segunda-feira, abril 23, 2012

Opções: Não comprar livros com AO90

Hoje, Dia Mundial do Livro, e véspera da abertura da Feira do Livro de Lisboa 2012, é o momento adequado para, mais uma vez, apelar a que não se compre livros escritos e/ou impressos segundo o abominável «acordo ortográfico de 1990». O boicote a obras deformadas e deturpadas é uma das principais formas, e talvez a melhor, de combater aquele «aborto»; quanto mais forem os leitores que o fizerem maior será a probabilidade de os escritores e/ou as editoras que renunciaram à dignidade e à sensatez retrocederem na sua conduta reprovável e ridícula… porque ver-se-ão afectados onde «dói mais», isto é, na carteira, no cofre e na conta bancária.
Neste âmbito, destaque pela positiva vai, entre outros, para Guilherme Valente: o fundador da Gradiva – que faz jus ao seu apelido! – não só subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico como disponibilizou os espaços da sua editora na Feira do Livro para a recolha de assinaturas a favor daquela iniciativa; é mais um motivo para uma visita aos pavilhões B19, B56, B58 e B60. Entretanto, também a Relógio d’Água se juntou à iniciativa, pelo que se deve igualmente visitar os pavilhões A73, A75, A77, A79, A81, A83, A85 e A87. E ainda a Zéfiro (D50), que edita a revista Nova Águia e a colecção de livros com o mesmo nome.
Enfim, e para além daqueles que já mencionei aquando de anteriores feiras e Natais, eis alguns novos livros, de amigos, cuja aquisição eu recomendo: «Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes» e «O Homem Corvo», David Soares; «Nova Teoria do Mal», Miguel Real; «A Última Sessão – A Edição dos Textos Malditos de Luiz Pacheco», Pedro Piedade Marques; «Convergência Lusófona – As Posições do MIL/Movimento Internacional Lusófono (2008-2012)», (coordenação de) Renato Epifânio; «A Cidade dos Sonhos», Sérgio Franclim (e Sandra Hormiga). (Também no Esquinas (120) e no MILhafre (56).)

segunda-feira, abril 16, 2012

Oráculo: «Um Novo Portugal» em 2012

O meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País» vai ser editado em 2012, possivelmente no mês de Junho, pela editora Fronteira do Caos. Consiste numa colectânea dos meus melhores, mais importantes artigos de opinião escritos e publicados desde 1986 – são, pois, 25 anos, um quarto de século de reflexões sobre esta Nação que é (ainda) a nossa. Incluirá, entre outros, «Lisboa: importância capital», «O Estado assassino», «A República das Laranjas» (sobre Aníbal Cavaco Silva), «Contra a Europa», «Expo dos Pequeninos?», «Mestre, Profeta, Santo» (sobre Agostinho da Silva), «Sem pejo» (sobre Jorge Sampaio), «E o nome do novo aeroporto de Lisboa deve ser…», «Hoje não é Dia de Portugal», «Os anéis e as quinas», «E o “Prémio Miguel de Vasconcelos 2008”…» (sobre José Sócrates), «Sob a bandeira arco-íris», «Palavras de honra», «Em 2010, “não” a 1910, “sim” a 1810!», «Reconquistar Portugal», e «”Velho do Restelo”, e com muito orgulho!». Mais pormenores e novidades literárias para breve.

sábado, abril 14, 2012

Obras: «Segundo Ultimatum Futurista»

«(…) Hoje, 14 de Abril de 2017, quero fazer, e vou fazer, um Segundo Ultimatum Futurista. O primeiro, de que acabaram de ouvir um excerto, foi feito há exactamente 100 anos, e aqui mesmo, nesta cidade de Lisboa, neste local, neste teatro. (…) Mas por quem? Por José Sobral de Almada Negreiros. Muitos dos que me escutam agora provavelmente não sabem quem ou o que é que ele foi. Eu digo-o: foi um dos maiores nomes da cultura portuguesa contemporânea, mais ou menos recente. (…) Porém, há uma diferença grande, enorme, assinalável, entre esse primeiro Ultimatum e o segundo que eu agora, modesta mas ousadamente, me permito apresentar. O de Almada dirigia-se, e isso estava evidente, patente, no seu título original, “às Gerações Portuguesas do Século XX”. Obviamente, o meu, se fosse assumido como uma genuína continuação, teria de ser dirigido “às Gerações Portuguesas do Século XXI”. Só que há um pequeno, um menor, um insignificante problema… e, sim, já devem ter percebido que estou a ser irónico. Sem dúvida que estamos no Século XXI… Mas de certeza que não se pode dizer que existem, verdadeiramente, Gerações Portuguesas. (…) É como se o Estado, e através dele a Nação, preconizasse e premiasse a sua própria eliminação… é como se uma eutanásia generalizada estivesse em curso! Isto para além daquela específica, obrigatória, para quem tem mais de 80 anos e não pode pagar os seus medicamentos… A matança, entretanto, dispõe de um arsenal cada vez maior, diversificado e sofisticado: à semelhança dos camiões de recolha de sangue, foram construídos camiões especiais, autênticas clínicas sobre rodas, que percorrem o país visitando escolas onde a alunas que engravidaram são feitos abortos ao vivo e sem anestesia, transmitidos em directo no canal de televisão do Ministério da Educação, nas aulas de Biologia e de Ciências da Natureza, e que proporcionam bonificações na avaliação final, no que constitui sem dúvida uma forma avançada, e mesmo vanguardista, de pedagogia… (…) Entretanto, e tendo também como pretexto o aumento da violência, em Portugal já não são só os arguidos, suspeitos, detidos, culpados, que têm de usar pulseiras electrónicas: todos os cidadãos a partir dos 18 anos, portadores de número de identificação fiscal, têm de o fazer! É um substituto do CU, do dito “cartão único”, o “cartão de cidadão”, que aliás já tinha um chip incorporado. “É para o nosso bem, para a nossa segurança”, dizem os nossos governantes, “para estarmos permanentemente localizáveis e contactáveis”. (…) Assim, todos os portugueses estão prisioneiros do, e no, seu próprio país. Todos os que não se foram embora, todos os que ficam, que o querem e o permitem, obviamente… para esses Portugal tornou-se uma autêntica e enorme prisão! Mas uma prisão que constitui um estímulo à economia nacional: a fabricante destas pulseiras é a mesma dos computadores Magalhães, e como estes deixaram de ser encomendados e produzidos, havia que dar àquela companhia alguma compensação, coitados… (…)»
Acima estão excertos do meu conto «Segundo Ultimatum Futurista», que escrevi entre Setembro e Outubro de 2011 após ser convidado (um mês antes do final do prazo) por Rogério Ribeiro a participar na «Antologia de Ficção Científica Fantasporto» que aquele estava a organizar, e que viria a ser editada já neste ano de 2012 pela 1001 Mundos/LeYa – que, recorde-se, também editou o meu livro «Espíritos das Luzes». Porém, alegando que esta minha prosa curta é «mais panfletária do que especulativa» e, a ser incluída na antologia, a «desenquadraria», o organizador recusou-a liminarmente, isto é, sem me dar a oportunidade, a alternativa, de lhe fazer alterações. No entanto, acredito que não haveria qualquer motivo para isso, porque continuo convencido de que cumpri com o estabelecido no regulamento: «São aceites contos inéditos, em língua portuguesa, com reconhecíveis elementos de Ficção Científica. Tratando-se de um género vasto, que transcende definições simples, os critérios de avaliação serão baseados em três pilares: ambiência, carácter especulativo e criatividade. (…) A extensão máxima de cada conto a concurso será de 75.000 caracteres (incluindo espaços). (...) A par dos contos a concurso seleccionados, a Antologia conterá também contos de autores convidados, nacionais ou estrangeiros (pode-se, pois, deduzir que, se respeitassem os termos do regulamento, os contos dos autores convidados não seriam sujeitos nem a concurso nem a selecção).»
Assim, foi-me retirada a possibilidade de fazer parte do programa do Festival Internacional de Cinema do Porto, e ainda por cima num ano em que se assinalaram os 30 da estreia de «Blade Runner» (um dos meus filmes favoritos), os 120 da morte de Bram Stoker, e se homenageou Ed Wood; e foi-me retirada a possibilidade de ser editado, pela primeira vez, no Brasil. Entretanto, agora posso revelar que, sim, foi por causa da minha exclusão da «Antologia Fantasporto» que me excluí, que não compareci, ao Fórum Fantástico 2011, onde esteve prevista a minha participação enquanto orador – porque não aceitei que a mesma pessoa decidisse que, dentro da mesma área, eu tenho competência para uma tarefa mas não para outra.
Não quero colocar em causa, de modo algum, os contos incluídos na antologia e os seus autores, alguns dos quais conheço pessoalmente e que tenho como amigos. Para todos eles vão os meus sinceros parabéns. Todavia, eu, enquanto autor, não estou junto deles porque alguém não teve para comigo um comportamento correcto. Que eu, enquanto organizador (e não só), sei que tenho: os convites que fiz para «A República Nunca Existiu!» não constituíram um concurso dissimulado, e só não participou quem não quis. A «culpa» deve ser minha, porque pensava que a noção de «convite» que tinha era consensual.    
Apesar do que me aconteceu, continuo a pensar, tal como escrevi no meu artigo «A nostalgia da quimera», que todas as controvérsias no âmbito da FC & F portuguesa (e não só) são salutares. Porque são sempre reveladoras. E porque é sempre preferível a honestidade à hipocrisia. (Também no Simetria; referência no Ouroboros Lair.)
(Adenda – RR prossegue a sua campanha de mistificação… isto para não usar outra palavra começada por «m». A única coisa com que eu «concordei», que registei, foi que seria possível que nem todos os contos dos autores convidados fossem incluídos. Obviamente… se não obedecessem aos critérios de avaliação estipulados no regulamento, cujos «contornos» são nítidos. Eu obedeci ao regulamento.)

