Ele «cospe» para cima… e leva com o seu próprio «escarro».
Na mais recente invectiva de JC abundam as invenções, as difamações, as distorções. Contactei-o algumas vezes nos últimos anos por causa do Bibliowiki? Sim, claro: é uma excelente iniciativa, e, quanto à minha página, achava – e acho – relevante que, concretamente, estivesse lá uma referência ao meu artigo «A nostalgia da quimera», para além de outras aos meus projectos de ficção. E será que JC também inclui no «anos a chatear-me por um motivo ou por outro» as mensagens (não respondidas) que lhe enviei a propósito do pai, primeiro de encorajamento aquando da doença e depois de condolências pela morte? Para se demonizar o oponente é sempre «conveniente» ocultar todos os pormenores que possam desmentir o «retrato».
Agora, um esclarecimento que, creio, já ter feito em outras ocasiões, mas que é sempre importante reiterar: eu não faço comentários anónimos. Digo, escrevo, tudo com o meu nome verdadeiro, dando a «cara», mesmo que seja «virtual», e também não tenho qualquer problema em fazê-lo pessoalmente. Já por várias vezes desafiei a que, quem quisesse, me abordasse em cerimónias públicas em que participo, e que anuncio antecipadamente aqui no Octanas. Eu posso «jogar», e «jogo», duro, mas «jogo» limpo. E não corto comentários, as afirmações e as opiniões dos outros, sob pretexto algum: já fui censurado muitas vezes (não, o poltrão de Portimão não foi o primeiro a fazê-lo) e prometi cedo a mim mesmo que não o faria a outros. Eu não «intimido» seja quem for para que se cale, muito pelo contrário: se eu «intimido» é para que falem! Quem diz que não é assim… que o demonstre! E, já agora, que demonstrem também, se conseguirem, que eu tenho por hábito «percorrer compulsivamente a Internet, à caça de tudo e de todos os que possam ter o desplante de não lhe (me) estender passadeira vermelha e o (me) colocar no pedestal que acha(o) que merece(ço)».
Mais uma vez… projecção. Quem é que, pouco ou nada mais tendo para fazer do que construir afincadamente o seu mundo de fantasia (já eu, para além do trabalho e do lazer, também tenho família, esposa a apoiar, filhas a cuidar), passa o tempo a compilar compulsivamente dezenas, centenas, milhares de entradas em Facebook, Twitter e Scoop, para além de blog? Quem é que procede sistematicamente ao «apagamento», ou à tentativa de «apagamento», das palavras e quiçá das pessoas que lhe desagradam? A que acresce, para cúmulo da desonradez, a descrição deturpada – e mesmo mentirosa – do que lá estava? Típico de adepto de ditadura, de quem se sentiria à vontade como «comissário cultural» na Rússia estalinista, na Cuba castrista ou na China maoísta. Ou como «examinador prévio» português de lápis azul em punho que, não se apercebendo das suas próprias contradições e limitações, tem o descaramento de querer dar lições de bom Português (de construção frásica e de estilo) enquanto escreve, deliberada e histericamente, com «erros ortográficos».
Esta mais recente «enunciação prematura» de JC mais não é do que uma tentativa desesperada, mas falhada, de: desculpabilização pelo que ele fez na «recensão» ao meu conto «A marcha sobre Lisboa» - ele tem consciência (mesmo que seja má consciência) de que procedeu mal ao revelar o final daquele, que, não, não «é óbvio desde a primeira página»; e ainda de ocultação da sua ignorância quanto à História, ao afirmar que a Áustria e a Hungria eram países monárquicos aquando da Segunda Guerra Mundial e ao não mencionar os reinos que, naquele período, se opuseram à Alemanha. O meu conto na - e contributo para - «A República Nunca Existiu!» não está isento de críticas, e eu convido todos a lê-lo e a fazê-las … mas não esperem que eu me cale se considerar aquelas injustas e/ou enviesadas por animosidade ideológica.
Finalmente, e quanto às insinuações feitas por JC quanto aos objectivos, ao funcionamento e às actividades da Simetria, a resposta será dada no espaço e no momento adequados. Porém, não posso deixar de registar desde já, e sem surpresa, que, entre as suas «qualidades», Jorge Candeias tem a da ingratidão: a Associação a que pertenço publicou, divulgou, electronicamente, na mudança de milénio, no formato designado por Webfiction, pelo menos quatro contos dele… e um do pai. Há pessoas cuja memória (entre outras características…) é efectivamente, e infelizmente, demasiado curta.         

terça-feira, agosto 19, 2014

Outros: «Candeias» que vão atrás e não «alumiam»

