Iniciei esta semana a revisão final do livro que reúne (a
grande maioria d)as comunicações e intervenções (incluindo a minha)
apresentadas e feitas no âmbito da celebração dos 300 anos do nascimento de
Luís António Verney, em 2013, e que teve como principal iniciativa o congresso
«Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», realizado a 16,
17 e 18 de Setembro do ano passado em Lisboa, no auditório da Biblioteca
Nacional. Esta será também a editora da obra, para a qual ainda não há, porém, datas
de publicação e de lançamento. A seu tempo mais novidades – quando existirem
– serão dadas, aqui no Octanas, e também no Nova Águia e no MILhafre.
sábado, setembro 20, 2014
quarta-feira, setembro 10, 2014
domingo, agosto 31, 2014
Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2014
A literatura: «O Neoprofetismo e a Nova Gnose - Da Cosmovisão Rosacruz aos Mitos Ocultos de Portugal» e «O tempo tudo cura menos velhice e loucura», António de Macedo; «A Identidade Cultural Europeia» e «As botas do sargento», Vasco Graça Moura; «Ar», Geoff Ryman; «O Homem no Castelo Alto», Philip K. Dick; «A Ministra», Miguel Real; «O Longo Halloween», Jeph Loeb e Tim Sale; «Através dos portais da chave de prata». H. P. Lovecraft e E. Hoffman Price.
A música: «The Man I Love» e «Things Are Swingin'», Peggy Lee; «Sons And Fascination», «Sparkle In The Rain» e «Street Fighting Years», Simple Minds; «Bloody Kisses» e «October Rust», Type O Negative; «Elixer», Bria Valente; «MPLSound», Prince; «Rita», Rita Guerra; «Os Anormais - Necropsia de um Cosmos Olisiponense», Charles Sangnoir e David Soares; «Cowboys From Hell», Pantera; «Informal Jazz», Elmo Hope Sextet; «Cattin' With Coltrane And Quinichette», John Coltrane e Paul Quinichette; «All Mornin' Long» e «Dig It!», Red Garland Quintet.
O cinema: «J. Edgar», Clint Eastwood; «Um Homem Solteiro», Tom Ford; «Extremamente Alto e Incrivelmente Perto», Stephen Daldry; «O Hobbit - A Desolação de Smaug», Peter Jackson; «Promessas de Leste», David Cronenberg; «A Pianista», Michael Haneke; «Desprezível Eu 2», Chris Renaud e Pierre Coffin; «Predadores», Nimrod Antal; «A Neblina», Frank Darabont; «Caminho das Estrelas - Para a Escuridão», J. J. Abrams; «Monty Python e o Cálice Sagrado», Terry Gilliam e Terry Jones; «Vénus Negra», Abdellatif Kechiche; «A Pele que Habito», Pedro Almodóvar; «Conduz», Nicholas Winding Refn; «América», João Nuno Pinto; «Nebulado com Possibilidade de Almôndegas 2», Cody Cameron e Kris Pearn; «Príncipe da Pérsia - As Areias do Tempo», Mike Newell; «Forte», Boaz Yakin; «Chamada Marginal», J. C. Chandor.
E ainda...: (documentário na RTP2) «A cantiga era uma arma», Joaquim Vieira; (entrevista na RTP2) «Livre Pensamento - Maria Filomena Mónica», Mário Carneiro; FNAC/Vasco da Gama - exposição de fotografias de Nuno Tavares «Meus»; FNAC/Chiado - exposição de fotografias de Stefano Pacini «A revolução está na rua»; Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa - exposição de desenhos colectiva «Anatomia artística: A memória do corpo»; (artfanzine) Eyesight Nº 3 - Abstracting the Essence/Kristine Norlander; Associação Portuguesa de Editores e Livreiros - Feira do Livro de Lisboa 2014; Biblioteca Nacional - exposição «Judaica nas colecções da Biblioteca Nacional de Portugal - Séculos XIII a XVIII» + exposição «Uma história de jardins - A sua arte na tratadística e na literatura» + mostra «Portugal e a Grande Guerra» + mostra «Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013)» + mostra «Álvaro Salema e Joaquim Namorado - cultura e intervenção»; Museu do Neo-Realismo - exposição antológica «Pintor Nuno San-Payo» + exposição «Além da Ucronia - Histórias não vividas do 25 de Abril» + exposição biobibliográfica «Augusto dos Santos Abranches» + mostra «Ciclo vinte mil livros - Carlos de Oliveira»; Museu Municipal de Vila Franca de Xira - exposição «José Augusto e Maria Gabriel - Uma vida ao encontro da pintura»; Câmara Municipal de Loulé/Galeria de Arte da Praça do Mar de Quarteira - exposição «El Menau - Sociedade Triste»; Museu do Caramulo; Museu de Grão Vasco; Museu Almeida Moreira; (revista) Wink Nº 7.
terça-feira, agosto 26, 2014
Observação: O poltrão de Portimão
Jorge
Candeias decidiu dedicar-me no passado Domingo, dia 24 de Agosto, uma «posta» a que
deu o título de «Um zero à esquerda», e que é, além de outra «descarga» – direccionada e degradante – das frustrações e das raivas que ele vai
acumulando, também um extraordinário – e revelador – exercício de projecção. Pode-se deduzir que ele se vê ao «espelho» quando… «evacua» tais impropérios. Ele «cospe»
para cima… e leva com o seu próprio «escarro».
Na mais recente invectiva de JC abundam as
invenções, as difamações, as distorções. Contactei-o algumas vezes nos últimos
anos por causa do Bibliowiki? Sim, claro: é uma excelente iniciativa, e, quanto
à minha página, achava – e acho – relevante que, concretamente, estivesse lá
uma referência ao meu artigo «A nostalgia da quimera», para além de outras aos
meus projectos de ficção. E será que JC também inclui no «anos a chatear-me por
um motivo ou por outro» as mensagens (não respondidas) que lhe enviei a
propósito do pai, primeiro de encorajamento aquando da doença e depois de
condolências pela morte? Para se demonizar o oponente é sempre «conveniente»
ocultar todos os pormenores que possam desmentir o «retrato».
Agora, um esclarecimento que, creio, já ter feito em outras ocasiões, mas que é sempre
importante reiterar: eu não faço comentários anónimos. Digo, escrevo, tudo com
o meu nome verdadeiro, dando a «cara», mesmo que seja «virtual», e também não
tenho qualquer problema em fazê-lo pessoalmente. Já por várias vezes desafiei a que, quem quisesse, me abordasse em cerimónias públicas em que participo, e que
anuncio antecipadamente aqui no Octanas. Eu posso «jogar», e «jogo», duro, mas
«jogo» limpo. E não corto comentários, as afirmações e as opiniões dos outros,
sob pretexto algum: já fui censurado muitas vezes (não, o poltrão de Portimão
não foi o primeiro a fazê-lo) e prometi cedo a mim mesmo que não o faria a outros. Eu
não «intimido» seja quem for para que se cale, muito pelo contrário: se eu
«intimido» é para que falem! Quem diz que não é assim… que o demonstre! E, já
agora, que demonstrem também, se conseguirem, que eu tenho por hábito «percorrer
compulsivamente a Internet, à caça de tudo e de todos os que possam ter o
desplante de não lhe (me) estender passadeira vermelha e o (me) colocar no pedestal que
acha(o) que merece(ço)».
