No sítio da
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico está a partir de
hoje a transcrição de uma recente troca de mensagens entre mim e a empresa de
produção e distribuição videográfica Pris. O assunto? As legendas – ou, melhor
dizendo, a falta delas (que não as em «acordês») – na edição para Portugal do
disco do filme «Os Jogos da Fome – Apanhando Fogo» (não é «Em Chamas» porque no
original está «Catching Fire» e não «In Flames»). E a pergunta que no decorrer
daquela fiz ao meu – anónimo – interlocutor pode-se e deve-se fazer a todas as
pessoas que decidiram resignar-se ao ridículo: «E desde quando é que todas as ordens são para serem
obedecidas? Você faz tudo aquilo que lhe mandam? Não tem vontade própria? Não
pensa por si?»
quinta-feira, abril 03, 2014
segunda-feira, março 31, 2014
Outros: Contra o AO90 (Parte 9)
«Eça com Z, se faz favor», «Ursamentu du Istadu», «É um facto que vou de fato» e «Da “nossa clara língua majestosa”», Nuno Pacheco; «Seguidismo e mau trabalho», «Escrita portuguesa na vertente brasileira – não há polémica», «Sim, de fato», «Direction? Diretion? Oh dear!», «O relevante facto da irrelevância do Acordo Ortográfico»,
«As “atividades inspectivas” – um guião da cacografia do Estado», «”… Que se projecta na actualidade e no futuro”», «A ininteligível produção de fatos políticos», «Afinal, há facções e fações», «O meu Lamborghini e os artefatos piroténicos»
e «A imaculada concessão», Francisco Miguel Valada; «Carta aberta ao Sr. Presidente da República», Duarte Afonso; «Os pigmaleões da nossa indústria» e
«Mas não houve caçador», Berta Brás; «É possível acordar melhor?», «Os donos da língua», «O estranho caso do embaixador mal informado», «Reforma ortográfica do Estado», «Acordar é estar a dormir», «Jornalistas lusófonos escolhem “padrão ortográfico”», «Mais uma oportunidade para os deputados»,
«Afinal, há consoantes mudas com valor diacrítico?», «Drama ortográfico – de direito e de facto», «Os 10 mantras mais murmurados em defesa do AO90» e
«Quando a Esquerda é contra a educação e contra a ortografia», António Fernando
Nabais; «Carta aberta ao Exmo. Sr. Embaixador em Portugal da República Federativa do Brasil, Mário Vilalva», Luís Canau; «A política de espírito do Novo Estado», António de Macedo; «Os talibans do Acordo Ortográfico», José
Simões; «Reabertura da discussão sobre o AO?», Helena Sacadura Cabral; «Ninguém para a língua portuguesa», Luís Afonso; «Sophia em acordês? Não, muito obrigado», «Oi dona, me dá carona?», «Agradeço, com todas as letras (Parte 1)»,
«Um acto de resistência», «O melhor é oferecer livros», «Corram que vêm aí os “corrutos”» e «Obrigado», Pedro Correia; «O guião ortográfico», Eduardo Freitas; «Relações transatlânticas», Michael Seufert; «Ainda o novo Acordo Ortográfico», Rui Bastos; «Duas consoantes seguidas?! Não pode. Corta», «Que cada qual tire as suas conclusões…», «Um novo AO para “matar” o “velho” AO90? “Aja” paciência!», «Revisão? Não, obrigado», «Sob o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade», «”De boas intenções…”», «Revisionismo para totós» e
«Se o AO90 altera a pronúncia? Claro que sim!», João Pedro Graça; «Bases da Ortografia de 1885 são mais modernas do que o AO90», Afonso Loureiro; «Coragem, Portugal!», Maria José Abranches; «Desacordando ortograficamente», João André;
«Motivo de vergonha para qualquer um», Maria do Carmo Vieira; «Dificuldades operacionais na Assembleia da República» e «Donos da língua», Madalena Homem
Cardoso; «Sermão do desacordo aos deputados» e «Acordo ortográfico – das fraudes de uma missiva», Rui Miguel Duarte; «Desvinculação do AO90 – uma questão urgente e inadiável na AR, face ao recuo do Brasil» e «Nunca é tarde para corrigir um erro», Ivo Miguel Barroso; «Mais do mesmo? Porquê? Para quê?»,
«Para os meus amigos acordistas (Parte 1/Parte 2)», «No rescaldo do 28F» e
«Traga mais dois», Rui Valente; «Revisão… da matéria dada?» e «Até ao lavar dos cestos é vindima», Hermínia Castro; «Segundo o Brasil, o Acordo Ortográfico é a “adequação idiomática” entre o Brasil e o mundo lusófono», «A falácia do “medo do futuro”» e «O maçon inveterado e corrupto Luís Montenegro está contra a suspensão do Acordo Ortográfico», Orlando Braga; «Uma banda afinada» e «O ano da morte de Fernando Pessoa», Graça Maciel Costa; «Raridades», Felipe de Araújo
Ribeiro; «Equívoco…», José Rocha Dinis; «O bloqueio ortográfico», Abel Neves; «O ensino do português e o Acordo Ortográfico» e «”Omnes discrepantes”…», Vasco
Graça Moura; «O acordo ortográfico que veio simplificar a escrita», Luís
Aguiar-Conraria; «Perigoso despesismo», Duarte Branquinho; «Ainda estamos aqui!», Isabel Coutinho Monteiro; «Fervedouro dos desacertos e desconcórdias»,
Mário de Carvalho; «Acabar já com este erro antes que fique muito caro» e «Assembleia da República - fugir a tomar decisões», José Pacheco Pereira; «No Dia Internacional da Língua Materna – o sustentável peso da língua, casa comum», Teresa Rodrigues Cadete;
«A petição, a língua e o cágado», Paulo Teixeira Pinto; «Processo infeliz»,
Teolinda Gersão; «Superficialidade, mãe das banalidades», Alda Maia; «Língua portuguesa – a hora da esperança», Maria Alzira Seixo; «Uma luta comum contra o abuso do poder», Rui Vieira Nery; «Quer dizer – Português», Rocío Ramos; «Geopolítica ortográfica», Luciano Amaral; «São uns pândegos!», Fernando Venâncio; «Sobre como não convencer portugueses», Luís Miguel Rosa; «Uma marmelada ou duas grafias numa só resposta», António Jacinto Pascoal; «O desastre ortográfico», Dinis de Abreu; «O Acordo Ortográfico pelo Brasil»,
Paulo Guinote. (Também no MILhafre (83).)
