… Ontem, mais
especificamente na esquadra da Polícia de Segurança Pública da minha área de
residência, contra desconhecido(s), que causaram danos na minha casa – mais
concretamente, desenharam tags, graffitis, numa das paredes daquela. Apesar de
ser pouco provável que os culpados venham a ser descobertos, acusados, julgados e
condenados, e de não ser de facto um crime (muito) grave,
denunciei o caso às autoridades por uma questão de princípio, de coerência; não
faria sentido não o fazer depois de, no meu artigo «Terra queimada», me ter
insurgido também contra a permissividade que existe em Portugal, principalmente em
Lisboa mas não só, relativamente ao que são, objectivamente, actos, mais do que
de desrespeito, de destruição de propriedade alheia, tanto pública como
privada.
quarta-feira, julho 02, 2014
sexta-feira, junho 27, 2014
Observação: Desta vez, aconteceu no Brasil
(UMA adenda no final deste texto.)
Já o disse, e escrevi, mais do que uma vez: com a selecção nacional sénior de futebol de Portugal a questão nunca é saber se vai ganhar algum campeonato, europeu ou mundial, mas sim em que momento da prova vai perder. Neste ano de 2014, no Campeonato do Mundo disputado no Brasil, igualou o pior resultado de sempre em torneios finais (há que não esquecer as vezes em que nem foi apurada na qualificação): ficou-se pela fase de grupos… o que não acontecia desde 2002, no campeonato que decorreu na Coreia do Sul e no Japão.
Já o disse, e escrevi, mais do que uma vez: com a selecção nacional sénior de futebol de Portugal a questão nunca é saber se vai ganhar algum campeonato, europeu ou mundial, mas sim em que momento da prova vai perder. Neste ano de 2014, no Campeonato do Mundo disputado no Brasil, igualou o pior resultado de sempre em torneios finais (há que não esquecer as vezes em que nem foi apurada na qualificação): ficou-se pela fase de grupos… o que não acontecia desde 2002, no campeonato que decorreu na Coreia do Sul e no Japão.
O que também
se repete rotineiramente na representação nacional em futebol e nos seus maus
resultados são as (mesmas) causas: (fraca) atitude, (maus) comportamentos, (previsíveis)
erros. É a ausência de ambição, que leva «profissionais» bem remunerados a
portarem-se como uma «excursão de solteiros e casados» em pré-férias; a
displicência que frequentemente se confunde com arrogância; o amadorismo e a
incompetência que levam a que não tenham cuidado na defesa (sofrer golos), na
disciplina (ver cartões) e na saúde (sofrer lesões). Enfim, a crónica dependência
de «milagres» (que nunca acontecem) quando se devia apostar num trabalho de
(quase) todos os dias.
Porém, e
volto igualmente a afirmá-lo e a registá-lo, a culpa destes sucessivos desastres é também dos que «estão de fora». Isto é, (quase) todos nós (eu não
me incluo, porque há muito tempo que deixei de acreditar e, logo, de me
comportar como um idiota), desde os milhões de meros espectadores, «torcedores»
(e sofredores), às centenas, milhares, de profissionais da comunicação,
jornalistas, comentadores, alegados «especialistas». Que, antes, e apesar dos
(maus) antecedentes, estão sempre disponíveis para dar o benefício da dúvida;
e, depois, estão sempre disponíveis para arranjar uma desculpabilização… e até
uma consolação. Na verdade, e pelo contrário, o que eles (jogadores
principalmente, mas também técnicos e dirigentes) deveriam receber era indiferença,
quando não desprezo – e logo antes da partida, o que implicaria, igualmente,
evitar recepções no Palácio de Belém…
No entanto, os
piores, neste aspecto, estão sempre no mesmo local: a RTP. A agitação, o
frenesim, a propaganda em tons verdes e vermelhos, sempre abunda(ra)m na
estação pública de televisão durante estas ocasiões. Não têm – nunca tiveram –
naquela casa qualquer vergonha na cara ou qualquer noção do ridículo: os vídeos
de incentivo à «seleção» assumem um tom «épico» que mais não é do que risível,
e naquele que foi emitido antes do jogo com o Gana chegaram ao cúmulo de evocar
os que combateram em Aljubarrota e os que dobraram o Cabo das Tormentas!
Infelizmente, nenhum dos que estiveram a «representar-nos» futebolisticamente
no outro lado do Atlântico tem qualquer semelhança com – e qualquer herança de
– esses heróis de outrora, que venciam invariavelmente apesar de partirem em
desvantagem. E Cristiano Ronaldo, cujo estatuto de «melhor jogador do Mundo»
não se tem reflectido na suposta «equipa de todos nós», que em poucos dias
passou da fanfarronice («este vai ser o ano de Portugal») ao fatalismo («nunca
imaginei ser campeão»), não é uma reencarnação de Vasco da Gama, de Pedro
Álvares Cabral ou de Afonso de Albuquerque. Será, talvez, quando muito, de Fernão de
Magalhães...
Todavia, a
humilhação não é sempre necessariamente idêntica: pode variar, e varia,
consoante as circunstâncias, entre as quais, e em especial, o país em que a
derrota definitiva, a eliminação prematura, o fracasso final, acontecem. Já em
2010 havia sido muito mau (também) simbolicamente por ter decorrido na África
do Sul, terra em que, precisamente, o Cabo «das Tormentas» se transformou em «da Boa Esperança». Mas em 2014 foi ainda pior porque, desta vez, aconteceu no Brasil.
Pelo que o escárnio, o paternalismo e a soberba – ou, numa palavra, as anedotas
- vão continuar, e, provavelmente, até aumentar. Como disse Paulo Bento, tivemos
(e temos e teremos) «o que merecemos». Em ano de centenário da Federação Portuguesa de Futebol não poderia mesmo haver uma «prenda» melhor? (Também no MILhafre (93).)
(Adenda - Deixei comentários e entrei em «diálogos» sobre futebol no Malomil e no Sporting/ÉsANossaFé.)
(Adenda - Deixei comentários e entrei em «diálogos» sobre futebol no Malomil e no Sporting/ÉsANossaFé.)
sexta-feira, junho 20, 2014
Ocorrência: Foram quase 900
Ontem, e tal
como tenho feito diariamente desde que ele foi publicado no passado dia 7 de
Junho no Público, acedi ao sítio na Internet daquele jornal e à página que
contém o meu artigo «Proíbam o Inglês!» No dia anterior verificara que o número
de recomendações/partilhas no Facebook estava em 880; porém, agora esta(va)m em
apenas… uma! Contactei de imediato a Direcção do Público, que considerou o
ocorrido «anormal» e «inacreditável» e para o qual não encontrava (até ao
momento) explicação; também desapareceram as ligações a blogs que referiram o
artigo, mais concretamente o Octanas e o ILCAO. No entanto, que fique claro e
sem lugar a dúvidas: foram quase 900 as pessoas que «gostaram» e que divulgaram
o meu artigo, no que terá sido, nesse aspecto e no que se refere a textos de
opinião, um recorde no Público.
