terça-feira, julho 05, 2011

Obrigado: A António de Macedo…

… Que celebra hoje, 5 de Julho de 2011, o seu 80º aniversário. Eu sou apenas uma entre muitas pessoas que têm muito a agradecer-lhe: no meu caso, nem mais nem menos do que o início – após muitos anos de tentativas – da minha carreira literária, pois foi ele quem propôs a publicação de «Visões». E o prefácio que ele escreveu para o meu primeiro livro ainda hoje pode servir de comprovativo para todos os que, eventualmente, ainda hoje, questionam o meu talento… incluindo eu próprio, em momentos de maior desalento.
Arquitecto de formação, mas mais conhecido enquanto homem do cinema e da televisão, António de Macedo dedicou ao grande e ao pequeno ecrãs três décadas de actividade intensa, durante a qual se afirmou também como um dos maiores «activistas» portugueses da ficção científica e do fantástico, numa filmografia em que se destacam títulos como «Os Abismos da Meia-Noite», «Os Emissários de Khalom» e «A Maldição de Marialva». Impossibilitado de continuar a sua carreira audiovisual, dedicou-se decididamente ao ensino… e à escrita, tanto em ficção como em não-ficção, tendo congregado à sua volta uma nova legião de admiradores, amigos e discípulos. Desde a fundação da Simetria, de que foi e é um dos grandes vultos, tornou-se presença assídua e interveniente em practicamente todos os grandes encontros nacionais de FC & F. Entretanto, tornou-se um eminente especialista em Esoterismo e em estudo de religiões, num percurso em que o ponto culminante foi o seu doutoramento, concluído em 2010, e de que resultou o seu mais recente livro, «Cristianismo Iniciático».
Curiosamente, no ano em que nasceu – 1931 – foram estreados vários filmes que viriam a tornar-se marcantes. Antes de mais, a grande «trilogia clássica» do terror: «Drácula», de Tod Browning, com Bela Lugosi; «Frankenstein», de James Whale, com Boris Karloff; «Dr. Jekyll and Mr. Hyde», de Rouben Mamoulian, com Fredric March. E ainda: «City Lights», de (e com) Charles Chaplin; «The Public Enemy», de William A. Wellman, com James Cagney; «Little Caesar», de Mervyn LeRoy, com Edward G. Robinson; «Monkey Business», de Norman Z. McLeod, com os irmãos Marx; «Platinum Blonde», de Frank Capra, com Jean Harlow; «M», de Fritz Lang; «À Nous la Liberté», de René Clair; «Tabu», de F. W. Murnau… Pode-se dizer que veio ao Mundo sob bons auspícios… cinematográficos, pelo menos! Parabéns, Mestre! (Celebração também no Esquinas (96) e no MILhafre (35), e ainda no Simetria Blog.)          

quarta-feira, junho 15, 2011

Outros: Textos seleccionados

«Amanhã será um dia novo?», António Borges de Cavalho; «Breve nota sobre Camões», David Soares; «A tristonha cerimónia», José António Barreiros; «Por muito que gostasse», Luís Filipe Silva; «O país dos chicos-espertos», Luís M. R. Sequeira; «Erguer o copo saudando o António Cabrita», Manuel Augusto Araújo; «Sair de onde jamais deveríamos ter entrado», Nuno Castelo-Branco; «A ortografia não vai a votos», Nuno Pacheco. (Sugestões dadas também no Esquinas (95) e no MILhafre (34).)  

terça-feira, maio 31, 2011

Outros: «Espíritos…» no «E2»

No passado dia 3 de Maio o meu livro «Espíritos das Luzes» foi mencionado no programa de televisão «E2» emitido na RTP2, uma produção d(os alunos d)a Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa. Cristina Flora foi uma das convidadas, na rubrica «Um livro porque sim», para falar principalmente de uma obra sua - «Leva-me Esta Noite» - mas também recomendou outras três… entre as quais a minha, que classificou de «genial». Muito, muito obrigado para ela… e para a ESCS. O vídeo do referido programa pode ser visto aqui.

