… Ou, mais
concretamente, no seu sítio na Internet, está um texto, intitulado «Dia de Portugal devia ser aniversário da Batalha de Aljubarrota», assinado por Filipe
d’Avillez, que resultou – que é um resumo – de uma entrevista de cerca de 20
minutos que concedi àquela estação de rádio, e àquele jornalista, no passado
dia 4 de Junho, e que não foi, nem vai ser, emitida. Porém, a transcrição daquela pode ser lida aqui. O principal pretexto para a conversa foi o meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País». (Referência no Portugal Minha Terra.)
segunda-feira, junho 10, 2013
sexta-feira, maio 31, 2013
Orientação: Sobre o Benfica, no Público
Na edição de hoje (Nº 8451) do jornal Público, e na página 49, está o meu artigo «Da “mística” só a memória». Um excerto: «Como
é que se pode afirmar, sem rir, que o Benfica é “a maior marca nacional”?
Porque conta com seis milhões (?) de “consumidores” masoquistas? Antes ser o
melhor do que o maior! Sinceramente: é isto que é “o maior clube do Mundo”?
Antes estar no "Livro de Recordes do Guinness" pelos títulos conquistados do que
pelo número de sócios. E se o SLB fosse uma (verdadeira) empresa há muito tempo
que estaria falido. É em Portugal o maior caso de insucesso, não só competitivo
mas geral. É a expressão máxima no nosso país de baixa produtividade, de
expectativas (constantemente) frustradas, de desproporção entre o que se
“investe” e o que se “recebe”. Tantas pessoas a “torcerem” por ele... e que em
troca só levam com decepções, desilusões, depressões, humilhações.» (Também no MILhafre (72). Transcrição no Esquinas (171).)
segunda-feira, maio 27, 2013
Outros: Uma recensão ao meu livro…
… «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», editado em 2012 pela Fronteira do Caos,
pode ser lida na mais recente edição – Nº 9, 2013/5 – do boletim Correio Real, órgão
oficial da Causa Real portuguesa, nas páginas 26 e 27. Foi escrita por Nuno
Pombo, presidente da Direcção da Real Associação de Lisboa.
Alguns
excertos: «(…) Não são muitos os que oferecem o seu percurso, deixando a nu as
suas falhas pretéritas. Como intuo serem mais os que se louvam na congruência,
ainda que reincidente no erro, do que os que se revêem no porfiado caminho em
direcção à Verdade. (…) A citação de Jorge Sena com que o livro abre não é
senão uma provocação - “(…) eu não mereço a pouca sorte de ter nascido nela
[nesta Pátria]” (p.11). Quem parte deste princípio não se preocupa com o futuro
da Pátria. Só se amargura com ele, com o futuro da Pátria, só sofre com a
Pátria ou por causa dela quem se sente essencialmente imbricado com ela. É
esse, manifestamente, o caso de Octávio dos Santos. (…) Alguns dos textos deste
livro ficaram presos no tempo ou no espaço. São o seu testemunho do que vivia
quando os escreveu e não perdem interesse por isso. Mas outros há que não foram
beliscados pela cronologia. Podiam ter sido escritos … amanhã. (…) Mesmo quando
não concordamos com todos os seus pontos de vista, e algumas vezes me afastei
deles, o pensamento de Octávio dos Santos está longe de ser passadista,
anquilosado e redutoramente conservador. (…)»
Ontem, 26 de
Maio, estive na Feira do Livro de Lisboa, onde também autografei exemplares de
«Um Novo Portugal», que continua à venda nos pavilhões (B56-B58-B60) da Gradiva
até 10 de Junho.
quinta-feira, maio 23, 2013
Orientação: Os meus livros na Feira de Lisboa
Começa hoje,
e termina a 10 de Junho, a 83ª Feira do Livro de Lisboa, e nela vou ter uma
presença a dois níveis.
Antes de mais,
e como já anunciei, vou participar, com outros co-autores, no próximo dia 26 de
Maio (Domingo), às 17 horas, numa sessão de autógrafos de «Mensageiros das Estrelas
– Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico»; será no espaço dos
pavilhões da Gradiva – B56-B58-B60 – onde também poderão ser encontrados e
adquiridos exemplares de outro livro meu, «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», que poderei igualmente autografar.
Além disso, mais
livros meus poderão ser (espero!) encontrados e adquiridos nos pavilhões das
respectivas editoras. Concretamente: «Os Novos Descobrimentos – Do Império à
CPLP: Ensaios sobre História, Política, Economia e Cultura Lusófonas» na
Almedina – A52-A54-A56-A58; «A República Nunca Existiu!» e «Poemas» de Alfred
Tennyson na Saída de Emergência – D20-D22-D24-D26-D28; «Espíritos das Luzes» na
LeYa/Asa/Gailivro – D54-D56. Se não os encontrarem… reclamem!
Para uma
melhor localização pode-se consultar o mapa da feira. E, mais uma vez, deixo a
sugestão, o apelo, para que unicamente sejam comprados livros (meus e não só)
que não estejam submetidos ao aberrante, abjecto, ilegal, inútil e ridículo «aborto
pornortográfico».
segunda-feira, maio 20, 2013
Oráculo: «Mensageiros…» na Feira do Livro
Alguns dos
autores dos contos incluídos na antologia «Mensageiros das Estrelas» vão estar
presentes na Feira do Livro de Lisboa no próximo dia 26 de Maio (Domingo), às 17 horas, para uma sessão de autógrafos que terá lugar no espaço da editora
Gradiva, que é também distribuidora da editora Fronteira do Caos, que publicou
a antologia mas que não terá um pavilhão próprio no certame. Eu lá estarei, e,
entretanto, também já me confirmaram a sua participação: Luís Filipe Silva, Maria de Menezes, Miguel Garcia, Nuno Fonseca, Ozias Filho, Pedro Manuel Calvete e Sacha Andrade Ramos. (Também no Simetria. Referência n'O Relógio Avariado de Deus.)
domingo, maio 12, 2013
Orientação: Sobre a Ópera do Tejo, na Glosas
Na edição de Maio de 2013 (Nº 8) da revista Glosas, apresentada ontem em Lisboa no Conservatório Nacional durante uma cerimónia que incluiu um concerto, está, nas páginas 64 a 67, o
meu artigo «Estrela cadente – Recordando e recriando a Ópera do Tejo».