Mais uma vez…
projecção. Quem é que, pouco ou nada mais tendo para fazer do que construir
afincadamente o seu mundo de fantasia (já eu, para além do trabalho e do lazer, também tenho família, esposa a apoiar,
filhas a cuidar), passa o tempo a compilar compulsivamente dezenas, centenas,
milhares de entradas em Facebook, Twitter e Scoop, para além de blog? Quem é
que procede sistematicamente ao «apagamento», ou à tentativa de «apagamento», das
palavras e quiçá das pessoas que lhe desagradam? A que acresce, para cúmulo da
desonradez, a descrição deturpada – e mesmo mentirosa – do que lá estava? Típico
de adepto de ditadura, de quem se sentiria à vontade como «comissário cultural»
na Rússia estalinista, na Cuba castrista ou na China maoísta. Ou como «examinador prévio» português de lápis azul em punho que, não se apercebendo das suas próprias contradições
e limitações, tem o descaramento de querer dar lições de bom Português (de
construção frásica e de estilo) enquanto escreve, deliberada e histericamente,
com «erros ortográficos».
Esta mais
recente «enunciação prematura» de JC mais não é do que uma tentativa
desesperada, mas falhada, de: desculpabilização pelo que ele fez na «recensão» ao meu conto «A marcha sobre Lisboa» - ele tem consciência (mesmo que seja má
consciência) de que procedeu mal ao revelar o final daquele, que, não, não «é
óbvio desde a primeira página»; e ainda de ocultação da sua ignorância quanto à
História, ao afirmar que a Áustria e a Hungria eram países monárquicos aquando da
Segunda Guerra Mundial e ao não mencionar os reinos que, naquele período, se
opuseram à Alemanha. O meu conto na - e contributo para - «A República Nunca Existiu!» não está isento de críticas, e eu convido todos a lê-lo e a fazê-las …
mas não esperem que eu me cale se considerar aquelas injustas e/ou enviesadas
por animosidade ideológica.
Finalmente, e
quanto às insinuações feitas por JC quanto aos objectivos, ao funcionamento e
às actividades da Simetria, a resposta será dada no espaço e no momento
adequados. Porém, não posso deixar de registar desde já, e sem surpresa, que,
entre as suas «qualidades», Jorge Candeias tem a da ingratidão: a Associação a
que pertenço publicou, divulgou, electronicamente, na mudança de milénio, no formato designado por Webfiction, pelo
menos quatro contos dele… e um do pai. Há pessoas cuja memória (entre outras
características…) é efectivamente, e infelizmente, demasiado curta.
terça-feira, agosto 19, 2014
Outros: «Candeias» que vão atrás e não «alumiam»
(DUAS adendas no final deste texto.)
Mais de seis anos depois de ter sido publicado (foi em Fevereiro de 2008, aquando do centenário do Regicídio), «A República Nunca Existiu!», antologia colectiva de contos no sub-género FC & F de «história alternativa» que tem como premissa que a Monarquia nunca foi derrubada em Portugal, começou finalmente a ser lida e «criticada» por Jorge Candeias no seu blog A Lâmpada Mágica. E pela ordem dos contos: iniciou com o de João Aguiar e continuou com os de Luísa Marques da Silva, Bruno Martins Soares, Luís Bettencourt Moniz…
Mais de seis anos depois de ter sido publicado (foi em Fevereiro de 2008, aquando do centenário do Regicídio), «A República Nunca Existiu!», antologia colectiva de contos no sub-género FC & F de «história alternativa» que tem como premissa que a Monarquia nunca foi derrubada em Portugal, começou finalmente a ser lida e «criticada» por Jorge Candeias no seu blog A Lâmpada Mágica. E pela ordem dos contos: iniciou com o de João Aguiar e continuou com os de Luísa Marques da Silva, Bruno Martins Soares, Luís Bettencourt Moniz…
… E ontem chegou a vez do meu, «A marcha sobre Lisboa», sobre o qual JC escreveu (com «erros ortográficos», aqui devidamente corrigidos): «(…) O conto (…) poderia
ser interessante se não fossem duas coisas, que se interligam uma à outra: o
tom de propaganda e o estilo. Aquele vê-se em duas ou três dissertações sobre a
situação política e económica (isto e aquilo), infodumps que poderiam ser bem mais curtos se não servissem
principalmente para exaltar as qualidades do regime monárquico, e sobretudo no
tom exclamativo, exaltado e exaltante com que tudo o que rodeia el-rei é
tratado, chegando ao ponto de bastar um olhar a D. Luís para silenciar um dos
acompanhantes de Salazar. Já este é bastante fraquinho, hiperadje(c)tivado, em
especial no início (o rei é "sábio e ponderado", Duarte Pacheco, logo
a seguir, é "inventivo e incansável" e por aí fora, isto e aquilo,
isto e aquilo, isto e aquilo), e mostrando do princípio ao fim uma preocupação
dir-se-ia patológica por deixar cair nomes. São nomes em catadupa e apenas nomes
de gente conhecida, como se outro regime político não tivesse o mais pequeno impacto
na composição das elites (…), como se alterações da história global das
nações não tivessem qualquer influência nas histórias individuais das pessoas
que as compõem, quando a verdade é que basta mudar a hora do a(c)to de conce(p)ção
para já ser outro o espermatozóide a fecundar o óvulo e portanto já ser outro o
indivíduo que dele resulta. Em suma: muito fraquinho.»
Que algaraviada pedante... Não é de rir
às gargalhadas?
A manter-se o
«método», seguir-se-ão os contos de Gerson Lodi-Ribeiro, Miguel Real, Maria de
Menezes, Luís Miguel Sequeira, Alexandre Vieira, João Seixas, José Manuel
Lopes, Sérgio Sousa-Rodrigues (Sérgio Franclim) e Cristina Flora. Só depois de
todos terem sido abordados em particular, e de a obra ter sido avaliada em
geral, é que eu darei a minha «resposta global», é que eu farei o meu
«comentário aos comentários», e tal ocorrerá no sítio da Simetria.
