domingo, julho 13, 2014

Orientação: No Obamatório pode também ler-se…

… Entre os vários textos que tenho escrito e publicado naquele meu outro blog, e em especial neste ano de 2014: que o New York Times não é – nunca foi – um «jornal de referência», e não tem – nunca teve - credibilidade; que Barack Obama parece estar a aprender para ser ditador, que provavelmente foi «substituído» por um sósia, e que para prevenir e evitar mais problemas (que ele causa) já deveria ter apresentado a sua demissão; que Bill de Blasio, mayor (presidente da câmara) de Nova Iorque é, essencialmente, um comunista; que Hillary Clinton é um «ídolo com pés (e não só) de barro»; que o enfraquecimento deliberado da política externa e das forças armadas norte-americanas está a possibilitar o ressurgimento de terroristas e a pôr Israel em perigo; que nem a NASA escapa à degradação provocada pelo «obamismo»; que o 4 de Julho parece ser cada vez mais o «Dia da Dependência»… Enfim, muitos factos, e muitas opiniões baseadas em factos, que nunca ou raramente se encontram na «isenta» comunicação social portuguesa, e numa grande parte da blogosfera. De que o Obamatório é – continua a ser – uma excepção.       

quarta-feira, julho 02, 2014

Ocorrência: Apresentei queixa na PSP…

… Ontem, mais especificamente na esquadra da Polícia de Segurança Pública da minha área de residência, contra desconhecido(s), que causaram danos na minha casa – mais concretamente, desenharam tags, graffitis, numa das paredes daquela. Apesar de ser pouco provável que os culpados venham a ser descobertos, acusados, julgados e condenados, e de não ser de facto um crime (muito) grave, denunciei o caso às autoridades por uma questão de princípio, de coerência; não faria sentido não o fazer depois de, no meu artigo «Terra queimada», me ter insurgido também contra a permissividade que existe em Portugal, principalmente em Lisboa mas não só, relativamente ao que são, objectivamente, actos, mais do que de desrespeito, de destruição de propriedade alheia, tanto pública como privada. 

sexta-feira, junho 27, 2014

Observação: Desta vez, aconteceu no Brasil

(UMA adenda no final deste texto.)
Já o disse, e escrevi, mais do que uma vez: com a selecção nacional sénior de futebol de Portugal a questão nunca é saber se vai ganhar algum campeonato, europeu ou mundial, mas sim em que momento da prova vai perder. Neste ano de 2014, no Campeonato do Mundo disputado no Brasil, igualou o pior resultado de sempre em torneios finais (há que não esquecer as vezes em que nem foi apurada na qualificação): ficou-se pela fase de grupos… o que não acontecia desde 2002, no campeonato que decorreu na Coreia do Sul e no Japão.
O que também se repete rotineiramente na representação nacional em futebol e nos seus maus resultados são as (mesmas) causas: (fraca) atitude, (maus) comportamentos, (previsíveis) erros. É a ausência de ambição, que leva «profissionais» bem remunerados a portarem-se como uma «excursão de solteiros e casados» em pré-férias; a displicência que frequentemente se confunde com arrogância; o amadorismo e a incompetência que levam a que não tenham cuidado na defesa (sofrer golos), na disciplina (ver cartões) e na saúde (sofrer lesões). Enfim, a crónica dependência de «milagres» (que nunca acontecem) quando se devia apostar num trabalho de (quase) todos os dias.
Porém, e volto igualmente a afirmá-lo e a registá-lo, a culpa destes sucessivos desastres é também dos que «estão de fora». Isto é, (quase) todos nós (eu não me incluo, porque há muito tempo que deixei de acreditar e, logo, de me comportar como um idiota), desde os milhões de meros espectadores, «torcedores» (e sofredores), às centenas, milhares, de profissionais da comunicação, jornalistas, comentadores, alegados «especialistas». Que, antes, e apesar dos (maus) antecedentes, estão sempre disponíveis para dar o benefício da dúvida; e, depois, estão sempre disponíveis para arranjar uma desculpabilização… e até uma consolação. Na verdade, e pelo contrário, o que eles (jogadores principalmente, mas também técnicos e dirigentes) deveriam receber era indiferença, quando não desprezo – e logo antes da partida, o que implicaria, igualmente, evitar recepções no Palácio de Belém…
No entanto, os piores, neste aspecto, estão sempre no mesmo local: a RTP. A agitação, o frenesim, a propaganda em tons verdes e vermelhos, sempre abunda(ra)m na estação pública de televisão durante estas ocasiões. Não têm – nunca tiveram – naquela casa qualquer vergonha na cara ou qualquer noção do ridículo: os vídeos de incentivo à «seleção» assumem um tom «épico» que mais não é do que risível, e naquele que foi emitido antes do jogo com o Gana chegaram ao cúmulo de evocar os que combateram em Aljubarrota e os que dobraram o Cabo das Tormentas! Infelizmente, nenhum dos que estiveram a «representar-nos» futebolisticamente no outro lado do Atlântico tem qualquer semelhança com – e qualquer herança de – esses heróis de outrora, que venciam invariavelmente apesar de partirem em desvantagem. E Cristiano Ronaldo, cujo estatuto de «melhor jogador do Mundo» não se tem reflectido na suposta «equipa de todos nós», que em poucos dias passou da fanfarronice («este vai ser o ano de Portugal») ao fatalismo («nunca imaginei ser campeão»), não é uma reencarnação de Vasco da Gama, de Pedro Álvares Cabral ou de Afonso de Albuquerque. Será, talvez, quando muito, de Fernão de Magalhães...
Todavia, a humilhação não é sempre necessariamente idêntica: pode variar, e varia, consoante as circunstâncias, entre as quais, e em especial, o país em que a derrota definitiva, a eliminação prematura, o fracasso final, acontecem. Já em 2010 havia sido muito mau (também) simbolicamente por ter decorrido na África do Sul, terra em que, precisamente, o Cabo «das Tormentas» se transformou em «da Boa Esperança». Mas em 2014 foi ainda pior porque, desta vez, aconteceu no Brasil. Pelo que o escárnio, o paternalismo e a soberba – ou, numa palavra, as anedotas - vão continuar, e, provavelmente, até aumentar. Como disse Paulo Bento, tivemos (e temos e teremos) «o que merecemos». Em ano de centenário da Federação Portuguesa de Futebol não poderia mesmo haver uma «prenda» melhor? (Também no MILhafre (93).)
(Adenda - Deixei comentários e entrei em «diálogos» sobre futebol no Malomil e no Sporting/ÉsANossaFé.)