domingo, abril 08, 2012

Outros: Artigos contra o AO90 (Parte 3)

«O cumprimento da lei visto por Gabriela Canavilhas», «Acordo ortográfico? Mas qual deles? Ou você ainda julga que existe apenas um acordo?», «Os 20 anos que Henrique Monteiro não viu» e «A impunidade do acordo ortográfico», João Roque Dias; «Contra o Acordo Ortográfico – O que não interessaUm texto inconsistenteNão há uniformização ortográficaNão há uniformização da escritaAs chamadas consoantes mudasMais homografiasImplicações pedagógicasUma espécie de conclusão», «O entusiasmo de Henrique Monteiro» e «A gaguez de Francisco José Viegas», António Fernando Nabais; «E “tão-me a charengar” é português?», Ana Cristina Leonardo; «Desacordo ortográfico» e «Contra a lógica do “porque sim”», Pedro Correia; «O chamado “novo acordo ortográfico” – Um descaso político e jurídico», Francisco Ferreira de Almeida e José de Faria Costa; «Uma lança de África» e «Pois é – Antes fosse mentira», Nuno Pacheco; «Sobre o Acordo Ortográfico», José Gil; «ilcao cedilha net», Manuel Luís Bragança; «O que Helena Topa ou Não Topa», Ivo Rafael Silva; «Nós, os “teimosos”», Carlos do Carmo Carapinha; «Questões do Estado de Direito» e «A opção», Vasco Graça Moura; «Não ao acordo ortográfico» e «O desacordo ortográfico», Luís Menezes Leitão; «O impossível acordo», António Guerreiro; «O AO90 está em vigor? Onde?», Paulo Jorge Assunção; «O acordo ortográfico da nossa desunião (1ª Parte/2ª Parte)», António Viriato; «Dermatologia e resistência silenciosa», Francisco Miguel Valada; «Eterno desacordo», Pedro Lomba; «Da presuntiva artificialidade da ortografia», António Emiliano; «Cor-de-rosa laranja», Rui Cardoso Martins; «Um caso de revisionismo de conveniência», Ana Isabel Buescu, Helena Carvalhão Buescu e Jorge Buescu; «O resultado imprevisto do Acordo Ortográfico», Miguel Madeira; «Reescrever a História (1ª Parte/2ª Parte/3ª Parte)», João Pedro Graça; «O Accordo Ortographico», Rui Ramos; «Um golpe dos “patrões” da Língua», Cândido Lince; «A conspiração ortográfica», Manuel António Pina; «Pelo Inglês como idioma oficial de Portugal», João Campos; «Acordo ortográfico e bocejo…», José Alberto Quaresma; «A desmontagem do "facto consumado"», Teresa R. Cadete. (Também no Esquinas (119) e no MILhafre (55).      

segunda-feira, abril 02, 2012

Observação: Cumplicidade na perversidade

Mais um exemplo recente – e são tantos! – do delírio surrealista em que se transformou a (tentativa de) imposição do «acordo ortográfico» é dado pelas entrevistas que o blog Blogtailors – da Booktailors/Consultores Editoriais – tem conduzido com vários intervenientes do panorama literário português – autores, críticos, editores. A quase todos é pedida a opinião sobre o execrável AO90… e, invariavelmente, com maior ou menor veemência, a resposta vai sempre no sentido da rejeição, da negação do dito cujo.
Neste sentido, merecem especial destaque, entre outras, as posições de José Riço Direitinho («uma tontice, uma palermice»), Ana Pereirinha («não serve a língua, não serve a liberdade de pensamento ao cortar as raízes com a memória da língua»), Sara Figueiredo Costa («a derrocada de uma unidade e de uma lógica linguísticas que incluem a história da língua, a etimologia e a sua ligação com a definição de regras ortográficas, a própria noção de ortografia, que nunca incluiu a ideia peregrina de cada um escrever “como diz”») e Luís Miguel Rocha («a língua é um organismo vivo, evolui naturalmente, não faz qualquer sentido modificá-la artificialmente, em vez de perderem tempo com acordos ortográficos deviam esforçar-se por expandi-la»). E ainda Fernando Pinto do Amaral, Manuela Ribeiro, Luís Diamantino, Patrícia Reis, Cristina Ovídio, Ana Luísa Amaral, João Luís Guimarães, Helena Vasconcelos…
Porém, como a Booktailors e o Blogtailors também já «adotaram» o AO90, dá-se a insólita circunstância (e isto sucede sem dúvida em outras instâncias) de os depoimentos daqueles opositores à «nova ortografia» serem transcritos segundo a mesma. E isto é algo que todos os que combatem pela preservação da língua portuguesa devem resolver de uma vez por todas, e o mais rapidamente possível: em qualquer ocasião, em qualquer meio, devem certificar-se de que as suas palavras não serão distorcidas pelo «aborto» aberrante expelido por Malaca & Companhia (muito limitada); devem condicionar as suas participações, em órgãos de comunicação social que capitularam perante os totalitaristas culturais, ao respeito integral pela forma correcta de escrever.
Enfim, quanto à Booktailors, que assim tem visto ser sistematicamente posto em causa o seu colaboracionismo (interesseiro, porque também promove acções de formação sobre o assunto), que não «desespere», porque há algumas individualidades que de bom grado proclamarão a sua adesão ao AO90 se forem entrevistadas. Nomeadamente, Carlos Reis, Edite Estrela, Isabel Alçada, Lídia Jorge, Miguel Paes do Amaral e Vasco Teixeira; e Bárbara Bulhosa e José Eduardo Agualusa, que poderão aproveitar mais uma oportunidade para denunciar os «xenófobos» e «reaccionários» que ainda têm uma «visão imperial da língua». Pois, nós, os que somos contra a «uniformização» daquela, é que somos «imperialistas»… É uma «(i)lógica» interessante, a mesma, aliás, seguida no recente 7ª Reunião dos Ministros da Educação da CPLP, realizada em Angola (Luanda), e que teve como tema «solidariedade na diversidade». Mas… qual diversidade?! Só se for a culinária, porque quanto à linguística estamos conversados. «Cumplicidade na perversidade», isso sim! (Também no Esquinas (118) e no MILhafre (54).

quinta-feira, março 22, 2012

Observação: Perder «fregueses»