Um excerto: «Recordar e recriar a Ópera do Tejo não passa
apenas pela sua reconstrução virtual, digital; também pode e deve fazer-se pela
evocação musical, por tocar, gravar e divulgar as obras dos artistas
contemporâneos daquela. Carlos Seixas e João Rodrigues Esteves morreram antes
de ela ser construída, mas David Perez (de certeza), Pedro António Avondano,
Francisco António de Almeida e António Teixeira (quase de certeza)
conheceram-na e frequentaram-na. Já não tiveram esse privilégio, e entre
outros, João de Sousa Carvalho, António Leal Moreira, Marcos Portugal e João
Domingos Bomtempo – e isto só para referir os que nasceram no século XVIII. No
entanto, todos merecem ser
resgatados ao esquecimento em que (uns mais, outros menos) caíram e em que
continuam; já é mais do que tempo que mais portugueses – e estrangeiros –
saibam que houve compositores portugueses que atingiram a excelência – e, em
alguns casos, a fama (raramente o proveito) – nas suas épocas. Em Portugal
existe um passado musical magnífico que deve ser divulgado, aquém e
além-fronteiras, e de que nos devemos orgulhar. E é uma valiosa herança que
pode servir de caução a um presente musical que se pretende cada vez mais
desenvolvido e relevante.»
A Glosas é uma das várias iniciativas desenvolvidas pelo
Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa. Uma e outro têm direcção de
Edward d’Abreu, a quem devo, e agradeço, o convite para escrever sobre um projecto que eu iniciei e que outras pessoas fizeram, e têm feito, por
concretizar. (Também no MILhafre (71) e no Ópera do Tejo.)
quinta-feira, maio 09, 2013
Observação: Os 20 anos da TV Mais
Foi só na
semana passada, enquanto aguardava numa sala de espera de um consultório médico
e, distraidamente, agarrei e folhei uma edição recente, que reparei e me
recordei – e também estava indicado na capa – que em 2013 se assinalam os 20 anos do lançamento do primeiro número da revista TV Mais, onde me iniciei no
jornalismo profissional…
… E em que
fiz parte da equipa inicial do projecto, dirigida por João Aguiar, e naquele
começámos a trabalhar ainda em 1992, numa redacção situada no Nº 202 da Avenida
da Liberdade, em Lisboa. Um dos dois produtos resultantes do acordo entre o
grupo suíço Edipress e os detentores do extinto O Jornal (o outro era a revista
Visão, que também começou em 1993), a TV Mais começou por seguir, na fase
inicial de preparação, um modelo mais «prestigiante» e menos «populista» do que
aquele que viria a ser efectivamente adoptado, e que mais não fez do que ser
acentuado durante as duas últimas décadas. Com efeito, tanto foram defraudadas
as expectativas e as promessas iniciais que o saudoso autor de «A Voz dos
Deuses» - e que viria a participar comigo, 15 anos depois, em «A República
Nunca Existiu!» - saiu antes de ser lançado o primeiro número, ficando, à
frente da publicação, José Rocha Vieira, de quem não guardo agradáveis memórias
e por causa de quem saí ao fim de cerca de um ano.
Pelo que li
da ficha técnica, apenas duas pessoas restam daquela equipa inicial: Carlos
Maciel, actualmente director-adjunto, e Moema Silva, uma das colaboradoras. Uma
equipa que integrava ainda, e entre outros: Manuel Giraldes, a quem devo a
entrada na revista; Moutinho Pereira, que, tal como João Aguiar, se iniciou no
jornalismo em Angola, onde aliás se conheceram; Carlos Madeira, que viria a
fundar, e ainda dirige, a revista Super Interessante; Armando Castela, que eu
viria a reencontrar na Vida Ribatejana quando se tornou director daquele jornal
de Vila Franca de Xira e me possibilitou tornar um «colunista ocasional»
daquele; Nuno Sena, que viria a tornar-se um dos fundadores e dinamizadores dos
festivais de cinema DocLisboa e IndieLisboa; Ana Oliveira e Ana Paula Homem,
actualmente editoras da revista Caras; Daniel Adrião, que, como muitos outros,
tem andado entre o jornalismo e a política – candidato à liderança da Juventude
Socialista e à presidência da Câmara Municipal de Alcobaça (foi vereador
nesta), assessor do secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos,
administrador da Fundação para as Comunicações Móveis.
Folheando a
TV Mais em 2013, não tenho vontade de – e não vou – dar-lhe os parabéns. E não
é por ela privilegiar, como tantas outras publicações do género, a coscuvilhice
e a superficialidade; é por utilizar, como as restantes unidades do grupo
Impresa, o abjecto «aborto pornortográfico». Na semana passada, depois de umas
quantas páginas recheadas de «atores» e de «atrizes», não aguentei mais e
larguei-a. Até uma ténue nostalgia o AO90 consegue conspurcar.
domingo, maio 05, 2013
Observação: Língua-mãe… ou madrasta?
Hoje
celebra-se não só o Dia da Mãe mas também o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura, instituído pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Pelo que
se justificam breves referências a algumas individualidades e instituições que
têm transformado – ou tentado transformar – a Língua-Mãe numa língua… madrasta,
através, principalmente, da imposição dessa aberração ilegal, inútil e ridícula
conhecida como «acordo ortográfico de 1990»…
… E pode-se
começar exactamente pela CPLP, e, mais concretamente, pelo seu país mais
representativo, o Brasil, cujo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a
poucos dias da celebração…. da língua portuguesa, decidiu que as bolsas de estudo atribuídas, no âmbito do programa «Ciência sem Fronteiras», a cerca de sete mil estudantes brasileiros que haviam escolhido o nosso país como destino
deveriam ser reafectadas para outras universidades que não as portuguesas.
Porquê? Porque eles «têm que enfrentar o desafio da segunda língua. Por isso
todos foram convidados a migrar para outros países». Que «magnífico»
exemplo este de um Estado que desrespeita as opções dos seus cidadãos… Enfim, é
mais uma falácia de uma «cooperação cultural lusófona» em que abundam as palavras
– cada vez mais deturpadas – mas em que escasseiam os actos concretos,
eficazes, relevantes, úteis.
Neste âmbito,
mas não só, é difícil haver personificação mais patética do que o actual
(p)residente da república portuguesa Aníbal Cavaco Silva. Primeiro e principal
responsável pelo AO90 (iniciou-o enquanto primeiro-ministro e «ratificou-o»
enquanto chefe de Estado), está reduzido a assinar discursos e artigos ridículos, como o que foi publicado no jornal Sol na edição de 3 de Maio último.