Entretanto, e
curiosamente, nenhum dos comentários desapareceu, e ainda bem. Farei uma breve
análise aos de duas pessoas. Primeiro, Alberto Queiroz, de que nunca tinha
ouvido falar, e que se tornou mais um, lá está, a (des)tratar-me por «Otávio» e
que insinuou que eu não sei que foi em Portugal que a mania das alterações/«reformas»
ortográficas abrangentes, burocráticas e não democráticas começou… Sim, eu sei,
e foi em 1911 e não na «década de 20»; ou seja, e por eu ser português, não
teria por isso direito a manifestar-me contra mais um «(des)acordo ortográfico»;
o Sr. Queirós é que devia ter juízo, e já tem mais do que idade para isso. Segundo,
Manuel Freitas, e este, sim, eu já «conhecia», e ele «conhece-me», porque é um editor
com quem já falei ao telefone e troquei mensagens de correio electrónico;
propus-lhe a edição de três livros meus, um dos quais era, é, o meu segundo «romance», recentemente concluído, uma distopia de ficção científica, que o Sr.
Freitas considerou ter «um tema desconfortável e que no nosso caso não se
enquadra no nosso posicionamento de grande público» - de notar que ele chegou a
afirmar, num dos seus perfis profissionais (escrito em Inglês), ter «alta
tolerância ao risco» e estar «sempre à procura de novos desafios»; pelo que lhe
enviei, a 10 de Junho, uma mensagem…
… À qual ele
ainda não respondeu (nem deverá responder), e que a seguir transcrevo: «Caro Manuel de Freitas, vi hoje que deixou um comentário
no meu mais recente artigo no Público... Pergunto-lhe: porque é que (também)
não me contactou directamente, e me colocou as questões e os comentários que
quisesse? Perdeu este meu “e-ndereço” de correio electrónico? Você, tal como
muitos outros que têm a consciência pesada neste assunto, mais não faz do que
utilizar distracções, subterfúgios, enfim, merdices. Começando com o tema da “percentagem”,
do número de palavras afectadas ou não pelo AO... sim, são menos de metade do
total, mas são centenas, quiçá milhares, em que se incluem muitas que têm
utilização frequente, constante, como todas as que derivam de “acção” e de “direcção”,
por exemplo; mais do que a quantidade, está em causa o princípio (ou falta
dele...) E bastariam “maravilhas” como “espetáculo” e “receção” para, sim,
(des)classificar de cobarde e de imbecil quem concebeu esta aberração... e quem
se submete a ela. E, claro, não podia faltar o “argumento” de que “porque a
ortografia que utiliza já é ela própria o resultado de uma alteração, de uma ‘simplificação’,
então não tem de estar a protestar”... Ou seja, não podemos dizer “já chega!”
Até quando é que isto durará? Até a língua estar reduzida, ortograficamente, ao
“SMS básico”, e, vocalmente, a grunhidos? E, para que conste, eu não teria
qualquer problema em escrever como se escrevia antes de 1911... Porque, então,
estávamos ainda mais próximos das ortografias francesa e inglesa. E este meu
artigo serve principalmente para demonstrar e denunciar a hipocrisia daqueles
que, aceitando deformar o Português com o “acordês”, não têm vergonha de, em
simultâneo, abusar individualmente, socialmente, profissionalmente, do Inglês,
onde não faltam “c's” e “p´s” repetidos e “mudos” e “ph's”. Como alguém que,
sendo português e trabalhando em Portugal, decidiu designar uma das suas editoras como “Booksmile”. “Lamentável”, eu? Olhe-se ao espelho.»
Na verdade, o
que não faltam são (mais) exemplos de pessoas e de entidades em Portugal que,
ao mesmo tempo que se submetem ao «aborto pornortográfico», contradizem este ao
incorporar expressões em Inglês na sua actividade. Um dos mais recentes é dado
pela EDP, que, apesar de já não ser «eléCtrica», decidiu designar um dos seus
serviços como «energy2move». Não há dúvida de que, em alguns, a estupidez está
sempre «ligada à corrente». (Também no MILhafre (92).)
terça-feira, junho 10, 2014
Observação: Vem aí mais um Filipe…
Hoje
assinala-se aquele que, na verdade, e como já o demonstrei, não é, não devia ser, o (autêntico) «Dia de Portugal», mas sim o «Dia da Perda da Independência
e da União com Espanha»… ou seja, sempre foi, e continua a ser, a data
preferida dos iberistas nacionais, que existem, são bastantes…
… E se
concentram principalmente no Partido Socialista. E agora, que vem aí mais um
Filipe como Rei, deverão os jacobinos lusitanos ceder à sua verdadeira devoção,
sem dúvida reforçada após terem assistido hoje a outro desfalecimento do «mais alto
magistrado da Nação»? Depois de José Sócrates («Espanha, Espanha, Espanha!») e
de António Mendonça («Lisboa pode ser a praia de Madrid»), António Costa foi a
terceira figura de destaque do PS a demonstrar, nos últimos anos, uma reprovável
– mas não surpreendente – subserviência ao país vizinho. A pretexto da
realização da final da Liga dos Campeões de 2014 no Estádio da Luz, Costa foi à
capital espanhola a 8 de Maio último oferecer à sua congénere madrilena, Ana
Botella, as «chaves da cidade de Lisboa» (algo que só acontecera antes na nossa
capital e com chefes de Estado estrangeiros), garantiu-lhe que «Lisboa seria
Madrid por um dia», e trouxe de lá uma bandeira de Espanha para hastear na
Praça do Comércio. E tudo isto enquanto, evidentemente, se exprimia não em
Português mas sim em «portunhol»…
Esta foi
apenas mais uma prova da falta de carácter e de competência de alguém que,
entretanto, decidiu tornar-se líder do PS e o próximo primeiro-ministro, no
que conta com a ajuda e o apoio de camaradas tão «distintos» como, entre
outros, Isabel Moreira e Miguel Vale de Almeida. Sinceramente, como é que
alguém como António Costa é considerado uma alternativa credível? Se enquanto
secretário de Estado e ministro a qualidade e relevância da sua actuação foi
(muito) discutível, já enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa os
desastres têm-se sucedido, de que são de destacar: degradação constante, e até
acelerada, do parque arquitectónico e imobiliário; intervenções supérfluas, e
mesmo prejudiciais, no trânsito; e ainda (algo que me atingiu pessoalmente) cumplicidade
em procedimentos incorrectos por parte de inferiores hierárquicos…
Enfim, a
partir do momento em que alguém enaltece, como «princípio orientador» do seu
percurso futuro, o «impulso reformista» do «licenciado ao Domingo», não podem
restar dúvidas sobre o que acontecerá (outra vez) se tal pessoa alcançar o
poder. Nesse sentido, a «morte anunciada» do PS não poderá vir cedo demais. E,
a seguir à «guerra», os «rosas» sempre podem fugir para Castela… (Também no MILhafre (91).)
sábado, junho 07, 2014
Orientação: Sobre uma «proibição», no Público
Na edição de hoje (Nº 8821) do jornal Público, e na página 55, está o meu artigo «Proíbam o Inglês!».