Para minha grande vergonha, resido numa freguesia, e num concelho, em que o Partido Socialista, ainda liderado por José Sócrates, teve – tanto naquela como naquele – mais votos do que os outros concorrentes nas eleições legislativas de 2011… e há que recordar que não foram assim tantos como isso os municípios em que o PS venceu no ano passado. O mesmo é dizer que um número considerável dos meus conterrâneos deu o seu apoio ao «engenheiro domingueiro» apesar de então já não subsistirem quaisquer dúvidas sobre o que ele era (e é) e o que (de mal) tinha feito. É o que costuma acontecer em zonas onde a esquerda tem uma grande «tradição» e implantação: desde que se cante «A Internacional», se grite de punho erguido e se use um cravo na lapela pode-se ser um estúpido estupor à vontade, porque haverá sempre quem ponha à frente dele (em vez de… em cima) uma cruz.
Logicamente, e como é fácil de deduzir, também na freguesia e no concelho em que resido o PS é a principal força autárquica, detendo ambas as presidências. Pelo que não fiquei surpreendido quando, recentemente, encontrei na minha caixa de correio um pequeno panfleto anunciando (para 17 de Março último, às 15 horas) a realização de uma «Sessão Extraordinária da Assembleia de Freguesia, seguida de uma sessão de esclarecimento» para discutir a «Proposta de Lei 44/XII (do actual governo) sobre a Reorganização Administrativa Territorial Autárquica cujo objetivo é extinguir um terço das Freguesias do país.» Alegadamente, «a freguesia do (…) corre o risco de ser extinta por decreto, algo que nunca poderemos aceitar. (…) A nossa história, os nossos valores, os nossos direitos e acima de tudo a nossa identidade estão em causa, pelo que apelamos à participação de toda a população. Contra a extinção da nossa Freguesia e pela manutenção do poder local democrático.»
Faltei à «chamada» porque estava ocupado a fazer a digestão… ou a dar banho ao cão (já não me lembro). Agora a sério: é evidente que a eventual extinção da minha freguesia, apesar de desagradável, não significaria necessariamente que ficassem em causa a sua «história», «valores», «direitos» e «identidade»; significaria, quando muito, que uma mesma entidade autárquica passaria a gerir mais do que uma localidade; a minha não «desapareceria do mapa» nem deixaria de ser uma vila. O que está verdadeiramente em causa é que certas pessoas perderiam os seus cargos, os seus «tachos» - por outras palavras, elas sim é que deixariam de receber «valores» e de ter determinados «direitos», e passariam à «história» porque a sua «identidade» quase sempre não vai além da filiação político-partidária. Perder «fregueses» é um «problema» que, deve-se concordar, não é muito importante em comparação com uma dívida, acumulada pelas câmaras municipais deste país, de cerca de 12 mil milhões de euros!
Enfim, é igualmente interessante constatar como há diferentes prioridades quando se trata de promover protestos: contesta-se a (hipotética) «extinção de uma freguesia por decreto» mas não se contesta a (não hipotética) «extinção de uma ortografia por resolução». Obviamente, numa freguesia e num concelho em que o PS manda, a trampa do AO90 já foi «adotada». E foi com um divertido espanto que, ainda mais recentemente, li outro pequeno panfleto anunciando a realização, na minha freguesia supostamente à beira da «extinção», de um «espetáculo» que serviria para lançar «um alerta para as diferenças e importância da Língua Gestual Portuguesa»! Sim, quando sinto que estão a gozar comigo, a minha vontade é fazer… um gesto bem português. (Também no Esquinas (117) e no MILhafre (53).)          

quinta-feira, março 15, 2012

Ordem: Príncipe… perfeito

Normalmente, estou constantemente a ouvir música. E, nas últimas semanas, tenho estado principalmente a ouvir (novamente) discos do… Artista de quem mais álbuns tenho, que mais vezes ouvi na minha vida, que tem três nos meus «20 mais», um dos quais, aliás, (cujo tema principal é «chuva púrpura») constitui o meu disco preferido. Sim, esse mesmo: Prince.
Essas audições fazem-se, como (quase) sempre, segundo o método, e projecto, que criei há mais de 20 anos e que designo de «Códigos» - sequências diferentes, personalizadas, das canções de cada CD, delineadas segundo o objectivo de «procurar o livro (a história) que há em cada disco». E é um método que tenho tentado, com pouco ou nenhum sucesso, divulgar há mais de 15 anos, junto de editoras, órgãos de comunicação social, lojas de (ou com) música, e até da Associação Fonográfica Portuguesa, como possível meio de incentivar a aquisição de CD’s. Provavelmente, se e quando mais alguém, em especial estrangeiro, tiver a mesma ideia, talvez então lhe dêem importância…
Porém, três dos discos de Prince que voltei a escutar foram-no de uma forma – sim, ainda é possível – inteiramente nova: nas suas (potenciais) versões integrais, isto é, incluindo faixas extra que saíram, aquando das edições originais, apenas em lados B de singles (ou nem isso). Porque tarda a fazer-se um relançamento da obra do «Mago de Minneapolis», em que se proceda à remasterização/remistura e à adição de mais canções, decidi fazer (mais ou menos) essa operação num estilo, digamos, algo «caseiro». A seguir estão, pois, três das minhas sequências para outros tantos álbuns do Sr. Rogers Nelson, acrescidas de faixas extra (indicadas a itálico) tiradas da compilação «The Hits/The B-Sides».       
«1999»: «1999»; «Dance Music Sex Romance»; «Horny Toad»; «Delirious»; «International Lover»; «Automatic»; «Little Red Corvette»; «Irresistible Bitch»; «Something in the Water (Does Not Compute)»; «How Come U Don’t Call Me Anymore»; «Let’s Pretend We’re Married»; «Lady Cab Driver»; «All The Critics Love U in New York»; «Free».
«Purple Rain»: «God»; «Let’s Go Crazy»; «Baby I’m a Star»; «Take Me with U»; «Erotic City»; «Computer Blue»; «Darling Nikki»; «17 Days»; «The Beautiful Ones»; «When Doves Cry»; «Another Lonely Christmas»; «I Would Die 4 U»; «Purple Rain».
«Around The World In a Day»: «Around The World In a Day»; «America»; «Hello»; «Paisley Park»; «Condition of the Heart»; «Pop Life»; «She’s Always in my Hair»; «Raspberry Beret»; «Girl»; «Temptation»; «Tamborine»; «4 The Tears in Your Eyes»; «The Ladder».         
Há outro disco de Prince que eu também sei como «reconstruir e expandir»: «Sign O’ The Times». No entanto, estou impedido tecnologicamente (por enquanto…) de concretizar o («super») «código» para aquela obra, porque, enquanto para completar «1999», «PR» e «ATWIAD» são necessários apenas dois discos, para «SOTT» são precisos (pelo menos) oito! (Também no Esquinas (116).)  

