domingo, abril 30, 2006

Olhos e Orelhas: Primeiro quadrimestre de 2006

«Olhos e Orelhas» é um novo espaço - uma nova «rubrica» - de «Octanas» em que, de quatro em quatro meses, darei a conhecer (quase todos) os produtos culturais e de entretenimento que «consumi», em «estreia», durante o período precedente. A literatura, a música (em CD), o cinema (nas salas, na televisão, em DVD)... e não só.

A literatura: «Páginas Despidas», Ozias Filho; «Contos Místicos», Maria de Menezes; «O Alquimista» e «Maktub», Paulo Coelho; «Sou Português... E Agora?», Luís Filipe Borges; «Bons Augúrios», Neil Gaiman e Terry Pratchett.
A música: «Confessions On A Dance Floor», Madonna; «Bitches Brew», Miles Davis; «The Slider», Marc Bolan & T-Rex; «Burn», Deep Purple; «Resistir É Vencer», José Mário Branco; «3121», Prince; «Te Deum», João de Sousa Carvalho (pelo Coro e Orquestra Gulbenkian de Lisboa dirigidos por Michel Corboz).
O cinema: «Sr. e Sra. Smith», Doug Liman; «A Ilha», Michael Bay; «A Cidade do Pecado», Robert Rodriguez e Frank Miller; «O Aviador», Martin Scorsese; «O Grinch», Ron Howard; «Eu, Robot», Alex Proyas; «Gosford Park», Robert Altman; «O Delfim», Fernando Lopes; «O Cabo do Medo», Martin Scorsese; «Inimigo às Portas», Jean Jacques Annaud; «28 Dias Depois», Danny Boyle; «Agatha», Michael Apted; «Kilas, o Mau da Fita», José Fonseca e Costa; «EdTV», Ron Howard; «Dia de Treino», Antoine Fuqua; «Hulk», Ang Lee; «A Máquina do Tempo», Simon Wells; «Confissões de uma Mente Perigosa», George Clooney; «Seabiscuit», Gary Ross; «Donnie Darko», Richard Kelly; «A Paixão de Cristo», Mel Gibson; «Capitães de Abril», Maria de Medeiros.

Oráculo: «Os Novos Descobrimentos» é editado em Julho

«Os Novos Descobrimentos - Ensaios sobre História, Política, Economia e Cultura Lusófonas: do Império à CPLP», livro escrito por mim e pelo meu amigo e colega Luís Ferreira Lopes, vai ser publicado no próximo mês de Julho pela editora Almedina. Esta obra, que reúne mais de 20 textos sobre aqueles temas, a maior parte dos já quais publicados em diversos jornais e revistas, e que começámos a escrever, individualmente ou em conjunto, há quase 20 anos, vai assim, tudo o indica, estar disponível aquando da celebração dos dez anos da fundação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Oportunamente darei a conhecer mais pormenores sobre a edição e também de datas e locais de lançamento.

terça-feira, abril 25, 2006

Opinião: Revolução ou reformas?

Apesar de a instituição militar ser merecedora das mais severas críticas, é importante não esquecer que todos os portugueses lhe devem muito: sem os Capitães, o 25 de Abril não teria acontecido.
Mas hoje, passados que são quinze anos sobre o Dia da Liberdade, não falta quem afirme que a época das revoluções já passou, que o «espírito revolucionário» já se perdeu... definitivamente. Actualmente, não é a Revolução que está na moda mas sim o Mercado Único de 1992 – aliás, isto pode ser exemplarmente demonstrado pelos inúmeros casos de «revolucionários» que posteriormente se converteram (reciclaram?) em «europeístas». E também são muitos os que dizem que o 25 de Abril pouco ou nada significa para os jovens. Mas será mesmo assim?
Durante muito tempo se discutiu: revolução ou reformas? Em Portugal parece ter-se optado pelas reformas. Todavia, se analisarmos aquelas que têm sido aplicadas recentemente, não podemos deixar de ficar, no mínimo, surpreendidos com o seu carácter um tanto ou quanto... peculiar: com a «reforma» do ensino, o acesso à Universidade é ainda mais difícil; com a «reforma» fiscal, paga-se ainda mais impostos; com a «reforma» da justiça, o provérbio «o crime não compensa» tornou-se completamente obsoleto. Com «reformas» destas, não será melhor deixar tudo como está?
Não! Há que mudar, há que transformar, para mais e para melhor. No entanto, isso será extremamente difícil, se não impossível, enquanto a imoralidade, sob as formas de corrupção impune, incompetência institucionalizada ou ostentação fútil continuar a prevalecer em Portugal. Neste país os atentados à legalidade e à ética sucedem-se, quantas vezes em nome de um «interesse público» muito duvidoso. Exemplos? Um programa televisivo de grande qualidade é censurado, invocando-se «valores históricos» arcaicos e ridículos; num concurso público para a atribuição de frequências de rádio são contemplados membros do júri; um ministro envolvido em negócios pouco claros anuncia, sorridente, a entrada em vigor de medidas económicas extremamente restritivas, que vão diminuir o poder de compra e o nível de vida, já de si fracos, da maioria dos portugueses. A lista é extensa e não fica por aqui.
Face ao acumular destas situações – que, é certo, não são só de agora – os portugueses acreditam cada vez menos em si próprios e no seu país. Esta descrença exprime-se não só na emigração mas também na reduzida participação na vida colectiva, aos níveis político, social e cultural. Mas é exactamente ficando e participando que os portugueses poderão modificar este estado de coisas.
Os grandes ideais e objectivos com os quais se fez o 25 de Abril encontraram uma excelente tradução na fórmula dos três «D»: Descolonizar, Democratizar e Desenvolver. Porém, é preciso acrescentar hoje outro «D»: Dignificar. Muito há a fazer neste aspecto em Portugal. Por isso, o 25 de Abril não acabou. Pelo contrário: a Revolução ainda está a começar.

