Na edição de Dezembro de 2012 (Nº 243) da revista Tempo Livre, e na página 13, está uma
referência à publicação, este ano, do meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País». Inclui, especificamente, um excerto da minha breve introdução
(«Exp(l)i(c)ação»), em que revelo que «esta
obra ilustra igualmente a minha evolução pessoal, mental, ideológica, de
(inconsciente) republicano comunista, na esquerda, a (consciente) monárquico
conservador, na direita. Em comum em todo o percurso, inalterável, sempre a
vontade de apontar, denunciar, problemas e de propor, expor, soluções.» É de
assinalar o facto de este número do órgão de informação do INATEL ter uma
tiragem superior a 140 mil exemplares.
terça-feira, dezembro 18, 2012
domingo, dezembro 09, 2012
Observação: Nem dadas!
Não é a
primeira nem, certamente, será a última empresa portuguesa a lançar no mercado
nacional, e, logo, principalmente, preferencialmente, para os consumidores
portugueses, um produto ou um serviço com uma designação em inglês. Porém, a
Porto Editora não é, neste âmbito, uma empresa qualquer, e não só por se ter
especializado em dicionários e em manuais escolares: é «apenas» a entidade
privada que mais tem preconizado, no nosso país, a aplicação do malfadado
«acordo ortográfico de 1990»…
… Pelo que não
pode deixar de ser considerado incongruente, e até ridículo, que uma das suas
mais recentes iniciativas editoriais tenha sido denominada como… «Book Gift»!
Sim, tanto «amor» pela língua portuguesa, tanto «empenho» na sua defesa, tanto
«esforço» na sua valorização… e «uniformização»! Há, pois, motivos para esperar
que, se voltarem a dar um tom anglófono a um próximo lançamento, não hesitarão
em utilizar palavras com «ph» e consoantes repetidas, que só em português são
«arcaicas»… Por exemplo, «Reading Support»; ou «Philosophy Essentials»; ou,
emulando a SIC e a TVI, cujos espaços para as crianças são, respectivamente,
SIC K e K Kanal (mais um «k» e estariam a envergar capuzes brancos), uma
colecção para os mais novos intitulada «Kids Colection»… porque, enfim, «coletion»
não ficaria bem, não é verdade?
Como com
qualquer livro ostentando o símbolo da Porto Editora, estas «Book Gift(s)» são,
se possível, de evitar, de boicotar, não comprar. Nem dadas! (Também no Esquinas (134). Referência no sítio da ILCAO.)
sexta-feira, novembro 30, 2012
Obrigado: Aos que compareceram…
… Hoje, na
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, para a apresentação de
«Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico»,
acontecimento que encerrou a segunda edição do colóquio internacional Mensageiros das Estrelas, organizado, mais uma vez, pelo Centro de Estudos
Anglísticos da UL. Um agradecimento especial a este centro, em particular a
Adelaide Meira Serras e a Duarte Patarra, que comigo co-organizaram a
antologia, e também a José Duarte. A minha gratidão, logicamente, estende-se
igualmente, e principalmente, aos autores – alguns dos quais não puderam estar
presentes hoje – que tornaram este livro possível.
Tão
importante como um autor – aliás, ele também é um autor na antologia! – é o
Pedro Piedade Marques (ele esteve presente), que desenhou e paginou aquela com
o brilhantismo, com a competência e a imaginação que lhe são reconhecidas. E,
«último mas não o menor», muito pelo contrário, um «muito, muito, muito
obrigado» à editora Fronteira do Caos e aos (meus) editores Carla Cardoso e
Victor Raquel, pela coragem que demonstraram em apostar (em arriscar?) na
concretização desta obra. Que todos – incluindo os leitores – dela se orgulhem
é o meu maior desejo. (Também no Simetria.)
sábado, novembro 24, 2012
Outras: Notícias dos «Mensageiros»
A
antologia de contos de ficção científica e fantástico «Mensageiros das
Estrelas», editada pela Fronteira do Caos e que eu concebi, co-organizei e em
que participei, alcançou já uma considerável «cobertura noticiosa» no espaço
virtual. De destacar os destaques dados por: Abracadabra; Bela Lugosi Is Dead; Blogtailors; Correio do Fantástico
(um, dois); Europa SF; Folha em Branco; Intergalactic Robot; Muito Para Ler; Nebulosa; Nova Águia; Ouroboros Lair; Pantapuff; Viagem a Andrómeda. E nos sítios dos próprios autores, como Blade Runner (João Seixas), O Relógio Avariado de Deus (Ozias Filho) e Tecnofantasia (Luís Filipe Silva), e nas
páginas de Facebook de Cristina Flora, José António Barreiros, Miguel Garcia e Sérgio Franclim.