sexta-feira, março 21, 2014
Orientação: Sobre a 3ª república, na NA
Na edição Nº 13 da revista Nova Águia (relativa ao primeiro semestre de 2014), e nas páginas 53 a 56, está o meu artigo «Da terceira república». Foi escrito em obediência
ao tema proposto: «O balanço de Abril, 40 anos depois – nos 20 anos do
falecimento de Agostinho da Silva»; e é composto por sua vez de excertos de alguns
outros, anteriores, artigos, que de alguma forma abordam aquele tema, e que
estão incluídos no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», editado em 2012 pela Fronteira do Caos. A Nova Águia Nº 13 terá a sua primeira
apresentação no próximo domingo, 23 de Março, às 17 horas, no Palácio da Independência, em Lisboa; e, à semelhança das edições anteriores, outros
lançamentos deverão seguir-se um pouco por todo o país.
sábado, março 15, 2014
Orientação: Sobre EPC e o Facebook, no Simetria
Qual é a ligação que pode existir entre Eduardo Prado Coelho – ou, mais concretamente, algo que ele
escreveu – e o Facebook – ou, mais concretamente, algo que aquela empresa fez?
A resposta está no meu mais recente texto no Simetria, «Uma (menos) imensa melancolia».
quinta-feira, março 06, 2014
Oráculo: Verney em Évora
Depois do
primeiro em Lisboa e do segundo no Porto, ambos ainda em 2013, o terceiro
grande acontecimento, e evento, do «Ano Verney», projecto cuja preparação eu
iniciei em 2011, está marcado para os próximos dias 21 e 22 de Março. É o
colóquio «No Tricentenário de Luís António Verney», e vai decorrer na escola
que o autor de «Verdadeiro Método de Estudar» frequentou: a Universidade de
Évora – mas não será, curiosamente, no (actual) Colégio Luís António Verney, ao
contrário do que seria talvez de esperar, mas sim no Colégio do Espírito Santo.
Com
organização do Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência e do Centro
de Estudos em Letras, ambos da UdE, o encontro contará, entre outras, com as
participações e comunicações de António Braz Teixeira, António Cândido Franco, Fátima
Nunes, João Príncipe, Maria do Céu Fonseca, Miguel Monteiro e Norberto Cunha. Os
resumos daquelas serão adicionados aos das feitas na Biblioteca Nacional e na
Faculdade de Letras da Universidade do Porto para uma divulgação posterior cujos
detalhes serão, assim o prevemos, divulgados oportunamente. (Também no Ópera do Tejo.)
terça-feira, fevereiro 25, 2014
Observação: Não e nAO!
(Uma adenda no final deste texto.)
Em Portugal insiste-se na imposição – inútil, ilegítima, ilegal – do «aborto pornortográfico». No Brasil… não é uma prioridade assim tão grande, a pressa não é muita. Aliás, lá a vontade preponderante pode até já nem ser a de implementar este «acordo» mas sim outro, provavelmente ainda mais radical: em Outubro de 2013 a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (Desporto) do Senado em Brasília aprovou a criação de um «grupo de trabalho destinado a estudar e apresentar proposta para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa». É de duvidar que por «aperfeiçoar» se entenda devolver as consoantes ditas «mudas», os hífens e as maiúsculas que levianamente foram roubadas à ortografia dos dois lados do Atlântico.
Em Portugal insiste-se na imposição – inútil, ilegítima, ilegal – do «aborto pornortográfico». No Brasil… não é uma prioridade assim tão grande, a pressa não é muita. Aliás, lá a vontade preponderante pode até já nem ser a de implementar este «acordo» mas sim outro, provavelmente ainda mais radical: em Outubro de 2013 a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (Desporto) do Senado em Brasília aprovou a criação de um «grupo de trabalho destinado a estudar e apresentar proposta para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa». É de duvidar que por «aperfeiçoar» se entenda devolver as consoantes ditas «mudas», os hífens e as maiúsculas que levianamente foram roubadas à ortografia dos dois lados do Atlântico.
Entretanto,
sucedem-se os sinais de que a tão apregoada «uniformização» mais não é do que
uma miragem propiciada, talvez, pelo calor dos trópicos. Em Setembro de 2013
foi noticiado que a Embaixada do Brasil em Maputo lançara um concurso para
director do Centro Cultural Brasil-Moçambique, que tinha como um dos requisitos
“desejável conhecimento da escrita portuguesa na vertente brasileira”. Não estava
previsto que o AO90 acabasse com a «vertente brasileira», e todas as outras
vertentes, da escrita portuguesa? Ou terá isso a ver com o adiamento da entrada
em vigor do dito cujo do outro lado do Atlântico? Se sim, talvez isso explique
o facto de na edição e distribuição de livros portugueses no «país irmão» ainda
ser necessário, em vários casos, proceder-se a alterações. Como o da Porto
Editora, que, soube-se em Janeiro deste ano, adaptou os seus dicionários de
língua portuguesa para o mercado brasileiro, como o «Grande Dicionário», que
foi redigido «em português do Brasil à luz do acordo ortográfico». O que será essa
«luz» do AO? Mais alguma inovação introduzida pelas cabeças «brilhantes» que
conceberam o (des)acordo? E há ainda o caso – que me é mais próximo, pois
trata-se de um amigo – do livro de Paulo Monteiro «O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias», que em terras de Vera Cruz recebeu o título «O Amor Infinito que Tenho por Você e Outras Histórias».
Em Portugal a
unanimidade governamental quanto à «uniformidade» ortográfica é apenas aparente.
Porque há, pelo menos, a excepção de Rui Machete, ministro dos Negócios
Estrangeiros, que, em Setembro último, disse em Nova Iorque aquilo que não diz em Lisboa: o AO90 «não
é certamente a única maneira de desenvolver a língua. (…) Nós temos tido alguma
dificuldade em conseguir realizar o projecto que se tinha de o Acordo Ortográfico
ser tão vital para o desenvolvimento da língua. Eu acho que é bom haver algumas
regras básicas mínimas, mas para isso temos que deixar a língua fluir. E,
portanto, nesta matéria teremos de, após alguns anos, observar e ver se não
temos que fazer algumas pequenas alterações.» A «alguma dificuldade» é um
eufemismo, tal como as «pequenas alterações»… aliás, a única «alteração» que há
a fazer ao AO90 é destruí-lo.