Artigo publicado no boletim DivulgACÇÃO, Nº 3, 1989/6.

domingo, abril 16, 2006

Origens: Uma breve biografia («segunda edição»)

Octávio José Pato dos Santos nasceu em Lisboa a 16 de Abril de 1965. Começou a escrever poesia em 1978, e o seu primeiro poema foi publicado na edição de Maio de 1979 da revista O Professor – inserido, com outros, num artigo da Professora Doutora Leonor Arroio Malik, que era então a sua docente de português. O tema desse artigo era uma exposição de textos e de desenhos, feitos por alunos da Escola Secundária Gago Coutinho de Alverca do Ribatejo, sobre o livro «Esteiros», de Soeiro Pereira Gomes.
Após passar pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, segue Sociologia no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, onde foi um dos alunos a concluir o primeiro seminário (especialização) de Sociologia da Comunicação daquela licenciatura; a sua tese foi orientada pelo Professor Doutor José Manuel Paquete de Oliveira. Naquele estabelecimento de ensino foi ainda membro da Direcção e Presidente do Conselho Fiscal da Associação de Estudantes do ISCTE, membro da Assembleia de Escola e da Assembleia Especial para a Aprovação dos Estatutos do ISCTE, membro do Conselho Directivo do ISCTE, e membro da Comissão Executiva do 1º Encontro Nacional de Estudantes de Sociologia, realizado em 1990.
Com excepção de um breve estágio em publicidade na McCann Erickson Portugal em 1991, e de colaborações pontuais e posteriores em outras instituições, praticamente toda a sua carreira tem sido feita no jornalismo. Actividade que iniciou em 1985, enquanto «amador», como redactor e chefe de redacção do jornal regional Notícias de Alverca, e que prosseguiu como coordenador do DivulgACÇÃO, boletim informativo da Associação de Estudantes do ISCTE. Enquanto profissional, começou na (equipa inicial da) revista TV Mais, esteve na revista África Hoje, e desde 1997 que observa de perto a evolução do sector das tecnologias de informação, media e telecomunicações em Portugal. Ao serviço das revistas Cyber.Net, Inter.Face e Comunicações, foi distinguido - com, respectivamente, um primeiro lugar absoluto, uma menção honrosa e um co-primeiro lugar ex-aequo - em três anos consecutivos – 1998, 1999 e 2000 - pelo Prémio de Jornalismo Sociedade da Informação, uma iniciativa do anterior Ministério da Ciência e da Tecnologia. Eis os títulos desses três artigos premiados: «A cartilha virtual», «A vida em sociedade» e «No país dos comerci@ntes» - este escrito com João Paulo Aires.
Colaborou e/ou colabora em outros jornais e revistas, nomeadamente A Capital, Diário de Notícias, Diário Digital, Diário Económico, Finisterra, Fórum Estudante, Jornal de Leiria, Media XXI, Número, Page, Público, Seara Nova, Semanário, Tempo, Vértice e Vida Ribatejana.
Leitor desde criança de livros, clássicos e modernos, de todos os géneros literários, é porém na música e no cinema que tem as suas principais fontes de inspiração e de influência. Contudo, o seu fascínio pela cultura popular anglo-americana é superado pela sua paixão pela lusofonia. Sobre este tema: escreveu vários artigos; mantém, desde 1988, um arquivo de imprensa; e prepara actualmente, enquanto principal projecto profissional, a edição da revista MAR, que tem como lema e objectivo (noticiar os casos de) «sucesso que fala(m) português».
Após 18 anos a tentar editar as suas obras, «Visões» – escrito na sua maior parte em 1997 mas que inclui textos elaborados em 1982 e em 1985/87 – constituiu, em Novembro de 2003, a sua estreia literária. Este livro é o Nº 7 da colecção - dirigida pelo escritor e cineasta António de Macedo - «Bibliotheca Phantastica» da Hugin Editores. Dois dos contos que o integram - «A caixa negra» e «Caminhos de ferro» – já haviam sido seleccionados como «merecedores de publicação» pela associação Simetria FC & F, no âmbito da edição de 2000 do seu Prémio Literário de Ficção Científica. «Visões» foi novamente editado, em Novembro de 2005, pela Solutions by Heart, em formato áudio-livro (disco com leitura/representação de textos).
Entre os seus outros livros já prontos para publicação, e registados na Inspecção Geral das Actividades Culturais, incluem-se: «Alma Portuguesa», «Espelhos» e «Museu da História» (poesia); «Espíritos das Luzes» e «Festas» (prosa); «Códigos», «Estados» (escrito com Rui Almas), «Nautas», «O Novo Portugal» e «Os Novos Descobrimentos» (escrito com Luís Ferreira Lopes) (ensaio).
A sua dedicação à literatura não se traduz apenas nas obras que produz, pelo que participou na segunda campanha «Salve um Livro», promovida em 2004 pela Biblioteca Nacional, financiando o restauro de um exemplar da primeira edição de «O Uruguai» (1769), de José Basílio da Gama.
Entretanto, continuou a sua ligação às novas tecnologias por duas outras formas: em Janeiro de 2004 iniciou um projecto, e respectiva equipa, para a reconstituição virtual, em computação gráfica, do Teatro Real do Paço da Ribeira, ou Ópera do Tejo; em Abril de 2005 iniciou «Octanas», o seu blog na Internet.

Obras: "No dia dos meus ciclos solares"

No dia dos meus ciclos solares
apaguei as velas de um bolo lunar.
As velas eram cometas;
o bolo era feito de massa estelar.

Recebi muitos presentes universais:
uma chuva de meteoros de brincar;
um jogo de planetas;
uma galáxia completa para montar.

A festa durou até à eternidade.
No dia dos meus ciclos solares
esqueço sempre... a minha idade.


Poema (Nº 59) escrito em 1982 e incluído no meu livro «Espelhos».

quarta-feira, março 29, 2006

Outros: SbH - e «Visões» - no Jornal de Letras

A edição Nº 926 do Jornal de Letras, Artes e Ideias, publicada hoje, 29 de Março de 2006, inclui, entre as páginas 8 e 11, um artigo intitulado «Um mundo cheio de livros», da autoria de Ricardo Duarte e Sofia Freire, que aborda o tema das novas editoras surgidas recentemente em Portugal. Uma delas é, precisamente, a Solutions by Heart; e a juntar ao depoimento de Albertina Dias, sobre os objectivos e a estratégia da SbH, é referido o actual catálogo, que integra, entre outras, a minha obra «Visões». É de notar que é a segunda vez num mês que a editora especializada em áudiolivros é mencionada na imprensa - antes tinha sido na revista Exame Executiva.

terça-feira, março 21, 2006

Obras: "Escrever um livro, plantar uma árvore, fazer um filho"

Sim, eu gostava de escrever um livro,
mas parece-me que não teria leitores que me quisessem e pudessem ler.

Sim, eu gostava de plantar uma árvore,
mas parece-me que já não existe terra suficiente para semear e colher.

Sim, eu gostava de fazer um filho,
mas parece-me que não há mulher que comigo queira se envolver.

E sem árvores para dar papel não é possível escrever.

Hoje, a situação é tal que quase se poderia dizer:
só analfabetos escrevem livros,
só madeireiros plantam árvores
e só crianças fazem filhos.