(DUAS adendas no final deste texto.)
Mais de seis anos depois de ter sido publicado (foi em Fevereiro de 2008, aquando do centenário do Regicídio), «A República Nunca Existiu!», antologia colectiva de contos no sub-género FC & F de «história alternativa» que tem como premissa que a Monarquia nunca foi derrubada em Portugal, começou finalmente a ser lida e «criticada» por Jorge Candeias no seu blog A Lâmpada Mágica. E pela ordem dos contos: iniciou com o de João Aguiar e continuou com os de Luísa Marques da Silva, Bruno Martins Soares, Luís Bettencourt Moniz…
… E ontem chegou a vez do meu, «A marcha sobre Lisboa», sobre o qual JC escreveu (com «erros ortográficos», aqui devidamente corrigidos): «(…) O conto (…) poderia ser interessante se não fossem duas coisas, que se interligam uma à outra: o tom de propaganda e o estilo. Aquele vê-se em duas ou três dissertações sobre a situação política e económica (isto e aquilo), infodumps que poderiam ser bem mais curtos se não servissem principalmente para exaltar as qualidades do regime monárquico, e sobretudo no tom exclamativo, exaltado e exaltante com que tudo o que rodeia el-rei é tratado, chegando ao ponto de bastar um olhar a D. Luís para silenciar um dos acompanhantes de Salazar. Já este é bastante fraquinho, hiperadje(c)tivado, em especial no início (o rei é "sábio e ponderado", Duarte Pacheco, logo a seguir, é "inventivo e incansável" e por aí fora, isto e aquilo, isto e aquilo, isto e aquilo), e mostrando do princípio ao fim uma preocupação dir-se-ia patológica por deixar cair nomes. São nomes em catadupa e apenas nomes de gente conhecida, como se outro regime político não tivesse o mais pequeno impacto na composição das elites (…), como se alterações da história global das nações não tivessem qualquer influência nas histórias individuais das pessoas que as compõem, quando a verdade é que basta mudar a hora do a(c)to de conce(p)ção para já ser outro o espermatozóide a fecundar o óvulo e portanto já ser outro o indivíduo que dele resulta. Em suma: muito fraquinho.»
Que algaraviada pedante... Não é de rir às gargalhadas?
A manter-se o «método», seguir-se-ão os contos de Gerson Lodi-Ribeiro, Miguel Real, Maria de Menezes, Luís Miguel Sequeira, Alexandre Vieira, João Seixas, José Manuel Lopes, Sérgio Sousa-Rodrigues (Sérgio Franclim) e Cristina Flora. Só depois de todos terem sido abordados em particular, e de a obra ter sido avaliada em geral, é que eu darei a minha «resposta global», é que eu farei o meu «comentário aos comentários», e tal ocorrerá no sítio da Simetria.
Porém, a propósito desta «avaliação» feita ao meu conto, não pude deixar de colocar lá um comentário – mais concretamente, a correcção de erros de âmbito histórico – e não posso deixar de fazer aqui a seguinte observação: alguma esperança que ainda houvesse de que esta patética criatura tivesse um «lampejo» (afinal, trata-se de uma «lâmpada», mas dela não sai qualquer «génio») de honestidade intelectual, e de que ao menos por uma vez não se deixasse «encadear» pelo facciosismo e pelo preconceito político-ideológico, «apagou-se» definitivamente. No entanto, é verdade que não se perdeu grande coisa… «Muito fraquinho» (onde será que eu já li isto?) só mesmo o cérebro de determinadas pessoas… Uma das quais, provavelmente, ainda não «recuperou» dos efeitos «adversos» (para ele) de uma discussão sobre ortografia e da demonstração de que um autor estrangeiro que ele traduz (e idolatra) é um idiota. (Também no Simetria.)   
(Adenda – Jorge Candeias apagou o meu primeiro comentário no seu blog cerca de duas horas e meia depois de eu o ter inserido. Um comportamento que não é, de todo, surpreendente, e que é «justificado» por, alegadamente, eu ter sido, ser, «insultuoso» e «despeitado», e ainda por ser necessário manter a «higiene» (!!!) daquele espaço. A seguir transcrevo integralmente o que lá escrevi, e os leitores que tirem as suas conclusões:  
«Darei – em outro local e em outro momento – uma resposta abrangente a todas as "apreciações críticas" feitas aqui aos contos incluídos em "A República Nunca Existiu!", mais concretamente nos seus aspectos literários e políticos – e as desfavoráveis (como esta, relativa ao meu conto) serão, obviamente, devida e facilmente refutadas.
Porém, impõe-se que se façam imediatamente correcções ao nível histórico, para que os que aqui vêm não sejam induzidos em erro.
Nem a Áustria nem a Hungria eram efectivamente monarquias aquando do início da Segunda Guerra Mundial. A primeira não o era nem formal nem factualmente desde o final da Primeira Guerra Mundial, e a segunda, apesar de ter sido designada formalmente – e simbolicamente - "Reino da Hungria" entre 1920 e 1946, nunca teve qualquer Rei a dirigi-la nesse período: o pretendente, Carlos IV (I da Áustria), da Casa de Habsburgo, nunca chegou a ascender ao trono, e morreu em 1922 na Madeira (seria beatificado pelo Papa João Paulo II em 2004); nesses anos, a nação magiar foi governada pelo almirante Miklós Horthy, que pertencera às forças armadas do império austro-húngaro e que ostentava o título de "regente".
Se é correcto referir as (verdadeiras) monarquias que combateram do lado das forças do Eixo, também é correcto referir as que combateram do lado dos Aliados. A começar, claro, pelo Reino Unido, e depois pela Austrália, Canadá e Nova Zelândia. Estas são as que nunca foram ocupadas nem por alemães nem por japoneses, apesar das baixas humanas e dos danos materiais que sofreram. No entanto, deve-se referir igualmente as monarquias correspondentes a países que foram invadidos, ocupados, pelos nazis e fascistas, e que, melhor ou pior, combateram, resistiram às forças totalitárias: Bélgica, Dinamarca, Holanda, Luxemburgo, Noruega. E até se poderia referir ainda a Suécia, que, apesar de neutral, provavelmente favoreceu mais os Aliados do que o Eixo.
Analisar os trabalhos dos outros, opinar sobre eles, exige, além de conhecimento (cultura geral), também honestidade intelectual e rigor. Uns têm estes atributos, outros não.»
Imagine-se o que poderia (não) acontecer se eu fosse tão «sensível», tão «susceptível» - isto é, tão medroso - quanto... determinado indivíduo. Por exemplo, não teriam ficado registados para a posteridade «diálogos» como o que se estabeleceu aqui.)
(Segunda adenda - Inseri um segundo comentário e, obviamente, também foi apagado. Porém, desta vez captei antes uma imagem daquele. E o texto era o seguinte:
«Com que então correcções de erros são "comentários insultuosos"? Insulto maior é revelar o final de uma história escrita por outra pessoa, o que é uma falta de educação, de boas maneiras, absolutamente inadmissível… Mas vindo de quem vem, de um autêntico e permanente despeitado, esse comportamento nem surpreende…
Quanto à "higiene", isso não tem de constituir um problema. Como eu não tenho esses "pruridos" com a "limpeza", nem costumo censurar os outros, proponho que a "conversa" continue no meu blog… a não ser que alguém não "compareça" por falta de argumentos… e de coragem.»
Entretanto, o dito cujo «twittou» isto. Será dirigido a mim? Se sim, é caso para dizer que, na verdade, alguém se viu ao espelho...

quinta-feira, agosto 07, 2014

Orientação: No Simetria pode também ler-se…

… Entre os vários textos que tenho escrito e publicado naquele blog, e para além daqueles que são referidos e/ou inseridos igualmente aqui no Octanas, os seguintes em especial, saídos neste ano de 2014: um sobre o continuado interesse na vida e na obra de J. R. R. Tolkien, também em Portugal e ao nível universitário; um sobre o reconhecimento internacional – em especial, duas nomeações para prémios – que Pedro Piedade Marques tem recebido pelo seu trabalho gráfico; e um sobre a atenção dada em Espanha à ficção científica e ao fantástico feitos por portugueses, exemplificado pela edição de um artigo de António de Macedo numa revista (digital) do país vizinho, e pela menção de três livros meus (e outras obras de outros autores nacionais) numa tese de doutoramento de uma professora e investigadora da Universidade de Santiago de Compostela!
Porém, convém recordar que não sou só eu que contribuo regularmente para a produção própria do Simetria: também Luís Miguel Sequeira o faz (e melhor), e entre os temas das suas recentes entradas no «órgão oficial» da mais antiga associação dedicada em Portugal à FC & F incluem-se: análises dos filmes «Gravidade» e «Transcendência»; (mais) inovações tecnológicas pela Google e pela Facebook; um possível projecto futuro de propulsão por parte da NASA; o anúncio de uma convenção de FC & F no Second Life… Enfim, é certo que as nossas actualizações estão longe de serem diárias… mas tentamos que sejam sempre relevantes.       

