sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Orientação: Para quem ainda não leu…

… Textos recentes da minha autoria que considero relevantes, saídos em outros blogs nos quais também participo, e que não divulguei directamente no Octanas quando foram publicados (alguns, bastantes, são inseridos por mim em mais do que uma «plataforma» em simultâneo, mas outros não), aqui ficam as indicações e a ligações: no Obamatório, que entrou em Janeiro no seu «ano oito» de actividade, procedi também à escolha da (frase e personalidade) «mais estúpida de 2015», reiterei que «nenhuma “batalha” é pouco importante» e demonstrei que o actual presidente dos EUA é (pode ser visto como) um «comediante»; no Simetria, e a propósito da sua morte, evoquei David Bowie designando-o de «criador e criatura de FC»; no Ópera do Tejo referi os mais recentes desenvolvimentos no projecto que visa estudar e divulgar a poesia de Luís António Verney; e no Albuquerque 500 inventariei (mais) menções, «ecos», não só da efeméride dos 500 anos da morte de Afonso de Albuquerque, mas também da evocação (colóquio e mostra documental) que, por minha iniciativa, o Movimento Internacional Lusófono organizou em 2015 em colaboração com o Arquivo Nacional Torre do Tombo, a Biblioteca Nacional de Portugal e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal.      

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

Observação: Muito bem um para o outro

Aparentemente, o «apelo» que fiz no passado dia 19 de Janeiro não surtiu grande efeito (que «surpresa»!), e Marcelo Rebelo de Sousa foi mesmo eleito Presidente da República, e à primeira volta, cinco dias depois. E, já agora, fica a pergunta: quem teve a infeliz – e imbecil - ideia de levar a verdadeira bandeira portuguesa, azul e branca, monárquica, para a festa do triunfo do professor-comentador na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa?
Com António Costa como primeiro-ministro, é apropriado dizê-lo: estão muito bem um para o outro! Dois homens sem (ou com mau) carácter, sem escrúpulos, sem honra, apenas preocupados com o seu perfil, o seu percurso, o seu «prestígio»… enfim, com o poder. Vão dar-se lindamente, às «mil-maravilhas»! Não sobrarão, decerto, «factos políticos»! A «reles-pública» portuguesa tem, no Palácio de Belém e no Palácio de São Bento, «inquilinos» ao seu (baixo) nível. O que, aliás, já aconteceu antes… mas, desta vez, os actuais distinguem-se também por terem assumido publicamente atitudes de subserviência perante outros países. 
Curiosamente, eu próprio tenho, tanto de um como de outro, motivos de queixa pessoais, específicos, concretos. O que demonstra até que ponto são abrangentes e profundas as capacidades de ambos na criação de conflitos.

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Ordem: Sim, irei ripostar

Aos que eventualmente – e virtualmente – se (me) interroga(ra)m sobre se eu já vi… respondo que sim, já vi, li, a mais recente excreção palavrosa de Jorge Candeias no seu blog contra mim, e, mais concretamente, contra o meu livro «Espíritos das Luzes». E, sim, irei ripostar em breve, ainda durante este mês de Fevereiro. Não que tenha muita vontade… mas lá tem de ser. E não antes de tratar de assuntos bem mais importantes do que aturar outra birra do poltrão de Portimão, definitivamente desequilibrado, desonesto e delirante. Tais como coçar os c*lh**s e ver a erva crescer. ;-) 