Escrever um livro, plantar uma árvore, fazer um filho…
É cada vez mais difícil alcançar a plenitude.
Escrever um livro, plantar uma árvore, fazer um filho…
No rasgar, derrubar e abandonar é que está a virtude?


Hoje, 21 de Março de 2006, celebra-se o Dia Mundial da Poesia... e o Dia Mundial da Árvore.

Poema (Nº 254) escrito em 1992 (antes de ser publicado o meu primeiro livro e de nascer a minha primeira filha – ainda me falta plantar uma árvore!) e incluído no meu livro «Espelhos».

domingo, março 19, 2006

Outros: Uma associação de pais com blog

Hoje, 19 de Março de 2006, celebra-se mais um Dia do Pai. É pois lógico que, aqui e agora, faça um convite para que se visite o blog – cuja criação eu sugeri e concretizei - da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico do Sobralinho, cujos órgãos sociais - mais concretamente, o Conselho Fiscal – eu integro desde Outubro de 2005.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Opinião: Falem português, porra!

Em Março de 2004 comprei o DVD do filme «Exterminador Implacável 3 – Ascensão das Máquinas» («Terminator 3 – Rise of the Machines», no original), distribuído no nosso país pela Columbia Tristar Home Entertainment. E encontrei neste DVD dois tipos de falhas. Primeiro, refere na caixa a inclusão de conteúdos que... não estão lá: não há «trailer» do filme «Bad Boys II», não há galeria fotográfica, não há (imagens da) ante-estreia... e a introdução por Arnold Schwarzenegger está não no disco 2 mas sim no disco 1, mesmo antes do filme. Segunda falha, e para mim mais grave: no disco 2, o dos «extras», todo o menu, muitos dos textos e as únicas legendas disponíveis estão em... castelhano.
Pouco tempo depois, contactei a Sony Portugal (posteriormente, contactaria igualmente a DECO), e a pessoa com quem falei disse-me que – além de não ter tido ainda reclamações (antes da minha) e de, também por isso, não ter conhecimento de eventuais defeitos do DVD – as decisões na empresa quanto ao tipo de produtos distribuídos na península ibérica são tomadas... em Madrid.
Poder-se-á perguntar: mais palavras (em português) para quê? Mas a questão é precisamente essa! Aparentemente, a língua portuguesa está, ao invés de se expandir e de se valorizar, a passar por um processo de secundarização, e, por vezes, de eliminação. A vários níveis, em várias instâncias, de várias formas. E nem a religião parece valer-nos muito: não foi há muito tempo que o Vaticano deixou de considerar o português – «apenas» o segundo idioma mais falado pelos católicos! - uma «língua de trabalho». E «descendo» do «sagrado» para o «profano», verifica-se que a nossa língua perde terreno nas instruções, nas legendas e até nos lemas (slogans originais, não traduzidos, nos anúncios publicitários) de produtos e serviços de consumo corrente – veja-se como os textos na nossa língua surgem muitas vezes em itálico e/ou em caracteres mais pequenos.
E a culpa não é só de «nuestros hermanos» – que, é verdade, parecem não perder uma oportunidade (como o referido caso do DVD parece demonstrar) para «apagarem» a nossa língua e a nossa identidade e para imporem as deles. Como acontece em tantas outras situações, os abusos são mais permitidos do que impostos. E até que nem é preciso muito: a diferença está muitas vezes nos pormenores. Porquê falar em «ibérico» – como a propósito do Mercado Ibérico de Electricidade - em vez de «luso-espanhol»? Quando é que os (alguns) portugueses, em especial jornalistas de televisão, vão deixar de falar castelhano com espanhóis, em Portugal mas não só? Eles percebem-nos! O problema não estava tanto em que José António Camacho, espanhol, então treinador do Benfica, falasse castelhano em Portugal; o problema estava mais em que Carlos Queirós, português, então treinador do Real Madrid, não falasse português em Espanha (e Luís Figo, e Ronaldo, e Roberto Carlos...)
Afinal, o que pode e deve ser feito nesta matéria? Que entidades podem e devem intervir? O Presidente da República de Portugal? Jorge Sampaio, primeira figura do Estado, deveria ser dos primeiros a dar o exemplo na utilização da sua língua nas viagens ao estrangeiro que efectua e nas cimeiras internacionais em que participa. Em vez disso, é frequente ouvi-lo falar em inglês e em francês... e, pior do que isso, em castelhano. E depois ainda há quem se escandalize por continuar a haver tantos estrangeiros que pensam que Portugal é mais uma das regiões de Espanha... Este mau hábito – que, é certo, não é só de agora, e que tem sido «partilhado» por muitas outras pessoas (António Guterres era outro «notório» praticante) – não só é ridículo como é também denunciador de uma certa hipocrisia: sempre a apregoarem a necessidade de defender a língua e a cultura portuguesas, acabam por, na prática, serem dos primeiros a colaborarem para o seu enfraquecimento. No fundo, é o perene fascínio pelo que é estrangeiro... Bem pode a presidente do Instituto Camões tentar definir e concretizar estratégias de difusão e de valorização do português no Mundo... Com «patronos» destes a darem maus exemplos, a «meterem golos na própria baliza» e a darem «tiros nos próprios pés» constantemente, para quê dar-se ao trabalho?
As incongruências na utilização do português também acontecem no espaço da lusofonia. Veja-se o que aconteceu com a TVI. No início de 2004 o canal de televisão dirigido por José Eduardo Moniz deu grande destaque à compra e exibição no Brasil, por parte da TV Bandeirantes, de algumas das suas novelas e séries de televisão, em especial «Olhos de Água» e «Olá Pai». A «Quatro» «embandeirou em arco», pode mesmo dizer-se. De facto, estar-se-ia perante um momento de viragem algo «histórico», uma inversão na tendência até hoje dominante – a da «invasão» de Portugal por telenovelas brasileiras. Algum tempo depois, soube-se que havia um (grande) «mas»: as «exportações» da TVI iriam ser dobradas... em «português do Brasil». Motivo? «Os portugueses falam excessivamente rápido e juntam o final das palavras com a seguinte, o que dificulta o entendimento.» Afinal, em que ficamos? É assim que se promove a «reciprocidade», o «intercâmbio de culturas», a «aproximação de povos irmãos»... eliminando as diferenças que supostamente – é o que estão sempre a dizer - nos enriquecem? Isto não é um incentivo à comunicação... é um convite à preguiça! Compare-se com o que aconteceu no nosso país quando «Gabriela» começou a ser transmitida: não se fez dobragem, e, progressivamente, adaptámo-nos, habituámo-nos ao sotaque. E no início não era assim tão fácil entender tudo o que os actores brasileiros diziam...
No fundo, é tudo uma questão de orgulho e de respeito por nós próprios e pela nossa língua... ou de falta de um e de outro. Mas porque é que isso haveria de acontecer? Em 2002, um estudo da UNESCO afirmava que o português era (é) a sexta língua mais falada no Mundo, atrás do mandarim, hindi, castelhano, inglês e bengali... de um total de mais de 6700. Não nos saímos assim tão mal, pois não?