Porém, a
propósito desta «avaliação» feita ao meu conto, não pude deixar de colocar lá
um comentário – mais concretamente, a correcção de erros de âmbito histórico –
e não posso deixar de fazer aqui a seguinte observação: alguma esperança que
ainda houvesse de que esta patética criatura tivesse um «lampejo» (afinal, trata-se de
uma «lâmpada», mas dela não sai qualquer «génio») de honestidade intelectual, e
de que ao menos por uma vez não se deixasse «encadear» pelo facciosismo e pelo
preconceito político-ideológico, «apagou-se» definitivamente. No entanto, é
verdade que não se perdeu grande coisa… «Muito fraquinho» (onde será que eu já li isto?) só mesmo o cérebro de determinadas pessoas… Uma das quais,
provavelmente, ainda não «recuperou» dos efeitos «adversos» (para ele) de uma discussão sobre ortografia e da demonstração de que um autor estrangeiro que
ele traduz (e idolatra) é um idiota. (Também no Simetria.)
(Adenda –
Jorge Candeias apagou o meu primeiro comentário no seu blog cerca de duas horas
e meia depois de eu o ter inserido. Um comportamento que não é, de todo,
surpreendente, e que é «justificado» por, alegadamente, eu ter sido, ser,
«insultuoso» e «despeitado», e ainda por ser necessário manter a «higiene»
(!!!) daquele espaço. A seguir transcrevo integralmente o que lá escrevi, e os
leitores que tirem as suas conclusões:
«Darei – em outro
local e em outro momento – uma resposta abrangente a todas as "apreciações
críticas" feitas aqui aos contos incluídos em "A República Nunca Existiu!",
mais concretamente nos seus aspectos literários e políticos – e as
desfavoráveis (como esta, relativa ao meu conto) serão, obviamente, devida e
facilmente refutadas.
Porém, impõe-se
que se façam imediatamente correcções ao nível histórico, para que os que aqui
vêm não sejam induzidos em erro.
Nem a Áustria
nem a Hungria eram efectivamente monarquias aquando do início da Segunda Guerra
Mundial. A primeira não o era nem formal nem factualmente desde o final da
Primeira Guerra Mundial, e a segunda, apesar de ter sido designada formalmente –
e simbolicamente - "Reino da Hungria" entre 1920 e 1946, nunca teve qualquer
Rei a dirigi-la nesse período: o pretendente, Carlos IV (I da Áustria), da Casa
de Habsburgo, nunca chegou a ascender ao trono, e morreu em 1922 na Madeira
(seria beatificado pelo Papa João Paulo II em 2004); nesses anos, a nação
magiar foi governada pelo almirante Miklós Horthy, que pertencera às forças armadas
do império austro-húngaro e que ostentava o título de "regente".
Se é correcto
referir as (verdadeiras) monarquias que combateram do lado das forças do Eixo,
também é correcto referir as que combateram do lado dos Aliados. A começar,
claro, pelo Reino Unido, e depois pela Austrália, Canadá e Nova Zelândia. Estas
são as que nunca foram ocupadas nem por alemães nem por japoneses, apesar das
baixas humanas e dos danos materiais que sofreram. No entanto, deve-se referir
igualmente as monarquias correspondentes a países que foram invadidos, ocupados,
pelos nazis e fascistas, e que, melhor ou pior, combateram, resistiram às
forças totalitárias: Bélgica, Dinamarca, Holanda, Luxemburgo, Noruega. E até se
poderia referir ainda a Suécia, que, apesar de neutral, provavelmente favoreceu
mais os Aliados do que o Eixo.
Analisar os
trabalhos dos outros, opinar sobre eles, exige, além de conhecimento (cultura
geral), também honestidade intelectual e rigor. Uns têm estes atributos, outros
não.»
Imagine-se o que poderia (não) acontecer se eu fosse tão «sensível», tão «susceptível» - isto é, tão medroso - quanto... determinado indivíduo. Por exemplo, não teriam ficado registados para a posteridade «diálogos» como o que se estabeleceu aqui.)
(Segunda adenda - Inseri um segundo comentário e, obviamente, também foi apagado. Porém, desta vez captei antes uma imagem daquele. E o texto era o seguinte:
Entretanto, o dito cujo «twittou» isto. Será dirigido a mim? Se sim, é caso para dizer que, na verdade, alguém se viu ao espelho...)
Imagine-se o que poderia (não) acontecer se eu fosse tão «sensível», tão «susceptível» - isto é, tão medroso - quanto... determinado indivíduo. Por exemplo, não teriam ficado registados para a posteridade «diálogos» como o que se estabeleceu aqui.)
(Segunda adenda - Inseri um segundo comentário e, obviamente, também foi apagado. Porém, desta vez captei antes uma imagem daquele. E o texto era o seguinte:
«Com que então
correcções de erros são "comentários insultuosos"? Insulto maior é revelar o
final de uma história escrita por outra pessoa, o que é uma falta de educação,
de boas maneiras, absolutamente inadmissível… Mas vindo de quem vem, de um
autêntico e permanente despeitado, esse comportamento nem surpreende…
Quanto à "higiene", isso não tem de constituir um problema. Como eu não tenho esses "pruridos" com a "limpeza", nem costumo censurar os outros, proponho que a "conversa" continue no meu blog… a não ser que alguém não "compareça" por falta
de argumentos… e de coragem.»Entretanto, o dito cujo «twittou» isto. Será dirigido a mim? Se sim, é caso para dizer que, na verdade, alguém se viu ao espelho...)
quinta-feira, agosto 07, 2014
Orientação: No Simetria pode também ler-se…
… Entre os
vários textos que tenho escrito e publicado naquele blog, e para além daqueles
que são referidos e/ou inseridos igualmente aqui no Octanas, os seguintes em
especial, saídos neste ano de 2014: um sobre o continuado interesse na vida e na obra de J. R. R. Tolkien, também em Portugal e ao nível universitário; um
sobre o reconhecimento internacional – em especial, duas nomeações para prémios – que Pedro Piedade Marques tem
recebido pelo seu trabalho gráfico; e um sobre a atenção dada em Espanha à ficção científica e ao fantástico feitos por portugueses, exemplificado
pela edição de um artigo de António de Macedo numa revista (digital) do país
vizinho, e pela menção de três livros meus (e outras obras de outros autores
nacionais) numa tese de doutoramento de uma professora e investigadora da
Universidade de Santiago de Compostela!
Porém, convém
recordar que não sou só eu que contribuo regularmente para a produção própria
do Simetria: também Luís Miguel Sequeira o faz (e melhor), e entre os temas das
suas recentes entradas no «órgão oficial» da mais antiga associação dedicada em
Portugal à FC & F incluem-se: análises dos filmes «Gravidade» e
«Transcendência»; (mais) inovações tecnológicas pela Google e pela Facebook; um
possível projecto futuro de propulsão por parte da NASA; o anúncio de uma
convenção de FC & F no Second Life… Enfim, é certo que as nossas
actualizações estão longe de serem diárias… mas tentamos que sejam sempre
relevantes.
segunda-feira, julho 28, 2014
Observação: De volta aos velhos «descobrimentos»
(Uma adenda no final deste texto.)