Um excerto: «Que confusão
não acontecerá – aliás, já acontece – nas cabeças dos mais jovens ao verem numa
língua “c’s”, “p’s” e até “ph’s” em excesso que na outra são – ou se tenta que
sejam – eliminados. Depois disso, e como que em consonância com mais uma
“lógica” inovação pedagógica estatal, RTP e TVI iniciaram a transmissão de
“versões infantis” de dois dos seus programas, respectivamente “Chef’s Academy
– Kids” e “A Tua Cara não me é Estranha – Kids” - porque, “evidentemente”, não
ficaria bem colocar “crianças” ou “miúdos” no título. Porém, e quanto a “ironia
ortográfica luso-britânica”, nada nem ninguém supera o governo regional dos
Açores: o seu sítio na Internet, que, evidentemente, exibe um bem comportado,
conformado, “acordismo”, tem como “e-ndereço”… azores.gov.pt!» (Também no MILhafre (90). Referência no Blogtailors, e ainda, acrescida de reprodução, no ILCAO, no Largo dos Correios, MyWebVodafone, PorAmaisB e República Digital.)
quarta-feira, junho 04, 2014
Observação: Antes Angola do que a China
Assinalam-se
hoje 25 anos desde a repressão – agressão, prisão, execução, exílio – de manifestantes
chineses pela democracia na Praça Tiananmen em Pequim.
Convém lembrar,
e salientar, que, um quarto de século depois desse intenso mas breve momento de esperança, e apesar de toda a «modernização» e «desenvolvimento» que
entretanto, e alegadamente, ocorreram, o «Império do Meio» continua a ser
dominado pelo (único) Partido Comunista Chinês e a ter como regime uma ditadura
violenta, que não possibilita a liberdade de expressão e a de associação, entre
outras. Ainda recentemente, durante a visita de Aníbal Cavaco Silva àquele
país, os «comissários culturais» pós-maoístas não hesitaram em censurar – proibir, remover – obras de artistas portugueses expostas para a ocasião. Infelizmente,
as relações luso-chinesas têm tido outros aspectos (mais) desagradáveis, em
especial na economia: foram más – péssimas! – as decisões por parte do actual
governo de vender a REN, a EDP e a Fidelidade, grandes, fundamentais, empresas portuguesas e líderes
nos seus sectores, a congéneres chinesas – que, obviamente, têm (todas)
ligações ao PCC. Terá sido por isso que a cor da seguradora passou a ser o
vermelho? A da «elé(c)trica» já era essa, pelo que não foram necessárias – à primeira
vista – mais alterações…
É neste
contexto que se tornam mais insólitas as contestações, as queixas e as
suspeições relativas aos investimentos de empresários angolanos no nosso país,
que envolveram inclusivamente a publicação de um livro intitulado «Os Donos
Angolanos de Portugal». A minha posição quanto a este assunto é inequívoca:
antes Angola do que a China. E não só por aquele ser um país irmão, do espaço
da língua portuguesa (que Luanda respeita, ao contrário de Lisboa, porque não
implementa o AO90); também porque nele há uma democracia, sim, ainda imperfeita,
incipiente, mas uma democracia; nele há pluralismo partidário e, embora com restrições,
liberdade de expressão. Sim, podem dizer que a situação em Angola não é óptima;
mas na China é muito, muito pior. (Também no MILhafre (89).)
terça-feira, maio 27, 2014
Observação: Para ocupar o cargo de Director…
… Do Expresso
manifesto desde já, publicamente, o meu interesse e a minha disponibilidade, na
eventualidade de Ricardo Costa, actual responsável máximo daquele semanário, efectivamente se demitir, seja por (se e quando) o seu irmão António Costa ascender por sua
vez ao cargo de secretário-geral do Partido Socialista, ou por qualquer outro
motivo. Sou jornalista há mais de 25 anos, tenho carteira profissional, já
ganhei (quatro) prémios no âmbito da actividade, e, sem falsa modéstia,
considero que tenho (algumas) qualidades…
… E para
melhorar o Expresso, tanto no seu conteúdo informativo como no seu desempenho
comercial, nem seria preciso muito: para começar, bastaria apenas revestir,
novamente, o órgão de comunicação social erigido há mais de 40 anos por Francisco
Pinto Balsemão com o Português Normal e Correcto, e nele abolir definitivamente a
utilização do ilegal, ilegítimo, inútil e ridículo «aborto pornortográfico». Não
duvido de que me aguardaria uma carreira de sucesso! ;-)
quarta-feira, maio 21, 2014
Organização: Segundo «romance» concluído…
… E registado.
Ontem entreguei na Inspecção-Geral das Actividades Culturais, no Palácio Foz,
em Lisboa, (mais) um requerimento para o registo de uma obra literária de minha
autoria: o meu segundo «romance», ao qual já havia feito referência em 2011… um
ano depois de ter começado a escrevê-lo, a 25 de Abril de 2010. Afinal,
terminei-o um ano depois do que havia previsto então: há cerca de um mês, a 25
de Abril de 2014. E ontem também apresentei este meu trabalho como concorrente
a um prémio literário. Porém, não acredito que consiga triunfar; não porque não
esteja confiante na qualidade e na originalidade deste meu livro, mas porque a
forma e o conteúdo dele inserem-se num género e num estilo – ficção científica,
e, ainda por cima, uma distopia – que não costumam merecer atenção e apreço por
parte da maioria dos críticos e dos membros de júris em Portugal. No entanto, o
mais importante é que, finalmente, o «sucessor» de «Espíritos das Luzes» está
feito. E por isso estou (moderadamente) satisfeito.
quinta-feira, maio 15, 2014
Observação: Falta menos de metade
Quem diria?!
O Sport Lisboa e Benfica perdeu, ontem, mais uma final de uma competição
europeia de futebol masculino sénior – a da Liga Europa, e pelo segundo ano
consecutivo! Sim, foi a oitava final europeia que terminou com a derrota do
clube português, mas convém sempre recordar, e adicionar, as duas edições da
Taça Intercontinental perdidas nos anos 60 (para o Peñarol e para o Santos),
pelo que, na verdade, são dez as finais internacionais que o suposto «Glorioso»
já deixou escapar ao longo da sua deprimente história…
… E nem se deve falar em surpresa. Dizer que o Benfica perdeu uma final é como que,
citando Grace Slick (cantora dos Jefferson Airplane) a propósito do seu então
permanente estado de embriaguez, «dizer que houve uma terça-feira na semana
passada». Será mesmo por causa da «maldição de Béla Guttmann»? Ou será por
causa de incompetência e de impotência que se repetem ciclicamente, afectando diferentes
gerações de jogadores, treinadores e dirigentes? Seja o que for, esta situação já
não é triste nem trágica, mas sim, apenas, previsível e patética. O clube
tornou-se uma anedota desportiva mundial, e não são os – ocasionais – triunfos em
competições nacionais que chegam para compensar os fracassos no estrangeiro. Pelo
que, apesar do campeonato (e da taça da liga) já conquistadas este ano (e, no
momento em que escrevo, falta saber o que acontecerá na final da taça de
Portugal), mantenho na íntegra o que afirmei no meu artigo «Da mística só a memória», publicado no Público em 2013.