sexta-feira, maio 20, 2011

Opções: Ministério… não é fundamental

No passado dia 2 de Maio foi aberta uma petição contra a eventual extinção do Ministério da Cultura no governo de Portugal que resultar das eleições legislativas de 5 de Junho próximo. Que já foi subscrita, no momento em que escrevo, por mais de 1200 pessoas, algumas das quais eu conheço pessoalmente, estimo e admiro. E que, ao fazê-lo, me desiludiram bastante.
Eu não assinei nem vou assinar esta petição. Porque, objectivamente, na práctica, esta iniciativa é (mais) um instrumento de apoio a José Pinto de Sousa. Porque não é o PS mas sim o PSD que pondera a hipótese – admitida no seu programa eleitoral – de colocar a pasta da Cultura a cargo não de um ministro(a) mas sim de um(a) secretário(a) de Estado. Aliás, esta é uma situação com semelhanças à da RTP, cuja comissão de trabalhadores se insurgiu contra a proposta, também prevista pelo partido liderado por Pedro Passos Coelho, de privatização da estação pública – uma posição «laboral» que ilustra bem o conceito de «interesses instalados». E, que se saiba, a CT da RTP não protestou contra a imposição do AO na empresa…
A petição em causa foi lançada pela Sociedade Portuguesa de Autores, presidida por José Jorge Letria que é, desde há muito tempo, um fiel compagnon de route do Partido Socialista. E quem colocar nela a sua assinatura está a dar implicitamente – e inconscientemente? – a sua autorização para ser utilizado como mais um peão na luta do actual, mentiroso, irresponsável, incompetente, desavergonhado, autoritário, abusador primeiro ministro para se manter no poder. Para este «peditório» eu não dou. E apelo veementemente a que mais ninguém dê. Já agora, porque é que os proponentes e os signatários desta petição não lançam outra contra a utilização de serviços públicos – sim, do MC! – em propaganda partidária, não uma mas sim duas vezes? Ou porque não protestam contra o lamentável colaboracionismo de Gabriela Canavilhas no Acordo Ortográfico? Uma ministra que diz que a sua «despromoção» a secretária seria um «retrocesso civilizacional»... mas não a promoção da tauromaquia!
Não é, obviamente, e como se tem comprovado nos últimos anos, a existência de um ministério que resolve todos os problemas que afectam a área da cultura no nosso país. Tal só pode ser feito com a definição e a concretização efectivas de uma política cultural articulada, ambiciosa e abrangente sem deixar de ser realista. E que pode perfeitamente ser dirigida através de uma secretaria de Estado. Assim, não se atribua mais importância aos meios do que aos fins. (Aviso reforçado no Esquinas (94) e no MILhafre (33).)
(Adenda de 2011/6/28 – Já completamente formado o novo governo, resultante de uma coligação entre o PSD e o CDS, confirma-se que a Cultura passa, de facto, a ser uma Secretaria de Estado – a cargo de Francisco José Viegas – e fica na dependência de… Pedro Passos Coelho. Exactamente: o ministro da Cultura é… o próprio primeiro-ministro! Será que os promotores e subscritores desta petição ainda pensam que houve uma «despromoção»?)  

quinta-feira, maio 05, 2011

Ocorrência: Foi há 25 anos…

… Isto é, a 5 de Maio de 1986, que aconteceu o acidente ferroviário na Póvoa de Santa Iria, um dos mais graves da história dos caminhos de ferro em Portugal. Dele resultaram 17 mortos e 83 feridos, na maioria jovens, estudantes, entre os quais amigos e conhecidos meus. Os que os conheciam mas que tiveram a sorte de não seguir naquele comboio também ficaram marcados para sempre.
Há cinco anos, aquando do vigésimo aniversário, reproduzi aqui o artigo «Não (n)os esqueceremos», que escrevi e publiquei no jornal Notícias de Alverca poucos dias depois da tragédia. Este ano, ao se atingir a marca de um quarto de século, decidi que as vítimas mereciam um memorial mais visível. Pelo que contactei Conceição Lino, minha antiga colega de escola, e que, tendo vivido muitos anos em Alverca do Ribatejo, conhecia vários dos acidentados e também acompanhou de perto o sucedido. Graças a ela foi produzida e divulgada hoje uma reportagem na SIC. E encontrei também evocações aqui e aqui.
De entre os que desapareceram naquele dia, um houve cuja perda me custou mais: Francisco Monteiro. Tínhamos a mesma idade, éramos amigos, fomos colegas de turma, partilhávamos a paixão pelo rock & roll, em especial o mais «duro» e «pesado». Recordo-o ao som do tema-título do seu disco favorito: «Back In Black», dos AC/DC… uma canção, ela própria, em honra de alguém que morreu. (Homenagem também no Esquinas (93) e no MILhafre (32).)