Hoje, 21 de Fevereiro de 2006, celebra-se o Dia Internacional da Língua Materna.

Artigo escrito para o Nº 01 (projecto/protótipo) da revista MAR em 2004.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Opinião: Mestre, Profeta, Santo

Agostinho da Silva está vivo! A sua presença, concreta se bem que não física, a sua influência imensamente abrangente, o seu espírito multifacetado, iluminam a minha existência e a minha experiência, tal como as de muitas outras pessoas, ontem, hoje e amanhã.
Foi há vinte anos. Conheci pessoalmente o professor em 1984, pouco depois da morte do meu pai, por intermédio de uma boa amiga e uma grande senhora chamada Maria Violante Vieira, sua vizinha, amiga e antiga aluna, presidente do comité português da UNICEF e uma das proprietárias da empresa onde o meu pai trabalhava.
O encontro com este homem de idade já avançada mas de mente surpreendentemente jovem, lúcido e interessado por tudo o que o rodeava, constituiu para mim, desde logo, como que um alívio, uma ajuda, um amparo depois do grande sofrimento por que passara. Porém, e para além disso, aquele patriarca, ao acolher-me em sua casa, oferecendo-me a sua amizade como a um membro da sua família, da sua grande família que se estende para além do mar, deu assim início a um percurso pessoal de diálogo e de descoberta, que me permitiu alargar os meus horizontes de uma maneira que antes nem imaginara que fosse possível.
Ainda me lembro como se fosse hoje. Foram tantas as vezes em que, vindo da Rua da Escola Politécnica ou do Bairro Alto, chegava à praça do Príncipe Real e descia alguns passos até à Travessa do Abarracamento de Peniche, onde, no terceiro andar direito do número sete, se situava a sua casa, a sua «escola», o seu «santuário». Entrava e sentava-me, reconhecendo as coisas e as cores que já se haviam tornado familiares, os objectos pessoais, os livros, os gatos, a janela com Lisboa e o Tejo ao anoitecer. A mim, tal como a outros homens e mulheres, o professor concedia-nos o privilégio do seu tempo e da sua atenção, e conversávamos. Uma conversa sem rumo definido, sem orientação prévia, em que se podia falar de tudo, mas em que os temas recorrentes eram, invariavelmente, Portugal, os portugueses, os que falam português, quem são, o que fazem, de onde vinham, para onde iam.
Houve que dissesse, ou sugerisse, que Agostinho da Silva poderia ser uma reencarnação do padre António Vieira. Na verdade, as semelhanças em termos de estilo, de vida e de escrita, de percurso e até mesmo de fisionomia eram várias e impressionantes. Todavia, o mais importante é lembrar, mais do que as coincidências, o facto de ele ter sido, tal como o ilustre eclesiástico e diplomata do século dezassete, a personalização, a corporização concreta e verdadeira de ideias, de conceitos, de expressões que outros conhecem meramente no plano teórico. Quais? «Portugalidade», «Lusofonia», «Encontro de Culturas», «Interdisciplinaridade», «Luso-Tropicalismo», e tantas outras. A actividade, a carreira e as obras deste homem valeram por dezenas, por centenas de acordos culturais, de institutos de investigação, de bibliotecas. Está por fazer-se o «inventário» completo da sua influência em várias áreas do espaço que fala a língua de Camões e de Pessoa, na filosofia, na educação, na cultura, nas artes, até mesmo no pensamento político e na acção social, em Portugal, no Brasil, em África, em todo o Mundo.
Foi há dez anos. Quando ele nos deixou, em 1994, eu estive entre a multidão de admiradores e discípulos, conhecidos e desconhecidos, que passou diante do seu caixão no Mosteiro dos Jerónimos. Pouco tempo depois da sua morte, fui pai pela primeira vez. A vida parece às vezes possuir estranhas harmonias...
Desde então a minha vontade de escrever e de participar nesta Causa, da qual Agostinho da Silva foi o Mestre, o Profeta e o Santo, tem crescido continuamente e irreversivelmente. E tenho tentado aproveitar todas as oportunidades, grandes ou pequenas, sozinho ou acompanhado, para aumentar, espalhar e solidificar a herança que ele e muitas outras pessoas nos deixaram. Sou um «guerreiro-sacerdote» da «Ordem» que ele fundou. Saibamos colher os frutos da árvore que na terra ele plantou. Saibamos navegar no barco que ao mar ele lançou.

Hoje, 13 de Fevereiro de 2006, celebram-se 100 anos do nascimento de Agostinho da Silva.

Artigo publicado na revista África Hoje, Nº 195, 2004/11.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Organização: «Os Novos Descobrimentos» registado na IGAC

Entreguei hoje, 30 de Janeiro de 2006, na sede da Inspecção-Geral das Actividades Culturais, situada no Palácio Foz, em Lisboa, o requerimento de registo de direito de autor - que deu entrada sob o número 489/06 - sobre mais uma obra: «Os Novos Descobrimentos» é um livro que reúne ensaios sobre história, economia, língua e cultura portuguesas e lusófonas escritos – a «solo» ou em «dueto» - por mim e pelo meu amigo Luís Ferreira Lopes, também jornalista, actualmente editor de economia da SIC.
Alguns desses ensaios são inéditos, mas na sua maioria são artigos publicados em diferentes jornais e revistas. O primeiro, e que dá título ao livro, foi editado no Diário de Notícias em 1988; o relato de uma viagem ao Brasil feita por um grupo de jovens portugueses é o pretexto para uma reflexão, não só sobre a estratégia então seguida nas comemorações dos Descobrimentos Portugueses, mas também sobre o papel de Portugal no Mundo em geral e a relação do nosso país com os outros povos de língua oficial portuguesa em particular. Estes são também os temas dominantes em praticamente todos os outros textos seguintes, dos quais se pode destacar «Vozes pela lusofonia: propostas de estratégia para o “reencontro de culturas”», editado na revista Finisterra (em dois números) em 1994, e ainda «Comunidade lusófona: para que te quero?», editado no Diário Económico em 1996. O último texto no livro está datado de 1999/2001.
No prefácio está escrito que este livro não é nem pretende ser «uma obra de carácter científico» mas assenta na convicção de que «Portugal só conseguirá verdadeiramente ultrapassar os seus problemas, tanto os ancestrais como os recentes, e alcançar plenamente a sua grandeza intrínseca, quando assumir como prioridade, de uma forma clara, a defesa e o engrandecimento da lusofonia.» Na verdade, «há vinte anos muito poucos eram os que ousavam questionar as consequências da adesão de Portugal à Comunidade Europeia para lá dos milhões dos fundos comunitários; e que, além disso, insistiam mesmo que não era só na Europa que se poderia encontrar as respostas às nossas perguntas e as soluções para os nossos problemas.» Sempre actual, este debate ganha actualmente uma especial relevância à medida que se aproxima o décimo aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que se celebrará no próximo dia 17 de Julho.
Entretanto, no passado dia 16 de Janeiro apresentámos na Sociedade da Língua Portuguesa, em Lisboa, a candidatura deste livro ao Grande Prémio Internacional de Linguística Luís Filipe Lindley Cintra 2005, promovido por aquela instituição.
«Os Novos Descobrimentos» espera, agora, uma editora que se disponha a publicá-lo e a promovê-lo.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Outros: Contacto com o CIMP

