terça-feira, maio 22, 2012

Observação: nAO à APDC

Ontem enviei uma mensagem à Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, instituição em que trabalhei entre 1999 e 2003, mais concretamente como jornalista na revista Comunicações, e que a seguir transcrevo:   
«(…) Hoje (segunda-feira, 21 de Maio) recebi pelo correio a edição Nº 203 (Maio 2012) da revista Comunicações. E, tal como eu esperava, e receava, a revista continua a seguir o denominado "Acordo Ortográfico de 1990" introduzido na edição anterior – tal como, deduzo, toda a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações nos seus restantes meios e suportes de comunicação. É, pois, com profunda desilusão que confirmo que a Associação não seguiu as minhas recomendações, expressas em mensagens que enviei em Março e Abril últimos, e baseadas em factos incontestáveis, no sentido de cessar a sua cumplicidade com aquilo que é um atentado à língua e à cultura portuguesas, e, em última instância, à própria dignidade nacional. Não aceito estar ligado a uma instituição que, deliberada e levianamente, permite tornar-se num mero apêndice de uma das suas empresas associadas e, desse modo, se coloca numa via que a conduzirá inevitavelmente à sua total descredibilização e irrelevância. Assim, e por tudo isto, comunico que a partir deste momento deixo de ser sócio (Nº 1900) da APDC; e, em consequência, não voltarão a enviar-me, não só qualquer próxima edição da revista Comunicações, mas também qualquer tipo de correspondência e de informação, seja em papel ou electrónica. (…)».
Efectivamente, a 28 de Março enviara a seguinte mensagem para Pedro Norton (da Impresa), presidente da Direcção da APDC: «(…) Foi com uma considerável - e desagradável - surpresa que constatei, na mais recente edição da Comunicações (Nº 202, 2012/2), que a mesma passou a utilizar o dito “Acordo Ortográfico de 1990” - e, posteriormente, também verifiquei que no sítio da Associação sucedeu o mesmo. Ora, não sendo a APDC um organismo do Estado mas sim, pelo contrário, uma entidade privada (que congrega outras, e bastantes, empresas privadas), nada a obriga a adoptar a suposta “nova ortografia”. Aliás, mesmo que fosse uma instituição pública também não: como já foi amplamente demonstrado por diversos especialistas em diversas ocasiões, o AO90 não tem qualquer consistência, sustentabilidade... e legitimidade jurídica, tanto no plano interno como no externo. Não só não está em vigor como nunca deverá entrar em vigor. Isto, claro, para além da aberração injustificável que constitui nos planos cultural e político. Se o carácter incongruente, e mesmo ridículo, do AO90 já é por de mais evidente na utilização quotidiana, generalizada, do Português, torna-se ainda mais nítido quando aplicado a um sector, a uma área tão específica como são as Tecnologias de Informação, Media e Telecomunicações, em que abundam os anglicismos. O mesmo é dizer, (muitas) palavras derivadas, entre outras, de “act” e de “direct”, com consoantes “mudas” e repetidas, e, claro, até com “ph”. Pelo que a APDC em geral e a Comunicações em particular perderão irremediavelmente credibilidade se, o mais rapidamente possível, não voltarem a utilizar a ortografia portuguesa normal. (…) Acredito que o desenvolvimento das comunicações se faz em primeiro lugar, antes da adequada utilização de tecnologias, da correcta utilização da língua - afinal, o mais primordial, mais fundamental, meio de comunicação. E o lamentável, anti-democrático “acordo ortográfico” constitui indubitavelmente não um contributo para o desenvolvimento das comunicações mas sim, pelo contrário, para o seu definhamento. (…)» Até hoje não obtive resposta a esta mensagem…
… Tal como nunca cheguei a ser informado, apesar de o ter solicitado, se a utilização do AO90 havia sido aprovada em Assembleia Geral da APDC, cujo presidente da Mesa é Eduardo Fitas (da Accenture). Em mensagem enviada a 10 de Abril, perguntei: «(…) Quem, concretamente, “entendeu que iniciaríamos este processo de ajustamento no ano de 2012”? A Direcção? Com certeza que sabe que uma decisão desta importância teria de ser necessariamente tomada, ou pelo menos ratificada, pela AG. Porque, volto a reafirmar este facto, nada, repito, nada existe com força legal que possa obrigar a Associação a adoPtar o AO90.»
Como ilustração, e demonstração, do ridículo em que a APDC caiu, atente-se neste excerto do editorial da edição Nº 203 da Comunicações, assinado pela chefe de redacção da revista, Isabel Travessa, licenciada em Direito e há 14 anos no cargo: «As expetativas são muitas e os grandes grupos mundiais já se estão a posicionar neste novo ecossistema, que envolve players tão distintos como operadores, instituições financeiras, retalhistas e OTT.» Um editorial em que também se faz referência a algo denominado de «espetro». Não é tão empolgante a modernidade? (Também no Esquinas (124).)    