Escrito, como não podia deixar de ser, em «acordês», e a propósito,
precisamente, do «dia da língua portuguesa», exalta a lusofonia como «um conceito moderno, plural e evolutivo,
moldado pela atualidade das
sociedades vibrantes que a compõem e fundado na língua portuguesa» sendo esta «um
dos principais ativos estratégicos
dos países que a compõem, com a sua afirmação internacional a constituir um objetivo prioritário.» O facto de as
«vibrações» dessas sociedades no que respeita ao AO sempre terem sido maioritariamente
negativas é apenas um pormenor de reduzida ou nula importância…
Além dos políticos, outros «profissionais» existem que exibem
considerável culpa e/ou cumplicidade na imposição acrítica do totalitarismo
linguístico-cultural. Desses destacam-se os jornalistas, e aqui e agora há que
referir dois casos de «excelentíssimos diretores»
que são outros tantos maus exemplos. Primeiro, Ví(c)tor Serpa; enquanto ficcionista,
não utiliza o «aborto pornortográfico», como aliás se pode confirmar no seu
último livro, o romance «O Segredo dos Pássaros», onde consta a informação, na
ficha técnica, de que «por
vontade expressa do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo
Ortográfico de 1990»; porém, o jornal A Bola, de que ele é (supostamente) o
responsável máximo, submeteu-se ao dito cujo, o que teve como consequência que
aquele que já foi como que uma «bíblia», não só do desporto mas também da
cultura e da cidadania nacionais, seja hoje apenas um reles pasquim. Na mesma
situação está o Jornal de Letras, Artes e Ideias, embora o seu «diretor» constitua um exemplo muito,
muito pior; José Carlos de Vasconcelos integra(rá) em lugar de relevo uma
«galeria da infâmia» dos que colaboraram mais activamente com os fascistas da
ortografia; e a sua mais recente demonstração desse colaboracionismo está no
editorial da edição (Nº 1110) do JL de 17 de Abril último, em que o Sr.
Vasconcelos tem o atrevimento de, criticando a oposição à edição da obra
completa do Padre António Vieira em obediência ao AO90, se referir à «cruzada
de alguns opositores» marcada pela «cegueira» e pelo «extremo radicalismo»; o
Sr. Vasconcelos deveria estar a olhar-se ao espelho (de uma janela?), porque os
verdadeiros «radicais», os autênticos «terroristas culturais», são aqueles que
alteram toda uma ortografia à medida dos seus caprichos e devaneios utópicos,
sem qualquer correspondência com as necessidades concretas das nações e das
pessoas que utilizam aquela.
Outro exemplo
mais recente, e mais anedótico, de «hipocrisia linguística» é o da edição do
livro «Out of the Office», de que um dos autores é o jornalista da TVI José Gabriel
Quaresma e que contou com o prefácio e a apresentação de José Alberto Carvalho,
director de informação da mesma estação. Para eles, que se submeteram igualmente
ao AO90, aparentemente não há contradição na utilização de palavras
estrangeiras (com um duplo «f» numa delas!) no título, e que a promoção inclua
a possibilidade de conexão com… smartphones
– uma palavra com o «arcaico» ph!
Sim, é
verdade que nem toda a comunicação social se rendeu ao «acordo». No entanto, também
é verdade que uma parte significativa dela se rendeu, com destaque,
precisamente, para as três estações de televisão portuguesas. A pior delas,
claro, é a RTP, porque, ao contrário de SIC e da TVI, é financiada com dinheiro
dos contribuintes, a maioria dos quais se opõe ao AO90; e porque mais do que o
utilizar, faz propaganda ao dito cujo, em especial (mas não só) nessa dose
diarreica diária que é o «Bom Português» no «Bom Dia Portugal»; ironicamente,
com o patrocínio da Porto Editora, cujo administrador e director editorial, Vasco Teixeira, em
audiência recente no parlamento no âmbito do grupo de trabalho sobre o «acordo
ortográfico», admitiu que aquele não tem, não traz, qualquer vantagem. Está visto
que para muitos «jornalistas», neste tema como em outros, o fundamental é
obedecer a uma «agenda», a uma narrativa, e/ou obedecer... ao(s) «chefe(s)»;
para eles isso é mais importante do que dar voz aos opositores do «aborto», o
que até poderia proporcionar o aumento de audiências e de tiragens; é mais
importante do que a deontologia profissional básica - ouvir, e respeitar, as
diferentes partes de um conflito, de um confronto.
Todavia, mais
do que dos jornalistas, é dos professores que se deveria esperar a primeira
atitude mais corajosa e mais firme contra a sabotagem cultural e comunicacional
que é o AO90. Contudo, e apesar de várias e louváveis excepções individuais, as
organizações – associações, sindicatos – que agregam e representam os docentes
continuam a caracterizar-se pela mais lamentável e indecente capitulação. Não
consta que nos «atentados quotidianos à educação» denunciados por Mário
Nogueira, secretário-geral da Fenprof, e que têm justificado várias greves e
manifestações nos últimos anos, esteja incluído o «aborto pornortográfico». A conclusão
inevitável – e talvez (algo) injusta – é que, desde que as colocações, as
remunerações e as carreiras estejam asseguradas, qualquer porcaria pode ser
ensinada aos nossos filhos e às nossas filhas. Já agora, porque não voltar a pendurar
fotografias de Caetano, Salazar e Thomaz nas paredes das escolas?
Finalmente,
como ilustração máxima do absurdo a que este assunto chegou, veja-se a
«justificação» dada por um dos (ir)responsáveis do WordPress Portugal para a
submissão ao «aborto», em que «dois consensos alargados, a oposição quase
unânime e uma enorme resistência em aplicá-lo» se transformam num «entendimento
geral de que se deveria avançar para a adoção
do AO90» (leiam-se igualmente os comentários, entre os quais o meu). Não restam
dúvidas: o «acordo ortográfico» é a «mãe (ou o pai?) de todas as parvoíces» na
língua portuguesa, neste dia e em todos os outros. (Também no Esquinas (170) e no MILhafre (70).)
terça-feira, abril 30, 2013
Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2013
A literatura: «Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes», David Soares; «A Cidade dos Sonhos - Sete Regras para a Sala de Aula» (com ilustrações de Sandra Hormigo), Sérgio Franclim; «A Arte e a Revolução» e «A Obra de Arte do Futuro», Richard Wagner; «O Sangue e o Fogo - Trilogia Cénica», António de Macedo; «James Bond - 50 Anos de Cartazes de Filmes», Alastair Dougall; «A gravura na casa» e «Factos acerca do falecido Arthur Jermyn e da sua família», H. P. Lovecraft.
A música: «O Melhor dos Melhores», Alfredo Ribeiro; «Trash» e «Welcome 2 My Nightmare», Alice Cooper; «Lioness - Hidden Treasures», Amy Winehouse; «Elvis Presley», «Elvis Christmas Album» e «Blue Hawaii», Elvis Presley; «Siegfried», Richard Wagner (por Eva Marton, James Morris, Kiri Te Kanawa, Peter Haage, Siegfried Jerusalem, Theo Adam, e outros, com a Orquestra Sinfónica da Rádio Baviera dirigida por Bernard Haitink); «La Spinalba - Ovvero Il Vecchio Matto», Francisco António de Almeida (por Ana Quintans, Cátia Moreso, Fernando Guimarães, Inês Madeira, Joana Seara, Luís Rodrigues, e outros, com Os Músicos do Tejo dirigidos por Marcos Magalhães).