Sendo eu um apaixonado e, de certa forma, um estudioso da música, não poderia deixar de me regozijar pela criação do Centro de Informação da Música Portuguesa. Pelo que decidi enviar ontem, 26 de Janeiro, uma mensagem aos seus fundadores e dinamizadores.
Começando por lhes dar os parabéns pela constituição do Centro, classificando-a como «uma iniciativa importantíssima, indispensável, que, de facto, já tardava», a seguir fazia um apelo para que «efectivamente, e assim que vos for possível, alarguem a vossa acção a outros géneros... e, muito especialmente, a outras épocas. Sou um apreciador de música portuguesa em geral, mas, recentemente, tornei-me grande admirador – e consumidor – de música portuguesa do século XVIII.» Tal aconteceu, obviamente, por ter escrito o livro «Espíritos das Luzes» e ter iniciado o projecto de reconstituição virtual da Ópera do Tejo – que, aliás, «convidei» o CIMP a «visitar» no sítio da ARCI. E prossegui dizendo acreditar que já era mais que tempo que compositores como Carlos Seixas, Francisco António de Almeida, João de Sousa Carvalho, Marcos Portugal e João Domingos Bomtempo, entre outros, «sejam resgatados ao esquecimento quase completo em que permanecem; já é mais que tempo que os portugueses – e os estrangeiros – saibam que, contemporâneos de Bach, Haendel, Mozart, Rossini, Beethoven, e outros, houve compositores portugueses que atingiram a excelência – e, em alguns casos, a fama - nas suas épocas, e que pouco ou nada ficaram a dever a essas grandes figuras estrangeiras que continuamente são reverenciadas e tocadas pelas nossas orquestras (e passadas nas nossas rádios e televisões...). Em Portugal existe um passado musical magnífico que deve ser divulgado, aquém e além fronteiras, e de que nos devemos orgulhar... e que representa igualmente uma herança, e uma validação, de um presente musical que se pretende cada vez mais desenvolvido e relevante.»
Hoje, 27 de Janeiro, recebi a resposta da CIMP, através de João Carlos Callixto:
«Caro Octávio dos Santos: muito obrigado pelo seu contacto e pelo interesse no trabalho desenvolvido pelo Centro de Informação da Música Portuguesa. Parabéns pelas importantes iniciativas que tem desenvolvido e pelo contributo que tem prestado para o reconhecimento e divulgação da cultura musical portuguesa: é uma motivação e afinidade que certamente nos une. Em relação ao seu segundo ponto, é evidente a necessidade de alargar géneros e épocas representadas actualmente no site do CIMP. Todavia, e por estranho que possa parecer, é sobretudo o século XX português que apresenta as maiores carências em termos de levantamento de documentação e de trabalho musicológico, tendo sido essa uma das principais razões que nos levou a começar a orientar o nosso estudo por essa época. Com o tempo, e em função dos recursos humanos e financeiros de que dispusermos, ocupar-nos-emos de outras épocas e géneros. Neste momento, o compositor com a mais antiga data de nascimento é Luís de Freitas Branco, mas progressivamente iremos recuando algumas décadas e abrangendo criadores de outras áreas musicais. (...) Mantemo-nos desde já ao seu dispor para qualquer outro tipo de sugestão ou comentário que pretenda fazer, na certeza que só com a colaboração de todos os interessados poderemos de facto prosseguir da melhor forma o nosso trabalho.»
O Centro de Informação da Música Portuguesa é uma – nova - instituição cujo trabalho merece, de facto, ser acompanhado e apoiado.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Outros: SbH - e «Visões» - no Lifecooler.com

A partir de hoje, 24 de Janeiro de 2006, está publicado no sítio Lifecooler.com – um associado do portal IOL – um artigo intitulado «Audiolivros: ler com os ouvidos», da autoria de Ana Raposo, onde, para além de uma breve retrospectiva «histórico-técnica» do conceito – e do produto – que é o audiolivro, se faz referência à editora Solutions by Heart e às obras (actuais e futuras) do seu catálogo – entre as quais «Visões», da minha autoria.
Esta é apenas a mais recente presença da SbH e do meu livro nos media nacionais. Já na viragem de 2005 para 2006 – a seguir ao Natal e ao Ano Novo, mais concretamente – tanto a editora como a minha obra haviam sido objecto de uma reportagem, exibida, mais do que uma vez, nos principais serviços noticiosos da RTP 1.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Obras: «Festas»