domingo, maio 13, 2012

Observação: A força e a técnica

A pergunta justificava-se: «se», «quando», «como» e com «quem» iriam reagir os cultistas do AO90 ao crescimento avassalador de intervenções públicas, impressas e não só, contra o dito cujo? O «se» concretizou-se «quando» Vasco Graça Moura ordenou que no Centro Cultural de Belém se deixasse de usar a «ortografia» desviante – custa-lhes a crer que existam pessoas que tenham a coragem de passar das palavras… aos aCtos. «Como»? Recorrendo, contra a força da técnica… à técnica da força. «Quem»? Entre «lacraus» por convicção e «lacaios» por obrigação, não mais do que os «suspeitos do costume»…
… O mesmo é dizer, os «cadáveres adiados» do «só-cretinismo». Que saudades de António Guterres, com quem pelo menos havia um mínimo de dignidade e de honra – com ele nenhuma «causa fracturante» se concretizou, linguística ou outra! Por ter questionado (tardiamente…) o AO90, Francisco Assis talvez mereça alguma tolerância. Mas muitos dos seus «camaradas» não. Nomeadamente: João Tiago Silveira, para quem o presidente de uma fundação criada pelo Estado, nomeado pelo Governo, teve «atitudes terroristas» ao «desrespeitar impunemente as opções legítimas e democráticas do Estado português» - pois, só que essas opções não foram nem legítimas nem democráticas…; Augusto Santos Silva, para quem Vasco Graça Moura tornou o CCB num «instrumento da sua luta pessoal» - algo que não deveria indignar quem tanto gosta de «malhar na direita». E há o inevitável Francisco Seixas da Costa, que, incorrigível, aparentemente não satisfeito com os «correctivos» que já lhe apliquei anteriormente (sobre bandeiras nacionais e sobre artigos em jornais), reincidiu, desta vez verberando uma suposta «brigada do asterisco» (percebem? É uma alusão à «brigada do reumático» salazarista… tão espirituoso, o Chico!) que, liderada por VGM, insiste em escrever os seus artigos «segundo a antiga ortografia» - só que o Sr. Embaixador em França parece «esquecer-se» de que os asteriscos são colocados, quais «estrelas de David» nos braços dos «inferiores», não pelos próprios mas sim pelos «guardas dos guetos» linguísticos que são todos os «acordistas» colaboracionistas… aliás, ele próprio deveria usar um, porque admitiu no seu próprio blog que não gosta deste AO porque «está cheio de incongruências, tem soluções menos boas e induz, por vezes, à confusão», mas que, porém, «como cidadão, sendo o Acordo uma lei da República, acho que devo cumpri-la, goste dela ou não»! Ah, «valente»! Só faltou acrescentar «a bem da Nação»! Parece que «temos» homem! Ou será que é «omem»?
No entanto, e na verdade, não é só no PS que se encontram apologistas da anormalidade ortográfica. É extremamente deprimente, penoso, triste, ler Pedro Santana Lopes criticar Vasco Graça Moura e lembrar (com orgulho?) que Aníbal Cavaco Silva o incumbiu de negociar e de assinar o AO para que «o português falado em Portugal não ficasse com um estatuto equivalente ao do latim.» Como é possível que, decorridos mais de 20 anos, e depois de várias demonstrações de deslealdade e de desprezo que recebeu do boliqueimense, Santana ainda lhe mostre qualquer tipo de fidelidade? Entretanto, ele ainda não escreve os seus textos com a nova grafia «porque ainda não o decidi fazer». Eu digo – e disse-lhe, no seu blog – que não o faz porque sabe que se enganou, e desafiei-o a admitir isso mesmo.
Não nos devemos surpreender (muito) que, da parte de (alguns) políticos, pessoas sem carácter e sem escrúpulos, haja sempre disponibilidade para defenderem o indefensável e dizerem e fazerem o que lhes mandam. «Coitados», não é defeito mas sim feitio! Mais grave, muito mais grave, é que o mesmo comportamento seja tido por elementos de outras profissões que deveriam estar nas primeiras linhas da frente da batalha contra o totalitarismo cultural, o fascismo linguístico e o neo-colonialismo ortográfico (o AO90 também surgiu como reacção às independências dos PALOP e às prováveis «derivas alfabéticas» daqueles). Como os jornalistas e os professores.
De entre os primeiros destacam-se, enquanto defensores da ignomínia e da infâmia linguísticas, Paulo Querido, José Carlos de Vasconcelos e Henrique Monteiro. O ex-director do Expresso, aliás, é o autor de um dos mais vergonhosos artigos de que há memória sobre este assunto (e não só) publicados na imprensa portuguesa, e em que não só se queixou de que «duas décadas depois de concluído, quatro anos depois de aprovado por ampla maioria no Parlamento, milhões de euros de investimentos depois, renasce a ofensiva contra o Acordo Ortográfico», e nessa «ofensiva» há «muita teimosia e alguma ignorância», como ainda declarou que «não aceito que uma lei discutida durante mais de 20 anos seja constantemente colocada em causa»! Por outras palavras, para aqueles que não perceberam: ele, «jornalista», recusa-se a considerar válida uma opinião contrária à dele, e que é partilhada pela maioria da população – isto é, uma maioria de potenciais leitores – de uma forma consistente há mais de duas décadas. Duas hipóteses: é o Monteiro uma desgraça para a profissão… ou enganou-se na vocação? Provavelmente, as duas são verdadeiras…
… Tal como o são para Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português, e que constitui uma personificação (há outras…) da incompetência e da degenerescência que têm marcado a educação em Portugal. O facto de esta… criatura ocupar o cargo que ocupa apenas demonstra que os docentes – de português, pelo menos – não têm qualquer noção de decência. Num aspecto ela acaba por ter razão (embora não da maneira que pensa): «andam a brincar com o ensino, com os professores, com os alunos, com os pais, com toda uma comunidade.» Pois andam, e o «aborto ortográfico» é a maior «brincadeira» (de mau gosto) – e já foram tantas – de todas as que já foram feitas nas escolas nacionais. O que não espanta, porque o AO90 só podia ser uma ideia de (maus) palhaços. E a «palhaçada» não parece preocupar (muit)os professores: sempre prontos para protestarem, para se manifestarem, para fazerem greve contra o que não querem e o que não gostam nas suas avaliações, progressões e remunerações, mostram-se, em geral, bastante apáticos, colaborantes e permissivos na aplicação do AO90. Será cansaço?
Assim, e porque o tema é a aprendizagem, proceda-se a uma (breve) «revisão da matéria dada»: só neste país é que há a mania de alterar a ortografia com «data marcada» - e essa mania começou com os republicanos, que mudaram o modo de escrever tal como mudaram a bandeira e o hino, os nomes das ruas e o do bolo-rei; o AO90 não «uniformiza» a ortografia, muito pelo contrário, devido ao aumento das duplas grafias; os seus apologistas deveriam deixar de se referir ao «ph da farmácia» se não quiserem continuar a cobrir-se de ridículo – todos os anglófonos e todos os francófonos usam (e muito) o «ph» e as consoantes «mudas» e repetidas (sim, eles são tão «atrasados», «subdesenvolvidos» em relação a nós); continua por explicar a «lógica» de escrever as estações e os meses do ano com letra minúscula, e de se continuar a utilizar o «h» como primeira letra de palavras; o «acordo» enferma de grandes, graves, anomalias jurídicas, tanto ao nível interno (uma resolução não vale mais do que um decreto) como ao nível externo (se nem todos os países o ratificaram, não está em vigor), e isso já era indiscutível antes mesmo de, em bastantes tribunais portugueses, diversos juízes – indivíduos com juízo – começarem a recusar-se a aplicá-lo e a utilizá-lo; e nem no comunicado final de uma reunião dos ministros da Educação da CPLP foi utilizado, apesar de ter sido o assunto principal daquela… sem dúvida por no mesmo se reconhecer que o AO90 contém «constrangimentos e estrangulamentos»! (Também no Esquinas (122) e no MILhafre (57). Referência aqui.)

sexta-feira, maio 04, 2012

Orientação: No Obamatório pode ler-se…

… Entre os vários textos que escrevi recentemente para aquele meu outro blog: como é que os democratas inventaram que os republicanos declararam uma «guerra às mulheres»; que os democratas têm mais problemas com a lei do que os republicanos; que Barack Obama comeu cão quando era mais novo, e não parece estar arrependido; festas de funcionários públicos norte-americanos à custa dos contribuintes; os maus, preocupantes, verdadeiros números da economia dos EUA; a Casa Branca a fazer fraca figura perante o Kremlin; verdades que parecem mentiras na grande nação do outro lado do Atlântico; «liberais progressistas» continuam a ter medo de Sarah Palin e a tentar destruí-la; o que realmente se passa no Afeganistão; um retrato fidedigno de Rick Santorum; os terroristas amigos de Obama. Tudo isto e muito, muito, muito mais, que a comunicação social portuguesa, em geral e sem surpresa, continua a não divulgar. (Também no Esquinas (121).  

segunda-feira, abril 30, 2012

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2012

A literatura: «Aventuras Misteriosas I - O Segredo Templário», «(...) II -  O Anão de Vasco da Gama» e «(...) III - Três Fantasmas, Duas Revoluções», Sérgio Franclim; «Presa» e «Próximo», Michael Crichton; «Estórias Abensonhadas», Mia Couto;  «A Mamã Nunca me Disse», Babette Cole; «Por detrás da luz» e «Um homem e o seu gato (ou) O Céu dos gatos é o Inferno dos pardais», João Barreiros.
A música: «Progressed», Take That; «Luís Represas e João Gil», João Gil e Luís Represas; «(The) Smile (Sessions)», Beach Boys; «O Agora», Sandra Fidalgo; «No Line On The Horizon», U2; «Fado em Mim» e «Terra», Mariza; «Obscured By Clouds», Pink Floyd;  «Leopoldina Apresenta Clássicos Infantis Interpretados por...», Áurea, Camané, Clã, Cool Hipnoise, GNR, Jorge Palma, Rui Pregal da Cunha, Rui Veloso, Sérgio Godinho, e outros; «20 Original Hit Songs of 1964», Andy Williams, Aretha Franklin, Doris Day, Elvis Presley, Pete Seeger, Roy Orbinson, Tony Bennett, Vic Damone, e outros.
O cinema: «Panda do Kung Fu 2», Jennifer Yuh; «Eu Não Estou Aí», Todd Haynes; «Queimar Após Leitura», Ethan Coen e Joel Coen; «Capitão América - O Primeiro Vingador», Joe Johnston; «As Vidas dos Outros», Florian Henckel Von Donnersmarck; «Dança dos Vampiros (ou) Os Destemidos Matadores de Vampiros (ou) Perdoe-me, Mas os Seus Dentes Estão no Meu Pescoço», Roman Polanski; «Homem no Interior», Spike Lee; «Taça de Lata», Ron Shelton; «Harry Potter e as Alfaias Mortais - Parte 2», David Yates; «A Ténue Linha Encarnada», Terrence Malick; «MegaMente», Tom McGrath; «Mal Residente - Apocalipse», Alexander Witt; «Sucedâneos», Jonathan Mostow; «O Discurso do Rei», Tom Hooper; «A Tomada do Pelham 123», Tony Scott; «Sete Libras», Gabriele Muccino; «Gomorra», Matteo Garrone; «Atalho de Meek», Kelly Reichardt; «A Coelhinha da Casa», Fred Wolf; «Amor Doido e Estúpido», Glenn Ficarra e John Requa; «Dot.com», Luís Galvão Teles; «As Operações SAAL», João Dias; «Beijos e Balas», Robert Luketic; «Carros 2», John Lasseter; «Fome», Steve McQueen; «Poseidon», Wolfgang Petersen; «Amália», Carlos Coelho da Silva; «As Noites Brancas», Luchino Visconti; «As Aventuras de Tintin - O Segredo do Licorne», Steven Spielberg; «Rango», Gore Verbinski.
E ainda...: Biblioteca Nacional de Portugal - Exposição «Das Partes do Sião» + Mostra «A biblioteca de um escritor finissecular - Fialho de Almeida (1857/1911)» + Mostra «Charles Dickens em Portugal» + Exposição «Três Movimentos da Letra - O Desenho da Escrita em Portugal»; (Revista) Rumo Nº 1; «Lost» (último episódio); Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação - Prémios e Homenagens Sociedade da Informação 2011; Sociedade Euterpe Alhandrense - Carnaval de Alhandra 2012; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - Cartoon Xira '11 + Boligán/Espelho de Tinta; Museu do Neo-Realismo - Exposição «Alves Redol e a Fotografia»; FNAC Chiado - Exposição «GodSpeedPinto/Ilustrações de João Maia Pinto».