sábado, abril 30, 2011

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2011

A literatura: «Cartas Italianas», Luís António Verney; «Contos Fantásticos», Teófilo Braga; «Manifestos e Conferências», José de Almada Negreiros; «O Sétimo Segredo», Irving Wallace; «As Atribulações de Jacques Bonhomme», Telmo Marçal; «O Amor Infinito Que te Tenho e Outras Histórias», Paulo Monteiro; «Com a manhã chega a neblina», George R. R. Martin; «Brinca comigo!» e «Uma noite na periferia do império», João Barreiros; «O dilema do Capuchinho Vermelho», «O feitiço pink» e «Tempo Divino», Cristina Flora.
A música: «Indigo Nights/Live Sessions», Prince; «Duran Duran», Duran Duran; «Com Que Voz», Amália Rodrigues; «Teenage Dream», Katy Perry; «Black Holes And Revelations», Muse; «Os Ferrinhos, o Adufe e a Guitarra», Paco Bandeira; «Greetings From Asbury Park, N. J.», Bruce Springsteen; «Eito Fora», Brigada Victor Jara; «Leopoldina Apresenta Clássicos Infantis Interpretados por...», Ana Moura, Anaquim, David Fonseca, Deolinda, e outros; «Le Voyage Magnifique – Impromptus», Franz Schubert (por Maria João Pires).
O cinema: «História do Brinquedo 3», Lee Unkrich; «A Equipa A», Joe Carnahan; «Ilha Shutter», Martin Scorsese; «Apocalypto», Mel Gibson; «O Dia em que a Terra Parou», Scott Derrickson; «Corpo de Mentiras», Ridley Scott; «Os Amores de Astrée e de Celadon», Eric Rohmer; «A Fonte» e «O Batalhador», Darren Aronofsky; «Babel», Alejandro González Iñárritu; «Michel Vaillant», Louis-Pascal Couvelaire; «Homem Sim», Peyton Reed; «O Bom Pastor», Robert De Niro; «O Que Acontece em Vegas», Tom Vaughan; «O Guardião», Andrew Davis; «A Proposta», Anne Fletcher; «Elizabethtown», Cameron Crowe; «O Laço Branco», Michael Haneke; «Os Dispensáveis», Sylvester Stallone; «Estado da Situação», Kevin Macdonald; «Viúva Rica Solteira Não Fica», José Fonseca e Costa; «O Caso Curioso de Benjamin Button» e «A Rede Social», David Fincher; «A Bela e o Paparazzo», António Pedro de Vasconcelos; «Milk», Gus Van Sant; «Tem que Gostar de Cães», Gary David Goldberg; «Rio», Carlos Saldanha; «O Internacional», Tom Tykwer; «Com Que Voz», Nicholas Oulman.
E ainda...: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira/Galeria Paulo Nunes – Exposições «Colectiva Projecto 1/Arte Contemporânea» + «Amar-te a Vida Inteira» de Ana Pimentel + «Favelão» (instalação) de Gilvan Nunes; Câmara Municipal de Vila Franca de Xira – CartoonXira 2011 + Willem/«De Mal a Pior»; Ler Nº 100; Sociedade Histórica (/Palácio) da Independência de Portugal – Colóquio «Recordar Fialho de Almeida no Centenário da sua Morte»; Associação Lycos-Despertar para o Desenvolvimento – Workshop/Sinapse por Miguel Gaspar «Como escrever e ser compreendido» (Hotel Berna Lisboa) + Workshop/Sinapse por Luís Bettencourt Moniz «Oficina de gestão de objectivos e gestão de tempo» (Hotel Melia Aveiro); Museu do Neo-Realismo – Exposições «Batalha pelo Conteúdo» - Movimento Neo-Realista Português» + «O Passado e o Presente – Outro Olhar sobre a Colecção do MNR»; Embaixada da Polónia/Galeria de Exposições da Direcção Geral da Administração da Justiça – Exposição «Totem Polaco» de Anna Stankiewicz-Odoj e de Mariola Landowska.

