sábado, maio 09, 2015

Observação: A «insultíssima» trindade

Muita indignação causou – em especial, compreensivelmente, junto dos jornalistas – que os três partidos portugueses do chamado «arco da governação» tivessem – através de outros tantos representantes (in)devidamente mandatados para o efeito – acordado numa iniciativa que, objectiva e indiscutivelmente, condiciona(ria) a liberdade de expressão e cria(ria) uma nova comissão de «exame prévio», de censura, à qual deveriam ser submetidos planos de cobertura das eleições legislativas de 2015 e que definiria e decidiria (d)as características dessa cobertura. Ainda por cima, tal aconteceu na véspera de mais um aniversário do 25 de Abril… perdão, «abril».
Mas… qual é o espanto? Qual é o escândalo? Acaso esta foi a primeira vez que PS, PSD e CDS, não a «santíssima» mas sim a «insultíssima» trindade desta terceira república, mostraram um total desrespeito pelas mais elementares regras democráticas? Evidentemente que não: tão ou mais grave do que est(a tentativa d)e condicionamento da comunicação social foi, e é, a implementação ilógica e ilegal do «acordo ortográfico de 1990», com a qual aqueles três partidos concorda(ra)m; porém, os directores dos órgãos que unanimemente (ou quase) se insurgiram contra uma nova «lei da rolha» não tiveram e não têm, com poucas excepções, a mesma atitude perante a subversão da língua portuguesa perpetrada pelos mesmos directórios partidários.
Não há certeza de quem teve a ideia de fazer aquela (mais uma…) acção de intimidação da imprensa, apesar de o PS ter sido apontado, outra vez, como o primeiro, ou principal, «culpado». O que não surpreende: afinal, trata-se do partido que se mostrou renitente à abertura da televisão à iniciativa privada, e que, com José Sócrates como primeiro-ministro, protagonizou alguns dos mais inquietantes episódios de assalto à liberdade de expressão em pelo menos 20 anos; é uma triste tendência de que António Costa, apesar de ser filho de uma jornalista e irmão de outro, já mostrou ser um (in)digno continuador, como o comprovou o SMS com injúrias e ameaças que enviou no dia 25 de Abril (!) a João Vieira Pereira, director-adjunto do Expresso, por este ter comentado desfavoravelmente o programa económico do PS; significativamente, Ricardo Costa não manifestou publicamente solidariedade para com o seu colega e «Nº 2», o que, ironicamente, vem justificar a sua disponibilidade, manifestada há um ano, em se demitir de director do jornal que já foi uma «referência» (deixou definitivamente de o ser depois de se ter submetido ao AO90) quando o «mano» sucedeu a António José Seguro no Largo do Rato. No entanto, note-se que (tanto quanto eu julgo saber) de nenhum dos órgãos de comunicação social portugueses veio o mais pequeno protesto contra aquela «comunicação» de Costa, preferindo aqueles dar destaque a um outro SMS que terá sido enviado por Paulo Portas em 2013…   
… O que veio confirmar, como se tal fosse necessário, que há membros da «trindade» mais insultuosos do que outros. O actual secretário-geral do PS não se pode queixar de ter má imprensa. Enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa teve atitudes e tomou decisões controversas que, em circunstâncias normais, teriam merecido (mais) contestação e até condenação. Em especial as (pelo menos) duas – ilegais – discriminações por si deliberadas: uma afecta automobilistas cujo «crime» é terem automóveis velhos e não suficientemente «verdes» e que, por isso, foram proibidos de circular na baixa da capital... mas que centros de inspecção aprovaram; outra afecta turistas cujo «crime» é serem estrangeiros e que, por isso, são alvo de uma «taxa turística» que a Comissão Europeia considerou não estar conforme às leis europeias. Convém igualmente não esquecer: o iberismo demonstrado por António Costa quando, a propósito da final da Liga dos Campeões disputada no Estádio da Luz no ano passado entre Atlético e Real, foi a Madrid buscar uma bandeira espanhola; a sua apatia e mesmo fatalismo perante as inundações que ciclicamente assolam Lisboa; e o apartamento na Avenida da Liberdade em que ele viveu durante dois anos e que não respeita(va) as normas camarárias… A ver vamos se, num futuro próximo, e à semelhança do seu ex-chefe agora «hospedado» no Estabelecimento Prisional de Évora, ele também terá a sua própria congregação de «fiéis» em adoração permanente, com hino e tudo
Embora com diferentes protagonistas, a verdade é que a classe política que há mais de 40 anos nos (des)governa já excedeu há muito o seu prazo de validade… se é que alguma vez a teve. Os danos que causa não se circunscrevem à comunicação e à cultura, e as «emendas» de uns frequentemente não foram (ou são) melhores do que os «sonetos» de outros. Sim, o PS levou o país à falência; todavia, o PSD e o CDS, para o recuperarem, não hesitaram em permitir que partes significativas da economia nacional – em especial na banca (BESI), nos seguros (Fidelidade) e na energia (EDP) – passassem para as mãos de chineses comunistas, e que uma «camada» do território nacional – o espaço aéreo – seja agora controlado em monopólio pela Vinci, uma empresa francesa que adquiriu a ANA e que aumenta quando e quanto quer as taxas aeroportuárias. Entretanto, todos participa(ra)m no progressivo fortalecimento de uma máquina fiscal – agora designada Autoridade Tributária e Aduaneira – tão implacável e voraz na sua perseguição e extorsão totalitárias que, em processos «kafkianos» ou «orwellianos», chega aos cúmulos de penhorar alimentos a instituições de solidariedade social, e – numa demonstração do quanto as parcerias público-privadas propagadas pelo Bloco Central «a três» são imorais e prejudiciais – de actuar, para concessionárias de auto-estradas, como «agente de cobranças» de multas exorbitantes, por vezes aplicadas a quem não tem culpa (por já não ser, ou nunca ter sido, o proprietário do veículo assinalado) e, até, a quem nem idade tem para conduzir.
Este é, pois, um momento oportuno para perguntar: ainda haverá alguém que pense – e que (me) diga – que sou um «demente» por propor e defender a mudança de regime (de república para Monarquia) e, em consequência(s), a extinção do Grande Oriente Lusitano, a promulgação de uma nova constituição e também a extinção de todos os partidos que, desde 25 de Abril de 1974, tiveram assento(s) na Assembleia da República? (Também no MILhafre.