sábado, abril 28, 2012

Orientação: Sobre o AN e a BN, n’O Sul

Na edição de Abril (Nº 21) de 2012 do jornal O Sul, e na página 6, está o meu artigo «De “A” a “B”: ABN/TT». Um excerto: «Pelo que se justificaria inteiramente proceder-se à integração, à fusão, do Arquivo Nacional/Torre do Tombo com a Biblioteca Nacional, criando-se assim… o Arquivo e Biblioteca Nacional/Torre do Tombo. Seria uma união institucional com evidentes vantagens em termos de eficiência e de eficácia, de eventual aumento de capacidades e de racionalização de custos. Mas não só: dadas as actuais localizações de ambas, em Lisboa, a pouca distância uma da outra, poder-se-ia pensar seriamente em também uni-las fisicamente.» (Também no Esquinas (123) e no MILhafre (58).)

segunda-feira, abril 23, 2012

Opções: Não comprar livros com AO90

Hoje, Dia Mundial do Livro, e véspera da abertura da Feira do Livro de Lisboa 2012, é o momento adequado para, mais uma vez, apelar a que não se compre livros escritos e/ou impressos segundo o abominável «acordo ortográfico de 1990». O boicote a obras deformadas e deturpadas é uma das principais formas, e talvez a melhor, de combater aquele «aborto»; quanto mais forem os leitores que o fizerem maior será a probabilidade de os escritores e/ou as editoras que renunciaram à dignidade e à sensatez retrocederem na sua conduta reprovável e ridícula… porque ver-se-ão afectados onde «dói mais», isto é, na carteira, no cofre e na conta bancária.
Neste âmbito, destaque pela positiva vai, entre outros, para Guilherme Valente: o fundador da Gradiva – que faz jus ao seu apelido! – não só subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico como disponibilizou os espaços da sua editora na Feira do Livro para a recolha de assinaturas a favor daquela iniciativa; é mais um motivo para uma visita aos pavilhões B19, B56, B58 e B60. Entretanto, também a Relógio d’Água se juntou à iniciativa, pelo que se deve igualmente visitar os pavilhões A73, A75, A77, A79, A81, A83, A85 e A87. E ainda a Zéfiro (D50), que edita a revista Nova Águia e a colecção de livros com o mesmo nome.
Enfim, e para além daqueles que já mencionei aquando de anteriores feiras e Natais, eis alguns novos livros, de amigos, cuja aquisição eu recomendo: «Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes» e «O Homem Corvo», David Soares; «Nova Teoria do Mal», Miguel Real; «A Última Sessão – A Edição dos Textos Malditos de Luiz Pacheco», Pedro Piedade Marques; «Convergência Lusófona – As Posições do MIL/Movimento Internacional Lusófono (2008-2012)», (coordenação de) Renato Epifânio; «A Cidade dos Sonhos», Sérgio Franclim (e Sandra Hormiga). (Também no Esquinas (120) e no MILhafre (56).)

segunda-feira, abril 16, 2012

Oráculo: «Um Novo Portugal» em 2012

O meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País» vai ser editado em 2012, possivelmente no mês de Junho, pela editora Fronteira do Caos. Consiste numa colectânea dos meus melhores, mais importantes artigos de opinião escritos e publicados desde 1986 – são, pois, 25 anos, um quarto de século de reflexões sobre esta Nação que é (ainda) a nossa. Incluirá, entre outros, «Lisboa: importância capital», «O Estado assassino», «A República das Laranjas» (sobre Aníbal Cavaco Silva), «Contra a Europa», «Expo dos Pequeninos?», «Mestre, Profeta, Santo» (sobre Agostinho da Silva), «Sem pejo» (sobre Jorge Sampaio), «E o nome do novo aeroporto de Lisboa deve ser…», «Hoje não é Dia de Portugal», «Os anéis e as quinas», «E o “Prémio Miguel de Vasconcelos 2008”…» (sobre José Sócrates), «Sob a bandeira arco-íris», «Palavras de honra», «Em 2010, “não” a 1910, “sim” a 1810!», «Reconquistar Portugal», e «”Velho do Restelo”, e com muito orgulho!». Mais pormenores e novidades literárias para breve.

sábado, abril 14, 2012

Obras: «Segundo Ultimatum Futurista»