Para aqueles
que preferem acreditar na «maldição», pode-se lembrar, como referência e
comparação, uma outra célebre, alegada, «praga» a afectar um outro clube: a
«maldição do Bambino», que terá (talvez) impedido os Boston Red Sox de vencerem
a final do campeonato de baseball dos EUA durante 86 anos! No caso do Benfica,
é certo que se trata de um século, mas, no entanto, já passaram 52 anos desde
que o lendário treinador húngaro fez a sua sinistra «previsão». Por isso,
coragem, benfiquistas! Já falta menos de metade do tempo! Entretanto, fica uma
sugestão: se o clube voltar a apurar-se para uma final antes de 2062, desistam
de comparecer àquela e solicitem a entrega imediata do troféu ao outro clube; é
uma decisão que só trará vantagens, em especial impedir que milhares, ou milhões,
de masoquistas incorrigíveis sofram novamente de(s)ilusões. (Também no MILhafre (88).)
domingo, maio 11, 2014
Observação: Verem-se gregos
Quem já leu o
meu conto «Segundo Ultimatum Futurista», incluído na colectânea de ficção
científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas», concebida e co-organizada
por mim, publicada pela Fronteira do Caos em 2012 e apresentada pela primeira
vez na segunda edição do colóquio internacional com o mesmo nome realizado na
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa…
… Com certeza
se recordará de que, apesar de aquele conto, com base num dos mais famosos
textos do genial José de Almada Negreiros, ter como tema principal (a visão de)
um Portugal diferente num futuro próximo, difícil e até violento, nele não
deixou de se fazer uma (breve) referência ao destino imaginado de um outro país
europeu que tem sido, desde há anos, como que «companheiro de infortúnio» do
nosso: a Grécia. Na verdade, nele escrevi: «E como se já não bastassem os
anarquistas e os militares gregos a matarem-se uns aos outros, os turcos,
oportunistas, resolveram intervir e invadir o dito berço da cultura ocidental,
numa tentativa, talvez, de recuperarem o que em tempos passados possuíram.
Porém, tiveram de enfrentar os exércitos privados das várias empresas
multinacionais que ocuparam e se apossaram de partes do território grego que
haviam sido hipotecadas como garantias para a concessão de empréstimos… que não
foram reembolsados. É por isso que agora, e por exemplo, os dois estádios
olímpicos de Atenas, tanto o velho como o novo, são da Sony, a cidade de
Maratona é da Mercedes, o Monte Olimpo é da Nike e a Acrópole é da Coca-Cola.»
Quem leu
poderá ter pensado que se tratou de algo rebuscado, até delirante, exagerado,
excessivo como «convém» nestes casos… neste tipo de exercícios literários. No
entanto, e como que comprovando novamente que a realidade, frequentemente, imita
a ficção e pode ser inclusivamente mais estranha do que aquela, li no Público,
no passado dia 17 de Março, uma notícia assinada por Cláudia Carvalho intitulada
«Protestos na Grécia por Governo querer vender edifícios históricos». Onde se
pode ler: «(…) O Governo grego continua a procurar soluções
para menorizar os efeitos da crise. Depois de na semana passada ter dado luz
verde à privatização de alguns monumentos e sítios arqueológicos importantes, o
Ministério da Cultura grego pondera agora vender edifícios históricos. A
decisão está a gerar controvérsia e protestos no país. (…) O primeiro-ministro Antonis Samaras pediu que se
fizesse um levantamento dos edifícios pertencentes ao Estado para assim avaliar
aqueles que podem ser vendidos. Listados para venda estarão já as propriedades
construídas em 1922 para os refugiados da guerra greco-turca e ainda alguns
andares do Ministério da Cultura instalados em edifícios neoclássicos no bairro
turístico de Plaka. Pela sua história e importância arquitectónica, estes
edifícios são vistos como jóias da arquitectura da Grécia. (…)»
Sabendo isto,
é com alguma expectativa que fico à espera para ver se é concretizada outra
«previsão» que fiz em «Segundo Ultimatum Futurista» relativa àquele país: «Nem
a equipa que venceu o Campeonato da Europa de Futebol de 2004 foi poupada nas
medidas e tentativas desesperadas e drásticas para pagar as dívidas: todos os
jogadores que a integraram, verdadeiros heróis helénicos, foram vendidos ao
Schweinsteiger’s, um famoso e exclusivo bordel em Berlim dedicado à
prostituição homossexual masculina sado-masoquista.» (Também no Simetria.)
quinta-feira, maio 01, 2014
Ocorrência: Há 20 anos, ele desapareceu
No meu artigo
«Mestre, Profeta Santo», escrito e publicado em 2004 (no décimo aniversário da
sua morte), e incluído no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um
País», eu recordei Agostinho da Silva, e de como os dez anos, entre 1984 e
1994, em que com ele convivi, coincidiram, curiosa e exactamente, com o mesmo
período de tempo entre o falecimento do meu pai (em 1984) e o nascimento da
minha primeira filha (em 1994). Porém, e pensando bem, existiu uma outra pessoa, cujas iniciais são também AS, cujo último apelido foi igualmente (da) Silva, que conheci e que admirei – à distância, e não pessoalmente –
precisamente na mesma década: Ayrton Senna. Hoje assinala-se o vigésimo aniversário da sua morte, aquando do Grande Prémio de San Marino, no Circuito
de Imola.
A primeira
vez que ouvi verdadeiramente falar dele, em que o seu nome e o seu talento se
destacaram decisivamente, e não só para mim, foi durante o Grande Prémio do Mónaco de 1984, a 3 de Junho – cinco meses antes de o meu pai morrer. Disputada
à chuva, a prova mostrou pela primeira vez a grande aptidão de Ayrton Senna
para correr naquelas difíceis condições – confirmada no ano seguinte pela sua
primeira victória em Fórmula 1, no Grande Prémio de Portugal, no Estoril,
novamente em piso molhado. A sua estreia no lugar mais alto do pódio podia,
eventualmente, ter acontecido junto às ruas e à baía de Monte Carlo se a
corrida não tivesse sido interrompida a meio após vários pedidos nesse sentido
feitos por um Alain Prost que via o seu avanço sobre o brasileiro diminuir
constantemente a cada volta. No entanto, tal acabou por não ser muito grave
porque dos 41 triunfos de Ayrton seis foram no principado, cinco dos quais
consecutivos.