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Outros: Testemunhos… reais

Hoje assinala-se mais um – triste, trágico, terrível – aniversário do Regicídio de 1908, o que representa também, novamente, mais uma oportunidade de voltar a abordar «A República Nunca Existiu!», antologia de contos de história alternativa que eu concebi, organizei e em que participei, editada há oito anos. Desta vez, por causa de dois dos livros que li no terceiro quadrimestre do ano passado, e nos quais existem excertos que de algum modo se podem relacionar com a efeméride e com aquele meu projecto literário.
Um dos livros é «As Máscaras do Destino», colectânea de contos de Florbela Espanca, contos esses susceptíveis de serem inseridos – todos! – no género fantástico, o que faz da poetisa alentejana, cujo 85º aniversário da morte se assinalou em 2015, mais um nome a juntar ao «cânone» que eu tentei construir no meu artigo «A nostalgia da quimera». Porém, a ligação desta obra com «A República Nunca Existiu!» faz-se não por palavras da sua autora mas sim por palavras de outra escritora, que elaborou o prefácio (da edição que eu li – a 7ª, Bertrand, 1998): Agustina Bessa Luís. Recordo que, na «República…», escrevi o seguinte, no último parágrafo da introdução: «No Verão de 2007, durante as férias com a minha família, estive em Vila Viçosa, bela terra à qual não regressava há 20 anos. Revisitei o Paço Ducal e quase consegui sentir a “presença” de D. Carlos e da sua família. Visitei a antiga estação ferroviária, agora um Museu do Mármore, e quase consegui “ver” a Família Real entrar num comboio para a sua última viagem juntos. Aclamados por uma pequena multidão onde, quem sabe, estaria uma ainda muito jovem Florbela Espanca…» Pois bem, o que escreveu – e revelou – a autora de «A Sibila»? Isto: «Temos de ler “As Máscaras do Destino” com a confiança amigável que nos merece o diário duma adolescente, em que certa mediocridade talentosa anuncia os desejos que se evitam. É a jovem de Vila Viçosa a quem a rainha falou um dia, despertando nela uma noção de valor próprio que a marca de tristeza para sempre.»
O outro livro que li no final do ano transacto e que tem a ver, directamente, com o crime de 1908, e, indirectamente, com a primeira antologia colectiva que concebi e organizei, é «Folhas Soltas (1865-1915)», colectânea de crónicas (editada pela Livraria Clássica Editora em 1956) de Ramalho Ortigão, cujo centenário da morte se assinalou em 2015. Um dos textos incluídos intitula-se «A tarde de 1 de Fevereiro de 1908», e foi publicado no jornal O Portugal a 1 de Fevereiro de 1909. Nenhuma criação da imaginação é mais poderosa do que o relato factual – comovido e indignado – de um contemporâneo: «Parece que foi ontem, e faz hoje um ano! Era num dos mais lindos dias do doce Inverno lisboeta. (…) O sol no ocaso estendia a sua grandiosa púrpura por todo o estuário do Tejo. No profundo e inefável azul do espaço, sobre a calma baía, enxames adejantes de gaivotas, como lírios alados, envolviam as velas das faluas que bolinavam no rio. A vidraçaria dos prédios nas colinas do Castelo e da Graça chamejavam em reflexos de ouro num fulgor de colossal apoteose. (…) Minutos depois, à esquina do Terreiro do Paço, uma descarga de vinte tiros atingia a carruagem aberta, sorridente e florida, do Rei e da sua família. O resultado do tiroteio à queima-roupa foi morrerem fulminantemente o Rei e o Príncipe Real, ser ferido o Infante, e unicamente ficar ilesa a Rainha, se por ironia se pode dizer ilesa a mãe dolorosa que sobrevive, cingindo nos braços, espingardeado, o corpo do seu filho. Sucedeu isto há um ano, e sobre a investigação judicial desse monstruoso atentado pesa ainda hoje o mutismo da nossa História. (…) Para contrapor à indiferença dos homens, eu recorro para a impassibilidade da Natureza. Creio não me desmandar muito na invocação de prerrogativas régias desejando para a cândida memória de um Rei e de um Príncipe a diluição apetecida para a memória sangrenta de um facínora. (…)» (Também no MILhafre e no Simetria.

quarta-feira, janeiro 27, 2016

Orientação: Sobre (não) «endireitar», no Público

Na edição de hoje (Nº 9416) do jornal Público, e na página 44, está o meu artigo «Não se endireita». Um excerto: «O próprio António Costa admitiu que, politicamente, é como um autêntico refém quando afirmou no hemiciclo de São Bento, a 2 de Dezembro, durante o debate do programa do seu governo, que “o que o PCP não está disponível para apoiar é o que nós não estamos disponíveis para propor.” É de supor que a disponibilidade se estenda igualmente ao BE… É uma posição periclitante e mesmo patética? Sim, é, mas trata-se do inevitável preço a pagar pela arrogância de querer e conseguir substituir o anterior secretário-geral do PS por este ter obtido não uma, não duas mas sim três vitórias eleitorais (regionais nos Açores, europeias e autárquicas) consideradas insuficientes e, depois, o novo secretário-geral ter obtido não uma mas sim duas derrotas eleitorais (regionais na Madeira e legislativas)… indubitavelmente insuficientes.» (Também no MILhafre.)