«(…) Hoje, 14 de Abril de 2017, quero fazer, e vou fazer, um Segundo Ultimatum Futurista. O primeiro, de que acabaram de ouvir um excerto, foi feito há exactamente 100 anos, e aqui mesmo, nesta cidade de Lisboa, neste local, neste teatro. (…) Mas por quem? Por José Sobral de Almada Negreiros. Muitos dos que me escutam agora provavelmente não sabem quem ou o que é que ele foi. Eu digo-o: foi um dos maiores nomes da cultura portuguesa contemporânea, mais ou menos recente. (…) Porém, há uma diferença grande, enorme, assinalável, entre esse primeiro Ultimatum e o segundo que eu agora, modesta mas ousadamente, me permito apresentar. O de Almada dirigia-se, e isso estava evidente, patente, no seu título original, “às Gerações Portuguesas do Século XX”. Obviamente, o meu, se fosse assumido como uma genuína continuação, teria de ser dirigido “às Gerações Portuguesas do Século XXI”. Só que há um pequeno, um menor, um insignificante problema… e, sim, já devem ter percebido que estou a ser irónico. Sem dúvida que estamos no Século XXI… Mas de certeza que não se pode dizer que existem, verdadeiramente, Gerações Portuguesas. (…) É como se o Estado, e através dele a Nação, preconizasse e premiasse a sua própria eliminação… é como se uma eutanásia generalizada estivesse em curso! Isto para além daquela específica, obrigatória, para quem tem mais de 80 anos e não pode pagar os seus medicamentos… A matança, entretanto, dispõe de um arsenal cada vez maior, diversificado e sofisticado: à semelhança dos camiões de recolha de sangue, foram construídos camiões especiais, autênticas clínicas sobre rodas, que percorrem o país visitando escolas onde a alunas que engravidaram são feitos abortos ao vivo e sem anestesia, transmitidos em directo no canal de televisão do Ministério da Educação, nas aulas de Biologia e de Ciências da Natureza, e que proporcionam bonificações na avaliação final, no que constitui sem dúvida uma forma avançada, e mesmo vanguardista, de pedagogia… (…) Entretanto, e tendo também como pretexto o aumento da violência, em Portugal já não são só os arguidos, suspeitos, detidos, culpados, que têm de usar pulseiras electrónicas: todos os cidadãos a partir dos 18 anos, portadores de número de identificação fiscal, têm de o fazer! É um substituto do CU, do dito “cartão único”, o “cartão de cidadão”, que aliás já tinha um chip incorporado. “É para o nosso bem, para a nossa segurança”, dizem os nossos governantes, “para estarmos permanentemente localizáveis e contactáveis”. (…) Assim, todos os portugueses estão prisioneiros do, e no, seu próprio país. Todos os que não se foram embora, todos os que ficam, que o querem e o permitem, obviamente… para esses Portugal tornou-se uma autêntica e enorme prisão! Mas uma prisão que constitui um estímulo à economia nacional: a fabricante destas pulseiras é a mesma dos computadores Magalhães, e como estes deixaram de ser encomendados e produzidos, havia que dar àquela companhia alguma compensação, coitados… (…)»
Acima estão excertos do meu conto «Segundo Ultimatum Futurista», que escrevi entre Setembro e Outubro de 2011 após ser convidado (um mês antes do final do prazo) por Rogério Ribeiro a participar na «Antologia de Ficção Científica Fantasporto» que aquele estava a organizar, e que viria a ser editada já neste ano de 2012 pela 1001 Mundos/LeYa – que, recorde-se, também editou o meu livro «Espíritos das Luzes». Porém, alegando que esta minha prosa curta é «mais panfletária do que especulativa» e, a ser incluída na antologia, a «desenquadraria», o organizador recusou-a liminarmente, isto é, sem me dar a oportunidade, a alternativa, de lhe fazer alterações. No entanto, acredito que não haveria qualquer motivo para isso, porque continuo convencido de que cumpri com o estabelecido no regulamento: «São aceites contos inéditos, em língua portuguesa, com reconhecíveis elementos de Ficção Científica. Tratando-se de um género vasto, que transcende definições simples, os critérios de avaliação serão baseados em três pilares: ambiência, carácter especulativo e criatividade. (…) A extensão máxima de cada conto a concurso será de 75.000 caracteres (incluindo espaços). (...) A par dos contos a concurso seleccionados, a Antologia conterá também contos de autores convidados, nacionais ou estrangeiros (pode-se, pois, deduzir que, se respeitassem os termos do regulamento, os contos dos autores convidados não seriam sujeitos nem a concurso nem a selecção).»
Assim, foi-me retirada a possibilidade de fazer parte do programa do Festival Internacional de Cinema do Porto, e ainda por cima num ano em que se assinalaram os 30 da estreia de «Blade Runner» (um dos meus filmes favoritos), os 120 da morte de Bram Stoker, e se homenageou Ed Wood; e foi-me retirada a possibilidade de ser editado, pela primeira vez, no Brasil. Entretanto, agora posso revelar que, sim, foi por causa da minha exclusão da «Antologia Fantasporto» que me excluí, que não compareci, ao Fórum Fantástico 2011, onde esteve prevista a minha participação enquanto orador – porque não aceitei que a mesma pessoa decidisse que, dentro da mesma área, eu tenho competência para uma tarefa mas não para outra.
Não quero colocar em causa, de modo algum, os contos incluídos na antologia e os seus autores, alguns dos quais conheço pessoalmente e que tenho como amigos. Para todos eles vão os meus sinceros parabéns. Todavia, eu, enquanto autor, não estou junto deles porque alguém não teve para comigo um comportamento correcto. Que eu, enquanto organizador (e não só), sei que tenho: os convites que fiz para «A República Nunca Existiu!» não constituíram um concurso dissimulado, e só não participou quem não quis. A «culpa» deve ser minha, porque pensava que a noção de «convite» que tinha era consensual.    
Apesar do que me aconteceu, continuo a pensar, tal como escrevi no meu artigo «A nostalgia da quimera», que todas as controvérsias no âmbito da FC & F portuguesa (e não só) são salutares. Porque são sempre reveladoras. E porque é sempre preferível a honestidade à hipocrisia. (Também no Simetria; referência no Ouroboros Lair.)
(Adenda – RR prossegue a sua campanha de mistificação… isto para não usar outra palavra começada por «m». A única coisa com que eu «concordei», que registei, foi que seria possível que nem todos os contos dos autores convidados fossem incluídos. Obviamente… se não obedecessem aos critérios de avaliação estipulados no regulamento, cujos «contornos» são nítidos. Eu obedeci ao regulamento.)

domingo, abril 08, 2012

Outros: Artigos contra o AO90 (Parte 3)

«O cumprimento da lei visto por Gabriela Canavilhas», «Acordo ortográfico? Mas qual deles? Ou você ainda julga que existe apenas um acordo?», «Os 20 anos que Henrique Monteiro não viu» e «A impunidade do acordo ortográfico», João Roque Dias; «Contra o Acordo Ortográfico – O que não interessaUm texto inconsistenteNão há uniformização ortográficaNão há uniformização da escritaAs chamadas consoantes mudasMais homografiasImplicações pedagógicasUma espécie de conclusão», «O entusiasmo de Henrique Monteiro» e «A gaguez de Francisco José Viegas», António Fernando Nabais; «E “tão-me a charengar” é português?», Ana Cristina Leonardo; «Desacordo ortográfico» e «Contra a lógica do “porque sim”», Pedro Correia; «O chamado “novo acordo ortográfico” – Um descaso político e jurídico», Francisco Ferreira de Almeida e José de Faria Costa; «Uma lança de África» e «Pois é – Antes fosse mentira», Nuno Pacheco; «Sobre o Acordo Ortográfico», José Gil; «ilcao cedilha net», Manuel Luís Bragança; «O que Helena Topa ou Não Topa», Ivo Rafael Silva; «Nós, os “teimosos”», Carlos do Carmo Carapinha; «Questões do Estado de Direito» e «A opção», Vasco Graça Moura; «Não ao acordo ortográfico» e «O desacordo ortográfico», Luís Menezes Leitão; «O impossível acordo», António Guerreiro; «O AO90 está em vigor? Onde?», Paulo Jorge Assunção; «O acordo ortográfico da nossa desunião (1ª Parte/2ª Parte)», António Viriato; «Dermatologia e resistência silenciosa», Francisco Miguel Valada; «Eterno desacordo», Pedro Lomba; «Da presuntiva artificialidade da ortografia», António Emiliano; «Cor-de-rosa laranja», Rui Cardoso Martins; «Um caso de revisionismo de conveniência», Ana Isabel Buescu, Helena Carvalhão Buescu e Jorge Buescu; «O resultado imprevisto do Acordo Ortográfico», Miguel Madeira; «Reescrever a História (1ª Parte/2ª Parte/3ª Parte)», João Pedro Graça; «O Accordo Ortographico», Rui Ramos; «Um golpe dos “patrões” da Língua», Cândido Lince; «A conspiração ortográfica», Manuel António Pina; «Pelo Inglês como idioma oficial de Portugal», João Campos; «Acordo ortográfico e bocejo…», José Alberto Quaresma; «A desmontagem do "facto consumado"», Teresa R. Cadete. (Também no Esquinas (119) e no MILhafre (55).      

