domingo, junho 30, 2013

Observação: ACP «trocado por miúdos»?

Há mais uma entidade privada que decidiu comportar-se, em relação ao «aborto pornortográfico», como uma pública… ou seja, de uma forma cobarde e colaboracionista: o Automóvel Clube de Portugal.
Tendo verificado, no início deste ano, que a revista do ACP passou, abruptamente, a utilizar o aberrante «acordês», telefonei para a sede daquele a 12 de Março último, pedindo para falar com Carlos Barbosa, actual presidente da Direcção. Em vez disso, puseram-me em contacto com Rosário Abreu Lima, antiga assessora de Luís Marques Mendes e agora «dire(c)tora de comunicação institucional» do clube, para além de (ir)responsável máxima da sua publicação principal; ela confirmou que havia sido quem decidira proceder à alteração – tendo, aparentemente, imposto a sua vontade ao próprio Carlos Barbosa. De qualquer forma, expus-lhe os argumentos e os factos… irrefutáveis, aos níveis político, jurídico e cultural, que tornam ilegítimo, ilegal e inútil o AO90. Aquela pessoa não me apresentou propriamente um «contraditório»; não conseguiu, ou não quis, refutar o que eu disse. Porém, isso não significou que tivesse concordado comigo, porque as posteriores edições da revista do ACP continua(ra)m cheias de erros ortográficos…
O caso do Automóvel Clube de Portugal no âmbito do AO90 é especialmente insólito – e irritante – porque, mais do que outras organizações, esta já teve ocasião de presenciar, de se pronunciar… e de protestar contra transformações injustificadas que trouxeram – que trazem – mais desvantagens do que vantagens. Disse-o naquela conversa por telefone e reiterei-o depois em mensagem de correio electrónico: de quem se manifestou, e bem, contra as mudanças no trânsito em Lisboa, na zona da Praça do Marquês de Pombal e da Avenida da Liberdade, seria de esperar uma atitude semelhante perante uma situação… que tem muitas semelhanças. Como escrevi, «surpreende-me a atitude passiva, de submissão, do ACP em relação ao AO90: é que é o mesmo tipo de mentalidade distorcida, de raciocínio deficiente, que está na origem tanto das alterações na ortografia portuguesa como das alterações ao trânsito lisboeta. Em ambos os casos trata-se de dar “soluções” a problemas que não existem; de lançar a confusão onde existia um mínimo de estabilidade; de desviar para objectivos irrelevantes recursos que seriam mais necessários e melhor aproveitados em áreas verdadeiramente prioritárias.»
Tanto na conversa por telefone como na mensagem de correio electrónico também abordei as consequências do AO90 no ensino: «quem causa essa “confusão” é quem pretende impor esta anormalidade; mas, ainda mais caricato, repare na ainda maior confusão que a utilização do AO90 causa em crianças e jovens que aprendem, e cada vez mais cedo, o inglês, e que assimilam todas aquelas palavras com consoantes “mudas”, consoantes e vogais repetidas, e até várias palavras com o (alegado) arcaísmo do “ph”... Não seria melhor - quanto mais não seja por sermos um país europeu! - não nos afastarmos da língua inglesa, e também, já agora, da francesa, onde não se procede a absurdas “simplificações” que só prejudicam a aprendizagem e que são potenciadoras de analfabetismo e de iliteracia?»
Aparentemente, os actuais dirigentes do ACP não vêem qualquer contradição em, ao mesmo tempo que se distanciam ortograficamente do inglês, designarem o seu programa de educação rodoviária, dirigido para os mais novos, como… «ACP Kids». Serão as crianças anglófonas residentes em Portugal os alvos prioritários desta iniciativa? «Trocado por miúdos», a conclusão é inevitável: o maior clube português, além de pelo provincianismo, foi atingido pela hipocrisia. Simplesmente ridículo. É claro que existem outras instituições que se submeteram ao AO90 e que, ao mesmo tempo, não dão ao «novo português» uma utilização plena: veja-se a RTP e o seu serviço «Play»
E pensar que eu andei a gastar o meu tempo, e o meu «latim», a defender o ACP numa anterior situação em que foi discriminado. Não vale(u) a pena o esforço. Não merece(ra)m o empenho. (Também no Esquinas (172).)

sábado, junho 22, 2013

Orientação: Seixas «dá à» Costa (outra vez)

João Pedro Graça foi talvez demasiado generoso em dar hoje destaque, no sítio da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, a um recente «despique verbal» - mais um! – entre mim e Francisco Seixas da Costa, tido no blog Aventar a propósito de um texto de Francisco Miguel Valada.
Quem se lembra de anteriores «trocas de galhardetes» que eu tive com o ex-embaixador de Portugal em França – descritos aqui e aqui – possivelmente não terá esquecido como aquele diplomata se mostra(va) sempre tão pressuroso em obedecer a ordens, mesmo que elas fossem, e sejam, difíceis ou mesmo impossíveis de defender. E também como continua a ter, insolitamente, dificuldade em escrever correctamente o meu nome…
Entretanto, decidi igualmente fazer mais uma «visita» à (deixar um comentário na) «loja» do Sr. Francisco, ainda no âmbito do «aborto pornortográfico». Vale sempre a pena, mais do que debater opiniões, apresentar, e recordar, factos.

segunda-feira, junho 10, 2013

Outros: Na Rádio Renascença…

… Ou, mais concretamente, no seu sítio na Internet, está um texto, intitulado «Dia de Portugal devia ser aniversário da Batalha de Aljubarrota», assinado por Filipe d’Avillez, que resultou – que é um resumo – de uma entrevista de cerca de 20 minutos que concedi àquela estação de rádio, e àquele jornalista, no passado dia 4 de Junho, e que não foi, nem vai ser, emitida. Porém, a  transcrição daquela pode ser lida aqui. O principal pretexto para a conversa foi o meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País». (Referência no Portugal Minha Terra.

sexta-feira, maio 31, 2013

Orientação: Sobre o Benfica, no Público

Na edição de hoje (Nº 8451) do jornal Público, e na página 49, está o meu artigo «Da “mística” só a memória». Um excerto: «Como é que se pode afirmar, sem rir, que o Benfica é “a maior marca nacional”? Porque conta com seis milhões (?) de “consumidores” masoquistas? Antes ser o melhor do que o maior! Sinceramente: é isto que é “o maior clube do Mundo”? Antes estar no "Livro de Recordes do Guinness" pelos títulos conquistados do que pelo número de sócios. E se o SLB fosse uma (verdadeira) empresa há muito tempo que estaria falido. É em Portugal o maior caso de insucesso, não só competitivo mas geral. É a expressão máxima no nosso país de baixa produtividade, de expectativas (constantemente) frustradas, de desproporção entre o que se “investe” e o que se “recebe”. Tantas pessoas a “torcerem” por ele... e que em troca só levam com decepções, desilusões, depressões, humilhações.» (Também no MILhafre (72). Transcrição no Esquinas (171).)

segunda-feira, maio 27, 2013

Outros: Uma recensão ao meu livro…

… «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», editado em 2012 pela Fronteira do Caos, pode ser lida na mais recente edição – Nº 9, 2013/5 – do boletim Correio Real, órgão oficial da Causa Real portuguesa, nas páginas 26 e 27. Foi escrita por Nuno Pombo, presidente da Direcção da Real Associação de Lisboa.
Alguns excertos: «(…) Não são muitos os que oferecem o seu percurso, deixando a nu as suas falhas pretéritas. Como intuo serem mais os que se louvam na congruência, ainda que reincidente no erro, do que os que se revêem no porfiado caminho em direcção à Verdade. (…) A citação de Jorge Sena com que o livro abre não é senão uma provocação - “(…) eu não mereço a pouca sorte de ter nascido nela [nesta Pátria]” (p.11). Quem parte deste princípio não se preocupa com o futuro da Pátria. Só se amargura com ele, com o futuro da Pátria, só sofre com a Pátria ou por causa dela quem se sente essencialmente imbricado com ela. É esse, manifestamente, o caso de Octávio dos Santos. (…) Alguns dos textos deste livro ficaram presos no tempo ou no espaço. São o seu testemunho do que vivia quando os escreveu e não perdem interesse por isso. Mas outros há que não foram beliscados pela cronologia. Podiam ter sido escritos … amanhã. (…) Mesmo quando não concordamos com todos os seus pontos de vista, e algumas vezes me afastei deles, o pensamento de Octávio dos Santos está longe de ser passadista, anquilosado e redutoramente conservador. (…)»
Ontem, 26 de Maio, estive na Feira do Livro de Lisboa, onde também autografei exemplares de «Um Novo Portugal», que continua à venda nos pavilhões (B56-B58-B60) da Gradiva até 10 de Junho. 