«(...) 6 de Janeiro. Era o Dia de Reis, e toda a família estava reunida para mais uma festa.
Esta data marca, pode dizer-se, o fim da época de Natal. Assinala aquele outro dia acontecido, segundo a lenda, há muitos, muitos, muitos anos, em que três homens muito importantes dessa época, os Reis Magos, de nomes Baltazar, Gaspar e Belchior, visitaram o Menino Jesus e lhe ofereceram ouro, incenso e mirra. E é por isso que existem sítios no Mundo onde é neste dia, e não no de Natal, que são oferecidas as prendas. Para os nossos heróis este Dia de Reis tinha um significado bem especial porque... estavam na companhia de um rei! O Rei Momo, meio a sério, meio a brincar, dizia-lhes: "Quem sabe se eu não descendo de Baltazar? Não tinha ele a pele escura, como eu?"
Uma vez mais, os nossos amigos estavam em movimento, em viagem. Mas desta vez deslocavam-se não numa estrada mas sim numa linha férrea. Estavam num comboio, num enorme comboio, o maior que já tinham visto. Haviam partido ao fim da tarde do dia 1 de Janeiro. O Pai Natal Principal decidira, depois de se reunir e consultar os seus colegas, retribuir a visita do Rei Momo ao País do Natal... com uma visita sua ao Reino do Carnaval. Explicou ele: "Será uma expedição magnífica como nunca se viu antes! Juntas, as gentes do Carnaval e do Natal formarão a maior embaixada de culturas, um invencível exército de paz! Levaremos a mensagem da alegria, do desenvolvimento, da tolerância, do entendimento, do sucesso, enfim, da ordem e do progresso, a outros países e a outros povos que destes valores estão muito necessitados. Proponho-vos, porém, que tomemos outro rumo. Em vez de regressarmos pelo mesmo caminho, para Ocidente, iremos para Oriente. E em vez de irmos, como vocês vieram, em caravana, em cortejo, pela estrada, iremos no nosso comboio. É mais rápido, mais seguro, e, além disso, nos sítios por onde iremos passar está agora muito frio. Para cá o Rei Momo, depois de atravessar o oceano Atlântico, chegou a Portugal, e depois passou por Espanha, França, Bélgica e Holanda, Alemanha, a Escandinávia... até que chegaram aqui. Nesta viagem continuaremos no mesmo sentido, e faremos, praticamente, uma volta ao Mundo! Vamos! Vai ser formidável!" (...)
Este dia estava a correr calmamente, tranquilamente, embalado pelo comboio. Tudo levava a crer que nada de extraordinário iria acontecer. Mas aconteceu mesmo! De repente, uma travagem mais forte manda todos os passageiros para o chão, uns para cima dos outros. Das mesas, dos armários e das prateleiras caem louça e talheres, malas, livros, e muitas outras coisas, que ficaram desarrumadas e espalhadas. Ficou tudo numa bagunça! Felizmente, e por sorte, ninguém ficou ferido, apenas uns arranhões e umas nódoas negras. Foi mais um grande susto! Mas o que teria acontecido? O que se teria passado lá fora que obrigara o maquinista a parar o comboio tão depressa? Assim que se levantaram, e que tiveram a certeza que estavam bem, correram para as janelas... e o que viram pregou-lhes outro, e ainda maior, susto!
Estavam cercados por um exército, com soldados e com canhões. Estes apontavam para o comboio, para a locomotiva, para as carruagens e para os vagões! Quem seriam eles, e o que queriam? Eram centenas, e parecia que vinham do passado, de uma aula de História, de um livro ou de um filme: os seus uniformes eram antigos, iguais aos que usavam os militares do início do século dezanove. Os chapéus altos com pala, os casacos de estilo jaquetão de cores azul e encarnada, as calças brancas justas, as botas pretas de cano alto. Às costas usavam uma mochila, nas mãos tinham uma espingarda com uma baioneta. Muitos montavam cavalos. Eram como soldadinhos de chumbo, mas em tamanho grande... e vivos! (...)
Então, saíram, de entre as fileiras de soldados, três cavaleiros, que começaram a descer a colina. Quase de certeza que eram os líderes daquele estranho exército: via-se pelo porte garboso que ostentavam, pelas medalhas no peito que mostravam... Contudo, a meio caminho, os três desequilibraram-se... e caíram! Por entre muitos insultos murmurados entre dentes, e os risos dissimulados dos seus soldados, lá voltaram a montar os seus corcéis e continuaram, um pouco abalados, amarrotados... e também um pouco sujos. Quais seriam as suas intenções? Amistosas ou hostis? Em breve iriam saber. Aproximaram-se. Pararam. E apresentaram-se.
"Salve! Eu sou o General Junot...", disse o primeiro. "... Eu sou o General Soult...", disse o segundo. "... E eu sou o General Massena", disse o terceiro. "Somos descendentes dos oficiais com o mesmo nome que, há muitos anos, estiveram sob as ordens do grande imperador Napoleão", disse Junot. "E hoje, tal como ontem, os ideais, os princípios pelos quais nos guiamos e orientamos o nosso combate, mantêm-se. Liberdade, igualdade, fraternidade! Lutamos contra todos os tiranos, onde quer que eles se encontrem", reforçou Soult. "É uma feliz coincidência que, neste Dia de Reis, tenhamos encontrado mais um dos que se dizem soberanos, que se intitulam monarcas, enfim, mais uma das infames cabeças coroadas. Ó tu, que dizes chamar-te Rei Momo, prepara-te para dizer as tuas últimas orações! O teu crime é ainda mais hediondo porque, se tens a pele negra, não és mais do que um mísero escravo a usurpar um trono que nem sequer existe. Se ainda não sabes, vais ficar a saber o que fazemos no nosso país a indivíduos da tua laia... cortamos-lhes as cabeças! Tragam a guilhotina!", sentenciou Massena. (...)
(Excertos do meu livro «Festas», uma narrativa infanto-juvenil... para todos!)

domingo, dezembro 25, 2005

Obras: "Cristo renasceu na Roménia"

Cristo renasceu na Roménia
e os novos anjos espalharam rapidamente a notícia sensação.
Aconteceu nas ruas, que o parto inundou de sangue e de lágrimas,
porque nas casas já não havia lugar para o silêncio e para a resignação.

Cristo renasceu na Roménia
e o velho tirano, receoso, mandou matar as crianças, inocentes reféns.
Os que têm paz no ódio declararam guerra ao amor
mas não venceram mesmo depois de abaterem os pais e as mães.

Cristo renasceu na Roménia
e os reis do Mundo acorreram a oferecer riquezas.
Foram guiados pela estrela de fogo que brilhava da terra até ao céu,
e recebidos pelos cadáveres dos pastores que se cansaram de tristezas.


Poema (Nº 208) escrito em 1989 e incluído no meu livro «Museu da História».

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Obras: "Guitarra"

Pega na minha guitarra
e vamos guitarrar.
Dedilha suavemente as minhas cordas;
toca uma música de embalar.

A noite ainda é uma criança que quer brincar,
maravilhada com sons festivos e perfumes inebriantes.
No reino da boémia o meu reinado acaba de principiar;
sou dono e senhor até os arautos da madrugada se revelarem triunfantes.

Canto o fado entre gritos apaixonados
de amantes capazes de matar por ciúmes.
Uma cigana lê-me a sina e prevê momentos sublimados
enquanto fogosas dançarinas me abordam com lânguidos queixumes.

Sinto a inspiração a embriagar-me;
pelo prazer e pela arte vale a pena viver a vida.
Uma rodada de êxtase para todos, pago eu!
Dêem de beber ao amor, e a dor não será sentida.