segunda-feira, abril 02, 2012

Observação: Cumplicidade na perversidade

Mais um exemplo recente – e são tantos! – do delírio surrealista em que se transformou a (tentativa de) imposição do «acordo ortográfico» é dado pelas entrevistas que o blog Blogtailors – da Booktailors/Consultores Editoriais – tem conduzido com vários intervenientes do panorama literário português – autores, críticos, editores. A quase todos é pedida a opinião sobre o execrável AO90… e, invariavelmente, com maior ou menor veemência, a resposta vai sempre no sentido da rejeição, da negação do dito cujo.
Neste sentido, merecem especial destaque, entre outras, as posições de José Riço Direitinho («uma tontice, uma palermice»), Ana Pereirinha («não serve a língua, não serve a liberdade de pensamento ao cortar as raízes com a memória da língua»), Sara Figueiredo Costa («a derrocada de uma unidade e de uma lógica linguísticas que incluem a história da língua, a etimologia e a sua ligação com a definição de regras ortográficas, a própria noção de ortografia, que nunca incluiu a ideia peregrina de cada um escrever “como diz”») e Luís Miguel Rocha («a língua é um organismo vivo, evolui naturalmente, não faz qualquer sentido modificá-la artificialmente, em vez de perderem tempo com acordos ortográficos deviam esforçar-se por expandi-la»). E ainda Fernando Pinto do Amaral, Manuela Ribeiro, Luís Diamantino, Patrícia Reis, Cristina Ovídio, Ana Luísa Amaral, João Luís Guimarães, Helena Vasconcelos…
Porém, como a Booktailors e o Blogtailors também já «adotaram» o AO90, dá-se a insólita circunstância (e isto sucede sem dúvida em outras instâncias) de os depoimentos daqueles opositores à «nova ortografia» serem transcritos segundo a mesma. E isto é algo que todos os que combatem pela preservação da língua portuguesa devem resolver de uma vez por todas, e o mais rapidamente possível: em qualquer ocasião, em qualquer meio, devem certificar-se de que as suas palavras não serão distorcidas pelo «aborto» aberrante expelido por Malaca & Companhia (muito limitada); devem condicionar as suas participações, em órgãos de comunicação social que capitularam perante os totalitaristas culturais, ao respeito integral pela forma correcta de escrever.
Enfim, quanto à Booktailors, que assim tem visto ser sistematicamente posto em causa o seu colaboracionismo (interesseiro, porque também promove acções de formação sobre o assunto), que não «desespere», porque há algumas individualidades que de bom grado proclamarão a sua adesão ao AO90 se forem entrevistadas. Nomeadamente, Carlos Reis, Edite Estrela, Isabel Alçada, Lídia Jorge, Miguel Paes do Amaral e Vasco Teixeira; e Bárbara Bulhosa e José Eduardo Agualusa, que poderão aproveitar mais uma oportunidade para denunciar os «xenófobos» e «reaccionários» que ainda têm uma «visão imperial da língua». Pois, nós, os que somos contra a «uniformização» daquela, é que somos «imperialistas»… É uma «(i)lógica» interessante, a mesma, aliás, seguida no recente 7ª Reunião dos Ministros da Educação da CPLP, realizada em Angola (Luanda), e que teve como tema «solidariedade na diversidade». Mas… qual diversidade?! Só se for a culinária, porque quanto à linguística estamos conversados. «Cumplicidade na perversidade», isso sim! (Também no Esquinas (118) e no MILhafre (54).

quinta-feira, março 22, 2012

Observação: Perder «fregueses»

Para minha grande vergonha, resido numa freguesia, e num concelho, em que o Partido Socialista, ainda liderado por José Sócrates, teve – tanto naquela como naquele – mais votos do que os outros concorrentes nas eleições legislativas de 2011… e há que recordar que não foram assim tantos como isso os municípios em que o PS venceu no ano passado. O mesmo é dizer que um número considerável dos meus conterrâneos deu o seu apoio ao «engenheiro domingueiro» apesar de então já não subsistirem quaisquer dúvidas sobre o que ele era (e é) e o que (de mal) tinha feito. É o que costuma acontecer em zonas onde a esquerda tem uma grande «tradição» e implantação: desde que se cante «A Internacional», se grite de punho erguido e se use um cravo na lapela pode-se ser um estúpido estupor à vontade, porque haverá sempre quem ponha à frente dele (em vez de… em cima) uma cruz.
Logicamente, e como é fácil de deduzir, também na freguesia e no concelho em que resido o PS é a principal força autárquica, detendo ambas as presidências. Pelo que não fiquei surpreendido quando, recentemente, encontrei na minha caixa de correio um pequeno panfleto anunciando (para 17 de Março último, às 15 horas) a realização de uma «Sessão Extraordinária da Assembleia de Freguesia, seguida de uma sessão de esclarecimento» para discutir a «Proposta de Lei 44/XII (do actual governo) sobre a Reorganização Administrativa Territorial Autárquica cujo objetivo é extinguir um terço das Freguesias do país.» Alegadamente, «a freguesia do (…) corre o risco de ser extinta por decreto, algo que nunca poderemos aceitar. (…) A nossa história, os nossos valores, os nossos direitos e acima de tudo a nossa identidade estão em causa, pelo que apelamos à participação de toda a população. Contra a extinção da nossa Freguesia e pela manutenção do poder local democrático.»
Faltei à «chamada» porque estava ocupado a fazer a digestão… ou a dar banho ao cão (já não me lembro). Agora a sério: é evidente que a eventual extinção da minha freguesia, apesar de desagradável, não significaria necessariamente que ficassem em causa a sua «história», «valores», «direitos» e «identidade»; significaria, quando muito, que uma mesma entidade autárquica passaria a gerir mais do que uma localidade; a minha não «desapareceria do mapa» nem deixaria de ser uma vila. O que está verdadeiramente em causa é que certas pessoas perderiam os seus cargos, os seus «tachos» - por outras palavras, elas sim é que deixariam de receber «valores» e de ter determinados «direitos», e passariam à «história» porque a sua «identidade» quase sempre não vai além da filiação político-partidária. Perder «fregueses» é um «problema» que, deve-se concordar, não é muito importante em comparação com uma dívida, acumulada pelas câmaras municipais deste país, de cerca de 12 mil milhões de euros!
Enfim, é igualmente interessante constatar como há diferentes prioridades quando se trata de promover protestos: contesta-se a (hipotética) «extinção de uma freguesia por decreto» mas não se contesta a (não hipotética) «extinção de uma ortografia por resolução». Obviamente, numa freguesia e num concelho em que o PS manda, a trampa do AO90 já foi «adotada». E foi com um divertido espanto que, ainda mais recentemente, li outro pequeno panfleto anunciando a realização, na minha freguesia supostamente à beira da «extinção», de um «espetáculo» que serviria para lançar «um alerta para as diferenças e importância da Língua Gestual Portuguesa»! Sim, quando sinto que estão a gozar comigo, a minha vontade é fazer… um gesto bem português. (Também no Esquinas (117) e no MILhafre (53).)          

quinta-feira, março 15, 2012

Ordem: Príncipe… perfeito

Normalmente, estou constantemente a ouvir música. E, nas últimas semanas, tenho estado principalmente a ouvir (novamente) discos do… Artista de quem mais álbuns tenho, que mais vezes ouvi na minha vida, que tem três nos meus «20 mais», um dos quais, aliás, (cujo tema principal é «chuva púrpura») constitui o meu disco preferido. Sim, esse mesmo: Prince.
Essas audições fazem-se, como (quase) sempre, segundo o método, e projecto, que criei há mais de 20 anos e que designo de «Códigos» - sequências diferentes, personalizadas, das canções de cada CD, delineadas segundo o objectivo de «procurar o livro (a história) que há em cada disco». E é um método que tenho tentado, com pouco ou nenhum sucesso, divulgar há mais de 15 anos, junto de editoras, órgãos de comunicação social, lojas de (ou com) música, e até da Associação Fonográfica Portuguesa, como possível meio de incentivar a aquisição de CD’s. Provavelmente, se e quando mais alguém, em especial estrangeiro, tiver a mesma ideia, talvez então lhe dêem importância…
Porém, três dos discos de Prince que voltei a escutar foram-no de uma forma – sim, ainda é possível – inteiramente nova: nas suas (potenciais) versões integrais, isto é, incluindo faixas extra que saíram, aquando das edições originais, apenas em lados B de singles (ou nem isso). Porque tarda a fazer-se um relançamento da obra do «Mago de Minneapolis», em que se proceda à remasterização/remistura e à adição de mais canções, decidi fazer (mais ou menos) essa operação num estilo, digamos, algo «caseiro». A seguir estão, pois, três das minhas sequências para outros tantos álbuns do Sr. Rogers Nelson, acrescidas de faixas extra (indicadas a itálico) tiradas da compilação «The Hits/The B-Sides».       
«1999»: «1999»; «Dance Music Sex Romance»; «Horny Toad»; «Delirious»; «International Lover»; «Automatic»; «Little Red Corvette»; «Irresistible Bitch»; «Something in the Water (Does Not Compute)»; «How Come U Don’t Call Me Anymore»; «Let’s Pretend We’re Married»; «Lady Cab Driver»; «All The Critics Love U in New York»; «Free».
«Purple Rain»: «God»; «Let’s Go Crazy»; «Baby I’m a Star»; «Take Me with U»; «Erotic City»; «Computer Blue»; «Darling Nikki»; «17 Days»; «The Beautiful Ones»; «When Doves Cry»; «Another Lonely Christmas»; «I Would Die 4 U»; «Purple Rain».
«Around The World In a Day»: «Around The World In a Day»; «America»; «Hello»; «Paisley Park»; «Condition of the Heart»; «Pop Life»; «She’s Always in my Hair»; «Raspberry Beret»; «Girl»; «Temptation»; «Tamborine»; «4 The Tears in Your Eyes»; «The Ladder».         
Há outro disco de Prince que eu também sei como «reconstruir e expandir»: «Sign O’ The Times». No entanto, estou impedido tecnologicamente (por enquanto…) de concretizar o («super») «código» para aquela obra, porque, enquanto para completar «1999», «PR» e «ATWIAD» são necessários apenas dois discos, para «SOTT» são precisos (pelo menos) oito! (Também no Esquinas (116).)  