Também nas
três principais estações de televisão nacionais são raras as «dissidências» à
«nova (des)ordem ortográfica». Na SIC são de destacar duas vozes corajosas e
desassombradas: Hernâni Carvalho, para quem «esta nossa menoridade, esta nossa
pequenez» explica a existência deste «acordo» que é mais «ortopédico pelos
pontapés que dá na gramática», e que as pessoas «que escreveram isto estavam a
dormir, não estavam acordados»; e Miguel Sousa Tavares, para quem «por inércia,
por preguiça ou por cobardia, vamos assistir a uma revolução para pior na
Língua Portuguesa», para mais ilegal, porque «os próprios signatários que aprovaram
a entrada em vigor do tratado violaram as normas, tornando-o obrigatório sem
que haja o número de assinaturas exigido pelo próprio tratado.» Além de
jornalistas, os dois são também escritores… que, nessa qualidade, estão em
clara discordância com, nomeadamente, Valter Hugo Mãe. Que, em Dezembro de
2013, escreveu na sua página de Facebook: «Também acho estranho que muita gente
diga mal do acordo ortográfico quando não lhes vejo pudor em dizer selfie e
site, like, smartphone, download, ou deslocalização e coalisão mais outras
americanices que nos afastam mais da alma portuguesa do que qualquer c que
desapareça.» Das duas, uma: ou VHM não consegue compreender, ou não quer
compreender, que os opositores do AO90 têm toda a legitimidade para usar
anglicismos… porque não querem cortar letras «supérfluas» nem deixar de usar
palavras «arcaicas»… como, por exemplo, e precisamente, phone (de smartphone).
Nos outros
países não existem estas parvoíces. É certo que já foram feitas algumas
tentativas de alterar a ortografia do Alemão e do Inglês, mas que, porém, não
tiveram a dimensão… e a concretização da que presentemente afecta o Português. Lá
fora valoriza-se o ser convicto quanto à identidade, dignidade e idoneidade linguísticas,
e evitam-se intervenções artificiais. Cá dentro, a julgar pelo que se lê no
jornal Expresso, há quem prefira ser, simplesmente, «convito». (Também no MILhafre (82) e no sítio da ILCAO.)
(Adenda – Nunca esperei que das discussões e votações marcadas para 28 de Fevereiro na assembleia da república resultasse, se não a revogação, ao menos a suspensão do «aborto pornortográfico». E confirmou-se: apenas foi aprovada uma recomendação ao governo para criar um grupo de trabalho para acompanhar a aplicação do dito cujo. Ridículo! Pior foi ouvir as alarvidades de alguns dos alegados «representantes do povo», como as de que o AO90 está a ser implementado «com naturalidade» e «sem sobressaltos», e que é «do interesse de Portugal» liderá-lo. Em que país - ou em que planeta - vive esta gente? Como se tal fosse necessário, foi mais uma demonstração de que sensatez e vergonha não existem em São Bento - tanto na «ala» legislativa como na «ala» executiva. Certas pessoas não têm legitimidade nem capacidade para tomar decisões neste âmbito… e em outros. Pelo que não merecem ocupar as posições que ocupam e deveriam ser removidas delas. A bem ou a mal.)
(Adenda – Nunca esperei que das discussões e votações marcadas para 28 de Fevereiro na assembleia da república resultasse, se não a revogação, ao menos a suspensão do «aborto pornortográfico». E confirmou-se: apenas foi aprovada uma recomendação ao governo para criar um grupo de trabalho para acompanhar a aplicação do dito cujo. Ridículo! Pior foi ouvir as alarvidades de alguns dos alegados «representantes do povo», como as de que o AO90 está a ser implementado «com naturalidade» e «sem sobressaltos», e que é «do interesse de Portugal» liderá-lo. Em que país - ou em que planeta - vive esta gente? Como se tal fosse necessário, foi mais uma demonstração de que sensatez e vergonha não existem em São Bento - tanto na «ala» legislativa como na «ala» executiva. Certas pessoas não têm legitimidade nem capacidade para tomar decisões neste âmbito… e em outros. Pelo que não merecem ocupar as posições que ocupam e deveriam ser removidas delas. A bem ou a mal.)
domingo, fevereiro 16, 2014
Orientação: Uma nova Ópera do Tejo?
Nos sítios
MILhafre, Ópera do Tejo e Simetria está, a partir de hoje, o meu artigo «Uma
nova Ópera do Tejo?» sobre os estudos, divulgados em 2013, para uma nova,
eventual, grande «casa da música» de Lisboa realizados por alunas de
arquitectura – uma portuguesa e três estrangeiras (uma polaca e duas italianas)
– dos professores e arquitectos Francisco e Manuel Aires Mateus. Um assunto, e
uma abordagem, inevitáveis por causa do projecto (que eu criei em 2004) de
recriação virtual do Teatro Real do Paço da Ribeira, destruído em 1755.
sexta-feira, fevereiro 07, 2014
Ocorrência: Há 100 anos, ele apareceu
Assinala-se
hoje exactamente um século desde a primeira aparição da mais famosa personagem da Sétima Arte: o vagabundo com chapéu de coco, bigode pequeno, casaco
apertado, calças largas, sapatos grandes e bengala. Que em Portugal e em outros
países latinos ficou conhecido como «Charlot». «Kid Auto Races at Venice», o
segundo filme em que participou Charles Chaplin, estreou a 7 de Fevereiro de
1914…
… Apenas
cinco dias depois da estreia do primeiro, «Making a Living», ainda sem a sua
maior criação. Que, porém, não tardaria… e depois disso, até «O Grande Ditador»
(um dos meus «20 filmes» favoritos), foram 26 anos a conviver diariamente com
um «segundo eu» e cerca de 80 filmes. Da Primeira Guerra Mundial (cujo
centenário do início também se evoca em 2014) até à Segunda, e para além disso,
até à eternidade… Homem com uma vida e uma obra extraordinárias (uma das muitas
biografias que lhe foram dedicados é um dos meus «20 livros» favoritos),
Charles Chaplin é o artista que eu mais admiro, o meu maior ídolo (e não tenho
muitos…) E também nasceu a 16 de Abril! ;-)
Há dois
séculos, em 1814, uma «invasão britânica»… realmente bélica, começada dois anos
antes, devastou a cidade de Washington. Em 1914 o «ataque», agora apenas de um
súbdito de Sua Majestade, foi de índole pacífica, cultural, de talento. Tal
como 50 anos (e dois dias) depois, a 9 de Fevereiro de 1964, quando quatro jovens músicos ingleses fizeram a sua estreia televisiva nos EUA. Já sem
Império territorial, Londres continuou a exercer o seu domínio mundial por
outros meios.