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Opções: Todos menos Marcelo

Não é só quando se realizam em Portugal eleições para a presidência da mesma que se deve recordar e reforçar a verdade, os factos: no nosso país a República é um regime ilegítimo, imposto em Portugal por uma minoria através de um golpe de Estado em 1910 e de um duplo crime (o assassinato do então Chefe de Estado e do seu filho e sucessor no cargo) em 1908, nunca legitimado por um referendo específico e que, na sua actual (e terceira) «versão», persiste em não ser plenamente democrático por, na corrente Constituição, não só preconizar (ainda) no preâmbulo «abrir caminho para uma sociedade socialista» mas também limitar (ainda), no artigo 288º, as leis de revisão à «forma republicana de governo». Tudo isto sob o estandarte verde e vermelho, símbolo de iberistas e de terroristas, «ignóbil trapo» para Fernando Pessoa e que até Guerra Junqueiro rejeitou.
Porém, e porque Portugal tem sempre prioridade, enquanto não se faz a restauração há que ser pragmático e, perante a realidade, as situações, deve-se adaptar e actuar, se não pelo ideal e pelo preferível, então pelo mal menor, neste caso na escolha do próximo Chefe de Estado. E, a 24 de Janeiro, a opção, ou opções, não oferece(m) dúvidas: todos menos Marcelo Rebelo de Sousa. Para um cargo uninominal como o de Presidente da República, o carácter importa e interessa, pelo menos, tanto quanto a ideologia. E Marcelo não o tem; ele é, ou pode, ser, dizer e fazer tudo e o seu contrário; ninguém duvida de que o crónico comentador é capaz de mentir, de se contradizer, constantemente, consoante as circunstâncias e os contextos; a hipocrisia é a sua segunda natureza. Para o demonstrar, nem é preciso recuar muito no passado e ir buscar o episódio de uma certa sopa que se serve fria. Já na presente campanha eleitoral, ele: desmentiu ter considerado inconstitucional a rejeição, pelo Tribunal respectivo, do Orçamento de Estado para 2012, apesar de existir uma gravação que demonstra o oposto; manifestou-se favorável à adopção por «casais» do mesmo sexo, apesar de continuar a declarar-se cristão, católico, que reza «o terço todos os dias»; e assumiu-se como estando na (ou vindo da) «esquerda da direita», apesar de, uma semana antes, ter garantido que «não sou o candidato da direita».
No entanto, nenhum aspecto da personalidade e do posicionamento de Marcelo Rebelo de Sousa é mais preocupante do que a sua atitude, de total e acrítica aceitação e sujeição, perante o dito «Acordo Ortográfico de 1990» - aliás, é o único dos principais candidatos a tê-la. Preocupante não só por aquele que é supostamente um dos mais competentes e eminentes juristas portugueses nunca ter detectado nem denunciado as flagrantes ilegalidades, tanto ao nível nacional como ao nível internacional, inerentes à imposição do AO90; também por acreditar que «para Portugal conseguir lutar pela lusofonia no mundo tem de lutar por dar a supremacia ao Brasil» - disse-o em 2008 e não consta que entretanto tivesse mudado de opinião. Por outras palavras, a pessoa que poderá ser o principal líder deste país entende que é seu dever contribuir para que aquele se submeta, se inferiorize, em relação a outro. Só isto seria suficiente para o desqualificar da corrida ao Palácio de Belém. Ele é indigno de presidir aos destinos nacionais… tal como Aníbal Cavaco Silva foi e (ainda) é, por ter iniciado o processo do AO90 enquanto primeiro-ministro e o ter finalizado (?) enquanto «residente da república». (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53.)

terça-feira, janeiro 19, 2016

Outros: Pedaços d(e um)a história (Parte 2)

João Pedro Graça, que foi o principal e incansável impulsionador e dinamizador da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, continua a escrever e a contar, no seu blog Apartado 53, (um)a «história (muito) mal contada» da luta contra o AO90. No vigésimo nono «capítulo» desta «história», publicado hoje, JPG aborda também um desagradável incidente ocorrido no ano passado – o do convite que a TVI fez à ILCAO para participar num programa em que se discutiria o AO90, convite esse que depois retirou quando soube que o representante da Iniciativa seria eu. 

quarta-feira, janeiro 13, 2016

Oráculo: É até dia 23

A partir de hoje faltam dez dias para o encerramento da mostra documental, patente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, inserida na iniciativa «Afonso de Albuquerque, 500 Anos – Memória e Materialidade», que incluiu o colóquio realizado na Biblioteca Nacional de Portugal a 16 de Dezembro e na Sociedade Histórica da Independência de Portugal a 17 de Dezembro de 2015. É pois o tempo que resta a todos os que ainda não viram «ao vivo» três das cartas escritas pelo Vice-Rei da Índia ao Rei D. Manuel. Entretanto, o blog Albuquerque 500 continua(rá) activo: a captar e a reproduzir os «ecos» da efeméride e da evocação, de que os exemplos mais recentes são os artigos de Deana Barroqueiro no Jornal de Letras, Artes e Ideias e de Renato Epifânio n’O Diabo e no Público; e a noticiar os eventuais adicionais eventos que venham ainda a concretizar-se, neste ano novo de 2016, dedicados ao ilustre alhandrense e/ou à época em que viveu. (Também no Albuquerque 500 e no MILhafre.    

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Ocorrências: A 5 dois, a 7 um

Anteontem, dia 5 de Janeiro, e hoje, dia 7, passa(ra)m, respectivamente, dois anos e um ano desde a ocorrência de acontecimentos funestos, embora com contextos e características muito diferentes: em 2014 Eusébio da Silva Ferreira faleceu e em 2015 a sede em Paris do jornal Charlie Hebdo foi atacada por terroristas. Sobre o primeiro escrevi aqui no Octanas e sobre o segundo escrevi ali no Obamatório. Creio que se justifica esta dupla evocação. 