sexta-feira, junho 20, 2014

Ocorrência: Foram quase 900

Ontem, e tal como tenho feito diariamente desde que ele foi publicado no passado dia 7 de Junho no Público, acedi ao sítio na Internet daquele jornal e à página que contém o meu artigo «Proíbam o Inglês!» No dia anterior verificara que o número de recomendações/partilhas no Facebook estava em 880; porém, agora esta(va)m em apenas… uma! Contactei de imediato a Direcção do Público, que considerou o ocorrido «anormal» e «inacreditável» e para o qual não encontrava (até ao momento) explicação; também desapareceram as ligações a blogs que referiram o artigo, mais concretamente o Octanas e o ILCAO. No entanto, que fique claro e sem lugar a dúvidas: foram quase 900 as pessoas que «gostaram» e que divulgaram o meu artigo, no que terá sido, nesse aspecto e no que se refere a textos de opinião, um recorde no Público.
Entretanto, e curiosamente, nenhum dos comentários desapareceu, e ainda bem. Farei uma breve análise aos de duas pessoas. Primeiro, Alberto Queiroz, de que nunca tinha ouvido falar, e que se tornou mais um, lá está, a (des)tratar-me por «Otávio» e que insinuou que eu não sei que foi em Portugal que a mania das alterações/«reformas» ortográficas abrangentes, burocráticas e não democráticas começou… Sim, eu sei, e foi em 1911 e não na «década de 20»; ou seja, e por eu ser português, não teria por isso direito a manifestar-me contra mais um «(des)acordo ortográfico»; o Sr. Queirós é que devia ter juízo, e já tem mais do que idade para isso. Segundo, Manuel Freitas, e este, sim, eu já «conhecia», e ele «conhece-me», porque é um editor com quem já falei ao telefone e troquei mensagens de correio electrónico; propus-lhe a edição de três livros meus, um dos quais era, é, o meu segundo «romance», recentemente concluído, uma distopia de ficção científica, que o Sr. Freitas considerou ter «um tema desconfortável e que no nosso caso não se enquadra no nosso posicionamento de grande público» - de notar que ele chegou a afirmar, num dos seus perfis profissionais (escrito em Inglês), ter «alta tolerância ao risco» e estar «sempre à procura de novos desafios»; pelo que lhe enviei, a 10 de Junho, uma mensagem…
… À qual ele ainda não respondeu (nem deverá responder), e que a seguir transcrevo: «Caro Manuel de Freitas, vi hoje que deixou um comentário no meu mais recente artigo no Público... Pergunto-lhe: porque é que (também) não me contactou directamente, e me colocou as questões e os comentários que quisesse? Perdeu este meu “e-ndereço” de correio electrónico? Você, tal como muitos outros que têm a consciência pesada neste assunto, mais não faz do que utilizar distracções, subterfúgios, enfim, merdices. Começando com o tema da “percentagem”, do número de palavras afectadas ou não pelo AO... sim, são menos de metade do total, mas são centenas, quiçá milhares, em que se incluem muitas que têm utilização frequente, constante, como todas as que derivam de “acção” e de “direcção”, por exemplo; mais do que a quantidade, está em causa o princípio (ou falta dele...) E bastariam “maravilhas” como “espetáculo” e “receção” para, sim, (des)classificar de cobarde e de imbecil quem concebeu esta aberração... e quem se submete a ela. E, claro, não podia faltar o “argumento” de que “porque a ortografia que utiliza já é ela própria o resultado de uma alteração, de uma ‘simplificação’, então não tem de estar a protestar”... Ou seja, não podemos dizer “já chega!” Até quando é que isto durará? Até a língua estar reduzida, ortograficamente, ao “SMS básico”, e, vocalmente, a grunhidos? E, para que conste, eu não teria qualquer problema em escrever como se escrevia antes de 1911... Porque, então, estávamos ainda mais próximos das ortografias francesa e inglesa. E este meu artigo serve principalmente para demonstrar e denunciar a hipocrisia daqueles que, aceitando deformar o Português com o “acordês”, não têm vergonha de, em simultâneo, abusar individualmente, socialmente, profissionalmente, do Inglês, onde não faltam “c's” e “p´s” repetidos e “mudos” e “ph's”. Como alguém que, sendo português e trabalhando em Portugal, decidiu designar uma das suas editoras como “Booksmile”. “Lamentável”, eu? Olhe-se ao espelho.»
Na verdade, o que não faltam são (mais) exemplos de pessoas e de entidades em Portugal que, ao mesmo tempo que se submetem ao «aborto pornortográfico», contradizem este ao incorporar expressões em Inglês na sua actividade. Um dos mais recentes é dado pela EDP, que, apesar de já não ser «eléCtrica», decidiu designar um dos seus serviços como «energy2move». Não há dúvida de que, em alguns, a estupidez está sempre «ligada à corrente». (Também no MILhafre (92).)