A minha
paixão pelo Benfica foi quase integralmente substituída pela minha devoção a
Ayrton Senna. No «dia santo» o futebol era relegado para segundo plano sempre
que havia automobilismo. Gritava e pulava de alegria quando ele ganhava,
contorcia-me e rosnava de raiva quando ele não ganhava. Senti o seu prematuro,
chocante, desaparecimento – em corpo, não em espírito – como uma tragédia quase
pessoal. E procurei transmitir tudo aquilo que ele significa(va) para mim no
meu poema «O elmo»: «(…) Era aos domingos
que ele demonstrava a sua fé, e ao chegar à meta fazia de cada circuito uma
igreja. Subia ao altar, erguia o troféu, bebia do cálice e orava, celebrando
uma missa depois da motorizada peleja. (…) E no dia em que, com 34 anos,
entraste para a eternidade, ninguém quis chorar porque ninguém acreditou de
imediato. Visto do alto, o teu corpo, o teu carro, crucificado, imolado, como
um mártir prestes a ser canonizado e santificado. Há quem diga que aquele que
experimentar o teu elmo poderá ver imagens indescritíveis nunca antes sonhadas.
Meu ídolo, meu irmão no idioma, que saudades eu tenho de exultar com a tua arte
e a tua velocidade inultrapassadas.» (Também no MILhafre (87).)
quarta-feira, abril 30, 2014
Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2014
A literatura: «Pensamentos do Dalai Lima», Jorge Lima; «Inquietude», Sérgio Franclim; «Lisboa no Ano Três Mil», Cândido de Figueiredo; «Brasyl», Ian McDonald; «Guerra de Homem Velho», John Scalzi; «Justiça», Alex Ross, Doug Braithwaite e Jim Krueger; «A chave de prata» e «O medo emboscante», H. P. Lovecraft.
A música: «Kill 'Em All», Metallica; «Take The Crown», Robbie Williams; «Show No Mercy» e «Hell Awaits», Slayer; «Do Amor», Paulo de Carvalho; «Black Sabbath» e «13», Black Sabbath; «Once Upon A Time», Simple Minds; «That's Why God Made The Radio», Beach Boys; «Lotusflow3r», Prince; «Life Is Killing Me», Type O Negative.
O cinema: «John Carter de Marte», Andrew Stanton: «Um Monstro em Paris», Bibo Bergeron; «Imparável», Tony Scott; «Lanterna Verde», Martin Campbell; «Quantum de Consolo», Marc Forster; «Amanhecer - Parte 2», Bill Condon; «Rápidos e Furiosos», Justin Lin; «Transe», Danny Boyle; «Bert Stern - O "Homem Louco" Original», Shannah Laumeister; «Universidade dos Monstros», Dan Scanlon; «O Lutador», David O. Russell; «O Wolverine», James Mangold; «Aqui Depois», Clint Eastwood; «Lenda dos Guardiões - As Corujas de Ga'Hoole» e «Homem de Aço», Zack Snyder; «Coração Doido», Scott Cooper; «O Hobbit - Uma Jornada Inesperada», Peter Jackson; «Alguém Como Tu», Tony Goldwyn; «A Ajuda», Tate Taylor; «Fá-lo Chegar ao Greek», Nicholas Stoller; «Homens Repo», Miguel Sapochnik; «Amor», Michael Haneke; «Thor - O Mundo Escuro», Alan Taylor; «A Carga da Brigada Ligeira», Michael Curtiz; «Fantasmas de Namoradas Passadas», Mark Waters; «Comer, Rezar, Amar», Ryan Murphy; «Os Jogos da Fome - Apanhando Fogo», Francis Lawrence; «O Plano de Jogo», Andy Fickman; «Bola do Dinheiro», Bennett Miller; «O Turista», Florian Henckel Von Donnersmarck.
E ainda...: Café Saudade/Caminho Sentido Associação Cultural - «Poetry & Coffee 6/Alfred Tennyson»; FNAC/Vasco da Gama - exposição de fotografias de Rita Carmo «Bandas sonoras - 100 retratos na música portuguesa» + exposição de desenhos de Juan Cavia para argumento de Filipe Melo «As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy»; (revista) Metal Hammer Nº 252/2014-1; (documentário na RTP2) «Usain Bolt - O Mais Rápido Homem Vivo», Gael Leiblang; FNAC/Chiado - exposição de fotografias de Bob Willoughby «Audrey Hepburn, 20 anos depois»; Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «Resgatar a Memória - A Biblioteca Nacional na Gestão e Salvaguarda do Património Artístico dos Conventos» + exposição «Luís Serrão Pimentel e a Ciência em Portugal no Século XVII» + mostra «"O dia triunfal" - Centenário do nascimento de Alberto Caeiro» + mostra «Cláudio Carneiro (1895-1963)»; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Celeiro da Patriarcal - «CartoonXira 2014/Cartoons do Ano 2013 (António, Bandeira, Brito, Carrilho, Cid, Cristina, Gonçalves, Maia, Monteiro)» + «Eureka» (Puig Rosado); (revista) Estante Nº 1/2014-4; CoWorkLisboa/Lx Factory - encontro literário «A minha vida deu um livro»; (documentário na RTP2) «Estética, Propaganda e Utopia no Portugal do 25 de Abril», Paulo Seabra.
segunda-feira, abril 28, 2014
Observação: Companheiro Vasco
É certo que já era expectável... mas temos sempre uma esperança,
por mais pequena que seja, de que o inevitável seja, pelo menos, adiado o mais
possível. Vasco Graça Moura morreu, e vai fazer-nos muita falta; e não apenas no
combate contra o abjecto, abominável, «aborto pornortográfico».
Também previsíveis, nestas ocasiões, são os elogios de circunstância,
mais ou menos sinceros, a respeito da pessoa que partiu. É certo que há sempre
uma quantidade apreciável de hipocrisia nestas manifestações de admiração
póstuma. Porém, no caso deste advogado, político (secretário de Estado,
deputado), poeta, ensaísta, romancista, (que desempenhou, entre outros, os cargos
de) presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos
Portugueses e do Centro Cultural de Belém, co-criador da Expo 98, a duplicidade
é, tem sido, mais descarada do que o habitual.
Exemplos? Em comunicado, o actual (p)residente da república
sublinhou a «marca indelével» que o agora falecido deixa na cultura e na
política. Aparentemente, e infelizmente, não tão indelével de modo a que ele,
que sempre teve o apoio do agora falecido, seguisse os seus conselhos no que se
refere ao AO90. Pelo que, se quisesse mesmo «render homenagem» a Vasco Graça Moura,
bem que Aníbal Cavaco Silva podia fazer cumprir um dos últimos e grandes
objectivos do antigo director da Imprensa Nacional Casa da Moeda: cessar de
imediato a (auto-)destruição da língua portuguesa. O mesmo se aplica a
Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, e a Francisco José Viegas e a Jorge
Barreto Xavier, anterior e actual secretário de Estado da Cultura. E ainda a Guilherme de Oliveira Martins, que permitiu que o CNC se tornasse em mais uma
«coutada» dos neo-colonialistas da ortografia.