sexta-feira, março 09, 2012

Observação: Tirar os três

A 20 de Fevereiro último, a TVI «celebrou» o seu 19º aniversário através da introdução nos seus suportes comunicativos do «acordo ortográfico». Tornou-se assim a terceira e última estação de televisão portuguesa a fazê-lo; antes fora a SIC, a 1 de Janeiro, quando iniciou a celebração do seu 20º aniversário, e a RTP, um ano antes. Aparentemente, tirar os «c’s» e os «p’s» é motivo de festa para alguns. Pode-se pois também tirar os três – está bem, quatro, com a RTP2 – canais de televisão principais nacionais da lista de órgãos da comunicação social (e, de um modo geral, das entidades ligadas às artes e à cultura) que mantêm a sua integridade – ortográfica, e não só.
Aliás, neste início de ano de 2012 está a assistir-se a um recrudescimento das capitulações ao, e dos colaboracionismos com, o AO90 entre os media: também A Bola e o Diário de Notícias desistiram de resistir à ofensiva dos «pornortografistas»; antes, ainda em 2011, a revista Ler – obviamente sob influência de Francisco José Viegas – começou a usar o «aborto ortográfico»… na mesma edição em que publicou o (notável) artigo de Fernando Venâncio «Visita guiada ao reino da falácia»! Porém, irónica e insolitamente, o aumento das «baixas» tem coincidido com a multiplicação de artigos e de outras intervenções que denunciam e que demonstram, sem quaisquer dúvidas, como o dito cujo é ilegal e inútil, para além de prejudicial. Será de perguntar, de preferência no final do ano, aos escribas da Travessa da Queimada (vão-se «queimar»…) e da Avenida da Liberdade (perderam-na…) se ganharam muito com a «conversão», mais concretamente em vendas, receitas e tiragens. Até lá, poderão perguntar aos seus colegas da Impresa, com mais tempo de experiência na matéria, se, por exemplo, Blitz, Caras, Expresso, Jornal de Letras e Visão estão melhor agora do que antes de decidirem «poupar nas letras».
No grupo fundado e liderado por Francisco Pinto Balsemão são, aliás, notórios alguns casos recentes de «problemas» com palavras. Já não bastava o Expresso ter colocado numa edição do início de 2011, como título de primeira página, «O FMI já não vem»… Na SIC, e para começar, não acharam melhor designação para o canal de cabo temático infantil do que «K»… o que daria SICK (isto é, em inglês, «doente», «perverso», «tarado») – ideal quando o alvo são as crianças, não é verdade? – mas que foi «invertido» para KSIC; é claro que «K» significa «kids», mas deve-se perguntar se a audiência do canal é maioritariamente constituída por menores anglófonos… A seguir, «traduziram» «The Biggest Looser» como «Peso Pesado», desse modo conseguindo a «proeza» de não só exprimir o significado oposto mas também de anular a ironia inerente ao título original do programa! Enfim, é de referir o programa «Gosto Disto!» que, na sua rubrica «Portugal Caricato», revela e ridiculariza exemplos de má utilização de língua portuguesa… que, afinal, estão ao mesmo (baixo) nível da «ortografia (des)acordada» que a estação de Carnaxide passou a utilizar. Enfim, não haveria outra designação para um prémio sem ser «Globo de Ouro», igual à de outro que há muitos mais anos é atribuído nos EUA?
Justifica-se perguntar se, afinal, existem não uma mas sim três estações públicas, estatais, de televisão: tanto os responsáveis máximos da SIC como os da TVI insurgiram-se contra a privatização da RTP e contra a concessão de outra licença a privados, desta forma defendendo, de facto, a adulteração do mercado audiovisual pela restrição do acesso e da concorrência de outros operadores. Além de que, vendo e comparando as «grelhas» das três, não encontramos assim tantas diferenças. Com maior ou menor intensidade, regista-se em todas uma preponderância de talk-shows (popularuchos), telenovelas e concursos; e cada uma tem o seu próprio canal de informação 24/7 no cabo. No entanto, mais programas não significam, necessariamente, melhor programação. 
Da RTP já se conhece, e de que maneira, o que se enquadra no seu «padrão de qualidade»: acordo ortográfico; aquecimento global; «barackobamismo»; Centenário da República; entrevista em directo a Mahmoud Ahmadinejad a partir de Teerão com Márcia Rodrigues de hijab (para a qual se «treinara» antes, em Lisboa, com o embaixador do Irão); futebol e tourada; e, com regularidade, uma ou outra «colherada» a favor de «causas fracturantes» que envolvam a liberalização da IVG e formas «alternativas» de «casamento» e de «ado(p)ção». Em tudo isto é imitada na substância, embora com diferenças no estilo (as duas têm, ou tiveram, programas de «espiritismo»), por SIC e TVI – esta, aliás, é agora comandada por «dissidentes» da RTP. As três também se assemelham na reiterada discriminação, no contínuo silenciamento, quando não a ridicularização (por certos comentadores e «humoristas»), de vozes realmente conservadoras – que as também há em Portugal, por incrível que isso possa parecer.
Não é o dinheiro o principal factor a orientar a acção das três estações de televisão; se fosse, optariam consistentemente na informação pela controvérsia e não pelo conformismo. Onde está a cobertura constante das escutas telefónicas feitas a Jorge Nuno Pinto da Costa e a José Sócrates Pinto de Sousa, exemplos e expoentes máximos, personificações e símbolos definitivos das perversões intrínsecas e das promessas falhadas da Terceira República? Onde estão (mais) reportagens sobre a aplicação (imposição) do AO90, e entrevistas a Vasco Graça Moura depois de ele ter eliminado o dito cujo no Centro Cultural de Belém? Será que uma conversa com o jurista, escritor e co-criador da Expo 98 não suscitaria interesse junto das audiências e dos anunciantes?
Os portugueses têm muitos motivos para desconfiar de vários dos órgãos de comunicação social nacionais e de bastantes «profissionais» que neles militam. E não apenas por causa do «aborto ortográfico». (Também no Esquinas (115) e no MILhafre (52).)

sexta-feira, março 02, 2012

Outros: «Espíritos…» revistos em inglês

The Beckford Journal, revista da Beckford Society, inclui na sua mais recente edição (Volume 17, 2011), da qual recebi ontem um exemplar, uma recensão ao meu livro «Espíritos das Luzes», escrita por Sir Malcolm Jack, chairman daquela sociedade desde a sua fundação (1994). Transcrevo a seguir alguns excertos, por mim traduzidos:
«O livro “Espíritos das Luzes” de Octávio dos Santos insere-se na longa tradição da ficcionalização e mitificação portuguesa de William Beckford. (…) Octávio dos Santos surge-nos como um polímato, que traduziu Tennyson e tem contribuído largamente para o debate intelectual em Portugal enquanto jornalista, ensaísta e comentador. Num livro em que ficção e facto são misturados para produzir uma “fantasia”, o autor recorreu a(o conceito de) universos paralelos que podem colidir mesmo que separados temporariamente. A sua técnica para fazer com que tais colisões aconteçam é a da colagem de uma série de diálogos entre as principais figuras públicas da época logo após o grande terramoto de Lisboa de 1755. (…) Dos Santos destaca e dá uma atenção especial, no centro deste vórtice social e intelectual, ao relacionamento entre Bocage e o abastado visitante inglês William Beckford. (…) O problema mundano, histórico, que Dos Santos evita é (saber) se Beckford realmente conheceu Bocage. (…) Dos Santos não se desconcertou perante esta dificuldade trivial sobre factos, porque no seu mundo de universos paralelos tal detalhe não é, em si próprio, conclusivo. Assim, ele faz com que aquelas duas figuras ligeiramente devassas “colidam” como os melhores dos amigos íntimos, e que rolam através das ruas da cidade na carruagem de Beckford para irem ver Pombal no Palácio dos Carvalhos. (…) Existem no livro cenas muito mais ousadas, e o relacionamento de Beckford e de Bocage desenrola-se num cenário heterodoxo e mesmo sexualmente perverso. Apesar de estas reconstruções não serem baseadas em qualquer prova documental, elas oferecem uma perspectiva deveras arguta do que poderia ter sido o próprio mundo de fantasia de Beckford. A figura sinistra de Pina Manique nunca sai de cena, mas existem muitos outros personagens contemporâneos que fazem a sua aparição. (…) Bravio, fantasista, divertido: penso que para desfrutar deste livro deve-se acompanhar voluntariamente Dos Santos numa jornada até um mundo multi-dimensional e imaginativo, em que observações interessantes e argutas se relacionam, mesmo que tenuemente, com o mundo muito mais banal da realidade histórica.» (Divulgação também no blog Simetria e no 1001 Mundos.)       

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Observação: Passos perdido(s)?