terça-feira, junho 10, 2014

Observação: Vem aí mais um Filipe…

Hoje assinala-se aquele que, na verdade, e como já o demonstrei, não é, não devia ser, o (autêntico) «Dia de Portugal», mas sim o «Dia da Perda da Independência e da União com Espanha»… ou seja, sempre foi, e continua a ser, a data preferida dos iberistas nacionais, que existem, são bastantes…
… E se concentram principalmente no Partido Socialista. E agora, que vem aí mais um Filipe como Rei, deverão os jacobinos lusitanos ceder à sua verdadeira devoção, sem dúvida reforçada após terem assistido hoje a outro desfalecimento do «mais alto magistrado da Nação»? Depois de José Sócrates («Espanha, Espanha, Espanha!») e de António Mendonça («Lisboa pode ser a praia de Madrid»), António Costa foi a terceira figura de destaque do PS a demonstrar, nos últimos anos, uma reprovável – mas não surpreendente – subserviência ao país vizinho. A pretexto da realização da final da Liga dos Campeões de 2014 no Estádio da Luz, Costa foi à capital espanhola a 8 de Maio último oferecer à sua congénere madrilena, Ana Botella, as «chaves da cidade de Lisboa» (algo que só acontecera antes na nossa capital e com chefes de Estado estrangeiros), garantiu-lhe que «Lisboa seria Madrid por um dia», e trouxe de lá uma bandeira de Espanha para hastear na Praça do Comércio. E tudo isto enquanto, evidentemente, se exprimia não em Português mas sim em «portunhol»…
Esta foi apenas mais uma prova da falta de carácter e de competência de alguém que, entretanto, decidiu tornar-se líder do PS e o próximo primeiro-ministro, no que conta com a ajuda e o apoio de camaradas tão «distintos» como, entre outros, Isabel Moreira e Miguel Vale de Almeida. Sinceramente, como é que alguém como António Costa é considerado uma alternativa credível? Se enquanto secretário de Estado e ministro a qualidade e relevância da sua actuação foi (muito) discutível, já enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa os desastres têm-se sucedido, de que são de destacar: degradação constante, e até acelerada, do parque arquitectónico e imobiliário; intervenções supérfluas, e mesmo prejudiciais, no trânsito; e ainda (algo que me atingiu pessoalmente) cumplicidade em procedimentos incorrectos por parte de inferiores hierárquicos…
Enfim, a partir do momento em que alguém enaltece, como «princípio orientador» do seu percurso futuro, o «impulso reformista» do «licenciado ao Domingo», não podem restar dúvidas sobre o que acontecerá (outra vez) se tal pessoa alcançar o poder. Nesse sentido, a «morte anunciada» do PS não poderá vir cedo demais. E, a seguir à «guerra», os «rosas» sempre podem fugir para Castela… (Também no MILhafre (91).

sábado, junho 07, 2014

Orientação: Sobre uma «proibição», no Público

Na edição de hoje (Nº 8821) do jornal Público, e na página 55, está o meu artigo «Proíbam o Inglês!». Um excerto: «Que confusão não acontecerá – aliás, já acontece – nas cabeças dos mais jovens ao verem numa língua “c’s”, “p’s” e até “ph’s” em excesso que na outra são – ou se tenta que sejam – eliminados. Depois disso, e como que em consonância com mais uma “lógica” inovação pedagógica estatal, RTP e TVI iniciaram a transmissão de “versões infantis” de dois dos seus programas, respectivamente “Chef’s Academy – Kids” e “A Tua Cara não me é Estranha – Kids” - porque, “evidentemente”, não ficaria bem colocar “crianças” ou “miúdos” no título. Porém, e quanto a “ironia ortográfica luso-britânica”, nada nem ninguém supera o governo regional dos Açores: o seu sítio na Internet, que, evidentemente, exibe um bem comportado, conformado, “acordismo”, tem como “e-ndereço”… azores.gov.pt!» (Também no MILhafre (90). Referência no Blogtailors, e ainda, acrescida de reprodução, no ILCAO, no Largo dos CorreiosMyWebVodafone, PorAmaisB e República Digital.

quarta-feira, junho 04, 2014

Observação: Antes Angola do que a China

Assinalam-se hoje 25 anos desde a repressão – agressão, prisão, execução, exílio – de manifestantes chineses pela democracia na Praça Tiananmen em Pequim.
Convém lembrar, e salientar, que, um quarto de século depois desse intenso mas breve momento de esperança, e apesar de toda a «modernização» e «desenvolvimento» que entretanto, e alegadamente, ocorreram, o «Império do Meio» continua a ser dominado pelo (único) Partido Comunista Chinês e a ter como regime uma ditadura violenta, que não possibilita a liberdade de expressão e a de associação, entre outras. Ainda recentemente, durante a visita de Aníbal Cavaco Silva àquele país, os «comissários culturais» pós-maoístas não hesitaram em censurar – proibir, remover – obras de artistas portugueses expostas para a ocasião. Infelizmente, as relações luso-chinesas têm tido outros aspectos (mais) desagradáveis, em especial na economia: foram más – péssimas! – as decisões por parte do actual governo de vender a REN, a EDP e a Fidelidade, grandes, fundamentais, empresas portuguesas e líderes nos seus sectores, a congéneres chinesas – que, obviamente, têm (todas) ligações ao PCC. Terá sido por isso que a cor da seguradora passou a ser o vermelho? A da «elé(c)trica» já era essa, pelo que não foram necessárias – à primeira vista – mais alterações…
É neste contexto que se tornam mais insólitas as contestações, as queixas e as suspeições relativas aos investimentos de empresários angolanos no nosso país, que envolveram inclusivamente a publicação de um livro intitulado «Os Donos Angolanos de Portugal». A minha posição quanto a este assunto é inequívoca: antes Angola do que a China. E não só por aquele ser um país irmão, do espaço da língua portuguesa (que Luanda respeita, ao contrário de Lisboa, porque não implementa o AO90); também porque nele há uma democracia, sim, ainda imperfeita, incipiente, mas uma democracia; nele há pluralismo partidário e, embora com restrições, liberdade de expressão. Sim, podem dizer que a situação em Angola não é óptima; mas na China é muito, muito pior. (Também no MILhafre (89).      