quinta-feira, abril 30, 2015

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2015

A literatura: «Aforismos - Versus Vox», Filipe de Fiúza; «A Verdadeira Invasão dos Marcianos» e «Mais do mesmo!», João Barreiros; «Voz do Fogo», Alan Moore; «O Que é um Escritor Maldito? Estudo de Sociologia da Literatura», João Pedro George; «Armação Aérea», Michael Crichton; «Sôbolos Rios Que Vão», António Lobo Antunes; «Super-Homem e a Legião de Super-Heróis», Gary Frank e Geoff Johns; «O Baile», Joana Afonso e Nuno Duarte; «O beijo», Alexandra Rolo; «No muro», David Soares.
A música: «Duets», Barbra Streisand; «Departure», Journey; «The Endless River», Pink Floyd; «The Bootleg Series Vol. 11 - The Basement Tapes Raw», Bob Dylan (and The Band); «The Spirit Indestructible», Nelly Furtado; «Soultrane», John Coltrane; «Wheelin' And Dealin'», Prestige All Stars; «Ancora», Il Divo; «A Brisa Do Coração», Dulce Pontes; «In Monasterio Aveirensi - Música para a Princesa Santa Joana de Aveiro», David Perez, José Joaquim dos Santos, Soror da Piedade, e outros (pelo Ensemble Joanna Musica dirigido por Mário Marques Trilha).
O cinema: «Véspera de Ano Novo», Garry Marshall; «Navio de Guerra», Peter Berg; «Argo», Ben Affleck; «Homens-X - Dias de Passado Futuro», Bryan Singer; «Problema com a Curva», Robert Lorenz; «7 Pecados Rurais», Nicolau Breyner; «Épico», Chris Wedge; «Choros e Sussurros» e «Fanny e Alexander», Ingmar Bergman; «Vida de Pi», Ang Lee; «O Grande Hotel Budapeste», Wes Anderson; «A Costa dos Murmúrios», Margarida Cardoso; «Ter e Não Ter» e «O Grande Sono», Howard Hawks; «Homens dos Fósforos», Ridley Scott; «Castelo Movente de Howl», Hayao Miyazaki; «O Legado de Bourne», Tony Gilroy; «Raparigas de Sonho», Bill Condon; «Deixa-te Ir Apenas», Dennis Dugan; «Vejo Nu», Dino Risi; «Transformadores - Idade da Extinção», Michael Bay; «Hitchcock», Sacha Gervasi; «Parvo e Parvão», Bobby Farrelly e Peter Farrelly; «Os Desconhecidos Usuais», Mario Monicelli; «Furiosos 6», Justin Lin; «Eu Confesso» e «O Homem Errado», Alfred Hitchcock; «O Mascarilha», Gore Verbinski; «A Mudança», David Dobkin; «Interestelar», Christopher Nolan; «As Grandes Ondas (no Oeste)», Lionel Baier.
E ainda...: FNAC-Vasco da Gama/Taschen - exposição de fotografias de Bob Willoughby «Audrey Hepburn, 20 anos depois»; «Da pedra aos ossos - Observação do limiar da infinitude», Gisela Monteiro; «Noite irá Cair», André Singer; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «40 anos de arte e crítica - A colecção de Maria João Fernandes» + exposição «Giambattista Bodoni - A invenção da simplicidade» + mostra «Muitas e muito estranhas cousas que viu e ouviu - O primeiro século de edições da "Peregrinação" (1614-1711)» + mostra «Rui Cinatti (1915-1986) - Uma figura multifacetada» + mostra «Georges Simenon (1903-1989) - Mais do que Maigret» + mostra «9000 formas da felicidade - As edições Pulcinoelefante»; FNAC-Chiado - exposição «25 anos, 25 autores, 25 cartazes» do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora + exposição de fotografias de Attilio Fiumarella «Obras de misericórdia»; Real Associação de Lisboa/Sociedade Histórica da Independência de Portugal - exposição «Monumento Fúnebre d'El Rei D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe - Da ideia à inauguração, um ano de mobilização da Pátria reconhecida»; Museu do Neo-Realismo - sessão de auditório «Matemática e Poesia - Imaginação e Rigor» com Eugénio Lisboa + exposição «Tudo existe, o que se inventa é a descrição - Joaquim Namorado 100 anos»; Charlie Hebdo Nº 1178; Público Nº 9090 (edição especial do 25º aniversário); «Postcards From Paradise», Ringo Starr; Fronteira do Caos/SHIP - apresentação do livro «Guerra d'África 1961-1974» de Humberto Nuno de Oliveira e de João José Brandão Ferreira.    

domingo, abril 26, 2015

Outros: O meu primo Octávio Pato

O sétimo (de oito) episódio(s) da série «Grandes Parlamentares», exibido hoje na RTP2, foi dedicado ao meu primo (em terceiro grau, e direito do meu avô materno) Octávio Pato, em honra de quem recebi o meu nome próprio. Nascido em 1925 (se fosse vivo teria celebrado a 1 de Abril último o seu 90º aniversário) e falecido em 1999, foi um dos mais importantes militantes do Partido Comunista Português – mesmo o seu Nº 2, a seguir a Álvaro Cunhal – e depois do 25 de Abril de 1974 foi, além de deputado, candidato à presidência da república em 1976, ocasião em que finalmente o conheci pessoalmente. Apesar de as minhas posições político-ideológicas muito terem mudado nos últimos 25 anos, nunca deixei de sentir respeito e até orgulho por este meu parente, que muito lutou e sofreu na oposição à segunda república, tendo sido vítima de torturas que incluíram privação do sono e espancamentos na prisão e no tribunal… mas nem assim conseguiram dele confissões e delações. Homens como Octávio Pato são raros, e, por isso mesmo, é dever recordá-los e homenageá-los. (Também no MILhafre.

segunda-feira, abril 20, 2015

Orientação: Sobre «tempo de antena», no ILCAO

A partir de hoje, no sítio na Internet da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, está o meu texto «Tempo de antena para a verdade», que constitui o meu primeiro contributo para a discussão do projecto da criação de um novo partido que terá, como objectivo principal, a revogação definitiva do AO90 e de qualquer outro «aborto pornortográfico». (Também no MILhafre.

quinta-feira, abril 16, 2015

Oráculo: Lembrar Albuquerque, 500 anos depois

De hoje a precisamente oito meses, a 16 de Dezembro de 2015, assinala-se o 500º aniversário da morte de Afonso de Albuquerque. O Movimento Internacional Lusófono, por proposta minha e desde o ano passado, está a preparar a organização de um conjunto de iniciativas, a principal das quais será um colóquio preferentemente interdisciplinar – e possivelmente internacional – que decorrerá, com início naquela data, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa; paralelamente, deverá decorrer uma exposição documental no Arquivo Nacional Torre do Tombo. O projecto anterior desta equipa foi a celebração, em 2013, do 300º aniversário do nascimento de Luís António Verney.
Não é só em Lisboa que o «César do Oriente», o «Grande», o «Leão dos Mares», o «Marte Português», o «Terrível», será recordado e homenageado, constituindo a efeméride igualmente um pretexto para uma discussão séria e sem limites sobre a sua vida e a sua obra, e ainda para uma revisitação da sua época, de como eram a Ásia e o Índico então, e para uma apreciação do legado que permanece hoje, a cultura, as memórias, os testemunhos. Também em Alhandra, onde nasceu em 1453, o filho mais ilustre da terra merecerá um programa de comemorações especial, adequado às capacidades da junta de freguesia local, cujo actual presidente eu contactei em 2014; projectos nas escolas do concelho de Vila Franca de Xira sobre a História de Portugal, com destaque óbvio para os Descobrimentos, deverão ser as principais – mas não as únicas – acções privilegiadas.
Por curiosidade, recordo que em 2006 «votei» em Afonso de Albuquerque como o maior dos «Grandes Portugueses» - o programa na RTP1 em que viria a «triunfar»… António de Oliveira Salazar. Então escrevi: «(ele corporizou) o período, o momento da História em que Portugal foi efectivamente mais... grande – em terras e mares sobre os quais exerceu o seu poder – e mais forte. Sob o comando daquele nosso compatriota, meu conterrâneo, o nosso país alcançou o máximo de dimensão... e de coragem. Actualmente, o seu perfil e o seu percurso estão algo esquecidos da memória colectiva dos portugueses – provavelmente porque ele é, sem dúvida, o símbolo supremo do nosso passado colonial, imperial, e, logo, “politicamente (e historicamente?) incorrecto”.» Se é essa é de facto e ainda a percepção presente, há que combatê-la e derrotá-la. (Também no MILhafre.

sexta-feira, abril 10, 2015

Outros: Por um novo partido

Hoje assinala-se o quinto aniversário do lançamento da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, que eu apoio e com a qual colaboro quase desde o seu início – aliás, eu sou contra qualquer «(des)acordo ortográfico», ou «aborto pornortográfico», desde que tomei conhecimento pela primeira vez de tal absurdo conceito, isto é, desde talvez 1986. Considerando igualmente tudo o que aconteceu neste âmbito até agora, esta é, pois, a data apropriada para anunciar e para começar uma nova fase deste movimento: a formação de um novo partido político, um projecto no qual eu estou disponível para participar. Os fundamentos desta decisão estão expressos num manifesto escrito por João Pedro Graça e hoje publicado no sítio da ILCAO. (Também no MILhafre. 

quinta-feira, abril 02, 2015

Ocorrência: A «ignição» foi há 10 anos

Foi há precisamente uma década: 2 de Abril de 2005 é a data do meu primeiro post no Octanas. Que consistiu na transcrição de um dos meus poemas mais pessoais – e que, como todos os outros que já escrevi, e apesar de algumas promessas nesse sentido, ainda não foi publicado em papel…
Este meu blog, cuja designação pretende(u) reflectir não só o meu nome mas também, simultaneamente, o carácter assumidamente «energético», e mesmo algo «explosivo», da minha personalidade, tem constituído como que uma espécie de diário – do que fiz, do que faço e do que vou (ou quero) fazer, do que penso, dos meus gostos e desgostos. Diário que partilho com todos os que fazem o favor de o visitar e de o ler, regular ou irregularmente, mas a quem quero agradecer humildemente por me dispensarem generosamente algum do seu tempo precioso.
Em dez anos este espaço pouco ou nada mudou, estruturalmente e graficamente. O «template», ou seja, o «cenário», a imagem de fundo, é a mesma desde o primeiro dia, e foi escolhida por ser constituída por círculos, «o’s», que remetem directamente para o meu nome; e articula-se com os títulos dos textos, sempre iniciados com uma palavra, uma «categoria», um tema, começado por «o»; tanto quanto me foi possível – isto é, tanto quanto o Blogger me permitiu – tentei estabelecer e manter uma certa (e visível) «personalização». As ferramentas – aplicações, imagens, ligações – que posteriormente foram sendo introduzidas e que eu aproveitei (mas nem todas) contribuíram decisivamente para o tornar mais completo, mais abrangente, um reflexo mais correcto do meu «mundo»…
… Ao qual continuam a ser bem-vindos. E onde podem deixar os comentários que quiserem, desde que não sejam anónimos.