Como já anunciei aqui, a antologia «Mensageiros das Estrelas» vai ser apresentada no
último dia (30 de Novembro, às 17 horas) do colóquio com o mesmo nome, n(o
anfiteatro 3 d)a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas estará à
venda (neste momento, é essa a previsão) desde o primeiro dia (27). Então
poder-se-á começar a ler e a apreciar os contos que a integram, e que,
divididos em quatro capítulos («Alameda da Universalidade», «A Todo o Vapor»,
«A República Nunca Existiu! – Parte 2» e «Época de Apocalipses»), são: «Aventura
Borgiana – Uma sinopse avançada», Nuno Fonseca; «Rapsódia sem dó (maior)»,
Luísa Marques da Silva; «Tour de main», Maria de Menezes; «As crianças nunca
mentem», Cristina Flora; «Das Visitações», António Pedro Saraiva; «In
Falsetto», Luís Filipe Silva; «A maratonista», Ozias Filho; «A realidade, não
fora a loucura», João Afonso Machado; «Premonição», Ana Cristina Luz; «O preço
de uma coroa», Sacha Andrade Ramos; «O príncipe mais que perfeito», Isabel
Cristina Pires; «A conjura», António de Macedo; «No topo da cadeia alimentar»,
Pedro Manuel Calvete; «Anamorfose», José António Barreiros; «Assombração»,
Sérgio Franclim; «Segundo Ultimatum Futurista», Octávio dos Santos; «Subpólis»,
Miguel Garcia; «O confessor», João Seixas.
Entretanto,
verificou-se igualmente uma alteração na composição da «mesa-redonda» de dia 28
às 17.30, em que eu participo: David Soares não poderá estar presente e será
substituído por Luís M. R. Sequeira; uma troca que vai permitir a exibição das
imagens mais recentes do projecto Ópera do Tejo/Lisboa Pré-1755, que iniciei e
em que ambos participamos (ele muito mais do que eu), e que sem dúvida se
integrará perfeitamente no tema da sessão, que é «Lisboa pela Máquina do Tempo». (Também no Simetria.)
segunda-feira, novembro 19, 2012
Orientação: Sobre o fantástico, na LCV
O meu
artigo «A nostalgia da quimera», que tem como subtítulo, tema e tese «O
fantástico é o género dominante na literatura portuguesa», foi (re)publicado na
edição Nº 4 (páginas 107-110) da revista Letras Com Vida – correspondente ao
segundo semestre de 2011, mas só agora disponível – depois de, originalmente,
ter sido publicado no sítio na Internet do jornal Público, a 18 de Novembro de
2011. A Letras Com Vida, propriedade do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é
dirigida por Miguel Real e por Béata
Cieszynska. Registos audiovisuais da apresentação em Lisboa, ocorrida no
Museu do Teatro no passado dia 30 de Outubro, podem ser acedidos aqui, aqui e
aqui. (Também no Esquinas (133).)
(Adenda - Só a 28 de Novembro vi, finalmente, um exemplar desta revista, e constatei, para minha surpresa e indignação, que o meu artigo havia sido editado segundo o «acordo ortográfico» - sem, obviamente, o meu conhecimento e a minha autorização. Pelo que, inevitavelmente e logicamente, não reconheço, e repudio, esta «versão». E fico à espera de um pedido de desculpas.)
(Adenda - Só a 28 de Novembro vi, finalmente, um exemplar desta revista, e constatei, para minha surpresa e indignação, que o meu artigo havia sido editado segundo o «acordo ortográfico» - sem, obviamente, o meu conhecimento e a minha autorização. Pelo que, inevitavelmente e logicamente, não reconheço, e repudio, esta «versão». E fico à espera de um pedido de desculpas.)
terça-feira, novembro 13, 2012
Oráculo: «Mensageiros…» chegam no dia 30
Vai ser
apresentada no próximo dia 30 de Novembro, às 17 horas, no anfiteatro 3 da
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a antologia de contos de ficção científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas». A apresentação está
integrada no programa do colóquio internacional com o mesmo título, cuja «Edição II» decorre entre 27 e 30 de Novembro. No mesmo programa está também
indicada a mesa-redonda em que, como já havia anunciado, vou participar, subordinada
ao tema «Lisboa pela Máquina do Tempo», e que conta ainda com as presenças de
David Soares, João Barreiros, Luís Filipe Silva e Patrícia Reis. É no dia 28 de
Novembro, às 17.30, também no anfiteatro 3.
Foi
precisamente, e principalmente, como forma de retribuir a cortesia de ter sido
convidado para as duas edições do colóquio (em 2010 e agora em 2012) que propus
ao Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa a realização desta
antologia, cuja edição está a cargo da Fronteira do Caos, que publicou
igualmente o meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País». Na
organização colaboraram comigo Adelaide Meira Serras e Duarte Patarra, do
CEAUL. Quanto a autores, e além de mim, convidei a contribuir com contos Ana
Cristina Luz, António de Macedo, António Pedro Saraiva, Cristina Flora, Isabel
Cristina Pires, João Afonso Machado, João Seixas, José António Barreiros, Luísa
Marques da Silva, Luís Filipe Silva, Maria de Menezes, Miguel Garcia, Nuno
Fonseca, Ozias Filho, Pedro Manuel Calvete, Sacha Andrade Ramos e Sérgio Franclim.
A capa e a paginação são de Pedro Piedade Marques, que já fora o responsável
pela imagem de «Um Novo Portugal» e de «Poemas» de Alfred Tennyson.
«Mensageiros
das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico» inclui,
como um dos capítulos (o terceiro), «A República Nunca Existiu! – Parte 2»,
projecto que desde 2008, aquando da publicação da «Parte 1», vinha tentando
concretizar enquanto livro autónomo. Isto é, todos os (novos) contos escritos,
a meu pedido, no âmbito da minha «história alternativa de Portugal» estão contidos
nesta nova obra. (Também no Simetria.)
quinta-feira, novembro 01, 2012
Outros: Ópera do Tejo no Expresso
Mais uma vez,
o Dia de Todos os Santos não tem de ser uma data totalmente triste… O projecto
Ópera do Tejo/Lisboa Pré-Terramoto de 1755, que eu iniciei em 2004, está em
destaque no Expresso (online) desde ontem.