Foi em Dili, capital de Timor, cidade e país que assistiram a demasiadas atrocidades até há não muito tempo, terras de um povo subjugado por um regime, e um país estrangeiro, invasor, ditatorial, criminoso, autoritário, quase genocida, que na semana passada a Comunidade de Países de Língua Portuguesa se assumiu, em mais uma das suas cimeiras, como uma organização internacional que contemporiza com, e que até promove, a repressão totalitarizante, não democrática…
Foi em Dili, capital de Timor, cidade e país que assistiram a demasiadas atrocidades até há não muito tempo, terras de um povo subjugado por um regime, e um país estrangeiro, invasor, ditatorial, criminoso, autoritário, quase genocida, que na semana passada a Comunidade de Países de Língua Portuguesa se assumiu, em mais uma das suas cimeiras, como uma organização internacional que contemporiza com, e que até promove, a repressão totalitarizante, não democrática…
… E não só
por causa da admissão, como membro de pleno direito, da Guiné Equatorial, país liderado
por Teodoro Obiang desde 1979, onde não vigora uma democracia minimamente digna
desse nome, onde ainda existem presos políticos, aplica-se a pena de morte e
não há liberdade de expressão – e escusam de vir com o caso de (e a comparação com) Angola, país que de facto tem a língua portuguesa como idioma oficial (na
GE é o espanhol) e onde as conquistas democráticas, apesar de ainda não
completas, são inegáveis: também por causa da aceitação e da imposição dessa
aberração inútil, prejudicial, neofascista e neocolonialista que é o «Acordo
Ortográfico de 1990». Creio que os timorenses mereciam mais e melhor…
… E não era isto
que eu e Luís Ferreira Lopes tínhamos em mente quando criámos o conceito de «Os Novos Descobrimentos», e o desenvolvemos e o divulgámos, primeiro num artigo
publicado pela primeira vez em 1987 e a seguir no nosso livro com o mesmo
título, editado em 2006 precisamente e propositadamente aquando da celebração
do décimo aniversário da CPLP. Adriano Moreira, uma das individualidades que
então aceitou o nosso convite para estar presente no lançamento da nossa obra e
para a apresentar, agora resumiu bem os motivos que deveriam ter levado à rejeição deste
«alargamento» da Comunidade, ao nível político e ao nível cultural…
… «Alargamento»
esse que foi decidido, note-se, não numa votação mas sim a partir de um
«consenso generalizado»! É inegável a humilhação a que Portugal, por culpa dos seus
levianos (ir)responsáveis políticos, foi sujeito, e a perda de autoridade moral
(não que ela fosse muita antes…) que o nosso país sofre no contexto
internacional. Em última instância, está-se perante (mais) um resultado de um
pragmatismo perverso, da teoria e da práctica da «ética republicana»… de uma
república das bananas e dos bananas. (Também no MILhafre (95).)
(Adenda - Escrevi comentários sobre este tema no Delito de Opinião e no MILhafre.)
(Adenda - Escrevi comentários sobre este tema no Delito de Opinião e no MILhafre.)
sexta-feira, julho 18, 2014
Orientação: Sobre o Farrobo, no Público
Na edição de hoje (Nº 8862) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «Farrobo, arroubo, roubo». Um excerto: «Quantos neste país sabem da existência deste
autêntico “irmão mais velho” do Teatro D. Maria II, há décadas em ruínas, quase
completamente destruído e deixado ao abandono? Que após o 25 de Abril foi alvo
de um roubo colectivo dos seus materiais e objectos, a ponto de hoje só
restarem as paredes? Por aquilo que foi, por aquilo que significou, pelas
pessoas que o mandaram construir e que nele passaram muitos dias e muitas
noites, pela época histórica em que foi erigido, plena de acontecimentos
marcantes e de mudanças significativas em Portugal, este edifício merece ser
recuperado e devolvido, tanto quanto possível, à sua antiga glória… mas boas
intenções expressas em disposições testamentárias têm, ironicamente, atrasado,
e até impedido, esse desiderato.» (Também no MILhafre (94).)
domingo, julho 13, 2014
Orientação: No Obamatório pode também ler-se…
… Entre os
vários textos que tenho escrito e publicado naquele meu outro blog, e em
especial neste ano de 2014: que o New York Times não é – nunca foi – um «jornal de referência», e não tem – nunca teve - credibilidade; que Barack Obama parece
estar a aprender para ser ditador, que provavelmente foi «substituído» por um sósia, e que para prevenir e evitar mais problemas (que ele causa) já deveria
ter apresentado a sua demissão; que Bill de Blasio, mayor (presidente da
câmara) de Nova Iorque é, essencialmente, um comunista; que Hillary Clinton é um «ídolo com pés (e não só) de barro»; que o enfraquecimento deliberado da política externa e das forças armadas norte-americanas está a possibilitar o
ressurgimento de terroristas e a pôr Israel em perigo; que nem a NASA escapa à degradação provocada pelo «obamismo»; que o 4 de Julho parece ser cada vez mais o «Dia da Dependência»… Enfim, muitos factos, e muitas opiniões baseadas em
factos, que nunca ou raramente se encontram na «isenta» comunicação social
portuguesa, e numa grande parte da blogosfera. De que o Obamatório é – continua
a ser – uma excepção.
quarta-feira, julho 02, 2014
Ocorrência: Apresentei queixa na PSP…
… Ontem, mais
especificamente na esquadra da Polícia de Segurança Pública da minha área de
residência, contra desconhecido(s), que causaram danos na minha casa – mais
concretamente, desenharam tags, graffitis, numa das paredes daquela. Apesar de
ser pouco provável que os culpados venham a ser descobertos, acusados, julgados e
condenados, e de não ser de facto um crime (muito) grave,
denunciei o caso às autoridades por uma questão de princípio, de coerência; não
faria sentido não o fazer depois de, no meu artigo «Terra queimada», me ter
insurgido também contra a permissividade que existe em Portugal, principalmente em
Lisboa mas não só, relativamente ao que são, objectivamente, actos, mais do que
de desrespeito, de destruição de propriedade alheia, tanto pública como
privada.
sexta-feira, junho 27, 2014
Observação: Desta vez, aconteceu no Brasil
(UMA adenda no final deste texto.)
Já o disse, e escrevi, mais do que uma vez: com a selecção nacional sénior de futebol de Portugal a questão nunca é saber se vai ganhar algum campeonato, europeu ou mundial, mas sim em que momento da prova vai perder. Neste ano de 2014, no Campeonato do Mundo disputado no Brasil, igualou o pior resultado de sempre em torneios finais (há que não esquecer as vezes em que nem foi apurada na qualificação): ficou-se pela fase de grupos… o que não acontecia desde 2002, no campeonato que decorreu na Coreia do Sul e no Japão.