terça-feira, março 24, 2015

Ocorrência: A TVI recusou-me…

… Ou, dito de outra forma talvez mais correcta, receou-me. No passado dia 6 de Março, no programa «A Tarde é Sua», de Fátima Lopes, realizou-se um debate sobre o «acordo ortográfico de 1990» que contou com as participações de João Malaca Casteleiro (a favor), «linguista» e um dos principais «autores (i)morais» do «desacordo», e de António Chagas Baptista (contra), da (Direcção da) Associação Portuguesa de Tradutores. Porém, era eu quem deveria ter participado, enquanto opositor ao AO90, no espaço da Televisão Independente…
… Porque a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico foi contactada e convidada pela equipa do «A Tarde é Sua» para se fazer representar na emissão daquela data. Em mensagem enviada a 2 de Março à ILCAO, Pedro Quaresma, jornalista da «redação» daquele programa, informava que este «conta, às sextas-feiras, com uma parte mais informativa (entre as 19h00 e as 20h00), que procura discutir e debater temas fra(c)turantes da a(c)tual sociedade portuguesa. Nas últimas semanas, abordámos assuntos tão diversos como o consumo de álcool entre os jovens, a eutanásia, a maternidade de substituição ou a legalização da prostituição, entre outros. Já contámos, neste espaço, com a participação de pessoas de vários quadrantes, nomeadamente deputados, juristas, médicos ou filósofos, entre outros. Na próxima sexta-feira, dia 06 de Março, propomo-nos falar de uma temática à qual os senhores não estarão, por certo, alheios: o acordo ortográfico. Parece-nos pertinente debater este assunto em horário nobre (antes do Jornal das 8 de sexta-feira, um dos programa mais vistos de toda a grelha semanal de televisão), pelo que seria para nós muito prestigiante contar com a participação de um elemento da ILC neste excerto do programa, que terá um formato de debate. A conversa será moderada pela apresentadora, encontrando-nos a(c)tualmente a desenvolver diligências para ter em estúdio uma pessoa que defenda este acordo ortográfico. Assim, gostaríamos de formular-lhes um convite para estar presente no programa “A Tarde é Sua” na próxima sexta-feira, 06 de Março, entre as 18h30 e as 20h00. Em caso de resposta afirmativa, solicito também que nos facultem um contacto telefónico pois seria importante falar antecipadamente, de modo a combinar alguns pormenores da vinda ao programa. Por motivos de planeamento do programa em questão, solicito uma resposta tão breve quanto possível, de preferência até ao final do dia de amanhã.»
A resposta, indicando o meu nome como representante da ILCAO, foi enviada por João Pedro Graça antes do final de terça-feira, 3 de Março – mais concretamente, às 16.55. Porém, e para nossa surpresa, posteriormente recebemos, ainda naquele dia, a seguinte mensagem de Pedro Quaresma: «Agradeço a rápida resposta ao nosso e-mail. Por imposições superiores, e como hoje por volta da hora de almoço ainda não tinha qualquer indício de que a ILC poderia disponibilizar alguém para participar no debate, vi-me na obrigação de encontrar uma alternativa para fechar o alinhamento do programa da próxima sexta-feira. Assim, acabámos por concordar com a participação de um elemento da Associação de Tradutores, que também é contra a adopção deste acordo. Em todo o caso, agradeço a sua simpatia e disponibilidade.» Repare-se nas bizarrias e nas contradições que caracteriza(ra)m este desagradável incidente: a ILCAO respondeu indubitavelmente dentro do prazo pedido… que não era, aliás, obrigatório – e tanto assim foi que PQ começou por agradecer, precisamente, a «rápida resposta»! No entanto, antes disso, e talvez devido a uma crise de bipolaridade, à «hora de almoço» (seria fome?) decidiram «encontrar uma alternativa» por «imposições superiores». Mas só nos comunicaram essa decisão depois de saberem quem seria o representante da ILCAO… ou seja, eu.
Sejamos sérios, deixemo-nos de ilusões e chamemos as coisas pelos seus nomes: este «des-convite» da TVI em relação à ILCAO é uma inacreditável e inadmissível demonstração de falta de cortesia, de educação, de profissionalismo, de respeito; todavia, é igualmente uma evidente acção de discriminação, e até de censura, em relação a mim… e não é a primeira vez que o «Canal Quatro» a faz. Os «superiores» que «impuseram» o meu afastamento fizeram-no, acredito, não só pelas críticas que tenho feito à TVI (e à SIC e à RTP, e não só) pela sua submissão ao «aborto pornortográfico», aqui no Octanas, no MILhafre e no Público, críticas essas que demonstram, passe a imodéstia, a minha capacidade para debater este tema e para confrontar e derrotar qualquer defensor do dito cujo, incluindo o Prof. Malaca; também o fizeram pela denúncia da – anterior e comprovada – discriminação e censura de que eu e o meu outro blog Obamatório fomos objecto em 2012 por parte da estação de Queluz de Baixo. No que depender de mim, baixezas como esta nunca serão silenciadas…
… Mesmo que tal implique mais censura, mais discriminação e, eventualmente, até difamação e… deformação. Chagas Baptista, que, há que admiti-lo e reconhecê-lo, esteve muito bem no debate de 6 de Março, que venceu, superiorizando-se indubitável e claramente a Malaca Casteleiro, teve o seu nome a(du)lterado para António Chagas «Batista» na legenda surgida no ecrã. Recordo que na TVI um famoso grupo musical já foi identificado como «One Diretion». Estivesse lá eu e provavelmente colocariam «Otávio» dos Santos, e assim se juntariam à (longa) lista daqueles que tira(ra)m o «c» do meu nome. (Também no ILCAO.

quinta-feira, março 19, 2015

Orientação: Sobre FC «real»

A partir de hoje está, no MILhafre e no Simetria, o meu artigo «Ficção Científica… Real», em que apresento mais um, e recente, livro que comprova a tese que defendi no meu artigo «A nostalgia da quimera» - a de que o fantástico é o género dominante na história da literatura portuguesa. 

sexta-feira, março 13, 2015

Orientação: Sobre um «apocalise», no Público

Na edição de hoje (Nº 9098) do jornal Público, e nas páginas 48 e 49, está o meu artigo «”Apocalise abruto”». Um excerto: «bastantes “anomalias” adicionais têm vindo a ocorrer induzidas pela ideia – errada mas compreensível – de que, com o AO90, qualquer consoante de pronunciação minimamente “duvidosa” provavelmente não deve estar antes de outra. Este perigo de proliferação, de multiplicação, de erros, de deturpações foi previsto e alertado atempada e acertadamente por muitos opositores do dito cujo, que então não receberam toda a atenção que mereciam mas que agora vêem os seus receios confirmados.» (Também no MILhafre. Transcrição no ILCAO.)

terça-feira, março 10, 2015

Ordem: Esclarecer quem precisa

Não é de agora que estou permanentemente disponível para, na blogosfera e não só, dar o meu contributo à discussão e ao esclarecimento de temas importantes, tanto nacionais como internacionais. E também não é novidade que é à esquerda que se regista habitualmente uma maior ignorância, e uma maior incredulidade, perante assuntos que só aparentemente são controversos. Três exemplos recentes, no blog Aventar, demonstram e ilustram essa situação: no primeiro, expliquei porque não é surpreendente o apoio crescente que a Frente Nacional em França tem em determinados sectores da população; no segundo, expliquei porque o totalitarismo não é uma característica de Israel; no terceiro, expliquei como a misoginia é aceitável se as visadas forem de direita.    