quarta-feira, janeiro 29, 2014
Observação: Também começa por «M»
Na sua
crónica diária do Público do passado dia 25 de Janeiro, Vasco Pulido Valente
juntou a sua voz à dos que critica(ra)m e condena(ra)m as «praxes académicas»
que terão causado a morte de seis jovens na Praia do Meco, em Dezembro último,
e, de um modo geral, contra todo o conjunto de humilhações e até de violências que em
quase todas as universidades portuguesas são aplicadas aos jovens «caloiros» anualmente;
o eminente historiador chegou inclusivamente a equiparar os «praxistas» a mafiosos…
… O que se
entende, e se justifica, pela «conspiração do silêncio» que alguns deles querem
manter a todo o custo de modo a não serem apuradas culpas e
(ir)responsabilidades pelo que aconteceu. Porém, não me parece que a Máfia é a
organização que melhor serve como ponto de referência, e de comparação, às
comissões de praxes; estas, apesar dos seus comportamentos agressivos e sigilosos,
não são inequívoca e deliberadamente criminosas. Na verdade, os seus «rituais»,
que promovem a hierarquização e a subordinação, fazem-me lembrar mais outra
organização que também começa por «M»…
… Que
constitui uma estrutura paralela de poder sem escrutínio público e se subdivide
em duas tendências, a «regular» e a «irregular» - esta, indubitavelmente, com
uma presença maior, e prejudicial, no Estado e na sociedade civil em Portugal;
que tem redes de contactos e de cumplicidades que propiciam preferências e
privilégios, e que dificultam – ou impedem mesmo – a meritocracia e a
transparência, à revelia de qualquer fiscalização e vigilância legais. De certo
modo, e em última análise, todos, os que «praxam» e os que são «praxados»,
estão simplesmente e eventualmente a «treinarem-se», a prepararem-se, para
situações semelhantes que, saídos das escolas, irão enfrentar no «mundo real». (Também no MILhafre (80).)
sábado, janeiro 18, 2014
Orientação: Sobre o Prémio Bang!, no Simetria
Depois de eu
ter feito (escrito) reflexões sobre os Prémios Sophia e os Prémios Adamastor, é
agora a vez do Prémio Bang!, no Simetria. Um excerto: «O que pode ser mais
(tristemente) irónico do que editores – logo, admiradores, conhecedores,
divulgadores – de obras de ficção científica e de fantástico, género em que
abundam as distopias que têm em George Orwell como que um “santo padroeiro” e
em “1984” como que um ”evangelho”, submeterem-se a um devaneio desviante, não
democrático, de índole claramente totalitária, como é o “Acordo Ortográfico”, e
que como que constrói uma (ridícula) “realidade alternativa”, pelo menos ao
(baixo) nível cultural?»
domingo, janeiro 12, 2014
Obrigado: Aos que compareceram ontem…
… No Café
Saudade, em Sintra, para assistirem e participarem na sexta sessão da iniciativa Poesia e Café/Poetry & Coffee, promovida pela associação
cultural Caminho Sentido e conduzida por Filipe de Fiúza, poeta sintrense. A uma
e a outro agradeço, mais uma vez, o convite. A tertúlia foi dedicada a Alfred
Tennyson, e baseada no livro «Poemas», com traduções minhas daquele autor…
… Dele tendo
sido lidos: por Filipe de Fiúza, «A carga da Brigada Ligeira» (na versão original, e a tradução por Jorge Cosme), «Amor e Morte», «Liberdade», «O poeta» e «Por um evolucionista»; por Jorge Cosme, «A canção do poeta», «A casa deserta» e «As fadas do mar»; por ambos, «As duas vozes»; por Jorge Vicente, «Sir Lancelot e a Rainha Guinevere»; por mim, «Parte, parte, parte» (também na versão original), e ainda «The Revenge – A Ballad of
the Fleet» (unicamente na versão original, porque não integra o livro) em homenagem e em memória de Paulo Lowndes Marques, que me mencionou aquele aquando da apresentação
de «Poemas» em Lisboa, em 2009, na Câmara de Comércio Luso-Britânica. Nos intervalos
das leituras respondi a perguntas sobre a biografia, a vida
e a obra, de Alfred Tennyson, com especial e inevitável destaque para a sua
visita a Portugal, mais concretamente a Lisboa e a Sintra, em 1859. Entre outros, estiveram presentes: Clive Gilbert,
sucessor de Lowndes Marques na presidência da British Historical Society of
Portugal, e cuja esposa, Emma Andersen Gilbert, leu «Cruzando a barra» (unicamente na versão original); Jorge Telles de Menezes, poeta, tradutor, jornalista, director do Selene («órgão oficial» da Caminho Sentido); Maria João Costa, minha amiga, minha editora no
«Poemas»; e Sérgio Franclim, meu amigo, meu colega em diversos projectos literários e igualmente poeta sintrense.
O encontro de
11 de Janeiro no Café Saudade foi objecto de referência em: (agenda cultural
da) Câmara Municipal de Sintra (na página 36); e-Cultura; Região Online; Rio das Maçãs; Tudo Sobre Sintra; TYMR; ViralAgenda.
segunda-feira, janeiro 06, 2014
Observação: Viva o «Rei»!
Hoje é Dia de
Reis. E, ontem, morreu aquele que foi chamado de «Rei» (do futebol português). Há
já quem queira que ele seja sepultado no Panteão Nacional, ao lado da sua amiga
Amália Rodrigues; e sem dúvida que ele merece essa honra muito, mas mesmo
muito mais do que Aquilino Ribeiro e Óscar Carmona.