O cinema: «Vida Como Nós a Conhecemos», Greg Berlanti; «O Lado Cego», John Lee Hancock; «Tirando Vidas», D. J. Caruso; «O Espantoso Homem-Aranha», Marc Webb; «Ponto de Vantagem», Pete Travis; «Cisne Negro», Darren Aronofsky; «Transformadores - Escuro da Lua», Michael Bay; «John Rambo», Sylvester Stallone; «Prometheus», Ridley Scott; «O Ilusionista», Sylvain Chomet; «Brava», Brenda Chapman e Mark Andrews; «Borat - Aprendizagens Culturais da América para Fazer Benefício da Gloriosa Nação do Cazaquistão», Larry Charles; «Como é que Sabes», James L. Brooks; «Linha do Céu», Colin Strause e Greg Strause; «Eames - O Arquitecto e a Pintora», Bill Jersey e Jason Cohn; «O Último Rei da Escócia», Kevin Macdonald; «Inimigos Públicos», Michael Mann; «Lista de Audições Infinita de Nick e Norah», Peter Sollett; «Infiel», Adrian Lyne; «Não é País para Homens Velhos», Ethan Coen e Joel Cohen; «Vespão Verde», Michel Gondry; «Soco Papalvo», Zack Snyder; «Aço Real», Shawn Levy.
E ainda...: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Celeiro da Patriarcal - BF12/Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira + CartoonXira 2013/«Cartoons do Ano 2012 (António, Carrilho, Cid, Cristina, Gonçalves, Maia, Monteiro)»/«Animais, Uns e Outros (Turcios)»; Rumo Nº 13 (última); Biblioteca Nacional - exposição «D. Luís da Cunha (1662-1749) - O "Oráculo" da Política» + mostra «Prémio Pessoa 2012 - Richard Zenith» + mostra «O livro de jazz em Portugal - 90 anos de swing nas letras» + mostra «Literatura de cordel brasileira - folhetos de Arnaldo Saraiva» + mostra «Escritoras brasileiras editadas em Portugal» + mostra «Victor Wladimiro Ferreira (1934 - 2012)» + mostra «Verdi & Wagner - 200 anos»; Fronteira do Caos/CIES-IUL - apresentação do livro «Parceiros em Rede» de João Emílio Alves, com José Luís Casanova; «A Família d’”O Padrinho”» (extras da edição em DVD do filme); Fantasporto 2013/33º Festival Internacional de Cinema do Porto; Museu do Neo-Realismo - exposição «Rien, de André Cepeda» + exposição bibliográfica «Jorge Amado e o Neo-Realismo Português»; CHAIA/UE/Dinâmia'Cet/ISCTE - seminário internacional «Património, Novas Tecnologias e Criatividade»; «Gentleman», Psy; FNAC Chiado - exposição (de fotografia) «Ao longo dos anos - trabalho de Jorge Gonçalves nos Artistas Unidos».
quarta-feira, abril 24, 2013
Orientação: Os meus textos no Simetria
No sítio da
Simetria foi efectuada nesta semana uma reformulação visual e tecnológica, ou,
como lhe chamou o meu amigo e colega Luís Miguel Sequeira (um dos fundadores da
associação), uma «lavagem de rosto» que, mais do que uma manutenção, passou por
um upgrade daquele nosso espaço dedicado à divulgação da ficção científica e do
fantástico nacional e internacional.
Uma das
vantagens desta mudança é a de ter tornado possível o alinhamento e o acesso a
todos os textos que escrevi – e que vou escrever – para o sítio. Que incluíram,
até agora, temas tão diversos como, por exemplo: a criação de uma nova editora
(a Divergência); a edição e a apresentação – em Lisboa e no (Fantas)Porto – da
antologia «Mensageiros das Estrelas»; efemérides cinematográficas; Simetria Sonora (FC & F na música); homenagens a António de Macedo e a João Aguiar;
distopias (literárias e/ou cinematográficas) já concluídas e consagradas e
outras que ainda estão a ser construídas…
… Em que se
inclui a que estou a escrever e que constitui(rá) o meu segundo «romance»
depois de «Espíritos das Luzes». Amanhã vou retomar a sua redacção… três anos
depois de a ter iniciado e um ano depois de a ter interrompido para preparar as
edições de «Um Novo Portugal», «Mensageiros das Estrelas» e «Espelhos». A sua
primeira sinopse já anda a circular por aí, enviada por correio electrónico a
algumas pessoas…
sexta-feira, abril 19, 2013
Obituário: Mário Murteira
Faleceu no
passado dia 15 de Março, e, se fosse vivo, completaria hoje 80 anos. É
por isso que escolhi esta data para uma breve, mas sentida, evocação de, e homenagem
a, Mário Murteira…
… Que eu
conheci pessoalmente no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa
no final da década de 80, enquanto aluno dele na disciplina de Introdução à
Economia da licenciatura em Sociologia. Evidentemente, já o conhecia antes… da
comunicação social, enquanto figura pública, professor, economista e,
principalmente, enquanto Ministro do Planeamento e Coordenação Económica que,
no IV governo provisório liderado por Vasco Gonçalves, superintendeu o processo
de nacionalização de empresas na sequência da tentativa de golpe de 11 de Março
de 1975. Inevitavelmente, este assunto constituiu o ponto principal da entrevista
que me concedeu, e aos meus amigos e colegas Rui Paulo Almas e Victor Cavaco,
publicada em Dezembro de 1988 no Nº 1 do DivulgACÇÂO, boletim da Associação de
Estudantes do ISCTE, que eu coordenava e de que fora um dos criadores. É difícil
escolher um só excerto, mas deixo este: «(…) O que se passou em Portugal em
1974 e 1975 só pode ser compreendido se atendermos à natureza do regime que foi
derrubado com o 25 de Abril. (…) É exactamente porque o regime político e
social era retrógrado que os acontecimentos em 74/75, de certa maneira, foram
também obsoletos. Isto por conterem uma radicalização anti-capitalista que
corresponde a algo que devia ter acontecido mais cedo em Portugal. Esta ideia
pode ser traduzida na seguinte imagem: nós tivemos em Portugal um regime que
pôs um “dique” no tempo. O “dique” rompeu-se, e então o tempo andou muito
depressa em 74/75 para “acertar o calendário”. (…)»
Já há quase
25 anos Mário Murteira era um homem de consciência tranquila, e tinha fortes razões
para o ser: a sua experiência político-partidária e governamental, apesar de
breve e polémica, não constitui, na minha opinião, a parte mais importante do seu impressionante currículo, onde avultam as instituições que ajudou a criar (que incluem o
próprio ISCTE e o Instituto de Ciências Sociais), as centenas de alunos que
ajudou a formar, e as dezenas de livros e de artigos que escreveu e que publicou. Em
minha casa vi, na década de 70, vários números da revista Economia e
Socialismo, de que ele foi director, e não duvido de que os textos nela
contidos influenciaram decisivamente o meu pai, José Manuel Dias dos Santos, a
ser o principal dinamizador e fundador de uma cooperativa de consumo, a UniPovo,
em Alverca.