Entretanto, na RTP, é a pouca vergonha do costume: hoje, no
programa «Bom Dia Portugal», logo a seguir a uma reportagem sobre o óbito do
tradutor de Dante, Petrarca e Shakespeare, Carla «quebrar a oposição dos
portugueses ao AO» Trafaria apresentou mais uma edição da rubrica «Bom
Português», em que, desta vez, se perguntava como é que se escrevia
«correctamente»… «pé-de-atleta». Não faltaram os inquiridos que, quais papagaios
amestrados, responderam que era… sem hífens. Um (ponta)pé no traseiro era o
que eles, e a alegada «jornalista», precisavam.
Vasco Graça Moura merecia muito mais do que isto. Ele foi, é,
será, o nosso, autêntico, Companheiro Vasco. Outros provocam-nos, apenas, asco. (Também no MILhafre (86).)
(Adenda - Vasco Graça Moura foi, é de recordar e de salientar, uma das muitas pessoas que já subscreveram a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Pelo que homenageá-lo passa também por fazer com que mais assinaturas sejam conseguidas e recolhidas.)
(Adenda - Vasco Graça Moura foi, é de recordar e de salientar, uma das muitas pessoas que já subscreveram a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Pelo que homenageá-lo passa também por fazer com que mais assinaturas sejam conseguidas e recolhidas.)
sexta-feira, abril 25, 2014
Obrigado: Aos que compareceram…
… Anteontem no espaço do CoWorkLisboa na Lx Factory, em Alcântara, para assistirem e
participarem no encontro literário «A minha vida deu um livro» (fotografias do
mesmo já foram adicionadas na página do evento no Facebook). Foram cerca de
três horas bem passadas relatando experiências, trocando ideias, partilhando
memórias que estiveram, e que estão, na base do que escrevemos, em especial nos
livros que destacámos mas não só. Os seis autores presentes, de gerações
diferentes embora contíguas, que têm em comum uma passagem, uma ligação, directa
ou indirecta e num dado momento das suas vidas e carreiras, no, com, o Grupo Fórum, demonstraram uma perseverança em continuar a (tentar) fazer mais e
melhor, apesar de Portugal não ter cumprido todas as promessas que o 25 de Abril, cujo 40º aniversário hoje se assinala, pareceu fazer, a eles e a todos
os seus compatriotas.
segunda-feira, abril 21, 2014
Orientação: Sobre «… expressão», no Público
Na edição de hoje (Nº 8774) do jornal Público, e na página 47, está o meu artigo «Penalidade de expressão». Um excerto:
«Ainda existem muitas pessoas em Portugal que pensam que a emissão de
determinadas informações ou opiniões, pela sua forma e/ou o seu conteúdo, deve
ser passível de penalização criminal, corporativa ou administrativa… apesar de
aquelas não conterem, à partida e aparentemente, elementos falsos e/ou
difamatórios. (…) Não faltam neste «”jardim à beira-mar plantado“ as pessoas
que estão disponíveis para fazer queixas e cumprir ordens, por mais absurdas
que sejam.» (Também no MILhafre (85). Referência no Coluna Vertebral e no ILCAO.)
(Adenda - Uma curiosidade... esta é a 500ª entrada no Octanas.)
(Adenda - Uma curiosidade... esta é a 500ª entrada no Octanas.)
sábado, abril 19, 2014
Oráculo: Dia 23, no CoWorkLisboa
Na próxima
quarta-feira, 23 de Abril, assinala-se o Dia Mundial do Livro. E, de propósito,
a CoWorkLisboa assinala a data com «A minha vida deu um livro», um encontro com
cinco autores que falarão de uma obra sua, «o que os levou a escrever, como o
fizeram e que dificuldades enfrentaram». Eu serei um deles, e apresentarei «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País». Comigo estarão: Laura Alves e «A
Gloriosa Bicicleta – Compêndio de Costumes, Emoções e Desvarios em Duas Rodas»;
Maria do Carmo Piçarra e «Salazar vai ao Cinema II – A “Política do Espírito”
no Jornal Português»; Paulo M. Morais e «Revolução Paraíso»; Rui Marques e
«Esperança em Movimento».
O evento, com
início marcado para as 18.30, terá lugar no espaço em Alcântara do CoWorkLisboa, na Lx Factory, Rua Rodrigues Faria 103 (último piso). É a seguir
ao Largo do Calvário e antes do Museu da Carris, quase por debaixo da Ponte 25
de Abril. Fui convidado por Fernando Mendes, um dos fundadores do CWL; a
moderar estará António «dr Bakali» Saraiva, que participou na antologia
«Mensageiros das Estrelas», que eu concebi e co-organizei; ambos estiveram comigo
no Grupo Fórum – dirigido por… Rui Marques! – e na revista Cyber.Net, onde
trabalhei entre 1997 e 1998 e pela qual ganhei o meu primeiro Prémio de
Jornalismo Sociedade da Informação. (Referência no Blogtailors, no LeCool e no ViralAgenda.)
(Adenda - Outro autor e outro livro foram adicionados ao programa: Manuel Arriaga e «Rebooting Democracy - A Citizen's Guide to Reeinventing Politics».)
(Adenda - Outro autor e outro livro foram adicionados ao programa: Manuel Arriaga e «Rebooting Democracy - A Citizen's Guide to Reeinventing Politics».)
quarta-feira, abril 16, 2014
Observação: Escreve-se com «c»
Desde há
muitos anos que faço a mim próprio a seguinte pergunta: haverá algo de errado
com o meu nome? É que, considerando a frequência com que – involuntariamente ou
não – o alteram, essa hipótese deve ser colocada. Terá a ver com a minha voz,
com a forma como o digo, o pronuncio? Dever-se-á, quando o escrevo, à minha
letra «arrevesada»?
A verdade é
que já confundiram Octávio com Acácio, António, Ary,
Cláudio, Eduardo, Fábio, Gustavo, Orlando, Osvaldo, Ricardo. E, sim, até Octaviano.
Por brincadeira (de mau gosto) já me chamaram «Otário» e «Ovário». Numa
livraria, mais concretamente numa etiqueta no meu livro «Visões», vi...