sexta-feira, março 09, 2012

Observação: Tirar os três

A 20 de Fevereiro último, a TVI «celebrou» o seu 19º aniversário através da introdução nos seus suportes comunicativos do «acordo ortográfico». Tornou-se assim a terceira e última estação de televisão portuguesa a fazê-lo; antes fora a SIC, a 1 de Janeiro, quando iniciou a celebração do seu 20º aniversário, e a RTP, um ano antes. Aparentemente, tirar os «c’s» e os «p’s» é motivo de festa para alguns. Pode-se pois também tirar os três – está bem, quatro, com a RTP2 – canais de televisão principais nacionais da lista de órgãos da comunicação social (e, de um modo geral, das entidades ligadas às artes e à cultura) que mantêm a sua integridade – ortográfica, e não só.
Aliás, neste início de ano de 2012 está a assistir-se a um recrudescimento das capitulações ao, e dos colaboracionismos com, o AO90 entre os media: também A Bola e o Diário de Notícias desistiram de resistir à ofensiva dos «pornortografistas»; antes, ainda em 2011, a revista Ler – obviamente sob influência de Francisco José Viegas – começou a usar o «aborto ortográfico»… na mesma edição em que publicou o (notável) artigo de Fernando Venâncio «Visita guiada ao reino da falácia»! Porém, irónica e insolitamente, o aumento das «baixas» tem coincidido com a multiplicação de artigos e de outras intervenções que denunciam e que demonstram, sem quaisquer dúvidas, como o dito cujo é ilegal e inútil, para além de prejudicial. Será de perguntar, de preferência no final do ano, aos escribas da Travessa da Queimada (vão-se «queimar»…) e da Avenida da Liberdade (perderam-na…) se ganharam muito com a «conversão», mais concretamente em vendas, receitas e tiragens. Até lá, poderão perguntar aos seus colegas da Impresa, com mais tempo de experiência na matéria, se, por exemplo, Blitz, Caras, Expresso, Jornal de Letras e Visão estão melhor agora do que antes de decidirem «poupar nas letras».
No grupo fundado e liderado por Francisco Pinto Balsemão são, aliás, notórios alguns casos recentes de «problemas» com palavras. Já não bastava o Expresso ter colocado numa edição do início de 2011, como título de primeira página, «O FMI já não vem»… Na SIC, e para começar, não acharam melhor designação para o canal de cabo temático infantil do que «K»… o que daria SICK (isto é, em inglês, «doente», «perverso», «tarado») – ideal quando o alvo são as crianças, não é verdade? – mas que foi «invertido» para KSIC; é claro que «K» significa «kids», mas deve-se perguntar se a audiência do canal é maioritariamente constituída por menores anglófonos… A seguir, «traduziram» «The Biggest Looser» como «Peso Pesado», desse modo conseguindo a «proeza» de não só exprimir o significado oposto mas também de anular a ironia inerente ao título original do programa! Enfim, é de referir o programa «Gosto Disto!» que, na sua rubrica «Portugal Caricato», revela e ridiculariza exemplos de má utilização de língua portuguesa… que, afinal, estão ao mesmo (baixo) nível da «ortografia (des)acordada» que a estação de Carnaxide passou a utilizar. Enfim, não haveria outra designação para um prémio sem ser «Globo de Ouro», igual à de outro que há muitos mais anos é atribuído nos EUA?
Justifica-se perguntar se, afinal, existem não uma mas sim três estações públicas, estatais, de televisão: tanto os responsáveis máximos da SIC como os da TVI insurgiram-se contra a privatização da RTP e contra a concessão de outra licença a privados, desta forma defendendo, de facto, a adulteração do mercado audiovisual pela restrição do acesso e da concorrência de outros operadores. Além de que, vendo e comparando as «grelhas» das três, não encontramos assim tantas diferenças. Com maior ou menor intensidade, regista-se em todas uma preponderância de talk-shows (popularuchos), telenovelas e concursos; e cada uma tem o seu próprio canal de informação 24/7 no cabo. No entanto, mais programas não significam, necessariamente, melhor programação. 
Da RTP já se conhece, e de que maneira, o que se enquadra no seu «padrão de qualidade»: acordo ortográfico; aquecimento global; «barackobamismo»; Centenário da República; entrevista em directo a Mahmoud Ahmadinejad a partir de Teerão com Márcia Rodrigues de hijab (para a qual se «treinara» antes, em Lisboa, com o embaixador do Irão); futebol e tourada; e, com regularidade, uma ou outra «colherada» a favor de «causas fracturantes» que envolvam a liberalização da IVG e formas «alternativas» de «casamento» e de «ado(p)ção». Em tudo isto é imitada na substância, embora com diferenças no estilo (as duas têm, ou tiveram, programas de «espiritismo»), por SIC e TVI – esta, aliás, é agora comandada por «dissidentes» da RTP. As três também se assemelham na reiterada discriminação, no contínuo silenciamento, quando não a ridicularização (por certos comentadores e «humoristas»), de vozes realmente conservadoras – que as também há em Portugal, por incrível que isso possa parecer.
Não é o dinheiro o principal factor a orientar a acção das três estações de televisão; se fosse, optariam consistentemente na informação pela controvérsia e não pelo conformismo. Onde está a cobertura constante das escutas telefónicas feitas a Jorge Nuno Pinto da Costa e a José Sócrates Pinto de Sousa, exemplos e expoentes máximos, personificações e símbolos definitivos das perversões intrínsecas e das promessas falhadas da Terceira República? Onde estão (mais) reportagens sobre a aplicação (imposição) do AO90, e entrevistas a Vasco Graça Moura depois de ele ter eliminado o dito cujo no Centro Cultural de Belém? Será que uma conversa com o jurista, escritor e co-criador da Expo 98 não suscitaria interesse junto das audiências e dos anunciantes?
Os portugueses têm muitos motivos para desconfiar de vários dos órgãos de comunicação social nacionais e de bastantes «profissionais» que neles militam. E não apenas por causa do «aborto ortográfico». (Também no Esquinas (115) e no MILhafre (52).)