terça-feira, maio 27, 2014

Observação: Para ocupar o cargo de Director…

… Do Expresso manifesto desde já, publicamente, o meu interesse e a minha disponibilidade, na eventualidade de Ricardo Costa, actual responsável máximo daquele semanário, efectivamente se demitir, seja por (se e quando) o seu irmão António Costa ascender por sua vez ao cargo de secretário-geral do Partido Socialista, ou por qualquer outro motivo. Sou jornalista há mais de 25 anos, tenho carteira profissional, já ganhei (quatro) prémios no âmbito da actividade, e, sem falsa modéstia, considero que tenho (algumas) qualidades…
… E para melhorar o Expresso, tanto no seu conteúdo informativo como no seu desempenho comercial, nem seria preciso muito: para começar, bastaria apenas revestir, novamente, o órgão de comunicação social erigido há mais de 40 anos por Francisco Pinto Balsemão com o Português Normal e Correcto, e nele abolir definitivamente a utilização do ilegal, ilegítimo, inútil e ridículo «aborto pornortográfico». Não duvido de que me aguardaria uma carreira de sucesso! ;-)  

quarta-feira, maio 21, 2014

Organização: Segundo «romance» concluído…

… E registado. Ontem entreguei na Inspecção-Geral das Actividades Culturais, no Palácio Foz, em Lisboa, (mais) um requerimento para o registo de uma obra literária de minha autoria: o meu segundo «romance», ao qual já havia feito referência em 2011… um ano depois de ter começado a escrevê-lo, a 25 de Abril de 2010. Afinal, terminei-o um ano depois do que havia previsto então: há cerca de um mês, a 25 de Abril de 2014. E ontem também apresentei este meu trabalho como concorrente a um prémio literário. Porém, não acredito que consiga triunfar; não porque não esteja confiante na qualidade e na originalidade deste meu livro, mas porque a forma e o conteúdo dele inserem-se num género e num estilo – ficção científica, e, ainda por cima, uma distopia – que não costumam merecer atenção e apreço por parte da maioria dos críticos e dos membros de júris em Portugal. No entanto, o mais importante é que, finalmente, o «sucessor» de «Espíritos das Luzes» está feito. E por isso estou (moderadamente) satisfeito.

quinta-feira, maio 15, 2014

Observação: Falta menos de metade

Quem diria?! O Sport Lisboa e Benfica perdeu, ontem, mais uma final de uma competição europeia de futebol masculino sénior – a da Liga Europa, e pelo segundo ano consecutivo! Sim, foi a oitava final europeia que terminou com a derrota do clube português, mas convém sempre recordar, e adicionar, as duas edições da Taça Intercontinental perdidas nos anos 60 (para o Peñarol e para o Santos), pelo que, na verdade, são dez as finais internacionais que o suposto «Glorioso» já deixou escapar ao longo da sua deprimente história…
… E nem se deve falar em surpresa. Dizer que o Benfica perdeu uma final é como que, citando Grace Slick (cantora dos Jefferson Airplane) a propósito do seu então permanente estado de embriaguez, «dizer que houve uma terça-feira na semana passada». Será mesmo por causa da «maldição de Béla Guttmann»? Ou será por causa de incompetência e de impotência que se repetem ciclicamente, afectando diferentes gerações de jogadores, treinadores e dirigentes? Seja o que for, esta situação já não é triste nem trágica, mas sim, apenas, previsível e patética. O clube tornou-se uma anedota desportiva mundial, e não são os – ocasionais – triunfos em competições nacionais que chegam para compensar os fracassos no estrangeiro. Pelo que, apesar do campeonato (e da taça da liga) já conquistadas este ano (e, no momento em que escrevo, falta saber o que acontecerá na final da taça de Portugal), mantenho na íntegra o que afirmei no meu artigo «Da mística só a memória», publicado no Público em 2013.
Para aqueles que preferem acreditar na «maldição», pode-se lembrar, como referência e comparação, uma outra célebre, alegada, «praga» a afectar um outro clube: a «maldição do Bambino», que terá (talvez) impedido os Boston Red Sox de vencerem a final do campeonato de baseball dos EUA durante 86 anos! No caso do Benfica, é certo que se trata de um século, mas, no entanto, já passaram 52 anos desde que o lendário treinador húngaro fez a sua sinistra «previsão». Por isso, coragem, benfiquistas! Já falta menos de metade do tempo! Entretanto, fica uma sugestão: se o clube voltar a apurar-se para uma final antes de 2062, desistam de comparecer àquela e solicitem a entrega imediata do troféu ao outro clube; é uma decisão que só trará vantagens, em especial impedir que milhares, ou milhões, de masoquistas incorrigíveis sofram novamente de(s)ilusões. (Também no MILhafre (88).

domingo, maio 11, 2014

Observação: Verem-se gregos

Quem já leu o meu conto «Segundo Ultimatum Futurista», incluído na colectânea de ficção científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas», concebida e co-organizada por mim, publicada pela Fronteira do Caos em 2012 e apresentada pela primeira vez na segunda edição do colóquio internacional com o mesmo nome realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa…
… Com certeza se recordará de que, apesar de aquele conto, com base num dos mais famosos textos do genial José de Almada Negreiros, ter como tema principal (a visão de) um Portugal diferente num futuro próximo, difícil e até violento, nele não deixou de se fazer uma (breve) referência ao destino imaginado de um outro país europeu que tem sido, desde há anos, como que «companheiro de infortúnio» do nosso: a Grécia. Na verdade, nele escrevi: «E como se já não bastassem os anarquistas e os militares gregos a matarem-se uns aos outros, os turcos, oportunistas, resolveram intervir e invadir o dito berço da cultura ocidental, numa tentativa, talvez, de recuperarem o que em tempos passados possuíram. Porém, tiveram de enfrentar os exércitos privados das várias empresas multinacionais que ocuparam e se apossaram de partes do território grego que haviam sido hipotecadas como garantias para a concessão de empréstimos… que não foram reembolsados. É por isso que agora, e por exemplo, os dois estádios olímpicos de Atenas, tanto o velho como o novo, são da Sony, a cidade de Maratona é da Mercedes, o Monte Olimpo é da Nike e a Acrópole é da Coca-Cola.»
Quem leu poderá ter pensado que se tratou de algo rebuscado, até delirante, exagerado, excessivo como «convém» nestes casos… neste tipo de exercícios literários. No entanto, e como que comprovando novamente que a realidade, frequentemente, imita a ficção e pode ser inclusivamente mais estranha do que aquela, li no Público, no passado dia 17 de Março, uma notícia assinada por Cláudia Carvalho intitulada «Protestos na Grécia por Governo querer vender edifícios históricos». Onde se pode ler: «(…) O Governo grego continua a procurar soluções para menorizar os efeitos da crise. Depois de na semana passada ter dado luz verde à privatização de alguns monumentos e sítios arqueológicos importantes, o Ministério da Cultura grego pondera agora vender edifícios históricos. A decisão está a gerar controvérsia e protestos no país. (…) O primeiro-ministro Antonis Samaras pediu que se fizesse um levantamento dos edifícios pertencentes ao Estado para assim avaliar aqueles que podem ser vendidos. Listados para venda estarão já as propriedades construídas em 1922 para os refugiados da guerra greco-turca e ainda alguns andares do Ministério da Cultura instalados em edifícios neoclássicos no bairro turístico de Plaka. Pela sua história e importância arquitectónica, estes edifícios são vistos como jóias da arquitectura da Grécia. (…)»
Sabendo isto, é com alguma expectativa que fico à espera para ver se é concretizada outra «previsão» que fiz em «Segundo Ultimatum Futurista» relativa àquele país: «Nem a equipa que venceu o Campeonato da Europa de Futebol de 2004 foi poupada nas medidas e tentativas desesperadas e drásticas para pagar as dívidas: todos os jogadores que a integraram, verdadeiros heróis helénicos, foram vendidos ao Schweinsteiger’s, um famoso e exclusivo bordel em Berlim dedicado à prostituição homossexual masculina sado-masoquista.» (Também no Simetria.)