segunda-feira, abril 25, 2011

Orientação: Sobre o «socretinês», n’O Sul

Na edição de Abril (Nº 15) d’O SUL (jornal cultural e de debates, regional, com sede em Setúbal), e na página 6, está o meu artigo «Escrever em “socretinês”». Versão virtual incluída no suporte digital de outro jornal da capital do Sado, o Sem Mais, aqui. Reprodução do meu artigo também no Esquinas (92) e no MILhafre (31).

Oráculo: Uma distopia, talvez em 2013

Faz hoje um ano que comecei a escrever aquela que é – vai ser – a minha segunda «narrativa em prosa de longa duração» (não consigo habituar-me a utilizar a palavra «romance», que considero restritiva e algo arcaica), e que, nesse âmbito, se seguirá a «Espíritos das Luzes». E, assim como este, será outro livro tal como nunca houve outro igual – original no conteúdo e também na forma. Mais do que isso: promete ser a obra mais polémica, controversa, até chocante, das últimas décadas... e não só em Portugal. Pode parecer um exagero, mas estou a medir bem as minhas palavras.
Na verdade, este meu livro está a ser preparado tendo também como objectivo a «exportação», a tradução e a divulgação em outros países e línguas. Fundamentalmente, tratar-se-á de uma distopia (para alguns poderá ser uma utopia…) situada num futuro próximo, provável, alternativo. Simplificando ao máximo, posso dizer que será o meu «Bravo Novo Mundo», o meu «Mil Novecentos e Oitenta e Quatro». Em que a ideia, o conceito principal, consiste na existência de duas grandes classes, grupos, de pessoas – um de opressores, outro de oprimidos. E é precisamente na proposta, no imaginar de quem são uns e outros que reside a «provocação»... talvez a mais «políticamente incorrecta» possível nos dias de hoje.
Se a minha previsão deste (meu) «trabalho em progresso» se concretizar, esta minha obra deverá estar pronta para publicação em 2013... isto, claro, se houver editor(es) suficientemente corajoso(s) e leitores suficientemente curiosos para se «arriscarem», respectivamente, a publicá-la e a adquiri-la. Se escrever este livro é certamente para mim um acto de liberdade… e de libertação, provavelmente não o deverá ser menos para quem o ler. (Anúncio também no blog Simetria.)

sábado, abril 16, 2011

Ordenação: 20 livros...

... Inesquecíveis. Que me impressiona(ra)m. Que me marca(ra)m. Que me influencia(ra)m. Provavelmente, mais emocionalmente do que intelectualmente, pela substância, pelo estilo, por ambos. Onde há ficção e não ficção, prosa e poesia, banda desenhada, biografia, enciclopédia, crónica, crítica, controvérsia. Depois dos 20 filmes e dos 20 discos, não foi tão fácil listar os 20 livros «da minha vida»... daí a demora na elaboração e apresentação deste «terceiro capítulo dos “20 mais”.» Não serão exactamente os 20 melhores livros que já li, hoje (tal como ontem) talvez não me reveja inteiramente no conteúdo de alguns, mas são aqueles de que, instantaneamente, me lembrei... e a vários voltei, ou ainda volto, repetidamente, ao longo dos anos. São eles...
... «Discurso Patético», Cavaleiro de Oliveira (1756); «Viagens na Minha Terra», Almeida Garrett (1843); «As Flores do Mal», Charles Baudelaire (1857); «Uma Campanha Alegre», Eça de Queiroz (1890); «O Anti-Cristo», Friedrich Nietzsche (1895); «O Processo», Franz Kafka (1925); «O Assassinato de Roger Ackroyd», Agatha Christie (1926); «Esteiros», Soeiro Pereira Gomes (1941); «Quinta dos Animais», George Orwell (1945); «Vida de Charlot», Georges Sadoul (1952); «História da Literatura Portuguesa», António José Saraiva e Óscar Lopes (1955); «A Queda», Albert Camus (1956); «Os Carros do Inferno», Sven Hassel (1958); «O Cavalheiro de Domingo», Irving Wallace (1965); «Cem Anos de Solidão», Gabriel Garcia Márquez (1967); «Fórmula 1», Jean Perilhon (1971); «Rush», Jean Graton (1972); «A Enciclopédia do Rock Ilustrada», Nick Logan e Bob Woffinden (1976); «Batman: O Cavaleiro Negro Regressa», Frank Miller (1987); «O Evangelho Segundo Jesus Cristo», José Saramago (1991).