Não é
necessário dizer, recordar, o que Eusébio da Silva Ferreira fez, o que foi e é,
o que simbolizou e simboliza, agora e para todo o sempre. Dos muitos factos,
das muitas memórias, relativas ao grande desportista e ao grande homem, escolho
o simbolismo da selecção nacional de futebol que participou no Campeonato do
Mundo de 1966, em Inglaterra; uma selecção europeia cujas duas principais
figuras – o seu capitão (Mário Coluna) e o seu melhor jogador – eram ambos
africanos, de cor de pele escura; nenhum país verdadeiramente racista
permitiria isso; os afrikaners nunca o aceitariam – e por isso a África do Sul,
ao contrário de Portugal, esteve banida das competições internacionais (até ao
fim do apartheid); os segregacionistas (herdeiros dos esclavagistas) do Partido
Democrata nos EUA nunca o aceitariam.
Mais do que
através das condolências, das elegias e dos elogios fúnebres, do luto oficial,
das bandeiras a meia haste, da repetição constante das suas melhores jogadas e
dos seus melhores golos, a melhor forma de homenagear o «Pantera Negra» estaria
em os seus sucessores, no Sport Lisboa e Benfica e na «equipa de todos nós»,
fazerem melhor… dentro das quatro linhas, nos estádios, nos relvados, nos
terrenos de jogo. Infelizmente, e nos quarenta anos que se seguiram depois de
ele ter «arrumado as chuteiras», nem o seu clube nem o seu país voltaram a
alcançar, ou sequer chegaram a alcançar, a glória para a qual ele tanto
contribuiu, o sucesso cujos alicerces ele ajudou a colocar. O Benfica, que com
ele foi campeão europeu – aliás, vencedor de um troféu internacional – pela
última vez, ergueu-lhe uma estátua ainda em vida mas é hoje uma instituição degradada, diminuída, sem identidade e mal dirigida. E a selecção nacional
nunca chegou, verdadeiramente, a fazer melhor do que o terceiro lugar que ele e
os seus companheiros «Magriços» conseguiram em Londres (é melhor nem falar de
Lisboa em 2004…), sucedendo-se os «foi quase»…
No seu último
ano de vida, Eusébio assistiu ao (triplo) fracasso do Benfica, a uma «morte na
praia» (nos últimos instantes de jogo) três vezes repetida; e soube que a final
da Liga dos Campeões da época 2013-2014, que se realizará no seu Estádio da
Luz, não contará, mais uma vez, com as (muito «depenadas») «águias»; desportivamente, a despedida foi muito triste. Resta que,
como um derradeiro tributo póstumo, Cristiano Ronaldo e os seus colegas
finalmente se superem e tragam do Brasil o supremo troféu mundial, quais Pedro
Álvares Cabral e seus marinheiros «reencarnados». Porém, e dados os
antecedentes, não há verdadeiros motivos para se estar optimista, não existem
reais razões para se ter esperança. (Também no MILhafre (79).)
terça-feira, dezembro 31, 2013
Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2013
A literatura: «O Homem Corvo (com ilustrações de Ana Bossa e Nuno Bouça)», David Soares; «O Livro do Deslumbramento/O Último Livro do Deslumbramento», Lord Dunsany; «Chave dos Profetas - Livro III», António Vieira; «Memórias de um Ex-Morfinómano», Reinaldo Ferreira; «Crise nas Terras Infinitas», George Pérez e Marv Wolfman; «O horror de Dunwich» e «Os sonhos na casa da bruxa», H. P. Lovecraft.
A música: «Acústico», Roberto Carlos; «Diabolus In Musica» e «God Hates Us All», Slayer; «Desfado», Ana Moura; «The 2nd Law», Muse; «Infinity», «Evolution» e «Raised On Radio», Journey; «Sons Of Sabbath - Volume II», Cloud Catcher, Crypt Trip, Earthmouth, Red Wizard, e outros; «Das Rheingold», Richard Wagner (por Eike Wilm Schulte, Kim Begley, Robert Hale, Thomas Sunnegardh, e outros, com a Orquestra de Cleveland dirigida por Christoph Von Dohnányi).
O cinema: «Má Professora», Jake Kasdan; «É Complicado», Nancy Meyers; «Orfã», Jaume Collet-Serra; «Contágio», Steven Soderbergh; «Patrões Horríveis», Seth Gordon; «Estrada Revolucionária» e «Skyfall», Sam Mendes; «De Lado», Cellin Gluck; «Homem de Ferro 3», Shane Black; «Inserções», John Byrum; «Desempenho», Donald Cammell e Nicholas Roeg; «Ralph Arrasa-o», Rich Moore; «A Lista do Balde», Rob Reiner; «Escuro Como Breu», David Twohy; «O Livro de Eli», Albert Hughes e Allen Hughes; «Em Cima no Ar», Jason Reitman; «O Meu Idaho Próprio e Privado», Gus Van Sant; «O Caimão», Nanni Moretti; «Homens Mistério», Kinka Usher; «O Último Dobrador-de-Ar», M. Night Shyamalan; «Sonja Rubra», Richard Fleischer; «Onde as Coisas Selvagens Estão», Spike Jonze; «Cinco Rápidos», Justin Lin; «A Casa do Lago», Alejandro Agresti; «Cavalo de Guerra», Steven Spielberg; «A Ressaca - Parte II», Todd Phillips.
E ainda...: Biblioteca Nacional - congresso «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo» + exposição «Fernando Pessoa em Espanha» + exposição «Um dinamarquês universal - Soren Kierkegaard» + mostra «Dous gigantes pintados cõ hus bastões nas mãos - gravuras chinesas de porta» + mostra «Ilse Losa (1913-2006)»; «O Agente» (anúncio publicitário para a Agent Provocateur), Penelope Cruz; FNAC/Vasco da Gama - exposição colectiva «Fotografia 12.12.12»; Sociedade Euterpe Alhandrense/Grupo Rumo à Vida - «São Paulo Musical/Porque Me Persegues», Alfredo Juvandes e José Cordeiro; Museu do Neo-Realismo - exposição bio-bibliográfica «A Vida e a Arte de António Ramos de Almeida» + exposição «Alice Jorge - Traços, Ecos e Revelações»; «U2 - 360 Graus no Rose Bowl», Peter Krueger; SHIP-Palácio da Independência/Real Associação de Lisboa - debate «Lisboa - problemas e soluções» com Aline Gallasch-Hall de Beuvink; «Sherlock» (segunda temporada).