sexta-feira, março 02, 2012

Outros: «Espíritos…» revistos em inglês

The Beckford Journal, revista da Beckford Society, inclui na sua mais recente edição (Volume 17, 2011), da qual recebi ontem um exemplar, uma recensão ao meu livro «Espíritos das Luzes», escrita por Sir Malcolm Jack, chairman daquela sociedade desde a sua fundação (1994). Transcrevo a seguir alguns excertos, por mim traduzidos:
«O livro “Espíritos das Luzes” de Octávio dos Santos insere-se na longa tradição da ficcionalização e mitificação portuguesa de William Beckford. (…) Octávio dos Santos surge-nos como um polímato, que traduziu Tennyson e tem contribuído largamente para o debate intelectual em Portugal enquanto jornalista, ensaísta e comentador. Num livro em que ficção e facto são misturados para produzir uma “fantasia”, o autor recorreu a(o conceito de) universos paralelos que podem colidir mesmo que separados temporariamente. A sua técnica para fazer com que tais colisões aconteçam é a da colagem de uma série de diálogos entre as principais figuras públicas da época logo após o grande terramoto de Lisboa de 1755. (…) Dos Santos destaca e dá uma atenção especial, no centro deste vórtice social e intelectual, ao relacionamento entre Bocage e o abastado visitante inglês William Beckford. (…) O problema mundano, histórico, que Dos Santos evita é (saber) se Beckford realmente conheceu Bocage. (…) Dos Santos não se desconcertou perante esta dificuldade trivial sobre factos, porque no seu mundo de universos paralelos tal detalhe não é, em si próprio, conclusivo. Assim, ele faz com que aquelas duas figuras ligeiramente devassas “colidam” como os melhores dos amigos íntimos, e que rolam através das ruas da cidade na carruagem de Beckford para irem ver Pombal no Palácio dos Carvalhos. (…) Existem no livro cenas muito mais ousadas, e o relacionamento de Beckford e de Bocage desenrola-se num cenário heterodoxo e mesmo sexualmente perverso. Apesar de estas reconstruções não serem baseadas em qualquer prova documental, elas oferecem uma perspectiva deveras arguta do que poderia ter sido o próprio mundo de fantasia de Beckford. A figura sinistra de Pina Manique nunca sai de cena, mas existem muitos outros personagens contemporâneos que fazem a sua aparição. (…) Bravio, fantasista, divertido: penso que para desfrutar deste livro deve-se acompanhar voluntariamente Dos Santos numa jornada até um mundo multi-dimensional e imaginativo, em que observações interessantes e argutas se relacionam, mesmo que tenuemente, com o mundo muito mais banal da realidade histórica.» (Divulgação também no blog Simetria e no 1001 Mundos.)       

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Observação: Passos perdido(s)?

O actual primeiro-ministro de Portugal e o governo que lidera têm uma oportunidade única para deixar uma memorável e duradoura marca positiva na História contemporânea de Portugal. À partida, tal tarefa seria (e será?) fácil: os seis anos de (des)governos do Partido Socialista, liderado por essa figura desprezível chamada José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, foram tão maus, tão maus, tão maus… que muito dificilmente se faria pior.
Porém, nunca se esperaria que o percurso do executivo de coligação comandado por Pedro Passos Coelho fosse isento de contradições, de deficiências, de erros, que efectivamente têm acontecido. Por exemplo, não foram propriamente brilhantes os apelos (mais ou menos directos) à emigração, a constatação (a queixa?) de que os políticos não são bem pagos, e a denúncia dos potenciais «piegas». Sim, tais afirmações podem ter sido descontextualizadas, e sem dúvida que no passado recente houve «súcia-listas» que fizeram afirmações semelhantes. Mas as pessoas do PPD/ PSD e do CDS/PP já deveriam saber como a memória – e a comunicação social – podem ser selectivas em Portugal… pelo que deveriam ter mais cuidado com o que (e como o) dizem. No entanto, e obviamente, mais do que dizer, é necessário fazer… e bem. Antes de mais, gerir melhor os dinheiros públicos e privados, não gastar mais do que se recebe, pagar a quem se deve, diminuir os impostos; mas também proceder a alterações concretas… para melhor, na forma como se trabalha em Portugal. Incentivar, introduzir realmente e definitivamente a qualidade, o rigor e a transparência. Promover a responsabilização. Acabar com maus hábitos.  
Neste âmbito, a questão dos feriados assume um especial significado, e não apenas simbólico. Contudo, a não concessão neste ano de 2012 da tolerância de ponto no Carnaval – repetindo uma decisão errada tomada, há cerca de 20 anos, por Aníbal Cavaco Silva – foi excessiva e contraproducente: previsivelmente, as «desobediências municipais» sucederam-se. Quanto ao 5 de Outubro e ao 1 de Dezembro, acertou-se em metade: é de louvar, e de apoiar, a «desoficialização» de uma data que celebra a tomada do poder por criminosos, assassinos e terroristas que instauraram uma ditadura; mas é de lamentar, e de repudiar, a «desoficialização» de uma data que celebra a restauração da independência de Portugal. Não é de surpreender que Mário Soares, António Costa e António José Seguro tenham protestado mais sonoramente (ou exclusivamente) contra o fim do primeiro do que o segundo – para muitos «rosinhas» é mais importante ser republicano do que ser independente. E não existirá qualquer «compensação» num eventual «reforço» do 10 de Junho porque o 1 de Dezembro representa(va) o fim de algo iniciado… a 10 de Junho: a morte de Luís de Camões coincidiu com a perda da independência, pelo que aquele que é o «Dia de Portugal» constitui, de facto, o «Dia da União com Espanha».
Todavia, tão ou mais grave, por parte do actual governo, do que eliminar o 1 de Dezembro da lista de feriados oficiais, é a continuação da (tentativa de) imposição dessa aberração cultural que é o «acordo ortográfico». Tão empenhado, e acertadamente, em extinguir várias «sócretinices» que infesta(va)m a sociedade portuguesa, porque motivo o corrente executivo mantém esta, que, além de ilegítima e ilegal, é inútil e insultuosa? As explicações, as «teorias», abundam, mas para se aferir melhor a seriedade do assunto nada como verificar a mudança de opinião (?) de Pedro Passos Coelho sobre aquele. Recentemente, na AR, e em resposta ao «queixinhas», patético, secretário-geral do PS (que exigia a «desautorização» de Vasco Graça Moura que, coerente, corajosa e correctamente, desactivou o AO90 no CCB), Pedro Passos Coelho afirmou que o AO «entrou em vigor a 1 de Janeiro deste ano, assim o confirmam os manuais escolares, assim como todos os actos oficiais, e ele será cumprido». Contudo, em 2008, o então candidato à presidência do PPD/PSD considerava que o AO «não representa (qualquer) benefício para a língua e cultura portuguesa, pelo que não traria qualquer prejuízo que não entrasse em vigor. De resto, não vejo qualquer problema em que o português escrito possa ter grafias um pouco diferentes conforme seja de origem portuguesa ou brasileira. Antes pelo contrário, ajuda a mostrar a diversidade das expressões e acentua os factores de diferenciação que nos distinguem realmente e que reforçam a nossa identidade.»
Recorrendo a outras palavras do actual primeiro-ministro, e também recentemente proferidas, pode-se dizer que «uma nação com amor-próprio não anda de mão estendida»... a deitar fora a sua ortografia, parte da sua língua, da sua cultura, da sua identidade e dignidade. Que Pedro Passos Coelho não tenha dúvidas: o «aborto ortográfico» nunca entrará plenamente em vigor; a maioria dos portugueses nunca o aceitará, pelo que é uma «causa» perdida que nem a força do Estado será suficiente para tornar justa… e triunfante. Fica pois o aviso, e o conselho, ao PM: ouça as vozes que vêm de Portugal (e até do seu partido!) e também do Brasil e de Angola, e desista desta afronta. Ganhará em popularidade e em prestígio… se tomar a decisão certa. Preferíamos não o dar por perdido. Não queira cair no mesmo «clube» de um certo e desavergonhado energúmeno que agora se passeia em Paris. (Reflexão também no Esquinas (114) e no MILhafre (51).)

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Outros: Artigos contra o AO90 (Parte 2)

«Um muito mau negócio», Ricardo Pais; «As onze tretas a favor do Acordo Ortográfico», Orlando Braga; «Pare, escute e olhe! Ainda vamos a tempo de evitar o desastre!», Maria José Abranches; «Duas notas de fim de ano» e «Intimação ao Professor Malaca», Vasco Graça Moura; «Definitivamente “não” ao Acordo Ortográfico» (1ª parte/2ª parte), Bruno Caldeira; «Ortografia, fonética e grafia», Vítor Guerreiro; «A peste negra do Acordo Ortográfico» e «Ainda o (Des)Acordo Ortográfico», Manuel Augusto Araújo; «Não é uma evolução da língua, é uma deturpação», Hermínia Castro; «O Acordo é, efectivamente, um Desacordo», Hugo Picado de Almeida; «Desobediência civil», Luiz Fagundes Duarte; «O acordo (h)ortográfico», António Bagão Félix; «Carta ao Director do Diário de Notícias», António Marques; «Antiga ortografia», Pedro Mexia; «Naufragar é preciso?», João Pereira Coutinho; «Contra o processo de apagamento da identidade portuguesa em curso», «Contra a novilíngua do acordês» e «Contra a submissão ao Estado moderno na forma do acordês, acordai portugueses!», Samuel Paiva Pires; «Onde para o acento?», Nuno Pacheco; «O AO90 – à espera do fa(c)to consumado», Helena Barbas; «Porque estamos em (des)acordo», Luís Miguel Ferraz; «A trafulhice do conversor ortográfico do regime», António Emiliano; «Suspensão do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990: acto de coerência e de coragem», António Viriato; «A liberdade de escrita», Luís Menezes Leitão; «Um acto político de empobrecimento cultural», Luís Lobo; «A propósito de um conversor chamado Lince», Francisco Miguel Valada; «O cumprimento da ley visto por Joana Amaral Dias» e «O que esperamos para enterrar o acordo ortográfico?», João Roque Dias; «Consoantes mudas ou colunistas surdos?», Manuel Villaverde Cabral. (Divulgação também no Esquinas (113) e no MILhafre (50).)         