Agarra na minha guitarra
e vamos guitarrar!
Dedilha violentamente as minhas cordas;
toca uma música de arrebatar!


Hoje, 21 de Dezembro de 2005, passam 200 anos sobre a morte de Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Poema (Nº 156) escrito em 1986 e incluído no meu livro «Alma Portuguesa».

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Organização: MAR é minha marca

Hoje, 2 de Dezembro de 2005, desloquei-me ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, em Lisboa, onde procedi – concluindo um processo que se iniciou em 21 de Novembro de 2003 - ao registo nacional definitivo, em meu nome, da marca MAR, que é também o título da revista que constitui, há mais de três anos, o meu principal projecto profissional.
A ideia surgiu-me há quase dez anos. A 5 de Fevereiro de 1996 apresentei no Palácio Foz, na então Direcção Geral de Espectáculos, actualmente Inspecção Geral das Actividades Culturais, um requerimento de registo em meu favor do direito de autor sobre um «projecto de uma revista mensal, de edição nacional e (também) com distribuição internacional, sobre os factos e as figuras das culturas dos povos lusófonos.»
Em 1998 uma primeira versão da MAR esteve perto de se tornar realidade. Na editora onde eu então trabalhava um grupo de trabalho chegou a ser formado, um primeiro estudo gráfico chegou a ser realizado... mas não se foi além disso. Só em 2002 o projecto viria a registar não só um novo dinamismo mas também uma nova direcção. E a causa da mudança foi... o Campeonato do Mundo de Futebol desse ano, que decorreu no Japão e na Coreia do Sul. Para ser mais preciso, foi a prestação vergonhosa da selecção nacional nesse campeonato, que, à semelhança de anteriores «humilhações futebolísticas», mergulhou o país num exagerado mas inegável estado de frustração colectiva. Como se o destino de uma nação se jogasse única e exclusivamente na forma como onze marmanjos chutam uma bola. O sentimento generalizado de desilusão, de desânimo, de decepção, ficou bem ilustrado numa caricatura de António Maia publicada no jornal O Ribatejo de 4 de Julho desse ano: nela viam-se dois homens que levantavam uma faixa onde se lia «Queremos ser campeões de qualquer coisa!!» Quando a vi pensei: «Mas... nós somos, ou fomos, campeões de muita coisa!!» E então na minha mente fez-se «luz»!
Assim, o nome mantém-se, as secções então pensadas estão praticamente todas, o «espírito» é o mesmo, os destinatários não mudaram. O que mudou sim foi o âmbito, que se alargou, e a abordagem, que se especializou.
A MAR tem como lema «Sucesso que fala português» (registado em 21 de Janeiro de 2004 na IGAC), e é esse também o seu objectivo: procurar os nossos vencedores - individualidades e instituições - em todos os sectores; dar a conhecer (melhor) todos os falantes da nossa língua – sejam eles portugueses, brasileiros, africanos, timorenses, luso-descendentes - que alcança(ra)m o «pódio» - ou quase – em qualquer área de actividade (política, economia, ciência, cultura, desporto...), que ganharam fama e/ou proveito não só no presente, como também no passado.... mas sempre numa perspectiva internacional: agora, o critério básico, determinante, é a (vitória em) competição com estrangeiros e/ou o reconhecimento (distinção) por estrangeiros – isto é, não falantes de português.
Houve quem me dissesse que este seria um mau momento para se lançar uma nova publicação. Muito pelo contrário: esta é a melhor altura para se lançar um novo tipo de revista, de um género que nunca até hoje havia existido no nosso país... precisamente porque faz (fazia) falta algo para contrariar o negativismo que nos rodeia. Que, é certo, não é só recente, mas que se agravou, e muito, nos últimos dois, três anos. Devido, sim, ao Campeonato do Mundo de Futebol, mas também à multiplicação dos estudos, das sondagens, das comparações, dos relatos e das opiniões que apontam invariavelmente na mesma direcção, que retiram a mesma conclusão: somos dos piores da Europa, quando não do Mundo, em diversos indicadores de desenvolvimento, na saúde, na educação, na (reduzidas produtividade e competitividade da) economia, na segurança (ou seja, na criminalidade...) As situações escandalosas, os exemplos de fracasso, os casos de insucesso, os últimos lugares nas tabelas estatísticas sucedem-se. A nossa auto-estima está muito por baixo. A desmotivação, a depressão, são dominantes.
Nem tudo é sempre uma «apagada e vil tristeza»; é preciso igualmente pensar, dizer e agir pela positiva. Recusamos a «ditadura da negatividade»... e também recusamos a «ditadura da actualidade». À MAR não interessa, dentro do seu âmbito, apenas o que aconteceu no dia, na semana ou no mês anterior. Se for relevante para o seu objectivo, também nos interessa o que aconteceu há um, dez, cinquenta, cem anos atrás. Ou mais! Há histórias que devem ser reveladas; há outras que merecem ser recordadas. E os casos de sucesso «em português», de hoje e de ontem, são muitos e não são difíceis de encontrar; eles estão espalhados um pouco por todo o lado; encontramos com frequência referências a compatriotas, ou a irmãos no idioma, que se tornaram, em várias áreas, o «número um»... ou ficaram muito perto disso. Era pois necessária uma revista que reunisse, que centralizasse, aprofundasse, e, logo, que valorizasse, todos esses casos, todas essas referências.
A MAR surge também como um meio, um contributo, para tentar estabelecer um equilíbrio no panorama da informação no - e sobre o - espaço dos países e dos povos de língua portuguesa; é um projecto plural. A MAR quer estar onde estiver um falante (ou leitor) de português, constituindo assim um factor de identificação, um elo de ligação, entre uma comunidade mundial que partilha uma língua e uma cultura. São muitas as possibilidades; a questão está em saber se queremos – porque de certeza que podemos – torná-las realidades. Para a MAR, a frase «a minha pátria é a língua portuguesa» não é uma figura de retórica: é um ideal que é real, em que acredita(re)mos e que vive(re)mos todos os dias.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Opinião: O real eixo atlântico