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Outros: Falam do «Fantas»… e da «Bolsa»

A «Bolsa de Guiões», iniciativa do Festival Internacional de Cinema do Porto em colaboração com a Associação Simetria (que a sugeriu), foi bastante noticiada e divulgada desde a abertura, no passado dia 24, da edição de 2015 da grande mostra de imagens em movimento da Cidade Invicta.
Fizeram referências, ao FantasPorto e ao projecto de divulgação e de adaptação audiovisual de obras da ficção científica e fantástico de língua portuguesa, entre outros: Cadernos de DaathCasting; Film Festivals; Folha em Branco; Gazeta do Rossio; iOnline; iPorto; Jornal de Notícias; LinkedIn; Observador; Portal Cinema; Porto 24; Público; RTP; Rua de Baixo; Sol; TVI; Viva Porto; Vogue.
Entretanto, há uma novidade importante relativa à lista de 20 textos que, em nome da Simetria, enviei ao FantasPorto e a Beatriz Pacheco Pereira: um dos contos que a integram já está em processo de adaptação audiovisual. Trata-se de «As duas caras de António», incluído originalmente na antologia «Lisboa no Ano 2000» organizada por João Barreiros; o seu autor, Carlos Eduardo Silva, informou-me que recebeu uma proposta nesse sentido. Esperemos que tal constitua um bom augúrio para as outras obras em apreciação. (Também no Simetria.)

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Organização: FantasPorto procura histórias…

… Para delas se fazer filmes. A apresentação no Festival Internacional de Cinema do Porto em 2013 da antologia colectiva de contos de ficção científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas» possibilitou-me também o estabelecimento de um contacto privilegiado com Beatriz Pacheco Pereira, que, com o seu marido Mário Dorminsky, fundou e dirige há 35 anos aquele festival. Sempre pensando em formas de promover a FC & F de língua portuguesa, que, aliás, e como demonstrei, constitui o género dominante na história da literatura nacional, submeti no ano passado à co-organizadora do FantasPorto, em representação da Associação Simetria, uma sugestão: a de, junto dos cineastas, já em actividade ou ainda em formação, que integram a sua lista de contactos e que costumam frequentar o Rivoli todos os anos na mesma ocasião, divulgar obras, narrativas, histórias, de autores lusófonos na área da fantasia, como possiveis bases, adaptando-as, para argumentos de eventuais filmes (de curta e de longa metragens) e de séries televisivas.
Beatriz Pacheco Pereira aceitou, e, assim, foi criada a iniciativa «Bolsa de Guiões», que terá a sua primeira realização na edição de 2015 do Fantasporto, que decorre entre 24 de Fevereiro e 8 de Março. A fase inicial do projecto consistiu em localizar, seleccionar e compilar textos que se adequassem aos objectivos daquele. Pelo que, com o apoio de Luís Filipe Silva, Luís Miguel Sequeira e Nuno Fonseca, elaborei e enviei uma (primeira) lista de 20 trabalhos, obedecendo aos seguintes três critérios: (mínimo de) qualidade; adaptabilidade (isto é, não exigência, se possível, de orçamentos elevados e/ou de efeitos especiais complexos); acessibilidade (isto é, preferência por aqueles que estão  disponíveis electrónica e integralmente).
Eis os trabalhos que integram essa lista, e os respectivos autores: «O beijo», Alexandra Rolo; «A ponte dos dois corações», Ana Cristina Luz; «O nome do rei», Bruno Martins Soares (nas páginas 53 a 64); «As duas caras de António», Carlos Eduardo Silva (nas páginas 97 a 108); «Chasing memories», Cristina Flora; «No muro», David Soares; «O Mandarim», Eça de Queiroz; «Primos de Além-Mar», Gerson Lodi-Ribeiro (tradução para Inglês, «Cousins from Overseas»); «Seis momentos em tempo real», João Aguiar (nas páginas 17 a 34); «O teste», João Barreiros; «Steaks barbares», João Seixas; «Leituras», João Ventura; «Missão 121908», Luísa Marques da Silva (nas páginas 35 a 52); «Dormindo com o inimigo», Luís Filipe Silva; «Lisboa no Ano 2000», Melo de Matos; «Caminhos de ferro», Octávio dos Santos; «A passagem», Paulo Pinto Carvalho; «Venha a mim o nosso reino», Ricardo Correia (nas páginas 41 a 52); «O primogénito», Rogério Ribeiro (nas páginas 13 a 26); «O paciente», Telmo Marçal. Já Beatriz Pacheco Pereira acrescentou textos dela própria e ainda de José Viale Moutinho, Pedro Garcia Rosado e Rui Madureira. Posteriormente, elaborei e enviei, também para ser divulgada junto dos cineastas, uma segunda lista, não exaustiva, de livros de ficção científica e fantástico de autores lusófonos actualmente à venda em Portugal ainda sem adaptação audiovisual.
Aquele que deverá ser o evento principal da primeira edição da «Bolsa de Guiões» no âmbito do FantasPorto está marcado para o próximo dia 4 de Março, entre as 15 e as 18 horas, no Teatro Rivoli: um encontro, e debate, entre os cineastas e os escritores. Destes (e excluindo, evidentemente, os que já faleceram) ainda não se sabe, neste momento, quantos e quais poderão estar presentes, e impõe-se igualmente esclarecer que nenhuma utilização dos seus trabalhos está garantida apenas pela realização daquela sessão em particular e deste projecto em geral. De qualquer forma, do que não há dúvidas é de que a literatura lusófona de FC & F começa este ano a ser sistematicamente promovida e valorizada entre os profissionais do sector audiovisual. (Também no Simetria.     

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Ordem: Antes da CML e de AC, fui eu

A Câmara Municipal de Lisboa, em reunião de vereação realizada hoje, aprovou por unanimidade uma moção submetida por António Costa, a ser apresentada ao Governo, que propõe que o aeroporto da capital, denominado «da Portela», passe a designar-se «Humberto Delgado» - uma iniciativa que se insere igualmente na evocação em 2015 dos 50 anos da morte do «General sem Medo», assassinado por agentes da PIDE, e que se assinala depois de amanhã. Impõe-se referir que, em 2007, o jornal Expresso publicou um artigo de opinião da minha autoria, em que eu sugeria precisamente essa homenagem, apesar de então apontar para aquele que seria provavelmente o (um) eventual novo aeroporto de Lisboa, e não o actual (e ainda único). Intitulado «E o nome do novo aeroporto de Lisboa deve ser...», está incluído no meu livro «Um Novo Portugal - Ideias de, e para, um País», editado em 2012. (Também no MILhafre (100).)  

domingo, fevereiro 01, 2015

Outros: «Primos…» na anglofonia

Assinala-se hoje mais um aniversário – o 107º – de um crime que foi também um atentado terrorista, político, e no qual se fundou o regime – a república – que ainda hoje vigora, ilegitimamente, em Portugal: o assassinato, em Lisboa, do Rei D. Carlos e do Príncipe Herdeiro D. Luís Filipe. A Real Associação de Lisboa, de que também sou associado, promoveu este ano na capital, e como habitualmente, iniciativas relativas à (funesta) data, mais concretamente: uma sessão evocativa constituída por uma conferência e pela inauguração de uma exposição, ambas no Palácio da Independência, sobre o percurso «da ideia à inauguração» do monumento fúnebre ao Rei e ao Príncipe; e uma missa de sufrágio, na Igreja de São Vicente de Fora.
Este dia é, pois, o indicado para dar conta de que um dos contos incluídos na colectânea colectiva de história alternativa «A República Nunca Existiu!», concebida e organizada por mim e editada em 2008, tem a partir de agora uma versão em Inglês: trata-se de «Primos de Além-Mar», de Gerson Lodi-Ribeiro. Tal aconteceu na revista electrónica norte-americana Words Without Borders, que, fundada em 2003, «promove o entendimento cultural através da tradução, publicação e promoção da melhor literatura internacional contemporânea.» Em cada mês há um tema diferente, e o de Janeiro de 2015 foi «Passados alternativos – Ucronia internacional». Traduzido por Sarah Ann Wells, «Primos de Além-Mar» tornou-se em «Cousins from Overseas». (Também no Simetria.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 2)…