quinta-feira, maio 01, 2014

Ocorrência: Há 20 anos, ele desapareceu

No meu artigo «Mestre, Profeta Santo», escrito e publicado em 2004 (no décimo aniversário da sua morte), e incluído no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», eu recordei Agostinho da Silva, e de como os dez anos, entre 1984 e 1994, em que com ele convivi, coincidiram, curiosa e exactamente, com o mesmo período de tempo entre o falecimento do meu pai (em 1984) e o nascimento da minha primeira filha (em 1994). Porém, e pensando bem, existiu uma outra pessoa, cujas iniciais são também AS, cujo último apelido foi igualmente (da) Silva, que conheci e que admirei – à distância, e não pessoalmente – precisamente na mesma década: Ayrton Senna. Hoje assinala-se o vigésimo aniversário da sua morte, aquando do Grande Prémio de San Marino, no Circuito de Imola.
A primeira vez que ouvi verdadeiramente falar dele, em que o seu nome e o seu talento se destacaram decisivamente, e não só para mim, foi durante o Grande Prémio do Mónaco de 1984, a 3 de Junho – cinco meses antes de o meu pai morrer. Disputada à chuva, a prova mostrou pela primeira vez a grande aptidão de Ayrton Senna para correr naquelas difíceis condições – confirmada no ano seguinte pela sua primeira victória em Fórmula 1, no Grande Prémio de Portugal, no Estoril, novamente em piso molhado. A sua estreia no lugar mais alto do pódio podia, eventualmente, ter acontecido junto às ruas e à baía de Monte Carlo se a corrida não tivesse sido interrompida a meio após vários pedidos nesse sentido feitos por um Alain Prost que via o seu avanço sobre o brasileiro diminuir constantemente a cada volta. No entanto, tal acabou por não ser muito grave porque dos 41 triunfos de Ayrton seis foram no principado, cinco dos quais consecutivos.
A minha paixão pelo Benfica foi quase integralmente substituída pela minha devoção a Ayrton Senna. No «dia santo» o futebol era relegado para segundo plano sempre que havia automobilismo. Gritava e pulava de alegria quando ele ganhava, contorcia-me e rosnava de raiva quando ele não ganhava. Senti o seu prematuro, chocante, desaparecimento – em corpo, não em espírito – como uma tragédia quase pessoal. E procurei transmitir tudo aquilo que ele significa(va) para mim no meu poema «O elmo»: «(…) Era aos domingos que ele demonstrava a sua fé, e ao chegar à meta fazia de cada circuito uma igreja. Subia ao altar, erguia o troféu, bebia do cálice e orava, celebrando uma missa depois da motorizada peleja. (…) E no dia em que, com 34 anos, entraste para a eternidade, ninguém quis chorar porque ninguém acreditou de imediato. Visto do alto, o teu corpo, o teu carro, crucificado, imolado, como um mártir prestes a ser canonizado e santificado. Há quem diga que aquele que experimentar o teu elmo poderá ver imagens indescritíveis nunca antes sonhadas. Meu ídolo, meu irmão no idioma, que saudades eu tenho de exultar com a tua arte e a tua velocidade inultrapassadas.» (Também no MILhafre (87).)   