O actual primeiro-ministro de Portugal e o governo que lidera têm uma oportunidade única para deixar uma memorável e duradoura marca positiva na História contemporânea de Portugal. À partida, tal tarefa seria (e será?) fácil: os seis anos de (des)governos do Partido Socialista, liderado por essa figura desprezível chamada José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, foram tão maus, tão maus, tão maus… que muito dificilmente se faria pior.
Porém, nunca se esperaria que o percurso do executivo de coligação comandado por Pedro Passos Coelho fosse isento de contradições, de deficiências, de erros, que efectivamente têm acontecido. Por exemplo, não foram propriamente brilhantes os apelos (mais ou menos directos) à emigração, a constatação (a queixa?) de que os políticos não são bem pagos, e a denúncia dos potenciais «piegas». Sim, tais afirmações podem ter sido descontextualizadas, e sem dúvida que no passado recente houve «súcia-listas» que fizeram afirmações semelhantes. Mas as pessoas do PPD/ PSD e do CDS/PP já deveriam saber como a memória – e a comunicação social – podem ser selectivas em Portugal… pelo que deveriam ter mais cuidado com o que (e como o) dizem. No entanto, e obviamente, mais do que dizer, é necessário fazer… e bem. Antes de mais, gerir melhor os dinheiros públicos e privados, não gastar mais do que se recebe, pagar a quem se deve, diminuir os impostos; mas também proceder a alterações concretas… para melhor, na forma como se trabalha em Portugal. Incentivar, introduzir realmente e definitivamente a qualidade, o rigor e a transparência. Promover a responsabilização. Acabar com maus hábitos.  
Neste âmbito, a questão dos feriados assume um especial significado, e não apenas simbólico. Contudo, a não concessão neste ano de 2012 da tolerância de ponto no Carnaval – repetindo uma decisão errada tomada, há cerca de 20 anos, por Aníbal Cavaco Silva – foi excessiva e contraproducente: previsivelmente, as «desobediências municipais» sucederam-se. Quanto ao 5 de Outubro e ao 1 de Dezembro, acertou-se em metade: é de louvar, e de apoiar, a «desoficialização» de uma data que celebra a tomada do poder por criminosos, assassinos e terroristas que instauraram uma ditadura; mas é de lamentar, e de repudiar, a «desoficialização» de uma data que celebra a restauração da independência de Portugal. Não é de surpreender que Mário Soares, António Costa e António José Seguro tenham protestado mais sonoramente (ou exclusivamente) contra o fim do primeiro do que o segundo – para muitos «rosinhas» é mais importante ser republicano do que ser independente. E não existirá qualquer «compensação» num eventual «reforço» do 10 de Junho porque o 1 de Dezembro representa(va) o fim de algo iniciado… a 10 de Junho: a morte de Luís de Camões coincidiu com a perda da independência, pelo que aquele que é o «Dia de Portugal» constitui, de facto, o «Dia da União com Espanha».
Todavia, tão ou mais grave, por parte do actual governo, do que eliminar o 1 de Dezembro da lista de feriados oficiais, é a continuação da (tentativa de) imposição dessa aberração cultural que é o «acordo ortográfico». Tão empenhado, e acertadamente, em extinguir várias «sócretinices» que infesta(va)m a sociedade portuguesa, porque motivo o corrente executivo mantém esta, que, além de ilegítima e ilegal, é inútil e insultuosa? As explicações, as «teorias», abundam, mas para se aferir melhor a seriedade do assunto nada como verificar a mudança de opinião (?) de Pedro Passos Coelho sobre aquele. Recentemente, na AR, e em resposta ao «queixinhas», patético, secretário-geral do PS (que exigia a «desautorização» de Vasco Graça Moura que, coerente, corajosa e correctamente, desactivou o AO90 no CCB), Pedro Passos Coelho afirmou que o AO «entrou em vigor a 1 de Janeiro deste ano, assim o confirmam os manuais escolares, assim como todos os actos oficiais, e ele será cumprido». Contudo, em 2008, o então candidato à presidência do PPD/PSD considerava que o AO «não representa (qualquer) benefício para a língua e cultura portuguesa, pelo que não traria qualquer prejuízo que não entrasse em vigor. De resto, não vejo qualquer problema em que o português escrito possa ter grafias um pouco diferentes conforme seja de origem portuguesa ou brasileira. Antes pelo contrário, ajuda a mostrar a diversidade das expressões e acentua os factores de diferenciação que nos distinguem realmente e que reforçam a nossa identidade.»
Recorrendo a outras palavras do actual primeiro-ministro, e também recentemente proferidas, pode-se dizer que «uma nação com amor-próprio não anda de mão estendida»... a deitar fora a sua ortografia, parte da sua língua, da sua cultura, da sua identidade e dignidade. Que Pedro Passos Coelho não tenha dúvidas: o «aborto ortográfico» nunca entrará plenamente em vigor; a maioria dos portugueses nunca o aceitará, pelo que é uma «causa» perdida que nem a força do Estado será suficiente para tornar justa… e triunfante. Fica pois o aviso, e o conselho, ao PM: ouça as vozes que vêm de Portugal (e até do seu partido!) e também do Brasil e de Angola, e desista desta afronta. Ganhará em popularidade e em prestígio… se tomar a decisão certa. Preferíamos não o dar por perdido. Não queira cair no mesmo «clube» de um certo e desavergonhado energúmeno que agora se passeia em Paris. (Reflexão também no Esquinas (114) e no MILhafre (51).)

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Outros: Artigos contra o AO90 (Parte 2)

«Um muito mau negócio», Ricardo Pais; «As onze tretas a favor do Acordo Ortográfico», Orlando Braga; «Pare, escute e olhe! Ainda vamos a tempo de evitar o desastre!», Maria José Abranches; «Duas notas de fim de ano» e «Intimação ao Professor Malaca», Vasco Graça Moura; «Definitivamente “não” ao Acordo Ortográfico» (1ª parte/2ª parte), Bruno Caldeira; «Ortografia, fonética e grafia», Vítor Guerreiro; «A peste negra do Acordo Ortográfico» e «Ainda o (Des)Acordo Ortográfico», Manuel Augusto Araújo; «Não é uma evolução da língua, é uma deturpação», Hermínia Castro; «O Acordo é, efectivamente, um Desacordo», Hugo Picado de Almeida; «Desobediência civil», Luiz Fagundes Duarte; «O acordo (h)ortográfico», António Bagão Félix; «Carta ao Director do Diário de Notícias», António Marques; «Antiga ortografia», Pedro Mexia; «Naufragar é preciso?», João Pereira Coutinho; «Contra o processo de apagamento da identidade portuguesa em curso», «Contra a novilíngua do acordês» e «Contra a submissão ao Estado moderno na forma do acordês, acordai portugueses!», Samuel Paiva Pires; «Onde para o acento?», Nuno Pacheco; «O AO90 – à espera do fa(c)to consumado», Helena Barbas; «Porque estamos em (des)acordo», Luís Miguel Ferraz; «A trafulhice do conversor ortográfico do regime», António Emiliano; «Suspensão do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990: acto de coerência e de coragem», António Viriato; «A liberdade de escrita», Luís Menezes Leitão; «Um acto político de empobrecimento cultural», Luís Lobo; «A propósito de um conversor chamado Lince», Francisco Miguel Valada; «O cumprimento da ley visto por Joana Amaral Dias» e «O que esperamos para enterrar o acordo ortográfico?», João Roque Dias; «Consoantes mudas ou colunistas surdos?», Manuel Villaverde Cabral. (Divulgação também no Esquinas (113) e no MILhafre (50).)         

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Observação: Nem quem tem um «olho»