No artigo «Visite Lisboa antes do Terramoto de 1755», assinado por Virgílio Azevedo, refere-se que «a realidade a recriar pelo
projecto da Universidade de Évora pretende abranger o desenho urbano de Lisboa,
o tecido arquitectónico do conjunto desaparecido e os interiores de alguns
edifícios mais emblemáticos, tais como o Palácio Real, a Patriarcal, a Ópera do
Tejo, o Convento de Corpus Christi e o Hospital de Todos-os-Santos. (…) No futuro, haverá também componentes
áudio e de animação, com a introdução de sons do ambiente citadino
setecentista, e a reconstituição de espectáculos de ópera, touradas, procissões
e outros eventos de destaque no quotidiano da Lisboa da primeira metade do
século XVIII.» Outros pormenores, e um
ponto da situação mais completo sobre a actual fase do projecto, são dados – em português
correcto, não sujeito ao abjecto AO90 – pelo meu amigo e colega Luís M. R. de
Sequeira, tanto no (nosso) sítio da Ópera do Tejo como no Arundel, o seu blog
pessoal.
Entretanto, outro projecto, como que paralelo a este, e desenvolvido por outro grupo de amigos – os Músicos do Tejo – tem agora concretização: a sua gravação da ópera «La Spinalba», de Francisco António de Almeida, editada pela – estrangeira, importante e prestigiada – Naxos. E o meu livro «Espíritos das Luzes», de que resultou a ideia da iniciativa de que o Expresso dá conta, e que foi escrito ao som da música de, entre outros, Francisco António de Almeida, é já… uma memória da ficção científica. (Também no MILhafre (67).)
Entretanto, outro projecto, como que paralelo a este, e desenvolvido por outro grupo de amigos – os Músicos do Tejo – tem agora concretização: a sua gravação da ópera «La Spinalba», de Francisco António de Almeida, editada pela – estrangeira, importante e prestigiada – Naxos. E o meu livro «Espíritos das Luzes», de que resultou a ideia da iniciativa de que o Expresso dá conta, e que foi escrito ao som da música de, entre outros, Francisco António de Almeida, é já… uma memória da ficção científica. (Também no MILhafre (67).)
quarta-feira, outubro 24, 2012
Opções: Pelo referendo à moeda única
Já assinei a
petição «Por um referendo à nossa adesão ao euro», promovida pelo Movimento
Internacional Lusófono. Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
domingo, outubro 21, 2012
Outros: Contra o AO90 (Parte 5)
«AO90 – Um documento “analfabético”» e «Carta ao M. E. C.», Fernando Paulo Baptista; «À imprensa nacional que se respeita», «Acordai!» e «Bandeira e língua», Maria
José Abranches; «Em bom brasileiro», Nelson Reprezas; «Quem para um Acordo Ortográfico que pára a racionalidade da língua?», João Viegas; «Carta aberta aos governos de Angola e de Moçambique», António de Macedo; «Tu, cego, não verás»,
David Baptista da Silva; «E é escrever assim desacordadamente», José Morgado; «Cuidado com a língua», Rodrigo Guedes de Carvalho; «Um vocabulário alarve», João
Gonçalves; «Dos efeitos do Acordo Ortográfico (ou o que sucede quando se abre a caixa de Pandora)» e «De que “português” estarão a falar? E who cares?», José
António Abreu; «A língua do Acordo – Que língua é essa?», «i que má surpresa» e
«”Terá o povo de esquerda capacidade de dar a volta por cima?”», António
Marques; «Acordo Ortográfico – Sabor a pacto», «(…) – E quando um brasileiro procurar a recepção de um hotel…», «(…) – Foi você que pediu uma gramática única?», «(…) – O homem da minha vida», «(…) – A fissão da ficção», «(…) – Consoante antes de consoante não se escreve», «(…) – Esquisso do acordista» e «(…) – A displicência dos professores», António Fernando Nabais; «Apelo a um amigo defensor do acordo ortográfico» e «Há coisas que soam melhor em português do Brasil», Rui Rocha; «Sobre finanças, electricidade e sonoplastia», «A razão das raízes», «Repreensão ao Ciberdúvidas» e «A recepção da recessão», Rui
Miguel Duarte; «Fernando Pessoa e a ortografia» e «Malefícios no ensino do Português», Maria do Carmo Vieira; «Ortografia no Verão», Hermínia Castro; «Quero escrever com uma ortografia racional», Eduardo Cintra Torres; «Um pouco mais de rigor, sff», «Monti, de fato», «As aftas de Ronaldo», «O Ártico em vias de extinção? Óptimo!», «A redacção, o ato e os actos», «A deriva», «O Acordo Ortográfico através do monóculo», «A RTP deixou de adoptar o Acordo Ortográfico? Óptimo!», «Para quê?»
e «Contra o Orçamento de Estado para 2013», Francisco Miguel Valada;
«”Eurofonia” e Lusofonia, a mesma farsa», Nuno Pacheco; «Lusofonias», Duarte
Branquinho; «Evolução artificial imposta por decreto», Pedro Afonso; «Do milagre da estrada de Damasco, ou da semelhança entre Saulo de Tarso e D’Silvas Filho», Pedro da Silva Coelho; «Sou espanhola e sou contra o AO90», Rocío
Ramos; «Acordo Ortográfico», José Pacheco Pereira; «A verdadeira expressão da decadência portuguesa», Samuel de Paiva Pires; «O “progressismo linguístico”, a “evolução” e patranhas que tais», João Pedro Graça; «A poesia e o acordo ortográfico» e «O invito acordo ortográfico», José Pimentel Teixeira; «O acordês – sórdida teimosia», Paulo Rodrigues da Costa. (Também no Esquinas (132) e no MILhafre (66).)