Já o disse, e escrevi, mais do que uma vez: com a selecção nacional sénior de futebol de Portugal a questão nunca é saber se vai ganhar algum campeonato, europeu ou mundial, mas sim em que momento da prova vai perder. Neste ano de 2014, no Campeonato do Mundo disputado no Brasil, igualou o pior resultado de sempre em torneios finais (há que não esquecer as vezes em que nem foi apurada na qualificação): ficou-se pela fase de grupos… o que não acontecia desde 2002, no campeonato que decorreu na Coreia do Sul e no Japão.
O que também
se repete rotineiramente na representação nacional em futebol e nos seus maus
resultados são as (mesmas) causas: (fraca) atitude, (maus) comportamentos, (previsíveis)
erros. É a ausência de ambição, que leva «profissionais» bem remunerados a
portarem-se como uma «excursão de solteiros e casados» em pré-férias; a
displicência que frequentemente se confunde com arrogância; o amadorismo e a
incompetência que levam a que não tenham cuidado na defesa (sofrer golos), na
disciplina (ver cartões) e na saúde (sofrer lesões). Enfim, a crónica dependência
de «milagres» (que nunca acontecem) quando se devia apostar num trabalho de
(quase) todos os dias.
Porém, e
volto igualmente a afirmá-lo e a registá-lo, a culpa destes sucessivos desastres é também dos que «estão de fora». Isto é, (quase) todos nós (eu não
me incluo, porque há muito tempo que deixei de acreditar e, logo, de me
comportar como um idiota), desde os milhões de meros espectadores, «torcedores»
(e sofredores), às centenas, milhares, de profissionais da comunicação,
jornalistas, comentadores, alegados «especialistas». Que, antes, e apesar dos
(maus) antecedentes, estão sempre disponíveis para dar o benefício da dúvida;
e, depois, estão sempre disponíveis para arranjar uma desculpabilização… e até
uma consolação. Na verdade, e pelo contrário, o que eles (jogadores
principalmente, mas também técnicos e dirigentes) deveriam receber era indiferença,
quando não desprezo – e logo antes da partida, o que implicaria, igualmente,
evitar recepções no Palácio de Belém…
No entanto, os
piores, neste aspecto, estão sempre no mesmo local: a RTP. A agitação, o
frenesim, a propaganda em tons verdes e vermelhos, sempre abunda(ra)m na
estação pública de televisão durante estas ocasiões. Não têm – nunca tiveram –
naquela casa qualquer vergonha na cara ou qualquer noção do ridículo: os vídeos
de incentivo à «seleção» assumem um tom «épico» que mais não é do que risível,
e naquele que foi emitido antes do jogo com o Gana chegaram ao cúmulo de evocar
os que combateram em Aljubarrota e os que dobraram o Cabo das Tormentas!
Infelizmente, nenhum dos que estiveram a «representar-nos» futebolisticamente
no outro lado do Atlântico tem qualquer semelhança com – e qualquer herança de
– esses heróis de outrora, que venciam invariavelmente apesar de partirem em
desvantagem. E Cristiano Ronaldo, cujo estatuto de «melhor jogador do Mundo»
não se tem reflectido na suposta «equipa de todos nós», que em poucos dias
passou da fanfarronice («este vai ser o ano de Portugal») ao fatalismo («nunca
imaginei ser campeão»), não é uma reencarnação de Vasco da Gama, de Pedro
Álvares Cabral ou de Afonso de Albuquerque. Será, talvez, quando muito, de Fernão de
Magalhães...
Todavia, a
humilhação não é sempre necessariamente idêntica: pode variar, e varia,
consoante as circunstâncias, entre as quais, e em especial, o país em que a
derrota definitiva, a eliminação prematura, o fracasso final, acontecem. Já em
2010 havia sido muito mau (também) simbolicamente por ter decorrido na África
do Sul, terra em que, precisamente, o Cabo «das Tormentas» se transformou em «da Boa Esperança». Mas em 2014 foi ainda pior porque, desta vez, aconteceu no Brasil.
Pelo que o escárnio, o paternalismo e a soberba – ou, numa palavra, as anedotas
- vão continuar, e, provavelmente, até aumentar. Como disse Paulo Bento, tivemos
(e temos e teremos) «o que merecemos». Em ano de centenário da Federação Portuguesa de Futebol não poderia mesmo haver uma «prenda» melhor? (Também no MILhafre (93).)
(Adenda - Deixei comentários e entrei em «diálogos» sobre futebol no Malomil e no Sporting/ÉsANossaFé.)
(Adenda - Deixei comentários e entrei em «diálogos» sobre futebol no Malomil e no Sporting/ÉsANossaFé.)
sexta-feira, junho 20, 2014
Ocorrência: Foram quase 900
Ontem, e tal
como tenho feito diariamente desde que ele foi publicado no passado dia 7 de
Junho no Público, acedi ao sítio na Internet daquele jornal e à página que
contém o meu artigo «Proíbam o Inglês!» No dia anterior verificara que o número
de recomendações/partilhas no Facebook estava em 880; porém, agora esta(va)m em
apenas… uma! Contactei de imediato a Direcção do Público, que considerou o
ocorrido «anormal» e «inacreditável» e para o qual não encontrava (até ao
momento) explicação; também desapareceram as ligações a blogs que referiram o
artigo, mais concretamente o Octanas e o ILCAO. No entanto, que fique claro e
sem lugar a dúvidas: foram quase 900 as pessoas que «gostaram» e que divulgaram
o meu artigo, no que terá sido, nesse aspecto e no que se refere a textos de
opinião, um recorde no Público.
Entretanto, e
curiosamente, nenhum dos comentários desapareceu, e ainda bem. Farei uma breve
análise aos de duas pessoas. Primeiro, Alberto Queiroz, de que nunca tinha
ouvido falar, e que se tornou mais um, lá está, a (des)tratar-me por «Otávio» e
que insinuou que eu não sei que foi em Portugal que a mania das alterações/«reformas»
ortográficas abrangentes, burocráticas e não democráticas começou… Sim, eu sei,
e foi em 1911 e não na «década de 20»; ou seja, e por eu ser português, não
teria por isso direito a manifestar-me contra mais um «(des)acordo ortográfico»;
o Sr. Queirós é que devia ter juízo, e já tem mais do que idade para isso. Segundo,
Manuel Freitas, e este, sim, eu já «conhecia», e ele «conhece-me», porque é um editor
com quem já falei ao telefone e troquei mensagens de correio electrónico;
propus-lhe a edição de três livros meus, um dos quais era, é, o meu segundo «romance», recentemente concluído, uma distopia de ficção científica, que o Sr.