quinta-feira, dezembro 31, 2015

Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2015

A literatura: «Cartas Portuguesas», Mariana Alcoforado; «Prosas e Teatro», Pedro Correia Garção; «Marília de Dirceu, e Mais Poesias», Tomás António Gonzaga; «Romanceiro», Almeida Garrett; «Folhas Soltas (1865-1915)», Ramalho Ortigão; «As Máscaras do Destino», Florbela Espanca; «In Nomine Dei», José Saramago; «Sepulturas dos Pais» (com André Coelho) e «O Poema Morre» (com Sónia Oliveira), David Soares.
A música: «Gold», Tom Jones; «Mr. Natural», «Main Course» e «Spirits Having Flown», Bee Gees; «Coltrane» e «With The Red Garland Trio», John Coltrane; «Foreigner», «Double Vision» e «Head Games», Foreigner; «Ser Maior - Uma História Natural», Delfins; «My Christmas», Andrea Bocelli; «Messiah», George Frideric Handel (por David Thomas, Emily Van Evera, Emma Kirkby, James Bowman, Joseph Cornwell e Margaret Cable, com o Taverner Choir & Players sob direcção de Andrew Parrott).
O cinema: «Sem Reservas», Scott Hicks; «O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos», Peter Jackson; «Encantada», Kevin Lima; «Rua Jump, 21», Christopher Miller e Phil Lord; «Matando-os Suavemente», Andrew Dominik; «Viagem na Itália», Roberto Rossellini; «O Adeus à Rainha», Benoit Jacquot; «A Dama de Ferro», Phyllida Lloyd; «O Mestre», Paul Thomas Anderson; «Isto Significa Guerra», McG; «Caramelo», Nadine Labaki; «O Grande Gatsby», Baz Luhrmann; «Irene», Alain Cavalier; «Aponta o Favorito», Stephen Frears; «A Morte de Carlos Gardel», Solveig Nordlund; «Enredo de Tóquio», «Lírio-da-Aranha», «Um Calmo Dia de Outono» e «O Gosto do Peixe-Agulha», Yasujiro Ozu; «Jasmine Azul», Woody Allen; «Mundo Jurássico», Colin Trevorrow; «Alguns Vieram Correndo», Vicente Minnelli; «Orla do Pacífico», Guillermo Del Toro; «Espelho Meu, Espelho Meu», Tarsem Singh; «Na Cidade», Gene Kelly e Stanley Donen; «42», Brian Helgeland; «Max Maluco - Estrada da Fúria», George Miller; «Sr. Peabody e Sherman», Rob Minkoff; «Promete-me», Emir Kusturica.
E ainda...: «Bad Blood» e «Wildest Dreams», (vídeos musicais de) Taylor Swift; «O Mentalista» (último episódio); Guerra e Paz Editores/El Corte Inglês - apresentação do livro «Remar Contra a Maré» de Luís Ferreira Lopes; Museu Municipal de VFX - exposição «A Arte no Concelho de Vila Franca de Xira - Grandes Obras»; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «"Onde os nossos livros se acabam, ali começam os seus..." O Japão em fontes documentais dos séculos XVI e XVII» + exposição «Imprensa empresarial em Portugal: 145 anos de jornais de empresa (1869-2014)» + exposição «Da inquietude à transgressão: eis Bocage...» + mostra «A questão do "Bom senso e bom gosto"» + mostra «"Alice no País das Maravilhas" (1865-2015) - 150 anos» + mostra «Aldo Manuzio (ca.1450-1515): o inventor do itálico» + mostra «"Arte de Ser Português" - Teixeira de Pascoaes» + mostra «Ramalho Ortigão - Um publicista em fim de século» + mostra «Portugal-Irão - 500 Anos» + mostra «Centenário da revista Atlântida»; FNAC/Vasco da Gama - exposição Novos Talentos Fotografia 2014 «Viaggio in Lapponia» de Márcia Nascimento + exposição de fotografia «De olhos bem fechados» de Nelson Garrido; Sabedoria Alternativa/Espaço Amoreiras-Leap Center - apresentação do livro «52 Métricas de Marketing e Vendas» de Luís Bettencourt Moniz e Pedro Celeste; Salvador Caetano (Vila Franca de Xira) - Dia Toyota 2015; ANTT/BNP/MIL/SHIP - colóquio e mostra documental «Afonso de Albuquerque, 500 Anos - Memória e Materialidade».

sábado, dezembro 19, 2015

Obrigado: Aos que compareceram…

… No dia 16 de Dezembro, na Biblioteca Nacional de Portugal, e no dia 17, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal, para participarem – como oradores ou como espectadores – no colóquio integrado na iniciativa «Afonso de Albuquerque, 500 Anos – Memória e Materialidade», e, desde o dia 15, no Arquivo Nacional Torre do Tombo, como visitantes, na mostra documental integrada na mesma iniciativa…
… Que foi, é, da minha autoria, e não do Estado português ou de qualquer uma das várias instituições nele incluídas: nenhuma achou relevante lembrar e celebrar aquele que foi o maior herói militar da História deste país e um dos maiores da História do Mundo; em vez delas foi o Movimento Internacional Lusófono, na pessoa de Renato Epifânio, Presidente da Direcção daquele, que aceitou o meu desafio; um agradecimento especial para ele e também para Miguel Castelo-Branco, da BNP, que se nos juntou na comissão organizadora. Outras pessoas a quem devo um «muito obrigado» reforçado: Silvestre Lacerda e Maria dos Remédios Amaral, da DGLAB e do ANTT; Inês Cordeiro, Conceição Chambel e Catarina Crespo, da BNP; José Alarcão Troni e Ana Prosérpio, da SHIP…
… E todos merecem um profundo agradecimento da minha parte por me terem proporcionado a honra única de fazer a primeira apresentação do meu novo livro «Q – Poemas de uma Quimera» numa data e num local tão significativos. Entretanto, todas as informações principais sobre a efeméride estão no blog Albuquerque 500, que irá continuar activo porque a evocação do «César do Oriente» irá continuar de certeza, pelo menos, em 2016. 
(Adenda - Estão já disponíveis vídeos do colóquio, e, em especial, das sessões em que participei, incluindo a da apresentação de «Q».)