terça-feira, outubro 16, 2012
Organização: Outra vez no CC do MIL
A partir de
ontem, e após proposta aprovada em assembleia geral, sou outra vez membro do Conselho Consultivo do Movimento Internacional Lusófono – uma posição que já ocupei
entre 2009 e 2010. Agradeço este «regresso» em especial a Renato Epifânio,
presidente da Direcção, que novamente me convidou, e a Miguel Real, presidente
da AG.
terça-feira, outubro 09, 2012
Outros: Comentários «inconvenientes»
Eu digo e
escrevo aquilo que quero, quando e onde entendo justificar-se. Nos meus blogs,
como textos principais, ou em outros, como comentários. Eis alguns recentes,
que podem ser considerados (e já são tantos…) «inconvenientes». Paciência!
No Delito de Opinião, rebati os preconceitos (e as parvoíces) do costume sobre a Monarquia
em geral e o Duque de Bragança em particular. No Estado Sentido expliquei
porque a alegada, actual, «bandeira nacional» - símbolo de assassinos – não merece
(nunca mereceu) qualquer respeito. No Horas Extraordinárias, e em outro âmbito, esclareci (pelos vistos, tal ainda é preciso) que não são caricaturas ou filmes que matam pessoas mas sim fanáticos.
E aproveito
também esta ocasião para comentar… as recentes declarações de João Pedro Rodrigues,
que se queixou no Brasil, a 6 de Outubro último, da «ingratidão total» do
(actual) governo português – expressa no fim de apoios financeiros - para com
os cineastas (como ele) que, ao fazerem filmes e «viajar com eles, fazemos Portugal viajar
pelo mundo, estamos a representar o Estado português.» Assim, quero
expressar-lhe, finalmente, a minha «gratidão», nomeadamente, pela sua obra «O
Fantasma», produzida com recurso a fundos públicos, dinheiro dos contribuintes,
e que tão bem «representou» o Estado português com as suas imagens de lixo
(literalmente) e de homossexualidade, de desolação tanto física como espiritual. Fez aquela fita (também) à minha custa, e
que «orgulhoso» que eu fiquei. Foi «sem dúvida» um «marco», não só do cinema,
mas sim de toda a cultura nacional!
segunda-feira, outubro 01, 2012
Orientação: Simetria Sonora 2012
Hoje, Dia
Mundial da Música, é novamente a data apropriada para a apresentação da
nova versão – a sétima – da Simetria Sonora, o projecto de «inventariação musical» que eu desenvolvo no âmbito da Associação Simetria desde 2006. Mais 50 títulos foram acrescentados, pelo que o total ascende agora a 350 «discos de ficção científica e de fantástico». A ler... e a ouvir.
quinta-feira, setembro 27, 2012
Observação: nAO a PSL
Coloquei no
blog de Pedro Santana Lopes, no passado dia 25 de Setembro, um comentário que,
na verdade, era – é – mais uma mensagem, não sobre o que ele escreveu mas sim sobre como ele escreveu. O ex-presidente do PSD, ex-primeiro ministro,
ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ex-secretário de Estado da
Cultura, ex-presidente do Sporting e ex-deputado não o publicou (até agora),
nem é de esperar que o faça…
… Porque foi
isto o que lhe escrevi: «”Atuais”?! “Objetivos”?! Finalmente rendeu-se ao
«aborto pornortográfico», essa abjecção ilegítima, ilegal, ridícula e inútil,
que Aníbal Cavaco Silva, esse “portento” de “coragem”, “cultura” e “sensatez”
não só não desautorizou como, pelo contrário, apoiou? E que nesse processo se
serviu de si como “moço de recados”? O mesmo Cavaco que lhe deu, depois, tantas
demonstrações de desprezo e de ingratidão? Porém, noto que, no jornal Sol, o
senhor continua a escrever em Português Normal, Decente e Correcto. Afinal,
como é? Creio que se está no momento de se decidir... definitivamente. De optar
pela dignidade… ou prescindir dela.»
Desde 2004
foram várias as vezes em que, em conversas com outras pessoas, em mensagens que
enviei, e em artigos que escrevi, defendi o actual Provedor da Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa, alvo da mais infame e mais injusta (tentativa de)
destruição de carácter que já se viu neste país depois do 25 de Abril de 1974. Eu
não tenho memória curta: ao sucessor de José Manuel Durão Barroso à frente do
governo foram apontados quase todos os defeitos – e atirados quase todos os
insultos – possíveis e imaginários… e isto antes de todo o Portugal saber, sem
qualquer dúvida (a mim não me surpreendeu, pois sabia, e avisei, do que ele era
capaz), o que José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa foi e é, o que fez e o que
não fez.
Porém, há sempre
um ponto a partir do qual alguém pára de merecer o nosso (neste caso, o meu) empenho.
Esse nec plus ultra é, para mim, o AO90, que qualquer português digno desse
nome – e em especial um político – tem o dever de rejeitar e de combater incansável
e incondicionalmente. Pedro Santana Lopes juntou-se aos desistentes e aos
colaboracionistas. Estou desiludido? Sim. Estou surpreendido? Não.