… Escritos e publicados, desde Setembro último, nos seguintes blogs: Horas Extraordinárias; Montag; Intergalactic Robot; Delito de Opinião (um, dois); Corta-Fitas; 31 da Armada; Aventar. Comentários esses que versam, entre outros temas, sobre: se José Saramago era ou não adepto do «acordo»; a degradação ortográfica do Diário de Notícias; a incoerência, e a cobardia, de Rodrigo Moita de Deus e de António Balbino Caldeira.
Poderia outro estar incluído aqui, não fosse a equipa da Booktailors-Blogtailors tê-lo rejeitado: (agradavelmente, mas prematuramente) surpreendido com o «óptimo ano novo» desejado por aquela em post de 1 de Janeiro último, saudei essa (aparente) retoma da correcção e da normalidade ortográficas… apenas para, poucos dias depois, constatar que o meu comentário não tinha sido publicado e que o «óptimo» se transformara em «ótimo»!
Enfim, as «Lusografias» estão cada vez mais degradadas, a língua portuguesa está cada vez mais em «retalhos»… Há quase cinco anos eu não antecipava que a situação seria tão catastrófica; acredito que, se hoje fosse vivo, Agostinho da Silva expressaria o seu desgosto e a sua indignação.  

terça-feira, janeiro 13, 2015

Ocorrência: Ano Internacional da Luz

Foi Filipe de Fiúza, que me convidou para uma tertúlia em Sintra sobre Alfred Tennyson há um ano, que, a 3 de Janeiro último, me enviou, bem como a outros amigos e conhecidos, uma mensagem com uma informação de grande interesse: 2015 é o «Ano Internacional da Luz»…
… Não por causa de uma efeméride mas sim de seis! Que são: 1015 (1000 anos) – Ibn Al Haytham escreveu o primeiro «Livro de Óptica»; 1815 (200 anos) – Fresnel propôs a «natureza ondulatória da luz»; 1865 (150 anos) – Maxwell publicou a sua teoria de Electromagnetismo, apresentando «a luz como ondas electromagnéticas»; 1915 (100 anos) – Einstein publicou a teoria da Relatividade Geral, explicando a «luz no espaço e no tempo»; 1965 (50 anos) – Arno Penzias e Robert Wilson descobriram a Radiação Cósmica de Fundo, «a luz mais antiga do Universo», e Charles Kao apresentou a tecnologia da fibra óptica.
Este tema e esta (múltipla) celebração podem servir de pretexto, de inspiração, a muitas iniciativas, não só científicas mas também culturais e artísticas, em várias formas, conteúdos, expressões. Em especial, logicamente, na Ficção Científica e no Fantástico, onde, por exemplo, a dualidade claro-escuro (literal e figurada), as ilusões (de óptica, e outras) e a velocidade da luz têm sido conceitos, «motes», constantes. Pela minha parte, acredito já ter dado (antecipadamente… há seis anos ;-)) um contributo a esta pluri-evocação através do meu livro «Espíritos das Luzes». (Também no Simetria.)  

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Ordem: Contra o Islão fascista, a favor de Israel

(Uma adenda no final deste texto.)
O ano de 2015 começa mal para os que desejam a paz planetária... A partir de hoje, o Octanas passa a incluir em permanência – do lado esquerdo, abaixo do símbolo da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico – mais dois símbolos de causas em que acredito e que defendo, e que representam também, em simultâneo, a minha reprovação, o meu repúdio, a minha condenação do/ao ataque hoje perpetrado em Paris, por terroristas islâmicos contra a sede do jornal Charlie Hebdo e os seus trabalhadores, dos quais dez (e ainda dois polícias) foram logo assassinados e vários outros foram gravemente feridos, pelo que o número de vítimas mortais poderá, infelizmente, aumentar…
… E esses símbolos são: um, a imagem «Je Suis Charlie» («Eu sou Charlie»), em homenagem aos meus colegas de profissão, jornalistas, tornados mártires da liberdade de expressão, que deve ser preservada a todo o custo; o outro, a imagem «I’m a proud friend of Israel» («Sou um orgulhoso amigo de Israel»), porque a pátria judaica, apesar de não ser perfeita (mas quase), constitui um «oásis» de democracia, de respeito pelos direitos humanos, de tolerância (cultural, política, religiosa, social) num «deserto» de absolutismo, de arcaísmo, de barbarismo, de totalitarismo… o oposto, o contraponto, daquilo e daqueles que, eles sim verdadeiros fascistas e neo-nazis, cometeram o atentado de hoje em França e tantos outros, no passado mais ou menos recente, em vários pontos do Mundo.
(Adenda - No Obamatório está outro texto meu também sobre este tema: «... E o futuro não lhes pertenceu».)  

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2014

A literatura: «Descrição da Cidade de Lisboa», Damião de Góis; «Fervor de Buenos Aires», «Lua Defronte» e «Caderno San Martín», Jorge Luis Borges; «O Trono do Altíssimo» e «O Jardim das Delícias», João Aguiar; «Canção de Kali», Dan Simmons; «Palmas Para o Esquilo», David Soares e Pedro Serpa;  «Super-Homem - Filho Vermelho», Dave Johnson e Mark Millar; «Tsubaki», Bruno Martins Soares; «As moças do campo», Telmo Marçal.
A música: «Portraits (So Long Ago, So Clear)», Vangelis; «Alessandro Safina», Alessandro Safina; «Seasons In The Abyss», Slayer; «Lusitana», Dulce Pontes; «Blue Train», John Coltrane; «Tuba Jazz», Ray Draper Quintet; «In Chicago», Cannonball Adderley Quintet; «Dog Man Star», Suede; «Parklife», Blur; «Badmotorfinger», Soundgarden; «Simply Christmas - Festive Songs, Carols And Christmas Classics - 01/Christmas Crooners», Bing Crosby, Frank Sinatra, Nat King Cole, Perry Como, e outros.
O cinema: «O Filme Lego», Christopher Miller e Phil Lord; «Eragon», Stefen Fangmeier; «A Rapariga com a Tatuagem de Dragão», David Fincher; «Eu Sou o Amor», Luca Guadagnino; «Amigos com Benefícios», Will Gluck; «Jogo de Ripley», Liliana Cavani; «O Dilema», Ron Howard; «Ira de Titãs», Jonathan Liebesman; «Os Homens da Companhia», John Wells; «Mal Residente - Pós-Vida», Paul W. S. Anderson; «50/50», Jonathan Levine; «Sombras Escuras», Tim Burton; «RPG», David Rebordão e Tino Navarro; «Esquecendo Sarah Marshall», Nicholas Stoller; «O Desconhecido do Lago», Alain Guiraudie; «Florbela», Vicente Alves do Ó; «O que Esperar Quando se está de Esperanças», Kirk Jones; «Operação Outono», Bruno de Almeida; «Congelado», Chris Buck e Jennifer Lee; «Morte ao Smoochy», Danny DeVito; «A Campanha», Jay Roach; «Capitão América - O Soldado de Inverno», Anthony Russo e Joe Russo; «O Grande Kilapy», Zézé Gamboa; «Cosmopólis», David Cronenberg; «Branca de Neve e o Caçador», Rupert Sanders.
E ainda...: Biblioteca Nacional - exposição «David de Almeida - A ética da mão» + exposição «Uma colecção, dois coleccionadores - Pereira e Sousa - Mendonça Cortês» + exposição «A biblioteca do embaixador - Os livros de D. García de Silva e Figueroa (1614-1624)» + mostra «António Ramos Rosa - A poesia em diálogo com o Universo» + mostra «Ruy Coelho (1889-1986) - O espólio de um compositor» + mostra «Do manuscrito ao espectáculo - A colecção de teatro de António José de Oliveira» + mostra «Biografias de Teixeira de Pascoaes» + mostra «José Pedro Machado (1914-2005) - Uma vida de estudo»; «Shake It Off» e «Blank Space», Taylor Swift; Salvador Caetano-Vila Franca de Xira - «Dia Toyota»; Centro de Estudos Anglísticos da (Faculdade de Letras da) Universidade de Lisboa - colóquio internacional «Mensageiros das Estrelas - Episódio III»; QualAlbatroz - «Um livro feito à mão», José Alfaro; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Celeiro da Patriarcal - Bienal de Fotografia 2014; Museu do Neo-Realismo - exposição «Arsénio Mota - Uma vida como obra»; Biblioteca Municipal/Fábrica das Palavras de Vila Franca de Xira - exposição de fotografia «Nasci com passaporte de turista» de Afonso de Burnay; Espaço-Museu do Hospital de Vila Franca de Xira.