segunda-feira, julho 28, 2014

Observação: De volta aos velhos «descobrimentos»

(Uma adenda no final deste texto.)
Foi em Dili, capital de Timor, cidade e país que assistiram a demasiadas atrocidades até há não muito tempo, terras de um povo subjugado por um regime, e um país estrangeiro, invasor, ditatorial, criminoso, autoritário, quase genocida, que na semana passada a Comunidade de Países de Língua Portuguesa se assumiu, em mais uma das suas cimeiras, como uma organização internacional que contemporiza com, e que até promove, a repressão totalitarizante, não democrática…
… E não só por causa da admissão, como membro de pleno direito, da Guiné Equatorial, país liderado por Teodoro Obiang desde 1979, onde não vigora uma democracia minimamente digna desse nome, onde ainda existem presos políticos, aplica-se a pena de morte e não há liberdade de expressão – e escusam de vir com o caso de (e a comparação com) Angola, país que de facto tem a língua portuguesa como idioma oficial (na GE é o espanhol) e onde as conquistas democráticas, apesar de ainda não completas, são inegáveis: também por causa da aceitação e da imposição dessa aberração inútil, prejudicial, neofascista e neocolonialista que é o «Acordo Ortográfico de 1990». Creio que os timorenses mereciam mais e melhor…   
… E não era isto que eu e Luís Ferreira Lopes tínhamos em mente quando criámos o conceito de «Os Novos Descobrimentos», e o desenvolvemos e o divulgámos, primeiro num artigo publicado pela primeira vez em 1987 e a seguir no nosso livro com o mesmo título, editado em 2006 precisamente e propositadamente aquando da celebração do décimo aniversário da CPLP. Adriano Moreira, uma das individualidades que então aceitou o nosso convite para estar presente no lançamento da nossa obra e para a apresentar, agora resumiu bem os motivos que deveriam ter levado à rejeição deste «alargamento» da Comunidade, ao nível político e ao nível cultural…
… «Alargamento» esse que foi decidido, note-se, não numa votação mas sim a partir de um «consenso generalizado»! É inegável a humilhação a que Portugal, por culpa dos seus levianos (ir)responsáveis políticos, foi sujeito, e a perda de autoridade moral (não que ela fosse muita antes…) que o nosso país sofre no contexto internacional. Em última instância, está-se perante (mais) um resultado de um pragmatismo perverso, da teoria e da práctica da «ética republicana»… de uma república das bananas e dos bananas. (Também no MILhafre (95).)
(Adenda - Escrevi comentários sobre este tema no Delito de Opinião e no MILhafre.)

sexta-feira, julho 18, 2014

Orientação: Sobre o Farrobo, no Público

Na edição de hoje (Nº 8862) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «Farrobo, arroubo, roubo». Um excerto: «Quantos neste país sabem da existência deste autêntico “irmão mais velho” do Teatro D. Maria II, há décadas em ruínas, quase completamente destruído e deixado ao abandono? Que após o 25 de Abril foi alvo de um roubo colectivo dos seus materiais e objectos, a ponto de hoje só restarem as paredes? Por aquilo que foi, por aquilo que significou, pelas pessoas que o mandaram construir e que nele passaram muitos dias e muitas noites, pela época histórica em que foi erigido, plena de acontecimentos marcantes e de mudanças significativas em Portugal, este edifício merece ser recuperado e devolvido, tanto quanto possível, à sua antiga glória… mas boas intenções expressas em disposições testamentárias têm, ironicamente, atrasado, e até impedido, esse desiderato.» (Também no MILhafre (94).       

domingo, julho 13, 2014

Orientação: No Obamatório pode também ler-se…

… Entre os vários textos que tenho escrito e publicado naquele meu outro blog, e em especial neste ano de 2014: que o New York Times não é – nunca foi – um «jornal de referência», e não tem – nunca teve - credibilidade; que Barack Obama parece estar a aprender para ser ditador, que provavelmente foi «substituído» por um sósia, e que para prevenir e evitar mais problemas (que ele causa) já deveria ter apresentado a sua demissão; que Bill de Blasio, mayor (presidente da câmara) de Nova Iorque é, essencialmente, um comunista; que Hillary Clinton é um «ídolo com pés (e não só) de barro»; que o enfraquecimento deliberado da política externa e das forças armadas norte-americanas está a possibilitar o ressurgimento de terroristas e a pôr Israel em perigo; que nem a NASA escapa à degradação provocada pelo «obamismo»; que o 4 de Julho parece ser cada vez mais o «Dia da Dependência»… Enfim, muitos factos, e muitas opiniões baseadas em factos, que nunca ou raramente se encontram na «isenta» comunicação social portuguesa, e numa grande parte da blogosfera. De que o Obamatório é – continua a ser – uma excepção.       

quarta-feira, julho 02, 2014

Ocorrência: Apresentei queixa na PSP…

… Ontem, mais especificamente na esquadra da Polícia de Segurança Pública da minha área de residência, contra desconhecido(s), que causaram danos na minha casa – mais concretamente, desenharam tags, graffitis, numa das paredes daquela. Apesar de ser pouco provável que os culpados venham a ser descobertos, acusados, julgados e condenados, e de não ser de facto um crime (muito) grave, denunciei o caso às autoridades por uma questão de princípio, de coerência; não faria sentido não o fazer depois de, no meu artigo «Terra queimada», me ter insurgido também contra a permissividade que existe em Portugal, principalmente em Lisboa mas não só, relativamente ao que são, objectivamente, actos, mais do que de desrespeito, de destruição de propriedade alheia, tanto pública como privada. 