quarta-feira, abril 30, 2014

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2014

A literatura: «Pensamentos do Dalai Lima», Jorge Lima; «Inquietude», Sérgio Franclim; «Lisboa no Ano Três Mil», Cândido de Figueiredo; «Brasyl», Ian McDonald; «Guerra de Homem Velho», John Scalzi; «Justiça», Alex Ross, Doug Braithwaite e Jim Krueger; «A chave de prata» e «O medo emboscante», H. P. Lovecraft.
A música: «Kill 'Em All», Metallica; «Take The Crown», Robbie Williams; «Show No Mercy» e «Hell Awaits», Slayer; «Do Amor», Paulo de Carvalho; «Black Sabbath» e «13», Black Sabbath; «Once Upon A Time», Simple Minds; «That's Why God Made The Radio», Beach Boys; «Lotusflow3r», Prince; «Life Is Killing Me», Type O Negative.
O cinema: «John Carter de Marte», Andrew Stanton: «Um Monstro em Paris», Bibo Bergeron; «Imparável», Tony Scott; «Lanterna Verde», Martin Campbell; «Quantum de Consolo», Marc Forster; «Amanhecer - Parte 2», Bill Condon; «Rápidos e Furiosos», Justin Lin; «Transe», Danny Boyle; «Bert Stern - O "Homem Louco" Original», Shannah Laumeister; «Universidade dos Monstros», Dan Scanlon; «O Lutador», David O. Russell; «O Wolverine», James Mangold; «Aqui Depois», Clint Eastwood; «Lenda dos Guardiões - As Corujas de Ga'Hoole» e «Homem de Aço», Zack Snyder; «Coração Doido», Scott Cooper; «O Hobbit - Uma Jornada Inesperada», Peter Jackson; «Alguém Como Tu», Tony Goldwyn; «A Ajuda», Tate Taylor; «Fá-lo Chegar ao Greek», Nicholas Stoller; «Homens Repo», Miguel Sapochnik; «Amor», Michael Haneke; «Thor - O Mundo Escuro», Alan Taylor; «A Carga da Brigada Ligeira», Michael Curtiz; «Fantasmas de Namoradas Passadas», Mark Waters; «Comer, Rezar, Amar», Ryan Murphy; «Os Jogos da Fome - Apanhando Fogo», Francis Lawrence; «O Plano de Jogo», Andy Fickman; «Bola do Dinheiro», Bennett Miller; «O Turista», Florian Henckel Von Donnersmarck.
E ainda...: Café Saudade/Caminho Sentido Associação Cultural - «Poetry & Coffee 6/Alfred Tennyson»; FNAC/Vasco da Gama - exposição de fotografias de Rita Carmo «Bandas sonoras - 100 retratos na música portuguesa» + exposição de desenhos de Juan Cavia para argumento de Filipe Melo «As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy»; (revista) Metal Hammer Nº 252/2014-1; (documentário na RTP2) «Usain Bolt - O Mais Rápido Homem Vivo», Gael Leiblang; FNAC/Chiado - exposição de fotografias de Bob Willoughby «Audrey Hepburn, 20 anos depois»; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Resgatar a Memória - A Biblioteca Nacional na Gestão e Salvaguarda do Património Artístico dos Conventos» + exposição «Luís Serrão Pimentel e a Ciência em Portugal no Século XVII» + mostra «"O dia triunfal" - Centenário do nascimento de Alberto Caeiro» + mostra «Cláudio Carneiro (1895-1963)»; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Celeiro da Patriarcal - «CartoonXira 2014/Cartoons do Ano 2013 (António, Bandeira, Brito, Carrilho, Cid, Cristina, Gonçalves, Maia, Monteiro)» + «Eureka» (Puig Rosado); (revista) Estante Nº 1/2014-4; CoWorkLisboa/Lx Factory - encontro literário «A minha vida deu um livro»; (documentário na RTP2) «Estética, Propaganda e Utopia no Portugal do 25 de Abril», Paulo Seabra.

segunda-feira, abril 28, 2014

Observação: Companheiro Vasco

É certo que já era expectável... mas temos sempre uma esperança, por mais pequena que seja, de que o inevitável seja, pelo menos, adiado o mais possível. Vasco Graça Moura morreu, e vai fazer-nos muita falta; e não apenas no combate contra o abjecto, abominável, «aborto pornortográfico».
Também previsíveis, nestas ocasiões, são os elogios de circunstância, mais ou menos sinceros, a respeito da pessoa que partiu. É certo que há sempre uma quantidade apreciável de hipocrisia nestas manifestações de admiração póstuma. Porém, no caso deste advogado, político (secretário de Estado, deputado), poeta, ensaísta, romancista, (que desempenhou, entre outros, os cargos de) presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e do Centro Cultural de Belém, co-criador da Expo 98, a duplicidade é, tem sido, mais descarada do que o habitual.
Exemplos? Em comunicado, o actual (p)residente da república sublinhou a «marca indelével» que o agora falecido deixa na cultura e na política. Aparentemente, e infelizmente, não tão indelével de modo a que ele, que sempre teve o apoio do agora falecido, seguisse os seus conselhos no que se refere ao AO90. Pelo que, se quisesse mesmo «render homenagem» a Vasco Graça Moura, bem que Aníbal Cavaco Silva podia fazer cumprir um dos últimos e grandes objectivos do antigo director da Imprensa Nacional Casa da Moeda: cessar de imediato a (auto-)destruição da língua portuguesa. O mesmo se aplica a Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, e a Francisco José Viegas e a Jorge Barreto Xavier, anterior e actual secretário de Estado da Cultura. E ainda a Guilherme de Oliveira Martins, que permitiu que o CNC se tornasse em mais uma «coutada» dos neo-colonialistas da ortografia.
Entretanto, na RTP, é a pouca vergonha do costume: hoje, no programa «Bom Dia Portugal», logo a seguir a uma reportagem sobre o óbito do tradutor de Dante, Petrarca e Shakespeare, Carla «quebrar a oposição dos portugueses ao AO» Trafaria apresentou mais uma edição da rubrica «Bom Português», em que, desta vez, se perguntava como é que se escrevia «correctamente»… «pé-de-atleta». Não faltaram os inquiridos que, quais papagaios amestrados, responderam que era… sem hífens. Um (ponta)pé no traseiro era o que eles, e a alegada «jornalista», precisavam.
Vasco Graça Moura merecia muito mais do que isto. Ele foi, é, será, o nosso, autêntico, Companheiro Vasco. Outros provocam-nos, apenas, asco. (Também no MILhafre (86).)
(Adenda - Vasco Graça Moura foi, é de recordar e de salientar, uma das muitas pessoas que já subscreveram a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Pelo que homenageá-lo passa também por fazer com que mais assinaturas sejam conseguidas e recolhidas. 

sexta-feira, abril 25, 2014

Obrigado: Aos que compareceram…

… Anteontem no espaço do CoWorkLisboa na Lx Factory, em Alcântara, para assistirem e participarem no encontro literário «A minha vida deu um livro» (fotografias do mesmo já foram adicionadas na página do evento no Facebook). Foram cerca de três horas bem passadas relatando experiências, trocando ideias, partilhando memórias que estiveram, e que estão, na base do que escrevemos, em especial nos livros que destacámos mas não só. Os seis autores presentes, de gerações diferentes embora contíguas, que têm em comum uma passagem, uma ligação, directa ou indirecta e num dado momento das suas vidas e carreiras, no, com, o Grupo Fórum, demonstraram uma perseverança em continuar a (tentar) fazer mais e melhor, apesar de Portugal não ter cumprido todas as promessas que o 25 de Abril, cujo 40º aniversário hoje se assinala, pareceu fazer, a eles e a todos os seus compatriotas. 