Uma das mais notáveis reflexões sobre o Regicídio de 1908 – do qual hoje se assinala mais um (triste) aniversário – que li recentemente está incluída num livro editado originalmente há 50 anos: «Barranco de Cegos», de Alves Redol. Em 2011 celebrou-se o centenário do nascimento daquele escritor, um dos fundadores e figuras proeminentes do neo-realismo português, e essa efeméride como que me «obrigou» a, finalmente, ler um dos seus romances. E fi-lo, no terceiro quadrimestre do ano passado, através de um exemplar da 2ª edição da obra acima referida, ainda por estrear (tive de cortar as páginas pois fora impresso «à antiga»), que os meus pais haviam adquirido na década de 60.
Essa reflexão sobre o assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe e as suas consequências, contida nos excertos que a seguir reproduzo, é atribuída a Diogo Relvas, o protagonista de «Barranco de Cegos»: «(…) A ditadura do João Franco começou com rompantes de varrer a feira e depois amaciou. Dizia-se que assim era preciso por causa do nosso temperamento doce. Veja a resposta: assassínios em plena rua, nas barbas da polícia e da guarda. (…) E aí estavam os seus receios justificados. Por quanto tempo se andaria ainda pela mão dos cegos, condutores de cegos? Convocara-se o Conselho do Estado, muito bem. E quando tudo indicava que se reforçassem as medidas da ditadura, eis que aparecia um governo de acalmação. Como se à violência houvesse que apresentar desculpas; como se fosse possível estabelecer qualquer compromisso com assassinos. Se não arranjavam coragem para fazer o que se impunha, ao menos que houvesse coragem para chamar ao novo Ministério um governo de medo. O que se propunha ao país era a cobardia colectiva. Exagerava?!... Então que deveria dizer-se do repúdio do passado, a que se atribuíam vícios? Sem dúvida que se podiam apontar alguns, mas não eram esses que se prometiam emendar agora, antes pelo contrário, pois o país carecia de autoridade e não de morigeração da mesma, sem a qual não há trabalho criador nem sossego nos espíritos. E o que se fazia?... Em vez do desterro abriam-se as portas das prisões aos detidos políticos, aos cúmplices dos regicidas, como se a própria Coroa desculpasse o crime, justificando-o até. Convidava-se João Franco a exilar-se e oferecia-se ao país uma monarquia à inglesa, e isto dito sem pejo nem vergonha, quando eram os ingleses que manobravam com os alemães nas chancelarias para nos roubarem os territórios ultramarinos. (…) E o novo rei e o Governo pactuavam com os organizadores da desordem, abolindo a lei que os poderia refrear e dando-lhes assim a certeza de que a violência colhia, que bastaria insistirem nela para mudarem as instituições. (…)»
Até que ponto estas palavras que saem da mente e da boca de Diogo Relvas, personagem, são também as de Alves Redol, escritor e autor daquele? Poderá o comunista republicano real ter partilhado a opinião, a posição, do conservador monárquico imaginário sobre aquele período da História portuguesa? Não sei, mas posso e devo divulgar o que aconteceu em 2010 aquando da sessão de homenagem a Carlos Pato – irmão de Octávio Pato (em honra de quem recebi o meu nome próprio) e ambos meus primos – promovida pelo Partido Comunista Português em Vila Franca de Xira, e a que eu assisti, no 60º aniversário da sua morte, assassinado pela PIDE. Naquele encontro Armindo Miranda, membro da comissão política nacional do PCP, aludiu expressamente aos monárquicos como estando entre os diversos grupos, movimentos e sectores político-ideológicos que combateram a ditadura do Estado Novo e de António de Oliveira Salazar. Nada mais do que a constatação de um facto; porém, e também pelo inesperado do local e do momento, foi algo agradável de ouvir. 
Certo é que o crime de 1908 viria a transformar Portugal numa terra de «cegos». Eliminados - pelo homicídio, pela prisão e pelo exílio - aqueles que tinham «olho», uma visão para um futuro verdadeiramente melhor, todo este país, inevitavelmente, caiu num enorme, metafórico (ou nem tanto...), «barranco». Do qual ainda não saiu. (Reflexão também no Esquinas (112) e no MILhafre (49).) (Adenda: subscrevi este manifesto.)   

terça-feira, janeiro 24, 2012

Observação: Se há Direita em Portugal…

… Ela não está representada actualmente no hemiciclo par(a)lamentar de São Bento nem no palácio rosa de Belém. Porque pessoas que são verdadeiramente de Direita já teriam anulado o «Acordo Ortográfico», revogado o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo, eliminado os incentivos estatais ao aborto, impedido a discussão sobre «maternidade de substituição», reactivado as fronteiras, reforçado as polícias, reintroduzido a pena de prisão perpétua… e confirmado a manutenção do feriado de 1 de Dezembro. Em vez disso, os que lá estão limitam-se a rejeitar… a proibição da tourada! Enfim, há que ser «conservador» de qualquer coisa, nem que seja da crueldade sobre animais! (Referência no Estado Sentido.) 

domingo, janeiro 15, 2012

Orientação: Um «Velho do Restelo», no Público

Na edição de hoje (Nº 7951) do jornal Público, e na página 54, está o meu artigo «"Velho do Restelo”, e com muito orgulho!». Um excerto: «Ao contrário de “acordos” e de “reformas” na ortografia anteriores, o AO90 assenta numa alteração radical: já não se trata de substituir (o “ph” pelo “f”, o “y” pelo “i”) ou de simplificar (deixar de haver consoantes repetidas) mas sim de cortar, eliminar, letras e acentos que são necessários, que têm funções concretas. É uma “mudança revolucionária” através de uma “ditadura de uma (muito pequena) minoria”.» Transcrição integral aqui. (Divulgação também no Esquinas (111) e no MILhafre (48). Referência igualmente no Águas do Sul e no Linguagista.) 

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Organização: «Espíritos…» em Washington

Um exemplar do meu livro «Espíritos das Luzes» foi adquirido em 2011 pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América, em Washington – a equivalente (mas com uma dimensão muito superior, aliás é a maior do Mundo) à Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa. Pode ver-se o respectivo ficheiro electrónico aqui. Quase três anos depois de ter sido lançado, o meu livro FC & F «retro-futurista» continua a «viajar» e a aparecer, às vezes nos locais mais inesperados; já deu origem a dois colóquios na BN - este e este - e ao projecto de investigação Ópera do Tejo/Lisboa Pré-1755; em 2010 foi tema de um encontro que homenageia Bocage, realizado em Setúbal na véspera de mais um aniversário do poeta que é também o dia (feriado) daquela cidade. E, porque continuo sem conseguir publicar qualquer outra das minhas obras, a minha saga setecentista alternativa, «noutro tempo e noutro espaço», da qual muito me orgulho, permanece a minha última investida em nome próprio num mercado literário de língua portuguesa deficiente, desequilibrado, desigual – em que uns conseguem concretizar tudo (ou quase) quando querem, e outros são como que obrigados a recomeçar sempre do zero, de pouco ou nada lhes valendo a originalidade, a persistência e o talento que demonstram ter.

sábado, dezembro 31, 2011

Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2011

A literatura: «Amesterdão», Ian McEwan; «Barranco de Cegos», Alves Redol; «Rimas Revoltantes», Roald Dahl; «Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa», Miguel Real; «Bernard Prince - Guerrilha por um Fantasma» e «(...) - Objectivo Cormoran», Michel Regnier (Greg) e Hermann Huppen; «Por amor à prole», «Se acordar antes de morrer» e «O turno da noite», João Barreiros. 
A música: «Pratica(mente)», Sam The Kid; «Icky Thump», White Stripes; «From A to B», New Musik; «Another String of Hot Hits and More», Shadows; «The Best Of», Ike & Tina Turner; «Volume 1», Rat Pack (Dean Martin, Frank Sinatra, Sammy Davis Jr.); «Canção do Ribatejo», Luiz Piçarra; «Las Mejores Canciones de Julio Iglesias Hoy (Años 80-90)», Enrique Sanchez; «The Nocturnes», Frédéric Chopin (por Maria João Pires).  
O cinema: «Boa Noite, e Boa Sorte» e «Cabeças de Cabedal», George Clooney; «Guerras de Noivas», Gary Winick; «Alienígenas vs. Predador 2 - Requiem», Colin e Greg Strause; «Cacha», Woody Allen; «World Trade Center», Oliver Stone; «Princesa do Gelo», Tim Fywell; «À Prova de Morte», Quentin Tarantino; «O Espírito», Frank Miller; «Brilho Solar», Danny Boyle; «Hiroshima, Meu Amor», Alain Resnais; «Piratas das Caraíbas - Em Marés Mais Estranhas», Rob Marshall; «Vivamente Domingo!», François Truffaut; «Retiro para Casais», Peter Billingsley; «Os Sorrisos do Destino», Fernando Lopes; «O Pacto dos Lobos», Christophe Gans; «Entrelaçados», Byron Howard e Nathan Greno; «Os Guarda-Chuvas de Cherburgo» e «As Donzelas de Rochefort», Jacques Demy; «Michael Clayton», Tony Gilroy; «A Corte do Norte», João Botelho; «Por Água Abaixo», David Bowers e Sam Fell; «28 Semanas Depois», Juan Carlos Fresnadillo; «O Labirinto do Fauno», Guillermo del Toro; «Branquidão», Dominic Sena; «O Empório das Maravilhas do Sr. Magório», Zach Helm; «Singularidades de uma Rapariga Loura», Manoel de Oliveira; «Chéri», Stephen Frears; «Uma Câmara, Obscuramente», Richard Linklater; «Embate dos Titãs», Louis Leterrier; «Quatro Natais», Seth Gordon; «Thor», Kenneth Branagh.
E ainda...: Museu do Neo-Realismo - Exposição (de fotografia) «The Return of The Real 16/"A Figura"» de Pedro Loureiro + Exposição (documental biobibliográfica alusiva ao centenário do nascimento de) «Alves Redol - Horizonte Revelado»; FNAC Centro Comercial Colombo/Publicações D. Quixote - Apresentação do livro «A Guerra dos Mascates» de Miguel Real, com Inocência Mata + Exposição «"José e Pilar"/Fotografias da Rodagem do Documentário» de Mário Costa e de Susana Paiva; FNAC Chiado - Exposição «"O Barão" - Fotografias» de Luís Branquinho; Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa/Sociedade Histórica (Palácio) da Independência de Portugal - Congresso Internacional «Portugal no Tempo de Fialho de Almeida (1857-1911)»; Livraria LeYa Barata/Oficina do Livro - Apresentação do livro «O Espião Alemão em Goa» de José António Barreiros, com António Ramalho Eanes; Centro de Artes Dramáticas de Oeiras/Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (Palácio do Sobralinho) - Exposição «1910: Memórias do Teatro»; Grupo de Artistas e Amigos da Arte/Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (Celeiro da Patriarcal) - I Bienal de Artes Plásticas; Biblioteca Nacional de Portugal - Mostra «David Perez (1711-1778)» + Mostra Documental «Fado - Património Cultural Imaterial da Humanidade» + Mostra «Viagens pela Escrita - 100 Anos de Turismo em Portugal» + Exposição «A Torre - Fotografias de Duarte Belo» + Exposição «Nulla Dies Sine Linea - Desenho Espanhol Contemporâneo» + Exposição «Orlando Ribeiro (1911-1997) - Ponto de Partida, Lugar de Encontro»; Arquivo Nacional Torre do Tombo - Exposição «Dionisius Rex: Documentos de D. Dinis na Torre do Tombo»; Fundação Calouste Gulbenkian - Exposição «A Perspectiva das Coisas - A Natureza-Morta na Europa/Séculos XIX-XX (1840-1955)» + Cerimónia Pública de Entrega dos Prémios Plataforma Imigração 2011.                 