Outros: Parabéns ao Paulo!
Mais de três
anos depois de ter sido publicado (foi em Outubro de 2010), o livro «O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias» do meu amigo Paulo Monteiro
felizmente não só não desapareceu nem foi esquecido como, pelo contrário, continua
a conquistar novos mercados e novas audiências – traduções, versões, para o
Brasil, França, Grã-Bretanha e Polónia, entre outros países, já foram lançadas
ou estão quase a sê-lo. E não só: para além dos prémios que já ganhou em
Portugal, entre os quais o do Festival da Amadora, poderá ganhar outros no
estrangeiro – só entre os gauleses está nomeado não para um, não para dois mas
sim para três prémios, cujos vencedores deverão ser conhecidos entre Março e
Abril de 2014. E, mesmo que não triunfe em qualquer deles, não deixará de ser um notável - e triplo! - feito. Por isso, parabéns ao Paulo, que merece todo este sucesso!
Enquanto ele
não conclui a sua nova obra, que provavelmente (e infelizmente) só será apresentada em 2015, a
próxima oportunidade de apreciar a arte e o talento de Paulo Monteiro continua
a poder ser através dos desenhos, das ilustrações que ele fez para o meu livro
«Espelhos», cuja publicação pela editora Polvo – a mesma de «O Amor Infinito…» (e que, não, não publica apenas banda desenhada) - me foi garantida, prometida, para este ano de 2013 que agora termina, que eu
anunciei aqui, no Octanas, no passado mês de Março com o conhecimento e a
concordância do editor… mas que não se concretizou, apesar de várias e sucessivas
datas terem sido apontadas para tal. Espero que 2014 seja o ano em que o meu
primeiro volume de poemas é finalmente impresso, distribuído e comercializado. A haver um próximo anúncio, ele será feito depois de eu o ter nas mãos.
sexta-feira, dezembro 27, 2013
Orientação: Sobre terra queimada, no Público
Na edição da passada terça-feira, 24 de Dezembro (Nº 8658), do jornal Público, e na página 46, está
o meu artigo «Terra queimada». Um excerto: «Portugal tem terra queimada no sentido literal mas também
no sentido figurado: aumentam no interior as áreas que são abandonadas,
desabitadas, desertificadas – e que desse modo ficam “queimadas” para o
desenvolvimento e para a modernização. Todavia, todo o país, tanto em meio
urbano como em meio rural, está a tornar-se uma enorme terra “queimada” pelo
desemprego e pela emigração, factores que sem dúvida contribuem para explicar
as consecutivas falhas na prevenção e na detecção de fogos… mas que não as
desculpabilizam. Décadas de discussão e de planificação das chamadas “épocas de
incêndios” não têm impedido que aqueles se tenham tornado uma trágica e triste
“normalidade” - e, tal como a criminalidade, a incompetência não tem sido
devidamente punida.» (Também no MILhafre (78). Referência n'O Voo do Corvo.)
segunda-feira, dezembro 16, 2013
Oráculo: Em Sintra por Tennyson
No próximo
dia 11 de Janeiro de 2014, às 21.30 horas, estarei em Sintra no Café Saudade
(Avenida Doutor Miguel Bombarda, Nº 6, perto da estação ferroviária) para
participar na sexta edição da iniciativa «Poetry & Coffee», que será
dedicada a Alfred Tennyson e na qual estará em destaque o livro com as traduções
de «Poemas» daquele autor que eu elaborei e publiquei em 2009. Proceder-se-á à
leitura de alguns desses poemas e evocar-se-á a visita que o grande artista
inglês fez a Portugal em 1859, na qual a vila hoje reconhecida como património
da Humanidade pela UNESCO constituiu uma paragem obrigatória. O convite para a
minha presença e participação partiu de Filipe de Fiúza, organizador e condutor
da iniciativa com o patrocínio da associação cultural Caminho Sentido, a quem
agradeço a escolha e a oportunidade.
domingo, dezembro 08, 2013
Opções: Pelo Odéon
Já assinei a
petição «Lisboa e o país precisam do cinema Odéon», promovida pelo Movimento Fórum Cidadania Lisboa. Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
Lê-se no
texto que apresenta e que explica a iniciativa: «O Cinema Odéon, sito na Rua dos Condes, Nº 2-20,
Freguesia de São José, data de 21 de Setembro de 1927 e é hoje o cinema com
mais história de Lisboa, tendo passado pela sua tela clássicos do mudo e do
sonoro (Stroeheim, Lang, Tod Browning, Eisenstein, Cukor, Capra, etc.), e, já a
partir da segunda metade do séc. XX grandes êxitos do cinema português e
espanhol, bem como teatro radiofónico, protagonizado por Laura Alves, Madalena
Iglésias, Antonio Calvário, entre muitos outros. O conjunto da sala, com 84
anos, formado pelo tecto de madeira tropical (único no país e espantosamente
intacto depois de 16 anos de abandono); pelo lustre de néons gigantes irradiantes
(peças electro-históricas), que uma longa corrente vertical, comandada do
tecto, faz deslizar até ao chão para manutenção; pelo luxuriante palco com
moldura e frontão em relevo Art Deco (outro caso único); pela complexa teia de
palco, com o seu pano de ferro; e pela série de camarotes (onde Salazar tinha
lugar cativo), galerias e balcões em andares, tudo isto forma um exemplar
assinalável, mais ainda por ser o último do género existente em Portugal.»