segunda-feira, abril 21, 2014

Orientação: Sobre «… expressão», no Público

Na edição de hoje (Nº 8774) do jornal Público, e na página 47, está o meu artigo «Penalidade de expressão». Um excerto: «Ainda existem muitas pessoas em Portugal que pensam que a emissão de determinadas informações ou opiniões, pela sua forma e/ou o seu conteúdo, deve ser passível de penalização criminal, corporativa ou administrativa… apesar de aquelas não conterem, à partida e aparentemente, elementos falsos e/ou difamatórios. (…) Não faltam neste «”jardim à beira-mar plantado“ as pessoas que estão disponíveis para fazer queixas e cumprir ordens, por mais absurdas que sejam.» (Também no MILhafre (85). Referência no Coluna Vertebral e no ILCAO.)
(Adenda - Uma curiosidade... esta é a 500ª entrada no Octanas.)

sábado, abril 19, 2014

Oráculo: Dia 23, no CoWorkLisboa

Na próxima quarta-feira, 23 de Abril, assinala-se o Dia Mundial do Livro. E, de propósito, a CoWorkLisboa assinala a data com «A minha vida deu um livro», um encontro com cinco autores que falarão de uma obra sua, «o que os levou a escrever, como o fizeram e que dificuldades enfrentaram». Eu serei um deles, e apresentarei «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País». Comigo estarão: Laura Alves e «A Gloriosa Bicicleta – Compêndio de Costumes, Emoções e Desvarios em Duas Rodas»; Maria do Carmo Piçarra e «Salazar vai ao Cinema II – A “Política do Espírito” no Jornal Português»; Paulo M. Morais e «Revolução Paraíso»; Rui Marques e «Esperança em Movimento».
O evento, com início marcado para as 18.30, terá lugar no espaço em Alcântara do CoWorkLisboa, na Lx Factory, Rua Rodrigues Faria 103 (último piso). É a seguir ao Largo do Calvário e antes do Museu da Carris, quase por debaixo da Ponte 25 de Abril. Fui convidado por Fernando Mendes, um dos fundadores do CWL; a moderar estará António «dr Bakali» Saraiva, que participou na antologia «Mensageiros das Estrelas», que eu concebi e co-organizei; ambos estiveram comigo no Grupo Fórum – dirigido por… Rui Marques! – e na revista Cyber.Net, onde trabalhei entre 1997 e 1998 e pela qual ganhei o meu primeiro Prémio de Jornalismo Sociedade da Informação. (Referência no Blogtailors, no LeCool e no ViralAgenda.)
(Adenda - Outro autor e outro livro foram adicionados ao programa: Manuel Arriaga e «Rebooting Democracy - A Citizen's Guide to Reeinventing Politics».

quarta-feira, abril 16, 2014

Observação: Escreve-se com «c»

Desde há muitos anos que faço a mim próprio a seguinte pergunta: haverá algo de errado com o meu nome? É que, considerando a frequência com que – involuntariamente ou não – o alteram, essa hipótese deve ser colocada. Terá a ver com a minha voz, com a forma como o digo, o pronuncio? Dever-se-á, quando o escrevo, à minha letra «arrevesada»?
A verdade é que já confundiram Octávio com Acácio, António, Ary, Cláudio, Eduardo, Fábio, Gustavo, Orlando, Osvaldo, Ricardo. E, sim, até Octaviano. Por brincadeira (de mau gosto) já me chamaram «Otário» e «Ovário». Numa livraria, mais concretamente numa etiqueta no meu livro «Visões», vi... «Ostávio». Num recibo de farmácia... «Orávio»! Durante cerca de dez anos não recebi os avisos de pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis relativo a um de que sou co-proprietário porque, no remetente, estava «Ocatvio»; aos «competentes» funcionários da repartição de finanças da minha área não lhes ocorreu, durante todo aquele tempo em que as cartas lhes eram devolvidas, que, provavelmente era «Octávio» mal escrito, com o «t» fora do sítio…
Com os meus apelidos também tive – e ainda tenho – problemas. Antes de mais, se alguém se chama Octávio José Pato dos Santos é certo e sabido que não escapará às alusões… zoológicas. Na década a seguir ao 25 de Abril de 1974 foram vários os «patinho», «patolas» e «quá quá» que ouvi… entremeados com o ocasional, mas inevitável, «caixa de óculos». E «comuna», ainda por cima: imagine-se o que é, durante o «Verão (e a Primavera, e o Outono) Quente», estar na escola e os colegas descobrirem que me chamava Octávio Pato, e que era mesmo parente – no caso, primo em terceiro grau – do dirigente, com o mesmo nome, do Partido Comunista Português. E não por acaso, não por coincidência: foi em homenagem a ele que os meus pais me deram o nome… e também porque Alexandre, a primeira escolha, já tinha sido «tomado» pelo meu (primeiro de três) primo direito, nascido pouco tempo antes…
Infelizmente, e ao contrário do acne e das borbulhas (que nem tive por aí além), os erros no nome não desapareceram com o final da adolescência. Em 2013 (exactamente, no ano passado), numa sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa, tive direito, como autor, a uma fotografia nos cartazes feitos pela distribuidora (a minha editora dos dois livros então em destaque não tinha pavilhão próprio); só que… o nome por baixo dessa fotografia – que também foi divulgada online – era «Octávio de Matos»! Além de um actor, também me «confundem» com um ex-jogador e treinador de futebol: em 2014 (exactamente, este ano), um outro escritor, que muito estimo, autografou-me um dos seus livros escrevendo «Octávio Machado»… apesar de saber – ou de dever saber, porque já havíamos contactado várias vezes – que o meu apelido é «dos Santos». Pouco tempo depois, um sítio brasileiro que de vez em quando reproduz (alguns d)os meus textos do Obamatório identificou-me como «Octávio de Souza» - algo tanto mais estranho porque nas ocasiões anteriores escreveram correctamente o meu nome. 
Evidentemente, o erro mais comum é «Otávio»… e isto já acontecia com alguma regularidade antes do «aborto pornortográfico». Mas, obviamente, a incidência aumentou depois da implementação, da imposição, do dito cujo. Porém, o pior «Otávio» que me aconteceu foi em 1987, na primeira versão do artigo «Os Novos Descobrimentos»… não, não foi a que saiu no Diário de Notícias Magazine em 1988, mas sim um ano antes n’O Século. O meu nome foi cortado «a meio» (sem apelido) e sem «c» no próprio… embora, ao menos e felizmente, o do meu amigo Luís Ferreira Lopes aparecesse completo e sem erros. Que «melhor» se poderia esperar para o meu primeiro texto publicado num jornal de âmbito nacional? É por estas e por outras que, sempre que me perguntam o nome, eu faço questão de carregar no «c» quando respondo…
Nem todos os «Otávio» são acidentais: há quem escreva erradamente o meu nome deliberadamente como forma de me apoucar, de me insultar. Talvez pensem que, retirando o «c», me «castrem» simbolicamente, como se me cortassem os c*lh**s. Um dos mais notórios adeptos dessa práctica é, como já referi mais do que uma vez, o (ex-) embaixador Francisco Seixas da Costa. Este ainda mostrou alguma (não muita) «elegância» ao fazê-lo, resultante sem dúvida dos seus muitos anos de «diplomacia». No entanto, outros há que têm na alarvidade, na boçalidade, na mais completa grosseria e filha-de-p*t*c* o seu «estilo» preferencial….
… Como um tal de Artur Costa, que numa «posta» do seu blog O Linguado (e reincidindo nos remoques dois meses depois) criticou o meu artigo «Processo Retro-ortográfico sem Curso», publicado a 26 de Dezembro de 2012 no Público. Só recentemente tive conhecimento da existência do Sr. Costa e da sua «civilidade»: é apoiante do AO90, e, entre outras «flores de retórica», lançou-me as de que eu sou um «homem de fronha deslavada» (pois, parece que não sou do tipo que ele prefere), que costumo «babar(-me) em cima de pessoas» que não conheço, que sou «estúpido», «nauseabundo», escrevo «arrotos» e revelo «pobreza de estilo», um «merdoso» que faz por «segregar» pessoas, «imbecil»; e, porque nem sequer mereço que se debata o que eu penso (sim, a liberdade de expressão, a troca de ideias, são conceitos tão «sobrevalorizados»), deveria morrer metendo – ou alguém meteria por mim – «a cabeça debaixo de um comboio». Para quem não se sente um neofascista e se indigna perante essa classificação, não há dúvida de que este «bimbo da Costa» se assemelha bastante a um… Junte-se a tudo isto delírios como os de os «acordistas» terem «a lei do seu lado» (!) e serem «a maioria dos portugueses» (!!) e obteremos um «retrato-robot» dos mais eficientes «autómatos» que obedecem às ordens de Malaca Casteleiro e dos outros «engenheiros de almas» formados durante o «admirável» Estado Novo.
Em resumo: podem (mas não devem) escrever mal o meu nome, mas não pensem que eu não estarei pronto para vos corrigir… e não só na ortografia. (Também no MILhafre (84).     