É cada vez mais evidente aquilo em que Portugal se tornou: um país destruído - por incêndios (grande parte, talvez a maior, de origem criminosa) mas não só - e deprimido, desequilibrado, ridicularizado no estrangeiro por acontecimentos típicos do Terceiro Mundo – sejam prostitutas em Bragança, «arrastões» na praia de Carcavelos e nos comboios da linha de Sintra, ou a IP5 como a «segunda estrada mais perigosa do Mundo». Na república portuguesa o crime compensa; reinam o desinteresse e a incompetência, a permissividade e a impunidade. O Estado não mostra ter autoridade, e não inspira segurança e confiança aos cidadãos.
Porém, por incrível que isso possa parecer, existe um país, muito distante mas ao mesmo tempo muito próximo de nós, cuja situação é ainda pior: o Brasil. O escândalo que ficou conhecido como «Mensalão» - em que grandes empresas portuguesas poderão estar envolvidas! - veio provar definitivamente, em especial aos mais ingénuos, que na república federativa do Brasil nenhum sector da política, da «esquerda» à «direita», se aproveita; lá, onde as assimetrias sociais são inacreditáveis, a corrupção não é um mal - é um modo de vida; e que, além dos futebolistas, o grupo de profissionais com as carreiras mais promissoras são os criminosos – sejam eles os dos palácios de Brasília ou os das favelas do Rio de Janeiro. E, entretanto, a Amazónia continua a arder...
Nos dois países irmãos os problemas são semelhantes, apesar de as suas dimensões serem diferentes. E a - melhor - solução é a mesma: a restauração da Monarquia.
Já existem, felizmente, muitas ligações entre Portugal e o Brasil. Construamos, reforcemos, mais uma: um real eixo atlântico. Que, unindo os monárquicos dos dois países – e as famílias dos pretendentes aos tronos, aliás já há muito unidas por laços de sangue, de parentesco – numa causa comum, contribua para restituir, o mais rápida e firmemente possível, a honra e o amor-próprio a ambas os povos, eliminando ao mesmo tempo os «bandidos» que, nas duas margens do mar, se apoderaram do «ouro» - literal e figurado.
No Brasil a grande ladroagem começou em 1889: foi neste ano que a república foi instaurada... depois de a Monarquia ter abolido definitivamente (em 1888...) a escravatura. Ou seja, 21 anos antes de os assassinos terem tomado o poder em Portugal. Numa e noutra nação já é tempo demais de baixaria; numa e noutra nação já é chegado o tempo de as vozes da coragem, da probidade e da tradição se erguerem e proclamarem bem alto que o regime tem de mudar... e passarem das palavras aos actos.
E esses actos implicam... pegar em armas. Retribuir, pagar bem caro, e na mesma moeda, a afronta feita em 5 de Outubro de 1910. Não tenhamos mais ilusões: pelo menos em Portugal a restauração da Monarquia só se fará pela força. Nunca os «republicanos» de meia-tigela deste país permitirão que se faça sequer um referendo sobre o assunto... e isso comprovou-se novamente neste ano de 2005, quando, durante o processo – mais um! – de revisão constitucional, se introduziu um novo artigo (o 295º) que permite a realização de referendo(s) sobre tratado(s) europeu(s) mas não se introduziu outro que permitisse a realização de um referendo sobre o regime! Aliás, nem o famigerado artigo 288º - o de qualquer revisão ter de respeitar a «forma republicana de governo» - foi alterado.
E com que armas se pode derrubar a república? Com as das forças policiais e militares nacionais, que estão entre os segmentos sócio-profissionais mais descontentes com a actual situação de Portugal, e, em particular, com os ataques de que estão a ser alvo por parte do actual governo. Na verdade, esse descontentamento é geral... e praticamente total: os portugueses – nota-se nas ruas e nas mensagens que, de uma forma ou de outra, chegam aos meios de comunicação – atingiram o ponto de saturação; fartos dos políticos, dos quais dizem serem «todos o mesmo», querem, exigem, uma mudança completa; entre outras propostas mais ou menos radicais, alguns até propõem na brincadeira – ou será que é a sério?! – que sejamos anexados pela Espanha... Como se não houvesse outra alternativa. Mas há. E décadas de desinformação, de propaganda, de deturpação da História, não foram suficientes para a apagar, para a destruir.
A democracia é, sem qualquer dúvida, e quase sempre, a melhor forma de governar uma sociedade. Todavia, ela não passará de um embuste, de uma fraude, se não estiver assente sobre bases sólidas e visíveis; se, à partida, os dados estiverem viciados, se as cartas estiverem marcadas. É o que se passa tanto em Portugal como no Brasil: não foram removidos todos os elementos, agrupamentos e comportamentos nocivos que, directa ou indirectamente, corroem, minam, as legítimas estruturas e os processos normais dos dois países, e impedem um verdadeiro desenvolvimento em todos os aspectos. Ambos precisam de um período de excepção; de uma breve, embora implacável, ditadura. Para pôr as «casas» em ordem; para as «limpar». E para depois se poder, realmente, recomeçar.

Hoje, 1 de Dezembro de 2005, passam 365 (300+50+10+5) anos sobre a Restauração da Independência de Portugal.

domingo, novembro 27, 2005

Obrigado: Aos que compareceram hoje

Exprimo aqui o meu agradecimento – depois de já o ter feito pessoalmente e no local – ao meu irmão Pedro dos Santos, e aos meus amigos Sérgio Sousa Rodrigues, Céu Dias e Emanuel Rosa, por terem comparecido hoje à cerimónia de apresentação da minha obra «Visões», em formato áudio-livro, na loja FNAC do Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Oráculo: «Visões» é relançado em Lisboa e no Porto

A minha obra «Visões», agora em formato de áudio-livro (disco) editado pela Solutions by Heart, vai ser apresentada: no próximo dia 27 de Novembro, às 12.30 horas, na loja FNAC do Centro Comercial Colombo, em Lisboa; e no próximo dia 4 de Dezembro, às 17 horas, na loja FNAC de Santa Catarina, no Porto.
Tal como anunciei no passado dia 7 de Julho, o trabalho que constituiu, em Novembro de 2003, a minha estreia literária... em papel, veio a tornar-se, posteriormente e devidamente adaptado (este primeiro volume inclui apenas cinco dos 25 contos presentes na edição original – “Mãe”, “Jovem executivo de sucesso”, “Aniversário”, “Caminhos de ferro” e “A fronteira”), num dos primeiros produtos de uma nova empresa – juntamente com «O Islão Segundo um Ocidental», do meu amigo Sérgio Sousa Rodrigues (S. Franclim), e de «Contos» de Hans Christian Andersen (este em dois volumes).
Estas obras vão estar disponíveis, numa primeira fase, e a partir de dia 14: nas lojas FNAC; e nos postos da GALP do Aeroporto de Lisboa, Águas Santas (perto do Porto), Alcácer do Sal, Aveiras e Oeiras.
Para mais informações, aconselho o acesso, em primeiro lugar, ao sítio da SbH. Depois, à página do «Visões» no sítio da SbH. A seguir, à página do «Visões» no sítio da FNAC. E a Simetria faz também referência a este relançamento.