sexta-feira, junho 27, 2014

Observação: Desta vez, aconteceu no Brasil

(UMA adenda no final deste texto.)
Já o disse, e escrevi, mais do que uma vez: com a selecção nacional sénior de futebol de Portugal a questão nunca é saber se vai ganhar algum campeonato, europeu ou mundial, mas sim em que momento da prova vai perder. Neste ano de 2014, no Campeonato do Mundo disputado no Brasil, igualou o pior resultado de sempre em torneios finais (há que não esquecer as vezes em que nem foi apurada na qualificação): ficou-se pela fase de grupos… o que não acontecia desde 2002, no campeonato que decorreu na Coreia do Sul e no Japão.
O que também se repete rotineiramente na representação nacional em futebol e nos seus maus resultados são as (mesmas) causas: (fraca) atitude, (maus) comportamentos, (previsíveis) erros. É a ausência de ambição, que leva «profissionais» bem remunerados a portarem-se como uma «excursão de solteiros e casados» em pré-férias; a displicência que frequentemente se confunde com arrogância; o amadorismo e a incompetência que levam a que não tenham cuidado na defesa (sofrer golos), na disciplina (ver cartões) e na saúde (sofrer lesões). Enfim, a crónica dependência de «milagres» (que nunca acontecem) quando se devia apostar num trabalho de (quase) todos os dias.
Porém, e volto igualmente a afirmá-lo e a registá-lo, a culpa destes sucessivos desastres é também dos que «estão de fora». Isto é, (quase) todos nós (eu não me incluo, porque há muito tempo que deixei de acreditar e, logo, de me comportar como um idiota), desde os milhões de meros espectadores, «torcedores» (e sofredores), às centenas, milhares, de profissionais da comunicação, jornalistas, comentadores, alegados «especialistas». Que, antes, e apesar dos (maus) antecedentes, estão sempre disponíveis para dar o benefício da dúvida; e, depois, estão sempre disponíveis para arranjar uma desculpabilização… e até uma consolação. Na verdade, e pelo contrário, o que eles (jogadores principalmente, mas também técnicos e dirigentes) deveriam receber era indiferença, quando não desprezo – e logo antes da partida, o que implicaria, igualmente, evitar recepções no Palácio de Belém…
No entanto, os piores, neste aspecto, estão sempre no mesmo local: a RTP. A agitação, o frenesim, a propaganda em tons verdes e vermelhos, sempre abunda(ra)m na estação pública de televisão durante estas ocasiões. Não têm – nunca tiveram – naquela casa qualquer vergonha na cara ou qualquer noção do ridículo: os vídeos de incentivo à «seleção» assumem um tom «épico» que mais não é do que risível, e naquele que foi emitido antes do jogo com o Gana chegaram ao cúmulo de evocar os que combateram em Aljubarrota e os que dobraram o Cabo das Tormentas! Infelizmente, nenhum dos que estiveram a «representar-nos» futebolisticamente no outro lado do Atlântico tem qualquer semelhança com – e qualquer herança de – esses heróis de outrora, que venciam invariavelmente apesar de partirem em desvantagem. E Cristiano Ronaldo, cujo estatuto de «melhor jogador do Mundo» não se tem reflectido na suposta «equipa de todos nós», que em poucos dias passou da fanfarronice («este vai ser o ano de Portugal») ao fatalismo («nunca imaginei ser campeão»), não é uma reencarnação de Vasco da Gama, de Pedro Álvares Cabral ou de Afonso de Albuquerque. Será, talvez, quando muito, de Fernão de Magalhães...
Todavia, a humilhação não é sempre necessariamente idêntica: pode variar, e varia, consoante as circunstâncias, entre as quais, e em especial, o país em que a derrota definitiva, a eliminação prematura, o fracasso final, acontecem. Já em 2010 havia sido muito mau (também) simbolicamente por ter decorrido na África do Sul, terra em que, precisamente, o Cabo «das Tormentas» se transformou em «da Boa Esperança». Mas em 2014 foi ainda pior porque, desta vez, aconteceu no Brasil. Pelo que o escárnio, o paternalismo e a soberba – ou, numa palavra, as anedotas - vão continuar, e, provavelmente, até aumentar. Como disse Paulo Bento, tivemos (e temos e teremos) «o que merecemos». Em ano de centenário da Federação Portuguesa de Futebol não poderia mesmo haver uma «prenda» melhor? (Também no MILhafre (93).)
(Adenda - Deixei comentários e entrei em «diálogos» sobre futebol no Malomil e no Sporting/ÉsANossaFé.)

sexta-feira, junho 20, 2014

Ocorrência: Foram quase 900

Ontem, e tal como tenho feito diariamente desde que ele foi publicado no passado dia 7 de Junho no Público, acedi ao sítio na Internet daquele jornal e à página que contém o meu artigo «Proíbam o Inglês!» No dia anterior verificara que o número de recomendações/partilhas no Facebook estava em 880; porém, agora esta(va)m em apenas… uma! Contactei de imediato a Direcção do Público, que considerou o ocorrido «anormal» e «inacreditável» e para o qual não encontrava (até ao momento) explicação; também desapareceram as ligações a blogs que referiram o artigo, mais concretamente o Octanas e o ILCAO. No entanto, que fique claro e sem lugar a dúvidas: foram quase 900 as pessoas que «gostaram» e que divulgaram o meu artigo, no que terá sido, nesse aspecto e no que se refere a textos de opinião, um recorde no Público.
Entretanto, e curiosamente, nenhum dos comentários desapareceu, e ainda bem. Farei uma breve análise aos de duas pessoas. Primeiro, Alberto Queiroz, de que nunca tinha ouvido falar, e que se tornou mais um, lá está, a (des)tratar-me por «Otávio» e que insinuou que eu não sei que foi em Portugal que a mania das alterações/«reformas» ortográficas abrangentes, burocráticas e não democráticas começou… Sim, eu sei, e foi em 1911 e não na «década de 20»; ou seja, e por eu ser português, não teria por isso direito a manifestar-me contra mais um «(des)acordo ortográfico»; o Sr. Queirós é que devia ter juízo, e já tem mais do que idade para isso. Segundo, Manuel Freitas, e este, sim, eu já «conhecia», e ele «conhece-me», porque é um editor com quem já falei ao telefone e troquei mensagens de correio electrónico; propus-lhe a edição de três livros meus, um dos quais era, é, o meu segundo «romance», recentemente concluído, uma distopia de ficção científica, que o Sr. Freitas considerou ter «um tema desconfortável e que no nosso caso não se enquadra no nosso posicionamento de grande público» - de notar que ele chegou a afirmar, num dos seus perfis profissionais (escrito em Inglês), ter «alta tolerância ao risco» e estar «sempre à procura de novos desafios»; pelo que lhe enviei, a 10 de Junho, uma mensagem…
… À qual ele ainda não respondeu (nem deverá responder), e que a seguir transcrevo: «Caro Manuel de Freitas, vi hoje que deixou um comentário no meu mais recente artigo no Público... Pergunto-lhe: porque é que (também) não me contactou directamente, e me colocou as questões e os comentários que quisesse? Perdeu este meu “e-ndereço” de correio electrónico? Você, tal como muitos outros que têm a consciência pesada neste assunto, mais não faz do que utilizar distracções, subterfúgios, enfim, merdices. Começando com o tema da “percentagem”, do número de palavras afectadas ou não pelo AO... sim, são menos de metade do total, mas são centenas, quiçá milhares, em que se incluem muitas que têm utilização frequente, constante, como todas as que derivam de “acção” e de “direcção”, por exemplo; mais do que a quantidade, está em causa o princípio (ou falta dele...) E bastariam “maravilhas” como “espetáculo” e “receção” para, sim, (des)classificar de cobarde e de imbecil quem concebeu esta aberração... e quem se submete a ela. E, claro, não podia faltar o “argumento” de que “porque a ortografia que utiliza já é ela própria o resultado de uma alteração, de uma ‘simplificação’, então não tem de estar a protestar”... Ou seja, não podemos dizer “já chega!” Até quando é que isto durará? Até a língua estar reduzida, ortograficamente, ao “SMS básico”, e, vocalmente, a grunhidos? E, para que conste, eu não teria qualquer problema em escrever como se escrevia antes de 1911... Porque, então, estávamos ainda mais próximos das ortografias francesa e inglesa. E este meu artigo serve principalmente para demonstrar e denunciar a hipocrisia daqueles que, aceitando deformar o Português com o “acordês”, não têm vergonha de, em simultâneo, abusar individualmente, socialmente, profissionalmente, do Inglês, onde não faltam “c's” e “p´s” repetidos e “mudos” e “ph's”. Como alguém que, sendo português e trabalhando em Portugal, decidiu designar uma das suas editoras como “Booksmile”. “Lamentável”, eu? Olhe-se ao espelho.»
Na verdade, o que não faltam são (mais) exemplos de pessoas e de entidades em Portugal que, ao mesmo tempo que se submetem ao «aborto pornortográfico», contradizem este ao incorporar expressões em Inglês na sua actividade. Um dos mais recentes é dado pela EDP, que, apesar de já não ser «eléCtrica», decidiu designar um dos seus serviços como «energy2move». Não há dúvida de que, em alguns, a estupidez está sempre «ligada à corrente». (Também no MILhafre (92).)