domingo, abril 03, 2011

Opções : ILC contra o AO

Através do preenchimento e do envio do documento correspondente, subscrevi a «Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui. Esta é uma posição que reiterei no Esquinas (91) e no MILhafre (30).   

domingo, março 27, 2011

Orientação: Sobre propaganda, no Público

Na edição de hoje (Nº 7659) do jornal Público, e na página 32, está o meu artigo «Propaganda e provocação». Um excerto: «Não se está a afirmar que todos os trabalhadores e colaboradores da RTP sejam cúmplices activos das regulares manobras de manipulação que nela se concretizam – e que, em alguns momentos, quase colocam a televisão oficial portuguesa na mesma (falta de) “categoria” das suas congéneres chinesa e norte-coreana. No entanto, sem dúvida que aparecem como espectadores (ou será “espetadores”?) passivos da crescente degradação da empresa, onde a aplicação do “acordo ortográfico” constitui disso o sinal mais recente.» (Referência também no Esquinas (90) e no MILhafre (29), e ainda em: Causa MonárquicaEstado Sentido; Família Real Portuguesa; Real Associação da Beira Litoral.)

segunda-feira, março 21, 2011

Outros: Traços de transfiguração

Após o ter apresentado, em 2010, na Amadora e em Beja, em 2011 o meu querido amigo Paulo Monteiro, que conheço há mais de 25 anos, voltou a Alverca do Ribatejo para apresentar o seu primeiro livro.
«O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias» é constituído por dez pequenas narrativas que demonstram outras tantas abordagens, estilos, formas de abordar o – muito peculiar, pessoal – universo fantástico do seu autor. Universo esse em que as linhas, os traços se transfiguram continuamente, em que as pessoas se podem confundir, ou até mesmo transformar, em animais e em árvores, em que as dimensões não são constantes, em que os tempos não são lineares. Enfim, em que as leis da Natureza não se aplicam… só a vontade do artista. Todas as mutações são possíveis desde que sirvam e valorizem uma ideia, uma história, um sentimento relevante.
Os únicos «defeitos» de «O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias» são... ser demasiado pequeno (68 páginas)… e tardio: já há muito que nós, os seus amigos e admiradores, esperávamos que o Paulo Monteiro finalmente reservasse, para a elaboração de um livro seu, uma pequena parte do esforço e da disponibilidade que tem aplicado, há mais de uma década, na organização, participação e divulgação de muitas iniciativas relacionadas com BD – não só no Alentejo, que se tornou o seu território (e que lhe deve a criação de uma bedeteca e de um festival), mas também no resto do país e até no estrangeiro. Após tantos anos a apoiar outros autores já era altura de ser ele o protagonista... e merece-o. Tanto que é igualmente um dos 41 criadores presentes na exposição «Tinta nos Nervos – Banda Desenhada Portuguesa», no Museu Berardo, em Lisboa, até 27 de Março. (Recomendação também no Esquinas (89) e no MILhafre (28), e ainda no Simetria Blog.) 

quarta-feira, março 16, 2011

Outros: «Espíritos...» em Inglaterra

Por sugestão minha, foi enviado pela Gailivro na semana passada, tendo chegado ontem, um exemplar de «Espíritos das Luzes» a Inglaterra, mais concretamente à Beckford Society (e a Sidney Blackmore, o seu secretário), instituição que se dedica a preservar, a divulgar e a estudar a vida e a obra de William Beckford, que é um dos protagonistas principais daquele meu livro; daquela sociedade já havia recebido a mais recente edição da sua publicação principal, The Beckford Journal. Este intercâmbio pode igualmente ser entendido como o meu contributo, necessariamente modesto (e atrasado), para a celebração (em 2010) do 250º aniversário do nascimento daquele autor inglês. E esta é a segunda vez que é entregue para lá do Canal da Mancha a uma entidade específica de cariz cultural um trabalho meu com ela relacionado: no ano passado o Tennyson Research Centre já tinha dois exemplares da minha tradução de «Poemas» de Alfred Tennyson, editada pela Saída de Emergência.

sexta-feira, março 04, 2011

Obrigado: Aos que compareceram...