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Orientação: Sobre cidadãos e armas, no Público

Na edição de hoje (Nº 9374) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «Os cidadãos não têm armas». Um excerto: «Tantas vidas se perde(ra)m ou fica(ra)m marcadas para sempre, tanta destruição é causada, tanto medo e tanta mágoa é acumulada, porque, muito simplesmente, os atacantes sabem que vão encontrar inexistente, ou reduzida, ou atrasada, resistência… armada. Aqueles parisienses, permanentes ou ocasionais, estavam completamente indefesos, totalmente à mercê da fúria impiedosa e incansável dos assassinos. A polícia não está – não consegue estar – permanentemente presente junto de quaisquer possíveis alvos, que, actualmente, e cada vez mais, são, podem ser, todos, é, pode ser, tudo.»

sábado, dezembro 12, 2015

Oráculo: … E também é apresentado «Q»

Quem tiver lido (ou for ler) o texto de abertura no blog da iniciativa «Afonso de Albuquerque, 500 Anos – Memória e Materialidade», terá reparado (ou irá reparar) que, no programa do colóquio no dia 16 de Dezembro – que é precisamente a data exacta da efeméride – que decorrerá no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, consta também a apresentação do meu novo livro «Q», a partir das 18.30…
… Juntamente com outras edições do Movimento Internacional Lusófono. A justificação para tal pode ser encontrada no texto da contracapa, que começa com um excerto do poema que dá título ao livro: «”Q” é a letra, o símbolo que define Portugal, que nos liberta, que nos encerra. E foi nos idos de Quatrocentos, em 1415, em Ceuta, que iniciámos a Quimera. Cem anos depois, nos idos de Quinhentos, em 1515, em Goa, findou uma era. “Q” é o primeiro livro de poesia do premiado jornalista e escritor Octávio dos Santos a ser editado, seis anos depois da publicação da sua tradução de (50) “Poemas” de Alfred Tennyson. Reúne mais de 60 dos seus próprios poemas, elaborados ao longo de um período de mais de 35 anos. Lançada em 2015, ano em que se assinala(ra)m os 600 anos da conquista de Ceuta (21 de Agosto), os 500 anos da morte de Afonso de Albuquerque (16 de Dezembro) e os 250 anos do nascimento de Manuel Maria Barbosa du Bocage (15 de Setembro, e uma das personagens principais do seu romance “Espíritos das Luzes”) esta obra como que reflecte e raciocina em verso, tanto séria como satiricamente, sobre os mesmos assuntos, preocupações… e obsessões que, em prosa (ficção e não ficção), o autor abordou em obras anteriores como “Os Novos Descobrimentos”, “A República Nunca Existiu!” e “Um Novo Portugal”.» Na verdade, aguardando há muito uma oportunidade para editar uma colectânea de poemas da minha autoria «que têm como temas comuns, ou referências últimas, Portugal, os portugueses, os países e os povos da Lusofonia, a(s) sua(s) História(s), figuras, factos e lendas», dificilmente haveria melhor ano para o fazer do que 2015, e melhor dia do que 16 de Dezembro. 
«Q» está subdividido em três partes. Eis os poemas que integram cada uma delas:
Parte I – «Com uma chama viva que arde eterna...»: «Amor lusitano, alma portuguesa», «Porque o quisemos ser», «De aqui houve nome Portugal», «Terras do Norte», «Ela é minha», «Morena», «Mil e uma noites», «Sagrada devoção», «A espada e a cruz», «Encantamento», «Toda a cidade tem o seu rio», «Nada há mais velho do que a pedra; só o tempo», «A Batalha de Alfarrobeira», «Vela», «Erótico exótico», «Floresta virgem», «Branco e negro» e «A Grande Epopeia». 
Parte II – «Quando o último sonho acabou de se desvanecer...»: «Camões», «Baptismo de fogo», «Peregrinação», «Enterrar os mortos, cuidar dos vivos», «Guitarra», «Má vida, maus lençóis, má sorte», «Rosa», «Rosa vermelha, rosa branca», «Mal de amor», «Se não tens o que amas», «Medo do amor», «Melhor que amar é amar e ser amado», «Cego», «Paixão», «Alentejanas», «Barão da Caliça», «Pecados», «Curso intensivo de teologia» e «Rei».
Parte III – «A saudade os artistas inspira e à verdade o povo aspira...»: «Fazer amor com a República», «A segunda morte de Lázaro», «Pombos e gaivotas», «Outono», «Filhos da noite», «Sal e azar», «Putas, futebol e álcool», «O guarda-nocturno e a mulher-a-dias», «Amor é...», «Vagabundos», «Até ao meu regresso», «Nem tanto ao mar, nem tanto à terra», «Verdade», «Corpo ao manifesto», «Abril», «Marx, pornografia e sapatos de plataforma», «Neste jardim à beira-mar plantado», «Coima em Coina», «Lésbicas de Lisboa», «Variações», «O elmo», «A morte está a Norte», «RecLusos», «Aljubarrota, derrota», «Q», «Portugal sem fim» e «Mar de rosas».
Além de na apresentação que vai decorrer na próxima quarta-feira, e de em outras, eventuais e posteriores, em que eu participe ou não, integradas em iniciativas do MIL, «Q» só estará à venda por encomenda feita através do endereço de correio electrónico info@movimentolusofono.org e com o pagamento de 10 euros (que inclui portes de correio). 