terça-feira, junho 10, 2014

Observação: Vem aí mais um Filipe…

Hoje assinala-se aquele que, na verdade, e como já o demonstrei, não é, não devia ser, o (autêntico) «Dia de Portugal», mas sim o «Dia da Perda da Independência e da União com Espanha»… ou seja, sempre foi, e continua a ser, a data preferida dos iberistas nacionais, que existem, são bastantes…
… E se concentram principalmente no Partido Socialista. E agora, que vem aí mais um Filipe como Rei, deverão os jacobinos lusitanos ceder à sua verdadeira devoção, sem dúvida reforçada após terem assistido hoje a outro desfalecimento do «mais alto magistrado da Nação»? Depois de José Sócrates («Espanha, Espanha, Espanha!») e de António Mendonça («Lisboa pode ser a praia de Madrid»), António Costa foi a terceira figura de destaque do PS a demonstrar, nos últimos anos, uma reprovável – mas não surpreendente – subserviência ao país vizinho. A pretexto da realização da final da Liga dos Campeões de 2014 no Estádio da Luz, Costa foi à capital espanhola a 8 de Maio último oferecer à sua congénere madrilena, Ana Botella, as «chaves da cidade de Lisboa» (algo que só acontecera antes na nossa capital e com chefes de Estado estrangeiros), garantiu-lhe que «Lisboa seria Madrid por um dia», e trouxe de lá uma bandeira de Espanha para hastear na Praça do Comércio. E tudo isto enquanto, evidentemente, se exprimia não em Português mas sim em «portunhol»…
Esta foi apenas mais uma prova da falta de carácter e de competência de alguém que, entretanto, decidiu tornar-se líder do PS e o próximo primeiro-ministro, no que conta com a ajuda e o apoio de camaradas tão «distintos» como, entre outros, Isabel Moreira e Miguel Vale de Almeida. Sinceramente, como é que alguém como António Costa é considerado uma alternativa credível? Se enquanto secretário de Estado e ministro a qualidade e relevância da sua actuação foi (muito) discutível, já enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa os desastres têm-se sucedido, de que são de destacar: degradação constante, e até acelerada, do parque arquitectónico e imobiliário; intervenções supérfluas, e mesmo prejudiciais, no trânsito; e ainda (algo que me atingiu pessoalmente) cumplicidade em procedimentos incorrectos por parte de inferiores hierárquicos…
Enfim, a partir do momento em que alguém enaltece, como «princípio orientador» do seu percurso futuro, o «impulso reformista» do «licenciado ao Domingo», não podem restar dúvidas sobre o que acontecerá (outra vez) se tal pessoa alcançar o poder. Nesse sentido, a «morte anunciada» do PS não poderá vir cedo demais. E, a seguir à «guerra», os «rosas» sempre podem fugir para Castela… (Também no MILhafre (91).

sábado, junho 07, 2014

Orientação: Sobre uma «proibição», no Público

Na edição de hoje (Nº 8821) do jornal Público, e na página 55, está o meu artigo «Proíbam o Inglês!». Um excerto: «Que confusão não acontecerá – aliás, já acontece – nas cabeças dos mais jovens ao verem numa língua “c’s”, “p’s” e até “ph’s” em excesso que na outra são – ou se tenta que sejam – eliminados. Depois disso, e como que em consonância com mais uma “lógica” inovação pedagógica estatal, RTP e TVI iniciaram a transmissão de “versões infantis” de dois dos seus programas, respectivamente “Chef’s Academy – Kids” e “A Tua Cara não me é Estranha – Kids” - porque, “evidentemente”, não ficaria bem colocar “crianças” ou “miúdos” no título. Porém, e quanto a “ironia ortográfica luso-britânica”, nada nem ninguém supera o governo regional dos Açores: o seu sítio na Internet, que, evidentemente, exibe um bem comportado, conformado, “acordismo”, tem como “e-ndereço”… azores.gov.pt!» (Também no MILhafre (90). Referência no Blogtailors, e ainda, acrescida de reprodução, no ILCAO, no Largo dos CorreiosMyWebVodafone, PorAmaisB e República Digital.