... Hoje, no Palácio da Independência, em Lisboa, para assistirem ao (e participarem no) colóquio «Recordar Fialho de Almeida no Centenário da sua Morte», uma iniciativa minha que eu co-organizei com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal. A esta eu expresso, pela disponibilidade e pela colaboração, a minha gratidão, nas pessoas de Jorge Rangel, presidente da Direcção, e de Ana Proserpio, responsável pelos Serviços Culturais da SHIP. E também um «muito obrigado» muito especial aos especialistas (docentes e investigadores) em história e literatura portuguesas que aceitaram o meu convite para serem oradores: Duarte Drumond Braga, Isabel Pinto Mateus e Ricardo Revez.
De referir que o colóquio foi divulgado na blogosfera e na comunicação social. Destaco: Corta-Fitas; Instituto da Democracia Portuguesa; Nova Águia; Os Meus Livros (na agenda (página 14) e num artigo (páginas 28 e 29) da edição de Março de 2011, Nº 96, escrito por João Morales, director da revista); RTP2 (no programa «Câmara Clara»). É de destacar também o programa da TSF «Aos Domingos com Fialho», cuja emissão de 13 de Março teve como convidada Isabel Pinto Mateus. 

sábado, fevereiro 26, 2011

Orientação: Sobre Eno e Byrne, na Blitz

Na edição de Março de 2011 (Nº 57) da revista Blitz, e nas páginas 30-34 (na rubrica «Retrovisor»), está o meu artigo «Os fantasmas saíram do arbusto», sobre o disco «My Life in the Bush of Ghosts», de Brian Eno e de David Byrne, a propósito dos 30 anos do seu lançamento. Faço notar que, apesar de a Blitz (tal como todas as publicações do grupo Impresa) ter aderido ao Acordo Ortográfico, este meu artigo constitui, obviamente, uma excepção, estando escrito em português normal e decente.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Outros: Flora digital

Cristina Flora, mais do que uma querida amiga, é uma competente e talentosa colega no jornalismo e na literatura. Autora de três romances publicados («A Saudade do Rei», «A Inconstância dos Teus Caprichos» e «Leva-me Esta Noite»), é também uma dedicada contista, disso sendo talvez o melhor exemplo (e o mais conhecido) o que escreveu para «A República Nunca Existiu!», intitulado «A Rainha adormecida», que aliás fecha (com «chave de ouro») o primeiro volume daquela antologia.
Disponível para novas experiências, e sem paciência para esperar pelas respostas de editoras cujas preferências e critérios editoriais são muitas vezes incompreensíveis, Cristina Flora decidiu no ano passado criar uma nova página no Facebook: Contos On-Line, um autêntico «jardim digital» onde tem cultivado «flores e frutos» narrativos, pequenos mas «nutritivos», que dão por nomes como «O dilema do Capuchinho Vermelho», «O feitiço pink» e «Tempo divino» - enredos que (confirmando o estilo da autora) têm o amor como tema central e em que o «fantástico», em vez de «inquinar» a realidade com ideias e situações insólitas, integra-as para assim mais a enriquecer e a fortalecer. Boas leituras! (Recomendação também no Esquinas (88) e no MILhafre (27), e ainda no Simetria Blog.)