Ao contrário
do que aconteceu com José Manuel Prostes da Fonseca, que também faleceu este
ano pouco antes de completar oito décadas de vida, soube da morte de Mário
Murteira antes do seu funeral e por isso pude assistir ao velório e missa de
corpo presente, que tiveram lugar numa capela anexa ao Mosteiro dos Jerónimos.
E não foi só pelo professor que lá fui: um dos seus filhos,
Jorge Murteira, foi meu colega de turma no ISCTE (e, logo, também aluno do pai),
e a filha, Helena Murteira, é minha colega no projecto Lisboa Pré-Terramoto de
1755. Antes de partir para o cemitério da Ajuda, o falecido recebeu as
homenagens de familiares e de colegas, entre os quais José Manuel Paquete de
Oliveira, que também foi meu professor. E hoje outra homenagem foi-lhe prestada
na escola que ele ajudou a construir: o seu nome foi dado a um dos auditórios
do ISCTE, durante uma cerimónia em que também foi exibido um documentário
biográfico «Mário Murteira, um Homem Aprendente» (realizado pelo Jorge) e
apresentado o seu último livro, «Esta Noite Sonhei com a Crise».
Sobre Mário
Murteira é de ler também o que escreveram Joana Lopes, João Rodrigues e José Pimentel Teixeira.
terça-feira, abril 16, 2013
Ordenação: 20 vídeos musicais
Depois dos 20 filmes, dos 20 discos e dos 20 livros, apresento hoje mais uma tabela dos meus
«20 mais»… e desta vez são vídeos musicais. De artistas de todos os estilos, os
seguintes vídeos tornaram-se os meus preferidos, e continuam ainda hoje a impressionar-me,
pelas conjugações de sons e de imagens que deixaram memórias marcantes. Revejam
e recordem: «Nuclear Device» (1979), Stranglers;
«The Thin Wall» (1981), Ultravox; «Pipes of Peace» (1983), Paul McCartney; «Legs» (1983), ZZ Top; «Undercover of the Night»
(1983), Rolling Stones; «Close to Me» (1985), Cure; «Russians» (1985), Sting; «Cry» (1985), Godley & Creme; «Road to Nowhere»
(1985), Talking Heads; «Addicted to Love» (1986), Robert Palmer; «Sign O’ The Times» (1987), Prince; «Still of The Night»
(1987), Whitesnake; «True Faith» (1987), New Order; «Mia Bocca» (1987), Jill Jones; «Father Figure» (1987), George
Michael; «Stay on These Roads» (1988),
A-Ha; «I’m Going Slightly Mad»
(1991), Queen; «Smack My Bitch Up» (1997), Prodigy;
«Rock DJ» (2000), Robbie Williams; «MOBscene»
(2003), Marilyn Manson.
terça-feira, abril 09, 2013
Orientação: Sobre a ILCAO, no seu sítio
A partir de
hoje está no sítio da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo
Ortográfico - que subscrevi há dois anos - o meu artigo «Iniciativa meritória, inédita, corajosa».
Um excerto:
«A conclusão inevitável é que, em Portugal, a tão propalada “democracia (quase)
directa”, e os instrumentos que a possibilita(ria)m, são administrados… de uma
forma demasiado parcimoniosa, prepotente, tendenciosa, oportunista. Veja-se o
referendo: de certeza que já poderia ter sido utilizado para mais do que
deliberar sobre a (despenalização da) interrupção voluntária da gravidez e
sobre a regionalização; a realização de uma consulta à população sobre a
implementação de uma “nova ortografia” poderia e deveria ser uma opção óbvia… e
o resultado final não deixaria de ser previsível: a rejeição. E é por isso
mesmo que esse referendo não foi feito.»
Agradeço à ILCAO em geral, e a João Pedro Graça em particular, o simpático convite para expressar a minha opinião, para dar o meu contributo, necessariamente modesto, a uma causa, a uma luta, que continua! Muito obrigado também por isso.
Agradeço à ILCAO em geral, e a João Pedro Graça em particular, o simpático convite para expressar a minha opinião, para dar o meu contributo, necessariamente modesto, a uma causa, a uma luta, que continua! Muito obrigado também por isso.
quinta-feira, abril 04, 2013
Outros: Contra o AO90 (Parte 7)
«O acordo obscurantista», Maria Alzira Seixo; «Carlos Reis e os decibéis», «A propósito de uma carta aberta», «Consoantes mudas, etimologia e outras coisas úteis e agradáveis», «O bom senso de Rui Moreira e de Júlio Machado Vaz», «Acordo ortográfico aumenta as diferenças ortográficas entre Portugal e o Brasil», «A recessão já chegou à língua», «Com o acordo ortográfico há mamas até ao tecto»
e «A prova faz-se já aqui ao lado», António Fernando Nabais; «O que o espetador deteta», «A diferença que um acento faz», «Efeitos do aborto ortográfico» e «Chumbo grosso nas consoantes», Pedro Correia; «Histórias portuguesas», Vasco Pulido Valente; «Ah! Como é diferente o escrever em Portugal…» e «E se fosses “unificar a língua” para a Coreia do Norte?», Ana
Cristina Leonardo; «Um “acordo” cada vez mais “corruto”», «A tentadora luz da letra viajante» e «Uma fervente sopa de letras», Nuno Pacheco; «Requerimento formal dirigido aos Ministros da Educação e dos Negócios Estrangeiros»,
Madalena Homem Cardoso; «Desacordo», Abel Neves; «Acordo Ortográfico: é a hora da recusa», Cecília Enes Morais; «”O” CPLP», «A mordedura» e
«Vieira queimado em… “esfinge”», Vasco Graça Moura; «A falsa unidade ortográfica», Maria Regina Rocha; «O desastre ortográfico», Miguel Sousa
Tavares; «Uma questão de respeito», João Gonçalves; «A apreensão da lógica e da substância», «A adopção do Acordo Ortográfico de 1990 e o Diário da República – Caos, anarquia e disformidade», «Fatura simplificada», «Descubra as diferenças», «O acessor e a Cristine», «Em Março, a aprender como o Presidente actua», «Um assunto sobretudo da área dos Negócios Estrangeiros…» e «A imagem e o problema», Francisco Miguel Valada; «O monólogo ortográfico», Luís Menezes
Leitão; «Cibertretas da Língua Acordesa», David Baptista da Silva; «Império da língua portuguesa: ascensão e queda?», António de Macedo; «A ILC e a “revisão” do AO90», João Pedro Graça; «Lição de casa», António Delfim Netto; «Deixem-se “enredar”», Mário de Seabra Coelho; «É o que dá terem sido dois a escrever aquilo», João Vacas; «Como desperdiçar clientes em tempos de crise», José
António Abreu; «Desacordo ortográfico?», Mauro M. de Azeredo; «Uma aventura desastrosa», João Fabião; «O Manifesto de Girona e os “fatos com-seus-medos”» e
«O problema das certezas absolutas», Teresa Cadete; «Contra o acordo ortográfico» e «Incompetência, descoordenação e irresponsabilidade», Desidério
Murcho; «Contra o acordo ortográfico 2», Carlos Fiolhais; «Sinto-me como se me estivessem a tramar pelas costas», Paula Blank; «A inutilidade do acordo ortográfico de 1990», Isabel Coutinho Monteiro; «Ortografia e despotismo», José
Barreto; «”Retifique-se”», Samuel de Paiva Pires; «Resposta a Gabriela Canavilhas», Graça Maciel Costa; «Importantíssima questão identitária», Ana Isabel
Buescu; «Contribuição para o debate sobre a “Aplicação do Acordo Ortográfico”»,
António Marques; «Sobre o acordo ortográfico» e «Não merecia Vieira este tratamento», Maria do Carmo Vieira; «Uma História a respeitar», Cristina
Ribeiro; «O Acordo Ortográfico e os seus trolhas», António Guerreiro. (Também no Esquinas (139) e no MILhafre (69).)