domingo, dezembro 06, 2015

Oráculo: A partir de 16 celebra-se Albuquerque

Tal como em Abril último informara e pré-anunciara, no próximo dia 16 de Dezembro assinalam-se os 500 anos da morte de Afonso de Albuquerque; e nessa data inicia-se também, na Biblioteca Nacional de Portugal, o colóquio «Afonso de Albuquerque, 500 Anos – Memória e Materialidade», que terá continuidade e término no dia seguinte na Sociedade Histórica da Independência de Portugal. A 18 de Dezembro abre no Arquivo Nacional da Torre do Tombo uma mostra documental que se prolonga até 23 de Janeiro de 2016. O Movimento Internacional Lusófono, por minha iniciativa, é a entidade que lidera a organização da evocação desta efeméride. Todas as principais informações relativas àquelas podem ser encontradas no blog Albuquerque 500, hoje começado (e onde também colaboro), e nos sítios da Internet das instituições participantes referidas.

terça-feira, dezembro 01, 2015

Observação: A nacionalidade afundada

Em Portugal, e depois de demitido – isto é, de ter visto recusado o seu programa – no Palácio de São Bento o XX Governo Constitucional a 10 de Novembro de 2015, tomou posse o XXI a 26 de Novembro no Palácio da Ajuda; este, pelas pessoas que inclui e pelas políticas que indica, bem que poderia ser designado informalmente de «terceiro governo de José Sócrates».
Exagero? Atente-se: nas várias e interessantes «ligações», familiares e outras, que se encontram no elenco do novo executivo; no facto de o novo secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros ser advogado, precisamente, do ex-preso Nº 44 de Évora; no perfil e no percurso, algo… problemáticos, do novo secretário de Estado do Ambiente, talvez emuladores, evocativos, de um anterior detentor do cargo; nas (superadas?) dificuldades com a ortografia da nova secretária de Estado da Cidadania e da Igualdade – dificuldades essas, aliás, que uma ex-ministra da «Cultura» também tem…
… E o novo primeiro-ministro não se distingue igualmente, o que é preocupante, pelo conhecimento, tanto a um nível adequado à posição que agora ocupa como a um nível mais básico exigível a um português letrado. Eis dois exemplos de erros graves e grosseiros que ele cometeu este ano: primeiro, e ainda não tinha concluído a primeira semana no desempenho das suas novas funções, afirmou – em Bruxelas! – que a NATO foi fundada em 1959 (na verdade, foi em 1949) e que a Turquia foi uma das nações fundadores daquela (na verdade, foi admitida em 1952); segundo (e muito pior), em Junho durante a pré-campanha para as eleições legislativas, afirmou que procuraria repor o dia 1 de Dezembro enquanto feriado porque «Portugal é o único país que não comemora a sua data fundadora»! Incrivelmente, ao mesmo tempo que mostrava não saber o significado do dia de hoje, também salientava, acertadamente, que o nosso país não festeja oficialmente a sua própria criação…
… E esse é apenas um de entre vários aspectos insólitos que continuam a caracterizar a História, a política e a sociedade nacionais. Em comentários que fiz recentemente a textos de outros blogs destaquei alguns desses aspectos: a surpresa que vários ainda sentem perante a evidência de que um, qualquer, presidente da república habitualmente é «faccioso», o que não acontece normalmente com um Rei; o equívoco que muitos ainda têm sobre o Partido Social-Democrata ser de direita, quando nunca o foi; a ilusão que bastantes ainda partilham de que o Partido Socialista continua a ser uma força de centro-esquerda, quando já não é. E a «crise de egocentrismo, narcisista e sebastianista» de que o novo ministro da Cultura acusava o novo primeiro-ministro em 2014 também ajuda a explicar a deriva do PS para a extrema-esquerda. O filho do fundador… do PS queixava-se igualmente então de que «as pessoas não têm memória na nossa terra.» É verdade, e por isso é que, em vez de a nacionalidade ter a sua fundação (correctamente) celebrada, há o perigo de a ver afundada. (Também no MILhafre. 

sexta-feira, novembro 27, 2015

Obras: Intitula-se «Q»