quarta-feira, abril 09, 2014

Oráculo: «Mensageiros III», em Novembro

Está já anunciado no sítio na Internet da iniciativa: a terceira edição do colóquio internacional de ficção científica e fantasia «Mensageiros das Estrelas» vai mesmo realizar-se, e, tal como as duas anteriores, em Novembro, mais concretamente nos dias 19, 20 e 21; e, como habitualmente, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, numa organização do Centro de Estudos Anglísticos daquela universidade. Outra data importante é 27 de Junho, prazo limite para o envio e entrega de resumos de comunicações (com um máximo de 250 palavras, e ainda um breve Curriculum Vitae com um máximo de 100). Todas as informações podem ser obtidas aqui.
Porquê a continuação da iniciativa? Porque, segundo os organizadores, «as primeiras duas edições do Colóquio Mensageiros das Estrelas (Episódio I e II), realizados em 2010 e 2012, obtiveram um sucesso assinalável que nos leva a anunciar o III Colóquio dedicado a este tema. As mais variadas contribuições de participantes nacionais e estrangeiros, criativos e académicos, revelaram-se de grande interesse e qualidade o que justifica que se continue a desenvolver este vector temático. Trata-se de um universo abrangente com tradição e reconhecimento internacionais nas mais diversas áreas da modernidade. A produção e divulgação de obras de Ficção Científica e Fantasia, tanto a nível nacional como internacional, têm agremiado públicos vastos e diversos e fomentado o debate sobre múltiplas questões teóricas e ideativas subjacentes a estas formas de arte. A miríade de obras surgidas nos diversos formatos suscita problemáticas distintas de índole teórica, estética, ética, ideológica e social e asseguram a riqueza do próximo fórum. (…) Os tópicos incluem, mas não se limitam a: Fantasia e Ficção Científica no ecrã (cinema, televisão, web); Fantasia e narrativa infantil; Imaginação e Fantasia; Inteligência Artificial.»
Pela minha parte, e à semelhança de 2010 e de 2012, já fui convidado a participar enquanto orador. E espero ter a oportunidade de novamente divulgar (e talvez reflectir sobre) o projecto que foi a antologia de contos «Mensageiros das Estrelas», que eu concebi, co-organizei e em que participei com outros 17 autores, editada há dois anos e apresentada pela primeira vez na FLUL durante a segunda edição do colóquio. (Também no Simetria.)

quinta-feira, abril 03, 2014

Orientação: A propósito de legendas, no ILCAO

No sítio da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico está a partir de hoje a transcrição de uma recente troca de mensagens entre mim e a empresa de produção e distribuição videográfica Pris. O assunto? As legendas – ou, melhor dizendo, a falta delas (que não as em «acordês») – na edição para Portugal do disco do filme «Os Jogos da Fome – Apanhando Fogo» (não é «Em Chamas» porque no original está «Catching Fire» e não «In Flames»). E a pergunta que no decorrer daquela fiz ao meu – anónimo – interlocutor pode-se e deve-se fazer a todas as pessoas que decidiram resignar-se ao ridículo: «E desde quando é que todas as ordens são para serem obedecidas? Você faz tudo aquilo que lhe mandam? Não tem vontade própria? Não pensa por si?»