Freitas considerou ter «um tema desconfortável e que no nosso caso não se
enquadra no nosso posicionamento de grande público» - de notar que ele chegou a
afirmar, num dos seus perfis profissionais (escrito em Inglês), ter «alta
tolerância ao risco» e estar «sempre à procura de novos desafios»; pelo que lhe
enviei, a 10 de Junho, uma mensagem…
… À qual ele
ainda não respondeu (nem deverá responder), e que a seguir transcrevo: «Caro Manuel de Freitas, vi hoje que deixou um comentário
no meu mais recente artigo no Público... Pergunto-lhe: porque é que (também)
não me contactou directamente, e me colocou as questões e os comentários que
quisesse? Perdeu este meu “e-ndereço” de correio electrónico? Você, tal como
muitos outros que têm a consciência pesada neste assunto, mais não faz do que
utilizar distracções, subterfúgios, enfim, merdices. Começando com o tema da “percentagem”,
do número de palavras afectadas ou não pelo AO... sim, são menos de metade do
total, mas são centenas, quiçá milhares, em que se incluem muitas que têm
utilização frequente, constante, como todas as que derivam de “acção” e de “direcção”,
por exemplo; mais do que a quantidade, está em causa o princípio (ou falta
dele...) E bastariam “maravilhas” como “espetáculo” e “receção” para, sim,
(des)classificar de cobarde e de imbecil quem concebeu esta aberração... e quem
se submete a ela. E, claro, não podia faltar o “argumento” de que “porque a
ortografia que utiliza já é ela própria o resultado de uma alteração, de uma ‘simplificação’,
então não tem de estar a protestar”... Ou seja, não podemos dizer “já chega!”
Até quando é que isto durará? Até a língua estar reduzida, ortograficamente, ao
“SMS básico”, e, vocalmente, a grunhidos? E, para que conste, eu não teria
qualquer problema em escrever como se escrevia antes de 1911... Porque, então,
estávamos ainda mais próximos das ortografias francesa e inglesa. E este meu
artigo serve principalmente para demonstrar e denunciar a hipocrisia daqueles
que, aceitando deformar o Português com o “acordês”, não têm vergonha de, em
simultâneo, abusar individualmente, socialmente, profissionalmente, do Inglês,
onde não faltam “c's” e “p´s” repetidos e “mudos” e “ph's”. Como alguém que,
sendo português e trabalhando em Portugal, decidiu designar uma das suas editoras como “Booksmile”. “Lamentável”, eu? Olhe-se ao espelho.»
Na verdade, o
que não faltam são (mais) exemplos de pessoas e de entidades em Portugal que,
ao mesmo tempo que se submetem ao «aborto pornortográfico», contradizem este ao
incorporar expressões em Inglês na sua actividade. Um dos mais recentes é dado
pela EDP, que, apesar de já não ser «eléCtrica», decidiu designar um dos seus
serviços como «energy2move». Não há dúvida de que, em alguns, a estupidez está
sempre «ligada à corrente». (Também no MILhafre (92).)
terça-feira, junho 10, 2014
Observação: Vem aí mais um Filipe…
Hoje
assinala-se aquele que, na verdade, e como já o demonstrei, não é, não devia ser, o (autêntico) «Dia de Portugal», mas sim o «Dia da Perda da Independência
e da União com Espanha»… ou seja, sempre foi, e continua a ser, a data
preferida dos iberistas nacionais, que existem, são bastantes…
… E se
concentram principalmente no Partido Socialista. E agora, que vem aí mais um
Filipe como Rei, deverão os jacobinos lusitanos ceder à sua verdadeira devoção,
sem dúvida reforçada após terem assistido hoje a outro desfalecimento do «mais alto
magistrado da Nação»? Depois de José Sócrates («Espanha, Espanha, Espanha!») e
de António Mendonça («Lisboa pode ser a praia de Madrid»), António Costa foi a
terceira figura de destaque do PS a demonstrar, nos últimos anos, uma reprovável
– mas não surpreendente – subserviência ao país vizinho. A pretexto da
realização da final da Liga dos Campeões de 2014 no Estádio da Luz, Costa foi à
capital espanhola a 8 de Maio último oferecer à sua congénere madrilena, Ana
Botella, as «chaves da cidade de Lisboa» (algo que só acontecera antes na nossa
capital e com chefes de Estado estrangeiros), garantiu-lhe que «Lisboa seria
Madrid por um dia», e trouxe de lá uma bandeira de Espanha para hastear na
Praça do Comércio. E tudo isto enquanto, evidentemente, se exprimia não em
Português mas sim em «portunhol»…
Esta foi
apenas mais uma prova da falta de carácter e de competência de alguém que,
entretanto, decidiu tornar-se líder do PS e o próximo primeiro-ministro, no
que conta com a ajuda e o apoio de camaradas tão «distintos» como, entre
outros, Isabel Moreira e Miguel Vale de Almeida. Sinceramente, como é que
alguém como António Costa é considerado uma alternativa credível? Se enquanto
secretário de Estado e ministro a qualidade e relevância da sua actuação foi
(muito) discutível, já enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa os
desastres têm-se sucedido, de que são de destacar: degradação constante, e até
acelerada, do parque arquitectónico e imobiliário; intervenções supérfluas, e
mesmo prejudiciais, no trânsito; e ainda (algo que me atingiu pessoalmente) cumplicidade
em procedimentos incorrectos por parte de inferiores hierárquicos…
Enfim, a
partir do momento em que alguém enaltece, como «princípio orientador» do seu
percurso futuro, o «impulso reformista» do «licenciado ao Domingo», não podem
restar dúvidas sobre o que acontecerá (outra vez) se tal pessoa alcançar o
poder. Nesse sentido, a «morte anunciada» do PS não poderá vir cedo demais. E,
a seguir à «guerra», os «rosas» sempre podem fugir para Castela… (Também no MILhafre (91).)
sábado, junho 07, 2014
Orientação: Sobre uma «proibição», no Público
Na edição de hoje (Nº 8821) do jornal Público, e na página 55, está o meu artigo «Proíbam o Inglês!».
Um excerto: «Que confusão
não acontecerá – aliás, já acontece – nas cabeças dos mais jovens ao verem numa
língua “c’s”, “p’s” e até “ph’s” em excesso que na outra são – ou se tenta que
sejam – eliminados. Depois disso, e como que em consonância com mais uma
“lógica” inovação pedagógica estatal, RTP e TVI iniciaram a transmissão de
“versões infantis” de dois dos seus programas, respectivamente “Chef’s Academy
– Kids” e “A Tua Cara não me é Estranha – Kids” - porque, “evidentemente”, não
ficaria bem colocar “crianças” ou “miúdos” no título. Porém, e quanto a “ironia
ortográfica luso-britânica”, nada nem ninguém supera o governo regional dos
Açores: o seu sítio na Internet, que, evidentemente, exibe um bem comportado,
conformado, “acordismo”, tem como “e-ndereço”… azores.gov.pt!» (Também no MILhafre (90). Referência no Blogtailors, e ainda, acrescida de reprodução, no ILCAO, no Largo dos Correios, MyWebVodafone, PorAmaisB e República Digital.)
quarta-feira, junho 04, 2014
Observação: Antes Angola do que a China
Assinalam-se
hoje 25 anos desde a repressão – agressão, prisão, execução, exílio – de manifestantes
chineses pela democracia na Praça Tiananmen em Pequim.