quinta-feira, maio 23, 2013

Orientação: Os meus livros na Feira de Lisboa

Começa hoje, e termina a 10 de Junho, a 83ª Feira do Livro de Lisboa, e nela vou ter uma presença a dois níveis.
Antes de mais, e como já anunciei, vou participar, com outros co-autores, no próximo dia 26 de Maio (Domingo), às 17 horas, numa sessão de autógrafos de «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico»; será no espaço dos pavilhões da Gradiva – B56-B58-B60 – onde também poderão ser encontrados e adquiridos exemplares de outro livro meu, «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», que poderei igualmente autografar
Além disso, mais livros meus poderão ser (espero!) encontrados e adquiridos nos pavilhões das respectivas editoras. Concretamente: «Os Novos Descobrimentos – Do Império à CPLP: Ensaios sobre História, Política, Economia e Cultura Lusófonas» na Almedina – A52-A54-A56-A58; «A República Nunca Existiu!» e «Poemas» de Alfred Tennyson na Saída de Emergência – D20-D22-D24-D26-D28; «Espíritos das Luzes» na LeYa/Asa/Gailivro – D54-D56. Se não os encontrarem… reclamem!
Para uma melhor localização pode-se consultar o mapa da feira. E, mais uma vez, deixo a sugestão, o apelo, para que unicamente sejam comprados livros (meus e não só) que não estejam submetidos ao aberrante, abjecto, ilegal, inútil e ridículo «aborto pornortográfico».

segunda-feira, maio 20, 2013

Oráculo: «Mensageiros…» na Feira do Livro

Alguns dos autores dos contos incluídos na antologia «Mensageiros das Estrelas» vão estar presentes na Feira do Livro de Lisboa no próximo dia 26 de Maio (Domingo), às 17 horas, para uma sessão de autógrafos que terá lugar no espaço da editora Gradiva, que é também distribuidora da editora Fronteira do Caos, que publicou a antologia mas que não terá um pavilhão próprio no certame. Eu lá estarei, e, entretanto, também já me confirmaram a sua participação: Luís Filipe Silva, Maria de Menezes, Miguel Garcia, Nuno Fonseca, Ozias Filho, Pedro Manuel Calvete e Sacha Andrade Ramos. (Também no Simetria. Referência n'O Relógio Avariado de Deus.

domingo, maio 12, 2013

Orientação: Sobre a Ópera do Tejo, na Glosas

Na edição de Maio de 2013 (Nº 8) da revista Glosas, apresentada ontem em Lisboa no Conservatório Nacional durante uma cerimónia que incluiu um concerto, está, nas páginas 64 a 67, o meu artigo «Estrela cadente – Recordando e recriando a Ópera do Tejo».
Um excerto: «Recordar e recriar a Ópera do Tejo não passa apenas pela sua reconstrução virtual, digital; também pode e deve fazer-se pela evocação musical, por tocar, gravar e divulgar as obras dos artistas contemporâneos daquela. Carlos Seixas e João Rodrigues Esteves morreram antes de ela ser construída, mas David Perez (de certeza), Pedro António Avondano, Francisco António de Almeida e António Teixeira (quase de certeza) conheceram-na e frequentaram-na. Já não tiveram esse privilégio, e entre outros, João de Sousa Carvalho, António Leal Moreira, Marcos Portugal e João Domingos Bomtempo – e isto só para referir os que nasceram no século XVIII. No entanto, todos merecem ser resgatados ao esquecimento em que (uns mais, outros menos) caíram e em que continuam; já é mais do que tempo que mais portugueses – e estrangeiros – saibam que houve compositores portugueses que atingiram a excelência – e, em alguns casos, a fama (raramente o proveito) – nas suas épocas. Em Portugal existe um passado musical magnífico que deve ser divulgado, aquém e além-fronteiras, e de que nos devemos orgulhar. E é uma valiosa herança que pode servir de caução a um presente musical que se pretende cada vez mais desenvolvido e relevante.»
A Glosas é uma das várias iniciativas desenvolvidas pelo Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa. Uma e outro têm direcção de Edward d’Abreu, a quem devo, e agradeço, o convite para escrever sobre um projecto que eu iniciei e que outras pessoas fizeram, e têm feito, por concretizar. (Também no MILhafre (71) e no Ópera do Tejo.

quinta-feira, maio 09, 2013

Observação: Os 20 anos da TV Mais

Foi só na semana passada, enquanto aguardava numa sala de espera de um consultório médico e, distraidamente, agarrei e folhei uma edição recente, que reparei e me recordei – e também estava indicado na capa – que em 2013 se assinalam os 20 anos do lançamento do primeiro número da revista TV Mais, onde me iniciei no jornalismo profissional…
… E em que fiz parte da equipa inicial do projecto, dirigida por João Aguiar, e naquele começámos a trabalhar ainda em 1992, numa redacção situada no Nº 202 da Avenida da Liberdade, em Lisboa. Um dos dois produtos resultantes do acordo entre o grupo suíço Edipress e os detentores do extinto O Jornal (o outro era a revista Visão, que também começou em 1993), a TV Mais começou por seguir, na fase inicial de preparação, um modelo mais «prestigiante» e menos «populista» do que aquele que viria a ser efectivamente adoptado, e que mais não fez do que ser acentuado durante as duas últimas décadas. Com efeito, tanto foram defraudadas as expectativas e as promessas iniciais que o saudoso autor de «A Voz dos Deuses» - e que viria a participar comigo, 15 anos depois, em «A República Nunca Existiu!» - saiu antes de ser lançado o primeiro número, ficando, à frente da publicação, José Rocha Vieira, de quem não guardo agradáveis memórias e por causa de quem saí ao fim de cerca de um ano. 
Pelo que li da ficha técnica, apenas duas pessoas restam daquela equipa inicial: Carlos Maciel, actualmente director-adjunto, e Moema Silva, uma das colaboradoras. Uma equipa que integrava ainda, e entre outros: Manuel Giraldes, a quem devo a entrada na revista; Moutinho Pereira, que, tal como João Aguiar, se iniciou no jornalismo em Angola, onde aliás se conheceram; Carlos Madeira, que viria a fundar, e ainda dirige, a revista Super Interessante; Armando Castela, que eu viria a reencontrar na Vida Ribatejana quando se tornou director daquele jornal de Vila Franca de Xira e me possibilitou tornar um «colunista ocasional» daquele; Nuno Sena, que viria a tornar-se um dos fundadores e dinamizadores dos festivais de cinema DocLisboa e IndieLisboa; Ana Oliveira e Ana Paula Homem, actualmente editoras da revista Caras; Daniel Adrião, que, como muitos outros, tem andado entre o jornalismo e a política – candidato à liderança da Juventude Socialista e à presidência da Câmara Municipal de Alcobaça (foi vereador nesta), assessor do secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos, administrador da Fundação para as Comunicações Móveis.
Folheando a TV Mais em 2013, não tenho vontade de – e não vou – dar-lhe os parabéns. E não é por ela privilegiar, como tantas outras publicações do género, a coscuvilhice e a superficialidade; é por utilizar, como as restantes unidades do grupo Impresa, o abjecto «aborto pornortográfico». Na semana passada, depois de umas quantas páginas recheadas de «atores» e de «atrizes», não aguentei mais e larguei-a. Até uma ténue nostalgia o AO90 consegue conspurcar.   

domingo, maio 05, 2013

Observação: Língua-mãe… ou madrasta?