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Oráculo: 100 anos após Fialho, na SHIP

No próximo dia 4 de Março de 2011 assinala-se o centenário da morte do escritor Fialho de Almeida. E, na mesma data, a partir das 17.30 horas, realiza-se no Palácio da Independência, em Lisboa, um colóquio evocativo da efeméride, numa co-organização com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal – que aceitou uma proposta minha nesse sentido.
Serão três os oradores, todos eles especialistas da vida e da obra do autor de «Os Gatos» e da história e da literatura portuguesa da sua época: Duarte Drumond Braga, cuja tese de mestrado se intitulou «Espaço e Imaginário da Fronteira em "O Sentimento dum Ocidental", em Narrativas de Fialho de Almeida e n'"Os Pobres" de Raul Brandão»; Isabel Pinto Mateus, cuja tese de doutoramento se intitulou «Kodakização e Despolarização do Real: Para uma Poética do Grotesco na Obra de Fialho de Almeida» - publicada pela Editorial Caminho em 2008, tendo conquistado dois prémios de ensaio (Óscar Lopes e PEN); Ricardo Revez, cuja tese de doutoramento se intitulou «A Ideia de Decadência Nacional em Fialho de Almeida».
É de referir, e recordar, que Isabel Pinto Mateus e Ricardo Revez já haviam estado presentes, enquanto oradores, em outro colóquio sobre Fialho de Almeida, realizado, aquando dos 150 anos do nascimento do escritor, em 2007 no Gabinete de Estudos Olisiponenses, também sob sugestão minha.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Obras: Vem aí o Volume 2...

... De «A República Nunca Existiu!» O dia em que se assinala mais um aniversário (o centésimo terceiro) do assassinato, por republicanos, do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe, constitui o momento adequado para se fazer um breve ponto da situação da segunda parte da antologia colectiva de contos de história alternativa que eu concebi, cujo primeiro volume foi lançado em 2008.
A edição continua a estar prevista para o primeiro semestre deste ano; alguns dos autores convidados já concluiram e enviaram-me os seus contos – entre eles está António de Macedo; Pedro Piedade Marques, que realizou o (magnífico) desenho de paginação de «Poemas» de Alfred Tennyson (que eu traduzi), vai fazer o mesmo trabalho n’«A República... 2». E eu já redigi a versão inicial da introdução, de que transcrevo em seguida um excerto:
«(...) Apesar de não ter sido (de longe!) o mais vendido no historial da Saída de Emergência, este livro («A República Nunca Existiu!») foi, quase de certeza, o que mais referências recebeu, e durante o maior período de tempo, de entre todos os que já foram lançados por este grupo editorial. Houve, há, obviamente, um motivo principal para esta “durabilidade”, e deve-se dizê-lo sem falsas modéstias: a originalidade, e até a ousadia, do conceito que lhe está na base. A que se deve acrescentar o momento em que foi concretizado: entre dois centenários, o do Regicídio e o da implantação da República, quando, previsivelmente, a disponibilidade para produzir e para consumir factos e ficções relativos à História (mais ou menos) recente de Portugal aumentou, e muito. E, logo após a edição do primeiro volume, cedo ficou evidente que se justificava a edição de um segundo: o assunto ainda dava muito «pano para mangas», ainda proporcionava muita «margem de manobra», e havia outros autores com os quais eu muito gostaria de colaborar, de trabalhar, num projecto deste tipo. E não há que escondê-lo: o objectivo inicial era mesmo lançar este segundo volume de contos sobre um “Portugal alternativo” aquando dos 100 anos da República, em Outubro de 2010. Contudo, e por motivos a que não interessa agora aludir, tal não foi possível. Mas até foi melhor assim; há “males que vêm por bem”. “A República Nunca Existiu! – Volume 2” é lançado num “ambiente” mais “desanuviado” em termos “literário-comemorativísticos”. (...)»

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Opções: Pelos Painéis de São Vicente

Assinei hoje a petição/carta aberta «À Senhora Ministra da Cultura do Governo de Portugal» sobre a realização de «uma outra exposição, esta de arte contemporânea, intitulada “D’Après Nuno Gonçalves”, e compreendendo as vertentes de pintura, escultura, instalação, vídeo e fotografia» no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui. Esta é uma posição que reiterei no Esquinas (87).

domingo, janeiro 23, 2011

Observação: Das eleições de hoje se conclui...

.... Definitivamente que Portugal, cuja maioria dos eleitores continua a dar vitórias claras a Pinto de Sousa e a Cavaco Silva mesmo quando já há um conhecimento completo das suas execráveis personalidades e comportamentos, merece todo o mal que lhe acontece. (Lamento também no Esquinas (86) e no MILhafre (26).)