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Obrigado: Aos que das «estrelas»…

… Serviram de «mensageiros», que trouxeram as «mensagens» aos meros terrestres. Foi há precisamente um mês, a 19 de Novembro, que teve início, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o «Episódio III» - isto é, a terceira edição – do colóquio internacional (bianual) de ficção científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas». E foi também há um mês que eu participei, como já anunciara a 2 de Novembro, juntamente com João Barreiros e Luís Filipe Silva (Telmo Marçal faltou), no debate «Ficção Científica e Crise», que Margarida Vale de Gato, a moderadora, considerou no final ter sido um dos melhores do género a que havia assistido e/ou em que havia participado. Não se procedeu a um registo vídeo mas fizeram-se algumas fotografias.
O colóquio teve uma divulgação assinalável, talvez superior às dos seus dois antecessores, em 2010 e em 2012. De facto, além de menções em espaços exclusivamente digitais – Mundo Snitram, Notícias Ao Minuto, Os Fantásticos Mundos de Elsa, Ouroboros Lair, Pátria de Heróis – o evento organizado pelo Centro de Estudos Anglísticos da UL mereceu também destaque nos sítios de publicações em papel – no Correio da Manhã, no Diário de Notícias, na Fórum e no Sol através de breves textos, e no Público com um artigo alargado.
Agora, é aguardar «apenas» dois anos até ao «Mensageiros das Estrelas – Episódio IV», em 2016. Será «uma nova esperança»? ;-) (Também no Simetria.

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Ocorrência: Louçã a espaços

Francisco Louçã é, juntamente com António Bagão Félix e Ricardo Cabral, um dos colaboradores permanentes no blog do jornal Público Tudo Menos Economia. Há precisamente uma semana, a 3 de Dezembro, decidiu escrever sobre cinema e, mais concretamente, sobre o mais recente filme realizado por Christopher Nolan: «Interestelar».
No texto, intitulado «A utopia resgata o presente do futuro?», o ex-líder do Bloco de Esquerda realça que «este é o segundo filme (o primeiro foi «Gravidade») de grande audiência que, em pouco tempo, nos faz olhar para o espaço. Mas “Interestelar” não é unicamente um passeio no cosmos e um filme-catástrofe: é uma narrativa sobre a fronteira da ciência quando a Terra se esgota. E essa fronteira é misteriosa. (…) Ao deixar as perguntas, o filme desenha uma utopia: o êxodo da humanidade salva-a de si própria, depois de esgotado o planeta da origem. Mas, desse modo, o filme afasta-se da tradição mais eloquente da ficção científica, a que procura outros seres que são como nós ou que são meios de nós próprios. (…) A ficção científica não imagina o passado, procura o futuro e por isso ocupa a incerteza mais radical, que as artes do feitiço não podem sequer simular. A nostalgia é conservadora, a ficção é ousadamente transformadora.»
É sempre salutar, e de saudar, que pessoas, político(a)s, figuras públicas que estamos mais habituados a ver - e a ouvir – intervir em matérias mais do interesse geral, nacional, relacionadas com a economia e o Estado, procedam também, mesmo que ocasionalmente, a reflexões sobre outros temas – da cultura, e não só – que eventualmente proporcionem concordância por parte de outros que habitualmente deles discordam. Porém, isso não quer dizer que essas reflexões estejam isentas de erros, e esta foi um desses casos. De facto, Francisco Louçã escreveu «Alfonso Cuarín» em vez de «Cuarón»; que Ridley Scott realizou «Aliens» - este, na verdade, foi dirigido por James Cameron, e Scott deu-nos, antes, «Alien»; que «Blade Runner» foi «adaptado de um conto» de Philip K. Dick – na verdade, foi adaptado de um romance, «Do Androids Dream of Electric Sheep?»
Depois de detectar estas falhas – que alguém, que dá mais importância ao CdP (Culto da Personalidade) e ao SI (Sectarismo Ideológico) do que à FC, optou por ignorar – decidi apontá-las, juntamente com as respectivas correcções, à Direcção do Público, que por sua vez as comunicou a Francisco Louçã. Este procedeu às alterações no dia seguinte – embora, quanto a «Blade Runner», tenha optado por indicar aquele filme como tendo sido feito «a partir de um texto de…» - mas não indicou que aquelas alterações tinham sido efectuadas nem quem as tinha induzido. O que, enfim, não é de espantar: à esquerda há sempre muita dificuldade em se admitir que se estava (está) enganado. (Também no Simetria.   

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Outros: Contra o AO90 (Parte 10)

«É importante respirar, ter uma pausa, pensar, reflectir», «A grafia Schweinstnegger e o Record», «Aparentemente, as farturas dão sorte», «Acordo Ortográfico de 1990 – ortografia descaracterizada», «Einstein a mostrar a língua», «Polícia para o trânsito para patos atravessarem», «Despedimento colectivo», «Onde para o socialismo? Para onde vai o PS?», «De *fato e de direito, hoje, no sítio do costume», «Metro de Lisboa para todo o dia», «A “perspectiva” e a “perspetiva” – a unidade essencial», «A óptica é óptima – parabéns ao Expresso», «Ricardo Carvalho e a retractação», «Diálogo sobre a intervenção directa no processo de avaliação», «Contra o Orçamento de Estado para 2015», «Presidência do Brasil», «Vem aí a recessão» e «A imagem de Portugal no estrangeiro ficou com aftas?», Francisco Miguel Valada; «Carta aberta à Associação 25 de Abril», Maria José Abranches; «Isto admite-se?», Noémia Pinto; «Vasco Graça Moura», «Francisco José Viegas, o anjinho da procissão», «AO90 – vogais fechadas para balanço», «Um dos piores fatos que já vi» e «Redacções invadidas por “batéria” altamente contagiosa», António Fernando Nabais; «Vasco Graça Moura morreu!», António Marques; «O respeitador cosmopolita do português», João Gonçalves; «Deixem a ortografia em paz», Jaime Pinsky; «Reflexões sobre o AO», «Para quando o Ptydepe?» e «Ainda os puristas da língua…», Luís Miguel Rosa; «Tudo menos teimosias de um velho», «Saramago traduzido para português», «A velhíssima mãe e os seus diferentes filhos», «Língua rica, língua pobre e uma linha a menos», «Chumbem Vieira! Chumbem Pessoa!» e «Avesso às “leis" mas não à alma», Nuno Pacheco; «A importância da preservação da língua portuguesa» e «O acordo ortográfico e o arco-da-velha», Paulo Ramires; «Os responsáveis políticos pelo “acordo ortográfico” de 1990» e «Conversor Lince – uma estranha forma de estar na vida pública portuguesa», Ivo Miguel Barroso; «Cordatos, cordados… mas invertebrados» e «Enriquecimento pela divergência», Isabel Coutinho Monteiro; «Quando o dinheiro fala, ninguém repara na gramática que usa», Graça Maciel Costa; «O Acordo Ortográfico», Miguel Tamen; «O legado de Vasco Graça Moura», Jorge Colaço; «A palhaçada do Acordo Ortográfico» e «Diktat - imposição linguística», Tomás Goldstein; «Um relvado à beira-mar mal plantado», Madalena Homem Cardoso; «Porque não existe objecção de consciência em relação ao Acordo Ortográfico?», «O Acordo Ortográfico e o terrorismo do Estado português contra a cultura portuguesa» e «Fernando Pessoa escrito segundo a novilíngua brasileira», Orlando Braga; «Nota de leonino apreço…» e «”Só” dez por cento?!?», Rui Valente; «Quinze magníficos séculos de idioma», Fernando Venâncio; «Falta de respeito» e «Um caso de sucesso», Sérgio de Almeida Correia; «Penso rápido (19)», «Penso rápido (21)», «Onra aos omens onestos», «Nem como se lê nem como se diz» e «Estou com eles, obviamente», Pedro Correia; «Obiang e o Acordo Ortográfico» e «Retalhos da nossa língua», António Bagão Félix; «É “supra citado” ou “supracitado”? Porquê?», Helena Rebelo; «Ensaio sobre a loucura», «Um “esclarecimento” muito pouco ou nada claro», «Boato, ameaça ou manobra de diversão?» e «Da contradição», João Pedro Graça; «Monstruosidades contra a língua portuguesa», David Soares; «Barbaridades contra a língua portuguesa», António Justo; «Mais uma tomada de três pinos», Janer Cristaldo; «A hipótese de uma ortografia do português de Angola», Wa Zani; «Diz Pimentel que Cyro disse que Pimentel disse o que Cyro diz que não disse», Hermínia Castro; «Hora sem agá», Maria do Rosário Pedreira; «Enjoados do português», Fernando Dacosta; «Poetas portugueses refutam o novo acordo ortográfico», Barroso da Fonte; «O novo acordo ortográfico, uma pedrada na língua portuguesa», António Galopim de Carvalho; «Despachar o português – o dever de recusa», José Manuel Martins; «Delírio reformista», José Augusto Carvalho; «Mas a língua, Senhor Malaca?», Ana Cristina Leonardo. (Também no MILhafre (99).)                     