«Ostávio». Num recibo de farmácia... «Orávio»! Durante cerca de dez anos
não recebi os avisos de pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis relativo a
um de que sou co-proprietário porque, no remetente, estava «Ocatvio»; aos
«competentes» funcionários da repartição de finanças da minha área não lhes
ocorreu, durante todo aquele tempo em que as cartas lhes eram devolvidas, que,
provavelmente era «Octávio» mal escrito, com o «t» fora do sítio…
Com os meus
apelidos também tive – e ainda tenho – problemas. Antes de mais, se alguém se
chama Octávio José Pato dos Santos é certo e sabido que não escapará às
alusões… zoológicas. Na década a seguir ao 25 de Abril de 1974 foram vários os «patinho», «patolas» e «quá quá» que ouvi… entremeados com
o ocasional, mas inevitável, «caixa de óculos». E «comuna», ainda por cima: imagine-se
o que é, durante o «Verão (e a Primavera, e o Outono) Quente», estar na escola
e os colegas descobrirem que me chamava Octávio Pato, e que era mesmo parente –
no caso, primo em terceiro grau – do dirigente, com o mesmo nome, do Partido
Comunista Português. E não por acaso, não por coincidência: foi em homenagem a
ele que os meus pais me deram o nome… e também porque Alexandre, a primeira
escolha, já tinha sido «tomado» pelo meu (primeiro de três) primo direito,
nascido pouco tempo antes…
Infelizmente,
e ao contrário do acne e das borbulhas (que nem tive por aí além), os erros no
nome não desapareceram com o final da adolescência. Em 2013 (exactamente, no
ano passado), numa sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa, tive
direito, como autor, a uma fotografia nos cartazes feitos pela distribuidora (a
minha editora dos dois livros então em destaque não tinha pavilhão próprio); só
que… o nome por baixo dessa fotografia – que também foi divulgada online – era
«Octávio de Matos»! Além de um actor, também me «confundem» com um ex-jogador e
treinador de futebol: em 2014 (exactamente, este ano), um outro escritor, que
muito estimo, autografou-me um dos seus livros escrevendo «Octávio Machado»…
apesar de saber – ou de dever saber, porque já havíamos contactado várias vezes
– que o meu apelido é «dos Santos». Pouco tempo depois, um sítio brasileiro que
de vez em quando reproduz (alguns d)os meus textos do Obamatório identificou-me
como «Octávio de Souza» - algo tanto mais estranho porque nas ocasiões
anteriores escreveram correctamente o meu nome.
Evidentemente,
o erro mais comum é «Otávio»… e isto já acontecia com alguma regularidade antes
do «aborto pornortográfico». Mas, obviamente, a incidência aumentou depois da
implementação, da imposição, do dito cujo. Porém, o pior «Otávio» que me
aconteceu foi em 1987, na primeira versão do artigo «Os Novos Descobrimentos»…
não, não foi a que saiu no Diário de Notícias Magazine em 1988, mas sim um ano
antes n’O Século. O meu nome foi cortado «a meio» (sem apelido) e sem «c» no
próprio… embora, ao menos e felizmente, o do meu amigo Luís Ferreira Lopes
aparecesse completo e sem erros. Que «melhor» se poderia esperar para o meu
primeiro texto publicado num jornal de âmbito nacional? É por estas e por
outras que, sempre que me perguntam o nome, eu faço questão de carregar no «c»
quando respondo…
Nem todos os
«Otávio» são acidentais: há quem escreva erradamente o meu nome deliberadamente
como forma de me apoucar, de me insultar. Talvez pensem que, retirando o «c»,
me «castrem» simbolicamente, como se me cortassem os c*lh**s. Um dos mais
notórios adeptos dessa práctica é, como já referi mais do que uma vez, o (ex-) embaixador Francisco Seixas da Costa. Este ainda mostrou alguma (não muita) «elegância»
ao fazê-lo, resultante sem dúvida dos seus muitos anos de «diplomacia». No
entanto, outros há que têm na alarvidade, na boçalidade, na mais completa
grosseria e filha-de-p*t*c* o seu «estilo» preferencial….
… Como um tal
de Artur Costa, que numa «posta» do seu blog O Linguado (e reincidindo nos
remoques dois meses depois) criticou o meu artigo «Processo Retro-ortográfico sem Curso», publicado a 26 de Dezembro de 2012 no Público. Só recentemente tive conhecimento da
existência do Sr. Costa e da sua «civilidade»: é apoiante do AO90, e, entre
outras «flores de retórica», lançou-me as de que eu sou um «homem de fronha
deslavada» (pois, parece que não sou do tipo que ele prefere), que costumo
«babar(-me) em cima de pessoas» que não conheço, que sou «estúpido»,
«nauseabundo», escrevo «arrotos» e revelo «pobreza de estilo», um «merdoso» que
faz por «segregar» pessoas, «imbecil»; e, porque nem sequer mereço que se
debata o que eu penso (sim, a liberdade de expressão, a troca de ideias, são
conceitos tão «sobrevalorizados»), deveria morrer metendo – ou alguém meteria
por mim – «a cabeça debaixo de um comboio». Para quem não se sente um
neofascista e se indigna perante essa classificação, não há dúvida de que este
«bimbo da Costa» se assemelha bastante a um… Junte-se a tudo isto delírios como
os de os «acordistas» terem «a lei do seu lado» (!) e serem «a maioria dos
portugueses» (!!) e obteremos um «retrato-robot» dos mais eficientes «autómatos» que obedecem
às ordens de Malaca Casteleiro e dos outros «engenheiros de almas»
formados durante o «admirável» Estado Novo.
Em resumo: podem
(mas não devem) escrever mal o meu nome, mas não pensem que eu não estarei
pronto para vos corrigir… e não só na ortografia. (Também no MILhafre (84).)
quarta-feira, abril 09, 2014
Oráculo: «Mensageiros III», em Novembro
Está já
anunciado no sítio na Internet da iniciativa: a terceira edição do colóquio
internacional de ficção científica e fantasia «Mensageiros das Estrelas» vai
mesmo realizar-se, e, tal como as duas anteriores, em Novembro, mais
concretamente nos dias 19, 20 e 21; e, como habitualmente, na Faculdade de
Letras da Universidade de Lisboa, numa organização do Centro de Estudos Anglísticos
daquela universidade. Outra data importante é 27 de Junho, prazo limite para o
envio e entrega de resumos de comunicações (com um máximo de 250 palavras, e
ainda um breve Curriculum Vitae com um máximo de 100). Todas as informações
podem ser obtidas aqui.
Porquê a
continuação da iniciativa? Porque, segundo os organizadores, «as primeiras duas
edições do Colóquio Mensageiros das Estrelas (Episódio I e II), realizados em
2010 e 2012, obtiveram um sucesso assinalável que nos leva a anunciar o III
Colóquio dedicado a este tema. As mais variadas contribuições de participantes
nacionais e estrangeiros, criativos e académicos, revelaram-se de grande interesse
e qualidade o que justifica que se continue a desenvolver este vector temático.
Trata-se de um universo abrangente com tradição e reconhecimento internacionais
nas mais diversas áreas da modernidade. A produção e divulgação de obras de
Ficção Científica e Fantasia, tanto a nível nacional como internacional, têm agremiado
públicos vastos e diversos e fomentado o debate sobre múltiplas questões teóricas
e ideativas subjacentes a estas formas de arte. A miríade de obras surgidas nos
diversos formatos suscita problemáticas distintas de índole teórica, estética, ética,
ideológica e social e asseguram a riqueza do próximo fórum. (…) Os tópicos
incluem, mas não se limitam a: Fantasia e Ficção Científica no ecrã (cinema,
televisão, web); Fantasia e narrativa infantil; Imaginação e Fantasia; Inteligência
Artificial.»