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Observação: Nem quem tem um «olho»

Uma das mais notáveis reflexões sobre o Regicídio de 1908 – do qual hoje se assinala mais um (triste) aniversário – que li recentemente está incluída num livro editado originalmente há 50 anos: «Barranco de Cegos», de Alves Redol. Em 2011 celebrou-se o centenário do nascimento daquele escritor, um dos fundadores e figuras proeminentes do neo-realismo português, e essa efeméride como que me «obrigou» a, finalmente, ler um dos seus romances. E fi-lo, no terceiro quadrimestre do ano passado, através de um exemplar da 2ª edição da obra acima referida, ainda por estrear (tive de cortar as páginas pois fora impresso «à antiga»), que os meus pais haviam adquirido na década de 60.
Essa reflexão sobre o assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe e as suas consequências, contida nos excertos que a seguir reproduzo, é atribuída a Diogo Relvas, o protagonista de «Barranco de Cegos»: «(…) A ditadura do João Franco começou com rompantes de varrer a feira e depois amaciou. Dizia-se que assim era preciso por causa do nosso temperamento doce. Veja a resposta: assassínios em plena rua, nas barbas da polícia e da guarda. (…) E aí estavam os seus receios justificados. Por quanto tempo se andaria ainda pela mão dos cegos, condutores de cegos? Convocara-se o Conselho do Estado, muito bem. E quando tudo indicava que se reforçassem as medidas da ditadura, eis que aparecia um governo de acalmação. Como se à violência houvesse que apresentar desculpas; como se fosse possível estabelecer qualquer compromisso com assassinos. Se não arranjavam coragem para fazer o que se impunha, ao menos que houvesse coragem para chamar ao novo Ministério um governo de medo. O que se propunha ao país era a cobardia colectiva. Exagerava?!... Então que deveria dizer-se do repúdio do passado, a que se atribuíam vícios? Sem dúvida que se podiam apontar alguns, mas não eram esses que se prometiam emendar agora, antes pelo contrário, pois o país carecia de autoridade e não de morigeração da mesma, sem a qual não há trabalho criador nem sossego nos espíritos. E o que se fazia?... Em vez do desterro abriam-se as portas das prisões aos detidos políticos, aos cúmplices dos regicidas, como se a própria Coroa desculpasse o crime, justificando-o até. Convidava-se João Franco a exilar-se e oferecia-se ao país uma monarquia à inglesa, e isto dito sem pejo nem vergonha, quando eram os ingleses que manobravam com os alemães nas chancelarias para nos roubarem os territórios ultramarinos. (…) E o novo rei e o Governo pactuavam com os organizadores da desordem, abolindo a lei que os poderia refrear e dando-lhes assim a certeza de que a violência colhia, que bastaria insistirem nela para mudarem as instituições. (…)»
Até que ponto estas palavras que saem da mente e da boca de Diogo Relvas, personagem, são também as de Alves Redol, escritor e autor daquele? Poderá o comunista republicano real ter partilhado a opinião, a posição, do conservador monárquico imaginário sobre aquele período da História portuguesa? Não sei, mas posso e devo divulgar o que aconteceu em 2010 aquando da sessão de homenagem a Carlos Pato – irmão de Octávio Pato (em honra de quem recebi o meu nome próprio) e ambos meus primos – promovida pelo Partido Comunista Português em Vila Franca de Xira, e a que eu assisti, no 60º aniversário da sua morte, assassinado pela PIDE. Naquele encontro Armindo Miranda, membro da comissão política nacional do PCP, aludiu expressamente aos monárquicos como estando entre os diversos grupos, movimentos e sectores político-ideológicos que combateram a ditadura do Estado Novo e de António de Oliveira Salazar. Nada mais do que a constatação de um facto; porém, e também pelo inesperado do local e do momento, foi algo agradável de ouvir. 
Certo é que o crime de 1908 viria a transformar Portugal numa terra de «cegos». Eliminados - pelo homicídio, pela prisão e pelo exílio - aqueles que tinham «olho», uma visão para um futuro verdadeiramente melhor, todo este país, inevitavelmente, caiu num enorme, metafórico (ou nem tanto...), «barranco». Do qual ainda não saiu. (Reflexão também no Esquinas (112) e no MILhafre (49).) (Adenda: subscrevi este manifesto.)   

terça-feira, janeiro 24, 2012

Observação: Se há Direita em Portugal…

… Ela não está representada actualmente no hemiciclo par(a)lamentar de São Bento nem no palácio rosa de Belém. Porque pessoas que são verdadeiramente de Direita já teriam anulado o «Acordo Ortográfico», revogado o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo, eliminado os incentivos estatais ao aborto, impedido a discussão sobre «maternidade de substituição», reactivado as fronteiras, reforçado as polícias, reintroduzido a pena de prisão perpétua… e confirmado a manutenção do feriado de 1 de Dezembro. Em vez disso, os que lá estão limitam-se a rejeitar… a proibição da tourada! Enfim, há que ser «conservador» de qualquer coisa, nem que seja da crueldade sobre animais! (Referência no Estado Sentido.) 

domingo, janeiro 15, 2012

Orientação: Um «Velho do Restelo», no Público

Na edição de hoje (Nº 7951) do jornal Público, e na página 54, está o meu artigo «"Velho do Restelo”, e com muito orgulho!». Um excerto: «Ao contrário de “acordos” e de “reformas” na ortografia anteriores, o AO90 assenta numa alteração radical: já não se trata de substituir (o “ph” pelo “f”, o “y” pelo “i”) ou de simplificar (deixar de haver consoantes repetidas) mas sim de cortar, eliminar, letras e acentos que são necessários, que têm funções concretas. É uma “mudança revolucionária” através de uma “ditadura de uma (muito pequena) minoria”.» Transcrição integral aqui. (Divulgação também no Esquinas (111) e no MILhafre (48). Referência igualmente no Águas do Sul e no Linguagista.) 

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Organização: «Espíritos…» em Washington

Um exemplar do meu livro «Espíritos das Luzes» foi adquirido em 2011 pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América, em Washington – a equivalente (mas com uma dimensão muito superior, aliás é a maior do Mundo) à Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa. Pode ver-se o respectivo ficheiro electrónico aqui. Quase três anos depois de ter sido lançado, o meu livro FC & F «retro-futurista» continua a «viajar» e a aparecer, às vezes nos locais mais inesperados; já deu origem a dois colóquios na BN - este e este - e ao projecto de investigação Ópera do Tejo/Lisboa Pré-1755; em 2010 foi tema de um encontro que homenageia Bocage, realizado em Setúbal na véspera de mais um aniversário do poeta que é também o dia (feriado) daquela cidade. E, porque continuo sem conseguir publicar qualquer outra das minhas obras, a minha saga setecentista alternativa, «noutro tempo e noutro espaço», da qual muito me orgulho, permanece a minha última investida em nome próprio num mercado literário de língua portuguesa deficiente, desequilibrado, desigual – em que uns conseguem concretizar tudo (ou quase) quando querem, e outros são como que obrigados a recomeçar sempre do zero, de pouco ou nada lhes valendo a originalidade, a persistência e o talento que demonstram ter.