terça-feira, novembro 25, 2014

Observação: O Natal mais cedo

(DUAS adendas no final deste texto.)
Hoje está-se a um mês do Natal, mas, sinceramente, sinto desde este último fim-de-semana – e não serei certamente a única pessoa nessa situação – que a quadra festiva veio (um mês) mais cedo. E porquê? Sendo eu um homem directo, não hipócrita e sem rodeios, a explicação é óbvia e inevitável: a detenção, o interrogatório e a prisão preventiva de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, que constitui(u) para mim um motivo de muita alegria e de grande celebração. Que grande «prenda» antecipada caiu nos «sapatinhos» de todos nós!
Quem me acompanha regularmente aqui no Octanas, quem lê (já leu) os textos que eu escrevi sobre a actualidade política em Portugal, a maior parte dos quais incluídos no meu livro «Um Novo Portugal», sabe que este era o desfecho que eu há vários anos aguardava, e ansiava, para a carreira de um dos homens mais vis, revoltantes e indignos que tiveram acesso às mais altas instâncias de poder neste país no último meio século. As acusações de crimes de branqueamento de capitais, corrupção e fraude fiscal de que ele está indiciado estão em consonância com os muitos rumores, as muitas suspeitas, que há desde há muito circulavam, e resultantes dos diversos casos, e escândalos, político-jurídico-financeiros que têm agitado esta ridícula terceira república.
E mesmo que José Sócrates venha a ser ilibado em tribunal – o que eu não acredito e não quero – ele mereceria sempre este opróbrio porque, indiscutivelmente, tornou – com a cumplicidade de camaradas e comparsas do Partido Socialista, que deveriam igualmente prestar contas à Justiça – esta nação mais pobre devido à sua governação deliberadamente ruinosa, que aliás ele viria a admitir com a célebre afirmação «a dívida não é para se pagar, é para se gerir». Só por isso – e já seria muito! – ele merecia ficar preso, e por muito tempo. E também, para cúmulo, por, durante os (nefastos) seis anos em que foi primeiro-ministro, ter imposto – sem ratificação por voto popular, como normalmente se exigiria – a aberração cultural do «acordo ortográfico», além de outras de cariz «social».
Quase tão bom como gozar a agonia do «Grande Só-Cretino» é desfrutar da desilusão, e até do choque, dos seus apoiantes, que, hipocritamente, não hesitam em lançar insinuações conspirativas sobre polícias, procuradores e juízes. E é inevitável para mim lembrar-me – eu não tenho memória curta – mais uma vez do que aconteceu entre 2004 e 2005, quando o actual «cliente» Nº 44 do Estabelecimento Prisional de Évora se tornou chefe de governo e se cuspiram as atoardas mais inacreditáveis sobre o seu antecessor, Pedro Santana Lopes. As voltas que a vida dá… Enfim, não se deve esquecer nunca o nome daquele que é o primeiro culpado pelo que aconteceu a partir daí: Jorge Sampaio.
(Adenda – Em Vila Franca de Xira há, compreensivelmente, a preocupação com as prováveis (más) consequências, para a imagem – e para a economia – do concelho, do recente surto de legionella. Porém, apesar de muito grave, de ter causado (uma dezena de) mortes e (centenas) de hospitalizações, a infecção por aquela bactéria não foi o resultado de uma acção deliberada mas sim da incompetência de certas pessoas em certas empresas. Pelo contrário, algo que também prejudicou, e muito, a imagem de Vila Franca de Xira, e que resultou da decisão voluntária de muitos que nele residem, foi o facto de o concelho ter sido um dos poucos do país - de facto, não foram assim tantos - onde, em 2011, o PS ainda liderado por José Sócrates venceu as eleições legislativas daquele ano – envergonhando os (aparentemente) minoritários cidadãos sensatos que habitam naquele município junto ao Tejo.)
(Segunda adenda - Convém recordar que, em finais de Julho, já se prenunciava o que viria a acontecer em finais de Novembro.    

sábado, novembro 22, 2014

Orientação: Saúde-se o Sporting, no ILCAO

Apesar de ser benfiquista – mas «desiludido» - não tenho qualquer problema em reconhecer algum bom trabalho e/ou alguma boa iniciativa de outra instituição desportiva. Como é o caso do Sporting Clube de Portugal, cuja decisão, tomada este ano, de rejeitar oficialmente o AO90 eu recordo e reforço em texto, publicado hoje, no sítio da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico.

segunda-feira, novembro 17, 2014

Outros: «Espíritos…» que perduram

Foi publicada há exactamente um ano, e só há cerca de um mês a descobri: uma recensão ao meu livro «Espíritos das Luzes» feita por Rui Martins no seu blog Orfiário
… E em que se afirma que, naquela obra, «o jornalista Octávio dos Santos elabora uma desconstrução alegórica e fantástica do ambiente e cenário da época, misturando História e ficção científica, figuras reais com personagens de ficção, surpreendendo assim as expectativas do público leitor, visto que esta é uma obra de largo espectro capaz de agradar não só aos amantes do romance histórico, mas também aos fãs mais acérrimos da literatura fantástica.»
Este meu livro, publicado em 2009 pela Gailivro na colecção «1001 Mundos» mas que concluí antes, em 2005, com o objectivo de ser lançado aquando da evocação dos 250 anos do terramoto de 1755, foi igualmente incluído numa lista de 20 – ficção e não-ficção – de leitura recomendada sobre aquele tema. Porém, o seu âmbito é maior e mais diversificado do que a da grande catástrofe do século XVIII, mesmo que «reimaginada» numa dimensão, espaço e tempo, alternativos. São «espíritos» e das «luzes», mas, no que depender de mim, perduram. (Também no Simetria.)

sábado, novembro 08, 2014

Observação: Não foram queimados

Não é apenas por preconceito, e até por receio, em relação à Ficção Científica e Fantástico e à sua indubitável superioridade e (maior) relevância enquanto género literário e artístico, que intervenientes privilegiados no campo cultural – jornalistas, críticos, editores, jurados de prémios, políticos e funcionários públicos com responsabilidades naquele – a desvalorizam e tentam subalternizar, prejudicando assim as suas possibilidades de alcançar um público (mais) alargado. Também é, frequentemente, por ignorância. Dois casos recentes, e quase coincidentes, disso mesmo merecem ser aqui relatados.
O primeiro foi protagonizado por Eduardo Pitta, que escreveu no seu blog Da Literatura que «infelizmente, (Ray) Bradbury não tem tido fortuna na edição portuguesa, estando embora traduzidos os dois ou três livros mais conhecidos»; o que motivou uma resposta por parte de… uma certa pessoa no seu blog A Lâmpada Mágica, que esclareceu o «literato» colaborador das revistas Ler e Sábado que, na verdade, do autor de «Fahrenheit 451» foram publicados no nosso país quase 20 livros; é evidente a desilusão do militante do Bloco de Esquerda em relação ao apoiante do Partido Socialista, mais concretamente pela «desinformação algo grotesca» - na verdade, desconhecimento, desinteresse e desleixo – demonstrada pelo segundo ; e tanto deve ter custado ao primeiro escrever a «posta», pois, afinal, é tão grande a proximidade ideológica entre os dois…
O segundo caso foi protagonizado por Nuno Galopim, que escreveu no seu blog Sound + Vision - em que tem João Lopes como parceiro – que dois livros de Arthur C. Clarke, «2061 – A Terceira Odisseia» e «3001 – A Odisseia Final», nunca foram traduzidos e editados em Portugal; só que… foram mesmo, e eu enviei uma mensagem (até agora sem resposta) a dar essa informação, acrecentando que aquelas duas obras integra(ra)m a colecção «Nébula» das Publicações Europa-América, a primeira (que, aliás, eu possuo, numa 2ª edição de 1988) com o número 25 e a segunda com o número 63; apesar de, insolitamente, tal facto não constar actualmente no sítio na Internet das PEA, a «prova» pode encontrar-se, por exemplo, no índice da colecção incluído na edição portuguesa de «Roma Eterna» de Robert Silverberg - livro extraordinário que eu também tenho, que foi o meu «destaque na literatura» do segundo quadrimestre de 2006, e que constituiu ainda, como revelei na introdução, uma influência decisiva na concepção de «A República Nunca Existiu!»
Enfim, é igualmente de referir que tanto o Da Literatura como o Sound + Vision não permitem a inserção de comentários. O que não obsta, como se vê, a que existam sempre meios de repor «a(s) verdade(s) a que (todos) temos direito». Que, neste caso, é a de que aqueles livros existem, ou existiram, em Português; não foram enviados ao espaço, não foram queimados. ;-) (Também no Simetria.)    