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Opções: Pelo 1º de Dezembro

Já assinei a petição «Para a manutenção do feriado oficial do 1º de Dezembro evocativo da restauração da independência de Portugal», promovida pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui. Para que os portugueses não percam aquela que é uma das duas datas mais festivas do último mês do ano. Porque ainda temos o Natal… por enquanto. (Informação e sugestão dadas também no Esquinas (110).) 

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Ocorrência: Prémio Imigrante do Ano

Estive hoje na Fundação Calouste Gulbenkian para assistir à entrega dos prémios da Plataforma Imigração referentes a 2011. Que são dois: o de Distinção de Melhores Prácticas Autárquicas (em integração de imigrantes), atribuído a Câmaras Municipais – este ano as de Cascais e de Loures foram as vencedoras, tendo as de Mirandela e de Cascais recebido menções honrosas; e o de Empreendedor Imigrante. Mas foi especificamente este o que me levou à FCG – porque a vencedora é uma pessoa da minha família e o seu triunfo, inteiramente merecido, deixou-nos imensamente orgulhosos. António Vitorino foi o presidente do júri deste prémio, tendo feito igualmente, nesta cerimónia, a apresentação e o elogio do percurso pessoal e profissional da premiada: Yuliya Pozdniak. Minha cunhada? Prefiro chamá-la de irmã. (Ver referências na Antena 1, no Destak, no Público e na RTP 1.)

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Outros: Livros para o Natal…

… E não só, porque podem e devem ser adquiridos e oferecidos durante todo o ano, são os que agora recomendo, da autoria recente de amigos e de conhecidos: «Cristianismo Iniciático» e «O Sangue e o Fogo», António de Macedo; «Batalha», «É de Noite que Faço as Perguntas» (com André Coelho, Daniel Silva, João Maio Pinto, Jorge Coelho e Richard Câmara) e «O Pequeno Deus Cego» (com Pedro Serpa), David Soares; «O Espião Alemão em Goa» e «Levante-se o Véu! – Reflexões sobre o Exercício da Justiça em Portugal» (com Álvaro Laborinho Lúcio e José Braz), José António Barreiros; «Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa – Os Melhores Contos do Século XX», (organização de) Luís Filipe Silva; «Vencer ou Morrer», Mendo Castro Henriques; «A Guerra dos Mascates», «Introdução à Cultura Portuguesa» e «O Pensamento Português Contemporâneo 1890-2010», Miguel Real; «A Via Lusófona» e «Fernando Nobre – Diário de uma Campanha», Renato Epifânio. (Recomendações dadas também no Esquinas (108) e no MILhafre (46).)  

quarta-feira, novembro 30, 2011

Obituário: Victor Cavaco

Tinha apenas 43 anos… Faleceu ontem em Lisboa, e foi cremado hoje em Almada, o meu amigo e ex-colega Victor Cavaco. E, faz hoje um mês, ele foi uma das ausências mais sentidas num jantar que alguns ex-alunos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa organizaram para assinalar os 25 anos da entrada naquela licenciatura. Porém, já então ele estava muito doente…
Há pessoas, poucas, que sabemos, e podemos e devemos dizê-lo, que mudaram a nossa vida. De uma forma talvez imperceptível mas indubitável. Para mim o Victor foi uma dessas pessoas. Se hoje talvez me evidencio enquanto «empreendedor cultural» multi-tarefa e versátil, é porque comecei a sê-lo por causa dele; foi graças a ele e a outro grande amigo e ex-colega, Rui Paulo Almas, que eu e mais alguns dos nossos entraram em 1988 na Associação de Estudantes do ISCTE, até aí monopolizada pelos alunos de Gestão. E onde deixámos a nossa «marca» ao iniciarmos e desenvolvermos várias actividades, entre as quais: o jornal da associação, o DivulgACÇÂO (o motivo principal da minha admissão na AEISCTE, devido à minha experiência anterior no Notícias de Alverca); colóquios e exposições; o 1º Encontro Nacional de Estudantes de Sociologia; e as nossas presenças e participações (quase sempre resultantes de eleições) em órgãos académicos, tanto internos ao ISCTE – Conselho Directivo, Assembleia de Representantes – como externos – a Associação Académica de Lisboa, para cujos órgãos sociais tanto o Rui como o Victor foram eleitos em 1989.
O empreendedorismo do Victor não se restringiu ao âmbito escolar: também no âmbito profissional deu provas, ao ter sido um dos fundadores do Instituto de Estudos Sociais e Económicos – onde trabalhei durante algum tempo (a convite dele) – e da Spirituc IA – que realizou graciosamente (por decisão dele) um estudo de mercado sobre o meu projecto MAR. Quando foi preciso pude sempre contar com o seu apoio. E até n’«Os Novos Descobrimentos» ele aparece, porque foi um dos co-autores (comigo, com o Rui e com o Luís Ferreira Lopes) do artigo/manifesto «Comunidade lusófona: para que te quero?», publicado no Diário Económico em 1996 e que integra aquele livro.
Hoje, ao sair do cemitério, recordava com outro amigo e «iscteano», Filipe Vieira, que eu tinha oferecido ao Victor, num dos seus aniversários, um disco editado originalmente no ano em que ele nascera: «Beggars Banquet», dos Rolling Stones. A canção que o encerra chama-se «Salt of the Earth». Todos nós somos pó e cinza… mas nem todos são sal da terra.   

quarta-feira, novembro 23, 2011

Orientação: Entrevista ao «E:2»

Está já disponível a entrevista que concedi ao programa televisivo «E:2», da RTP2, no seu canal próprio do YouTube. Transmitida originalmente no passado dia 25 de Outubro, teve como pretexto e tema principal o meu livro «Espíritos das Luzes», mas serviu também para uma reflexão sobre a História de Portugal; está dividida em quatro partes, pelo que se deve ver a emissão até ao fim. Agradeço, mais uma vez, à equipa de estudantes da Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa, o convite e a oportunidade que me concederam. (Divulgação também no Esquinas (107), no MILhafre (45) e no blog Simetria. Referências igualmente na 1001 Mundos, no blog Os Meus Livros e no Rascunhos.) 

sexta-feira, novembro 18, 2011

Orientação: Sobre o fantástico, no Público

«O fantástico é o género dominante na literatura portuguesa» é o subtítulo, e a tese, do meu artigo «A nostalgia da quimera», a partir de hoje disponível no Público (Online). Um excerto: «Não tanto pelo número dos seus livros mas mais pelo impacto e influência daqueles, o fantástico assume-se como o género dominante na (história da) literatura portuguesa – muito mais importante do que categorias ou épocas como o iluminismo, romantismo, realismo, modernismo, neo-realismo, pós-modernismo e outros “ismos”.» (Divulgação também no Esquinas (106), no MILhafre (44) e no blog Simetria. Referências igualmente em Bad Books Don't ExistBlogtailors, 1001 Mundos, blog Os Meus Livros e Rascunhos.)    