Pela minha parte,
e à semelhança de 2010 e de 2012, já fui convidado a participar enquanto
orador. E espero ter a oportunidade de novamente divulgar (e talvez reflectir
sobre) o projecto que foi a antologia de contos «Mensageiros das Estrelas», que
eu concebi, co-organizei e em que participei com outros 17 autores, editada há
dois anos e apresentada pela primeira vez na FLUL durante a segunda edição do
colóquio. (Também no Simetria.)
quinta-feira, abril 03, 2014
Orientação: A propósito de legendas, no ILCAO
No sítio da
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico está a partir de
hoje a transcrição de uma recente troca de mensagens entre mim e a empresa de
produção e distribuição videográfica Pris. O assunto? As legendas – ou, melhor
dizendo, a falta delas (que não as em «acordês») – na edição para Portugal do
disco do filme «Os Jogos da Fome – Apanhando Fogo» (não é «Em Chamas» porque no
original está «Catching Fire» e não «In Flames»). E a pergunta que no decorrer
daquela fiz ao meu – anónimo – interlocutor pode-se e deve-se fazer a todas as
pessoas que decidiram resignar-se ao ridículo: «E desde quando é que todas as ordens são para serem
obedecidas? Você faz tudo aquilo que lhe mandam? Não tem vontade própria? Não
pensa por si?»
segunda-feira, março 31, 2014
Outros: Contra o AO90 (Parte 9)
«Eça com Z, se faz favor», «Ursamentu du Istadu», «É um facto que vou de fato» e «Da “nossa clara língua majestosa”», Nuno Pacheco; «Seguidismo e mau trabalho», «Escrita portuguesa na vertente brasileira – não há polémica», «Sim, de fato», «Direction? Diretion? Oh dear!», «O relevante facto da irrelevância do Acordo Ortográfico»,
«As “atividades inspectivas” – um guião da cacografia do Estado», «”… Que se projecta na actualidade e no futuro”», «A ininteligível produção de fatos políticos», «Afinal, há facções e fações», «O meu Lamborghini e os artefatos piroténicos»
e «A imaculada concessão», Francisco Miguel Valada; «Carta aberta ao Sr. Presidente da República», Duarte Afonso; «Os pigmaleões da nossa indústria» e
«Mas não houve caçador», Berta Brás; «É possível acordar melhor?», «Os donos da língua», «O estranho caso do embaixador mal informado», «Reforma ortográfica do Estado», «Acordar é estar a dormir», «Jornalistas lusófonos escolhem “padrão ortográfico”», «Mais uma oportunidade para os deputados»,
«Afinal, há consoantes mudas com valor diacrítico?», «Drama ortográfico – de direito e de facto», «Os 10 mantras mais murmurados em defesa do AO90» e
«Quando a Esquerda é contra a educação e contra a ortografia», António Fernando
Nabais; «Carta aberta ao Exmo. Sr. Embaixador em Portugal da República Federativa do Brasil, Mário Vilalva», Luís Canau; «A política de espírito do Novo Estado», António de Macedo; «Os talibans do Acordo Ortográfico», José
Simões; «Reabertura da discussão sobre o AO?», Helena Sacadura Cabral; «Ninguém para a língua portuguesa», Luís Afonso; «Sophia em acordês? Não, muito obrigado», «Oi dona, me dá carona?», «Agradeço, com todas as letras (Parte 1)»,
«Um acto de resistência», «O melhor é oferecer livros», «Corram que vêm aí os “corrutos”» e «Obrigado», Pedro Correia; «O guião ortográfico», Eduardo Freitas; «Relações transatlânticas», Michael Seufert; «Ainda o novo Acordo Ortográfico», Rui Bastos; «Duas consoantes seguidas?! Não pode. Corta», «Que cada qual tire as suas conclusões…», «Um novo AO para “matar” o “velho” AO90? “Aja” paciência!», «Revisão? Não, obrigado», «Sob o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade», «”De boas intenções…”», «Revisionismo para totós» e
«Se o AO90 altera a pronúncia? Claro que sim!», João Pedro Graça; «Bases da Ortografia de 1885 são mais modernas do que o AO90», Afonso Loureiro; «Coragem, Portugal!», Maria José Abranches; «Desacordando ortograficamente», João André;
«Motivo de vergonha para qualquer um», Maria do Carmo Vieira; «Dificuldades operacionais na Assembleia da República» e «Donos da língua», Madalena Homem
Cardoso; «Sermão do desacordo aos deputados» e «Acordo ortográfico – das fraudes de uma missiva», Rui Miguel Duarte; «Desvinculação do AO90 – uma questão urgente e inadiável na AR, face ao recuo do Brasil» e «Nunca é tarde para corrigir um erro», Ivo Miguel Barroso; «Mais do mesmo? Porquê? Para quê?»,
«Para os meus amigos acordistas (Parte 1/Parte 2)», «No rescaldo do 28F» e
«Traga mais dois», Rui Valente; «Revisão… da matéria dada?» e «Até ao lavar dos cestos é vindima», Hermínia Castro; «Segundo o Brasil, o Acordo Ortográfico é a “adequação idiomática” entre o Brasil e o mundo lusófono», «A falácia do “medo do futuro”» e «O maçon inveterado e corrupto Luís Montenegro está contra a suspensão do Acordo Ortográfico», Orlando Braga; «Uma banda afinada» e «O ano da morte de Fernando Pessoa», Graça Maciel Costa; «Raridades», Felipe de Araújo
Ribeiro; «Equívoco…», José Rocha Dinis; «O bloqueio ortográfico», Abel Neves; «O ensino do português e o Acordo Ortográfico» e «”Omnes discrepantes”…», Vasco
Graça Moura; «O acordo ortográfico que veio simplificar a escrita», Luís
Aguiar-Conraria; «Perigoso despesismo», Duarte Branquinho; «Ainda estamos aqui!», Isabel Coutinho Monteiro; «Fervedouro dos desacertos e desconcórdias»,
Mário de Carvalho; «Acabar já com este erro antes que fique muito caro» e «Assembleia da República - fugir a tomar decisões», José Pacheco Pereira; «No Dia Internacional da Língua Materna – o sustentável peso da língua, casa comum», Teresa Rodrigues Cadete;
«A petição, a língua e o cágado», Paulo Teixeira Pinto; «Processo infeliz»,
Teolinda Gersão; «Superficialidade, mãe das banalidades», Alda Maia; «Língua portuguesa – a hora da esperança», Maria Alzira Seixo; «Uma luta comum contra o abuso do poder», Rui Vieira Nery; «Quer dizer – Português», Rocío Ramos; «Geopolítica ortográfica», Luciano Amaral; «São uns pândegos!», Fernando Venâncio; «Sobre como não convencer portugueses», Luís Miguel Rosa; «Uma marmelada ou duas grafias numa só resposta», António Jacinto Pascoal; «O desastre ortográfico», Dinis de Abreu; «O Acordo Ortográfico pelo Brasil»,
Paulo Guinote. (Também no MILhafre (83).)
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