terça-feira, março 26, 2013
Oráculo: «Espelhos» em 2013
Hoje, Dia do
Livro Português (e menos de uma semana depois do Dia Mundial da Poesia), é
também uma data adequada para fazer o primeiro anúncio: o meu livro «Espelhos»,
com cerca de 60 poemas da minha autoria escritos ao longo de mais de 30 anos, «e onde as alusões autobiográficas não afastam
as ilusões fantasistas», vai ser publicado este ano pela Polvo. Contará
com ilustrações do meu amigo Paulo Monteiro, que em 2010 lançou o seu primeiro livro (de banda desenhada) pela mesma editora. E pretende ser um contributo,
necessariamente modesto, para que a poesia volte
a ser «a linguagem literária mais clara e directa, mais imediata e pujante,
mais evocativa e relevante.» Mais novidades e pormenores em breve.
quarta-feira, março 20, 2013
Obituário: J. M. Prostes da Fonseca
Faleceu no
passado dia 3 de Fevereiro, e, se fosse vivo, completaria hoje 80 anos.
É por isso que escolhi esta data para uma breve, mas sentida, evocação de, e
homenagem a, José Manuel Prostes da Fonseca…
… Que eu
conheci no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa no final da
década de 80, não enquanto aluno dele mas sim enquanto colega dele, entre 1989
e 1990, no Conselho Directivo a que ele presidiu entre 1984 e 1990. Discreto e competente,
foi um homem de uma cordialidade e de uma correcção inexcedíveis. E, numa
escola tão dinâmica como era, e é, o ISCTE, onde coexistiam múltiplas áreas e
disciplinas científicas, muitas sensibilidades e tendências, muitos grupos, e
onde conflitos de interesses mais ou menos declarados ocorriam regularmente,
ele foi a pessoa certa no sítio certo no momento certo: porque soube – ou
tentou sempre – conjugar e conciliar permanentemente esses interesses
aparentemente divergentes, e congregá-los, canalizá-los, para a realização do
objectivo comum a todos, docentes, discentes e funcionários: modernizar e desenvolver a nossa escola, torná-la numa instituição de ensino de excelência e
de referência. O que de bom e de grande o ISCTE-Instituto Universitário de
Lisboa é actualmente começou a ser construído, verdadeiramente, na viragem da
década de 80 para a de 90, e o seu contributo foi decisivo. Naquele Conselho
Directivo de que eu fui membro muitas decisões foram tomadas, muitas soluções
foram estudadas. Por exemplo, os primeiros esboços do que viriam a ser a nova
biblioteca e o edifício 2 foram apreciados nas nossas reuniões.
A sua
personalidade e a sua visão ficaram evidentes numa entrevista que me concedeu,
e ao meu amigo e colega Filipe Vieira, publicada em Junho de 1989 no Nº 3 do
DivulgACÇÃO, boletim da Associação de Estudantes do ISCTE, que eu coordenava e de que
fora um dos criadores. Seis meses depois, no início de 1990, ele esteve comigo
e ainda com os meus amigos e colegas Rui Paulo Almas e Victor Cavaco, na tomada
de posse dos então novos corpos sociais da Associação Académica de Lisboa, que
o Rui (na Direcção) e o Victor (na mesa da Assembleia Geral) integraram – a
primeira vez em que estudantes do ISCTE participaram na liderança da AAL.
Guardo uma fotografia de nós os quatro tirada nessa ocasião, em que é visível a
satisfação e até o orgulho dele pelos «seus» alunos.
Sobre José
Manuel Prostes da Fonseca é de ler também o que escreveram Alexandre Rosa,
Paulo Pedroso, Raul Iturra (que foi meu professor na disciplina de Introdução à
Antropologia Social) e Rui Paulo Almas.
sábado, março 16, 2013
Opções: Defender o Futuro
Assinei hoje
a petição «Defender o Futuro». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui. Tive
conhecimento da mesma apenas recentemente – mas antes de ela ter sido entregue na Assembleia da República no passado dia 5 – e decidi subscrevê-la exactamente, e
simbolicamente, um ano depois de ter sido lançada porque este é igualmente o
dia do aniversário do meu irmão.
Lê-se no texto que explica
a iniciativa: «Portugal afunda-se hoje numa profunda crise económica e social,
a que não é alheia a teia legislativa dos últimos seis anos de governação,
destruidora dos pilares estruturantes da Sociedade. A reforma da Sociedade não deve ser
realizada apenas na área económica e fiscal. Carece de uma intervenção mais
profunda, designadamente no que diz respeito à Dignidade da Pessoa, em todas as
etapas da sua vida, desde a concepção até à morte natural, à cultura da
Responsabilidade, do compromisso no Casamento e na Família; por outras
palavras, é necessária uma verdadeira cultura da Liberdade. (…) A nova Assembleia da República tem hoje um dever histórico de
mudar o rumo do País. O desleixo e negligência anteriores devem dar lugar a uma
política de responsabilidade e solidariedade expressa em leis que: coloquem e reconheçam a Família como
fundamento da Organização Social na promoção de responsabilidade pessoal,
solidariedade intergeracional e fomento da Economia; reconheçam ao casamento as
funções para que está vocacionado, com vínculos e laços de responsabilidade
pessoal que promovam e protejam todos e cada um dos seus membros; apelem a uma
maternidade e paternidade responsáveis, generosamente abertas à vida; protejam
e promovam a natalidade e a vida humana em todas as suas fases, desde a
concepção até à morte natural; promovam
uma verdadeira política de liberdade de educação onde os pais,
independentemente de terem ou não recursos, possam escolher a escola dos seus
filhos; reconheçam aos pais o direito a educar os filhos segundo as suas opções
éticas e de valores. (…)»
As opiniões e
posições ideológicas subjacentes a esta iniciativa explicam porque a mesma foi
pouco menos que ignorada por uma comunicação social portuguesa quase toda
«encostada» à esquerda. Curiosamente, o espaço mediático que, segundo pensamos
saber, mais atenção terá dedicado à petição «Defender o Futuro» e/ou os seus
pressupostos foi o programa «Você Na TV» da TVI, na sua emissão de 8 de Março último. Aí Isilda Pegado, uma das primeira(o)s signatária(o)s daquela,
enfrentou representantes do BE, do PCP e do PS – e, como os dois apresentadores
também se opunham ao teor da petição, verificou-se na práctica uma desigualdade
de um(a) para cinco. O que também explica que não tenha sido possível à antiga
deputada do PSD, apesar da sua boa vontade e coragem, suster e sobrepor-se às (previsíveis
e habituais) falácias teóricas dos «fracturantes» de serviço, cuja demagogia e
desonestidade intelectual parecem não conhecer limites.