Hoje celebra-se não só o Dia da Mãe mas também o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura, instituído pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Pelo que se justificam breves referências a algumas individualidades e instituições que têm transformado – ou tentado transformar – a Língua-Mãe numa língua… madrasta, através, principalmente, da imposição dessa aberração ilegal, inútil e ridícula conhecida como «acordo ortográfico de 1990»…
… E pode-se começar exactamente pela CPLP, e, mais concretamente, pelo seu país mais representativo, o Brasil, cujo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a poucos dias da celebração…. da língua portuguesa, decidiu que as bolsas de estudo atribuídas, no âmbito do programa «Ciência sem Fronteiras», a cerca de sete mil estudantes brasileiros que haviam escolhido o nosso país como destino deveriam ser reafectadas para outras universidades que não as portuguesas. Porquê? Porque eles «têm que enfrentar o desafio da segunda língua. Por isso todos foram convidados a migrar para outros países». Que «magnífico» exemplo este de um Estado que desrespeita as opções dos seus cidadãos… Enfim, é mais uma falácia de uma «cooperação cultural lusófona» em que abundam as palavras – cada vez mais deturpadas – mas em que escasseiam os actos concretos, eficazes, relevantes, úteis.
Neste âmbito, mas não só, é difícil haver personificação mais patética do que o actual (p)residente da república portuguesa Aníbal Cavaco Silva. Primeiro e principal responsável pelo AO90 (iniciou-o enquanto primeiro-ministro e «ratificou-o» enquanto chefe de Estado), está reduzido a assinar discursos e artigos ridículos, como o que foi publicado no jornal Sol na edição de 3 de Maio último. Escrito, como não podia deixar de ser, em «acordês», e a propósito, precisamente, do «dia da língua portuguesa», exalta a lusofonia como «um conceito moderno, plural e evolutivo, moldado pela atualidade das sociedades vibrantes que a compõem e fundado na língua portuguesa» sendo esta «um dos principais ativos estratégicos dos países que a compõem, com a sua afirmação internacional a constituir um objetivo prioritário.» O facto de as «vibrações» dessas sociedades no que respeita ao AO sempre terem sido maioritariamente negativas é apenas um pormenor de reduzida ou nula importância…
Além dos políticos, outros «profissionais» existem que exibem considerável culpa e/ou cumplicidade na imposição acrítica do totalitarismo linguístico-cultural. Desses destacam-se os jornalistas, e aqui e agora há que referir dois casos de «excelentíssimos diretores» que são outros tantos maus exemplos. Primeiro, Ví(c)tor Serpa; enquanto ficcionista, não utiliza o «aborto pornortográfico», como aliás se pode confirmar no seu último livro, o romance «O Segredo dos Pássaros», onde consta a informação, na ficha técnica, de que «por vontade expressa do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico de 1990»; porém, o jornal A Bola, de que ele é (supostamente) o responsável máximo, submeteu-se ao dito cujo, o que teve como consequência que aquele que já foi como que uma «bíblia», não só do desporto mas também da cultura e da cidadania nacionais, seja hoje apenas um reles pasquim. Na mesma situação está o Jornal de Letras, Artes e Ideias, embora o seu «diretor» constitua um exemplo muito, muito pior; José Carlos de Vasconcelos integra(rá) em lugar de relevo uma «galeria da infâmia» dos que colaboraram mais activamente com os fascistas da ortografia; e a sua mais recente demonstração desse colaboracionismo está no editorial da edição (Nº 1110) do JL de 17 de Abril último, em que o Sr. Vasconcelos tem o atrevimento de, criticando a oposição à edição da obra completa do Padre António Vieira em obediência ao AO90, se referir à «cruzada de alguns opositores» marcada pela «cegueira» e pelo «extremo radicalismo»; o Sr. Vasconcelos deveria estar a olhar-se ao espelho (de uma janela?), porque os verdadeiros «radicais», os autênticos «terroristas culturais», são aqueles que alteram toda uma ortografia à medida dos seus caprichos e devaneios utópicos, sem qualquer correspondência com as necessidades concretas das nações e das pessoas que utilizam aquela.    
Outro exemplo mais recente, e mais anedótico, de «hipocrisia linguística» é o da edição do livro «Out of the Office», de que um dos autores é o jornalista da TVI José Gabriel Quaresma e que contou com o prefácio e a apresentação de José Alberto Carvalho, director de informação da mesma estação. Para eles, que se submeteram igualmente ao AO90, aparentemente não há contradição na utilização de palavras estrangeiras (com um duplo «f» numa delas!) no título, e que a promoção inclua a possibilidade de conexão com… smartphones – uma palavra com o «arcaico» ph!
Sim, é verdade que nem toda a comunicação social se rendeu ao «acordo». No entanto, também é verdade que uma parte significativa dela se rendeu, com destaque, precisamente, para as três estações de televisão portuguesas. A pior delas, claro, é a RTP, porque, ao contrário de SIC e da TVI, é financiada com dinheiro dos contribuintes, a maioria dos quais se opõe ao AO90; e porque mais do que o utilizar, faz propaganda ao dito cujo, em especial (mas não só) nessa dose diarreica diária que é o «Bom Português» no «Bom Dia Portugal»; ironicamente, com o patrocínio da Porto Editora, cujo administrador e director editorial, Vasco Teixeira, em audiência recente no parlamento no âmbito do grupo de trabalho sobre o «acordo ortográfico», admitiu que aquele não tem, não traz, qualquer vantagem. Está visto que para muitos «jornalistas», neste tema como em outros, o fundamental é obedecer a uma «agenda», a uma narrativa, e/ou obedecer... ao(s) «chefe(s)»; para eles isso é mais importante do que dar voz aos opositores do «aborto», o que até poderia proporcionar o aumento de audiências e de tiragens; é mais importante do que a deontologia profissional básica - ouvir, e respeitar, as diferentes partes de um conflito, de um confronto.
Todavia, mais do que dos jornalistas, é dos professores que se deveria esperar a primeira atitude mais corajosa e mais firme contra a sabotagem cultural e comunicacional que é o AO90. Contudo, e apesar de várias e louváveis excepções individuais, as organizações – associações, sindicatos – que agregam e representam os docentes continuam a caracterizar-se pela mais lamentável e indecente capitulação. Não consta que nos «atentados quotidianos à educação» denunciados por Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, e que têm justificado várias greves e manifestações nos últimos anos, esteja incluído o «aborto pornortográfico». A conclusão inevitável – e talvez (algo) injusta – é que, desde que as colocações, as remunerações e as carreiras estejam asseguradas, qualquer porcaria pode ser ensinada aos nossos filhos e às nossas filhas. Já agora, porque não voltar a pendurar fotografias de Caetano, Salazar e Thomaz nas paredes das escolas?      
Finalmente, como ilustração máxima do absurdo a que este assunto chegou, veja-se a «justificação» dada por um dos (ir)responsáveis do WordPress Portugal para a submissão ao «aborto», em que «dois consensos alargados, a oposição quase unânime e uma enorme resistência em aplicá-lo» se transformam num «entendimento geral de que se deveria avançar para a adoção do AO90» (leiam-se igualmente os comentários, entre os quais o meu). Não restam dúvidas: o «acordo ortográfico» é a «mãe (ou o pai?) de todas as parvoíces» na língua portuguesa, neste dia e em todos os outros. (Também no Esquinas (170) e no MILhafre (70).)  