(Adenda - Afinal, publicou hoje (sábado, 29 de Setembro) o meu comentário. No entanto, não espero que se arrependa e que volte a escrever correCtamente.)
(Adenda - Afinal, publicou hoje (sábado, 29 de Setembro) o meu comentário. No entanto, não espero que se arrependa e que volte a escrever correCtamente.)
terça-feira, setembro 18, 2012
Observação: Carroças sim, carros não!
«Sociedade Civil»,
na RTP2, mais do que um programa de televisão, é uma acção contínua, diária, de
propaganda às grandes «causas» do chamado «politicamente (e socialmente, e
culturalmente…) correcto»; tal só é novidade para os que não o costumam ver, ou,
vendo-o, são distraídos. E a emissão de ontem, subordinada ao tema – e à
pergunta - «cidades sem carros, para quando?», teve como convidados: Ana
Santos, da Associação para a Mobilidade Urbana em Bicicleta; Fernando Nunes da
Silva, da Câmara Municipal de Lisboa; Mafalda Sousa, da Quercus; e Mercês
Ferreira, da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Porém, um debate como este
não deveria ter também um representante do Automóvel Clube de Portugal?
Numa iniciativa
informativa que de facto se orientasse por critérios jornalísticos, que procurasse
realmente o equilíbrio, que tentasse abranger o máximo de opiniões possível,
sem dúvida que não poderia deixar de estar presente, por interposta pessoa, uma
instituição que, para mais, é a que tem o maior número de associados em
Portugal. Sim, normalmente seria assim. Mas o «Sociedade Civil» não é… normal. E
nem é a primeira vez que faz uma destas. Na verdade, já assinalou o centenário
da República… sem monárquicos; já abordou (por mais de uma vez) o AO90 sem opositores do dito cujo – nomeadamente da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, que, ela sim, representa
um movimento genuíno da (autêntica) sociedade civil. E, no que terá sido talvez
um dos poucos «descuidos» da equipa que produz o programa, a emissão do dia 22
de Setembro de 2009, que teve como pretexto o filme «A Era da Estupidez», contou,
como um dos convidados, com o saudoso Rui Moura, que não perdeu tempo a denunciar e
a desmascarar a teoria do «aquecimento global antropogénico» deixando, ao mesmo
tempo, quase sem palavras, Francisco Ferreira, Filipe Duarte Santos … e a
própria Fernanda Freitas, todos apologistas da atoarda das «alterações
climáticas». Digamos que ficou demonstrado que a «estupidez» não era de quem
estavam à espera. Um momento notável, inolvidável, para quem, como eu, a ele
assistiu.
A ausência de
um representante do ACP na emissão de ontem foi, no entanto, censurável –
embora previsível – por um outro motivo: é que Fernando Nunes da Silva –
professor de Urbanismo e Transportes no Instituto Superior Técnico! – é, na
CML, o vereador com o pelouro da «Mobilidade»… e 17 de Setembro, segunda-feira,
foi igualmente o dia em que se começaram a sentir, a sério, as consequências da
mais recente ideia irresponsável do actual, e incompetente, presidente da
edilidade da capital: as alterações ao trânsito na Praça do Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade, em especial o conceito de «segunda rotunda». Ironicamente,
na «Semana Europeia da Mobilidade»… aumenta-se a imobilidade, o «engarrafamento»
de tráfego, a poluição – quando o motivo invocado para esta mudança é,
precisamente, e por imposição da União Europeia, a melhoria da qualidade do ar
naquela zona da cidade. Não era, pois, «conveniente» confrontar o senhor
vereador com questões controversas e incómodas… e denunciar, em simultâneo, a
megalomania patética de António Costa, que, invejoso, quer deixar uma «marca»
maior (e «superior» à) do que a – essa sim, comprovadamente positiva,
relevante, útil – deixada por Pedro Santana Lopes com o «Túnel do Marquês».
Por este
andar, qualquer dia, e além das bicicletas, só as carroças serão permitidas à
superfície… Até lá, os cidadãos têm de suportar as consequências desta
«experiência» (mais uma) que custou «apenas» 750 mil euros – verba que, para
Nunes da Silva, «não é astronómica». É de perguntar se todo esse dinheiro não
seria melhor aproveitado, por exemplo, na limpeza e na recuperação dos edifícios de Lisboa, e não só aqueles que constituem património arquitectónico
e histórico. (Também no Esquinas (131) e no MILhafre (65).)
sexta-feira, setembro 14, 2012
Outros: Onde comprar «Um Novo Portugal»
O meu novo
livro, «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», editado pela Fronteira
do Caos, está à venda, tal como previamente informei, principalmente nas lojas
Bertrand e FNAC, mas não só. Pode também ser adquirido, por exemplo, na Apolo 70, Culturminho, Sítio do Livro, Tiraqui, Universidade Católica Portuguesa e
Wook. E ainda no El Corte Inglés (apesar de não dispor da correspondente página
electrónica). Outras referências: Gazeta de Viseu, Nova Águia, O Relógio Avariado de Deus e Real Família Portuguesa.
sábado, setembro 08, 2012
Observação: A Restauração já começou?