Comigo não
levariam – nunca levariam – a melhor, mesmo que em vez de cinco fossem 10, 15,
20 ou mais: já observo e analiso estas criaturas há muitos anos e sei como
responder e desmontar (a)os seus «argumentos» da treta (e de trampa). Mas seria
pouco provável que do quarto canal me convidassem para isso ou para qualquer
outra coisa, tendo em conta que, ainda recentemente, me discriminaram de uma
forma deliberada e ostensiva (e ofensiva). Pois é, 20 anos depois de ter sido
fundada, como está diferente a «televisão da igreja»… (Também no Esquinas (138).)
segunda-feira, março 04, 2013
Obrigado: Aos que compareceram…
… Ontem, no
Teatro Rivoli, no Porto, para a apresentação na Cidade Invicta de «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e de Fantástico», no
âmbito do Fantasporto 2013. Agradeço também à organização do mais importante
festival internacional de cinema português, e em particular a Beatriz Pacheco
Pereira, que com muita simpatia nos recebeu, a oportunidade que tão generosamente
nos proporcionou. E este agradecimento não é apenas meu; é também dos restantes
autores e organizadores e, especialmente, da editora Fronteira do Caos e dos
editores Victor Raquel e Carla Cardoso, que experimentaram de forma especial
esta ocasião por serem também da capital do Norte.
À mesa
estiveram sentados, além de mim e de Victor Raquel, também Ana Cristina Luz, um(a)
da(o)s autora(e)s do livro, e António Reis, da organização do festival. Para
além da descrição e da explicação do processo que possibilitou a concretização
de «Mensageiros das Estrelas», com destaque para o colóquio com o mesmo título,
com duas edições (em 2010 e em 2012) já realizadas na Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa, que esteve directamente na sua origem, ainda se falou, e por mais
que um interveniente, de António de Macedo e da sua importância enquanto
cineasta, escritor… e amigo, enquanto alguém a quem muitos de nós devem a entrada,
e «viagens», pelos mundos maravilhosos do mistério e da fantasia… e que, muito justamente, foi homenageado nesta 33ª edição do «Fantas». Ficou ainda a certeza
de que a Ficção Científica & Fantástico tem uma importância e uma
influência em Portugal muitos superiores à que continua a ser generalizadamente
reconhecida. E deixou-se o desafio para que os organizadores do Fantasporto continuem
a levar ao conhecimento dos cineastas as histórias – como as que estão incluídas
no «Mensageiros…» - que podem proporcionar filmes, de curta, média e longa-metragem…
que, quem sabe, poderão vir a ser exibidos em futuras edições do festival.
Outros temas
poderiam ter sido debatidos no encontro de ontem? Sem dúvida, apesar de ter
sido apenas a apresentação de um livro e não um colóquio literário. Mas cabe
também a quem assiste, aos espectadores, aos leitores, e se quiserem, colocarem
questões e corrigirem afirmações dos oradores que considerem estar erradas. Esse
convite à discussão foi feito. Pelo que não se compreende que alguns se queixem
do que ficou por dizer quando não só não tomaram qualquer iniciativa nesse
sentido como nem sequer se deram a conhecer. Quem está «do lado de lá», como eu
e os meus colegas de mesa no Rivoli, não tem (sempre) a obrigação de
se lembrar de tudo a todo o momento. (Também no Simetria.)
quarta-feira, fevereiro 27, 2013
Observação: Barros e Barreiros erraram
(Uma adenda no final deste texto.)
No passado dia 23 de Fevereiro de 2013 o Diário de Notícias publicou, no seu suplemento QI, um artigo de Eurico de Barros sobre a antologia «Lisboa no Ano 2000» com base numa entrevista feita ao criador e organizador daquela, João Barreiros. Abstraindo do abjecto «acordês» que enforma – e enferma – o texto, logo no terceiro parágrafo pode ler-se que aquela colectânea colectiva de contos constitui «a primeira ficção científica portuguesa de história alternativa.» Telefonei ao jornalista do DN e ele esclareceu-me que aquela afirmação é sua e foi «corroborada por João Barreiros». Porém, e obviamente, está errada…
No passado dia 23 de Fevereiro de 2013 o Diário de Notícias publicou, no seu suplemento QI, um artigo de Eurico de Barros sobre a antologia «Lisboa no Ano 2000» com base numa entrevista feita ao criador e organizador daquela, João Barreiros. Abstraindo do abjecto «acordês» que enforma – e enferma – o texto, logo no terceiro parágrafo pode ler-se que aquela colectânea colectiva de contos constitui «a primeira ficção científica portuguesa de história alternativa.» Telefonei ao jornalista do DN e ele esclareceu-me que aquela afirmação é sua e foi «corroborada por João Barreiros». Porém, e obviamente, está errada…
… Porque a
verdadeira primeira obra portuguesa de história alternativa é, foi, claro, «A República Nunca Existiu!», publicada em 2008… e sobre a qual o próprio Eurico de Barros escreveu então! Como me admitiu, esqueceu-se… mas João Barreiros
também se terá esquecido. Aliás, é igualmente oportuno e relevante lembrar que
ambas as antologias foram editadas pela Saída de Emergência, e que o subtítulo
de «Lisboa no Ano 2000» é «Uma antologia assombrosa sobre uma cidade que nunca
existiu», pelo que, sem dúvida e não surpreendentemente, ainda se «ouvem os
ecos» daquele meu projecto pioneiro que teve como objectivo imaginar, escrever
e publicar contos, enredos, narrativas, em que Portugal nunca havia deixado de
ser uma Monarquia.