terça-feira, abril 30, 2013

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2013

A literatura: «Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes», David Soares; «A Cidade dos Sonhos - Sete Regras para a Sala de Aula» (com ilustrações de Sandra Hormigo), Sérgio Franclim; «A Arte e a Revolução» e «A Obra de Arte do Futuro», Richard Wagner; «O Sangue e o Fogo - Trilogia Cénica», António de Macedo; «James Bond - 50 Anos de Cartazes de Filmes», Alastair Dougall; «A gravura na casa» e «Factos acerca do falecido Arthur Jermyn e da sua família», H. P. Lovecraft.
A música: «O Melhor dos Melhores», Alfredo Ribeiro; «Trash» e «Welcome 2 My Nightmare», Alice Cooper; «Lioness - Hidden Treasures», Amy Winehouse; «Elvis Presley», «Elvis Christmas Album» e «Blue Hawaii», Elvis Presley;  «Siegfried», Richard Wagner (por Eva Marton, James Morris, Kiri Te Kanawa, Peter Haage, Siegfried Jerusalem, Theo Adam, e outros, com a Orquestra Sinfónica da Rádio Baviera dirigida por Bernard Haitink); «La Spinalba - Ovvero Il Vecchio Matto», Francisco António de Almeida (por Ana Quintans, Cátia Moreso, Fernando Guimarães, Inês Madeira, Joana Seara, Luís Rodrigues, e outros, com Os Músicos do Tejo dirigidos por Marcos Magalhães).
O cinema: «Vida Como Nós a Conhecemos», Greg Berlanti; «O Lado Cego», John Lee Hancock; «Tirando  Vidas», D. J. Caruso; «O Espantoso Homem-Aranha», Marc Webb; «Ponto de Vantagem», Pete Travis; «Cisne Negro», Darren Aronofsky; «Transformadores - Escuro da Lua», Michael Bay; «John Rambo», Sylvester Stallone; «Prometheus», Ridley Scott; «O Ilusionista», Sylvain Chomet; «Brava», Brenda Chapman e Mark Andrews; «Borat - Aprendizagens Culturais da América para Fazer Benefício da Gloriosa Nação do Cazaquistão», Larry Charles; «Como é que Sabes», James L. Brooks; «Linha do Céu», Colin Strause e Greg Strause; «Eames - O Arquitecto e a Pintora», Bill Jersey e Jason Cohn; «O Último Rei da Escócia», Kevin Macdonald; «Inimigos Públicos», Michael Mann; «Lista de Audições Infinita de Nick e Norah», Peter Sollett; «Infiel», Adrian Lyne; «Não é País para Homens Velhos», Ethan Coen e Joel Cohen; «Vespão Verde», Michel Gondry; «Soco Papalvo», Zack Snyder; «Aço Real», Shawn Levy.
E ainda...: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Celeiro da Patriarcal - BF12/Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira + CartoonXira 2013/«Cartoons do Ano 2012 (António, Carrilho, Cid, Cristina, Gonçalves, Maia, Monteiro)»/«Animais, Uns e Outros (Turcios)»; Rumo Nº 13 (última); Biblioteca Nacional - exposição «D. Luís da Cunha (1662-1749) - O "Oráculo" da Política» + mostra «Prémio Pessoa 2012 - Richard Zenith» + mostra «O livro de jazz em Portugal - 90 anos de swing nas letras» + mostra «Literatura de cordel brasileira - folhetos de Arnaldo Saraiva» + mostra «Escritoras brasileiras editadas em Portugal» + mostra «Victor Wladimiro Ferreira (1934 - 2012)» + mostra «Verdi & Wagner - 200 anos»; Fronteira do Caos/CIES-IUL - apresentação do livro «Parceiros em Rede» de João Emílio Alves, com José Luís Casanova«A Família d’”O Padrinho”» (extras da edição em DVD do filme); Fantasporto 2013/33º Festival Internacional de Cinema do Porto; Museu do Neo-Realismo - exposição «Rien, de André Cepeda» + exposição bibliográfica «Jorge Amado e o Neo-Realismo Português»; CHAIA/UE/Dinâmia'Cet/ISCTE - seminário internacional «Património, Novas Tecnologias e Criatividade»; «Gentleman», Psy; FNAC Chiado - exposição (de fotografia) «Ao longo dos anos - trabalho de Jorge Gonçalves nos Artistas Unidos».

quarta-feira, abril 24, 2013

Orientação: Os meus textos no Simetria

No sítio da Simetria foi efectuada nesta semana uma reformulação visual e tecnológica, ou, como lhe chamou o meu amigo e colega Luís Miguel Sequeira (um dos fundadores da associação), uma «lavagem de rosto» que, mais do que uma manutenção, passou por um upgrade daquele nosso espaço dedicado à divulgação da ficção científica e do fantástico nacional e internacional.
Uma das vantagens desta mudança é a de ter tornado possível o alinhamento e o acesso a todos os textos que escrevi – e que vou escrever – para o sítio. Que incluíram, até agora, temas tão diversos como, por exemplo: a criação de uma nova editora (a Divergência); a edição e a apresentação – em Lisboa e no (Fantas)Porto – da antologia «Mensageiros das Estrelas»; efemérides cinematográficas; Simetria Sonora (FC & F na música); homenagens a António de Macedo e a João Aguiar; distopias (literárias e/ou cinematográficas) já concluídas e consagradas e outras que ainda estão a ser construídas…
… Em que se inclui a que estou a escrever e que constitui(rá) o meu segundo «romance» depois de «Espíritos das Luzes». Amanhã vou retomar a sua redacção… três anos depois de a ter iniciado e um ano depois de a ter interrompido para preparar as edições de «Um Novo Portugal», «Mensageiros das Estrelas» e «Espelhos». A sua primeira sinopse já anda a circular por aí, enviada por correio electrónico a algumas pessoas…  

sexta-feira, abril 19, 2013

Obituário: Mário Murteira

Faleceu no passado dia 15 de Março, e, se fosse vivo, completaria hoje 80 anos. É por isso que escolhi esta data para uma breve, mas sentida, evocação de, e homenagem a, Mário Murteira…
… Que eu conheci pessoalmente no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa no final da década de 80, enquanto aluno dele na disciplina de Introdução à Economia da licenciatura em Sociologia. Evidentemente, já o conhecia antes… da comunicação social, enquanto figura pública, professor, economista e, principalmente, enquanto Ministro do Planeamento e Coordenação Económica que, no IV governo provisório liderado por Vasco Gonçalves, superintendeu o processo de nacionalização de empresas na sequência da tentativa de golpe de 11 de Março de 1975. Inevitavelmente, este assunto constituiu o ponto principal da entrevista que me concedeu, e aos meus amigos e colegas Rui Paulo Almas e Victor Cavaco, publicada em Dezembro de 1988 no Nº 1 do DivulgACÇÂO, boletim da Associação de Estudantes do ISCTE, que eu coordenava e de que fora um dos criadores. É difícil escolher um só excerto, mas deixo este: «(…) O que se passou em Portugal em 1974 e 1975 só pode ser compreendido se atendermos à natureza do regime que foi derrubado com o 25 de Abril. (…) É exactamente porque o regime político e social era retrógrado que os acontecimentos em 74/75, de certa maneira, foram também obsoletos. Isto por conterem uma radicalização anti-capitalista que corresponde a algo que devia ter acontecido mais cedo em Portugal. Esta ideia pode ser traduzida na seguinte imagem: nós tivemos em Portugal um regime que pôs um “dique” no tempo. O “dique” rompeu-se, e então o tempo andou muito depressa em 74/75 para “acertar o calendário”. (…)»
Já há quase 25 anos Mário Murteira era um homem de consciência tranquila, e tinha fortes razões para o ser: a sua experiência político-partidária e governamental, apesar de breve e polémica, não constitui, na minha opinião, a parte mais importante do seu impressionante currículo, onde avultam as instituições que ajudou a criar (que incluem o próprio ISCTE e o Instituto de Ciências Sociais), as centenas de alunos que ajudou a formar, e as dezenas de livros e de artigos que escreveu e que publicou. Em minha casa vi, na década de 70, vários números da revista Economia e Socialismo, de que ele foi director, e não duvido de que os textos nela contidos influenciaram decisivamente o meu pai, José Manuel Dias dos Santos, a ser o principal dinamizador e fundador de uma cooperativa de consumo, a UniPovo, em Alverca.
Ao contrário do que aconteceu com José Manuel Prostes da Fonseca, que também faleceu este ano pouco antes de completar oito décadas de vida, soube da morte de Mário Murteira antes do seu funeral e por isso pude assistir ao velório e missa de corpo presente, que tiveram lugar numa capela anexa ao Mosteiro dos Jerónimos. E não foi só pelo professor que lá fui: um dos seus filhos, Jorge Murteira, foi meu colega de turma no ISCTE (e, logo, também aluno do pai), e a filha, Helena Murteira, é minha colega no projecto Lisboa Pré-Terramoto de 1755. Antes de partir para o cemitério da Ajuda, o falecido recebeu as homenagens de familiares e de colegas, entre os quais José Manuel Paquete de Oliveira, que também foi meu professor. E hoje outra homenagem foi-lhe prestada na escola que ele ajudou a construir: o seu nome foi dado a um dos auditórios do ISCTE, durante uma cerimónia em que também foi exibido um documentário biográfico «Mário Murteira, um Homem Aprendente» (realizado pelo Jorge) e apresentado o seu último livro, «Esta Noite Sonhei com a Crise».  
Sobre Mário Murteira é de ler também o que escreveram Joana LopesJoão Rodrigues e José Pimentel Teixeira