Aparentemente, e infelizmente, o meu (modesto) apoio, tal como o de outros, não deverá ser suficiente para evitar a demolição. Que, a concretizar-se, será mais um
crime contra o património nacional – não só da capital – cometido, ou
permitido, pela Câmara Municipal de Lisboa, pelo seu actual presidente e pela
sua equipa.
sexta-feira, novembro 29, 2013
Observação: Sobre os Prémios Adamastor
No Fórum Fantástico 2013, que decorreu entre 15 e 17 de Novembro último na Biblioteca
Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa, um dos maiores destaques foi para a
apresentação dos Prémios Adamastor do Fantástico. O que não foi uma novidade
absoluta, porque a iniciativa já havia sido revelada em Abril, n(a última
página d)o Nº 14 da revista Bang! Então foram indicadas as categorias do
galardão: livro nacional (inclui banda desenhada): livro traduzido; ficção
curta nacional; audiovisual nacional; livro eleito pelo público; livro eleito
pela crítica; carreira. Os prémios, organizados pela equipa do projecto Trëma,
serão atribuídos – inicialmente apenas sob a forma de diploma – anualmente por
um júri cujos membros serão convidados pelos organizadores, estando também
prevista, porém, a participação do público na votação.
Os Prémios
Adamastor do Fantástico suscitam-me, desde já, dois comentários. O primeiro tem
a ver com a própria designação: compreensível na perspectiva de uma tradição da FC & F portuguesa, que existe, como eu já demonstrei, tem no entanto o
«problema» de ter sido previamente «tomado» por outra iniciativa nacional de
âmbito literário – o Projecto Adamastor, que tem como objectivo principal «a
criação de uma biblioteca digital de obras literárias em domínio público.» Na
verdade, é insólito que este projecto não fosse do conhecimento de pessoas que
dedicam grande e melhor parte do seu tempo à divulgação de literatura através
de meios electrónicos e interactivos. Todavia, e a julgar pelas declarações de Rogério Ribeiro n(a abertura d)o FF13, terá sido mesmo isso que aconteceu.
Mandaria a lógica, e o bom senso, que este novo galardão fosse por isso «rebaptizado»,
mas não parece que tal venha a acontecer. Uma
designação alternativa seria, por exemplo, «Prémios Bartolomeu de Gusmão de FC
& F em língua portuguesa»… que foi a que eu propus em texto que escrevi e
enviei, a partir de Setembro de 2010, a cerca de 20 pessoas de entre as mais
ilustres e interventivas do género em Portugal (sim, incluindo RR), várias das
quais, aliás, me responderam dando as suas opiniões e contributos (sim,
incluindo RR). Texto esse que passo a transcrever (não na íntegra), e que
representa o meu segundo comentário sobre o assunto:
«Proponho a
criação de um, ou dos, prémio(s) de língua portuguesa no âmbito da FC
& F – abertos à participação não só de portugueses mas de todos os
lusófonos. Porquê? Porque é uma forma de divulgar, de estimular e de
recompensar o nosso trabalho nesta área, onde, salvo raríssimas excepções,
obras e autores continuam a ser discriminados, silenciados na comunicação
social e nos galardões literários mais mainstream. E porque, desde que
deixou de ser atribuído o Prémio Caminho de Ficção Científica, não
existe, nesta área, uma distinção de referência no espaço de língua portuguesa.
Nestes últimos dez anos, a nossa “comunidade” cresceu, em autores e em obras,
em capacidade crítica, em poder de comunicação – e não só graças ao
desenvolvimento da tecnologia. Instituir e atribuir, anualmente, prémios aos
criadores que trabalham na nossa área de eleição é um corolário lógico desse
crescimento e desenvolvimento, é uma forma de reconhecer, honrar, o esforço feito.
(…) Como designar o Prémio? Tendo em consideração que, na minha opinião, e
como já expus acima, ele deve ser de âmbito alargado, para todos os falantes –
ou escreventes – de português, ele deve ter como “patrono”, como “figura
tutelar”, alguém que corporizou como que um “espírito transatlântico”, que foi
um inventor, dado à inovação científica e técnica, que hoje aparece, até,
envolto em alguma lenda e mistério, que já foi até personagem de romance. (...) A minha sugestão é... Prémio(s) Bartolomeu de Gusmão de FC
& F. E, obviamente, esse(s) prémio(s) deve(m) traduzir-se, além de num
valor monetário (é preciso encontrar patrocinadores...) e de num diploma
alusivo, também na forma de uma placa, de um baixo-relevo representando... uma
Passarola. (…) O Prémio Gusmão deverá ser atribuído a obras
publicadas, não inéditas. Numa época em que qualquer pessoa pode criar
um blog e nele colocar, se quiser, um romance, em que o “print on
demand” é uma realidade, já não há muitas desculpas para não se conseguir divulgar
e distribuir uma obra. O Prémio Gusmão deverá ter não uma mas
várias categorias. Para começar: romance/novela - ficção em prosa de “longa
duração”; antologia/colectânea de contos (de vários autores ou de um só autor);
conto; tradução para português de autor não lusófono; grafismo (desenho de
capas e paginação). Numa segunda fase, e se tal se
justificar, prémios para filme, teatro, música, jornalismo... e um
“especial”, de “carreira”, de “prestígio”. A escolha dos premiados deverá ser
feita por júris, um por cada categoria. Poderá ser feita previamente uma lista
de nomeados, meia dúzia, no máximo, de selecções em cada categoria, e
submetidos a uma votação online do público – embora os resultados sejam apenas
indicativos e sem consequência directa no resultado final. Quem deve organizar
o Prémio Gusmão? Actualmente, faz sentido que tal se faça no âmbito
do Fórum Fantástico – em cada edição atribuir-se-iam os galardões relativos ao
ano anterior. (…)»
Neste domínio
(como em outros) não tenho a pretensão de ter «inventado a pólvora». Sei que a
criação, ou a recriação, de um prémio de FC & F em Portugal, depois do da Caminho,
já era pensada e discutida, mesmo que informalmente, há bastante tempo. Mas,
que eu saiba, nos últimos anos mais ninguém – e, se eu estiver enganado, farão
o favor de me corrigir – havia estruturado, elaborado e enviado uma proposta
nesse sentido, com princípio, meio e fim. De qualquer modo, mais importante do
que a designação de um prémio, e de saber quem é que teve primeiro a ideia de
um (novo) prémio, é mesmo haver um, e que seja dado a quem o merece. E, quem
sabe? Talvez também eu decida concorrer! ;-) (Também no Simetria.)