No meu artigo
«Um Presidente por um Rei», publicado no jornal Público a 8 de Junho último, e
que está incluído (páginas 260-262) no meu novo livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», afirmo – escrevo – que «a primeira iniciativa
indispensável num restaurado Reino de Portugal – e até, se possível, prévio a
este – seria a ilegalização e a dissolução total e, preferencialmente,
definitiva do Grande Oriente Lusitano, complementada pela divulgação dos nomes
de todos os seus membros, passados e presentes.» Porque, a 1 de Agosto, foi
publicada, como comentário num blog, uma (primeira, e incompleta) lista de membros do GOL, pode-se deduzir que a Restauração já começou?
Não tenho
motivos para especular, e para concluir, que a iniciativa do «António José»
tenha constituído como que uma resposta ao meu «repto». De qualquer forma, considero
que a mesma tem mais vantagens do que desvantagens, mais méritos do que
deméritos. E, previsivelmente, originou uma larga gama de reacções, das quais
aqui e agora apenas me vou referir à de João Gonçalves pelo respeito que lhe
tenho. O homem do (blog) Portugal dos Pequeninos também está naquela lista,
embora a sua (breve) passagem pelos «aventaleiros» não constitua uma novidade –
ele próprio já a revelara, em Janeiro deste ano, no PdP. Sobre a divulgação
deste «rol» - com quase 1500 nomes! – esclarece que «é-me indiferente a
divulgação desta espécie de index paranóico para consolo onanista de
uns quantos "assangezinhos" de trazer por casa.»
Faz muito bem
João Gonçalves em não dar (demasiada) importância ao «incidente». «Quem não
deve não teme», e eu nunca pensei, disse e/ou escrevi que todo e qualquer
maçon, membro do GOL ou de outra «confraria» similar, é, à partida, um
indivíduo de carácter duvidoso ou até mesmo um criminoso. Pelo menos, será
ingénuo… Porém, não me parece correcto, e justo, comparar o «António José» ao
fundador do WikiLeaks. Julian Assange procedeu à divulgação ilegal, ilegítima,
injustificada e indiscriminada de informações pertencentes a instituições de
países democráticos cuja existência e actividade são (podem ser) controladas e
reguladas por entidades políticas, judiciais e administrativas, pela comunicação social e – por
último mas não o menos importante – pelos cidadãos eleitores. Neste tema também
faço minhas as palavras de João Afonso Machado: as lojas maçónicas não se
inscrevem naquela categoria; a natureza do seu objecto não é clara, embora não
faltem suposições – suspeições – mais ou menos (bem) fundamentadas; não merecem
ter «direito à privacidade» porque não são verdadeiras famílias. E note-se que,
desta vez, apenas foram divulgados nomes; se tivessem sido mensagens, aí sim é
que seria interessante… (Também no Esquinas (130) e no MILhafre (64).)
sexta-feira, agosto 31, 2012
Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2012
A literatura: «Vencer ou Morrer», Mendo Castro Henriques; «O Milionário de Lisboa», José Norton; «O Marquês de Soveral - Seu Tempo e Seu Modo», Paulo Lowndes Marques; «Sem Papas na Língua - Memórias», Beatriz Costa; «O Espião Alemão em Goa», José António Barreiros; «Comboio Nocturno para Lisboa», Pascal Mercier; «Design do Século XX», Charlotte Fiell e Peter Fiell; «Bob Morane - A Pegada do Sapo», Henri Vernes e William Vance; «Fantascom - A catastrófica chegada», João Barreiros.
A música: «Mãe», «Macau», «Heróis do Mar IV» e «Singles 1982/1987», Heróis do Mar; «Born Villain», Marilyn Manson; «21», Adele; «Onde Quando Como Porquê Cantamos Pessoas Vivas», Quarteto 1111; «Some Great Reward», Depeche Mode; «Jack White's Blues», Blind Willie McTell, Hank Williams, Howlin' Wolf, Patti Page, Robert Johnson, Soledad Brothers, Son House, Terry Reid, e outros; «RockMix - As Grandes Malhas/Rock & Ballads», Aldo Nova, Bad English, Cheap Trick, Europe, REO Speedwagon, Rick Springfield, Skid Row, White Lion, e outros.
O cinema: «Marcos», Robert Kramer e John Douglas; «Cabeça de Jarro», Sam Mendes; «Austrália», Baz Luhrmann; «Bom Povo Português», Rui Simões; «Trocadas», Clint Eastwood; «Pó de Estrela», Matthew Vaughn; «Artur e a Vingança de Maltazard», Luc Besson; «As Idades de Lulu», Bigas Luna; «Hotel para Cães», Thor Freudenthal; «Os Ficheiros-X - Eu Quero Acreditar», Chris Carter; «Precious», Lee Daniels; «Em Bruges», Martin McDonagh; «Gato das Botas», Chris Miller; «A Descida», Neil Marshall; «Novo Pesadelo», Wes Craven; «Nós Somos Marshall», McG; «O Exorcista», William Friedkin; «Amanhecer - Parte 1», Bill Condon; «Sherlock Holmes - Um Jogo de Sombras», Guy Ritchie; «Os Rápidos e os Furiosos - Derrapagem de Tóquio», Justin Lin; «16 Quarteirões», Richard Donner; «Embargo», António Ferreira; «Um Homem Sério», Ethan Coen e Joel Coen; «Dorian Gray», Oliver Parker.