terça-feira, abril 16, 2013

Ordenação: 20 vídeos musicais

Depois dos 20 filmes, dos 20 discos e dos 20 livros, apresento hoje mais uma tabela dos meus «20 mais»… e desta vez são vídeos musicais. De artistas de todos os estilos, os seguintes vídeos tornaram-se os meus preferidos, e continuam ainda hoje a impressionar-me, pelas conjugações de sons e de imagens que deixaram memórias marcantes. Revejam e recordem: «Nuclear Device» (1979), Stranglers; «The Thin Wall» (1981), Ultravox; «Pipes of Peace» (1983), Paul McCartney; «Legs» (1983), ZZ Top; «Undercover of the Night» (1983), Rolling Stones; «Close to Me» (1985), Cure; «Russians» (1985), Sting; «Cry» (1985), Godley & Creme; «Road to Nowhere» (1985), Talking Heads; «Addicted to Love» (1986), Robert Palmer; «Sign O The Times» (1987), Prince; «Still of The Night» (1987), Whitesnake; «True Faith» (1987), New Order; «Mia Bocca» (1987), Jill Jones; «Father Figure» (1987), George Michael; «Stay on These Roads» (1988), A-Ha; «I’m Going Slightly Mad» (1991), Queen; «Smack My Bitch Up» (1997), Prodigy; «Rock DJ» (2000), Robbie Williams; «MOBscene» (2003), Marilyn Manson.

terça-feira, abril 09, 2013

Orientação: Sobre a ILCAO, no seu sítio

A partir de hoje está no sítio da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico - que subscrevi há dois anos - o meu artigo «Iniciativa meritória, inédita, corajosa». 
Um excerto: «A conclusão inevitável é que, em Portugal, a tão propalada “democracia (quase) directa”, e os instrumentos que a possibilita(ria)m, são administrados… de uma forma demasiado parcimoniosa, prepotente, tendenciosa, oportunista. Veja-se o referendo: de certeza que já poderia ter sido utilizado para mais do que deliberar sobre a (despenalização da) interrupção voluntária da gravidez e sobre a regionalização; a realização de uma consulta à população sobre a implementação de uma “nova ortografia” poderia e deveria ser uma opção óbvia… e o resultado final não deixaria de ser previsível: a rejeição. E é por isso mesmo que esse referendo não foi feito.»
Agradeço à ILCAO em geral, e a João Pedro Graça em particular, o simpático convite para expressar a minha opinião, para dar o meu contributo, necessariamente modesto, a uma causa, a uma luta, que continua! Muito obrigado também por isso.       

quinta-feira, abril 04, 2013

Outros: Contra o AO90 (Parte 7)

«O acordo obscurantista», Maria Alzira Seixo; «Carlos Reis e os decibéis», «A propósito de uma carta aberta», «Consoantes mudas, etimologia e outras coisas úteis e agradáveis», «O bom senso de Rui Moreira e de Júlio Machado Vaz», «Acordo ortográfico aumenta as diferenças ortográficas entre Portugal e o Brasil», «A recessão já chegou à língua», «Com o acordo ortográfico há mamas até ao tecto» e «A prova faz-se já aqui ao lado», António Fernando Nabais; «O que o espetador deteta», «A diferença que um acento faz», «Efeitos do aborto ortográfico» e «Chumbo grosso nas consoantes», Pedro Correia; «Histórias portuguesas», Vasco Pulido Valente; «Ah! Como é diferente o escrever em Portugal…» e «E se fosses “unificar a língua” para a Coreia do Norte?», Ana Cristina Leonardo; «Um “acordo” cada vez mais “corruto”», «A tentadora luz da letra viajante» e «Uma fervente sopa de letras», Nuno Pacheco; «Requerimento formal dirigido aos Ministros da Educação e dos Negócios Estrangeiros», Madalena Homem Cardoso; «Desacordo», Abel Neves; «Acordo Ortográfico: é a hora da recusa», Cecília Enes Morais; «”O” CPLP», «A mordedura» e «Vieira queimado em… “esfinge”», Vasco Graça Moura; «A falsa unidade ortográfica», Maria Regina Rocha; «O desastre ortográfico», Miguel Sousa Tavares; «Uma questão de respeito», João Gonçalves; «A apreensão da lógica e da substância», «A adopção do Acordo Ortográfico de 1990 e o Diário da República – Caos, anarquia e disformidade», «Fatura simplificada», «Descubra as diferenças», «O acessor e a Cristine», «Em Março, a aprender como o Presidente actua», «Um assunto sobretudo da área dos Negócios Estrangeiros…» e «A imagem e o problema», Francisco Miguel Valada; «O monólogo ortográfico», Luís Menezes Leitão; «Cibertretas da Língua Acordesa», David Baptista da Silva; «Império da língua portuguesa: ascensão e queda?», António de Macedo; «A ILC e a “revisão” do AO90», João Pedro Graça; «Lição de casa», António Delfim Netto; «Deixem-se “enredar”», Mário de Seabra Coelho; «É o que dá terem sido dois a escrever aquilo», João Vacas; «Como desperdiçar clientes em tempos de crise», José António Abreu; «Desacordo ortográfico?», Mauro M. de Azeredo; «Uma aventura desastrosa», João Fabião; «O Manifesto de Girona e os “fatos com-seus-medos”» e «O problema das certezas absolutas», Teresa Cadete; «Contra o acordo ortográfico» e «Incompetência, descoordenação e irresponsabilidade», Desidério Murcho; «Contra o acordo ortográfico 2», Carlos Fiolhais; «Sinto-me como se me estivessem a tramar pelas costas», Paula Blank; «A inutilidade do acordo ortográfico de 1990», Isabel Coutinho Monteiro; «Ortografia e despotismo», José Barreto; «”Retifique-se”», Samuel de Paiva Pires; «Resposta a Gabriela Canavilhas», Graça Maciel Costa; «Importantíssima questão identitária», Ana Isabel Buescu; «Contribuição para o debate sobre a “Aplicação do Acordo Ortográfico”», António Marques; «Sobre o acordo ortográfico» e «Não merecia Vieira este tratamento», Maria do Carmo Vieira; «Uma História a respeitar», Cristina Ribeiro; «O Acordo Ortográfico e os seus trolhas», António Guerreiro. (Também no Esquinas (139) e no MILhafre (69).                                     

terça-feira, março 26, 2013

Oráculo: «Espelhos» em 2013

Hoje, Dia do Livro Português (e menos de uma semana depois do Dia Mundial da Poesia), é também uma data adequada para fazer o primeiro anúncio: o meu livro «Espelhos», com cerca de 60 poemas da minha autoria escritos ao longo de mais de 30 anos, «e onde as alusões autobiográficas não afastam as ilusões fantasistas», vai ser publicado este ano pela Polvo. Contará com ilustrações do meu amigo Paulo Monteiro, que em 2010 lançou o seu primeiro livro (de banda desenhada) pela mesma editora. E pretende ser um contributo, necessariamente modesto, para que a poesia volte a ser «a linguagem literária mais clara e directa, mais imediata e pujante, mais evocativa e relevante.» Mais novidades e pormenores em breve.