Quem costuma aceder, consultar e ler (a)o blog MILhafre, do Movimento Internacional Lusófono, dos quais sou membro, nos quais participo, poderá eventualmente ter reparado num texto, publicado ontem naquele, intitulado «Prefácio a “Q”, de Octávio dos Santos» e escrito por Renato Epifânio. Publicado originalmente na edição do passado dia 24 de Novembro do jornal O Diabo, da sua leitura se depreende imediatamente que se trata do texto que introduz, e est(ar)á incluído, (n)o meu novo livro, cujas existência e edição anunciei pela primeira vez no passado dia 23 de Novembro.
Sim, intitula-se «Q», e é uma colectânea de (mais de 60) poemas da minha autoria, escritos entre 1978 e 2015, e que têm como temas comuns, ou referências últimas, Portugal, os portugueses, os países e os povos da Lusofonia, a(s) sua(s) História(s), figuras, factos e lendas. Por isto se torna igualmente compreensível, e até inevitável, que seja uma obra publicada, precisamente, pelo MIL. A partir do próximo mês poderão conhecê-la na sua totalidade; porém, alguns dos poemas que a integram já foram divulgados no Octanas. E, ainda aqui, já pode ser contemplada a capa - concebida por mim e concretizada por Daniel Gouveia, que também procedeu à paginação do livro.    

segunda-feira, novembro 23, 2015

Oráculo: Em Dezembro o meu novo livro

Está já em fase final de paginação e de revisão, e prestes a ir para impressão, o meu novo livro, que será editado no próximo mês de Dezembro. As suas características fundamentais, incluindo o título, tema principal, género literário em que se insere, conteúdos, editora e data de apresentação-disponibilização, serão divulgadas em breve aqui no Octanas… e não só.

terça-feira, novembro 17, 2015

Observação: Dois Pintos a fazerem «piu-piu»

Em 2012, publiquei aqui no Octanas, e também no MILhafre e no Esquinas, o texto «Tirar os três», que incluiria depois no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País». Nele escrevi: «Onde está a cobertura constante das escutas telefónicas feitas a Jorge Nuno Pinto da Costa e a José Sócrates Pinto de Sousa, exemplos e expoentes máximos, personificações e símbolos definitivos das perversões intrínsecas e das promessas falhadas da Terceira República?» Pois bem, o que aconteceu, o que se descobriu? Que o Jorge e o José almoçaram juntos, ontem, no Porto! Foi uma forma de o segundo agradecer ao primeiro a visita que este lhe fez na «gaiola» em Évora. Dois Pintos a fazerem «piu-piu», «cantando» e «debicando» alegremente, aproveitando o facto de (ainda) estarem à solta. Desconhece-se a ementa, mas não seria de surpreender se aquela tivesse incluído robalo, café com leite e fruta.

quarta-feira, novembro 11, 2015

Observação: A ruína, o fim, provavelmente

Com um dos meus melhores e mais antigos amigos troquei recentemente (há quase um mês) algumas mensagens de correio electrónico sobre a actual situação política, as mais recentes eleições legislativas e a personalidade – boa, má, ou falta dela – de António Costa, secretário-geral do Partido Socialista. Convém salientar que o conheci quando ambos erámos militantes da Juventude Comunista Portuguesa, e que, 35 anos depois, ele continua a ser de esquerda mas eu já não…
Começou esse meu amigo por criticar e condenar o artigo de Maria de Fátima Bonifácio, «Costa no seu labirinto», publicado no Observador a 11 de Outubro último. Respondi: «nada do que ela escreveu me pareceu errado ou exagerado. E deixemo-nos de lirismos: discutir as ideias, as palavras, as acções, as atitudes, os comportamentos de um homem... é inevitavelmente discuti-lo - e, eventualmente, atacá-lo – “ad hominem”. E “O Costa dos naufrágios” merece todas as críticas que tem recebido... e receberá.» Além da ligação para aquele meu texto, enviei-lhe depois outras duas: a primeira relativa ao texto «Um homem cheio de qualidades», de Rui Albuquerque, no Blasfémias; a segunda relativa a «uma paródia aos socialistas tugas... com base nos nacionais-socialistas boches», ou, mais concretamente, num (excerto de um) filme regularmente e risivelmente adaptado, divulgada por Miguel Noronha n’O Insurgente. A tudo isto ele respondeu com uma reflexão marcada pela desilusão e pela resignação, abrangendo não só o país mas também os que lhe estão mais próximos, tomando como referência e ponto de comparação o caso de uma outra nação europeia, e tendo como asserção central a certeza (dele) de que Pedro Passos Coelho «não tem legitimidade rigorosamente (alguma) para continuar a fornicar a vida dos portugueses». A isto ripostei…
… Com o seguinte: «Factos: os problemas sofridos por Portugal nos últimos anos foram todos causados e/ou agravados pelos (des)governos de José Sócrates. Nos quais António Costa teve um (mau) papel fundamental: foi, durante bastante tempo, o Nº 2 do ex-preso 44. Lamento que a tua sobrinha tenha emigrado, lamento que a tua irmã tenha visto a situação dela degradar-se. Lamento que os filhos do teu ex-vizinho tenham ficado desamparados (não lamento o pai, cobarde (suicidou-se)). Mas não pode nem deve haver dúvidas sobre quem foram, e são, os verdadeiros (ir)responsáveis. PSD e CDS, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, foram melhores, mas não muito. Há quatro anos votei em PPC; agora, não. Desiludiu-me. E não foi só por manter o “aborto pornortográfico” (que antes criticara); foi também por vender bens públicos a chineses comunistas; por vender a ANA... fosse a quem fosse. Atenuou um pouco a pouca vergonha do aborto incentivado e financiado pelo Estado… mas só porque houve uma iniciativa legislativa de cidadãos (dinamizada por uma ex-deputada do PSD) que o pressionou. E desiludiu-me, claro, por ter aumentado os impostos em vez de os diminuir. É o facto de termos um Estado ganancioso... e ineficiente, que causa, principalmente, a depressão - financeira e psicológica - em que continuamente nos encontramos. Sem dinheiro (tirado pelo fisco) para gastar, pagar, investir, é normal (infelizmente) que muitos portugueses emigrem. E um país sem pessoas e sem dinheiro não tem grandes hipóteses de progredir. É esta, fundamentalmente, a grande diferença entre esquerda e a (verdadeira) direita: esta sabe que só diminuindo impostos e o peso do Estado na sociedade se obtém um real e sustentado desenvolvimento. PSD e CDS não são de direita mas sim de esquerda moderada; BE, PCP e PS são de esquerda radical. Mas atenção: reconheço, concordo, que os três partidos da esquerda radical têm legitimidade para formar um governo... se, obviamente, a força política mais votada - a coligação PSD-CDS - que, logicamente, tem primazia na formação de um novo executivo, não ver este aprovado no parlamento. Então se veria o que aconteceria. A ruína derradeira do país, o fim do regime? Muito provavelmente. Mas até isso não seria, necessariamente, completamente mau: seria uma oportunidade para, quem sabe, uma outra revolução, para restaurar a Monarquia, que é, naturalmente, o que eu desejo.»
… E para a qual há, reafirmo-o, legitimidade histórica total. Ontem, 10 de Novembro de 2015, aquele previsível cenário par(a)lamentar concretizou-se. A ver vamos se outros se concretizarão também… ou não. 