E ainda...: John Peel Centre for Creative Arts - The Space; Coliseu dos Recreios de Lisboa - Sétima Legião (2012/5/4); Associação Portuguesa de Editores e Livreiros - 82ª Feira do Livro de Lisboa; «Vídeos 1981/1989», Heróis do Mar; Biblioteca Municipal de Lisboa (Palácio Galveias)/Fronteira do Caos - Apresentação do livro «Amor, meu Grande Amor» de João Pedro Martins; «Uma Terapia» (anúncio publicitário para a Prada), Roman Polanski; Museu do Neo-Realismo - Exposições «Adelino Lyon de Castro/O Fardo das Imagens (1945-1953)» + «Ciclo Vinte Mil Livros/José Cardoso Pires» + Colectiva de Artes Plásticas «Novas Obras da Colecção MNR» + «The Return of the Real 19 - Ana Pérez-Quiroga»; Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira - Exposição «Jorge de Sena/A Cor da Liberdade»; FNAC Vasco da Gama/Taschen - Exposição «Morreu a mais bela mulher do Mundo (Marilyn Monroe) - Fotografias de Andre de Dienes e de Bert Stern»; Centro Comercial Atrium Saldanha - Exposição «Michel Giacometti/80 Anos, 80 Imagens»; «Atlântico Norte», Bernardo Nascimento; Biblioteca Nacional de Portugal - Exposições «Jorge Amado em Portugal» + «Luís Manuel Gaspar - Um lugar nos olhos».
quarta-feira, agosto 22, 2012
Outros: «OND» na RM
Seis anos
depois de ter sido publicado, «Os Novos Descobrimentos: Do Império à CPLP – Ensaios sobre História, Política, Economia e Cultura Lusófonas» continua a ser
procurado, consultado… e citado. O mais recente exemplo desse interesse – ou, pelo
menos, o mais recente que chegou ao meu conhecimento – é dado pelo Tenente-Coronel
Carlos Manuel Carreira, que, no seu artigo «O Tempo Tríbio Português» publicado
a 31 de Maio deste ano n(o sítio d)a Revista Militar, não só incluiu o livro
escrito por mim e por Luís Ferreira Lopes (e com prefácio de José Manuel Durão
Barroso) na bibliografia como dele transcreveu quatro breves mas relevantes
excertos.
segunda-feira, agosto 13, 2012
Observação: A «melhor FC» da actualidade…
… E,
provavelmente, dos últimos dez anos (ou mais), pode ser encontrada nas (muitas)
páginas escritas por aqueles que defendem que a Terra está a passar por um
processo de «alterações climáticas», ou, mais concretamente, que está a acontecer
um «aquecimento global» com origem na actividade (industrial) humana… e que
está a pôr em perigo a vida no nosso planeta.
Exagero?
Então repare-se: (ab)usando-se (d)a ciência, (d)as suas instituições, (d)os
seus equipamentos, seus métodos, relatórios, dados, há – continua a haver – um
grande número de «cientistas» que continua a escrever «ficção». A escolherem os
«factos» e os números que lhes interessam – dissimulando e/ou desprezando
outros – de modo a justificarem as suas teorias, a ajustarem as conclusões às
hipóteses e não o contrário. E esta «ficção científica» pode ser colocada
practicamente toda na mesma «categoria»: a apocalíptica, a «doomsday», a de
«fim-de-mundo». Os seus cultores são como que herdeiros de sacerdotes tresloucados
de séculos passados como Gabriel Malagrida, que acreditavam – e que pregavam –
que os «pecados» dos homens eram a causa de catástrofes naturais como os
terramotos, entendidas como castigos de Deus. Embora num estilo diferente
(mais… laico), a «lógica» de pensamento é quase a mesma – é a Terra que procede
à «punição». Já não se trata tanto de religião mas mais de ideologia, política,
economia, (falta de) cultura. Num caso como no outro, o extremismo, o
fanatismo, abundam.
Assim, talvez
seja preferível, mais… «misericordioso», considerar, e entre vários outros, James
Hansen, Phil Jones e Rajendra Pachauri não como alarmistas vigaristas mas sim
como «artistas», embora seja de duvidar de que algum dia estejam ao nível de Aldous
Huxley, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick, Isaac Asimov, Ray Bradbury ou Robert
A. Heinlein… Mas lá que tentam contínua e incansavelmente ir além dos limites
da imaginação, disso não restam dúvidas… (Também no Simetria.)
domingo, agosto 05, 2012
Obras: «Um Novo Portugal» - excertos
Do meu novo livro, recentemente publicado, eis excertos de três dos artigos que o
compõem.