quarta-feira, março 20, 2013

Obituário: J. M. Prostes da Fonseca

Faleceu no passado dia 3 de Fevereiro, e, se fosse vivo, completaria hoje 80 anos. É por isso que escolhi esta data para uma breve, mas sentida, evocação de, e homenagem a, José Manuel Prostes da Fonseca…
… Que eu conheci no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa no final da década de 80, não enquanto aluno dele mas sim enquanto colega dele, entre 1989 e 1990, no Conselho Directivo a que ele presidiu entre 1984 e 1990. Discreto e competente, foi um homem de uma cordialidade e de uma correcção inexcedíveis. E, numa escola tão dinâmica como era, e é, o ISCTE, onde coexistiam múltiplas áreas e disciplinas científicas, muitas sensibilidades e tendências, muitos grupos, e onde conflitos de interesses mais ou menos declarados ocorriam regularmente, ele foi a pessoa certa no sítio certo no momento certo: porque soube – ou tentou sempre – conjugar e conciliar permanentemente esses interesses aparentemente divergentes, e congregá-los, canalizá-los, para a realização do objectivo comum a todos, docentes, discentes e funcionários: modernizar e desenvolver a nossa escola, torná-la numa instituição de ensino de excelência e de referência. O que de bom e de grande o ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa é actualmente começou a ser construído, verdadeiramente, na viragem da década de 80 para a de 90, e o seu contributo foi decisivo. Naquele Conselho Directivo de que eu fui membro muitas decisões foram tomadas, muitas soluções foram estudadas. Por exemplo, os primeiros esboços do que viriam a ser a nova biblioteca e o edifício 2 foram apreciados nas nossas reuniões.
A sua personalidade e a sua visão ficaram evidentes numa entrevista que me concedeu, e ao meu amigo e colega Filipe Vieira, publicada em Junho de 1989 no Nº 3 do DivulgACÇÃO, boletim da Associação de Estudantes do ISCTE, que eu coordenava e de que fora um dos criadores. Seis meses depois, no início de 1990, ele esteve comigo e ainda com os meus amigos e colegas Rui Paulo Almas e Victor Cavaco, na tomada de posse dos então novos corpos sociais da Associação Académica de Lisboa, que o Rui (na Direcção) e o Victor (na mesa da Assembleia Geral) integraram – a primeira vez em que estudantes do ISCTE participaram na liderança da AAL. Guardo uma fotografia de nós os quatro tirada nessa ocasião, em que é visível a satisfação e até o orgulho dele pelos «seus» alunos.
Sobre José Manuel Prostes da Fonseca é de ler também o que escreveram Alexandre Rosa, Paulo Pedroso, Raul Iturra (que foi meu professor na disciplina de Introdução à Antropologia Social) e Rui Paulo Almas.

sábado, março 16, 2013

Opções: Defender o Futuro

Assinei hoje a petição «Defender o Futuro». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui. Tive conhecimento da mesma apenas recentemente – mas antes de ela ter sido entregue na Assembleia da República no passado dia 5 – e decidi subscrevê-la exactamente, e simbolicamente, um ano depois de ter sido lançada porque este é igualmente o dia do aniversário do meu irmão.
Lê-se no texto que explica a iniciativa: «Portugal afunda-se hoje numa profunda crise económica e social, a que não é alheia a teia legislativa dos últimos seis anos de governação, destruidora dos pilares estruturantes da Sociedade. A reforma da Sociedade não deve ser realizada apenas na área económica e fiscal. Carece de uma intervenção mais profunda, designadamente no que diz respeito à Dignidade da Pessoa, em todas as etapas da sua vida, desde a concepção até à morte natural, à cultura da Responsabilidade, do compromisso no Casamento e na Família; por outras palavras, é necessária uma verdadeira cultura da Liberdade. (…) A nova Assembleia da República tem hoje um dever histórico de mudar o rumo do País. O desleixo e negligência anteriores devem dar lugar a uma política de responsabilidade e solidariedade expressa em leis que: coloquem e reconheçam a Família como fundamento da Organização Social na promoção de responsabilidade pessoal, solidariedade intergeracional e fomento da Economia; reconheçam ao casamento as funções para que está vocacionado, com vínculos e laços de responsabilidade pessoal que promovam e protejam todos e cada um dos seus membros; apelem a uma maternidade e paternidade responsáveis, generosamente abertas à vida; protejam e promovam a natalidade e a vida humana em todas as suas fases, desde a concepção até à morte natural; promovam uma verdadeira política de liberdade de educação onde os pais, independentemente de terem ou não recursos, possam escolher a escola dos seus filhos; reconheçam aos pais o direito a educar os filhos segundo as suas opções éticas e de valores. (…)» 
As opiniões e posições ideológicas subjacentes a esta iniciativa explicam porque a mesma foi pouco menos que ignorada por uma comunicação social portuguesa quase toda «encostada» à esquerda. Curiosamente, o espaço mediático que, segundo pensamos saber, mais atenção terá dedicado à petição «Defender o Futuro» e/ou os seus pressupostos foi o programa «Você Na TV» da TVI, na sua emissão de 8 de Março último. Aí Isilda Pegado, uma das primeira(o)s signatária(o)s daquela, enfrentou representantes do BE, do PCP e do PS – e, como os dois apresentadores também se opunham ao teor da petição, verificou-se na práctica uma desigualdade de um(a) para cinco. O que também explica que não tenha sido possível à antiga deputada do PSD, apesar da sua boa vontade e coragem, suster e sobrepor-se às (previsíveis e habituais) falácias teóricas dos «fracturantes» de serviço, cuja demagogia e desonestidade intelectual parecem não conhecer limites.
Comigo não levariam – nunca levariam – a melhor, mesmo que em vez de cinco fossem 10, 15, 20 ou mais: já observo e analiso estas criaturas há muitos anos e sei como responder e desmontar (a)os seus «argumentos» da treta (e de trampa). Mas seria pouco provável que do quarto canal me convidassem para isso ou para qualquer outra coisa, tendo em conta que, ainda recentemente, me discriminaram de uma forma deliberada e ostensiva (e ofensiva). Pois é, 20 anos depois de ter sido fundada, como está diferente a «televisão da igreja»… (Também no Esquinas (138).)     

segunda-feira, março 04, 2013

Obrigado: Aos que compareceram…

… Ontem, no Teatro Rivoli, no Porto, para a apresentação na Cidade Invicta de «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e de Fantástico», no âmbito do Fantasporto 2013. Agradeço também à organização do mais importante festival internacional de cinema português, e em particular a Beatriz Pacheco Pereira, que com muita simpatia nos recebeu, a oportunidade que tão generosamente nos proporcionou. E este agradecimento não é apenas meu; é também dos restantes autores e organizadores e, especialmente, da editora Fronteira do Caos e dos editores Victor Raquel e Carla Cardoso, que experimentaram de forma especial esta ocasião por serem também da capital do Norte.
À mesa estiveram sentados, além de mim e de Victor Raquel, também Ana Cristina Luz, um(a) da(o)s autora(e)s do livro, e António Reis, da organização do festival. Para além da descrição e da explicação do processo que possibilitou a concretização de «Mensageiros das Estrelas», com destaque para o colóquio com o mesmo título, com duas edições (em 2010 e em 2012) já realizadas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que esteve directamente na sua origem, ainda se falou, e por mais que um interveniente, de António de Macedo e da sua importância enquanto cineasta, escritor… e amigo, enquanto alguém a quem muitos de nós devem a entrada, e «viagens», pelos mundos maravilhosos do mistério e da fantasia… e que, muito justamente, foi homenageado nesta 33ª edição do «Fantas». Ficou ainda a certeza de que a Ficção Científica & Fantástico tem uma importância e uma influência em Portugal muitos superiores à que continua a ser generalizadamente reconhecida. E deixou-se o desafio para que os organizadores do Fantasporto continuem a levar ao conhecimento dos cineastas as histórias – como as que estão incluídas no «Mensageiros…» - que podem proporcionar filmes, de curta, média e longa-metragem… que, quem sabe, poderão vir a ser exibidos em futuras edições do festival.
Outros temas poderiam ter sido debatidos no encontro de ontem? Sem dúvida, apesar de ter sido apenas a apresentação de um livro e não um colóquio literário. Mas cabe também a quem assiste, aos espectadores, aos leitores, e se quiserem, colocarem questões e corrigirem afirmações dos oradores que considerem estar erradas. Esse convite à discussão foi feito. Pelo que não se compreende que alguns se queixem do que ficou por dizer quando não só não tomaram qualquer iniciativa nesse sentido como nem sequer se deram a conhecer. Quem está «do lado de lá», como eu e os meus colegas de mesa no Rivoli, não tem (sempre) a obrigação de se lembrar de tudo a todo o momento. (Também no Simetria.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Observação: Barros e Barreiros erraram