segunda-feira, novembro 14, 2011

Opções: Contra os feriados…

… De 10 de Junho e de 5 de Outubro votei hoje no inquérito que o jornal Público está a efectuar electronicamente, sob a pergunta «De que feriados abdicaria?» Para aqueles que ainda desconhecem as minhas opiniões sobre o (actual) «Dia de Portugal» e a República, aproveito para recordar artigos que escrevi e que publiquei – no Público! – sobre aqueles temas, especificamente este e este. (Informação, e recomendação, dadas também no Esquinas (105) e no MILhafre (43).)   

quarta-feira, novembro 09, 2011

Organização: Esclarecimento sobre o FF

Ao contrário do que é dito no artigo «Fantasias de Telheiras», escrito por João Morales e publicado na edição de Novembro (Nº 104) da revista Os Meus Livros, e mais especificamente na página 29, informo, e esclareço, que não estarei presente no Fórum Fantástico 2011 – nem como participante nem sequer enquanto espectador. Pode-se consultar o programa definitivo da iniciativa aqui. Porém, confirmo que chegou a haver contactos nesse sentido, com base numa ideia, numa sugestão minha para um painel/tema/sessão que é, efectivamente, a referida naquele texto. O motivo da minha ausência será, possivelmente, revelado oportunamente. (Esclarecimento dado também no blog Simetria.)

terça-feira, novembro 01, 2011

Observação: David e os «Golias»

Hoje, mais um (infeliz) aniversário do Terramoto de 1755, e num ano em que se assinalam os 300 do nascimento de David Perez, compositor italiano que viria a influenciar enormemente a evolução da música em Portugal. Nascido em Nápoles e falecido em Lisboa (em 1778), Perez veio para o nosso país a convite do Rei D. José. Principal maestro e autor da Corte, professor de princesas (entre elas a futura Rainha D. Maria I) e de Luísa Todi, criador de vastíssima obra tanto profana como sacra, foi também dele a música da ópera (drama) que estreou a Ópera (edifício) do Tejo.
Assim, e à semelhança do que tentei fazer em relação a Alfredo Keil, procurei, desde 2007, congregar esforços e recursos no sentido de gravar e publicar em disco(s), e pelo menos, «Alexandre na Índia». Com o maestro Jorge Matta elaborei um plano/orçamento e ambos contactámos o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa, e, depois, duas importantes empresas italianas, multinacionais, que operam em Portugal, uma do sector financeiro e outra do sector automóvel. Porém, e infelizmente, nenhuma daquelas três entidades se mostrou disponível para apoiar, para financiar o projecto. No entanto, deve-se esclarecer que por parte do IICL havia interesse mas não dinheiro, exactamente o contrário por parte das duas empresas – dois «Golias» empresariais que não quiseram ajudar a recordar, e a homenagear, um «David»… seu compatriota. 
Todavia, e felizmente, o tricentenário do compositor acabou por ser celebrado. Em Portugal, através do colóquio internacional «David Perez e a Música da sua Época – 1711-1778», que decorreu entre 21 e 23 de Outubro no Museu de Aveiro e foi organizado pelo Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Em Espanha, através da execução e da gravação, pela Real Companhia Ópera de Câmara (de Barcelona), de uma outra ópera sua, «Solimano» - que terá estreado em 1757 no Teatro da Ajuda, em Lisboa. (Evocação também no Esquinas (104) e no MILhafre (42).) (Adenda: também a Biblioteca Nacional decidiu celebrar os 300 anos do nascimento do compositor.) 

quarta-feira, outubro 26, 2011

Ocorrência: Eu na RTP2

Foi ontem, terça-feira (25 de Outubro), transmitida na RTP2, no programa «E:2», uma entrevista comigo, concedida a 23 de Setembro, a propósito do meu livro «Espíritos das Luzes». Na verdade, e de certo modo, foi já hoje, quarta-feira (26 de Outubro), porque a emissão começou por volta das duas horas da manhã…
… E não avisei antecipadamente aqui porque não fui informado previamente pela equipa da Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa, que produz o programa, da data de transmissão. Ou seja, também não o vi, e estou a aguardar que me enviem a respectiva gravação e/ou a ligação para um sítio na Internet que a contenha. Assim que o souber, procederei à sua divulgação.
Impõe-se esclarecer que a oportunidade para esta entrevista surgiu na sequência de uma outra, feita para o mesmo programa, à minha amiga Cristina Flora, e em que ela aproveitou para recomendar, com outros dois livros, o meu. Agora foi a minha vez de retribuir a cortesia, recomendando o seu livro «A Inconstância dos teus Caprichos», e ainda «A Mitologia Portuguesa», de Sérgio Franclim, e «Esoterismo da Bíblia», de António de Macedo.  

terça-feira, outubro 18, 2011

Observação: «Três» Marquesas

Dois livros, dois «romances históricos» que têm ambos como protagonista D. Leonor de Almeida, Marquesa de Alorna, foram publicados neste ano de 2011 com poucos meses de intervalo… e ambos por editoras do grupo LeYa: «As Luzes de Leonor», de Maria Teresa Horta, pela D. Quixote; e «Marquesa de Alorna – Do Cativeiro de Chelas à Corte de Viena», de Maria João Lopo de Carvalho, pela Oficina do Livro.
Este facto não passaria de uma coincidência, de uma curiosidade, não fossem relatos recentes feitos nomeadamente por Eduardo Pitta, José Paulo Fafe, Pedro Santana Lopes e Rodrigo Moita de Deus que referem a existência de uma polémica algo «subterrânea» em que certos quadrantes como que consideram a obra de Maria Teresa Horta (descendente da Marquesa) a «legítima», e a de Maria João Lopo de Carvalho (pertencente à família que adquiriu um palácio e propriedade que foram outrora da Marquesa) a «ilegítima»… e que, em consequência, estará a ser alvo de um boicote organizado (ou quase) que a impede de ser (mais) divulgada na comunicação social. Não se trata, de modo algum, de uma «punição» por (uma suspeita de) plágio, mas sim, tudo o indica, de mais uma demonstração da discriminação que também existe, e de que maneira, no «meio literário português»: Horta é de «esquerda», foi uma das «Três Marias»; e Carvalho é de «direita», é amiga do antigo primeiro-ministro de Portugal e antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa. A existir tal «campanha», isso não me surpreende. Já ando nisto há demasiado tempo para saber que tem mais probabilidades de ser publicado, publicitado e (em especial) premiado quem corresponder a um certo perfil, quem obedecer a determinada(s) fidelidade(s), enfim, quem se mostrar social, política e culturalmente «correcto».    
Porém, há outro motivo, para mim mais importante, para abordar este assunto: é que em 2009, e por uma terceira editora do grupo LeYa (Gailivro/1001 Mundos), foi publicado outro livro em que a Marquesa de Alorna surge, se não como um(a) d(o)as protagonistas principais, pelo menos como a primeira das secundárias: o meu «Espíritos das Luzes». Apesar do cenário de fantasia proporcionado pelo «planeta Portugal», a D. Leonor que nele se encontra é a «genuína» - não só por serem mesmo suas as palavras que ela pronuncia na narrativa mas também por naquela se evidenciar, e potenciar, a sua inteligência e a sua independência, a sua ética e a sua estética. Enfim, uma mulher extraordinária que teve uma vida extraordinária… e que merece muitos livros. (Reproduzido no Esquinas (103) e no MILhafre (41).) (Adenda: eu não disse?) 

sexta-feira, outubro 07, 2011

Outros: «Espíritos…» em oferta

No blog da 1001 Mundos a partir de hoje, e até segunda-feira, estão disponíveis exemplares de três livros, editados por aquela chancela do Grupo LeYa, para oferecer a outros tantos leitores que se mostrarem interessados. Um desses livros é o meu «Espíritos das Luzes»; os outros são «As Atribulações de Jacques Bonhomme», de Telmo Marçal, e «Se Acordar Antes de Morrer», de João Barreiros. Basta enviar uma mensagem de correio electrónico… e esperar. (Adenda: com uma semana de atraso, foram finalmente divulgados os nomes dos contemplados.)