O
primeiro tem a ver com as possíveis causas e explicações da decadência deste
país. «Em Portugal, o saudosismo mórbido
e a mania de imitar e seguir o que é estrangeiro, subestimando e desvalorizando
o que é nacional, já vêm de muito longe. Estão intimamente relacionado com a
nossa tendência suicida, de que já falava Miguel de Unamuno. E se essa
tendência encontrou expressão, no virar do século, com as mortes de escritores
como Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Mário de Sá Carneiro e Florbela
Espanca, hoje ela verifica-se, por exemplo, nos números elevadíssimos de mortes
em acidentes de viação, de trabalho e domésticos. Se há coisa que distingue
negativamente o povo português é a sua negligência, o seu descuido, a sua
irresponsabilidade para com a integridade própria e a dos outros. Isso vê-se
também na nossa já proverbial, e secular, falta de higiene, pública pelo menos,
comprovada por esse hábito perene de cuspir para o chão, de deitar lixo na rua
inclusive quando existem perto caixotes do mesmo, na proliferação desordenada
de lixeiras sem condições de segurança, muitas vezes com resíduos perigosos. E
constata-se ainda na falta de manutenção e restauro de edifícios, sejam eles de
habitação ou monumentos históricos. Este desleixo generalizado vem,
fundamentalmente, da descrença do nosso futuro colectivo enquanto nação. As
causas desta doença são antigas. (…) Tantos desaires graves e consecutivos não
podiam deixar de causar marcas profundas num povo que, não muito tempo antes,
tinha sido “Mestre de Metade do Mundo”. Os problemas principais de Portugal não
são pois de carácter político, económico ou mesmo cultural. Têm um cariz
essencialmente psicológico, e também, provavelmente, religioso. De alguma forma
se instalou na consciência colectiva nacional a certeza de que, se tantos
fracassos tinham acontecido, é porque era essa a “vontade de Deus”, que
determinou que Portugal e os portugueses não mereciam ser, e ter, mais e
melhor. Era o destino. Era o fado. Pouco a pouco, ao longo dos séculos, esta
convicção pessimista foi-se entranhando, enraizando, nas nossas mentalidades,
nas nossas práticas e representações, na nossa maneira de ser quotidiana,
reproduzindo-se e expandindo-se contínua e imperceptivelmente. É por isso que o
conformismo, a resignação e a passividade são “imagens de marca” tão
características dos portugueses. É por isso que a mediocridade se tornou uma
instituição, que marginaliza ou mesmo condena, simbólica ou realmente, aqueles
que se distinguem, os competentes, os ambiciosos, os que querem fazer algo de
novo, de diferente ou de melhor. Como se ir mais além significasse,
inevitavelmente, trazer a desgraça. (…)» («A vontade e o destino», 1998, pág.
112.)
O segundo tem a ver com a renovação das gerações e a
correspondente sobrevivência da nação. «(…) A maior riqueza de um país está nos
seus habitantes. A maior riqueza de Portugal está nos portugueses. Em todos os portugueses.
E se pretende-se construir um Novo Portugal, isso não será possível sem novos
portugueses. Estejam eles onde estiverem. (…) Criar uma nova mentalidade,
formar novos portugueses, construir um Novo Portugal, são tarefas de uma missão
que cabe a todos. Nada será possível sem a participação de todos os
portugueses, independentemente do seu sexo, da sua raça, religião, ideologia,
classe ou idade. E independentemente da sua profissão: de facto, interessa
menos o que se faz e onde se faz do que o como se faz. (…)Temos pois de decidir
se queremos ou não que eles sejam, ou continuem a ser, portugueses. Temos de
perguntar a todos esses jovens se querem ser, dentro ou fora de Portugal, os
novos portugueses. Se querem ser, afinal, pessoas, e não meros "recursos
humanos" ou "mão-de-obra". Não é necessário que todos estejam ou venham para
Portugal. É preciso, pelo menos, que se consiga levar Portugal até eles,
qualquer que seja a parte do Mundo em que se encontrem. E isso é algo que, bem
ou mal, já estamos habituados a fazer. Desde há muito tempo.» («Novos
portugueses para um novo Portugal», 1995, pág. 84.)
O terceiro tem a ver com desporto e, mais
concretamente, com Jogos Olímpicos, inevitável num momento em que decorrem os
de Londres 2012 e que com eles se repetem as previsíveis e habituais derrotas, frustrações,
incompetências e insuficiências portuguesas. «(…) É difícil não falar em “fatalismo”:
a tendência recorrente da presença portuguesa em Jogos Olímpicos é a de que não
só os mais credenciados quase sempre perdem como também, invariavelmente, os
menos credenciados não compensam aqueles, excedendo as expectativas e
superando-se a si próprios e aos outros. E essa presença no evento máximo do
desporto mundial – não só em Pequim mas também antes – é bem a “tradução” do
que tem sido a “tradição” de mediocridade de todo o país em geral: o não
aproveitamento de oportunidades, o desperdício de capacidades e de recursos por
escassez de ambição, direcção, organização, enfim, de profissionalismo. Excesso
só mesmo de desculpas de “mau perdedor” (e de “mau pagador”…), de lamúrias… e
de patetices quando, aleluia, lá se ganha uma ou outra medalhinha! (…) É
preciso instituir, finalmente, um verdadeiro sistema desportivo no país! E não
tem que se estar sempre à espera do(s) Governo(s). O Comité Olímpico de
Portugal, em colaboração com as diversas federações desportivas e respectivos
clubes, e ainda com empresas que aceitem ser mecenas do projecto, deve, antes
de mais, estabelecer um eficaz, eficiente e exaustivo programa de prospecção,
selecção e formação de atletas: primeiro, deve definir um conjunto de
critérios, de indicadores, físicos e psicológicos, e visitar todas as escolas
do país e fazer um “rastreio” aos seus alunos, registando as suas
características motoras e mentais e encaminhando-os para os desportos mais
adequados a essas características; segundo, deve procurar, identificar e
recuperar talentos que já estão fora do sistema de ensino, promovendo como que
uma iniciativa de “novas oportunidades para o desporto”, incentivando todos os
portugueses a “denunciarem” familiares, amigos, colegas e vizinhos que eles
suspeitem que (ainda) têm, ou possam ter, jeito para atirar, correr, lançar,
levantar, lutar, pedalar, remar, saltar… (…)» («Os anéis e as quinas», 2008,
pág. 194.) (Também no Esquinas (129) e no MILhafre (63).)
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