terça-feira, novembro 03, 2015

Obituário: Maria da Ascensão Rodrigues

Faleceu no passado dia 20 de Julho, e, se fosse viva, completaria hoje 89 anos. É por isso que escolhi esta data para uma breve, mas sentida, evocação de, e homenagem a, Maria da Ascensão Gonçalves Carvalho Rodrigues…
… Uma mulher, uma senhora, que nem todos sabem, ou sabiam, quem era, o que fez; que não alcançou um estatuto de figura pública nacional que até mereceria, ficando-se por uma (excelente) notoriedade regional e local, que em nada a diminuiu, antes pelo contrário; que, apesar disso, muitos tiveram o privilégio de conhecer pessoalmente… entre os quais eu e a minha família. Como, onde, é que isso foi? De uma das formas mais casuais possíveis: aconteceu passarmos, todos, as férias de Verão na mesma praia do Algarve, e desde há muito… e o primeiro contacto deu-se quando, há nove anos, a minha filha mais nova, bebé de dois, resolveu passear e visitar a «vizinha» de um toldo ao lado… Maria da Ascensão Rodrigues acabou por se tornar para ela e para as irmãs (e para os pais…) quase uma parente, uma avó ou uma tia…
… Com, na verdade, muitas histórias para contar, depois de décadas, nas Beiras interiores, a Alta e a Baixa, a ouvi-las, escrevê-las, organizá-las e a imprimi-las, por entre os seus afazeres de professora. Tenho, generosamente oferecidos e autografados, exemplares de «Ferro-Cova da Beira – Estudos Arqueológicos e Etnográficos, Curiosidades» (1982), «Cancioneiro-Cova da Beira – Romanceiro» (1990, com prefácio de José Hermano Saraiva), «Cancioneiro-Cova da Beira – Canções Narrativas, Outros Géneros Poéticos e Adenda ao Romanceiro» (1999) e «Contos da Velha ao Soalheiro, Outras Histórias e Historietas, recolhidos na Cova da Beira, sobretudo no Ferro» (2013). Os três primeiros livros foram editados pela própria autora, e o quarto – em que eu pude dar o meu (modesto) contributo, por convite e gentileza da Prof.ª Maria da Ascensão – foi editado pela Câmara Municipal da Covilhã, que já em 2008 lhe atribuíra, muito justamente, a Medalha de Mérito Municipal (grau prata)…
… Uma distinção, um «prémio de carreira», por todo o tempo e todo o trabalho que dedicou a registar a voz e o saber do povo anónimo junto do qual sempre viveu e que soube valorizar. É por isso que Maria da Ascensão Rodrigues, tal como tantos outros que de facto, no terreno, preservam e divulgam a Cultura no mais simples e no mais nobre que ela tem, merece(rá) não cair no anonimato, no esquecimento. E para isso eu, mais uma vez, dou o meu (modesto) contributo.