quarta-feira, junho 04, 2014

Observação: Antes Angola do que a China

Assinalam-se hoje 25 anos desde a repressão – agressão, prisão, execução, exílio – de manifestantes chineses pela democracia na Praça Tiananmen em Pequim.
Convém lembrar, e salientar, que, um quarto de século depois desse intenso mas breve momento de esperança, e apesar de toda a «modernização» e «desenvolvimento» que entretanto, e alegadamente, ocorreram, o «Império do Meio» continua a ser dominado pelo (único) Partido Comunista Chinês e a ter como regime uma ditadura violenta, que não possibilita a liberdade de expressão e a de associação, entre outras. Ainda recentemente, durante a visita de Aníbal Cavaco Silva àquele país, os «comissários culturais» pós-maoístas não hesitaram em censurar – proibir, remover – obras de artistas portugueses expostas para a ocasião. Infelizmente, as relações luso-chinesas têm tido outros aspectos (mais) desagradáveis, em especial na economia: foram más – péssimas! – as decisões por parte do actual governo de vender a REN, a EDP e a Fidelidade, grandes, fundamentais, empresas portuguesas e líderes nos seus sectores, a congéneres chinesas – que, obviamente, têm (todas) ligações ao PCC. Terá sido por isso que a cor da seguradora passou a ser o vermelho? A da «elé(c)trica» já era essa, pelo que não foram necessárias – à primeira vista – mais alterações…
É neste contexto que se tornam mais insólitas as contestações, as queixas e as suspeições relativas aos investimentos de empresários angolanos no nosso país, que envolveram inclusivamente a publicação de um livro intitulado «Os Donos Angolanos de Portugal». A minha posição quanto a este assunto é inequívoca: antes Angola do que a China. E não só por aquele ser um país irmão, do espaço da língua portuguesa (que Luanda respeita, ao contrário de Lisboa, porque não implementa o AO90); também porque nele há uma democracia, sim, ainda imperfeita, incipiente, mas uma democracia; nele há pluralismo partidário e, embora com restrições, liberdade de expressão. Sim, podem dizer que a situação em Angola não é óptima; mas na China é muito, muito pior. (Também no MILhafre (89).      

terça-feira, maio 27, 2014

Observação: Para ocupar o cargo de Director…

… Do Expresso manifesto desde já, publicamente, o meu interesse e a minha disponibilidade, na eventualidade de Ricardo Costa, actual responsável máximo daquele semanário, efectivamente se demitir, seja por (se e quando) o seu irmão António Costa ascender por sua vez ao cargo de secretário-geral do Partido Socialista, ou por qualquer outro motivo. Sou jornalista há mais de 25 anos, tenho carteira profissional, já ganhei (quatro) prémios no âmbito da actividade, e, sem falsa modéstia, considero que tenho (algumas) qualidades…
… E para melhorar o Expresso, tanto no seu conteúdo informativo como no seu desempenho comercial, nem seria preciso muito: para começar, bastaria apenas revestir, novamente, o órgão de comunicação social erigido há mais de 40 anos por Francisco Pinto Balsemão com o Português Normal e Correcto, e nele abolir definitivamente a utilização do ilegal, ilegítimo, inútil e ridículo «aborto pornortográfico». Não duvido de que me aguardaria uma carreira de sucesso! ;-)  

quarta-feira, maio 21, 2014

Organização: Segundo «romance» concluído…

… E registado. Ontem entreguei na Inspecção-Geral das Actividades Culturais, no Palácio Foz, em Lisboa, (mais) um requerimento para o registo de uma obra literária de minha autoria: o meu segundo «romance», ao qual já havia feito referência em 2011… um ano depois de ter começado a escrevê-lo, a 25 de Abril de 2010. Afinal, terminei-o um ano depois do que havia previsto então: há cerca de um mês, a 25 de Abril de 2014. E ontem também apresentei este meu trabalho como concorrente a um prémio literário. Porém, não acredito que consiga triunfar; não porque não esteja confiante na qualidade e na originalidade deste meu livro, mas porque a forma e o conteúdo dele inserem-se num género e num estilo – ficção científica, e, ainda por cima, uma distopia – que não costumam merecer atenção e apreço por parte da maioria dos críticos e dos membros de júris em Portugal. No entanto, o mais importante é que, finalmente, o «sucessor» de «Espíritos das Luzes» está feito. E por isso estou (moderadamente) satisfeito.

quinta-feira, maio 15, 2014

Observação: Falta menos de metade

Quem diria?! O Sport Lisboa e Benfica perdeu, ontem, mais uma final de uma competição europeia de futebol masculino sénior – a da Liga Europa, e pelo segundo ano consecutivo! Sim, foi a oitava final europeia que terminou com a derrota do clube português, mas convém sempre recordar, e adicionar, as duas edições da Taça Intercontinental perdidas nos anos 60 (para o Peñarol e para o Santos), pelo que, na verdade, são dez as finais internacionais que o suposto «Glorioso» já deixou escapar ao longo da sua deprimente história…
… E nem se deve falar em surpresa. Dizer que o Benfica perdeu uma final é como que, citando Grace Slick (cantora dos Jefferson Airplane) a propósito do seu então permanente estado de embriaguez, «dizer que houve uma terça-feira na semana passada». Será mesmo por causa da «maldição de Béla Guttmann»? Ou será por causa de incompetência e de impotência que se repetem ciclicamente, afectando diferentes gerações de jogadores, treinadores e dirigentes? Seja o que for, esta situação já não é triste nem trágica, mas sim, apenas, previsível e patética. O clube tornou-se uma anedota desportiva mundial, e não são os – ocasionais – triunfos em competições nacionais que chegam para compensar os fracassos no estrangeiro. Pelo que, apesar do campeonato (e da taça da liga) já conquistadas este ano (e, no momento em que escrevo, falta saber o que acontecerá na final da taça de Portugal), mantenho na íntegra o que afirmei no meu artigo «Da mística só a memória», publicado no Público em 2013.
Para aqueles que preferem acreditar na «maldição», pode-se lembrar, como referência e comparação, uma outra célebre, alegada, «praga» a afectar um outro clube: a «maldição do Bambino», que terá (talvez) impedido os Boston Red Sox de vencerem a final do campeonato de baseball dos EUA durante 86 anos! No caso do Benfica, é certo que se trata de um século, mas, no entanto, já passaram 52 anos desde que o lendário treinador húngaro fez a sua sinistra «previsão». Por isso, coragem, benfiquistas! Já falta menos de metade do tempo! Entretanto, fica uma sugestão: se o clube voltar a apurar-se para uma final antes de 2062, desistam de comparecer àquela e solicitem a entrega imediata do troféu ao outro clube; é uma decisão que só trará vantagens, em especial impedir que milhares, ou milhões, de masoquistas incorrigíveis sofram novamente de(s)ilusões. (Também no MILhafre (88).