(Uma adenda no final deste texto.)
No passado dia 23 de Fevereiro de 2013 o Diário de Notícias publicou, no seu suplemento QI, um artigo de Eurico de Barros sobre a antologia «Lisboa no Ano 2000» com base numa entrevista feita ao criador e organizador daquela, João Barreiros. Abstraindo do abjecto «acordês» que enforma – e enferma – o texto, logo no terceiro parágrafo pode ler-se que aquela colectânea colectiva de contos constitui «a primeira ficção científica portuguesa de história alternativa.» Telefonei ao jornalista do DN e ele esclareceu-me que aquela afirmação é sua e foi «corroborada por João Barreiros». Porém, e obviamente, está errada…
… Porque a verdadeira primeira obra portuguesa de história alternativa é, foi, claro, «A República Nunca Existiu!», publicada em 2008… e sobre a qual o próprio Eurico de Barros escreveu então! Como me admitiu, esqueceu-se… mas João Barreiros também se terá esquecido. Aliás, é igualmente oportuno e relevante lembrar que ambas as antologias foram editadas pela Saída de Emergência, e que o subtítulo de «Lisboa no Ano 2000» é «Uma antologia assombrosa sobre uma cidade que nunca existiu», pelo que, sem dúvida e não surpreendentemente, ainda se «ouvem os ecos» daquele meu projecto pioneiro que teve como objectivo imaginar, escrever e publicar contos, enredos, narrativas, em que Portugal nunca havia deixado de ser uma Monarquia.
Assunto também abordado no artigo, e que aliás é recorrente nas discussões sobre ficção científica e fantástico no nosso país, é o da alegada «falta de uma tradição de literatura de FC, e de imaginação e especulação em geral, em terras lusas. (…) Esquecemo-nos de sonhar?» João Barreiros não é o único a pensar assim, mas ele e outros estão, também aqui, errados. Como demonstrei inequivocamente no meu artigo «A nostalgia da quimera», publicado no Público em 2011, o fantástico é – sempre foi – o género dominante na literatura portuguesa. A aparente ausência, na viragem do século XIX para o XX, de uma FC «pura e dura» nacional, em que a antecipação civilizacional e a inovação tecnológica são factores fulcrais, pode ter-se devido não à inexistência de obras desse âmbito mas sim à não publicação daquelas; o mesmo é dizer, que possivelmente existiram autores mas «não existiram» editores… à altura das suas responsabilidades. E esta não é uma hipótese mirabolante: quando se sabe que, já no século XXI, neste país houve quem decidisse destruir milhares de exemplares da «colecção azul» da Editorial Caminho, mais fácil se torna aceitar que o problema, provavelmente, não está, e nunca esteve, na escrita. (Também no Simetria.)
(Adenda: Fui contactado por Álvaro Holstein, que me informou da existência do livro «História Maravilhosa de D. Sebastião Imperador do Atlântico», escrito por Samuel Maia e publicado em 1940, e que terá sido, e é, o primeiro livro de história alternativa portuguesa. Pelo que pude ler e depreender do índice tal parece ser verdade, mas só quando puder tê-lo nas mãos, folheá-lo e, eventualmente, confirmar esse facto, é que renunciarei à primazia, neste aspecto, de «A República Nunca Existiu!». Se e quando o fizer… será sem qualquer problema, sem ressentimento, sem tristeza. Muito pelo contrário! Porque, neste assunto, e de uma forma ou de outra, eu «ganho» sempre: «História Maravilhosa…», de que eu nunca tinha ouvido falar até agora, constituirá mais uma prova de que «o fantástico é o género dominante na literatura portuguesa» como eu afirmo no meu artigo «A nostalgia da quimera». Mais: também no início de Março, e numa coincidência curiosíssima, duas pessoas - Manuel Curado e Nuno Fonseca - mencionaram-me o mesmo autor, Cândido de Figueiredo (sim, o do dicionário!), por causa da mesma obra, «Lisboa no Ano Três Mil», de que eu também nunca tinha ouvido falar até agora, publicada em… 1892! Ou seja, e ao contrário do que afirma João Barreiros, Jules Verne provavelmente terá mesmo deixado – pelo menos – uma «semente» em Portugal que «floresceu» ainda no século XIX! Sim, afinal houve alguém no nosso país que imaginou «ter visto o futuro» antes de 1900.)

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Observação: «Brava» bojarda

Neste último Natal receberam-se como prendas em minha casa, e entre outras, vários discos – de música, de jogos, de filmes. Entre estes «Brave», o mais recente filme dos estúdios Pixar, que em Portugal recebeu o título «Indomável» (sim, há traduções piores…), e que é comercializado pela Zon Lusomundo Audiovisuais. Observando a caixa, li a síntese, a ficha técnica, e a seguinte… ressalva: «Dados corretos salvo erro tipográfico».
Quero acreditar que, um dia, se irá investigar, descobrir e explicar por que motivo neste país tantos indivíduos e tantas instituições, quer públicas quer privadas, se prestaram – sem o deverem, sem serem forçadas, sem terem qualquer verdadeira obrigação disso – a fazer figuras ridículas, a passarem por idiotas, a tornarem-se autênticas anedotas. Talvez então se possa rir (ainda mais, e descansadamente) da aberração que é, foi, o «ac(b)ord(t)o (porn)ortográfico».
(Adenda - Hoje, 21 de Fevereiro, celebra-se o Dia Internacional da Língua Materna. Uma data ainda melhor do que as outras para todos os que ainda não subscreveram, divulgam e apoiam a Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico... o fazerem.)
(Segunda adenda - «Escoçês» é errado e esquisito? Sim. Mas não é mais errado e esquisito, e ridículo, que, por exemplo, «espetáculo», «perspetiva», «receção» e «suntuoso».)
(Terceira adenda – Quando se recorre à força e à imposição burocráticas e totalitárias, é óbvio que os «processos» (kafkianos) «avançam» e «correm» sem «problemas», que qualquer absurdo é aplicável. Há para aí quem seria um «excelente» «comissário cultural» de Stalin e de Mao…

sábado, fevereiro 09, 2013

Obras: Desenhando os «Mensageiros…»

Pedro Piedade Marques, que desenhou e paginou «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico», escreve sobre o seu trabalho neste meu projecto no seu blog Montag em texto intitulado «Controlo terrestre chama major Tomás» (sim, uma alusão à canção «Space Oddity» de David Bowie…) 
Um excerto: «(…) Tratou-se de um exercício de recuperação de uma certa forma de ilustrar a ficção científica “de fora” do género, ou seja: em vez da ilustração naturalista “pulp” ou associada à “Golden Age” da FC dos anos 30 aos anos 50 (e ainda a matriz do que se faz na ilustração de FC de há quarenta anos a esta parte), e porque, muito simplesmente, não sou um “ilustrador” ou pintor, impunha-se o recurso essencialmente à selecção, montagem e “colagem” de elementos de heteróclita proveniência (catálogos de ferramentas e produtos industriais e manuais de astronomia do século XIX, desenhos de Ernst Haeckel de diversa fauna e flora marinha, parafernália da Era Espacial como fatos dos primeiros cosmonautas americanos e soviéticos, etc.), aos quais não faltaram aportações nacionais como detalhes das estruturas fabris da CUF dos anos 50, o rosto de um jovem D. Carlos dentro de um capacete da tripulação da Soyuz dos anos 70 ou a fachada da Faculdade de Letras de Lisboa do arquitecto Pardal Monteiro. (…)» Entretanto, Pedro já adicionou o «Mensageiros…» ao seu portfolio.  
A propósito, informo novamente que «Mensageiros das Estrelas» vai ser apresentado no Porto no próximo dia 3 de Março, às 17 horas, no Teatro Rivoli, integrado na programação do Fantasporto 2013. (Também no Simetria.