quinta-feira, novembro 21, 2013
Oráculo: Verney no Porto
Depois do
congresso «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», que
decorreu em Lisboa, na Biblioteca Nacional, a 16, 17 e 18 de Setembro, vai ter
lugar na capital do Norte o segundo grande acontecimento, e momento, do «Ano Verney», da celebração múltipla dos 300 anos do nascimento daquele: a Faculdade
de Letras da Universidade do Porto vai realizar, nos próximos dias 3 e 6 de
Dezembro, o colóquio «Para uma edição crítica da poesia de Verney», que
constitui igualmente o início, a primeira fase de um projecto…
… Que consiste precisamente em dar a
conhecer, de uma forma mais alargada e sustentada, o que muitos sem dúvida
desconhecem e que constituirá uma (grande) surpresa: que o autor de «Verdadeiro
Método de Estudar», da «Metafísica» e da «Lógica» também escreveu versos! Como
é referido na apresentação da iniciativa, será desenvolvido, «a
partir de uma investigação de Francisco Topa, um projecto articulado de edição
crítica da Poesia quase desconhecida de Verney, reunindo destacados especialistas
nacionais e internacionais numa cooperação que pretende constituir-se, desde
este primordial esforço, em ensaio de um amplo projecto de estudo inter-universitário
sobre estrangeirados portugueses no estrangeiro e estrangeiros em Portugal.
Serão conselheiros Olivier Bloch (Université de Sorbonne, Paris I), Jonathan
Israel (Princeton University) e Laurence Macé (Université de Rouen). Cristina
Marinho (Universidade do Porto), Francisco Topa (Universidade do Porto) e Jorge
Croce Rivera (Universidade de Évora) coordenarão a comissão científica deste
longo exercício concertado.»
Na
Universidade de Évora, onde Luís António Verney estudou, deverá igualmente
realizar-se, mas em 2014, outro evento de homenagem ao grande filósofo e
pedagogo; e que, em princípio, decorrerá no colégio com o seu nome. Se nessa
ocasião estiver presente pelo menos um representante da organização do
congresso realizado em Setembro na BN, deverão ser oferecidos à UdE exemplares
de um postal comemorativo da efeméride, emitido pelos CTT-Correios de Portugal,
e apresentado pela primeira vez naquele congresso. (Também no MILhafre (77) e no Ópera do Tejo.)
quarta-feira, novembro 13, 2013
Ocorrência: Uma década de «Visões»
Hoje, 13 de
Novembro de 2013, passam exactamente 10 anos desde a apresentação e o
lançamento, em Lisboa, de «Visões», o meu primeiro livro a ser editado (com
data de Outubro de 2003).
Naquele dia,
a ladearem-me na mesa na sala principal da Biblioteca Municipal do Palácio
Galveias, e perante uma audiência de amigos e de familiares, estiveram duas das três pessoas
decisivas para a publicação da minha obra: António de Macedo, que, enquanto
responsável pela colecção «Bibliotheca Phantastica» da editora Hugin, decidiu
publicar «Visões» e inseri-lo naquela; e Luís Miguel Sequeira, que em 2000 já
considerara dois dos contos que a integram, «A caixa negra» e «Caminhos de
ferro», como «merecedores de publicação» aquando da edição de 2000 do Prémio
Literário de Ficção Científica da associação Simetria – de que posteriormente
me tornaria membro e animador-colaborador permanente. A terceira pessoa a quem
devo – e em primeiro lugar – a minha estreia literária é Sérgio Franclim, que
conheci na Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações e que
levou o meu livro ao conhecimento de António de Macedo.
«Visões» teve
uma génese complicada… e demorada. Concluído em 1997, alguns dos contos nele
incluídos foram escritos na primeira metade dos anos 80. E apesar de a Hugin me
ter comunicado a intenção de o publicar em 2001, tal só se concretizaria dois
anos depois, sendo, aliás, o último volume da colecção, em que também estão,
entre outros, livros de Luísa Marques da Silva e de Maria de Menezes. «Visões»
foi prejudicado: por uma impressão deficiente e incompetente, tanto na capa
como no miolo; e por uma divulgação quase inexistente – as únicas (três)
referências mediáticas dignas de registo, todas em 2004, foram conseguidas por
mim, e consistiram numa entrevista ao jornal Notícias de Alverca, numa
(brevíssima) notícia-comentário (sem imagem de capa) na revista Umbigo, e numa (breve) apresentação com excerto do prefácio (e imagem de capa) na revista África Hoje. Em 2005 a Hugin faliu e
fechou, pelo que qualquer eventual e posterior acção de promoção ficou
impossibilitada. Porém, e pelo menos, ainda recebi algum (pouco) dinheiro de
direitos de autor, algo que a maioria dos autores da editora não obteve; e,
além dos exemplares que ficaram na minha posse, outros existem, de certeza, na Biblioteca Nacional e nas bibliotecas municipais de Lisboa, e, talvez, em alguns alfarrabistas – além,
evidentemente, dos que foram vendidos ou por mim oferecidos.
No entanto,
2005 seria igualmente o ano em que «Visões» como que «renasceu», embora num outro formato, o de áudio-livro – uma edição que, todavia, não transpôs
sonoramente toda a obra. Directamente, ou indirectamente por via da referência
à editora Solutions by Heart, o meu livro – agora disco – beneficiou dessa vez de
uma promoção superior, tendo «aparecido» no Jornal de Letras, no sítio
Lifecooler e na RTP. Mas, tudo considerado, o meu primeiro livro, nas suas duas
versões, ficou muito aquém do destaque e do impacto que eu gostaria e que ele
merecia. Em 2011 ainda propus à Gailivro, que editara em 2009 o meu (primeiro) romance «Espíritos das
Luzes», que reeditasse «Visões» no âmbito da sua então nova colecção «Mitos Urbanos»; esta, contudo, ficou-se pelos seus dois primeiros volumes…
Ontem como
hoje continua a servir-me de «consolação» o prefácio que António de Macedo escreveu para o meu livro: os elogios que ele lhe fez, e o facto de o ter inserido
numa certa corrente, numa determinada «tradição» do fantástico em Portugal,
serviram para compensar – embora, obviamente, não totalmente – o fracasso e a
frustração, nas vendas e na notoriedade. Espero que «Visões 2», já planeado,
imaginado, estruturado, e que pretendo começar a escrever em 2014, tenha mais sorte. (Também no Simetria.)
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