domingo, maio 11, 2014

Observação: Verem-se gregos

Quem já leu o meu conto «Segundo Ultimatum Futurista», incluído na colectânea de ficção científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas», concebida e co-organizada por mim, publicada pela Fronteira do Caos em 2012 e apresentada pela primeira vez na segunda edição do colóquio internacional com o mesmo nome realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa…
… Com certeza se recordará de que, apesar de aquele conto, com base num dos mais famosos textos do genial José de Almada Negreiros, ter como tema principal (a visão de) um Portugal diferente num futuro próximo, difícil e até violento, nele não deixou de se fazer uma (breve) referência ao destino imaginado de um outro país europeu que tem sido, desde há anos, como que «companheiro de infortúnio» do nosso: a Grécia. Na verdade, nele escrevi: «E como se já não bastassem os anarquistas e os militares gregos a matarem-se uns aos outros, os turcos, oportunistas, resolveram intervir e invadir o dito berço da cultura ocidental, numa tentativa, talvez, de recuperarem o que em tempos passados possuíram. Porém, tiveram de enfrentar os exércitos privados das várias empresas multinacionais que ocuparam e se apossaram de partes do território grego que haviam sido hipotecadas como garantias para a concessão de empréstimos… que não foram reembolsados. É por isso que agora, e por exemplo, os dois estádios olímpicos de Atenas, tanto o velho como o novo, são da Sony, a cidade de Maratona é da Mercedes, o Monte Olimpo é da Nike e a Acrópole é da Coca-Cola.»
Quem leu poderá ter pensado que se tratou de algo rebuscado, até delirante, exagerado, excessivo como «convém» nestes casos… neste tipo de exercícios literários. No entanto, e como que comprovando novamente que a realidade, frequentemente, imita a ficção e pode ser inclusivamente mais estranha do que aquela, li no Público, no passado dia 17 de Março, uma notícia assinada por Cláudia Carvalho intitulada «Protestos na Grécia por Governo querer vender edifícios históricos». Onde se pode ler: «(…) O Governo grego continua a procurar soluções para menorizar os efeitos da crise. Depois de na semana passada ter dado luz verde à privatização de alguns monumentos e sítios arqueológicos importantes, o Ministério da Cultura grego pondera agora vender edifícios históricos. A decisão está a gerar controvérsia e protestos no país. (…) O primeiro-ministro Antonis Samaras pediu que se fizesse um levantamento dos edifícios pertencentes ao Estado para assim avaliar aqueles que podem ser vendidos. Listados para venda estarão já as propriedades construídas em 1922 para os refugiados da guerra greco-turca e ainda alguns andares do Ministério da Cultura instalados em edifícios neoclássicos no bairro turístico de Plaka. Pela sua história e importância arquitectónica, estes edifícios são vistos como jóias da arquitectura da Grécia. (…)»
Sabendo isto, é com alguma expectativa que fico à espera para ver se é concretizada outra «previsão» que fiz em «Segundo Ultimatum Futurista» relativa àquele país: «Nem a equipa que venceu o Campeonato da Europa de Futebol de 2004 foi poupada nas medidas e tentativas desesperadas e drásticas para pagar as dívidas: todos os jogadores que a integraram, verdadeiros heróis helénicos, foram vendidos ao Schweinsteiger’s, um famoso e exclusivo bordel em Berlim dedicado à prostituição homossexual masculina sado-masoquista.» (Também no Simetria.)

quinta-feira, maio 01, 2014

Ocorrência: Há 20 anos, ele desapareceu

No meu artigo «Mestre, Profeta Santo», escrito e publicado em 2004 (no décimo aniversário da sua morte), e incluído no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», eu recordei Agostinho da Silva, e de como os dez anos, entre 1984 e 1994, em que com ele convivi, coincidiram, curiosa e exactamente, com o mesmo período de tempo entre o falecimento do meu pai (em 1984) e o nascimento da minha primeira filha (em 1994). Porém, e pensando bem, existiu uma outra pessoa, cujas iniciais são também AS, cujo último apelido foi igualmente (da) Silva, que conheci e que admirei – à distância, e não pessoalmente – precisamente na mesma década: Ayrton Senna. Hoje assinala-se o vigésimo aniversário da sua morte, aquando do Grande Prémio de San Marino, no Circuito de Imola.
A primeira vez que ouvi verdadeiramente falar dele, em que o seu nome e o seu talento se destacaram decisivamente, e não só para mim, foi durante o Grande Prémio do Mónaco de 1984, a 3 de Junho – cinco meses antes de o meu pai morrer. Disputada à chuva, a prova mostrou pela primeira vez a grande aptidão de Ayrton Senna para correr naquelas difíceis condições – confirmada no ano seguinte pela sua primeira victória em Fórmula 1, no Grande Prémio de Portugal, no Estoril, novamente em piso molhado. A sua estreia no lugar mais alto do pódio podia, eventualmente, ter acontecido junto às ruas e à baía de Monte Carlo se a corrida não tivesse sido interrompida a meio após vários pedidos nesse sentido feitos por um Alain Prost que via o seu avanço sobre o brasileiro diminuir constantemente a cada volta. No entanto, tal acabou por não ser muito grave porque dos 41 triunfos de Ayrton seis foram no principado, cinco dos quais consecutivos.
A minha paixão pelo Benfica foi quase integralmente substituída pela minha devoção a Ayrton Senna. No «dia santo» o futebol era relegado para segundo plano sempre que havia automobilismo. Gritava e pulava de alegria quando ele ganhava, contorcia-me e rosnava de raiva quando ele não ganhava. Senti o seu prematuro, chocante, desaparecimento – em corpo, não em espírito – como uma tragédia quase pessoal. E procurei transmitir tudo aquilo que ele significa(va) para mim no meu poema «O elmo»: «(…) Era aos domingos que ele demonstrava a sua fé, e ao chegar à meta fazia de cada circuito uma igreja. Subia ao altar, erguia o troféu, bebia do cálice e orava, celebrando uma missa depois da motorizada peleja. (…) E no dia em que, com 34 anos, entraste para a eternidade, ninguém quis chorar porque ninguém acreditou de imediato. Visto do alto, o teu corpo, o teu carro, crucificado, imolado, como um mártir prestes a ser canonizado e santificado. Há quem diga que aquele que experimentar o teu elmo poderá ver imagens indescritíveis nunca antes sonhadas. Meu ídolo, meu irmão no idioma, que saudades eu tenho de exultar com a tua arte e a tua velocidade inultrapassadas.» (Também no MILhafre (87).)   