Assunto também
abordado no artigo, e que aliás é recorrente nas discussões sobre ficção
científica e fantástico no nosso país, é o da alegada «falta de uma tradição de
literatura de FC, e de imaginação e especulação em geral, em terras lusas. (…)
Esquecemo-nos de sonhar?» João Barreiros não é o único a pensar assim, mas ele
e outros estão, também aqui, errados. Como demonstrei inequivocamente no meu
artigo «A nostalgia da quimera», publicado no Público em 2011, o fantástico é –
sempre foi – o género dominante na literatura portuguesa. A aparente ausência,
na viragem do século XIX para o XX, de uma FC «pura e dura» nacional, em que a
antecipação civilizacional e a inovação tecnológica são factores fulcrais, pode
ter-se devido não à inexistência de obras desse âmbito mas sim à não publicação
daquelas; o mesmo é dizer, que possivelmente existiram autores mas «não
existiram» editores… à altura das suas responsabilidades. E esta não é uma hipótese
mirabolante: quando se sabe que, já no século XXI, neste país houve quem
decidisse destruir milhares de exemplares da «colecção azul» da Editorial
Caminho, mais fácil se torna aceitar que o problema, provavelmente, não está, e
nunca esteve, na escrita. (Também no Simetria.)
(Adenda: Fui contactado por Álvaro Holstein, que me informou da existência do livro «História Maravilhosa de D. Sebastião Imperador do Atlântico», escrito por Samuel Maia e publicado em 1940, e que terá sido, e é, o primeiro livro de história alternativa portuguesa. Pelo que pude ler e depreender do índice tal parece ser verdade, mas só quando puder tê-lo nas mãos, folheá-lo e, eventualmente, confirmar esse facto, é que renunciarei à primazia, neste aspecto, de «A República Nunca Existiu!». Se e quando o fizer… será sem qualquer problema, sem ressentimento, sem tristeza. Muito pelo contrário! Porque, neste assunto, e de uma forma ou de outra, eu «ganho» sempre: «História Maravilhosa…», de que eu nunca tinha ouvido falar até agora, constituirá mais uma prova de que «o fantástico é o género dominante na literatura portuguesa» como eu afirmo no meu artigo «A nostalgia da quimera». Mais: também no início de Março, e numa coincidência curiosíssima, duas pessoas - Manuel Curado e Nuno Fonseca - mencionaram-me o mesmo autor, Cândido de Figueiredo (sim, o do dicionário!), por causa da mesma obra, «Lisboa no Ano Três Mil», de que eu também nunca tinha ouvido falar até agora, publicada em… 1892! Ou seja, e ao contrário do que afirma João Barreiros, Jules Verne provavelmente terá mesmo deixado – pelo menos – uma «semente» em Portugal que «floresceu» ainda no século XIX! Sim, afinal houve alguém no nosso país que imaginou «ter visto o futuro» antes de 1900.)
(Adenda: Fui contactado por Álvaro Holstein, que me informou da existência do livro «História Maravilhosa de D. Sebastião Imperador do Atlântico», escrito por Samuel Maia e publicado em 1940, e que terá sido, e é, o primeiro livro de história alternativa portuguesa. Pelo que pude ler e depreender do índice tal parece ser verdade, mas só quando puder tê-lo nas mãos, folheá-lo e, eventualmente, confirmar esse facto, é que renunciarei à primazia, neste aspecto, de «A República Nunca Existiu!». Se e quando o fizer… será sem qualquer problema, sem ressentimento, sem tristeza. Muito pelo contrário! Porque, neste assunto, e de uma forma ou de outra, eu «ganho» sempre: «História Maravilhosa…», de que eu nunca tinha ouvido falar até agora, constituirá mais uma prova de que «o fantástico é o género dominante na literatura portuguesa» como eu afirmo no meu artigo «A nostalgia da quimera». Mais: também no início de Março, e numa coincidência curiosíssima, duas pessoas - Manuel Curado e Nuno Fonseca - mencionaram-me o mesmo autor, Cândido de Figueiredo (sim, o do dicionário!), por causa da mesma obra, «Lisboa no Ano Três Mil», de que eu também nunca tinha ouvido falar até agora, publicada em… 1892! Ou seja, e ao contrário do que afirma João Barreiros, Jules Verne provavelmente terá mesmo deixado – pelo menos – uma «semente» em Portugal que «floresceu» ainda no século XIX! Sim, afinal houve alguém no nosso país que imaginou «ter visto o futuro» antes de 1900.)
terça-feira, fevereiro 19, 2013
Observação: «Brava» bojarda
Neste último
Natal receberam-se como prendas em minha casa, e entre outras, vários discos –
de música, de jogos, de filmes. Entre estes «Brave», o mais recente filme dos
estúdios Pixar, que em Portugal recebeu o título «Indomável» (sim, há traduções
piores…), e que é comercializado pela Zon Lusomundo Audiovisuais. Observando a
caixa, li a síntese, a ficha técnica, e a seguinte… ressalva: «Dados corretos
salvo erro tipográfico».
Quero
acreditar que, um dia, se irá investigar, descobrir e explicar por que motivo
neste país tantos indivíduos e tantas instituições, quer públicas quer
privadas, se prestaram – sem o deverem, sem serem forçadas, sem terem qualquer
verdadeira obrigação disso – a fazer figuras ridículas, a passarem por idiotas,
a tornarem-se autênticas anedotas. Talvez então se possa rir (ainda mais, e
descansadamente) da aberração que é, foi, o «ac(b)ord(t)o (porn)ortográfico».
(Adenda - Hoje, 21 de Fevereiro, celebra-se o Dia Internacional da Língua Materna. Uma data ainda melhor do que as outras para todos os que ainda não subscreveram, divulgam e apoiam a Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico... o fazerem.)
(Segunda adenda - «Escoçês» é errado e esquisito? Sim. Mas não é mais errado e esquisito, e ridículo, que, por exemplo, «espetáculo», «perspetiva», «receção» e «suntuoso».)
(Terceira adenda – Quando se recorre à força e à imposição burocráticas e totalitárias, é óbvio que os «processos» (kafkianos) «avançam» e «correm» sem «problemas», que qualquer absurdo é aplicável. Há para aí quem seria um «excelente» «comissário cultural» de Stalin e de Mao…)
(Adenda - Hoje, 21 de Fevereiro, celebra-se o Dia Internacional da Língua Materna. Uma data ainda melhor do que as outras para todos os que ainda não subscreveram, divulgam e apoiam a Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico... o fazerem.)
(Segunda adenda - «Escoçês» é errado e esquisito? Sim. Mas não é mais errado e esquisito, e ridículo, que, por exemplo, «espetáculo», «perspetiva», «receção» e «suntuoso».)
(Terceira adenda – Quando se recorre à força e à imposição burocráticas e totalitárias, é óbvio que os «processos» (kafkianos) «avançam» e «correm» sem «problemas», que qualquer absurdo é aplicável. Há para aí quem seria um «excelente» «comissário cultural» de Stalin e de Mao…)
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