Convém lembrar,
e salientar, que, um quarto de século depois desse intenso mas breve momento de esperança, e apesar de toda a «modernização» e «desenvolvimento» que
entretanto, e alegadamente, ocorreram, o «Império do Meio» continua a ser
dominado pelo (único) Partido Comunista Chinês e a ter como regime uma ditadura
violenta, que não possibilita a liberdade de expressão e a de associação, entre
outras. Ainda recentemente, durante a visita de Aníbal Cavaco Silva àquele
país, os «comissários culturais» pós-maoístas não hesitaram em censurar – proibir, remover – obras de artistas portugueses expostas para a ocasião. Infelizmente,
as relações luso-chinesas têm tido outros aspectos (mais) desagradáveis, em
especial na economia: foram más – péssimas! – as decisões por parte do actual
governo de vender a REN, a EDP e a Fidelidade, grandes, fundamentais, empresas portuguesas e líderes
nos seus sectores, a congéneres chinesas – que, obviamente, têm (todas)
ligações ao PCC. Terá sido por isso que a cor da seguradora passou a ser o
vermelho? A da «elé(c)trica» já era essa, pelo que não foram necessárias – à primeira
vista – mais alterações…
É neste
contexto que se tornam mais insólitas as contestações, as queixas e as
suspeições relativas aos investimentos de empresários angolanos no nosso país,
que envolveram inclusivamente a publicação de um livro intitulado «Os Donos
Angolanos de Portugal». A minha posição quanto a este assunto é inequívoca:
antes Angola do que a China. E não só por aquele ser um país irmão, do espaço
da língua portuguesa (que Luanda respeita, ao contrário de Lisboa, porque não
implementa o AO90); também porque nele há uma democracia, sim, ainda imperfeita,
incipiente, mas uma democracia; nele há pluralismo partidário e, embora com restrições,
liberdade de expressão. Sim, podem dizer que a situação em Angola não é óptima;
mas na China é muito, muito pior. (Também no MILhafre (89).)
terça-feira, maio 27, 2014
Observação: Para ocupar o cargo de Director…
… Do Expresso
manifesto desde já, publicamente, o meu interesse e a minha disponibilidade, na
eventualidade de Ricardo Costa, actual responsável máximo daquele semanário, efectivamente se demitir, seja por (se e quando) o seu irmão António Costa ascender por sua
vez ao cargo de secretário-geral do Partido Socialista, ou por qualquer outro
motivo. Sou jornalista há mais de 25 anos, tenho carteira profissional, já
ganhei (quatro) prémios no âmbito da actividade, e, sem falsa modéstia,
considero que tenho (algumas) qualidades…
… E para
melhorar o Expresso, tanto no seu conteúdo informativo como no seu desempenho
comercial, nem seria preciso muito: para começar, bastaria apenas revestir,
novamente, o órgão de comunicação social erigido há mais de 40 anos por Francisco
Pinto Balsemão com o Português Normal e Correcto, e nele abolir definitivamente a
utilização do ilegal, ilegítimo, inútil e ridículo «aborto pornortográfico». Não
duvido de que me aguardaria uma carreira de sucesso! ;-)
quarta-feira, maio 21, 2014
Organização: Segundo «romance» concluído…
… E registado.
Ontem entreguei na Inspecção-Geral das Actividades Culturais, no Palácio Foz,
em Lisboa, (mais) um requerimento para o registo de uma obra literária de minha
autoria: o meu segundo «romance», ao qual já havia feito referência em 2011… um
ano depois de ter começado a escrevê-lo, a 25 de Abril de 2010. Afinal,
terminei-o um ano depois do que havia previsto então: há cerca de um mês, a 25
de Abril de 2014. E ontem também apresentei este meu trabalho como concorrente
a um prémio literário. Porém, não acredito que consiga triunfar; não porque não
esteja confiante na qualidade e na originalidade deste meu livro, mas porque a
forma e o conteúdo dele inserem-se num género e num estilo – ficção científica,
e, ainda por cima, uma distopia – que não costumam merecer atenção e apreço por
parte da maioria dos críticos e dos membros de júris em Portugal. No entanto, o
mais importante é que, finalmente, o «sucessor» de «Espíritos das Luzes» está
feito. E por isso estou (moderadamente) satisfeito.
quinta-feira, maio 15, 2014
Observação: Falta menos de metade
Quem diria?!
O Sport Lisboa e Benfica perdeu, ontem, mais uma final de uma competição
europeia de futebol masculino sénior – a da Liga Europa, e pelo segundo ano
consecutivo! Sim, foi a oitava final europeia que terminou com a derrota do
clube português, mas convém sempre recordar, e adicionar, as duas edições da
Taça Intercontinental perdidas nos anos 60 (para o Peñarol e para o Santos),
pelo que, na verdade, são dez as finais internacionais que o suposto «Glorioso»
já deixou escapar ao longo da sua deprimente história…
… E nem se deve falar em surpresa. Dizer que o Benfica perdeu uma final é como que,
citando Grace Slick (cantora dos Jefferson Airplane) a propósito do seu então
permanente estado de embriaguez, «dizer que houve uma terça-feira na semana
passada». Será mesmo por causa da «maldição de Béla Guttmann»? Ou será por
causa de incompetência e de impotência que se repetem ciclicamente, afectando diferentes
gerações de jogadores, treinadores e dirigentes? Seja o que for, esta situação já
não é triste nem trágica, mas sim, apenas, previsível e patética. O clube
tornou-se uma anedota desportiva mundial, e não são os – ocasionais – triunfos em
competições nacionais que chegam para compensar os fracassos no estrangeiro. Pelo
que, apesar do campeonato (e da taça da liga) já conquistadas este ano (e, no
momento em que escrevo, falta saber o que acontecerá na final da taça de
Portugal), mantenho na íntegra o que afirmei no meu artigo «Da mística só a memória», publicado no Público em 2013.