quarta-feira, abril 30, 2014

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2014

A literatura: «Pensamentos do Dalai Lima», Jorge Lima; «Inquietude», Sérgio Franclim; «Lisboa no Ano Três Mil», Cândido de Figueiredo; «Brasyl», Ian McDonald; «Guerra de Homem Velho», John Scalzi; «Justiça», Alex Ross, Doug Braithwaite e Jim Krueger; «A chave de prata» e «O medo emboscante», H. P. Lovecraft.
A música: «Kill 'Em All», Metallica; «Take The Crown», Robbie Williams; «Show No Mercy» e «Hell Awaits», Slayer; «Do Amor», Paulo de Carvalho; «Black Sabbath» e «13», Black Sabbath; «Once Upon A Time», Simple Minds; «That's Why God Made The Radio», Beach Boys; «Lotusflow3r», Prince; «Life Is Killing Me», Type O Negative.
O cinema: «John Carter de Marte», Andrew Stanton: «Um Monstro em Paris», Bibo Bergeron; «Imparável», Tony Scott; «Lanterna Verde», Martin Campbell; «Quantum de Consolo», Marc Forster; «Amanhecer - Parte 2», Bill Condon; «Rápidos e Furiosos», Justin Lin; «Transe», Danny Boyle; «Bert Stern - O "Homem Louco" Original», Shannah Laumeister; «Universidade dos Monstros», Dan Scanlon; «O Lutador», David O. Russell; «O Wolverine», James Mangold; «Aqui Depois», Clint Eastwood; «Lenda dos Guardiões - As Corujas de Ga'Hoole» e «Homem de Aço», Zack Snyder; «Coração Doido», Scott Cooper; «O Hobbit - Uma Jornada Inesperada», Peter Jackson; «Alguém Como Tu», Tony Goldwyn; «A Ajuda», Tate Taylor; «Fá-lo Chegar ao Greek», Nicholas Stoller; «Homens Repo», Miguel Sapochnik; «Amor», Michael Haneke; «Thor - O Mundo Escuro», Alan Taylor; «A Carga da Brigada Ligeira», Michael Curtiz; «Fantasmas de Namoradas Passadas», Mark Waters; «Comer, Rezar, Amar», Ryan Murphy; «Os Jogos da Fome - Apanhando Fogo», Francis Lawrence; «O Plano de Jogo», Andy Fickman; «Bola do Dinheiro», Bennett Miller; «O Turista», Florian Henckel Von Donnersmarck.
E ainda...: Café Saudade/Caminho Sentido Associação Cultural - «Poetry & Coffee 6/Alfred Tennyson»; FNAC/Vasco da Gama - exposição de fotografias de Rita Carmo «Bandas sonoras - 100 retratos na música portuguesa» + exposição de desenhos de Juan Cavia para argumento de Filipe Melo «As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy»; (revista) Metal Hammer Nº 252/2014-1; (documentário na RTP2) «Usain Bolt - O Mais Rápido Homem Vivo», Gael Leiblang; FNAC/Chiado - exposição de fotografias de Bob Willoughby «Audrey Hepburn, 20 anos depois»; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Resgatar a Memória - A Biblioteca Nacional na Gestão e Salvaguarda do Património Artístico dos Conventos» + exposição «Luís Serrão Pimentel e a Ciência em Portugal no Século XVII» + mostra «"O dia triunfal" - Centenário do nascimento de Alberto Caeiro» + mostra «Cláudio Carneiro (1895-1963)»; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Celeiro da Patriarcal - «CartoonXira 2014/Cartoons do Ano 2013 (António, Bandeira, Brito, Carrilho, Cid, Cristina, Gonçalves, Maia, Monteiro)» + «Eureka» (Puig Rosado); (revista) Estante Nº 1/2014-4; CoWorkLisboa/Lx Factory - encontro literário «A minha vida deu um livro»; (documentário na RTP2) «Estética, Propaganda e Utopia no Portugal do 25 de Abril», Paulo Seabra.

segunda-feira, abril 28, 2014

Observação: Companheiro Vasco

É certo que já era expectável... mas temos sempre uma esperança, por mais pequena que seja, de que o inevitável seja, pelo menos, adiado o mais possível. Vasco Graça Moura morreu, e vai fazer-nos muita falta; e não apenas no combate contra o abjecto, abominável, «aborto pornortográfico».
Também previsíveis, nestas ocasiões, são os elogios de circunstância, mais ou menos sinceros, a respeito da pessoa que partiu. É certo que há sempre uma quantidade apreciável de hipocrisia nestas manifestações de admiração póstuma. Porém, no caso deste advogado, político (secretário de Estado, deputado), poeta, ensaísta, romancista, (que desempenhou, entre outros, os cargos de) presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e do Centro Cultural de Belém, co-criador da Expo 98, a duplicidade é, tem sido, mais descarada do que o habitual.
Exemplos? Em comunicado, o actual (p)residente da república sublinhou a «marca indelével» que o agora falecido deixa na cultura e na política. Aparentemente, e infelizmente, não tão indelével de modo a que ele, que sempre teve o apoio do agora falecido, seguisse os seus conselhos no que se refere ao AO90. Pelo que, se quisesse mesmo «render homenagem» a Vasco Graça Moura, bem que Aníbal Cavaco Silva podia fazer cumprir um dos últimos e grandes objectivos do antigo director da Imprensa Nacional Casa da Moeda: cessar de imediato a (auto-)destruição da língua portuguesa. O mesmo se aplica a Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, e a Francisco José Viegas e a Jorge Barreto Xavier, anterior e actual secretário de Estado da Cultura. E ainda a Guilherme de Oliveira Martins, que permitiu que o CNC se tornasse em mais uma «coutada» dos neo-colonialistas da ortografia.
Entretanto, na RTP, é a pouca vergonha do costume: hoje, no programa «Bom Dia Portugal», logo a seguir a uma reportagem sobre o óbito do tradutor de Dante, Petrarca e Shakespeare, Carla «quebrar a oposição dos portugueses ao AO» Trafaria apresentou mais uma edição da rubrica «Bom Português», em que, desta vez, se perguntava como é que se escrevia «correctamente»… «pé-de-atleta». Não faltaram os inquiridos que, quais papagaios amestrados, responderam que era… sem hífens. Um (ponta)pé no traseiro era o que eles, e a alegada «jornalista», precisavam.
Vasco Graça Moura merecia muito mais do que isto. Ele foi, é, será, o nosso, autêntico, Companheiro Vasco. Outros provocam-nos, apenas, asco. (Também no MILhafre (86).)
(Adenda - Vasco Graça Moura foi, é de recordar e de salientar, uma das muitas pessoas que já subscreveram a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Pelo que homenageá-lo passa também por fazer com que mais assinaturas sejam conseguidas e recolhidas.