domingo, novembro 02, 2014

Oráculo: Um dos «Mensageiros», outra vez

A terceira edição – ou «Episódio III» - do colóquio «Mensageiros das Estrelas», cuja realização foi anunciada pela primeira vez em Abril último, já tem o seu programa disponível. E eu tenho o privilégio, também pela terceira vez, de ser um dos oradores convidados nacionais – ou national guests – do encontro organizado pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa: no dia 19 de Novembro, o primeiro dos três do evento, entre as 17.45 e as 18.45 horas, no anfiteatro 3 da FLUL, participarei na mesa-redonda/debate «Ficção Científica e Crise», com João Barreiros, Luís Filipe Silva e Telmo Marçal, e moderação de Margarida Vale de Gato.
Obviamente, outros temas interessantes e outros intervenientes qualificados integram o programa do «Mensageiros das Estrelas» de 2014.  A primeira sessão plenária abordará a «Literatura de fantasia e a Idade Média», e seguir-se-ão comunicações e análises sobre «Heróis, vilões e monstros», «Utopia e distopia», «Ficção científica e História», «Imagens do sobrenatural e do corpo», «Videojogos, imaginário e ficção», «Zombies e performance», «A mulher na ficção científica» e «Mundos possíveis», entre demais tópicos. A lista de oradores inclui Adelaide Serras, Angélica Varandas, David Klein Martins, João Félix, Mick Greer, Nelson Zagalo, Rachel Haywood Ferreira e Susana Valdez, entre demais participantes.
Como nas duas edições anteriores (em 2010 e em 2012) do «Mensageiros das Estrelas», haverá livros à venda no espaço do (e adequados ao) colóquio. E um deles será, inevitavelmente, a antologia «Mensageiros das Estrelas», apresentada pela primeira vez há dois anos. Uma nova oportunidade, um novo pretexto, para quem ainda não o fez a adquirir. (Também no Simetria.)         

segunda-feira, outubro 27, 2014

Outros: Querem também uma mudança de regime

Haverá, quase de certeza, mais, mas pelo menos uma outra pessoa é a favor, como eu, de uma mudança de regime em Portugal e da consequente redacção e aprovação de uma nova lei fundamental para o país: Pedro Braz Teixeira, que, no seu artigo «Constituições de facção», publicado no jornal i no passado dia 22 de Outubro, afirma que «Portugal precisa de mudar de regime e de Constituição, que deve deixar de ser de facção para passar a ser verdadeiramente nacional. A Terceira República é um regime que já está podre há vários anos e que deveria terminar. São múltiplas (demasiadas!) as instituições do regime que lançam um cheiro fétido por todo o lado. Infelizmente, ainda que os sucessivos regimes portugueses tenham caído de podres, essa putrefacção durou longos anos.» Tal como (re)afirmei recentemente, esta III República não tem regeneração. No respectivo espaço para comentários do i ainda ninguém, felizmente, chamou Braz Teixeira de «demente», com algum tipo de «problemas mentais», ou então (muito) «intolerante». Já é um progresso! (Também no MILhafre (98).)

quarta-feira, outubro 22, 2014

Ocorrência: Ontem na FENPROF

Estive ontem, juntamente com Hermínia Castro e João Pedro Graça, e em representação da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, na sede em Lisboa da Federação Nacional de Professores para uma reunião que solicitámos àquela associação sindical, tendo como interlocutores os professores António Avelãs e Luís Lobo. Os objectivos foram, obviamente, apresentar a Iniciativa à FENPROF e convidar esta a juntar-se a nós na luta pela revogação do AO90. Um relato do encontro (com fotografias) está no sítio da ILCAO.

quarta-feira, outubro 15, 2014

Orientação: Sobre a Pátria e a Língua, na NA

Na edição Nº 14 da revista Nova Águia (relativa ao segundo semestre de 2014), e nas páginas 71 a 74, está o meu artigo «A minha pátria já não é a língua portuguesa». Foi escrito em obediência ao tema proposto - «80 anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa» -  e é composto por sua vez de excertos de alguns outros, anteriores, artigos, que de alguma forma abordam aquele tema, uns incluídos no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», editado em 2012 pela Fronteira do Caos, e outros escritos e publicados posteriormente. A Nova Águia Nº 14 terá a sua primeira apresentação hoje, quarta-feira, 15 de Outubro, às 17 horas, no Palácio da Independência, em Lisboa; e, à semelhança das edições anteriores, outros lançamentos deverão seguir-se um pouco por todo o país.    

domingo, outubro 05, 2014

Observação: Não tem regeneração

Não posso ser certamente a única pessoa a achar insólito, incongruente, irónico, que um dia que deixou de ser considerado, em decisão de um governo ratificada por um presidente da república, um feriado oficial, ainda seja merecedor de… comemorações oficiais. Que, para mais, contam com as presenças do governo – através do primeiro-ministro – e do PR acima citados! Hoje, 5 de Outubro de 2014, tal aconteceu em Lisboa, tendo como anfitrião o presidente da câmara municipal daquela, recém-eleito novo líder do maior partido da oposição e desejoso de assumir uma pose ainda mais institucional que tente ocultar, e se possível apagar, a sua indiscutível incompetência enquanto autarca.  
É evidentemente uma situação ridícula, mas há muito tempo que tudo o que se relaciona com a (evocação da) implantação da república em Portugal é ridículo. As «altas individualidades» que hoje acorreram aos Paços do Concelho quase de certeza nunca pensaram que, mais do que a tomada do poder por terroristas através de um golpe de Estado em 1910, esta data podia e devia ser celebrada enquanto a do reconhecimento formal da fundação da nacionalidade – pela assinatura do Tratado de Zamora em 1143. Tal como não costumam celebrar o 1º de Dezembro nem o 14 de Agosto, que não são mas deviam ser feriados, preferindo, ao invés, assinalar a união ibérica a 10 de Junho, que ainda é.
Porém, e apesar de qualquer festejo da república ser mais patético de que patriótico, há sempre a possibilidade de, relacionado com ela, surgir um qualquer incidente grotesco adicional. Desta vez foi a controvérsia a propósito de uma exposição na assembleia da re(les)pública intitulada «Cem anos de presidência», e que é constituída por 18 bustos (no sentido de «carantonhas», infelizmente) de outros tantos figurões que ocuparam o cargo de chefe de Estado; mais concretamente, de protestos do BE e do PCP por a referida iniciativa incluir representações em barro de Carmona, Craveiro Lopes e Thomaz, residentes do Palácio de Belém no período entre 1926 e 1974, isto é, durante a 2ª república. No entanto, se fossem coerentes e intelectualmente honestos, bloquistas e comunistas teriam igualmente exigido a retirada dos retratos dos presidentes da 1ª república, que, por também ter sido uma ditadura, nunca proporcionou a eleição em democracia do «mais alto magistrado da nação».
Enfim, a verdade é que representa pouco mais do que um desperdício de tempo e de esforço qualquer discussão a respeito deste regime. Que permite ou mesmo promove a gradual destruição do país – pelo abandono do território, pelo descontrolo migratório, pelo financiamento do aborto, pela espoliação fiscal – e que por isso não tem – e não é de agora – qualquer recuperação ou regeneração possível. Quantos mais escândalos de âmbito político-económico – o do Banco Espírito Santo é só o mais recente – serão ainda necessários para convencer os que ainda se iludem? Pela minha parte, e como já afirmei, estou pronto para (um)a revolução. De preferência, e se possível, pacífica. (Também no MILhafre (97).

quarta-feira, outubro 01, 2014

Orientação: Simetria Sonora 2014

Hoje celebra-se mais um Dia Mundial da Música, o que significa também uma nova edição do projecto Simetria Sonora. E, tal como nos anos anteriores, a esta grande lista foram adicionados 50 discos de «música de ficção científica e de fantástico»: são agora 450.