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Outros: Sobre o Regicídio…

… De que hoje se assinala mais um (triste) aniversário, recomendo a leitura de textos de David Garcia («105 anos depois do Regicídio, não esquecemos!»), João Afonso Machado («Para além da efeméride»), João Amorim («No dia 1 de Fevereiro a escumalha não tem pesar»), João Pinto Bastos («Recordar o Regicídio»), Miguel Castelo-Branco («O erro dos regicidas») e Nuno Castelo-Branco («O Regicídio não foi esquecido, jamais o será!»). (Também no Esquinas (137).)  

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Oráculo: «Mensageiros…» no Fantasporto

O livro «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico» vai ser apresentado no Porto no próximo dia 3 de Março, às 17 horas e no Teatro Rivoli, durante o Fantasporto 2013/33º Festival Internacional de Cinema do Porto (ver também no Facebook), como se pode ver no programa divulgado esta semana. Agradeço muito a oportunidade de se fazer o lançamento da obra na «Invicta» à equipa da organização do evento, em especial a Beatriz Pacheco Pereira. Na edição deste ano merece igualmente destaque a homenagem que vai ser feita a um dos autores que participa(ra)m na antologia: António de Macedo, que vai ter vários dos seus filmes exibidos no Rivoli.  
Também a partir desta semana o «Mensageiros das Estrelas» está disponível para venda nas principais livrarias portuguesas, como as Bertrand e as FNAC, mas não só. Apresentada inicialmente a 30 de Novembro no encerramento da segunda edição do colóquio que lhe deu nome, realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e nesta colocada à venda durante os quatros dias em que decorreu a iniciativa do Centro de Estudos Anglísticos, a antologia de contos inéditos de FC & F que eu concebi, co-organizei e em que participei não entrou de imediato no circuito comercial normal devido ao habitual excesso de oferta que se regista no período de Natal e de Ano Novo.   
Entretanto, e depois das primeiras, continua(ra)m a surgir notícias, reacções, referências, comentários, à antologia e também ao colóquio que esteve na sua origem: um balanço daquele feito por João Campos no Viagem a Andrómeda; um anúncio por mais um dos seus autores, João Afonso Machado, no Corta-Fitas; uma «crítica» por Alexandra Rolo no Livros Por Todo Lado (que apenas demonstra a imaturidade e a inexperiência da signatária); inclusão em «retrospectivas de 2012» feitas por Marcelina Leandro no Muito Para Ler, e novamente por João Campos no Viagem a Andrómeda. (Também no Simetria. Referência no Nova Águia, no Ouroboros Lair (um, dois) e no Trëma.)

sábado, janeiro 19, 2013

Opções: Contra o aborto gratuito

Já assinei a petição «Acabar com o aborto gratuito». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
Lê-se no texto que explica a iniciativa: «Neste momento de crise nacional, com aumento brutal de impostos, cortes de subsídios, cortes de ordenados e aumento das taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde, o Governo tenta diminuir a despesa pública e aumentar a receita. Assim, torna-se incoerente e ilógico haver aborto gratuito e pagamento de até um mês de subsídio de maternidade (?!) a 100% para quem quer abortar quando e quantas vezes quiser, tudo isto às custas do Estado. Independentemente da posição que os signatários têm em relação ao aborto ser ou não livre, peticiona-se ao Governo e à Assembleia da República que a interrupção voluntária da gravidez (aborto) não seja financiada/comparticipada/subsidiada pelo Estado Português.» 
Esta situação é ainda mais inadmissível e insustentável num país que, além de estar a sofrer uma catástrofe económica e financeira, está a sofrer – há mais tempo – uma catástrofe social e demográfica. Tantas notícias, tantas reportagens que referem, alarmadas, o envelhecimento da população portuguesa, o aumento de óbitos e a diminuição de nascimentos, a mais baixa taxa de natalidade da União Europeia… mas que, «curiosamente», se «esquecem» de mencionar os incentivos públicos – isto é, oficiais! – à interrupção voluntária da gravidez como uma das causas mais que prováveis, e preponderantes, para esta situação. E que podem classificar a gravidez na adolescência como sendo um «drama» (não o é necessariamente), mas que não utilizam esta palavra, ou outra mais forte, para classificar a autêntica «política de auto-extinção nacional» - uma «solução final à portuguesa»? – que está a ser aplicada. 

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Outros: Contra o AO90 (Parte 6)

«Ainda as facultatividades do Acordo Ortográfico de 1990 - Algumas notas críticas», José Paulo Vaz; «Uma bassula ao Acordo Ortográfico» e «A “estandardização” da língua portuguesa», Wa Zani; «O Acordo Ortográfico e a tradução para português», Paula Blank; «Futilidade estatista», Eduardo Freitas; «Ainda e sempre o malfadado Acordo Ortográfico da LP de 1990» e «O Acordo Ortográfico da nossa desunião», António Viriato; «Contra fatos, os argumentos», Francisco Miguel Valada; «Petições contra o acordo ortográfico», José Pacheco Pereira; «Bechara, um mentiroso compulsivo!», João Pedro Graça; «Os dislates de Evanildo Bechara», «Mas então não íamos todos escrever da mesma maneira?», «O Acordo Ortográfico já não causa impacto», «Viegas, boçalidades e patetices», «Rui Tavares é mais ou menos a favor», «E terá sido contactado?», «E agora, Manuel?» e «Acordo Ortográfico no Parlamento, a luz ao fundo do túnel?», António Fernando Nabais; «O Acordo, outra vez», «O cadáver adiado» e «Urgentemente», Vasco Graça Moura; «Carta aberta em defesa da língua-mãe portuguesa - o português de Portugal», Dulce Rodrigues; «A viúva e a virgem», Janer Cristaldo; «A minha pátria é a língua portuguesa», Samuel de Paiva Pires; «O acordo ortográfico e o peido-mestre», Mouzar Benedito; «Brasil rasga Acordo Ortográfico!», «Mete, e mete muito bem!» e «”Orgulhosamente sós!” E agora, Portugal?», Pedro Quartin Graça; «Uma paneleireza portuguesa», Joaquim Carlos; «E agora, burr’calhos?», Paulo Selão; «E é escrever assim desacordadamente», José Morgado; «O Aborto Horrográfico», Luís Monteiro; «Foi você que pediu um acordo ortográfico?», António Jacinto Pascoal; «É a ortografia, pá», Rui Bebiano; «A(c)ta ou desata?», António Bagão Félix; «Carta ao Primeiro-Ministro», António de Macedo; «Acordar melhor», Maria do Rosário Pedreira; «É desta que o AO vai à vida?», Telmo Bértolo; «Alegria breve ou a língua de Pandora», Nuno Pacheco; «Brasil adia Acordo Ortográfico: e agora?..», António Marques; «Sem tom nem som» e «A ideia de “língua”», João Gonçalves; «Dilma, rasgue o acordo ortográfico», João Pedro Coutinho; «Aborto acordográfico», João Pinto Bastos; «Avacalharam a língua portuguesa», Sérgio Vaz; «Uma dor na língua», Leonardo Ralha; «”Minhas mágoas eram negras, negras ficaram as águas”…», Cristina Ribeiro; «O remendo», José Horta Manzano; «Nem gregos nem troianos, assim-assim», Helena Buescu; «Carta ao Ministro da Educação», Rui Miguel Duarte. (Também no Esquinas (136) e no MILhafre (68).)