Para aqueles
que preferem acreditar na «maldição», pode-se lembrar, como referência e
comparação, uma outra célebre, alegada, «praga» a afectar um outro clube: a
«maldição do Bambino», que terá (talvez) impedido os Boston Red Sox de vencerem
a final do campeonato de baseball dos EUA durante 86 anos! No caso do Benfica,
é certo que se trata de um século, mas, no entanto, já passaram 52 anos desde
que o lendário treinador húngaro fez a sua sinistra «previsão». Por isso,
coragem, benfiquistas! Já falta menos de metade do tempo! Entretanto, fica uma
sugestão: se o clube voltar a apurar-se para uma final antes de 2062, desistam
de comparecer àquela e solicitem a entrega imediata do troféu ao outro clube; é
uma decisão que só trará vantagens, em especial impedir que milhares, ou milhões,
de masoquistas incorrigíveis sofram novamente de(s)ilusões. (Também no MILhafre (88).)
domingo, maio 11, 2014
Observação: Verem-se gregos
Quem já leu o
meu conto «Segundo Ultimatum Futurista», incluído na colectânea de ficção
científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas», concebida e co-organizada
por mim, publicada pela Fronteira do Caos em 2012 e apresentada pela primeira
vez na segunda edição do colóquio internacional com o mesmo nome realizado na
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa…
… Com certeza
se recordará de que, apesar de aquele conto, com base num dos mais famosos
textos do genial José de Almada Negreiros, ter como tema principal (a visão de)
um Portugal diferente num futuro próximo, difícil e até violento, nele não
deixou de se fazer uma (breve) referência ao destino imaginado de um outro país
europeu que tem sido, desde há anos, como que «companheiro de infortúnio» do
nosso: a Grécia. Na verdade, nele escrevi: «E como se já não bastassem os
anarquistas e os militares gregos a matarem-se uns aos outros, os turcos,
oportunistas, resolveram intervir e invadir o dito berço da cultura ocidental,
numa tentativa, talvez, de recuperarem o que em tempos passados possuíram.
Porém, tiveram de enfrentar os exércitos privados das várias empresas
multinacionais que ocuparam e se apossaram de partes do território grego que
haviam sido hipotecadas como garantias para a concessão de empréstimos… que não
foram reembolsados. É por isso que agora, e por exemplo, os dois estádios
olímpicos de Atenas, tanto o velho como o novo, são da Sony, a cidade de
Maratona é da Mercedes, o Monte Olimpo é da Nike e a Acrópole é da Coca-Cola.»
Quem leu
poderá ter pensado que se tratou de algo rebuscado, até delirante, exagerado,
excessivo como «convém» nestes casos… neste tipo de exercícios literários. No
entanto, e como que comprovando novamente que a realidade, frequentemente, imita
a ficção e pode ser inclusivamente mais estranha do que aquela, li no Público,
no passado dia 17 de Março, uma notícia assinada por Cláudia Carvalho intitulada
«Protestos na Grécia por Governo querer vender edifícios históricos». Onde se
pode ler: «(…) O Governo grego continua a procurar soluções
para menorizar os efeitos da crise. Depois de na semana passada ter dado luz
verde à privatização de alguns monumentos e sítios arqueológicos importantes, o
Ministério da Cultura grego pondera agora vender edifícios históricos. A
decisão está a gerar controvérsia e protestos no país. (…) O primeiro-ministro Antonis Samaras pediu que se
fizesse um levantamento dos edifícios pertencentes ao Estado para assim avaliar
aqueles que podem ser vendidos. Listados para venda estarão já as propriedades
construídas em 1922 para os refugiados da guerra greco-turca e ainda alguns
andares do Ministério da Cultura instalados em edifícios neoclássicos no bairro
turístico de Plaka. Pela sua história e importância arquitectónica, estes
edifícios são vistos como jóias da arquitectura da Grécia. (…)»
Sabendo isto,
é com alguma expectativa que fico à espera para ver se é concretizada outra
«previsão» que fiz em «Segundo Ultimatum Futurista» relativa àquele país: «Nem
a equipa que venceu o Campeonato da Europa de Futebol de 2004 foi poupada nas
medidas e tentativas desesperadas e drásticas para pagar as dívidas: todos os
jogadores que a integraram, verdadeiros heróis helénicos, foram vendidos ao
Schweinsteiger’s, um famoso e exclusivo bordel em Berlim dedicado à
prostituição homossexual masculina sado-masoquista.» (Também no Simetria.)
quinta-feira, maio 01, 2014
Ocorrência: Há 20 anos, ele desapareceu
No meu artigo
«Mestre, Profeta Santo», escrito e publicado em 2004 (no décimo aniversário da
sua morte), e incluído no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um
País», eu recordei Agostinho da Silva, e de como os dez anos, entre 1984 e
1994, em que com ele convivi, coincidiram, curiosa e exactamente, com o mesmo
período de tempo entre o falecimento do meu pai (em 1984) e o nascimento da
minha primeira filha (em 1994). Porém, e pensando bem, existiu uma outra pessoa, cujas iniciais são também AS, cujo último apelido foi igualmente (da) Silva, que conheci e que admirei – à distância, e não pessoalmente –
precisamente na mesma década: Ayrton Senna. Hoje assinala-se o vigésimo aniversário da sua morte, aquando do Grande Prémio de San Marino, no Circuito
de Imola.
A primeira
vez que ouvi verdadeiramente falar dele, em que o seu nome e o seu talento se
destacaram decisivamente, e não só para mim, foi durante o Grande Prémio do Mónaco de 1984, a 3 de Junho – cinco meses antes de o meu pai morrer. Disputada
à chuva, a prova mostrou pela primeira vez a grande aptidão de Ayrton Senna
para correr naquelas difíceis condições – confirmada no ano seguinte pela sua
primeira victória em Fórmula 1, no Grande Prémio de Portugal, no Estoril,
novamente em piso molhado. A sua estreia no lugar mais alto do pódio podia,
eventualmente, ter acontecido junto às ruas e à baía de Monte Carlo se a
corrida não tivesse sido interrompida a meio após vários pedidos nesse sentido
feitos por um Alain Prost que via o seu avanço sobre o brasileiro diminuir
constantemente a cada volta. No entanto, tal acabou por não ser muito grave
porque dos 41 triunfos de Ayrton seis foram no principado, cinco dos quais
consecutivos.
A minha
paixão pelo Benfica foi quase integralmente substituída pela minha devoção a
Ayrton Senna. No «dia santo» o futebol era relegado para segundo plano sempre
que havia automobilismo. Gritava e pulava de alegria quando ele ganhava,
contorcia-me e rosnava de raiva quando ele não ganhava. Senti o seu prematuro,
chocante, desaparecimento – em corpo, não em espírito – como uma tragédia quase
pessoal. E procurei transmitir tudo aquilo que ele significa(va) para mim no
meu poema «O elmo»: «(…) Era aos domingos
que ele demonstrava a sua fé, e ao chegar à meta fazia de cada circuito uma
igreja. Subia ao altar, erguia o troféu, bebia do cálice e orava, celebrando
uma missa depois da motorizada peleja. (…) E no dia em que, com 34 anos,
entraste para a eternidade, ninguém quis chorar porque ninguém acreditou de
imediato. Visto do alto, o teu corpo, o teu carro, crucificado, imolado, como
um mártir prestes a ser canonizado e santificado. Há quem diga que aquele que
experimentar o teu elmo poderá ver imagens indescritíveis nunca antes sonhadas.
Meu ídolo, meu irmão no idioma, que saudades eu tenho de exultar com a tua arte
e a tua velocidade inultrapassadas.» (Também no MILhafre (87).)
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